OBSERVAÇÃO: QUEM AINDA NÃO RELEU CAP 13, LEIA DE NOVO PORQUE FOI INCLUIDA A PARTE QUE FALTAVA NO CAP. SEM LÊ-LO NÃO TEM COMO ENTENDER ESSE CAP!

Nome Original: Underwater Light

Autora: Maya

Tradutora 01: Ameria Black

Tradutora 02: BlackPhoenixPotter

Tradutora 03: Anna-Malfoy

Beta 01: Nicolle Snape

Beta 02: Anna-Malfoy


Capítulo 14

Sombras de Nós Mesmos

Pessoas na escuridãoo, eles não sabem o que fazer

Eu tinha uma pequena lanterna, mas isso foi perdido também

Eu estou esticando a minha mão. Eu espero que você também esteja.

Eu apemas quero estar na escuridão com você.


Três dias depois da morte da Profa. McGonagall, Dumbledore se dirigiu à Ordem Juvenil.

— Não restam dúvidas — disse ele. — Há um inimigo entre nós, e ele não vai parar os assassinatos.

Todos estavam sentados aglomerados em volta da mesa, os sonserinos ligeiramente isolados, como sempre. Harry olhou para todas as faces pálidas e de aparência amassada e sentiu aquela onde familiar de raiva e desolação.

Eu não posso deixar isso continuar. Eu não vou.

— Nas palavras de um de nossos aurores... — Dumbledore quase sorriu, mas a tentativa falhou. — Vigilância constante deve ser exercida. Minerva era leal, forte e cautelosa, e ainda assim ela foi pega desprevenida indo para as masmorras. Devemos ser ainda mais cuidadosos e ainda mais unidos para descobrirmos o inimigo e expulsá-lo.

A maioria das pessoas estava só absorvendo agradecidamente as palavras dele. O rosto de Hermione estava cheio de atenção desesperada. Hannah Abbot estava chorando de novo e Padma Patil estava fitando Draco de um jeito acusador.

— Nós fomos seriamente abalados. Não vou ocultar isso de vocês — disse Dumbledore. — Mas ninguém precisa se desesperar. Estou totalmente confiante de que podemos pegar esse assassino. Tenho confiança total em todos vocês. Sei que nenhum de vocês vai descansar num mundo onde o assassino de Minerva McGonagall está livre.

Exceto pelo assassino, que é um de nós.

Os sonserinos estavam tão pálidos e chocados quanto os outros, mas seus rostos enquanto escutavam Dumbledore eram impassivos. Todos os demais notaram isso também.

— Se qualquer um de vocês ver ou suspeitar de alguma coisa, a minha porta está aberta — Dumbledore continuou e se inclinou para frente. — Qualquer coisa. Fiquem descansados, acredito que será bom para vocês.

Seus olhos cintilaram confortavelmente para Denis Creevey, que estava pálido e tinha desmaiado quando ouviu sobre McGonagall. Então ele saiu.

Quando Dumbledore tinha ido embora e só restava o Conselho Juvenil, Lupin sugeriu novas medidas de precaução.

— A sugestão do Sr. Malfoy de formar pares para trabalhar nos projetos foi excelente, mas está claramente comprometida — disse ele. — Eu sugiro novos pares e discrição a ponto de ninguém que não seja do par saber no quê eles estão trabalhando. Já que as pessoas parecem falar dentro de suas casas, eu sugiro outra medida de precaução: os pares devem ser intercasas.

— Eu fico com a Granger.

Harry olhou para Draco do outro lado da mesa. Ele tinha falado rápido numa voz rígida e não olhou para trás.

— Srta. Granger — Lupin falou levemente. — Alguma objeção em ser o par do Sr. Malfoy?

— Não — Hermione respondeu em voz baixa. Harry estava espantado e Draco olhou surpreso por ela ter concordado também. Lupin acenou como se estivesse tudo acertado.

— Algum outro voluntário?

— Eu fico com Terry Boot — disse Blaise Zabini, inclinando a cabeça para trás para dar a Terry um olhar avaliador.

Terry virou seu pergaminho.

— Eu preferiria ficar com Harry Potter, na verdade.

Harry se espantou ainda mais. Ele mal conhecia Terry, e o que sabia — obcecado por livros, sorrisos demais para Draco — ele não gostava.

Terry deu um sorrisinho para ele.

— Se estiver tudo bem, é claro.

— Hum, tudo bem. — Ele precisava de alguém inteligente. Ele queria fazer a diferença, e se Draco e Hermione não estavam mais disponíveis — oh, maldito seja, Draco —, Terry Boot faria. Ele definitivamente não chegaria perto de Blaise Zabini.

— Eu vou, er... — Susan Bonés corou. — Eu fico com Blaise Zabini.

Zabini deu um olhar malévolo para ela.

— Em seus sonhos.

Lupin acenou com a cabeça e colocou-os juntos. Hannah pareceu um pouco intimidada quando foi colocada com Padma, mas provavelmente estava feliz por ela não ser da Sonserina.

Harry olhou em volta da mesa para todos os pares errados. O que eles iriam pensar? O que eles poderiam pensar, para ser mais claro?

A Profa McGonagall estava morta e Harry ainda não tinha idéia de como vingá-la. Um tipo de grupo de estudo com Terry Boot pareceu tão inadequado que ele teria gritado.

Quando um monte de gente chegou à cena naquela noite e Ron tinha tirado Hermione firmemente de Draco, Harry tinha se aproximado dele. Ele só queria trocar umas poucas palavras, um pouco de conforto, algo como uma reconciliação para amenizar isso tudo. Alguém para entender a raiva que amedrontaria outras pessoas, alguém para entendê-lo.

A boca de Draco enrijeceu e ele disse "Estou ocupado, Potter" numa voz forçada.

Ele não tinha sido capaz de falar com ele desde então. Estavam ambos ocupados, falando com outras pessoas, confortando pessoas e tentando organizar grupos de alunos em pânico. Mas ele estava carregando uma quantidade doentia de miséria e raiva e a diretora de sua casa estava morta e era tudo tão injusto e Draco nem falava com ele. Ele queria descontar em alguém, mas não seria justo tampouco.

Harry respirou fundo, deu um pequeno sorriso de encorajamento a Hannah Abbott e sentiu seu coração bater muito rápido, quase doendo, quando pegou Draco olhando para ele.

— Quer me encontrar na biblioteca às seis, Granger? — ele inquiriu.

Hermione acenou. Harry desviou o olhar.

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Hermione não gostava de fazer as coisas quando tinha sérias dúvidas sobre se estava fazendo a coisa certa. Ela foi para a biblioteca sem certeza do que estava fazendo lá e lutando contra o desejo de virar as costas e correr.

Ela realmente ressentia Malfoy ter escolhido o seu santuário para se encontrarem. Era para ela estar segura na biblioteca! Era o seu lugar, sempre cheio de outros alunos sérios que nunca a perturbavam e ela ia lá para descansar.

Ele provavelmente sabia disso. Maldito!

Mas ela concordara em ser parceira dele. Ela teria preferido muito mais Padma Patil, que era tão inteligente quanto e muito menos significativa, mas ele a tinha escolhido, e vindo de Malfoy, era quase um elogio. E ela lembrou de se segurar nele aterrorizada, e dele se segurar nela de volta. Ela nunca tinha acreditado que Malfoy faria aquilo.

Então ela tinha sucumbido sentimentalmente, e agora ela estava sobrecarregada com o loiro maldito pelo resto do seu último ano.

Hermione manteve a cabeça erguida e foi até a mesa onde Malfoy estava, a cabeça curvada sobre alguns pergaminhos. Ela notou que ele estava usando uma pena de águia, o que era puro exibicionismo.

— Ah, Granger — disse ele com seu sorrisinho desagradável. — Você demorou.

— Eu estou ocupada lá na torre — ela respondeu curta e viu a expressão dele mudar gradualmente. Ela expulsou os pensamentos sobre a Profa. McGonagall de sua cabeça, sufocando horror e medo, e se concentrou nas fibras de madeira da mesa à sua frente.

— Bem, como temos que decidir o nosso projeto, achei que seria inteligente começar discutindo eventos recentes e como lidar com eles — disse Draco.

— Certo.

Hermione estava surpresa e satisfeita com essa aproximação metódica. Sempre gostava que seus parceiros de estudo fossem bons planejadores. Quase se esqueceu de não sorrir para Malfoy.

— Eu acho que, antes de tudo, o Conselho Juvenil, e possivelmente toda a Ordem Juvenil, devia dar uma olhada nessa Somnasieve que o Potter falou, aquela em que McGonagall colocou os sonhos do Potter.

Hermione sentiu um flash de dor súbita ao ouvir o nome dela e respirou fundo ríspida e indignada. Não na frente do Malfoy. Não perca o controle na frente do Malfoy.

— Claro que não! São os sonhos particulares do Harry. Uma multidão não tem o direito de vê-los...

A voz de Malfoy foi fria.

— A Profa McGonagall talvez tenha sido morta porque sabia de alguma coisa. Essa coisa pode estar nesses sonhos, então todo mundo tem que vê-los e dar a nós uma chance maior de descobrir o que é. Nós não temos absolutamente tempo nenhum para considerar os sentimentos pessoais de ninguém se queremos ganhar essa guerra.

— E sobre o fato das pessoas terem direito de privacidade? — Hermione exigiu, tentando manter sua voz escandalizada baixa e achando isso difícil.

— Ah, e sobre isso? — Malfoy desdenhou. — Os trouxas não inventaram direitos das pessoas? Quer que eu deixe um assassino e seqüestrador escapar por causa dos seus escrúpulos trouxas?

Hermione forçou-se a baixar a voz de novo.

— Eu quero que você preste atenção nessa sua boca nojenta — disse a ele friamente. — Era para nós sermos parceiros.

Malfoy parecia entediado.

— Não fique chateada, Granger. Bastões e pedras...

— Podem quebrar os seus ossos, Malfoy, se você não tomar cuidado.

Hermione contraiu-se por reflexo, e antes que pudesse fazer alguma coisa, Malfoy tinha dado um salto ao som daquela voz alta e desafiadora e estava fitando os olhos chispando de raiva de Harry.

Com o que eles estavam tão bravos?

— Nos falamos sobre isso, Malfoy — Harry disse rápido, vermelho de raiva. — Eu te disse que era mesquinhos e cruel, e você concordou. Só porque nos brigamos não significa que você tem uma licença para não usar o seu cérebro, para parar de agir como uma pessoa decente.

Hermione queria esconder sua expressão desolada, mas continuou assistindo. As linhas de ambos os corpos deles estavam tão esticadas como cordas de arco.

— Eu não tenho interesse nenhum em agir como uma pessoa decente, seu hipócrita miserável — retrucou Malfoy.

O brilho dos olhos de Harry parecia alívio.

— Isso é besteira! Você só está falando assim porque está se revoltando contra tudo sobre o que falamos, e isso é idiota! Você sempre cai fora para livrar a cara, você sempre age como um completo convencido...

— Você não sabe nada sobre mim! — Malfoy gritou. Ele se acalmou logo no espaço entre duas fungadas, arfando, e falou mais devagar. — E o que acha do jeito que você está agindo? Não sabia que esses projetos são secretos? E mesmo assim estava ouvindo... Eu diria que esse é o comportamento de um espião...

Madame Pince está indo em direção a eles já ralhando, mas ambos estavam além de ouvirem-na.

— Como ousa! — Harry rugiu, empurrando Draco numa estante.

A biblioteca inteira estava olhando, e Hermione só podia morder o lábio enquanto Harry cerrava os punhos e ambos encolheram os ombros preparados para violência, curvados para bloquearem o resto do mundo.

— Por que diabos você teve que insinuar uma coisa dessas? — Harry explodiu, seus olhos cavando buracos na cara de Malfoy. — Eu sei que você não acredita, eu sei. Por que você tem que ficar atacando...

— Que merda você está fazendo!

— Eu só estou atacando porque você não me escuta! — Harry rosnou, e continuou rosnando para Malfoy, e Malfoy se adiantou para poder zombar da cara de Harry. — Por que você não pode parar de ser tão terrível e...

Malfoy reagiu de repente, empurrando-o maldosamente.

— Por que não me deixa sozinho! — foi quase um grito.

— Sr. Potter, Sr. Malfoy, 20 pontos dos dois!

Os meninos finalmente notaram Madame Pince, mas quase não se distraíram. Harry parecia que teria gostado de quebrar os ossos de Malfoy. Madame Pince na verdade teve que segurar ambos pelos cotovelos e arrastá-los para fora da biblioteca. Enquanto estavam sendo varridos, o braço de Malfoy tocou o de Harry, e ele deu um salto como se tivesse levado um choque elétrico.

Hermione juntou seus pergaminhos e penas de qualquer jeito na mochila e correu atrás deles, ouvindo um pedaço do sermão de Madame Pince enquanto ela os botava para fora da biblioteca.

— Que comportamento! Nunca na minha vida...

Eles obviamente não estavam ouvindo, só olhando um para o outro com fúria concentrada e destilada até a porta bater atrás de Madame Pince.

Hermione se aplainou na parede, fingindo ser invisível.

— Como você acha que eu me sinto — Harry disse em voz baixa, — com você dizendo essas coisas, como você...

— Bem, como você acha que eu... — Malfoy parou de gritar. Ele ficou parado tenso por um momento, e então sua boca se curvou maliciosamente. — Só me deixe em paz — disse ele. — É tudo que eu quero. Na verdade eu e a Granger nos importamos com o trabalho que temos que fazer para a guerra.

— Você... — as mãos de harry se curvaram. Seu rosto estava cheio de tristeza carrancuda. — Eu me importo.

Malfoy se desvencilhou, dando meia volta sem mais palavra e atravessou o corredor altivamente. Hermione olhou desesperada para Harry, que estava afastando-se dela com um olhar de infelicidade feroz e privada, e então, por um motivo totalmente incerto para ela mesma, correu atrás de Malfoy.

Ele irrompeu numa classe e atirou uma cadeira na parede. Ficou parado no meio da sala, ainda com a respiração acelerada, e ela hesitou no portal e se perguntou se ele estava instável. Definitivamente ficaria muito satisfeita em estuporá-lo.

Malfoy olhou para ela, não parecendo surpreso por ela ter seguido-o. Ela notou que seu maxilar estava fechado, seus dentes cerrados, e se preparou para o que estivesse vindo.

Ele enfiou as mãos nos bolsos com força desnecessária.

— Peço desculpas, Granger — disse entre dentes. — Eu sei que te escolhi para trabalhar comigo e que é minha responsabilidade não deixar minha atitude interferir no que temos que fazer.

Hermione fitou-o.

— Você vai ser educado comigo? Sei lá, Malfoy. Você tem essa capacidade?

Malfoy levantou as sobrancelhas e quase sorriu largamente para ela. Era muito bizarro.

— Eu não chegaria a ponto de ser educado — disse ele. — Eu estava pensando não intensiva e declaradamente ofensivo.

— Repito, você tem essa capacidade?

— Eu posso acabar sendo um parceiro bem quieto.

Hermione reparou que malfoy estava tentando convencê-la de que tinha o próprio controle, o que era muito pouco, considerando que ela tinha acabado de vê-lo atirando móveis. Ela também reparou que ele estava sendo um pouco gentil, e não tinha pensado nele como um maldito desgraçado nos últimos cinco minutos.

Algo tinha que ser feito.

— Bem, estou feliz que Harry te convenceu.

— Potter não tem nada a ver com isso — disse ele direto. — Ele pode muito bem parar de me encher o saco.

Hermione apertou a varinha.

— Ele está te enchendo o saco porque quer atrair a sua atenção — informou-o. — Você devia saber disso.

Você estragou tudo, seu chato desdenhoso. Não vamos fingir que você não incomodou-o por seis anos.

— Tudo o que eu quero é ficar em paz — Malfoy exclamou. — E, não tenha um enfarte ou coisa do tipo, Granger, mas nesse caso você não está a par dos fatos!

Hermione respirou fundo de novo. Era verdade, e ela não sabia bem como as coisas tinham acontecido. Malfoy, embora parecesse totalmente improvável, poderia ser inteiramente inocente. Ele não estava agindo como alguém cujos planinhos cruéis tinham dado certo.

— Tem razão. Não... é da minha conta.

Malfoy piscou.

— Eu nunca achei que fosse ouvir essas palavras de você, Granger.

Hermione arriscou sorrir.

— Bem, eu nunca achei que fosse ouvir desculpas de você, Malfoy.

Isso era quase uma conversa civilizada. Era estranho.

— Bem. Como eu disse, tenho que fazer o nosso trabalho em dupla possível. Eu não posso ser impecavelmente desagradável. — Malfoy parecia emburrado, como se ser condenado ao comportamento educado fosse um fardo enorme.

— Seria uma boa mudança para você — Hermione disse enérgica. — É uma trégua então?

Malfoy olhou para ela, os olhos arregalados e assustados.

— Só até o final da guerra. Depois eu mato você e todos os seus amigos mestiços.

Hermione e encarou. Malfoy sorriu de orelha a orelha.

— Desculpe, eu não pude resistir — ele disse. — O seu olhar não tem preço.

— Malfoy! Não é engraçado!

O idiotinha quase surtou. Um sorriso ainda brincava em seus lábios quando ele deixou a cena de seu crime da escrivaninha, e ele estava num humor bom o suficiente para se oferecer para carregar a bolsa de Hermione enquanto passavam pelo corredor.

— Obrigado, mas eu posso fazer isso sozinha — Hermione disse seca.

— Parece que você carrega mochilas enormes por hobby, mas eu achei que podia muito bem oferecer. Eu sempre fui um cavalheiro.

Hermione gargalhou. Malfoy pareceu ofendido.

Natalie McDonald, passando por lá, olhou assustada para eles, então olhou admirada para Malfoy. Hermione ia ter que falar com aquela menina depois.

Ela achava que os jeans de Malfoy atraíam a atenção não porque ele fosse, objetivamente, atrativo, mas porque ele os usava como se estivesse fazendo alguma coisa proibida e ousada.

Então ela reparou que tinha considerado o problema dos jeans de Malfoy de verdade, e se sentiu vagamente suja.

— Olha, Granger — Malfoy hesitou, o que era raro o suficiente para que Hermione olhasse para ele curiosa. Ele estava franzindo a testa ligeiramente, como se pensando. — Eu estava pensando... Você gostaria de ir ao meu quarto algumas noites? Eu...

— O que exatamente você quer dizer com isso — Hermione perguntou horrorizada.

Ele sorriu. Todo o sangue se concentrou no rosto de Hermione quando ela se deu conta de que ele estava falando sério.

Maldito!

— Eu não acredito na sua coragem, Malfoy — retrucou ela, e pela segunda vez na sua vida, deu-lhe um tapa na cara.

Então voltou altivamente para a torre da Grifinória.

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Harry caminhou em volta do lago com o vento açoitando sua face, e infelicidade num pequeno nó sob suas costelas, e uma sensação estranha de alívio amenizando a dor de cabeça que vinha tendo há dias. Pelo menos ele tinha conseguido relaxar um pouco, sido capaz de colocar para fora e não se preocupar, e pelo menos Draco tinha reagido. Ele odiava isso, mas tinha se sentido vivo, e se aquilo era tudo o que podiam ter, então queria mais agora.

Isso não era saudável.

Ele não queria. Não queria. Ele queria que as coisas voltassem a ser como antes.

Ele realmente não queria voltar para a torre da Grifinória. Sentia que explodiria de frustração se ficasse lá algum tempo. Desde a morte de McGonagall que a torre estava em constante agitação, e ele não parava de encontrar pessoas chorando e tentando confortá-las, pessoas olhando para ele procurando respostas e encorajamento e não ter nenhum dos dois para oferecer. Fazia-o querer quebrar coisas. Não, fazia-o querer quebrar Voldemort, acabar com ele de alguma maneira e fazê-lo pagar por tudo.

Ele tinha passado a última noite conversando com Neville. Hoje cedo na sala comunal, Ginny tinha se jogado em cima dele e começado a chorar, e ele tinha dado tapinhas no seu ombro, tão gentil e desajeitadamente quanto tinha falado com Neville. Ele não era bom nisso; ele era bom em enfrentar o que tinha que ser enfrentado; estava numa armadilha, queria agir, e queria gritar sua fúria para Draco e que Draco gritasse de volta para ele que ele era um idiota, então ele finalmente descansaria, ainda encostado em Draco e falando e não se sentindo muito responsável.

Harry chutou uma pedra com força no lago e viu a Lula se revirar em protesto sob a superfície turva da água.

Harry deu um olhar penetrante para ela.

— Coitada de você — murmurou, antes de reparar que estava falando com uma lula e talvez estivesse ficando irremediavelmente insano.

Ele deu uma olhada na elevação ameaçadora de pedra que era Hogwarts, e então para a luzinha na janela da cabana de Hagrid. Deixou o lago e foi em direção a ela.

Fazia séculos que não visitava Hagrid. Sentiu seu espírito se iluminar conforme se aproximava da porta. Hagrid não esperaria nada dele, Hagrid tinha sido seu primeiro amigo no mundo...

Hagrid abriu uma fresta da porta, parecendo muito embaraçado.

— Ah... Oi, Harry — disse numa voz meio preocupada.

Harry olhou para ele com os olhos semicerrados.

— Hum... oi? Posso entrar?

— Bem, claro — Hagrid respondeu, abrindo a porta mais um pouquinho. — É só que... Bem, não é uma boa hora, entende?

A idéia terrível de que podia ter interrompido Hagrid e Madame Máxime veio a Harry de súbito e impediu-o de pensar em qualquer outra possibilidade.

— É que o jovem Malfoy está aqui — Hagrid terminou desajeitado.

— Ah — disse Harry.

— E eu sei que vocês brigaram de novo, então achei que você não quisesse vê-lo...

Outra briga porque, é claro, tudo o que Harry e Draco faziam era brigar, e ninguém podia esperar que a amizade durasse, e era tudo. A expressão de Hagrid ainda era de preocupação e bem-intencionada, e Harry sentiu outra onda de desolação.

— Não — disse com esforço. — Quero dizer, eu quero vê-lo, tudo bem...

— Ah, bem — Hagrid sorriu com alegria. — Isso é bom, não é?

Ele escancarou a porta e Harry o seguiu para a sala de estar, onde fogo crepitava na lareira. Madame Máxime estava lendo um livro com cavalos dentuços na capa, o bebê estava sentado no tapete sacudindo o que parecia ser um chocalho e a janela estava escancarada, a cortina sendo abanada pelo vento.

Draco fora embora.

— Ah, é o 'Arry — disse Madame Máxime com um sorriso fraco e incerto. — Me perrguntei o que levarria Drraco a sairr ton preciptadament. Ele norrmalment tem maneirras muito boas parra un garroto inglês...

— Ele tem vindo aqui às vezes — Hagrid contou a Harry. — Gosta de brincar com o bebê e bater um papo com Olímpia. Para ser honesto, acho que ele está muito sobrecarregado.

Ele e o resto do mundo, Harry pensou. Achou a preocupação na voz de Hagrid tocante e amargamente irônica e, Deus, Draco estava infeliz e ele não podia nem falar com ele.

— Ah — disse de novo, desamparado.

Hagrid olhou fixamente para ele, seus olhos de besouro preocupados.

— Eu falei um pouco com ele desde que você o trouxe algumas vezes. Ele não é má companhia — disse. — Acho que todos nós fomos um pouco duros com ele. Agora não é hora de brigar, Harry. Você não pode fazer as pazes com ele?

Harry olhou para o carpete, odiando cada fibra dele. Nunca tinha tido nada contra carpetes.

— Eu queria poder — disse finalmente, sua voz soando carrancuda até para ele. — Ele não vai falar comigo.

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Ginny abraçou os joelhos, pressionando o rosto contra a janela. Tinha observado Harry andar em volta do lago até escurecer, mas agora não podia saber se ele ainda estava lá. Queria saber o que ele estava planejando.

Ela desejou que ele voltasse. Achou que dormiria melhor se ele estivesse de volta à torre. Continuou tendo pesadelos com aquela noite, com escuridão e terror, e Hermione quase desabando e até Harry desamparado e a Profa. McGonagall... Ela continuava gritando. Era comum no dormitório acordar gritando esses dias, então ninguém ligava muito, mas Ginny ligava. Ela queria ficar melhor, se sentir segura.

Tinha se sentido segura mais cedo, quando desmaiara e Harry a segurara. Ele não estava assustado como todo mundo.

— Ginny, está escuro lá fora. Desista.

Ginny olhou para Dean, sentada à janela com um olhar de preocupação. Abraçou seus joelhos mais forte.

— Não sei do que você está falando.

— Você não vai conseguir ver Harry — Dean disse gentilmente, se sentando ao seu lado.

— Eu só estava... — Ginny parou e olhou para Dean, procurando um conforto silencioso. Ele sempre tinha oferecido-lhe, mas estava distante agora, sofrendo e não totalmente confiável.

— Eu sei — disse a ela. — Eu entendo. É que, Ginny, faz meses que eu tenho tentado entender. Estou ficando tão cansado.

Ele falou baixo, de um jeito exausto de quem não exige nada, e Ginny não entendeu por que sua garganta travou. Ela o fitou, e então tentou falar.

— Não sei o que você quer dizer.

Sua voz soou fria e pequena. Ela sentiu frio.

— Você estava bem antes disso tudo começar a acontecer. Você estava melhor que bem. Bonita, e tão viva... e nós estávamos juntos, e isso era certo.

Dean olhou par ao chão enquanto falava. Ginny o fitou aflita.

— Ah, Dean, mas eu expliquei... É Harry... Tem que ser Harry.

— Merda! — Dean disse tão alto que Ginny pulou. — Não tem que ser Harry! Não era Harry antes das pessoas começarem a serem tiradas de Hogwarts! Era eu e você, e eu sei que você está assustada e quer ser salva, mas como que você acha que eu me sinto vendo isso? Como você acha que eu me sinto sem... Ginny, eu estou só esperando e esperando, e estou assustado também!

Ginny engoliu. Ele estava assustado e Ginny estava assustada, e queria lutar pelo bem, mas essa... essa lenta redução nos números deles, esse medo constante, essa violação do único lugar seguro que tinham... Ela se sentia tão perdida e desamparada quanto sentira quando era uma criança e teve sua mente invadida. Não podia lutar com uma coisa que não conhecia, mas Harry podia arremeter-se e derrotar inimigos que Ginny nem reconheceria. Harry era o herói, Harry não estava assustado, Harry a salvaria, e era Harry que ela amava.

— Me desculpe — disse ela com uma voz trêmula —, mas isso não muda nada.

A Profa. McGonagall tinha sido assassinada.

A expressão de Dean quase fez Ginnychorar.

– Você foi tão brilhante e corajosa – ele disse, sua voz baixa e sombria. – Eu sempre quis te trazer para mais perto. Você me faz rir e nós dois sempre apoiamos um ao outro...

– Eu não consigo ser apoio de ninguém! – A voz de Ginny saiu quase como um grito.

As sombras a rodeavam. Andava pelos corredores com sangue nas mãos e mensagens escritas na parede. E então, outro corredor com outro gato nele que era...

– Me desculpe - Dean disse voltando à seu eventual jeito quieto, com esforço. – Eu não tinha a intenção, mas é que... - Ele parou. – Eu te amo. Você sabe disso.

Ele se levantou.

– Não te incomodarei mais.

Ginny olhou para ele, que se afastava, sem palavras.

As outras pessoas a olhavam com curiosidade, mas a maioria se reunia perto do fogo conversando em sussurros assustados e não se dirigiram a ela. Parvati Patil andava pelo aposento parecendo incerta sobre algo.

Ginny tentou chorar sem chamar muita atenção. Ela sentia que, se ela estava se afogando, eles também se afogavam e ela queria mais do que tudo que Harry viesse e a salvasse.

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Harry não se demorou na casa de Hagrid. Madame Maxime não parava de comentar sobre a Professora McGonagall, o que tornou toda a visita muito desagradável.

Ele ainda se sentia cansado e precisando de conforto, e com medo de tratar mal as pessoas se fosse até a Torre, decidiu ir até o quarto de Sirius. Lupin havia explicado que seria uma infração de aluno e professor se Harry o visitasse, então Sirius sempre disse para que ele fosse discreto durante as visitas.

Eles podiam não serem tão próximos quanto Harry esperava, mas ele sabia que podia confiar em Sirius.

Ele levantou o rosto quando Harry se aproximou e sua boca mudou de sua usual linha reta para um sorriso aconchegante.

– Harry – Sirius disse. – Eu esperava que você aparecesse. Como está?

Harry olhou para ele com uma infelicidade tão grande que fez Sirius levantar de uma vez.

– Pergunta idiota – ele disse simplesmente. – Vamos, sente perto do fogo. Vou te fazer um chá – ele fez uma pausa. – Posso por algo forte nele?

Harry olhou de onde Sirius o havia sentado à força. Sacudindo a cabeça, disse: "Ok".

– Ótimo – ele comentou, indo até um armário. – Não conte ao Remus – ele adicionou. – Ele teria um filho. E então teria minha cabeça num troféu.

– Deve ser interessante ver um lobisomem ter um filho – Harry apontou e Sirius deu uma risada. Harry não ouvia alguém rir em dias.

Sirius tirou do armário uma garrafa de Uísque de Fogo e se aproximou com um copo, uma taça e uma chaleira que pôs no fogo. Sirius ainda parecia estranho com a rotina de cuidar da casa, fazendo coisas simples parecerem estranhas, mas Harry gostava de ver que ele tentava. Ele se sentou e olhou para Harry com seus olhos negros.

– Eu não sei se isso ajuda, mas Dumbledore acabou de me avisar que serei o novo diretor da Grifinória.

– Você! – Harry piscou. – E o Lupin?

Sirius rodou os olhos.

– Ele não aceitou. Ficava repetindo como precisava se manter neutro entre a Ordem dos jovens. Se você me perguntar, eu acho isso ridículo. Você está quase fora da escola. Você, Ron e Hermione já deviam ter entrado para a verdadeira Ordem... mas de qualquer maneira, o que há de errado comigo?

– Nada – Harry disse rapidamente. – É que eu não queria pensar em alguém no lugar da...

Ele não queria dizer o nome dela. Sirius pôs sua mão no ombro de Harry, demonstrando apoio. Mas Harry sabia que ele estava desapontado, pensando que Harry devia ter ficado felicíssimo com a escolha do diretor.

– Me desculpe – Harry disse a ele. – Isso é maravilhoso. Mesmo.

Sirius concordou com a cabeça e por um momento as linhas deixadas por Azkaban se suavizaram. Perto da luz do fogo, Harry pode imaginar como Sirius era quando mais novo. Quando Voldemort ainda não tinha estragado sua vida.

– Ao menos agora há uma chance de o Snape desaparecer – ele lembrou. – Eu não seria obrigado a discutir sobre problemas escolares com ele.

A chaleira apitou e Sirius arrumou a xícara de Harry.

– Sirius – Harry disse em voz baixa. – Snape precisa voltar. Os sonserinos precisam dele.

Sirius acrescentou o Uísque no chá.

– Bem, eu espero que ele volte. Só estava apontando aquela chance... você tem que admitir que ele é insuportável.

De acordo com o que Harry recordava, Sirius não havia ajudado para que Snape fosse melhor, mas provavelmente não teria feito diferença. Snape era impossível. E só porque Draco...

– Você parece em outro planeta, Harry – Sirius comentou, lhe entregando a xícara. – Quero dizer, eu sei que é natural e que não há muito que eu possa fazer, mas tem algo no que eu possa ajudar? Algum problema com garotas? – Sirius piscou para ele. – Eu posso te ajudar muito com isso.

– Ahm... não – Harry tomou um gole do chá, que desceu queimando. – Nenhum problema com garotas. Definitivamente nenhum.

Sirius pareceu desapontado novamente.

– Pergunto-me porque as garotas não estão se jogando sobre você – ele disse, numa terrível tentativa de animar Harry. – Quando eu e James éramos jovens, éramos bastante populares – ele concluiu, e então sorriu, parecendo perceber algo muito importante. – Ei, mas você não tem competição como eu, certo? Você não devia ser o gostosão da escola ou algo assim?

– Eu não sou o gostosão da escola – ele resmungou, sem perceber que estava vermelho. 'Por favor, por favor, Sirius, pare de falar de mulheres...' Harry pensava.

Sirius pareceu ofendido com fato de que alguém tivesse roubado aquele título de seu afilhado.

– Quem você acha que é, então?

– Não sei... – Harry resmungou em resposta. – Acho que o Malfoy. Uhm... talvez.

Sirius engasgou.

– Draco Malfoy? – ele tentou desengasgar. – Aquele garoto exibido, convencido, protegidinho do Snape?

– Ele não é tão exibido assim... – Harry disse, por trás de sua xícara.

– Aquela cobrinha anêmica, que só vai para Hogsmead comprar roupas? É isso o que as garotas acham atraente?

Harry decidiu que aquela bebida estava muito alcoólica.

– Sim – respondeu, lembrando que garotas como Parvati estavam sempre atrás dele.

– Garotas não gostam de garotos que se preocupam muito com suas roupas e cabelo – Sirius disse, ainda não parecendo acreditar. – Sua própria mãe me disse isso.

Harry coletou aquela informação e juntou a todas as outras coisas que vinha guardando na cabeça desde que Lupin e Sirius começaram a lhe contar histórias sobre seus pais.

– Harry... você parece... triste. Olha, eu não quis... – ele parou. – Você tem ficado bem amigo desse tal Malfoy, não?

Eu gostaria de ser bem mais que apenas um amigo, na verdade. Harry arregalou seus olhos. Álcool demais naquele chá. Álcool demais.

– Nós brigamos – disse ao invés do que pensou.

– Bem, é a melhor coisa na verdade, Harry – Sirius parou. – Eu conhecia Lúcio muito bem. Eu o via muito em festas de família, quando ele estava noivo, na verdade. Eu era bem novo naquela época e ele não era tão mais velho, mas o homem era vil – ele batendo os dedos no vidro de seu copo. – Nunca gostei de pessoas que corressem para o lado dos mais fortes, querendo poder – Sirius esbravejou e Harry pode ver a dor da traição em seus olhos. – Não as suporto.

Ele se referia a Rabicho.

– Eu sei. Mas Draco não é assim – ele respondeu.

Sirius levantou uma sobrancelha.

– Oh, não? Qual foi a razão dele se tornar seu amiguinho?

– Não sei. Ele disse que era uma curiosidade mórbida – Harry quase sorriu ao se lembrar e viu o olhar surpreendido de Sirius. Harry esperava que ele não tivesse achado o sorriso suspeito. – Na verdade, acho que ele gosta de mim.

– Sonserinos malditos... ter caído na Grifinória me salvou, sabia disso? Se não fosse por isso, eu teria... Ah, você não precisa de um amigo como esse, Harry. Você está melhor sem ele.

Então por que eu sinto tanta falta dele? Harry pensou.

– Olhe – disse Sirius mudando abruptamente de assunto. – Eu e Remus vamos ao funeral de Minerva, se você quiser ir, nós podemos arranjar de—.

Na menção do funeral, Harry quis quebrar o copo em suas mãos, mas o pôs na mesinha, e se levantou.

– Está ficando tarde. Podemos falar disso depois?

Sirius pareceu confuso.

– Ahn... claro, Harry. Agora que sou o diretor da sua casa, nós podemos nos ver mais... se você quiser conversar, eu—.

– Sim, claro.

Harry tinha que sair dali. Ele tinha ímpetos de destruir algo e os planos do funeral de McGonagall na mesa eram o alvo mais atrativo.

– Harry, eu falo sério.

A dor na voz de Sirius fez Harry lhe olhar. Seu padrinho lhe olhava, tentando encontrar palavras para lhe ajudar. Ele andava tão ocupado, sem tempo para se preocupar com Harry, e Harry andava tão triste, desanimado, que nenhum dos dois percebia a necessidade de atenção um do outro.

– Eu sou um padrinho horrível, que não merece perdão, Harry – Sirius admitiu, mordendo a língua. – Mas... eu te amo, e isso é um fato.

No fim, ao invés de desapontamentos ou distância, Sirius só queria estar perto dele.

Harry sorriu de uma maneira um pouco estranha.

– Eu... eu também te amo – ele disse bem rápido. – Ahn... eu, eu te vejo por aí.

O sorriso de Sirius, o que o deixava mais novo, acompanhou Harry até a porta e ao fechá-la, no fim das contas, ele se sentia melhor.

xxxxxx

– Passe o café – Draco ordenou, pálido e frenético.

Pansy agradavelmente se aproximou e serviu um copo a Draco. Ele a segurou pelo cotovelo.

– Sim, dê um copo de café ao homem faminto – Draco disse, sarcasticamente. – Deixe essa jarra de café aqui. Ao meu lado.

– Você é tão agradável de manhã, Draco – Draco jogou sua cabeça para trás, com dramático desespero. Pansy colocou sua mão em seu ombro, como um parente tentando dar apoio. – Não se preocupe. Você estará ótimo. Ou nós podemos mudas essas notas.

– Não me insulte – Draco disse, agressivamente, avançando pelo seu café. – Eu posso fazer isso e posso fazer muito bem.

O que obviamente devia parecer uma discreta tossida, soou como um terremoto por trás de Harry, que pulou, assustado, se virando para ver Goyle, que disse:

– Saia daqui.

– Eu estou apenas parado aqui – Harry disse, ele estava apenas parado ali espiando descaradamente, mas tudo bem.

Goyle parecia obstinado e não se moveu.

– Saia daqui.

Foi quando Draco e Pansy perceberam o que estava acontecendo e olharam, mas Draco não demorou e desviou o olhar cansado.

Harry sentiu suas bochechas queimarem novamente e rapidamente se sentou, desajeitado, ao lado de Ron, a quem perguntou:

– Alguma novidade?

– Não se anime. Por que você não come algo, Harry? Hermione, você também deveria – disse Ron.

Hermione parecia cansada, brincando com uma torrada. Harry olhou para seu prato de ovos.

– Malfoy está fazendo sua Exibição Criativa de Magia – Dean disse, aparentando cansaço, do outro lado da mesa. Merlin, todos eles pareciam cansados e infelizes. – Eu fiz a minha semana passada. É importante, pois conta pontos no-

– Eu sei, Draco me disse – Harry respondeu, despreocupado, sem que Draco pudesse ouvi-lo.

Draco havia passado muito tempo planejando e comentando sobre o projeto com Harry (e também lhe arremessando bolinhas de papel), que disse que queria vê-lo, o que surpreendeu Draco, que por um segundo pareceu orgulhoso. Harry sorriu ao se lembrar disso e então o desfez.

Eu tenho de ser persuadido para te dar um show privado – Draco havia dito. – Agora, se você prometer que ficará impressionado...

Eu não vou prometer nada – Harry tinha respondido, brincando, e Draco lhe jogou outra bolinha de papel, lhe ordenando que saísse do quarto. Harry não saiu.

E agora Draco não falava com ele e seus colegas sonserinos impediam Harry de se aproximar, e ele ficaria uma fera se não pudesse ver o projeto de Mágica Criativa de Draco.

– Dean, onde é a sala de Magia Criativa?

Dean piscou.

– No segundo andar, à direita do quadro de Madame Violeta.

– Ótimo – Harry disse e então se virou para Ron. – Eu vou faltar aula hoje, diga à Trelawney que algo horrível aconteceu comigo, ela vai adorar.

Harry – começou Hermione, escandalizada, mas Harry já estava no corredor.

Ele se sentiu vivo e energético novamente ao fazer aquilo. Harry rapidamente chegou até o segundo andar e até sorriu para a Mulher Gorda ao lhe dizer a senha. Foi até seu dormitório e pegou sua capa.

Ele se sentia livre e há muitos dias ele não se sentia tão bem.

Passou por Madame Violeta e se sentou na borda de uma das janelas da sala, ainda vazia, e se preparou para ficar em silêncio.

Quando os alunos começaram a chegar, Harry viu Dean se aproximar, sentando-se numa cadeira perto da janela e percebeu que ele era o único Grifinório naquela classe, junto com alguns lufa-lufas, pois a Sonserina e Corvinal pareciam dominantes. Não era à toa que Harry havia ouvido tão pouco sobre Mágica Criativa antes de Draco lhe contar. Pelo que algumas corvinais cochichavam, um tipo de jornal estava envolvido.

Quando Malfoy entrou, não parecia que gostava muito daquilo.

– Senhor Malfoy, pode começar – disse o professor, que era Vector, para surpresa de Harry.

Draco foi até a frente da sala, ainda pálido e parecendo nervoso.

Vamos lá, Draco. Você vai se sair muito bem.

O que o salvou foi seu inato senso de atuação. Ao perceber que tinha uma platéia, deu um sorriso convencido e fez um gesto para a porta.

Crabbe e Goyle entravam trazendo o que Harry pensou, horrorizado, ser a Penseira de McGonagall, mas então percebeu que era um Penseira qualquer.

– Senhor Malfoy?

Draco estava, ao menos por fora, calmo.

– Nós precisávamos ter uma faceta de Magia Criativa em nossos projetos, o único problema era que - eu não consegui escolher. Então destilei as memórias de meus artistas favoritos, e as juntei, o que demorou... bastante.

Um murmúrio correu a sala e Draco pegou sua varinha, e com um floreio a encostou na bacia murmurando algumas palavras.

O líquido prateado se mexeu dentro da penseira, subindo e descendo.

– Gostaria de convidar todos para vir e tocá-la – ele parecia estar adorando aquilo. – Quero que todos apreciem a minha mente ao todo.

Todos se levantaram em massa, prontos para tocar o líquido. Dean foi um dos últimos a se aproximar e Harry pensou se ia, ou não. Decidiu que ia e tocou na Penseira.

Logo, estava sentando num banco ao lado de Dean, que não parecia perceber um corpo invisível ao seu lado, mas que percebeu que o banco estava flutuando, em meio ao ar, que era... era multicolorido e estava vivo.

Harry então se lembrou de ter visto uma pintura num livro de artes de Draco que chamou sua atenção. O ar era cheio de borrões de tinta, que misturavam azul celeste com extremos de verde e um vivo e intenso dourado. Draco, que estava na frente da classe, murmurou algumas palavras e então o ar estava se movendo.

Uma melodia começou a tocar, vinda de lugar nenhum, com letras que falavam de amor e dor, e as partes instrumentais fizeram Harry perceber que não havia música trouxa parecida com aquela, que só podia ser canto de fadas. Frases soaram, a mais um movimento de Draco.

...Arremesse alto sua bandeir, em direção à luz solar, com seu inscrito em alta-senha, Conquiste ou Morrerá...

...Não pude despertar meu coração para a alegria num mesmo tom e tudo o que eu amei, amei sozinho, então...

...Muito alto eu cheguei e divisões nas nuvens eu provoquei— e feitas centenas de coisas que você não é hábil de imaginar, como os que tem rodas, planei e balancei...

...Nenhuma música como essa eu já ouvi na escuridão da noite. De onde vem toda essa ternura?...

Vestígios de tudo o que ele já havia lido e amado. Dos livros empilhados em seu quarto.

Talvez os outros não se sentissem assim, mas Harry estava à vontade e podia ver tudo da mente de Draco, imagens, canções, figuras...

Num flash, viu Narcisa em um raro momento de carinho, ouviu uma frase em que a voz de Pansy Parkinson era cheia de preocupação, ouvia o que pareciam as ondas batendo na areia, o som de uma tempestade chegando, e o barulho da água batendo no chão.

Por um breve momento, pensou ter visto num flash, sua própria imagem puxando o cabelo para trás.

E havia dor, uma grande onda de dor, em meio à tantas coisas lindas, gritos e fúria cega, horror, miséria, tudo passando por Harry como luz, deixando apenas a idéia de que tudo podia ter sido lindo.

A luz de um pôr do sol dourado e a escuridão com milhares de estrelas prateadas...

Harry chegou à conclusão, de uma maneira dolorosa, que ele realmente gostava daquele garoto insano.

Draco deixou sua mão cair ao lado do corpo, ofegante, com os olhos brilhando.

– E a cortina se fecha – disse e acenou com a varinha.

Harry se sentiu voltando, junto com os outros, para a sala de aula. Rapidamente voltou para a janela.

O sino tocou e Draco pegou suas coisas saindo da sala. A maioria parecia querer ficar para trás e comentar sobre o projeto, mas Dean também logo saiu. Harry aproveitou e foi junto, entrando depois num banheiro, guardando sua capa e correndo até Poções para chegar antes de Draco.

Harry chegou e escutou Lupin com atenção. Ron e Hermione se juntaram a ele no almoço, perguntando onde ele havia ido.

– Eu queria ver uma aula de Magia Criativa – respondeu. Hermione parecia triste e Ron parecia curioso.

– Como foi?

Harry parou e sorriu.

– Vou te dizer uma coisa, Ron. Nós devíamos termos pego essa aula.

A próxima aula devia ser Transfiguração. Os alunos ficaram na sala, falando sobre professores extras, até dar a hora da aula de Trato de Criaturas Mágicas, a última do dia. Hagrid ensinou o que eles deviam fazer se encontrassem um Flobberworm que Harry havia enfrentado na Terceira Tarefa do Torneio Tribruxo, com muitos detalhes.

Parvati parecia ligeiramente verde.

– Acho que vou vomitar.

– Você poderia me ajudar supervisionando – Draco disse para ela do outro lado da sala, e piscou para ela.

– Você está supervisionando? ­– Ron perguntou. Draco sorriu com escárnio para ele. – Idiota – disse Ron murmurando. – Idiota, idiota, idiota.

– Bem, sim – Harry deus de ombros e Ron lhe deu um olhar traído.

Tudo o que eles tinham que fazer era estudar o livro. Não era tão ruim, embora Parvati continuasse ameaçando vomitar. No fim da aula, Harry ajudou Hagrid a arrumar tudo e ao pegar alguns livros num canto, percebeu que Draco, Crabbe e Pansy eram os últimos na sala.

– Como foi a apresentação? Não consegui falar com você no almoço – Pansy comentou.

Eles estavam indo em direção ao canto onde Harry estava e ao vê-lo, eles iriam ficar quietos. Harry viu sua bolsa por perto, pegou sua capa e a vestiu, a tempo de seguir trio.

– Foi perfeita – Draco disse, satisfeito. – Eu estava cintilante, mais que brilhante – Se virou para Crabbe. – Eu não estava? O que você achou?

– Só te vi por um minuto – Crabbe respondeu.

– Mas foi um cintilante, mais que brilhante minuto, não? – perguntou um agitado Draco.

– Claro – respondeu Crabbe.

A agitação de Draco se intensificou.

– Tudo bem. Não minta para mim, posso ver que você pensa acha. Eu estava muito nervoso, exagerei, fiz uma bagunça, tornei tudo muito teatral, eu vou ser reprovado nessa aula, oh, vergonha, ruína, desonra. É isso o que você achou?

Crabbe deu de ombros.

– O que você quiser.

– Oh, o que você sabe? – Draco esbravejou. – Você não notaria uma coisa cintilantemente brilhante, nem se isso estivesse na sua frente, na lingerie da Pansy.

Crabbe deu de ombros novamente.

Menos sobre o meu lingerie, por favor – Pansy comentou.

Harry não podia concordar mais. O trio chegou até a parede que levava até sua sala comunal. Draco sussurrou palavras que Harry não pode ouvir.

– Até quando vamos ter que sussurrar a senha? – Perguntou Pansy, irritada.

– Até quando for necessário – Draco respondeu, também irritado. – Potter tem uma capa da invisibilidade e qualquer um nessa escola também pode ter, e há outras maneiras de se fazer invisível. Você quer que entrem e nos espiem?

Harry parou, se sentindo culpado, ainda mais pelo jeito que Draco disse 'Potter'. A porta se abriu, e Harry pensou se entrava, ou não. Decidiu entrar, logo atrás de Crabbe e sentiu a porta se fechar às suas costas.

Seguiu Draco até seu quarto, quando este parou e olhou para trás. Harry teve uma terrível sensação, pensando que ele o pudesse ver, mas Draco logo continuou a andar.

Parou de respirar quando Draco começou a tirar seu robe.

Certo. Certo. Roupas por debaixo do robe. Agora me lembro. Pare de ser tão patético, Harry!

Draco parecia vulnerável sem o robe, parecia menor.

Draco fez o feitiço Lumos, que iluminou seu rosto, fazendo Harry ver os círculos ao redor de seus olhos, de tão exausto que este estava. Harry teve vontade de cuidar dele.

Do nada, Pansy entrou dizendo que trazia os papéis de arranjo do funeral da McGonagall e que precisavam achar alguém para ficar no lugar de Snape, mas que ninguém queria fazê-lo.

Draco disse que não se preocupasse, que ele mesmo faria o arranjo, e que pediria ao professor Vector para que se passasse de diretor da casa.

Pansy se aproximou, aliviada, e abraçou Draco pelas costas.

Harry sentiu inveja.

Draco virou sua cabeça para olhá-la.

– O que foi?

– Os primeiranistas estão tendo muitos pesadelos. Não se sentem mais seguros.

– Não podemos sedá-los? – Draco sugeriu brilhantemente.

Pansy riu.

– Madame Pomfrey tem essas regras chatas sobre seus métodos de medicina...

– Eu ainda acho que poderia pegar algumas poções para dormir dela. Pensarei sobre isso – Draco franziu a sobrancelha. – Até ter uma definição. Eu acho que nós podemos aterrorizar os elfos domésticos para que sirvam chocolate quente depois do café, e então eu posso aterrorizá-los os estudantes do primeiro ano com estórias de como eu ficarei irritado se as pessoas começarem a não dormir a noite.

Tensão era quase visível ao redor de Pansy. Ela começou a acariciar os cabelos de Draco com uma mão.

– Falando nisso – ela disse relutantemente. – Todos estão tão assustados. Eu começo a escutar segundas opiniões. Talvez nós pudéssemos... talvez seja hora de ir ao Professor Lupin...

– Ninguém iria aceitar isso. Eu irei explicar o assunto para as pessoas outra vez – A expressão de Draco era a expressão de um moleque mimado que não tinha a intenção de aceitar um não como resposta. – Todos verão a razão disso. Ou, sempre haverá o Imperius.

– Não tem graça, Draco – ela o informou, fechando a cara. – As pessoas estão com medo de voltar para casa. O verão está vindo-.

– Eles podem todos ir para a minha casa – Draco a interrompeu. – Eu organizarei tudo. Eles estarão a salvo lá, eu vou... – ele inclinou a cabeça para olhar para ela. – Oh, sim – ele disse em um tom diferente. – Carta de casa?

Pansy concordou, abraçando a si mesmo com seu braço livre.

– É mais um ultimato.

– Oh – disse Draco outra vez. – Você devia ter me dito logo. O que você espera de mim, que eu leia mente e ofereça simpatia? Sabe que eu não faço nenhum deles.

Pansy sorriu encostada na cabeça de Draco, o que só Harry viu.

– Por que, Draco? Você sempre me disse que podia fazer tudo.

– Ora, não acredite em tudo, principalmente o que jovens homens lhe dizem. É assim que boas garotas se metem em confusão – eles ficaram em silêncio por um minuto. – O que a carta dizia?

– Que eu posso largar a Ordem imediatamente e voltar para casa, ou nunca mais voltar.

– O que você respondeu?

– Que eles podem ir para o inferno. Tem lugar na sua casa para mim?

– Você pode ficar no quarto de hóspedes com banho de espuma.

Pansy riu e relaxou um pouco. O máximo que ela podia, Harry imaginou.

– Eu vou indo agora – ela disse suavemente. –Direi ao elfos que se batam com as chaleiras. Nós precisamos de chocolate quente, isso até me animará um pouco.

Ela tirou a mão do cabelo dele, ele a pegou e sorriu para ela.

– Ei, garota – ele apertou os dedos dela confortando-a. – Você está fazendo tudo certo. Continue assim e terá um lugar reservado no harém dos Malfoy.

Ela riu, dessa vez parecendo real. Hesitou um pouco e saiu do quarto, andando com sua cabeça muita mais levantada que quando entrou.

Draco se recostou na cadeira. Simpatia e culpa recaíram sobre Harry. Ele queria chegar perto de Draco, abraçá-lo, dizer algo, e tentar confortá-lo. Mas não o fez, pois Draco não estava falando com ele e porque ele iria odiar Harry se ele o visse assim.

Harry tinha que sair dali. Pansy havia deixado a porta entreaberta, e ele passou por ela, e depois pelo salão da Sonserina, indo rapidamente até o da Grifinória.

Ao chegar lá, Neville o recebeu.

– Harry, será que pode me ajudar com esses livros de Herbologia? Essa planta aqui...

Claro. Não havia nada mais importante que isso.

– Sim. Claro.

– Obrigado. Sabia que podia contar com você – Neville sorriu.

O tempo passou e Harry mal percebeu que o salão estava vazio.

– Neville, se você ainda quer jantar, é melhor se apressar.

– Você está certo, Harry. Mas você não vem?

Depois daquele dia...

– Nah...estou sem fome.

Neville saiu e Harry tentou se concentrar nos livros, quando Ginny entrou correndo.

– Harry, tem um sonserino lá fora querendo falar com você.

Harry sorriu fascinado, sem poder evitar.

Draco. Quem mais podia ser?

Qual não foi a sua surpresa ao descobrir que quem o esperava lá fora era Pansy Parkinson.

xxxxxxx

Harry a encarou, entorpecido, e pensou que era muito estranho o tipo de gente com quem Draco andava.

Crabbe e Goyle eram duas gárgulas grosseiras sem cérebro. Zabini era ligeiramente safado e mesmo com sua boa aparência, era tão sinistro quanto os outros. Pansy era muito alta para uma garota e seus cabelos negros que caiam duramente sobre seu rosto, pareciam que a deixava mais para baixo.

O rosto de Pansy estava mais fechado do que o normal, suas sobrancelhas grossas estavam unidas e a expressão em seus olhos era indistinguivelmente alarmante.

– Potter? – ela disse com severidade.

– Ahn... oi? – se aventurou Harry, que estava um pouco perdido.

Pansy continuou parada de braços cruzados, se cara amarrada, parecendo como se fosse Harry que deveria se voluntárias a dizer algo.

Eventualmente, Harry se sentiu incomodado o suficiente pelo olhar acusatório dela para oferecer um:

– Bem, anh, tem algo em que eu, hum, possa te ajudar, Pansy?

Pansy suspirou como que surpresa por alguém tão imbecil como Harry não ter posto um fim na sua miséria.

– Sim, você pode – ela disse acidamente. – Você pode parar de fazer Draco miserável.

Harry a encarou e ela prosseguiu com sua explicação, seus olhos frios que nem gelo.

– Você sabe o tanto de merda por que ele teve que passar para começar a andar com você, Potter? Nós somos sonserinos. Ele aceitou tudo o que foi atirado a ele, pois pensou, por alguma estúpida razão, que você valeria a pena. Mas parece que você o desiludiu.

– Erm... – disse Harry, que certamente não iria contar a ela o que ele tinha feito.

– Eu não sei o que você fez, Potter – ela disse e ficou feliz em ouvir isso. – Tudo o que eu sei é que um dia ele chegou que nem um furacão e destruiu o se quarto. Nós não conseguíamos receber uma resposta civil dele por dias. Ele ainda está irritado e quando lhe vê nos corredores, ele congela e dá a você olhares frios. Até mesmo Crabbe e Goyle foram capazes de perceber que é sua culpa.

Pansy estava com os punhos cerrados, mas sua voz era neutra.

– Eles queriam vir aqui e te bater um pouco. Você tem sorte que eu decidi que você precisava de um toque de mulher.

O toque feminino dela parecia bastante violento.

Harry queria sair dali e pensar no que Draco tinha feito – destruído seu quarto – e o aquilo poderia significar. Mas tinha que lidar com Pansy primeiro. Além disso, ela tinha ido até lá simplesmente porque...

– Você se preocupa com ele – ele observou, quase como que refletindo

Ele se lembrou de todos os gestos de carinho que ela havia demonstrado para com Draco mais cedo. Ele teve uma súbita lembrança dela quando Draco tinha se machucado no terceiro ano, lagrimas escorrendo pelo o rosto dela.

O mesmo rosto, mais velho e mais forte, ficou ainda mais não amigável.

– Vocês grifinórios pensam que são os únicos com sentimentos? É claro que me preocupo com ele. Somos amigos desde crianças. E antes que você diga, sim, eu sou louca por ele. Eu sou apaixonada por ele desde sempre, todos sabem disso.

Harry imaginou o que ela faria se ele comentasse: Você e eu´, mas disse

– O que você está fazendo aqui, Pansy? – ele tentou dizer gentilmente.

Ela o olhou, mais irritada.

– Já disse. Quero que pare de fazê-lo triste. Se estiver tentando saber se sonserinos tem mesmo sentimentos, aí está. Nós temos. Nós também temos grandes ganchos de direita, que você irá conhecer, caso não faça algo para melhorar essa situação. Não me interessa se você não se importa, se pra você é só um jogo, você ainda deve isso a ele.

Harry esqueceu que estava falando com uma garota que ele não conhecia tão bem.

– Ah, vai se foder, Parkinson.

Ela o olhou, surpresa.

– Não, sério, vá para o inferno. Um jogo? O que você acha que as pessoas de outras casa são? Alienígenas? Acha que grifinórios não tem lealdade, que não podemos ser amigos de verdade? Pare de falar besteiras.

– Mas eu não-.

– Você está dizendo bobagens. Acha que Draco foi algum tipo de experiência entre casas... você me viu tentando falar com ele! Viu-me fazendo isso várias vezes! Como ousa vir aqui e agir como se eu não me importasse, sendo que eu me importo, maldição! – ele parou de gritar e encarava Pansy como se fosse começar uma guerra. Ele respirava com dificuldade.

Ela apenas o encarou.

– Você se importa com ele – ela disse.

– Sim – Harry respondeu, sua voz agora sobre controle e gélida. – Eu me importo. Então você pode pegar essa merda se sermão e marchar de volta paras as masmorras, e seu as suas idéias malucas e voltar para sua casa, sua cadela, porque eu quero ir até ele e consertar tudo isso e continuar amigo dele, mas eu simplesmente não posso e isso está me matando!

Pansy apenas continuou ali, olhando para ele, com sua cara fechada, não se movendo.

– Potter – Ela finalmente falou, e Harry viu, por fração de segundo, a expressão dela se tornar mais suave. – Ele pensou que você fosse algo importante. Todos podem ver isso. Ele se acha o máximo, mas não é tão difícil de decifrar, ainda mais quando o conhecemos.

Harry olhou para ela, surpreso, antes de sentir que o primeiro sorriso verdadeiro em semanas, cruzava seus lábios.

– Sim... – ele respondeu baixo – Eu... eu me lembro.

Pansy pôs as mãos nos bolsos.

– Ele achava você... eu não sei. Ele falava sobre você, sabe? Quando vocês eram os inimigos que pensavam que uma aula de Poções sem uma tentativa de assassinato com um caldeirão era uma aula de Poções perdida... ele costumava falar muito sobre você. Ele costumava fumegar. Você sabe o que ele é capaz de falar e falar...

– Eu ouvi alguns devaneios... ou vinte – Harry admitiu.

Ela se soltou por um momento, o bastante para sorrir para ele.

– Então ele parou de falar sobre você. Nós tentamos fazê-lo continuar falando - isso não era normal para ele. Somos sonserinos, gostamos de falar das pessoas pelas suas costas. Mas ele não fazia isso. Ele era tão casual sobre isso, mas ele tentava nem mesmo mencionar seu nome. Mas quando alguém o fazia, ele – ele apenas dava aquele pequeno sorriso.

– O que você está querendo dizer, Pansy? – Harry perguntou, falando tão calmamente para não quebrar aquela cumplicidade.

– Estou dizendo que ele agia como se você importasse – ela disse. – Então ele se importava com você. Então...

Ela parou e fez um breve gesto de frustração, Ela parecia que queria socar a parede.

– Eu não gosto de você, Potter – ela informou o informou friamente.

– Eu não gosto de você também. E daí? – Harry disse rolando os olhos.

– E daí que a senha é rei cobra – ela disse rapidamente. – Espere algumas horas. E não estrague tudo dessa vez.

Ela olhou mais uma vez na cara atônita dele e deu-lhe as costas.

xxxxxxx

Ele voltou para seu Salão Comunal. Ele sentou de volta com seus livros de Herbologia. Ele estudou com determinação por duas horas.

Ele se dirigiu para os dormitórios da Sonserina. Ele caminhou pelos corredores de pedra. Ele disse a senha. Ele passou direto pelos olhares atônitos dos sonserinos que encontrou pelo caminho até seu objetivo, aquela porta em particular, ele estava determinado.

Ele empurrou a porta e entrou.

Foi nesse momento que seua determinação falhou.

Draco e Zabini estavam sentados nas cadeiras perto da lareira, jogando cartas. O fogo aquecia levemente o rosto de Draco e ele estava rindo.

Era tão diferente da cena com a solitária figura que ele tinha imaginado que Harry ficou ali, com de boca aberta. A expressão de Zabini rapidamente se tornou maliciosa com uma velocidade impressionante.

– Vou chamar Crabbe e Goyle – ele anunciou, levantando-se de sua cadeira e olhando diretamente para Harry.

– Não! – Draco disse rapidamente, e Zabini olhou para ele abismado e o coração de Harry parou. Então Draco se virou para Harry e disse tenso. – Eu preferiria que você saísse, Potter.

Harry cruzou os braços.

– Eu não vou sair, Malfoy. Eu quero falar com você. E a sós.

– Oh, por favor... – começou Zabini.

– Cale a boca – Draco cortou. – Saia daqui, Potter, eu tive um dia cansativo, eu preciso relaxar, você não é bem-vindo, e eu e Zabini ainda não terminamos nosso jogo.

Harry atravessou o quarto e se sentou em uma cadeira perto da cama.

– Tudo bem – ele disse calmamente – Eu posso esperar.

Zabini fez menção de levantar novamente.

– Sente-se – Draco ordenou. – Tudo bem. Fique, se quiser. Não faz nenhuma diferença.

Zabini se sentou de cara amarrada.

– Ele vai ficar? – ele perguntou, seus lábios curvados em desgosto. – As apostas mudaram?

– Não – Draco disse, dando as cartas. – Ele não é importante. E as apostas não mudaram.

Harry não se importava com o que eles estavam falando. Ele estava ali, sentado na cadeira, ele estava ficando e eventualmente, ele conversaria com Draco.

Zabini levantou suas sobrancelhas, mas não fez mais nenhum comentário. O fogo da lareira estava alto e quente atrás deles, e o jogo continuou em silencio.

Harry esperou. As cartas iam e vinham, às vezes com pausas prolongadas de pensamento. Da lareira vinha o som da madeira queimando, e era aconchegante. Harry ainda tinha aquela urgência em conversar com Draco, e ele ainda estava nervoso e irritado, mas, quase como contra a sua vontade, suas pálpebras insistiam em se fecharem. Ele estava cansado, e agora ele estava aquecido e tudo estava muito quieto.

Shh, shh. Shh, dizia a lareira, e Harry continuava a assistir Draco e Zabini jogar com seus olhos quase fechados e com pouco interesse.

Zabini olhava atentamente para Draco, seus olhos escuros atentos. Draco estava inclinado para trás com uma elaborada cara de concentração.

Finalmente, eles pareciam ter chegado a uma conclusão.

– Se importa em especificar as apostas? – Zabini inquiriu e Harry viu que ele olhara para ele, e então sorri aquele sorriso astuto.

– Eu gosto de manter as coisas interessantes – Draco respondeu simplesmente.

– Eu apenas perguntei isso em consideração à você, Draco – Zabini disse, abaixando suas cartas, uma a uma.

– Sua consideração é tocante, Blaise – Draco jogou suas cartas. – Mas totalmente não necessária.

Zabini parou, olhando para as cartas, e deliberadamente umedeceu seus lábios. Até suas voz estava suave o que deixou Harry com ainda mais sono.

– Oh, bem. Eu não posso dizer que estou de todo chateado – ele admitiu. – Então, Draco... o que você quer?

Draco sorriu.

– Eu quero que saia – ele respondeu docemente. – Preciso falar com Potter.

Zabini o encarou por um minuto, emitiu um explosivo e impossível de ser repetido som, levantou-se e saiu tempestuosamente do quarto. Harry estava completamente chocado e totalmente acordado quando Draco se levantou de sua cadeira e olhou para ele.

Draco desviou seu olhar, e parou em frente a lareira com suas mãos para trás, como alguém que estivesse para começar um explicação.

– Eu acho bom que nós tenhamos finalmente uma chance de conversar – ele disse numa voz estranha. – É perigoso que membros do Conselho Jovem se afastem na presente situação. Nós precisamos ser capazes manter um relacionamento cordial, e comunicação. Admito que eu tenha feito dificultado isso um pouco, mas eu ainda estava um pouco bravo. A verdade é que eu não me importo muito com seu método Grifinório de aproximação-.

– Draco – Harry interrompeu, resoluto. – Eu sinto muito, muito mesmo. O que eu posso fazer para consertar o que eu fiz?

Draco levantou o olhar e piscou. Após um momento falou.

– Já disse para não me chamar assim – ele fez uma pausa, olhando para o tapete sobre seus pés e depois continuando como se falasse com si mesmo. – O que exatamente você quer dizer com isso?

Para seu absoluto horror, Harry percebeu que não tinha idéia do que responder.

– Eu quero dizer... me desculpe, nunca mais farei isso, eu prometo – e então percebeu, para sua vergonha eterna, que estava corado. – Eu quero ser seu amigo outra vez –disse, rebeldemente, quase odiando as palavras, odiando quase tudo naquele instante. – É tudo o que eu quero. Eu não sei o que você quer dizer quando diz - diz métodos de aproximação, eu não queria...

Ele olhou para cima. Draco estava quieto e algo embaixo das costelas de Harry torceu-se.

– Só quero ser seu amigo de novo – ele repetiu perdido. – Eu sinto sua falta, seu idiota.

A última frase não era muito conciliadora, mas Harry estava frustrado e se sentia ridículo e por que tudo com Draco tinha que ser tão difícil?

Draco se virou para ele, com uma estranha expressão no rosto.

– Achei que amigos deviam ser honestos uns com os outros – ele disse, não soando mais tão calmo. – Eu estava sobre a impressão de que você gostava de mulheres.

– Eu gosto! – Harry disse automaticamente e então mordeu os lábios. – Quero dizer, eu não tenho certeza, talvez sim. Eu não nunca realmente parei para pensar nisso. As coisas ainda estão um pouco confusas-.

– Você tem quase dezoito anos, Potter – Draco disse, sua boca fazendo algo engraçado. – O que você é? Sexualmente retardado?

Você me perdoaria se eu fosse?

– Estive ocupado com outras coisas – Harry respondeu defensivamente.

Draco suspirou e passou a mão pelos cabelos, num gesto de confusão interna.

– Então o que exatamente foi aquilo? – ele exigiu saber, e definitivamente existia alguma emoção na sua voz agora, mas ele a empurrou e voltou a falar em tom gélido. – Uma experiência?

– Não - é claro que não! O que você pensa de mim? – Harry quase explodiu, então se lembrou que aquela era uma missão de paz. – Você é meu amigo ­– ele adicionou em um tom mais calmo. – Eu não faria isso.

– Oh, me perdoe, Potter, pois eu realmente incerto sobre o que você faria ou não nesse momento. E houve um longo tempo em que você não era particularmente maluco para ser meu amigo – Draco disse, afiado. – Então significou aquela viagem no barco, e aquele piquenique?

Harry imaginou se Draco estava com amnésia.

– Er, você tem medo de água, Draco. Pensei que pudesse te ajudar com isso. Pensei que fosse gostar do piquenique. Fiz isso porque eu estava – espere, por que você acha que eu fiz isso?

Draco lhe mandou um olhar.

– Você tem uma mente suja e duvidosa – Harry respondeu, abalado.

– Ter altas expectativas não funcionou bem para mim – Draco respondeu.

– Eu nunca faria algo assim – Harry respondeu, irritado. – Nunca. Eu sei que cometi um erro, e que você está furioso e enojado, e o que seja, mas eu nunca armaria algo, e eu prometo, prometo que nunca mais tentarei algo.

Draco soou levemente intrigado.

– Então você não sabia que era-.

– Não – Harry disse. Ele pensou que havia deixado aquilo claro. – Eu não tinha idéia.

Draco outra fez algo estranho com sua boca, mas dessa vez parecia um pouco com divertimento.

– Então, o que? Você está passando por algum tipo de crise?

– Corta essa! – murmurou Harry, e depois se lembrando que ele havia sua entrada naquele lugar e exigido aquela conversa.

– E você não tinha intenção-.

Esta repetição da mesma discussão era mórbida.

– Eu disse que não – Harry respondeu. – É o que eu continuo dizendo e você não ouve. Eu não sabia, e não tinha a intenção, e nunca faria algo para te machucar de propósito, e sinto muito, só vim aqui para saber se podemos ser amigos de novo, mas se você não quer-.

– Eu suponho que sim – Draco disse lentamente.

Harry parou e olhou para ele. Draco parecia levemente embaraçado.

– Bem, eu não posso deixar de ser seu amigo, já que você estiver passando por algum tipo de crise – ele continuou, quase que defensivamente. – Isso seria cruel. Você precisa de apoio. De outro modo – adicionou, especulando. – Você pode ficar maluco.

Harry rolou os olhos e não fez nenhuma tentativa para controlar o enorme e ridículo sorriso.

– Eu não vou ficar maluco, Draco.

– Você poderia – Draco adicionou teimosamente. – Você é ridículo o suficiente para fazer uma coisa dessas. Além disso... – ele parou, como se procurando palavras. – Você estava exposto a quase irresistível tentação.

– Cale a boca.

– Porque no fim – Draco falava empolgado, parecendo encantado com o próprio charme. – Eu sou maravilhoso, e encantador e adorável.

– Cale a boca – Harry disse. – Então... amigos?

– Amigos – Draco sorriu.

Harry se sentiu aliviado e no mesmo momento o relógio anunciou dez horas.

– Oh, merda, é melhor eu ir – Relógio idiota. Tempo idiota. Toque de recolher idiota. – Bem, então, podemos nos falamos amanhã? Podemos conversar no café? Eu...

– Espere – Draco interrompeu, parecendo pensativo. – Se você quiser, você pode ficar.

Continua...


Nota Do Grupo:

Mais um cap dessa maravilhosa fic para vocês. Nós sabemos que ninguém gosta de esperar, mas vocês têm que levar em consideração que os caps dessa fic são enormes, só esse deu mais de 35 paginas! Então, vamos ser mais pacientes, porque reclamar não vai adiantar de nada!

Queremos agradecer a todos que deixaram reviews!

Anna Malfoy – Os Tradutores