XIV

O LIMIAR DA DOR

A tradição das grandes Casas bruxas dizia que a mão de uma jovem deveria ser pedida ao seu pai no momento em que ela completasse dezesseis anos. Um ano mais tarde, os noivos convolariam núpcias, de forma que a outrora menina virasse mulher no exato dia em que alcançava a sua maioridade.

Muitos anos se passaram, mas pouco mudou naquela tradição. Em vez de condicionar os matrimônios das jovens à maioridade, agora as famílias bruxas preferiam casar suas filhas no mesmo verão em que elas deixassem a escola. Poucas eram as garotas que conseguiam evitar aquele destino – Bellatrix Black, por exemplo, era uma rara exceção por estar solteira aos vinte anos, e envergonharia a sua família, não fosse a aparente facilidade de encontrar pretendentes.

Narcissa Black preferia a tradição antiga. Ela queria se casar ao completar dezessete anos – e, sinceramente, não via motivos para não o fazê-lo. O seu pretendente, Ludovic Bagman, já tinha lhe comprado uma aliança, estaria ganhando um bom dinheiro, tinha uma casa para morar, herdada da avó paterna, e a amava imensamente. Narcissa não conseguia ver motivos para postergar a sua felicidade por um ano e seis meses, se poderia ser a esposa do homem que amava já no próximo inverno.

Por sorte, Ludovic concordava com ela. E, naquela manhã, ele se encontrava trancado no escritório de Cygnus Black, pedindo a sua permissão para transformar a sua garotinha numa mulher.

Narcissa caminhava de um lado para o outro, nervosa, enquanto Bellatrix a olhava com uma pontinha de escárnio.

- Você vai abrir um buraco no chão, Cissa.

Ela tentou sorrir, olhando para a irmã mais velha. Bellatrix lhe parecia mais bonita do que na última vez que a vira, em setembro. Os seus cabelos estavam um pouco mais claros e a expressão em seu rosto era mais amena. Narcissa desconfiava que aquele ar de felicidade só pudesse ser causado por um novo pretendente; e felicitou-se com a possibilidade de um casamento duplo no próximo dezembro. Triplo, caso Andromeda também se casasse... mesmo que fosse com Lucius Malfoy.

- Como você conseguiu fazer isso, Bella? Foi pedida em casamento três vezes!

A irmã deu de ombros.

- Na primeira e na última vez eu não estava apaixonada. Mas quando Archibald veio me pedir em casamento, eu me lembro de ter ficado nervosa.

- E o que você fez.

- Eu bebi.

Narcissa riu nervosamente, tentando decifrar no rosto bem-humorado da irmã se ela estava brincando ou não. Não era do feitio das mulheres da sociedade beber fora de ocasiões especiais, e, excetuando os noivados falhos, Bellatrix era a imagem da perfeição puro-sangue.

- Eu não acho que hidromel vá fazer muita diferença.

- Eu bebi uísque de fogo, irmãzinha! – Bellatrix riu-se. – Mas, novamente, eu não era tão apaixonada por Archibald quanto você é pelo seu... jogador de quadribol – ela disse a última parte com desprezo.

- Você não aprova o nosso casamento, não é?

- Não. Nem um pouco. Ludovic... ele poderia fazer Andromeda feliz, eu acho, porque ela gosta de viajar. Ele até poderia me fazer feliz, porque eu gosto do glamour e da fama. Mas você... Você, Cissa, nasceu para ficar em casa e se encher de filhos.

- Mas dele você gosta.

- Gosto, como um amigo. Mas não gostarei dele como o seu marido. Eu acho que Andy é quem deve casar com o jogador de quadribol. Você deve se casar com um Ministro da Magia.

Narcissa rolou os olhos, pensando subitamente em Lucius Malfoy. Se ele acabasse casando com Andromeda, a profecia de Bellatrix sairia pela culatra.

- E você, Bella?

- Eu? – Ela sorriu, sonhadora. – Eu nasci para me casar com o Comensal da Morte. Ou com o líder deles.

- Ah. Eu deveria ter desconfiado. Como está a sua amizade com Lorde Voldemort?

- Em ascensão.

O sorriso de Bellatrix vacilou só por um momento, e ela pareceu querer falar alguma coisa para Narcissa; mas foi impedida pelas vozes alegres de Cygnus, Druella e Ludovic. Seu coração deu um salto, e ela já conseguia sentir as lágrimas começarem e se acumular.

O trio chegou à sala rindo, e os pais olharam carinhosamente para Narcissa quando Ludovic se aproximou, segurou-lhe a mão e chamou-lhe a ser sua companhia nos jardins.

Era apropriado. Os jardins da Casa dos Black sempre proporcionavam um ambiente romântico; especialmente agora, no mês de dezembro – aquela era a opinião apenas de Narcissa, que sempre preferiu o branco do inverno às cores do verão.

O frio apunhalava o seu rosto, mas ela não se importou. Ludovic estava ao seu lado, pronto pra lhe aquecer.

Ao chegarem perto das roseiras congeladas, ele disse:

- Ele não consentiu.

O sorriso perpétuo que Narcissa carregava desde aquele dia, no Hogwarts Express, finalmente morreu. O coração acelerou ainda mais, enquanto um nó se formava em sua garganta e um vinco em sua testa, entre as sobrancelhas.

- Como? Vocês pareciam tão felizes!

- Bem, eu preferi colocar um sorriso no rosto e não contrariar eles! Ele disse que ainda era cedo demais, Cissa. E sua mãe disse que ainda não estava preparada para lhe deixar ir.

Aquilo zangou a filha mais nova de Druella. A mãe se casara com o pai no exato dia em que completou dezessete anos! Por que agora lhe negava a oportunidade de fazer o mesmo?

- E você aceitou?

- O que eu podia fazer? – Ele deu de ombros. – O seu pai disse uma coisa e... talvez ele tenha razão. Nós vamos passar dois anos separados, Cissa. Eu sei que não vou mudar a minha opinião sobre nós, mas talvez você mude.

- Eu nunca-!

- Então nós não temos nada a temer! Eu... negociei algumas coisas com os seus pais. Eles disseram que você poderá passar todos os recessos e períodos de férias em minha casa, como se casados fôssemos.

Ela franziu o cenho.

- Mas eu não quero isso.

- Não?

- Claro que não! Ludo, eu vou me casar de branco e no com o ritual tradicional.

- Eu sei disso, meu amor!

- Você acha que as pessoas vão acreditar em mim, se eu passar as minhas férias dividindo uma casa com você? Eu sei que ninguém mais se casa como mandam os costumes, mas eu sou uma Black! A minha mãe se casou de branco, e a mãe dela antes. Eu não vou trazer vergonha ao meu nome!

- Tá bom! Calma! – Ele desviou o olhar. – Nossa, Cissa! Eu só propus isso aos seus pais porque... bem, porque eu amo você! E eu não quero passar dois anos a vendo só em alguns poucos fins de semana!

Narcissa respirou fundo algumas vezes, percebendo que, de fato, estava nervosa. E não era justo tratar Ludovic daquela maneira; já que nos dois anos em que eles estiveram juntos, o garoto se mostrou mais que respeitoso. Ludovic era paciente com ela, e entendia quando Narcissa dizia que não queria sequer ser tocada em lugares mais íntimos, como as pernas ou os seios. Ele entendia, e por dois anos tinha passado por cima das próprias necessidades que, como um homem, ele deixava claro ter.

Tentou não soar amarga quando disse:

- Meus pais só concordaram com esse seu... arranjo porque sabiam que eu jamais o aceitaria. Nada pode me fazer esquecer a minha descendência, Ludo. Nem mesmo você.

Ele suspirou e, antes de responder, deu um beijo casto na testa da namorada.

- Eu sei.

- Você deveria se felicitar por querer se casar com uma mulher de honra.

- Eu estou. Pode acreditar.

XxXxXxX

Bellatrix Black recebeu com surpresa a notícia de que os seus pais haviam rejeitado o noivado de Ludovic e Narcissa. A família Bagman, apesar de não ser muito importante, era suficientemente tradicional e rica; em termos puramente práticos, a união não podia ser considerada indesejável. Além disso, ouvira mais de uma vez o pai afirmar que o namorado da filha mais nova o agradava, e que ele não via à hora de tê-la casada.

A desculpa usada pelos seus pais também lhe deixou desconfiada. Afinal, não existia no mundo bruxo casal mais ligado à tradição que Cygnus e Druella. Eles tiveram um casamento arranjado no exato dia em que a mulher atingiu a maioridade e, Bellatrix tinha certeza, ficariam muito felizes se as filhas quisessem ter o mesmo destino.

A primogênita Black suspeitava que o comportamento dos pais tivesse algo a ver com a visita inusitada que receberam uma semana antes: Abraxas Malfoy, que aparecera às portas da casa de Bellatrix sem convite, e parecendo extremamente perturbado. A jovem sabia que o interesse do Sr. Malfoy em juntar as duas mais tradicionais famílias bruxas se tornara uma verdadeira obsessão. Se, de alguma forma ele tivesse sabido que Ludovic pretendia pedir a mão de Narcissa em casamento, era até esperado que tivesse despejado algumas ameaças sobre Cygnus.

Quando voltasse para casa, perguntaria aos pais se a sua teoria estava correta. Naquele momento, tinha que encontrar-se com Lorde Voldemort.

Semanas havia se passado desde o encontro em que ela fora obrigada a matar uma pessoa. Nos dias que o sucederam, Bellatrix teve pesadelos todas as vezes que se obrigava a fechar os olhos. Nunca antes ela tinha sentido algo parecido com aquela culpa. Nunca antes ela se imaginaria chorando por uma sangue-ruim – muito embora, na verdade chorasse por si mesma.

Mais uma vez, foi uma carta de Rodolphus Lestrange o que a fez aceitar suas ações. O amigo garantiu-lhe que na medida em que a contagem de corpos aumentasse, matar se tornaria cada vez mais fácil. Disse que aquele era o único caminho, caso Bellatrix quisesse ser a maior Comensal da Morte que já existiu. Caso quisesse ser uma rainha.

Bellatrix concluiu, por fim, que de nada serviria ter feito aquela coisa hedionda, se não prosseguisse com os seus planos. O pior já tinha passado; ela já tinha ceifado a vida de alguém. E o fizera da pior maneira: usando as próprias mãos em vez de feitiços. Se ela conseguira passar por aquilo, nada mais poderia lhe assustar.

Agora, a jovem se encontrava com Lorde Voldemort duas vezes por semana. E ele lhe ensinava magias tão antigas que não mais se encontravam em livros. E, apenas ocasionalmente, Bellatrix conseguia fazer com que as suas mãos se tocassem, e ela tinha certeza que conseguia ver um brilho diferente nos olhos avermelhados sempre isso acontecia.

Aparatou a mais ou menos cem metros da casa dos Avery – num vasto campo que geralmente era coberto por flores, mas sucumbia ao branco do inverno. A casa não era tão grande quanto as mansões das demais famílias tradicionais, mas tinha lá o seu charme. Os jardins eram incrivelmente belos no verão, e a grande biblioteca e a coleção de artes davam inveja até mesmo aos Black.

Sentindo a neve salpicar-lhe os cabelos e a capa negra, caminhou até os portões abertos da casa, logo sendo recebida por um elfo doméstico que a guiou até a biblioteca, onde Lorde Voldemort a esperava.

Com um sorriso se apoderando dos seus lábios, a jovem tirou a sua capa e revelou suas vestes carmins profundamente decotadas. Sentiu satisfação quando os olhos do Lorde queimaram cada uma das suas curvas.

- Espero não estar atrasada – Disse, sabendo que chegara na hora. Não se atrevia a deixar aquele homem esperando.

Um sorriso perverso brincou nos lábios do Lorde. Aproximou-se e tomou a sua mão, beijando-a demoradamente, enchendo o coração de Bellatrix de esperança.

- Você está muito bonita hoje.

- Obrigada, Meu Lorde. Lembro-me que o senhor mencionou gostar de vermelho... Embora eu ache que as vestes negras dos Comensais me deixariam muito mais atraente.

- Discordo. Gostaria que você usasse esse tipo de roupa com mais freqüência.

Bellatrix notou que os olhos do Lorde fixaram-se em seu decote quando disse aquilo. Um calor subiu-lhe às faces e desceu ao seu ventre.

- Será um prazer.

- Só não sei... – Ele tocou o seu cabelo castanho, prendendo suavemente uma mecha rebelde atrás da orelha de Bellatrix. – se essa roupa será boa para a nossa lição do dia.

O Lorde estava tão diferente... tão doce e galante.

Bellatrix deveria ter percebido que havia algo errado. Mas preferiu imaginar que ele finalmente estava percebendo que estava se apaixonando.

- Então deveríamos esquecer a lição de hoje e tomarmos juntos um pouco de vinho dos elfos.

Ele deu uma risada fria.

- Eu não comprometeria o seu aprendizado, minha querida. Tenho grandes planos para essa aula. Hoje, Bellatrix, concentraremos numa maldição imperdoável. Você diz que quer ser Comensal da Morte. Pois bem, os meus Comensais usam maldições imperdoáveis quase diariamente. É algo que eles têm que dominar. Você sabe a primeira regra das maldições imperdoáveis?

Bellatrix assentiu, tentando parecer séria e determinada, apesar do seu orgulho feminino ter sido ferido. Respondeu:

- Ela só funcionará se você quiser.

- Exatamente. Então, pequena, me diga por que você falhou miseravelmente na sua tentativa de usar a maldição da morte contra aquela sangue-ruim?

Corou.

- Eu... não sei, Meu Lorde. Posso ter me assustado.

- Não, Bella. Você simplesmente não quis matar.

- Mas eu matei – replicou imediatamente, de uma forma petulante. O rosto do Lorde se contorceu no que ela achou ser raiva. – Eu acho que isso deveria contar em meu favor.

Lorde Voldemort a observou por um tempo, pensativo. Aos poucos, a raiva desaparecia das suas feições; mas havia um brilho naqueles olhos vermelhos que Bellatrix não conseguia ler. Um brilho que lhe dava arrepios.

- Talvez, Bella, a maldição da morte não seja a que mais combina com você. Todo bruxo tem uma especialidade dentro das maldições imperdoáveis. Eu posso efetuar todas elas com maestria, é claro, mas sempre fui melhor na maldição da morte que nas demais. Eu vi a forma como você golpeou aquela mulher. Você não teve medo de sujar-se com o sangue dela, e você lhe furou muito além do necessário. Dois golpes como aqueles deveriam ser suficientes para garantir a morte, minha querida, mas você continuou. Aquilo foi lindo.

Bellatrix sorriu e agradeceu educadamente. Mas, em sua mente, perguntava-se se o Lorde estava certo. Gostava de pensar que não; que apenas tinha feito aquilo por ter entrado em pânico. Com o tempo, as mortes que ela efetuaria seriam limpas e rápidas.

O Lorde se aproximou.

- Talvez... Talvez a maldição Cruciatus. Eu raramente erro sobre essas coisas, Bella. Realmente acho que você tem um talento escondido para a tortura.

Mais uma vez, Bellatrix desejou que o Lorde estivesse errado. Obrigou-se parecer corajosa.

- Eu posso fazê-la. Já pratiquei com animais e com alguns elfos domésticos.

- Eu pensei que você também tinha feito o mesmo com a maldição da morte?

- Sim – confessou, sentindo-se corar. – Mas, talvez, saber que a pessoa não morrerá me ajude. Qualquer pessoa pode se recuperar de uma tortura.

- Na verdade, Bellatrix, já vi pessoas serem levadas a loucura pela maldição Cruciatus.

- São fracos – Respondeu com convicção. – Leve-me até um prisioneiro, Meu Lorde. Eu mostrarei que sou capaz.

Foi então que o sorriso brotou nos lábios dele. Não era o sorriso galante pelo qual Bellatrix ansiava o tempo inteiro. Era algo... diferente. Algo que fez com que um arrepio cruzasse a espinha. Pela primeira vez em sua vida, Bellatrix sentiu medo de alguém. Pela primeira vez em sua vida, a jovem quis correr para casa e esconder-se na segurança do escritório do pai.

Sem perceber, deu um passo para trás, se protegendo de uma ameaça que, até aquele momento, ainda era invisível.

- Eu sempre achei, Bella – ele disse. A sua voz gelada, como nunca antes –, que uma pessoa não era digna de usar a Cruciatus antes de saber exatamente o que ela causa. A maldição da tortura tem que estar em suas veias, ela tem que ser sentida... Só há uma maneira de isso acontecer.

Lágrimas vieram aos olhos de Bellatrix, mas ela não as deixou cair. Não agiria como uma garotinha sempre que o Lorde lhe pedisse algo difícil.

Todo o seu corpo, todo o seu instinto, lhe dizia para sair dali. Para fugir. Para se preservar. Mas ela queria ser uma rainha. Corajosamente, sem jamais quebrar o contato visual com o Lorde, assentiu.

Com um tom insolente, desafiador, disse:

- Que seja.

Ela viu o sorriso do Lorde se tornar incrivelmente maldoso e uma chama se apoderar os olhos dele, antes de erguer a varinha.

O raio escarlate lhe atingiu no peito e a fez voar, suas costas encontrando uma estante de livros antes da sua queda. Mas não foi isso o que a fez gritar.

A dor... A dor era algo que Bellatrix não conseguiria imaginar nos seus piores pesadelos. Era como se o seu sangue houvesse se transformado num rio de lava, como se milhares de facas penetrassem a sua pele, como se todos os seus ossos se quebrassem. Tudo de uma vez só, combinado com terríveis visões de fogo e destruição repetindo-se em sua mente, com angústia, aflição, desgosto...

Aquilo era o inferno.

Não sabia mais se continuava gritando. Não sabia se verbalizara o seu desejo de morrer.

Por fim, ela esqueceu quem era, e o que fazia ali. Ela não existia mais. A dor era a única coisa.

E, de repente, ela parou.

A consciência voltou à Bellatrix aos poucos. Percebeu o seu rosto colado ao chão, e havia gosto de sangue em sua boca. Ela sentia dor no rosto, na nuca e nas costas, mas o resto do seu corpo estava dormente.

Lentamente, se ergueu até se pôr de joelhos – seu vestido carmim formando uma figura ao seu redor que perturbadoramente assemelhava-se a uma poça sangue.

- Eu... – A sua voz vacilou, e Bellatrix achou melhor que o Lorde falasse primeiro; assim teria tempo de recompor-se.

- Cubra-se – Ele disse friamente.

Atordoada, a jovem olhou para baixo. Parte da aureola rosada do seio direito havia escapado do seu decote. Bellatrix sabia que deveria sentir-se envergonhada, mas, no seu estado de torpor, limitou-se a fazer-se descente.

As suas mãos tremiam.

- O seu rosto dói muito? – Ela assentiu. – Você caiu sobre ele. Quebrou o nariz.

O Lorde caminhou até Bellatrix em passos largos e ajoelhou-se em sua frente. Segurou o rosto dela com ambas as mãos – mas não de uma forma carinhosa. Gemeu quando sentiu os dedos deles pressionar os seios paranasais, agora provavelmente cheios de sangue.

- Não posso deixar seus pais lhe verem assim. Seu rosto está destruído.

Ela achou difícil se importar com a aparência do seu rosto. Parecia, agora, que todo o seu corpo tremia e, apesar de ter passado mais de um minuto do fim da maldição, as imagens terríveis em sua mente e a angústia não tinham passado.

Mal percebeu quando Lorde Voldemort usou a varinha para consertar o seu nariz.

- Você entende agora, Bella? Você entende o que é a maldição Cruciatus?

- Dor física. Dor psicológica. – Duas grossas lágrimas caíram. – É o inferno.

Ele sorriu, satisfeito.

- Você entende que as pessoas podem enlouquecer por causa dela?

- Sim.

- Você quer passar por isso novamente? – Bellatrix não conseguiu responder. Ela apenas balançou a cabeça, em negativa. – Isso só será possível se você não for uma Comensal da Morte.

Bellatrix o olhou desafiante, mesmo em seu torpor.

- Eu jamais seria atingida.

- Seria. Pergunto novamente, Bellatrix: você quer passar por isso novamente?

- Não.

- Então, minha querida, seja minha aprendiz. Mas, eu não aceitarei uma mulher como Comensal da morte. E, se você sequer dê a entender novamente para mim que quer se tornar Comensal... eu ficarei feliz em lhe lembrar a lição que aprendeu hoje.

XxXxXxX

Eu queria deixar registrado aqui o meu profundo agradecimento a George R R Martin, que, ao me fazer obcecada por outro personagem sombrio, finalmente me fez aceitar a morte de Severus Snape!

(Sandor Clegane, seu lindo, vem nim mim!) xD

Enfim... eu sei que demorei, mas o tempo está curto, não vou abandonar a fic, porque ela é o meu xodó (e eu estou LOUCA pra começar a parte de Cissa e Lucius, e Bella e Rodolphus).Vou tentar atualizar mais frequentemente... mas, pelo menos por enquanto, tah difícil sentar no PC e conseguir escrever 3 mil palavras (e ficar satisfeita com elas).

Mas deixem reviews, por favor.

Mando bjus e mais bjus para a minha maninha querida, a Sheyla Snape, que betou mais esse capítulo. E, claro, para as lindjas que deixaram um comentário no cap passado: DevilAir, Mandy BrixX, Leather Jacket, Lois e Tathiana (a obceção de Lucius será explicada no próximo cap, nem se preocupe). E, claro, para as meninas que comentaram no Nyah:Bonnie Black, Brendhoka, Mah G e Ana T.