Capítulo 14- Eu realmente conheço você?

- Prontinho Sra. Linus!- disse a enfermeira finalizando o exame de sangue de Juliet.

Ela dobrou o braço onde a enfermeira havia colocado um chumaço de algodão para estancar o sangue e olhou para Sawyer de pé, encostado na parede de azulejos branca, com um olhar preocupado.

- Enfermeira, quando eu posso vir pegar o resultado?- indagou antes que saíssem pela porta de vidro do laboratório.

- Amanhã à tarde!- respondeu a enfermeira, calmamente recolhendo algumas ampolas cheias de sangue.

Sawyer e Juliet deixaram o laboratório. Caminharam pelo corredor do hospital em silêncio até a saída, até que Juliet disse:

- Sawyer sei que está muito preocupado com o resultado desse exame, por causa da sua namorada.

- Não Juliet, eu nem estava pensando nisso.- mentiu.

- Sei que é um bom homem, e que está aqui porque realmente quer me ajudar, porque se importa comigo e com essa criança, mas sei que não me ama e não quero ser a responsável pela sua infelicidade se tiver que deixar sua namorada.

Sawyer parou no meio do corredor e ficou olhando para ela.

- Julie, onde quer chegar?

- Se eu estiver mesmo grávida, vou dizer ao Ben que o filho é dele.

- Não, isso não está certo!- disse ele. – E mesmo que eu fosse maluco em concordar com o que está me dizendo, Ben não vai acreditar em você, digo, há quanto tempo vocês não dormem juntos?

- Sawyer, o Ben pode ser um péssimo marido, mas ainda é meu marido, então não faz tanto tempo assim que dormimos juntos. Ele vai acreditar sim!

- Então existe a possibilidade desse bebê não ser meu filho? È isso que está tentando me dizer?

- Não, não existe essa possibilidade, se eu estiver grávida você é o pai. Quando digo que o Ben irá acreditar, é porque sei que ele bebe tanto que não vai sequer se lembrar de que não dormimos juntos há vários meses.

Sawyer balançou a cabeça negativamente:

- Juliet, se você estiver mesmo grávida, eu quero ser o primeiro a saber, não tome nenhuma decisão por mim ou pelas minhas costas. Eu preciso ir, vou passar em casa e depois vou pro restaurante, te ligo amanhã.- ele avisou com seriedade, jamais deixaria que o bêbado do marido de Juliet pusesse as mãos em seu filho. Mas e se ela estivesse mesmo grávida, como contaria isso a Ana-Lucia?

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Na sala de cirurgia, Jack já havia dado início à operação da qual dependia a sensibilidade das pernas de John Locke. Se algo desse errado, o professor passaria o resto de seus dias em uma cadeira de rodas. John estava completamente anestesiado, mas em seu subconsciente via imagens de si mesmo paralítico, isso o aterrorizava, preferia morrer naquela mesa de cirurgia a ficar preso pelo resto de seus dias a uma cadeira de rodas.

- Kate preciso do afastador!- pediu Jack durante a cirurgia. Nervosa, ela quase deixou cair o objeto cair no chão, recebendo um olhar zangado de Jack e das outras duas enfermeiras que o auxiliavam.

- Desculpe!- sussurrou.

Jack nem se deu ao trabalho de dizer nada, estava muito concentrado no que fazia. Até aquele momento estava tudo sob controle, o monitor de batimentos cardíacos mostrava que o paciente estava estável, dentro do previsto. Jack só precisava mantê-lo assim até o final da cirurgia que duraria pelo menos umas dez horas.

- Bisturi, Kate!

Dessa vez ela lhe entregou o objeto diligentemente, sem cometer nenhum erro. Jack ficou satisfeito com isso e deu continuidade à cirurgia. Nesse momento realizaria um dos procedimentos mais delicados da operação, o trabalho de restauração da coluna de John Locke.

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- Obrigada por tudo senhor, eu logo estarei na sede. Até mais!- disse Ana-Lucia ao se despedir do Diretor-Assistente Goodwin à porta de seu apartamento.

Assim que ele saiu, ela sentou no sofá e respirou aliviada, retirando as botas que machucavam-lhe os pés. O diretor havia acreditado na história dela de que estivera a noite toda na casa de uma amiga que passara mal no barzinho depois de algumas cervejas. Entretanto, o alívio que sentia era temporário já que seu nível de estresse estava nas alturas por causa da fuga de Angel, ainda mais com a história que o diretor havia lhe contado de que o diretor do presídio Hayley Falls desconfiava do possível envolvimento dela na fuga do pai de sua filha. Aquilo era loucura demais pra cabeça dela.

- Mamã! Mamã!- gritou Inezita vindo em sua direção, nua e toda molhada, ensopando a casa inteira.

- Inezita!- ela exclamou, tomando a pequena nos braços.

- Inezita vem cá com a titia, terminar o seu banho meu amor!- pediu Libby, com cara de derrota segurando uma toalha colorida com um capuz de orelhas de gatinho.

- Quero tomar banho com a mamãe!- disse a menina, muito tola.

- O seu chefe já foi embora?- indagou Libby ao ver Ana-Lucia sozinha na sala com Inês.

- Já sim!- disse Ana-Lucia com uma cara preocupada.

- E descobriu por que ele passou a noite aqui?

- Já converso com você Libby e te conto tudo.- falou Ana se levantando do sofá com a filha no colo. – Eu agora tenho que dar banho na minha fofinha!

Ela pegou a toalha das mãos de Libby e começou a brincar com Inezita:

- Mamãe vai morder esse bracinho gordinho, essa barriguinha fofinha...

Inezita ria das gracinhas da mãe.

- Yo te amo, mamã!- falou com sua vozinha de criança.

- Mamã te ama tambien, chiquita!

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- Chegamos cara, é isso aí!- falou Ben, deixando Jimmy à porta da escola.

O garoto sorriu e abraçou o pai.

- Tchau papai, o senhor vem me buscar depois aqui na escola?

- Eu ainda não sei meu filho, papai tem que trabalhar. Acho que a sua mãe é quem virá!

O menino fez cara de frustração.

- Ah, mas não fique chateado com o papai, amanhã à tarde eu estarei de folga do serviço e nós vamos jogar baseball, eu prometo.

O rosto de Jimmy iluminou-se e ele sorriu para o pai novamente, em seguida entrou correndo pelo portão da escola. Benjamin não bebia desde que Juliet voltara para casa, estava tentando largar o vício do álcool, salvar seu casamento, fazer com que sua esposa o perdoasse por tudo o que já tinha lhe feito; quando sóbrio Benjamin costumava ser um bom marido e excelente pai.

Trabalhava como caixa de um supermercado não muito longe da escola de seu filho, por isso resolveu ir para o trabalho a pé. Caminhava distraído pensando nas coisas que deveria mudar em sua vida quando a imagem de uma mulher vestida impecavelmente chamou sua atenção. Ela era alta, magra, cabelos castanhos escuros compridos e lisos, nariz adunco e olhos profundamente azuis. Sim, era ela, Benjamin a reconheceria em qualquer lugar.

- Danielle!- chamou, num impulso.

A mulher voltou momentaneamente os seus olhos para ele e foi como se o tempo tivesse parado. Ela também o reconheceu, mas seu coração não estava preparado para aquele reencontro e sua única reação foi fugir dali o mais rápido possível.

- Táxi! Táxi!- gritou para o primeiro carro amarelo que passou, levando-a para longe dali.

Benjamin ficou parado no meio da rua, tentando absorver a imagem que tinha acabado de ver.

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- Ai, mamã! Está doendo!- queixou Inês enquanto Ana-Lucia penteava-lhe os cabelos, arrumando-a para ir à escola.

- Desculpe, cariño.

Libby estava sentada na cama de Inês ao lado de Ana, arrumando os livros da menina na mochila. Ana-Lucia havia acabado de lhe contar tudo o que Goodwin lhe dissera sobre a fuga de Mariner, e sobre o fato de estar sendo acusada pelo diretor do presídio de ter ajudado na fuga dele.

- Mas Ana, isso é um absurdo. Esse homem não pode sair te caluniando assim!- disse Libby, abismada com o que ela lhe contava.

- Pra você ver só, e o pior de tudo é que quem saiu com essa primeiramente, alimentando as idéias do diretor do presídio foi o Marshall.

- Eu não acredito! O seu parceiro?

- Ele mesmo, ah mas se eu pego aquele desgraçado!- Ana bradou.

Inês queixou-se ao ouvir o desabafo da mãe: - Mamã, não diga palavras feias!

- Oh querida, desculpe! Por que não senta lá na cozinha e toma o seu cereal, hã? A mamãe já colocou na mesa. – falou Ana, arrumando uma fita vermelha de bolinhas brancas nos cabelos de Inês.

- Tá bom!- respondeu a menina, levantando da cama e correndo saltitante para a sala. – Vem, Sabe-Tudo!- o gato a seguiu obediente.

Ana-Lucia e Libby continuaram a conversa enquanto Ana arrumava o quarto da filha rapidamente, recolhendo a toalha molhada de cima da cama e outros apetrechos.

- Mas sabe o que está me intrigando?- perguntou Libby.

- O quê?

- Da onde o seu parceiro tirou essa idéia de que você é culpada de alguma coisa? Digo, por que ele está fazendo essas acusações contra você?

- Por causa do caso que estou investigando atualmente.

- Que caso?

- O de um golpista, que por acaso estou namorando.- respondeu Ana, temerosa pela reação de Libby aquela revelação.

- Quê?- exclamou Libby, estupefata. – Ana, eu não acredito que esse homem com quem está saindo é um golpista? Você enlouqueceu?

- Sim, eu enlouqueci!- admitiu Ana.

- E de novo não é? Você está agindo como quando se apaixonou pelo Angel, totalmente irresponsável ficando grávida de um traficante.

- Mas eu não sabia que ele era um traficante.- justificou-se Ana-Lucia.

- Mas quando descobriu isso não fez diferença no começo, né? Você estava apaixonada e era tudo o que te importava naquele momento. Ana, você não vê, está cometendo os mesmos erros outra vez? Eu espero sinceramente que não tenha engravidado desse golpista!

- Libby, as coisas são diferentes agora, o Sawyer não é como o Angel, eu sinto isso, e também acho que ele não é um golpista. Durante o tempo em que estivemos juntos, não descobri nada de errado sobre ele, e olha que eu investiguei, de verdade!

Libby deu um suspiro resignado:

- Ai amiga, o que fazer com esse seu coração destrambelhado? E agora? O que pretende fazer, vai continuar vendo esse homem mesmo com essa história de acusação no seu nome?

- Eu vou sim Libby, e hoje mesmo entro com o pedido de anulação das acusações contra o Sawyer, já que pra mim está mais do que provado que ele não é nenhum golpista.

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Jack não parava de suar apesar do potente ar-condicionado da sala de cirurgia. Operações como aquela eram muito desgastantes e em seu íntimo ele pedia para que tudo terminasse logo e desse certo no final. Ele estava muito feliz em ter Kate ali ao seu lado, isso lhe dava forças para seguir adiante com o procedimento, e esperanças de que John Locke sairia daquela mesa de cirurgia com a sensibilidade devolvida às suas pernas.

Entretanto, algo com o qual Jack não contava aconteceu. Simplesmente a estabilidade do paciente começou a se modificar, os batimentos cardíacos aumentaram o ritmo assustadoramente, e Locke entrou em colapso.

- Jack, o que está acontecendo?- indagou Kate, assustada.

- Doutor Shephard, ele está entrando em choque!- disse a outra enfermeira.

- Eu preciso de uma seringa agora!- Jack ordenou a Kate que parecia paralisada a sua frente. – Kate, uma seringa!- ele insistiu. – Não, por favor!- disse consigo mesmo. – Agora não...Kate, droga, onde está a seringa?

- Aqui está a seringa!- Kate disse finalmente, acordando de seu transe momentâneo. Ficara assim porque nunca tinha passado por uma experiência tão intensa quanto aquela, nunca vira alguém realmente por um fio.

Jack pegou a seringa das mãos dela e realizou o procedimento de sucção dos líquidos que se acumulavam, mas infelizmente isso não adiantou para reestabilizar o paciente, e a pressão de Locke começou a cair ainda mais, chegando a um ponto crítico.

- Doutor Shephard, desse jeito vamos perdê-lo!- falou uma das enfermeiras quando ouviu o monitor cardíaco apitar, avisando o perigo iminente.

- Rápido, o desfibrilador!- ordenou Jack.

A outra enfermeira correu e trouxe o aparelho. Jack olhou para Kate, e ordenou:

- Kate, código azul, chame ajuda!

Kate pegou o comunicador da sala de cirurgia e falou, nervosa:

- Código azul na ala cirúrgica, o Dr. Shephard precisa de ajuda!

Não passou nem dois minutos e dois enfermeiros entraram, seguidos pelo Dr. Cristian Shephard.

- Carregado Dr.- avisou a enfermeira.

- Então vamos lá, 1,2, 3!- o desfibrilador foi acionado.

Mas Locke não retornou.

- Vamos Locke, vamos meu amigo!- bradou Cristian.

- Ligado?- indagou Jack pela segunda vez.

- Ligado!- confirmou Kate.

- 1, 2, 3!- disse Jack acionando o desfibrilador mais uma vez.

Sinais de estabilidade foram observados no monitor cardíaco.

- Dr. Shephard, o paciente está voltando!- disse um enfermeiro.

Kate não conseguiu conter um sorriso. Jack olhou para Cristian, que disse:

- Por enquanto isso é tudo, filho!

- Não, eu vou terminar a cirurgia, pai!- respondeu Jack, com determinação.

- Sabe que não pode, ou o Locke vai morrer!

- Não me diga o que eu não posso fazer!- bradou Jack, nervoso.

- Digo sim!- protestou Cristian. Você não vai continuar com essa cirurgia agora. Eu ainda sou o diretor desse hospital, por isso digo que a cirurgia será interrompida devido à complicações.

Jack fez uma expressão zangada para o pai e não disse mais nada. Tirou as luvas e a máscara cirúrgica e jogou sobre a bandeja de instrumentos, deixando a sala. Kate quis ir atrás dele, mas sabia que deveria esperar uma ordem direta de Cristian para deixar a sala de cirurgia. Permaneceu lá até que tudo estivesse bem, e depois foi atrás de Jack em seu consultório. Encontrou-o sentado no sofá, com a cabeça entre as mãos. Sentou-se ao lado dele.

- Jack?

Ele olhou para ela com um semblante derrotado:

- Eu o tinha Kate, em minhas mãos, estava dando tudo certo e agora ele não vai voltar a andar por minha culpa.

- Não, não é sua culpa! Você fez o melhor, eu estava lá, vi tudo!

Jack parou de olhar para ela.

- Jack, olha pra mim, você é um excelente médico, pode operá-lo uma outra vez, quando ele estiver pronto, por ora, o seu pai tem razão!

- O meu pai tem razão?- Jack odiava quando lhe diziam que o pai tinha razão mesmo que fosse verdade.

- Sim Jack, ele tem.- repetiu Kate.

Jack voltou a olhar para ela e Kate o acolheu em seus braços. Beijaram-se. Nesse momento, Cristian entrou no consultório de Jack e os pegou aos beijos.

- Jack?- indagou, surpreso.

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Quando Ana-Lucia adentrou a sede do FBI de Los Angeles, todos os olhos se voltaram para ela, a essa altura já sabiam da fuga de Mariner e a fofoca já corria solta na repartição. Ana-Lucia tentou não se importar com isso, tinha coisas mais importantes a resolver, como acertar suas contas com Edward Marshall.

Entrou na sala que dividia com ele e o encontrou lendo o jornal. Na primeira página estava estampado o retrato de Angel Mariner e os dois homens que fugiram com ele do presídio, embaixo da manchete sensacionalista que Marshall fez questão de ler para Ana-Lucia assim que a viu:

- O ex-traficante Angel Mariner e mais dois bandidos perigosos fugiram ontem da penitenciária de Hayley Falls...

Ela ignorou a leitura dele, dizendo:

- Bom dia, Marshall!

- Cortez, eu nem tinha visto você entrar!- mentiu, se levantando da cadeira e pousando o jornal sobre a mesa. – Por onde andou essa noite? Te liguei um monte de vezes, fiquei preocupado com você já que o Mariner escapou da prisão...

Marshall não conseguiu terminar de falar porque Ana-Lucia o imprensou na parede, com toda a força, apertando sua garganta.

- Vou deixar uma coisa bem clara pra você, parceiro! Se me caluniar outra vez para o diretor do presídio ou quem quer que seja, vai se arrepender, me entendeu?

Ele tinha os olhos azuis arregalados, olhando para ela, nervoso. Ana-Lucia continuou:

- E se por causa do que você disse ontem, alguma medida jurídica for tomada contra mim, vou fazer você perder a sua carreira, te persigo até no inferno!

- Tudo bem, eu já entendi...- disse Marshall com a voz abafada devido à mão dela que lhe apertava a garganta.

Ana-Lucia o soltou e se dirigiu ao armário onde ficavam os arquivos dos casos, pediria hoje mesmo o fechamento das acusações contra James Sawyer.

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Aquele era um dos raros dias em que Sawyer não se atrasara para o trabalho. Depois de se despedir de Juliet no hospital, passou em casa tomou um banho e resolveu ir mais cedo para o restaurante, adiantaria as coisas para ver se conseguia largar do trabalho antes do anoitecer, pensava em levar Ana-Lucia ao cinema.

Riu de si mesmo, tentando se lembrar de quando tinha virado um tolo romântico. Pensava nisso quando passou em frente a uma joalheria com sua moto. Passava por essa mesma joalheria todos os dias a caminho do trabalho, mas nunca parara, jamais pensara em comprar jóias para mulher alguma. Geralmente era ele quem recebia presentes, quando aplicava os golpes. Sentiu um súbito desejo de parar e dar uma olhada. E foi o que fez. Estacionou a moto na calçada e entrou, um pouco acanhado. Uma simpática mulher alta, de olhos azuis veio atendê-lo assim que o viu.

- Bom dia meciê, em que posso ajudá-lo?

Sawyer deu um sorriso: - Pra falar a verdade moça, nem sei porque estou aqui, só senti vontade de entrar.

A mulher sorriu de volta para ele: - Está apaixonado?

- Como?

- Perguntei isso porque a maioria dos homens que vem até aqui e me dizem que não sabem porque entraram, na verdade não querem admitir a si mesmos que entraram pensando em comprar alguma coisa para uma mulher especial.

- Acho que você acertou!- respondeu Sawyer, sorrindo outra vez.

- Tem idéia do que deseja?

- Na verdade, tenho sim. Eu gostaria de ver os anéis de compromisso.

- Hum, boa escolha!- disse a mulher. – Me acompanhe então!

Sawyer a seguiu até uma bela vitrine de anéis, de todos os tipos e preços.

- Há quanto tempo a conhece?

- Há pouco mais de um mês.

- Um mês? Então ela deve ser muito especial mesmo!

- Sim, ela é!- falou Sawyer. – O problema sou eu não ter grana para comprar um anel à altura do que ela merece.

- A falta de dinheiro é mesmo um problema, mas eu creio que posso ajudá-lo mon cherry!

- Ah é moça, e como?

A mulher abriu uma gaveta extra na vitrine e retirou de lá um delicado anel, prateado, com um pequeno diamante em forma de uma gota reluzente.

- Esse é o orvalho da manhã!- disse a ele. – È uma jóia simples, porém muito especial. Consegue imaginá-la no dedo de sua amada?

Sawyer suspirou, segurando o anel que ela lhe estendia.

- È perfeito! Exatamente o que eu imaginei! Mas deve custar muito caro!

- Acho que podemos chegar a um acordo, meciê tem cartão de crédito? Posso parcelar de quantas vezes quiser.

Os olhos de Sawyer brilharam, e ele disse, satisfeito:

- Madame, acho que estamos nos entendendo, como é mesmo o seu nome?

- Danielle Rosseau.- ela respondeu.

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- Obrigada por ter vindo tão rápido Sr. Lewis, o senhor não sabe como essa piscina me causa dor de cabeça.- dizia a diretora da escola primária onde Inês estudava.

- Não há de que Sra. Baxter, nós da companhia é que ficamos felizes em ajudar.

- E vai ser muito bom que esse vazamento seja concertado logo porque as crianças reclamam muito quando cancelamos o dia da piscina.

- Oh sim, claro, eu adoro crianças.

- O Senhor tem filhos, senhor Lewis?

- Ah sim, eu tenho uma garotinha de quatro anos.

- Que adorável. Venha, a piscina é por aqui.

Os dois caminharam pelo extenso jardim até a piscina, passando pelo playground onde as crianças brincavam.

- Aqui está, fique à vontade. Quando o senhor terminar é só ir até a minha sala para receber o pagamento.

- Obrigado Diretora Baxter, tenha um bom dia.

- Você também, Sr. Lewis.

Ele começou a preparar o equipamento da piscina quando duas garotinhas correndo para longe do playground lhe chamaram a atenção.

- Você não me pega Alyssa!- gritou Inezita, correndo da amiga.

- Eu pego sim.- respondeu Alyssa, tropeçando nos próprios cadarços.

Inezita corria tão distraída que não reparou que ia esbarrar num homem, quando ela colidiu com ele, o homem a segurou.

- Oi, Inezita.- disse com a voz doce fitando os olhos verdes vivos da menina, tanto quanto os seus próprios olhos.

A menina se afastou do estranho, um pouco desconfiada. Ergueu uma sobrancelha e indagou:

- Quem é o senhor?

O homem deu um belo sorriso a ela:

- Eu sou um amigo da sua mamãe! Pode entregar isso pra ela?- o homem estendeu à Inês um pingente dourado, em formato de um coração, com palavras gravadas na superfície.

Inezita deu de ombros, pegou o pingente das mãos do estranho e enfiou no bolsinho da frente da jardineira vermelha. Sorriu para o homem e correu para perto de Alyssa. Libby apareceu no playground e disse, com as mãos na cintura:

- Crianças, o recreio terminou, hora de voltar para a sala.

As crianças puseram-se a correr para suas salas, e logo o playground ficou completamente vazio. Libby ficou observando o homem que limpava a piscina, nunca o tinha visto lá, mas estranhamente ele lhe pareceu familiar.

- Betsy, quem é aquele homem que está cuidando da piscina?- indagou à inspetora que passava por ela no corredor.

- Ah, a Diretora Baxter o contratou para resolver o problema do lodo na piscina!

- Sim, claro.- disse Libby.

- Tia Libby, tia Libby, o Lance tirou o hamster da gaiola, disse que vai matar ele!- choramingou Inês à porta de sua sala.

- Não vai não querida, eu vou falar com ele.- tranqüilizou Libby, adentrando a sala e fechando a porta atrás de si!

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Sentado em frente à mesa de seu pai na diretoria do hospital, Jack sentia-se outra vez como um menino que acabara de fazer uma travessura e agora tinha que se entender com o pai. Cristian olhou para o filho com o semblante muito sério, puxou sua cadeira e sentou-se iniciando o seu discurso. Kate esperava aflita do lado de fora pelo resultado da conversa dos dois, temia muito em ser demitida por ter sido pega beijando Jack em seu consultório. Não resistiu e colou seu ouvido à porta no intuito de ouvir alguma coisa.

- Sinceramente Jack, eu esperava esse tipo de comportamento do Kane, mas não de você. O que está acontecendo aqui? Acabou de fazer uma cirurgia complicadíssima em um paciente que por acaso é meu grande amigo. A cirurgia dá errado e você corre pro seu consultório pra beijar a enfermeira que mal começou a trabalhar conosco?

- Pai, por favor, não me venha com essa hipocrisia. Paquerar enfermeiras é o de menos, Kane está cansado de fazer isso e você nunca o puniu.

- Mas o Kane não é meu filho, além disso, nunca o peguei dentro de seu consultório aos beijos com uma enfermeira. Sinceramente Jack, seu comportamento é vergonhoso e anti-profissional. O que prometeu à moça para fazê-la se expor assim? A Srta. Austen me parece uma pessoa séria e é só por isso que não vou demiti-la.

- Não pai.- retorquiu Jack. – O senhor não teria o direito de demiti-la de maneira alguma, a Kate está aqui porque foi contratada pela associação médica e não pelo senhor, e digo mais, não estávamos nos beijando no consultório porque a seduzi dentro do hospital com falsas promessas.

Cristian ergueu uma sobrancelha. Jack continuou:

- Estávamos nos beijando em meu consultório porque temos um relacionamento há algum tempo. Kate e eu estamos namorando desde que pedi o divórcio a Sarah, nos conhecemos na noite em que peguei minha esposa com outro.

- O quê? Então foi por isso que pediu o divórcio a Sarah?

- Sim pai, mas não quero falar sobre isso, então nem comece, e, por favor, não diga nada a mamãe, prefiro que ela continue pensando que pedi o divórcio devido a desentendimentos irreconciliáveis.

Depois de ouvir essa confissão de Jack, Cristian desistiu de brigar com ele por causa de Kate, e disse: - Certo, então o fato da Kate estar trabalhando aqui e vocês serem namorados não passou de uma mera coincidência?

- Ou destino.- completou Jack. – Bom, mas eu acho que a essa altura não importa, eu e a Kate estamos muito apaixonados e eu só estava esperando a oportunidade certa para apresentá-la como minha namorada oficialmente para a família.

- Você quer uma oportunidade?- indagou Cristian. – Pois eu tenho uma, o jantar de aniversário da sua irmã na semana que vem.

Jack sorriu: - È mesmo pai, eu tinha me esquecido disso. Levarei a Kate nesse jantar e a apresentarei para todos.

- Muito bem Jack, então estamos entendidos. Fico feliz que não tenha se deixado abater pela traição de Sarah e seguido com sua vida. Kate é uma boa moça, eu gosto dela. Mas agora vamos nos concentrar no trabalho, que é a parte mais difícil. Hellen está nos esperando na recepção para saber notícias de Locke, então é melhor irmos logo.

- Sim.- assentiu Jack.

Do lado de fora, Kate encostava seu ouvido cada vez mais perto da porta, tentando entender o que Cristian e Jack diziam quando foi flagrada por Kane.

- Sua mãe não te ensinou que é muito feio escutar atrás da porta, Srta. Austen?

Embaraçada, Kate não soube o que dizer. Nesse momento, Cristian abriu a porta da sala da diretoria e saiu de lá seguido por Jack.

- Dr. Shephard, eu posso falar com o senhor?- indagou Kane a Cristian.

- Agora não Kane, eu tenho um assunto muito importante a tratar agora, falamos depois.

- Tudo bem. Como vai Jack?

- Eu estou ótimo.- respondeu Jack, instintivamente colocando o braço na cintura de Kate.

- Então tá. Depois falamos Dr. Shephard.- disse Kane, caminhando para o outro lado do corredor.

Kate indagou a Jack com um olhar o resultado da conversa, enquanto Cristian falava com uma enfermeira no corredor e assinava um prontuário.

- Está tudo bem.- Jack cochichou.

Feliz, Kate o abraçou e Jack correspondeu. Cristian voltou seus olhos para os dois e ao vê-los abraçados, pigarreou chamando-lhes a atenção. Jack e Kate se soltaram, envergonhados.

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- Concluindo, o Sr. James Sawyer não possui nenhuma ligação com o presente caso narrado pela Sra. Cassidy Philips, investigado a fundo por essa agente que voz fala. Portanto, por falta de provas solicito à corte do FBI que arquive as acusações contra o Sr. Sawyer, tendo em vista a investigação federal e o fato do mesmo não possuir antecedentes criminais relevantes e blá, blá, blá...

O Diretor-Assistente Goodwin lia atentamente a petição de Ana-Lucia para o arquivamento das acusações contra Sawyer. Sentada em uma cadeira de frente para a mesa dele, ela se remexia inquieta, ansiosa por sua resposta. Assim que terminou de ler, Goodwin tirou os óculos de leitura e encarou Ana-Lucia.

- Bem Agente Cortez, eu creio que essa petição é conclusiva, certo? Você já esgotou todas as possibilidades de encontrar provas que possam incriminar o Sr. Sawyer?

- Absolutamente.- ela respondeu com franqueza.

- Então, não me resta alternativa senão assinar sua petição. Mas lembro a você que caso haja necessidade do arquivo ser reaberto, continuará ligada a esse caso e terá que reinvestigá-lo. Fui claro?

- Sim diretor-assistente, o senhor foi transparente como a água.

- Pois bem.- ele disse, assinando seu nome na petição. – Vou repassar esse documento para o resto da Côrte e lhe asseguro que em uma ou duas semanas todas as acusações contra o Sr. Sawyer serão retiradas, porém se a Sra. Philips quiser recorrer da decisão apresentando alguma prova para nós teremos que reabrir o caso, esteja preparada para isso.

- Sim, senhor.- Ana respondeu, contendo sua felicidade por saber que logo Sawyer estaria livre de todas as acusações.

- Só mais uma coisa, Ana-Lucia.

- Sim?

- Por acaso não existe nenhum tipo de interesse pessoal de sua parte na retirada dessas acusações contra o Sr. Sawyer? Pergunto isso porque fiquei encucado com o que Marshall me disse.

- Não senhor. –ela respondeu com firmeza. – Eu apenas não gosto de injustiças. Vou indo, quero passar no presídio de Hayley Falls para depor sobre a fuga de Angel Mariner.

- Sim, você tem que ir pra lá o mais rápido possível e colaborar com tudo o que eles pedirem, assim o diretor do presídio jamais poderá formalizar qualquer acusação contra você.

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- O Professor Locke se operou hoje, mas infelizmente ainda não tenho notícias sobre o resultado da cirurgia. Mesmo assim, o último trabalho que ele passou na turma ainda está valendo nota para a prova e deve ser entregue a mim até o final da semana.- dizia o professor Santoro na sala de aula.

- Ahhhhhhhhhhhhh.- fizeram os alunos.

Paulo ignorou as queixas. Boone levantou a mão.

- Sim Sr. Carlyle, pode falar.

- Professor, o senhor sabe se a partir de amanhã já podemos visitar o Prof. Locke no hospital?

- Ihhhhhhhhhhhhh- fizeram alguns, gracejando com a preocupação de Boone.

- Vocês são uns insensíveis!- ele reclamou. – O professor está lá, muito mal no hospital e vocês ainda ficam debochando.

- Eu não sei sobre visitas ainda Boone, mas assim que souber de algo, eu te aviso.- respondeu Paulo educadamente.

O sinal tocou, os alunos alvoroçados começaram a guardar suas coisas para deixar a sala. Enquanto se arrumavam, o professor falou:

- Gente, não esqueçam, quero as redações sobre a ilha deserta até o final dessa semana.

- Meninas, eu andei pensando sobre aquele assunto que conversei com vocês lá em casa.- disse Claire a Shannon e Nikki.

- Que assunto?- indagou Nikki, distraída, observando o professor Santoro organizar suas coisas para ir embora.

- O do Charlie!- disse Claire, irritada com o esquecimento de Nikki.

- Tá legal, e o que você decidiu oficialmente, prima?- perguntou Shannon.

- Que eu vou apresentar o Charlie aos meus pais no meu jantar de aniversário e dizer que ele é o pai do meu filho.

- Claire, você vai fazer isso mesmo?- espantou-se Shannon.

- Claire vai fazer o quê?- questionou Boone, se intrometendo na conversa.

- Ai Boone, você é um enxerido!- reclamou Claire.

- Até mais gente!- disse Paulo, pronto para deixar a sala.

Nikki não resistiu e o chamou:

- Professor? Estou com uma dúvida naquela parte sobre o estilo de vida dos Espartanos, será que você poderia me dar uma luz?

Paulo olhou no relógio:- Hum, é claro Nicole, eu ainda tenho quinze minutos antes do almoço. Vamos lá na sala dos professores.

Nikki sorriu e disse aos seus amigos: - Pessoal, não precisam me esperar, eu pego o metrô.

Boone, Shannon e Claire se entreolharam balançando a cabeça negativamente.

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- Sim, especificamente qual é a sua dúvida, Nicole?- perguntou Paulo enchendo um copo com água mineral no bebedouro da sala dos professores.

- Bem, não consigo entender muito sobre qual o papel da mulher na sociedade espartana, diferia muito do da mulher ateniense?

- Ah sim, tinham algumas diferenças.- respondeu Paulo, puxando uma cadeira ao lado dela na mesa. – As mulheres atenienses eram prendadas, suas atividades consistiam em...

Enquanto ele falava, Nikki o admirava incansavelmente. Não ouvia uma palavra do que ele dizia, só conseguia olhar para sua boca e seus olhos pequenos, os cabelos negros e lisos caindo sob a tez.

- Nicole, você está me ouvindo?- ele indagou a certa altura, percebendo que ela parecia distraída com algo.

Mas Nikki não respondeu, hipnotizada pelo olhar dele, ela não se conteve e tirou-lhe os óculos de grau do rosto e aproximou seus lábios dos dele, beijando-o ternamente.

- Paulo, eu preciso falar com você, será que poderíamos...- começou a dizer Sarah ao adentrar a sala dos professores, porém a cena que viu lá dentro a deixou petrificada, impedindo-a de continuar a falar.

Paulo e Nikki afastaram-se assustados com a entrada repentina de Sarah.

- Mas o que você pensa que está fazendo?- ela bradou. – Beijando uma aluna dentro da sala dos professores?

Ele não sabia o que dizer estava morrendo de vergonha, Nikki também estava muito embaraçada.

- E quanto a você menina? O que estava pensando?- indagou Sarah a Nikki.

A estudante ergueu a cabeça confiante para Sarah, e respondeu num tom malcriado: - Não é da sua conta, nem é minha professora!

E dizendo isso, ela pegou seus livros e saiu rapidamente da sala dos professores. Sarah ficou encarando Paulo:

- O que você tem na cabeça? Ela é menor de idade, se o conselho pega você fazendo uma coisa dessas...

- Cala a boca, Sarah!- ele disse, nervoso. Recolheu suas coisas e se encaminhou para a porta.

- Paulo, aonde você vai? Eu preciso falar com você!

- Me esquece!- ele respondeu, deixando a sala.

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- Quer dizer então que não tem mais jeito, meu marido vai ficar paralítico para sempre?- indagou Hellen com o rosto cheio de lágrimas diante de Jack e Cristian.

- Sim Hellen, sei que essa é uma notícia terrível, mas é verdade!

Cristian pigarreou:

- Hellen, na verdade, o que o Jack está querendo dizer é que mesmo se fizermos uma nova cirurgia no John as chances dele voltar a andar são muito baixas, mas não significa que não existam. Vamos dar tempo ao tempo, quem sabe possamos submetê-lo a uma nova cirurgia, nesse momento os riscos dele sofrer uma parada cardíaca como a que teve hoje são muito grandes.

Hellen assentiu com a cabeça e enxugou as lágrimas.

- Pelo menos ele está vivo, e eu dou graças a Deus por isso. Será que eu posso vê-lo?

- Sim, é claro. Ele já foi levado para o quarto, pode ir. Estarei lá em dois minutos.

Assim que ela saiu, Cristian fez a Jack uma expressão zangada:

- Já disse a você que deve melhorar essa sua psicologia com as pessoas.

- Pai, o senhor sabe que eu não gosto de dar aos outros falsas esperanças!

- Falsas ou não, são esperanças, você tem muito o que aprender ainda meu filho, espero que alguém como a Kate possa te ensinar alguma coisa já que Sarah não conseguiu.

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- Sawyer, telefone pra você lá no escritório do chefe!- avisou Henrique entrando na cozinha da Escotilha de repente, enquanto Sawyer preparava uma massa com o rolo de macarrão.

- Telefone no escritório do chefe? Quem é já? A minha namorada não deve ser, ela não tem o telefone de lá.

- E não é mesmo, é o seu primo do Texas, parece que a sua tia Marylu está muito doente, pelo menos foi o que o chefe disse.

- Primo? Tia Marylu?- questionou Sawyer erguendo uma sobrancelha. – Henrique, eu vou atender, continua abrindo a massa pra mim pra ela não murchar.

Ele entrou no escritório de Hurley e o encontrou de saída.

- Dude, tô indo fazer a minha aposta do dia, volto logo!

- Ok, chefe.- respondeu Sawyer pegando o telefone assim que Hurley deixou o escritório. – Alô, quem fala?

- E aí, amigo Sawyer? Quanto tempo não?

- Picket? Ora, eu já deveria saber que era você. Não tenho nenhum primo no Texas e nenhuma tia chamada Marylu, minha família é do Tenessee. O que você quer?

- O que eu quero? Sawyer, isso é pergunta que se faça? Nós temos um acordo se lembra? Você deveria estar seduzindo a bela coreana esposa do milionário para depois depenar o idiota do marido dela, mas pelo que eu andei observando você não está fazendo nada disso, ao contrário, anda é pra cima e pra baixo com uma mina que não é de ouro, como um cãozinho na coleira. Ou será que ela tem um marido mais rico que a coreana e você está tentando me passar a perna?

- Não seja estúpido, minha namorada é bancária, não tem grandes posses, e já que tocou no assunto, pode parar de me seguir porque eu não estou interessado mais na grana do coreano. Quero ser honesto pra variar, ganhar a vida com o suor do meu trabalho.

- Ah Sawyer, lá vem você com esse papo de honestidade, homem! Ser honesto não vai te ajudar em nada e você é capaz de ainda apodrecer em alguma cadeia por causa disso.

- Vou apodrecer numa cadeia se continuar aplicando golpes, é muito arriscado, da última vez pensei que estava tudo acabado pra mim, achei mesmo que a Cassidy fosse me denunciar, mas já que ela não o fez tomo isso como um sinal de que tenho de mudar de vida.

- Você fala isso porque está apaixonado por essa garota com quem está saindo, mas te digo uma coisa Sawyer, não confie tanto nela assim porque as mulheres tem sempre algo a esconder e você ainda vai acabar se dando muito mal.

- Não dou a mínima pra você Picket, e aquele dinheiro que estou te devendo, não se preocupe que pagarei no mês que vem. Agora vê se me esquece e some da minha vida, aplicar golpes nunca mais.

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O interrogatório com o diretor do presídio durou mais de uma hora e Ana-Lucia já estava irritada com as perguntas de Joel Macklough, até que ele finalmente a liberou. Estava cansada, reviver tudo aquilo outra vez mesmo que com palavras mexera com ela, por isso estava se sentindo muito fragilizada e preocupada também porque enquanto Angel estivesse solto, sabia que ela e sua filha não estariam seguras.

Deixou o presídio por volta da hora do almoço e foi direto para a escola buscar Inês. Ao chegar lá encontrou Libby sentada no jardim da escola com Inês em seus joelhos.

- Mamã! Mamã!- gritou Inês assim que a viu, correndo para os seus braços.

- Pequenininha da mamãe! Coisa rica!

Inês encheu o rosto da mãe de beijinhos e apertou as perninhas ao redor do corpo dela. Ana-Lucia a apoiou de lado, na cintura e se aproximou de Libby.

- Oi amiga!

- Oi querida, como foi?- indagou Libby pegando a mão dela com carinho.

- Você deve imaginar, tão difícil ficar me lembrando de tudo aquilo, revivendo aquelas coisas...- ela sentou-se no banco de concreto ao lado de Libby, sentando Inês em seu colo. A menina aconchegou a cabecinha no seio da mãe e pôs-se a brincar com algo que tirou do bolsinho da jardineira.

- Baby, o que é isso?- Ana-Lucia perguntou, puxando o objeto brilhante das mãos da garotinha.

- È um coração!- ela respondeu espontaneamente.

Os olhos de Ana-Lucia se alargaram e as batidas de seu coração se aceleraram.

- Querida, onde achou isso? Quem deu isso pra você?- perguntou, nervosa.

- O que foi Ana?- questionou Libby vendo a mudança de semblante da amiga.

Ana-Lucia não respondeu, apenas leu em pensamento os dizeres gravados no pingente de ouro em formato de coração: " Angel e Ana para todo siempre!" Dios, no creo!

- O que é isso Ana? O que está acontecendo?- insistiu Libby.

- Inezita, quem te deu isso?

- Foi o seu amigo mamãe, ele me disse, entrega isso pra sua mamãe!

- Meu amigo? Onde você o viu?- ela ficava cada vez mais nervosa.

- O seu amigo mamãe, ele me entregou isso hoje, na hora do recreio, ele tava limpando a piscina.

- Como ele era cariño, fala pra mamãe, fala!

- Hum, ele era assim bem alto!- a menina fez um gesto com as mãos. A essa altura, Libby também já estava apreensiva. – E bonito, mas não era mais bonito que o Sawyer não, só que os olhos dele eram assim grandes e verdes como os meus.

- Eu vou ligar pro FBI agora!- disse Ana-Lucia, tremendo. Levantou-se do banco e saiu correndo com a filha no colo, apertando-a junto de si como se ela pudesse escapar por entre seus dedos.

- Ana, espera, eu vou com você!- falou Libby, correndo para alcançá-la.

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- E então, como a Sra. Locke reagiu?- perguntou Kate quando ela e Jack entraram no carro para irem almoçar.

- Ela ficou desnorteada, como era de se esperar numa situação dessas, mas está esperançosa sobre uma nova cirurgia.

- E essa possibilidade existe? De você conseguir fazê-lo voltar a andar com uma nova cirurgia?

- Eu não sei Kate, acho difícil, a coluna dele foi esmagada, mas o meu pai não pensa assim, vejamos como as coisas vão ficar mais pra frente.

Ele deu a partida no carro e saiu.

- Onde vamos comer?

- Por que não vamos até a Escotilha? Eu gosto da comida do meu primo.

Jack sorriu.

- Tudo bem, depois de uma cirurgia dessas preciso mesmo comer uma boa comida.

O celular de Kate vibrou em sua bolsa e ela retirou o aparelho de dentro, atendeu sem se preocupar em olhar o número no visor.

- Alô?

- Kate?

- Sim, sou eu.

- Se você pensa que ele te ama e vai ficar com você, está muito enganada, tome cuidado com ele, você não o conhece!- disse uma voz feminina abafada do outro lado da linha.

Kate fez uma expressão confusa no rosto, Jack notou e indagou:

- Kate, o que houve?

Continua...