14. Família
Rony aparatou em frente A Toca aquela manhã, repassando mentalmente como diria a sua família... Não, melhor, como diria a sua mãe que Susan e ele decidiram antecipar o casamento, e que este ocorreria dali há um mês. Conhecendo bem sua mãe, ela teria um ataque. Mas quanto antes contasse, menos risco de vida ele corria.
Abriu a porta devagar, e entrou. Seus pais, Fred, Jorge e Gina estavam a mesa, claramente almoçando.
_ Rony!_ sua mãe exclamou, surpresa e levantou-se da mesa, precipitando-se para abraçá-lo.
_ Oi mãe_ ele disse retribuindo o abraço.
_ Achei que estivesse bravo e que não fosse aparecer aqui tão cedo_ afirmou Molly, soltando-o_ Aliás, eu estou magoada com você, a maneira como saiu daqui no domingo e as coisas que disse..._ e seu tom passou de brando pra severo.
_ Eu sei, desculpe mãe... eu estava nervoso... Oi pai_ acrescentou, recebendo um abraço de Arthur.
_ Como você andou esses dias?_ o senhor ruivo perguntou.
_ Bem!
_ Mas o que está fazendo aqui, Rony? Por acaso tá faltando comida na sua casa?_ Fred perguntou apontando pra mesa.
_ Se é assim, é melhor começar a esconder a comida, antes que ele coma tudo_ completou Jorge. Rony os ignorou.
_ Eu vim falar com vocês_ disse voltando-se para os pais, mas não pôde deixar de perceber que Gina continuou comendo como se ele não estivesse lá.
_ Aconteceu alguma coisa?
_ Não pai... quer dizer, aconteceu_ acrescentou.
_ Alguma coisa com a Susan? O que houve, Rony?_ sua mãe perguntou.
_ Não, Susan está ótima_ respondeu, tomando um lugar à mesa, acompanhado por seus pais, que voltaram a sentar-se_ Bom, é que... Susan e eu andamos pensando e... Olha mãe, antes de tudo, eu quero que fique calma, ok? Não grite, não quebre nada e nem tente me bater ou alguma coisa parecida...
_ Você quer parar de enrolar e falar de uma vez_ sua mãe exigiu.
Gina continuou comendo, tentando parecer indiferente, mas seus ouvidos estavam mais atentos que nunca. Já imaginava o que Rony ia dizer. Ia dizer que ele e Susan não iam mais se casar, que cancelaram tudo. "Deu tudo certo, eles se entenderam", ela pensou, se segurando pra não sorrir. Assim que Rony fosse embora mandaria uma coruja para Hermione, querendo saber todos os detalhes, pois a amiga até agora não havia dado sinal de vida.
_ Diga de uma vez, Rony_ Arthur fez coro a insistência de Molly.
_ Bom, é que, como eu ia dizendo... Susan e eu, decidimos que não vamos nos casar daqui há três meses, nós...
_ Ah, tomaram juízo_ sua mãe o interrompeu_ eu disse que esse negócio de casar em três meses era precipitado demais...
_ Mãe, você não esperou eu acabar de falar... não vamos nos casar daqui há três meses, e sim daqui há um mês...
Gina cuspiu metade do suco que bebia na mesa, e Jorge se engasgou com a comida, enquanto Fred parou o ato de levar uma colher cheia de purê de abóbora a boca, e Molly perdeu a cor momentaneamente.
_ O quê?_ pra surpresa de todos, foi o senhor Weasley quem se pronunciou primeiro_ Você está louco? Perdeu o pouco juízo que tinha?
_ Eu sei, eu sei, que isso foi repentino...
_ Repentino, Rony? Repentino? Isso é um absurdo, isso sim_ sua mãe berrou_ Meu Deus, não há motivo pra toda essa pressa_ e ficou mais pálida_ Ou ela está grávida? É por isso que vocês estão correndo tanto com essa história de casamento?
_ Não, ela não tá grávida_ Rony afirmou exasperado.
_ Você tem certeza?_ seu pai perguntou.
_ É claro que sim... nós não somos descuidados...
_ Mas então, por que essa pressa?_ Molly perguntou.
_ Porque sim_ foi só o que ele conseguiu dizer.
_ Rony, se vocês se amam podem esperar um pouquinho mais, o amor não vai morrer se..._ mas sua mãe parou de falar ao ver Rony murchar na cadeira_ Vocês se amam, não amam?_ ele não respondeu_ Você a ama?
Rony encarou a mãe, consciente de que jamais conseguiria mentir pra ela, embora tudo que ele quisesse era dizer que amava Susan loucamente e que se não se casasse com ela em um mês, morreria. Desejava sentir isso também.
_ Ah, meu Deus, você não a ama_ a Sra Weasley concluiu, levando as mãos à boca, perplexa.
Ele não respondeu. Até porque não sabia o que dizer. Como poderia explicar isso a seus pais?
_ Então, eu não estou entendendo nada_ disse o Sr Weasley_ você não a ama, mas vai casar com ela... Por quê?
_ É complicado_ Rony sussurrou.
_Na minha opinião parece bem simples_ Fred se pronunciou.
_ Eu tenho os meus motivos_ Rony respondeu baixo, evitando encarar sua família.
_ Que tipos de motivos podem explicar um casamento sem amor?_ sua mãe perguntou exasperada_ você vai fazer uma besteira Rony, vai ser infeliz.
Rony suspirou, cansado. O que não daria pra sumir. Era claro que ele seria infeliz, ele sabia disso, mas não podia magoar Susan. Ela queria se casar com ele, e ela ia se casar com ele. E que outra escolha ele tinha?
_ Rony, se você não a ama, não pode se casar com ela_ disse Arthur_ desista enquanto é tempo...
_ Desistir? Eu não posso desistir_ Rony se levantou_ Susan não merece isso, ela tem sido tão maravilhosa, se dedicado tanto pra que esse relacionamento dê certo, que ela não merece que eu simplesmente desista de tudo... ela me ama, eu não vou desistir!
_ Não seja idiota_ Gina se meteu na conversa, falando pela primeira vez desde que o irmão chegara_ Isso não vai dar certo. Não pode se casar por pena...
_ Não é por pena_ ele afirmou indignado.
_ Ah é? Então, é por quê?_ sua irmã perguntou, em tom de desafio.
Um silêncio se fez na cozinha, e todos encaravam Rony, esperando uma resposta. Ele estava consciente disso. Sua irmã era tão inconveniente, ela sempre dava um jeito de constrangê-lo. Mas ela estava errada, não estava? Ele não estava se casando por pena, estava? "Não, claro que não". Então, por quê? Ora, porque ele tinha um compromisso com Susan. Que tipo de homem seria, se rompesse com esse compromisso? A verdade é que ele precisava dela, ela era seu porto seguro. E ela também precisava dele. Rony podia ver isso cada vez que Susan falava com ele, olhava em seus olhos, cada vez que ela respirava. Não podia simplesmente deixá-la, ela sofreria muito se ele rompesse o noivado, afinal, ela quis ficar com ele mesmo quando ele admitiu que amava outra... Pensando bem, talvez fosse mais por pena mesmo. Mas ele nunca poderia admitir isso pra ninguém, muito menos pra sua irmã.
_ Eu... eu quero me casar!
_ Deixa de mentir, Rony_ Gina disse se irritando.
_ Escuta, por que você tá se metendo? Isso não é da sua conta_ ele disse no mesmo tom.
_ Por que eu sei que você ama outra pessoa...
_ Sabe? Desde quando você é Legilimens?_ Rony perguntou sarcástico. E que negócio é esse de que ela sabe por quem ele é apaixonado?
_ Como assim outra pessoa?_ sua mãe perguntou, interrompendo a discussão.
_ Ah, mamãe não está óbvio? O Roniquinho ama a nossa querida Hermione...
_ Cala a boca, Jorge_ Rony berrou.
_ Hermione!_ a Sra Weasley sussurrou, e então encarou o filho mais novo_ Ainda?
_ É mamãe, ainda_ Fred exclamou com um sorrisinho.
_ Como assim ainda? Do que vocês estão falando?_ Rony perguntou confuso. Será que seus sentimentos estavam tão óbvios assim?
_ Ora Rony, todo mundo sabia que você era apaixonado pela Hermione... o que me espanta é que você ainda goste dela, mesmo depois de tanto tempo.
_ Não mamãe, eu não gosto dela...
_ Não precisa mentir pra nós, Rony_ seu pai disse, afagando seus ombros_ Nós somos sua família, não precisa mentir...
_ Eu não estou mentindo_ Rony afirmou, embora aquela fosse a maior mentira que já contara na vida_ E parem de ficar me pressionando.
_ Ninguém está te pressionando, só queremos que você raciocine uma vez na vida, e não haja feito um retardado_ Gina disse, sua face ficando vermelha à medida que sua raiva pela decisão do irmão crescia.
_ Eu não sou o retardado dessa família, não sou eu que estou namorando o Malfoy_ Rony praticamente cuspiu as palavras, começando a se enfurecer com a intromissão da irmã.
_ Não o coloque na conversa, seu idiota covarde. Não consegue admitir seus sentimentos por Hermione, agora quer mudar o foco da conversa insultando meu namorado...
_ Você é patética, Gina... como consegue encher a boca pra dizer seu namorado, se tratando do verme que ele é?_ Rony perguntou sarcasticamente, ele sentia seu rosto esquentando rapidamente.
_ Como se atreve?_ a garota se indignou. Ela se levantou da cadeira, suas bochechas cada vez mais vermelhas, a medida que a raiva aumentava.
_ Eu tô falando alguma mentira por acaso? Ou ele não é um maldito verme desprezível?_ Rony também se levantou, suas mãos estavam fechadas em punhos.
_ Ora, seu..._ Gina tirou a varinha do bolso, no que foi imitada por Rony.
_ Ah, mas que coisa. Será que vocês só sabem resolver as coisas assim? Não há diferenças entre irmãos que justifique a atitude de vocês_ Molly gritou furiosa_ Então não se atrevam.
_ Abaixem as varinhas_ Arthur pediu baixo, embora parecesse estar tão furioso quanto sua esposa_ Hajam feito os adultos que vocês são, não como duas criancinhas contrariadas...
Os dois abaixaram as varinhas, mas ainda se encaravam furiosamente. Não era de hoje que Rony e Gina tinham brigas memoráveis. Os dois sempre se estranhavam por algum motivo, mas só haviam chegado a ponto de apontar a varinha um pro outro na época de escola, quando Gina desdenhou da experiência amorosa de seu irmão.
_ Mas o que eu faço com vocês dois?_ Molly disse magoada_ Será que não podem conviver pacificamente? Por Deus, são irmãos... Irmãos não deviam insultar uns aos outros, muito menos ameaçar com varinhas, é ridículo, é inaceitável... Estou cansada de vocês.
_ Sua mãe está certa_ disse Arthur_ Por que não podem resolver suas diferenças sem brigas e ofensas?
Nem Rony nem Gina disseram nada. Ainda se encaravam com expressões duras.
Rony sabia que seus pais estavam certos, que não devia discutir tanto com sua irmã, sendo que os dois tinham quase a mesma idade e se entendiam muito mais um com o outro do que com os demais irmãos Weasley. Mas desde que Gina começara a se aproximar de Malfoy, que esse entendimento fora pro brejo, isso já fazia anos. Rony não podia evitar, não podia simplesmente agir como se aceitasse a relação dela com Malfoy. Aquilo não ficara pra trás, não pra ele. E sua irmã era tão intrometida...
Gina tinha os braços cruzados, em fúria. Quem Rony pensava que era pra falar mal de seu namorado? Ele achava que era o dono da verdade, que podia julgar alguém? Tudo bem que Draco não era um santo, ele estava há anos luz disso, mas era fato que ele mudara muito. Ele merecia uma chance. E se seus pais conseguiram dar essa chance a ele, por que seus irmãos não poderiam? Por que Rony não poderia? Por que ele sempre tinha que magoá-la, brigando com ela por causa disso?
_ Acho melhor eu ir embora_ Rony disse secamente, sem olhar pra ninguém.
_ Mas você mal chegou_ sua mãe disse, se aproximando dele.
_ Eu já fiz o que vim fazer... não tenho mais o que fazer aqui_ deu um beijo rápido na bochecha de Molly, e se precipitou em direção à porta.
_ Fique pra almoçar, filho_ seu pai pediu_ Não vá embora por isso...
_ Não papai, obrigado. Eu tenho mesmo que ir.
_ Rony_ sua mãe segurou seu braço, quando ele fez menção de dar as costas_ Filho, pense bem no que está fazendo... Eu não vou brigar com você, não vou fazer nada pra tentar te impedir de ir adiante com a idéia do casamento, mas eu quero que pense. Por favor, é o seu futuro, sua felicidade. Não faça algo do qual você pode se arrepender pra sempre.
Rony desviou o olhar. Não poderia encarar sua mãe, não naquele momento em que ela o olhava cheia de tristeza. Ele teve vontade de abraçá-la, mas a única coisa que fez, foi dar um leve sorriso. Sorrir ultimamente lhe exigia um enorme sacrifício.
_ Eu vou ficar bem, mãe_ ele disse por fim, e se dirigiu até a porta, sem conseguir olhar pra sua mãe outra vez.
_ Nós te acompanhamos até o jardim_ Fred disse e fez sinal pra que Jorge os seguisse.
_ O que vocês querem? Me encher o saco igual a Gina?_ Rony perguntou quando já estavam do lado de fora da casa. Se sentia tão cansado. Não tinha saco para as brincadeiras dos gêmeos naquele momento.
_ Vê isso, Jorge? É o que ganhamos por tentarmos ser gentis com nosso querido irmão caçula...
_ Pois é Fred, o mundo está realmente perdido, os jovens de hoje em dia estão tão mal agradecidos.
_ Falem logo o que querem debilóides, a minha paciência já acabou_ Rony exigiu.
_ Calma, Roniquinho... por que tanto ódio no coração?_ Fred perguntou em tom solene.
_ É, você é muito jovem pra estar tão amargurado... mas talvez isso se deva ao fato de que você vai fazer uma lambança...
_ Jorge, se você falar disso mais uma vez, eu...
_ Não vai fazer nada_ Jorge o interrompeu.
_ ... Sim, porque você não vai querer nos desafiar..._ continuou Fred.
_ ... Porque você sabe que não é bom desafiar seus irmãos mais velhos...
_ ... Ainda mais quando se trata de nós...
Rony sabia, que por amor a sua aparência, não devia desafiar Fred e Jorge. Sabia que os gêmeos eram completamente loucos e que se os chateasse, dariam um jeito de que ele ingerisse acidentalmente alguma coisa que lhe causaria algum constrangimento físico. E não tinha a mínima vontade de ver sua língua crescer descontroladamente, ou de sangrar até murchar, ou ter um rabo de hipogrifo saindo de seu traseiro. Respirou fundo.
_ Ok, o que vocês querem?_ perguntou um pouco mais dócil.
_ Se acalmou agora? Bom menino!_ Fred passou a mão na cabeça de Rony, como se ele fosse um cachorro raivoso. Rony bufou, mas não disse nada.
_ Olha, já que você vai casar em um mês, o que eu acho que é uma tremenda idiotice, nós achamos que você deveria ter uma despedida de solteiro...
_ Vocês acham?_ Rony interrompeu Jorge_ Pois vão continuar achando, eu não quero despedida de solteiro nenhuma...
_ Não seja ridículo, todo noivo que se preza, tem que ter uma despedida de solteiro_ Fred afirmou.
_ Mas eu não quero...
_ Não seja estraga prazeres, Rony_ Jorge disse_ Vai ser divertido, e você não vai precisar ter trabalho nenhum...
_ É, nós vamos organizar tudo...
_ Chamar os caras...
_ Escolher onde vai ser. Tudo!_ Fred afirmou com um brilho nos olhos_ Você só vai ter o trabalho de se divertir.
_ Por que estão me dizendo isso agora? Ainda falta um mês pro casamento...
_ Quanto antes melhor, e queremos tempo pra planejar tudo_ Jorge respondeu.
_ E então, você vai querer ou vai ser um chato como sempre, e nos decepcionar?_ Fred perguntou.
Os gêmeos o encararam com olhares diabólicos idênticos. Rony sabia que eles estavam planejando alguma coisa maluca, ainda mais tendo falado com ele, com um mês de antecedência. Seria seguro dizer sim aqueles loucos? Mas seria seguro dizer não? Ele não queria despedida de solteiro, mas talvez seus irmãos estivessem certos e fosse ser divertido. Talvez devesse arriscar.
_ Ok, vocês venceram. Mas não exagerem...
_ Oh Rony, nós sabíamos que você não era tão lesado quanto aparentava_ Fred disse colocando a mão no peito, como se estivesse emocionado.
_ Sim, Deus te abençoe!_ Jorge imitou seu gêmeo no gesto.
_ Tá, agora parem com as maluquices que eu preciso ir.
_ Claro, Roniquinho, que Deus te acompanhe, nesses segundos de aparatação..._ Fred disse solenemente.
_ E que te conserve tão maravilhoso quanto você é, vá em paz irmãozinho_ Jorge completou.
_ Idiotas!_ Rony resmungou antes de aparatar.
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N/A: Ai, adoro tanto escrever sobre os gêmeos (é, eu sei que já disse isso). E adoro também escrever brigas entre Rony e Gina. rsrsrs
Espero que gostem desse capítulo.
N/A: Thaty, pois é, não gosto de demorar a atualizar não. Se eu me propus a publicar uma fic, tenho que ter compromisso com quem lê (^^), obrigada pela review. Marii Weasley, que bom que minhas N/A's não te cansam. Ah, eu adorei escrever que o Fred quer se casar com a Angelina. Sempre gostei deles como casal. E escrever os pensamentos do Jorge foi ótimo. Obrigada Marii. Ron and Mione 4ever, o Rony é cabeça dura, o que ele mais precisa é de juízo mesmo, mas adoro as fics em que o Roniquinho não tem nenhum (hehe!), obrigada. Miss Granger Weasley, estou muito feliz que esteja gostando tanto da fic, isso é muito importante. Obrigada mesmo.
Então é isso, gente. Até a próxima.
Bjks!!!
