Capítulo 14 - Manteiga

(Traduzido por VampiresLoves)

Dica de Palavra: Manteiga

Flexão de Diálogo: "Revele isso gentilmente para ela."

~xXx~

Às seis da tarde Charlie e eu estamos rumo à casa do tio Emmett e da tia Rose. Eu a animei o dia todo… não que eu realmente precisasse; ela ama ficar lá.

Nós estacionamos e ela já está se remexendo como um cachorrinho, desesperada para sair da cadeirinha. "Espere por mim!" Eu grito, correndo atrás dela enquanto ela dispara na entrada da garagem.

Makenna atende a porta com um sorriso enorme. "Ei, Chuck! Quer uma banana de chocolate?"

"O que é banana de chocolate?"

"Vamos lá." Ela leva Charlie carregada com a facilidade praticada de prima mais velha, lembrando de me dar uma olhada. "Oh, oi, tia B."

"Ei, Kenna."

Elas desaparecem, e eu fecho a porta atrás de mim. "Rose?"

"Aqui!" Ela grita.

Encontro-a com as garotas na cozinha, dando a Charlie uma toalha de papel para acompanhar sua banana de chocolate. Sim, essa é uma bagunça que estou feliz que não serei eu a limpar.

"Então, você tem certeza que não se importa por ela ficar a noite inteira?" Pergunto, assim que estamos apenas Rose e eu.

Ela arqueia uma sobrancelha. "Eu ofereci, não é?"

Acenando com a cabeça, coloco a mochila da Peppa Pig da Charlie na cadeira. "Sim. Ok, bem, eu vou indo."

"Que horas ele chega?"

"Próximo às sete."

"Você sabe onde ele vai te levar?"

Charlie aparece de volta, pegando a minha mão. "Você vai ficar, mãe?"

"Não, baby. Lembra? Você vai ficar aqui hoje à noite. Ok?"

Ela acena com a cabeça lentamente, parecendo incerta.

"Será divertido", eu digo, beijando sua bochecha.

"Divertido demais", Rose adiciona.

"Okay." Ela dá um sorriso forçado, dando uma mordida em seu aperitivo. Penso que está tudo claro até que ela puxa minha mão de novo e pergunta, "Mas Edward vai te levar, mãe?"

"Me levar?"

"Ele vai te levar", ela repete, olhando de relance para Rose. Típico. Eu peço para ela fazer algo, ela não me ouve, mas quando não é para os ouvidos dela, ela repentinamente tem uma audição supersônica. Sim – Charlie fica toda animada quando vai dormir fora até que ela descobre onde estou indo. Eu acho que subestimei sua paixão por Edward.

"Eu gosto de Edward, mãe."

"Eu também. Mas..."

"Eu quero ir, mãe."

"Essa noite não. Mamãe precisa sair sozinha para brincar."

"Mãããããe", ela choraminga.

"Pare com isso, Charlie." Eu suspiro, odiando que esteja de fato me sentindo levemente culpada. Eu sei que mereço um tempo sozinha com Edward - tempo sozinha com qualquer um - mas ela é a minha bebê e culpa de mãe é… apenas… ugh. A luta é real.

"Mas eu gosto do Bennynanas."

"Nós não vamos ao Benihana. Nós vamos para um restaurante que é chato e silencioso e que não é legal para crianças." Dou um abraço apertado nela, ignorando a mancha de chocolate que isso deixa na minha camiseta.

"Ok? A tia Rose planejou coisas divertidas."

"Tio Em vai te levar ao trampolim… e podemos até mesmo assar marshmallows se não chover, ok?"

"Okaaaay", Charlie diz.

Beijo-a uma última vez, abraço Rose, e escapo, determinada a apagar da minha memória o beicinho deplorável da minha filha, a artista enganadora.

~xXx~

Mal estou vestida quando a campainha toca. Para ser justa, é minha culpa por estar atrasada; eu não conseguia decidir entre o vestido verde e o azul.

A expressão de Edward quando atendo a porta me diz que o vestido azul foi a escolha certa.

"Uau."

Corando, reviro meus olhos e o puxo para dentro. "Oi."

Nós nos beijamos suavemente, e ele se afasta. "Você está pronta para ir?"

"Sim. Deixe-me pegar a minha bolsa…"

Nessa noite, o Aston Martin faz sentido. Elegante e sexy, ele navega sem percalços pelas ruas que estão escurecendo lentamente, a música baixa infiltrando-se no nosso espaço. O dedo de Edward perambula para cima e para baixo na minha coxa, dando-me arrepios.

"Eu gosto muito, muito disso."

"Obrigada." Jesus, eu já estou soando ofegante. Cubro sua mão com a minha, parando seus movimentos. Ele sorri de forma consciente, virando sua mão e entrelaçando nossos dedos.

"Eu acho que Charlie gosta de você", eu reflito após um tempo, minha mente distraída com a mudança de cenário lá fora.

"É? Eu gosto dela também."

"Você sabe o que quero dizer. Gosta de você de verdade."

Ele bufa baixinho. "Ela é bonita, mas um pouco jovem para mim."

"Crianças são espertas, cara. As pessoas pensam que elas não sabem o que está acontecendo, mas elas sabem de tudo. Elas entendem vibrações e situações, mesmo que elas não consigam… colocá-las em palavras. Sabe?"

Ele olha de relance para mim, acenando com a cabeça.

"Ela queria vir essa noite, mas… eu disse à ela que não podia." Balançando minha cabeça, rio um pouco, lembrando. "Ela ficou meio puta."

"Você revelou isso gentilmente para ela?" Ele pergunta, me olhando de soslaio.

"Charlie precisa do papo direto mais do que de gentileza", eu digo. "De qualquer forma, está tudo bem. Ela pode fazer as coisas dela e eu farei as minhas."

"Ok." Ele me dá o sorriso mais doce, que faz meu coração pular uma batida.

"Eu não falarei sobre ela a noite toda, prometo."

"Bella, você pode falar sobre qualquer coisa que quiser", ele diz, apertando a minha mão.

Eu aceno com a cabeça, mas eu estou falando sério.

~xXx~

Edward me leva ao Campagne, um restaurante francês bem conhecido, mas intimista no Pike Place Market.

"Você já esteve aqui?" Edward pergunta uma vez que estamos sentados.

"Não, não estive." Eu olho ao redor, impressionada. "Mas ouvi muito sobre ele."

"O mesmo aqui."

"Emmett recomendou esse também?" Estou apenas parcialmente brincando; meu irmão tem uma tendência a bons jantares e novas comidas.

"Eu encontrei esse por conta própria", ele diz, me matando com aquela piscadela dele de cair as calcinhas.

"Falando em conseguir", eu começo, tentando não deixar minha mente divagar para a sarjeta com minha escolha infeliz de palavreado, "Você é o único cara que eu conheci que fica bonito piscando."

Sorrindo, ele toma um gole de água. "É? Quem mais andou piscando para você?"

Mike me vem à mente, mas eu mentalmente o desconsidero. "Estou apenas dizendo."

O jantar é, não de forma surpreendente, fantástico. Eu divido com Edward o meu bife, que está macio como manteiga, e ele compartilha seu pato confitado, mudando minha opinião sobre pato completamente. E tão incrível quanto todo o resto, nossa conversa é ainda melhor. Eu sei há muito tempo sobre a conexão entre comida boa e excitação, quão interessante que um tipo de sensação pareça transbordar em outra, mas isso nunca foi tão rispidamente aparente como é hoje à noite.

Nós estamos indo mais fundo, e ambos sabemos disso.

"Já pensou em abrir seu próprio negócio?" Ele pergunta.

"Na verdade não." Eu dou de ombros. "Eu trabalho em algumas coisas de forma independente, como aquele novo cliente que te contei. Mas… eu adoro trabalhar com Emmett."

"Ele adora trabalhar com você também. Vocês tem uma ótima sintonia, e isso reflete na empresa."

"Nós trabalhamos muito duro para isso. Mike também."

"Eu sei. Eu não consegui acreditar em quão bem as coisas estavam quando eu voltei. Em sempre minimizava quando nós conversávamos."

"É o jeito de Emmett", eu sorrio, descansando o meu garfo.

"Foi um bom investimento." Ele bebe o resto do vinho. "Para todos."

Na hora que estamos prontos para ir embora, eu estou confortavelmente cheia - física, mas também emocionalmente. Fazia de fato muito tempo desde que fui capaz de me divertir do começo ao fim sem ter que fazer bufê para alguém. Eu estaria mentindo se dissesse que Charlie nunca veio à minha mente, mas estou em paz sabendo que ela está sã e salva. Rose prometeu ligar se houvesse problemas, e não houve nenhum.

Uma mudança sutil surge. A sobremesa acabou, e nossa conversa fez uma pausa. Empurrando meu cabelo pelos meus ombros, pego o olhar fixo de Edward demorando-se na minha mão, e mais para baixo, talvez no decote do meu vestido. Nossos olhos se encontram, e eu apenas sei.

Edward paga a conta, e então se levanta, estendendo sua mão para mim. Eu aceito, aproveitando o ritmo frenético do meu coração ansioso.

Segurando minha mão, ele me guia para fora do restaurante, passamos por uma mulher de cabelos ruivos com olhos distraídos e uma mesa barulhenta de homens mais velhos cujas vozes nos acompanharam a noite toda, e nosso garçom extático, que acabou de perceber que ganhou a gorjeta de uma vida.

A noite lá fora está úmida, as ruas escuras cintilando com a chuva e os sinais em neon abrandados pela névoa. Edward abre a porta para mim, e antes que ele até mesmo junte-se a mim eu já sei o que ele vai perguntar, e o que eu vou dizer.

"Você quer ir para a minha casa?"

"Sim."


Será que Edward quer mostrar sua coleção de troféus para Bella? O que vocês acham? Rsrs

Beijo

Nai