Ok gente, cap enorme... o maior que já escrevi até hoje. Divirtam-se, muitas coisas acontecem aqui!
Harry Potter e o Controle da Serpente
-Capítulo treze-
Preparo e esperaA aula de feitiços gaiola foi uma piada, Hermione foi quem conseguiu primeiro, uma gaiola descontrolada que lançou todos para os cantos das salas, Simas acabou por botar fogo na pilha de livros onde Flitwick estava a observar, foi uma correria para apagar o fogo e tirar o professor dali...
Um imenso alívio invadiu todos quando a aula acabou, tinham ganhado muitos deveres, e Harry tinha que recuperar a matéria perdida durante o tempo na ala hospitalar, jantaram e foram direto para o salão comunal, sentaram-se nas poltronas em frente a lareira, enfiou a cara nos livros, Hermione logo fez os deveres de feitiços, Rony tinha ganho lição complementar de poções, coisa que Harry também tinha ganho por faltar...
Começou por fazer os deveres de Defesa Contra as Artes das Trevas, teria aula na tarde seguinte, pegou as anotações de Rony, que já iniciava o trabalho de Poções... Hermione foi até eles e cochichou, de modo a só Rony e Harry ouvirem:
-Harry, pega o livro de animagia, quero ler para ver quais ingredientes nós não temos...
Levantou-se na hora, evitando o olhar de Moana, subiu ao dormitório e catou o livro no malão, que bom que tinha aquele feitiço de ilusão... entregou o livro negro a Mione e enfiou a cara nos deveres de novo. Hermione fazia uma lista dos ingredientes que faltavam, Harry viu Moana observar a capa do livro, astuta, a lista que Mione fazia, escondida no colo da garota, lançar um olhar para o "Livro Padrão de Feitiços: 6ªsérie" de Lilá e apertar os olhos ao olhar de novo a capa do livro que Mione lia, estava somando dois mais dois... mas ela permaneceu quieta e voltou a atenção para seu dever de Feitiços.
-Quando é que ele disse que vai ter a revisão de Defesa? – perguntou para Mione. Rony olhou assustado para ele, deveria ter esquecido.
-Amanhã – respondeu Mione distraída. Rony olhou incrédulo para ela:
-E você? Não vai estudar?
-Já sei tudo.
-O que? – Rony estava mais incrédulo ainda. – Não vamos ver os aquamares amanhã.
-Por quê? – perguntou ela, ainda distraída com o livro.
-Eles vão estar dando um mergulho no rio que vai se formar com a chuva que vai dar essa noite.
Hermione meramente revirou os olhos, Harry e Moana sorriram voltando a atenção para seus deveres. Eram dez e meia quando terminou os deveres de Defesa, se espreguiçou contendo um bocejo, observando os alunos que ainda estavam ali, Marco Evans estava com dois alunos do primeiro ano, um moreno e um de cabelo meio avermelhado, cochichavam baixinho, as cabeças bem juntas, Harry sorriu, segredinhos, deviam estar aprontando, igual aos três no primeiro ano... bons tempos aqueles... Parvati e Dino conversavam como velhos amigos, Dino estava levando a aposta a sério... mas Harry tinha a sensação de que não demoraria a ganhar... Simas estava no canto mais isolado, abatido, cabeça muito junta do papel enquanto escrevia, com a vista cansada, parecia que não dormia direito também...
-Sonhando Harry? – perguntou Rony, trazendo-o de volta a realidade.
-Mais ou menos... já terminou com Poções?
-Sim, vou começar o de Feitiços...
Catou as anotações de Poções de Rony, estavam muito rabiscadas, ele deveria ter errado muito ao escreve-las.
-Que poção ele passou? – perguntou sem entender a letra horrível de Rony, já tinha virado as anotações até de cabeça para baixo na tentativa de entender.
-Poção Zumbificante.
-Hermione, me empresta as SUAS anotações? – perguntou, desistindo de decifrar os garranchos do amigo.
-Que é que tem de errado com as MINHAS anotações? – perguntou o ruivo, ofendido.
-Que é que tem é que parece mais letra de trasgo. – apanhou no ar o tinteiro antes que ele acertasse sua cara. – Então, Mione, empresta as suas anotações?
-Não, não tenho culpa se você não fez as suas. – retrucou ela, ainda distraída.
-É, e eu não tenho culpa se não fiz as minhas anotações porque estava inconsciente lá na enfermaria por causa da sua boa intenção.
Ela o olhou ofendida, mas não disse nada. Maravilha, briga era a última coisa que ele queria.
-Muito bem, dona egoísta, é pra hoje ou pra amanhã essas anotações? – ela não disse nada, apenas continuou olhando o livro com cara amarrada.
Chantagem, deslizou a pena no pé descalço da amiga, ela mexeu o pé, incomodada, ele deslizou a pena de novo, ela baixou o livro e o olhou aborrecida, ele deu um sorriso travesso impossível, ela não se conteve e deu um sorrisinho contrariado.
-Tá bom, seu chato, pega logo isso aqui antes que eu mude de idéia. – ela estendeu as anotações.
Que bom que só teria Poções na sexta, porque aquela poção era horrível, tinha o mesmo efeito da maldição imperius, só que ninguém resistia a ela, obediência completa, que durava até tomar-se o antídoto, a poção Wakenup, que fazia o cara voltar a realidade. Harry teria que fazer tanto a poção quanto o antídoto na sexta, e isso ele queria ver...
Meia noite e meia, terminou o maldito dever de Poções, bocejou, ainda tinha o de Feitiços, que Rony já tinha acabado, faria na noite seguinte, Hermione já tinha guardado o livro a tempo, estranhamente – para Moana – ao mesmo tempo em que a ex-durmstranguiana guardava seus livros...
Se despediram e foram direto para os dormitórios, se tacou na cama, quase se engasgou com a poção.
-Você viu que a Moana ficava observando a Mione com o livro? – perguntou a Rony, no escuro, enquanto tomava a poção.
-Você acha que ela descobriu alguma coisa?
-Não sei... ela é esperta, se pensar duas vezes ela entende direitinho...
-Você conhece ela muito bem hein?
Não respondeu nada, fitou o dossel da cama em silêncio, refletindo, é... gostava sim, fazer o que? Não era a coisa mais normal do mundo? Anormal seria se naquela idade (hormônios em folha) ele não se sentisse atraído por alguém (por alguma, cruz credo!)... mas não era atração o que sentia por ela, era algo mais... era uma calmaria imensa quando ficava com ela, uma sensação de bem-estar e alegria que o deixava no satélite da lua (ops, não seria mundo?)... perguntou, mais para si mesmo do que para Rony:
-Tá, o que eu faço? Chego pra ela e digo que gosto dela?
-Claro! – respondeu o ruivo sonsamente. Recebeu o travesseiro na cara.
-Que coisa idiota Rony! – exclamou sentando na cama, olhando com sua visão borrada pela miopia o amigo. – ela vai morrer de rir de mim! Não mesmo, nem a pau!
Recebeu o travesseiro no meio do peito, quase caiu da cama.
-Coragem Harry! – Rony lhe deu outra travesseirada, rindo – se você tiver medo de falar ela vai te achar um covarde! Antes rir do que ter má impressão, não acha?
-Não sei... –devolveu a travesseirada, Rony picou para fora da cama e caiu com estrondo no chão.
-Não sei quanto a vocês, mas eu quero dormir! – falou a voz irritada de Neville.
Rony voltou à cama com uma careta, Harry riu, deitaram em silêncio de novo.
Acabou por encarar as cortinas até adormecer, guardando mentalmente que o nozinho no alto da cortina era o novo ninho dos dois dragõezinhos...
SPLATCH!
-MAS QUE MERDA É ESSA?
O jeito mais simpático do mundo de acordar, tomando um banho de água gelada e usando "merda" como terceira palavra do dia...
Saiu cuspindo fogo do dormitório, sacanagem dos amigos, ainda estava com os cabelos molhados, Rony ia rindo atrás, as garotas esperavam embaixo.
-Credo, e esse reboliço todo? – perguntou Mione, vendo a agitação dos outros sextanistas.
-Tudo bem? – perguntou Moana, baixinho, só para ele, enquanto saíam pelo buraco do retrato.
-Foi só uma brincadeira dos idiotas... derrubaram a jarra de água com gelo em mim...
-O que era aquele fichário velho e negro que a Hermione estava lendo ontem, que você foi buscar no seu dormitório?
A olhou, ela o olhava de um jeito que causava saculejões no seu estômago só de pensar em mentir, como se o impedisse de não falar a verdade. Mas se falasse estavam ferrados...
-É... uma coisa... nossa.
Ela inclinou a cabeça.
-Não vou contar a ninguém... aqueles ingredientes de poções... é ilegal?
Sempre aquela calmaria, como se fossem só os dois no mundo... podia confiar... iria contar... não! Não entregaria de mão beijada, ela que arrancasse o que queria!
-É... é ilegal...
-Para o colégio?
-Agora eu não entendi.
-É ilegal para o colégio? Ou é mais sério...?
-Os dois...
-Contra a lei e contra o colégio?
-É...
-Me conta seu bundão! – ela falou rindo, estava respondendo com a maior cara de sonso do mundo.
-Você tem que jurar que não conta pra ninguém.
-Tá bem, eu juro.
Ele chegou mais junto dela, com um arrepio "Estou fazendo uma poção do amor pra você!"
-Estamos nos preparando para virar animagos... ilegais...
Ela ficou em silêncio por um tempo, as sobrancelhas erguidas em surpresa. Dava para escutar a algazarra do grupo lá atrás.
-Vocês sabem como? – ela perguntou baixinho.
-Tá naquele fichário... foi do meu pai.
-Sério? Seu pai também era animago ilegal?
-Ele e mais dois amigos... um deles era meu padrinho... Sirius Black... o outro é um desgraçado traidor filho de uma censurado.
-Meu Deus Harry! – ela falou baixinho, aquela sensação de harmonia se intensificou... como podia negar alguma coisa a ela? – Por que esse ódio contra esse cara? Eu não sabia que Black era seu padrinho...
-Tem muita coisa que você não sabe... – disse, chateado, enquanto entravam no salão principal, ela o olhou, espantada com a resposta, mas permaneceram em silêncio durante o café, perguntando somente se havia notícias no Profeta Diário entregado durante o correio matinal.
Durante a manhã não tiveram a chance de se falar, dois períodos de Transfiguração, mudanças na aparência de novo, estava até pegando um jeitinho para a coisa, deixou Rony uma imitação perfeita de Voldemort, nariz achatado, olhos vermelhos com pupilas em fendas verticais, cara branca, o que deixou a turma e a professora assombradas.
Trato das Criaturas Mágicas antes do almoço, os aquamares estavam super agitados, fazer uma análise detalhada foi um pesadelo, Harry voltou para o castelo com a mão enrolada num lenço (de Moana), um aquamar tinha atacado ela e ele heroicamente tinha segurado o bicho pela coleira, o que deixou o bichinho furioso e resultou numa fuga desabalada para fora do picadeiro... com direito a tombos, rosnados, saltos, mordida e feitiços estuporantes para tudo quanto é lado...
Também não pôde falar com ela durante o almoço, o que o deixou chateado, mas a animação tomou conta dele quando entraram na sala de Defesa...
Sentaram-se na fileira do meio, na ponta, o professor fechou a porta, até no porte lembrava o Sirius, Nigellus, tinha que investigar, como estava preguiçoso...
-Bem, como eu disse na última aula, hoje vocês farão um teste sobre o que já viram até aqui, não vai ser de brincadeira, espero que tenham estudado – Harry ouviu Rony engolir em seco ao seu lado – Vocês têm meia hora - ele deu um aceno com a varinha e os testes se distribuíram para cada aluno, Harry viu Parvati e Lilá trocarem um olhar de admiração – a começar por agora.
Olhou a primeira pergunta "Caracterize um Kappa, onde ele é mais comumente encontrado?" e a última "Qual o feitiço para trazer um lobisomem de volta a forma humana? E sua fórmula?"
Meia hora de penas roçando no papel, terminou logo, deixou a pena descansando dentro do tinteiro aberto, olhando desinteressado para seu teste, pensando... pensando em mais assuntos do que podia, em como se revelar para Moana, o que Voldemort estaria fazendo, como seria a próxima invasão, na aula de oclumensia que teria a noite, qual seria o próximo conteúdo, naquela maldita profecia, no que faria se pudesse torturar Rabicho, em onde arranjaria uma penseira...
-Tempo esgotado. Accio pergaminhos! – foi possível ouvir a reclamação de Malfoy entre os pergaminhos que voavam para a mão do professor, este olhou brevemente para o loiro, que imediatamente calou a boca. – Bom, dei uma olhada no que vocês já viram, perderam muito tempo durante o ano passado, já deveriam ter visto a complementação básica de criaturas das trevas. Terão que penar esse ano para recuperar, então peguem as penas e pergaminhos e vamos fazer umas anotações básicas sobre dementadores... – no tom que ele falava dava a pensar que fariam algo agitado, toda a turma se abriu em protestos enquanto pegava os pergaminhos, ele sorriu – e depois iremos ver como vocês se saem com um.
A última parte fez todos se apressarem, ele passou algumas coisas bem básicas, tudo que Harry sabia (com sua experiência em dementadores poderia até dar aulas para o professor), mandou todos pegarem as varinhas e arrumarem as mochilas e eles se mandaram pelos corredores do colégio.
Desceram bastante, em silêncio, o professor na frente, foram numa parte bem baixa do castelo, nas masmorras mais fundas, onde até o cheiro de umidade era deprimente... por fim entraram numa sala com tochas de chamas amarelo-esverdeadas, que davam uma aparência medonha ao lugar, que por sua vez tinha um grande armário ao fundo; a sala era bem fria, perto do armário a temperatura era ainda mais baixa.
As garotas olharam nervosas para o armário, os rapazes apreensivos, o único que estava tranqüilo era Harry, depois do que passara naquelas férias, um dementadorzinho era brincadeira...
O professor se virou para eles.
-Agora, um dementador é uma das piores criaturas mágicas que existem, eles sugam toda a felicidade a sua volta, se alimentam das nossas emoções, gostam da podridão e da umidade. Fazem com que revivamos os piores momentos de nossas vidas, dementadores em excesso e por muito tempo podem enlouquecer alguém, razão pela qual Azkaban era tão segura. Além do mais, nunca fiquem próximos de um dementador, não são confiáveis, agem por instinto, não atendem súplicas ou pedidos, não vêem, mas sentem o cheiro do medo e da alegria, e, é claro, ouvem bem. Hum... acho que esqueci de alguma coisa... – alguns sorrisos se espalharam discretos pela turma – ah, é, o beijo do dementador é a pior arma dele, não tem volta e dificilmente alguém escapa, é quando ele crava as mandíbulas na boca da vítima e suga sua alma. – um arrepio percorreu toda a turma, fazendo os sorrisos desaparecerem.
"Agora, quem sabe me dizer qual o feitiço para rebater um dementador? E como faze-lo?"
Alguns membros da AD levantaram as mãos, inclusive Harry, o que parecia mais calmo.
-Potter.
-O feitiço do Patrono, tem que se pensar em algo feliz e se concentrar na fórmula "Expecto Patronum".
-Exato. Senhor Potter, o senhor fará uma demonstração aqui com o Charles – ele indicou com a cabeça o armário, alguns riram. Parvati levantou a mão assustada:
-Mas professor, o senhor vai SOLTAR o dementador?
-Sim senhorita Patil, isso aqui são aulas avançadas, prática em defesa são essenciais. Peço que não percam a cabeça quando o dementador se mover, mantenham a calma, nada vai acontecer. Como o Sr.Potter disse, a fórmula para repelir dementadores, expecto patronum, precisa ser dita com concentração, pensar em algo feliz. Pode ser meio difícil com um dementador por perto, mas nada que um pouco de prática não resolva.
Ele mandou todos praticarem um pouco, a sala se encheu de vapores prateados, Harry reparou que Malfoy estava com dificuldades, assim como os sonserinos... então chegou a hora.
"Sr.Potter, avante."
A turma se afastou para perto da parede enquanto Harry se postava no centro, varinha na mão, um certo nervosismo por fazer isso na frente de todo mundo.
-Potter, pelo que soube este verão o Sr. já tem uma certa experiência com os dementadores. Se puder e quiser deixe o dementador tirar o capuz para os curiosos verem como eles são na realidade, qualquer coisa eu libero o meu patrono, não precisa se preocupar.
Confirmou com a cabeça, o nervosismo pela sala, todos prestando o máximo de atenção, o professor deu um aceno com a varinha e a porta do armário abriu.
E então ele saiu, alto com as vestes negras lhe cobrindo o rosto, as mãos descarnadas estendidas para o bruxo ali no meio, flutuando muito rápido, viu algumas meninas cobrirem as bocas com as mãos, outras darem gritinhos, e o professor ordenar "Fiquem calmos!", aquela gritaria em sua cabeça, se concentrou, dando alguns passos para trás, o dementador já em cima, mas não perdia a calma. O som parou, o frio permaneceu.
-Isso Potter - disse o professor, reparando na sua calma para com o dementador – deixe ele ficar confiante, quando baixar o capuz libere o patrono...
O dementador tocou seus ombros com as mãos, sentiu que sua palidez (que sempre surgia diante de um dementador) aumentava, mas ficou firme, os braços caídos, varinha apertada na mão, "O HARRY NÃO! O HARRY NÃO!"... A maldita gritaria dentro da própria cabeça, a concentração explodindo, uma das mãos gosmentas e fedidas deslizou pelo sem ombro até sua garganta, viu o professor levantar a varinha, mas lançou um olhar tranqüilo ao auror, a turma paralisada olhando aquilo, o frio intenso, o dementador levou uma das mãos ao capuz e o abaixou...
Várias exclamações escaparam da turma ao ver aquele rosto deformado, a pele esticada por cima das órbitas vazias, a boca, um buraco negro escancarado como uma matraca... e sua calma começou a se esvair e a respiração a descompassar, a boca do dementador estava a uns vinte centímetros de seu rosto, que estava erguido pelas mãos em sua garganta... apontou a varinha para o tronco do bicho, um beijo seu e de Moana na cabeça, e murmurou:
-Expecto Patronum!
A claridade prateada detonou a escuridão da masmorra quando o cervo saiu dando direto uma galhada no dementador, que voou desabalado pela masmorra, o patrono correndo atrás dele, Harry reparou que o patrono se divertia... o dementador disparou para dentro do armário e o cervo o seguiu e olhou parecendo desapontado para a porta do armário quando esta se fechou.
O silêncio retumbante soou e o professor deu uma risada:
-Parabéns Potter, esse é o patrono mais emotivo e animado que eu já vi. Há quanto tempo o conjura?
-Desde o terceiro ano. – respondeu, dando um breve sorriso e uma palmada no tronco do cervo que parou ao seu lado. Ao contrário dos fantasmas, a sensação que eles causavam era de um calor morno.
-Bom, vinte pontos para a Grifinória pelo sangue frio. Quem é o próximo?
Muitos o olharam com uma expressão que beirava a indignação, outros como se ele fosse louco, havia até umas garotas que ainda estavam desmaiadas; mas alguns, como Rony, o olharam doidinhos para tentar. Harry deu um aceno na varinha, o patrono o olhou e evaporou.
As outras tentativas não foram tão bem sucedidas como a sua, Hermione quase se desesperou quando sua lontra não apareceu na terceira convocação, Rony conjurou um urso um pouco maior do que Sirius, e Moana uma águia enorme. O de Malfoy foi irreconhecível, tão brilhante que ofuscava a visão e impedia de ver sua forma; o de Pansy Parkinson foi um chimpanzé, Dino conjurou um búfalo e Simas um leão. Parvati um colibri e Lilá um gato, ficaram bancando as orgulhosas quando a aula acabou.
Dali foram direto para o salão comunal largar as mochilas e para o salão principal jantar, enfrentar dementadores sempre lhe dava uma fome danada... Hermione estava particularmente horrorizada com a aparência podre das criaturas.
-Meu Deus, imagina ser beijada por um bicho desses... – repetia pela terceira vez.
-Só posso dizer que eles têm um hálito horrível – comentou Moana.
-E qxe prxixam tamar u bãio – disse Rony, com a boca tão cheia que já era um feito e tanto produzir algum som.
-Eca Rony, você ta parecendo um deles comendo assim!
Voltaram logo depois para o salão comunal, tinha que fazer o dever de Feitiços, Rony e Mione não estavam, tinham ido fazer a ronda e namorar, Neville e Gina também estavam dando uma voltinha, mas o salão comunal estava ainda mais barulhento com a falta dos monitores, se concentrar estava sendo difícil. Harry reparou que uma boa algazarra vinha do canto dos calouros e segundanistas: Marco Evans, o ruivinho e o moreninho que andavam com ele estavam ou com o olho roxo, ou um lábio cortado, ou um lado da cara inchado, pareciam estar contando a história de uma briga com sonserinos, o que rendeu trinta pontos a menos para as duas casas.
Mas não tinha tempo para prestar atenção neles, tinha que fazer logo o dever de Feitiços e ir para as aulas de oclumensia, Moana estava ao lado dele, lendo um dos livros escolares, ele estava achando particularmente difícil se concentrar com ela do lado, ficava observando-a por longos minutos, sonhando, quando dava por si e voltava a fazer o trabalho...
À cinco minutos para as oito guardou o dever inacabado e partiu para a masmorra de Snape, ligeiramente nervoso, tentando manter a mente vazia. Bateu na porta, a voz seca do professor respondeu:
-Entre Potter.
Entrou, sem nem olhar para os lados, conhecia muito bem aquela sala, viu com desgosto a penseira de Dumbledore na escrivaninha, brilhando azulada, os pensamentos girando. Snape mesmo largava um último pensamento ali, e se virou de forma ríspida para o aluno.
-Sente-se Potter.
"Boa noite pra você também" se sentou mudo, Snape sentou na escrivaninha, encarando-o de cima "Aproveita e me olha de cima enquanto ta aí, seu nanico seboso", Quase riu quando Snape apertou os olhos aborrecido ao captar o pensamento, tinha que se concentrar mais, ou Snape logo iria descobrir coisas que ele não queria...
-Potter, já vou avisando que essas aulas são para ser levadas a sério, sabe o risco que corre e o que está em jogo, não permitirei falhas nessas aulas.
"Belo discurso..."
-Você – "Senhor Potter para você!" – sabe como será com oclumensia, não vou deixa-lo descansar um só minuto até aprender a me proibir de invadir essa sua mente medíocre e obtusa – "Pô, já ta levando pro lado pessoal, pega leve!" – E desgostosamente tenho que informar que as seções de legilimensia serão lentas e perturbadoras, a legilimensia não é só a "leitura de mentes" como trouxas como você chamam, é a interpretação das emoções e conclusões e uma violência mental que não pode ser freqüentemente repetida, motivo pelo qual você deve levar essas aulas a sério.
Apenas assentiu com a cabeça, Snape se levantou, ele também, viu com satisfação que estava alguns centímetros maior que o professor. Recuou alguns passos para o fundo da sala, sacando a varinha, Snape foi para o centro, varinha na mão.
-Prepare-se.
Já estava preparado, mente vazia, ou bem espaçada, Snape apontou a varinha:
-Legilimens!
As imagens se sucederam como um filme pela sua visão, a porta do barraco caindo e Hagrid entrando, o basilisco avançando com os dentes a mostra na sua direção, ele e Hermione voando no Bicuço de noite na direção de uma torre... "Merda, isso ele não pode ver... cai FORA!"
As imagens sumiram, sendo substituídas pela visão da masmorra, Snape cambaleara até a escrivaninha e se segurara nela para não cair, sentiu que estava caído sentado, costas escorada na porta da masmorra. Se levantou meio torto, Snape o olhava aborrecido.
-Que feitiço foi aquele? – perguntou ríspido.
Harry sacudiu os ombros.
-Nem me lembro de ter enfeitiçado, só sei que saí voando.
Snape deu um sorrisinho de desdém.
-Você é obtuso Potter, um oclumente precisa aprender a ver o que faz durante uma invasão, reação inconsciente é uma melhora deplorável. E você precisa controlar essa sua magia clandestina. – Harry amarrou a cara, o sorriso do professor ampliou e depois sumiu. - Por outro lado, foi uma melhora considerável comparada àquela desgraça no ano passado, não ficou gritando feito um louco.
"Ora, vá se ferrar!"
-Modos Potter. – o seboso fez um trejeito de desdém, voltou a erguer as mangas "Bracinhos de saracura" ele amarrou a cara. – Vamos de novo. Legilimens!
Novamente as imagens, Voldemort em frente ao espelho no corpo de Quirrell, o dementador sem capuz na beira do lago, Cedrico morto de olhar vidrado no chão do cemitério – as imagens foram mais rápidas - Rabicho soluçando aninhando o braço, a poção ficando branca, Voldemort saindo, os comensais aparatando, rindo, Voldemort apontando a varinha para Harry "Crucio", aquela dor infernal...
Se arcou para frente ofegando, Snape massageava o braço bem onde ficava a marca negra, com uma cara assustada. Os dois sentiram a mesma dor da maldição imperdoável por um momento.
-O que foi isso Potter?
-Esperava que o senhor pudesse me dizer.
-Que imagens foram aquelas?
-Foi a noite em que Voldemort voltou.
-Já disse para não falar o nome...
-Eu o chamo como quero!
Os dois se encararam zangados.
-Piorou Potter – não falou nada, tinha que se concentrar e levar as palavras do seboso a sério não ajudariam em nada – De novo, legilimens!
Novamente, a sala dos cérebros, o véu, Voldemort desaparecendo na fonte, a criatura ligada com ele em espirais, a dor de ser possuído... "JÁ CHEGA DISSO!"
Dessa vez foi Snape que caiu e Harry que cambaleou com a mão na cicatriz, tinha se esquecido de como era desagradável ser possuído. Olhou para Snape, que o olhava espantado, nos olhos claramente escrito "Que horror!". Deu um sorrisinho malicioso.
-Linda visão essa última não?
Snape se levantou, mais zangado que antes.
-Não está me banindo Potter, são as lembranças que me fazem sair, VOCÊ é quem tem de me tirar. Legilimens!
Foi pego de surpresa, prestava atenção na fala dele e não esperara o súbito ataque. Mais imagens, inclusive a dele e Cho se beijando, o que fez seu sangue subir-lhe a cabeça, expulsou-o de sua cabeça exatamente no momento em que a imagem da sala Precisa era substituída pela do vulto prateado de Trelawney mais nova no escritório de Dumbledore.
Ainda raivoso por Snape ter visto o beijo, olhou friamente para o professor a sua frente. Este deu um sorrisinho hipócrita.
-Melhorou não Potter? Talvez assim, me deixando ver o que não gosta, aprenda a erguer barreiras.
Essa era nova, erguer barreiras, mais uma história pra pensar... "Por quanto Dumbledore me venderia uma penseira?"
-Que imagem era aquela da garota no escritório do diretor?
Pela primeira vez notou que não era mantido fora de assuntos super sigilosos, respondeu com satisfação, sério:
-Assunto meu e de Dumbledore.
Resposta seca e cortante, Snape não falou nada mas ergueu a varinha e murmurou de novo "Legilimens!", e assim foi-se indo o tempo, de vez em quando demorava um tempo relativamente longo (coisa de uns trinta segundos, o que para uma invasão de mentes era muito) para banir, outras fechava a mente logo no início, era bem equilibrado, enquanto a dor de cabeça aumentava ia se tornando ligeiramente mais fácil se concentrar devido a prática, duas vezes rebateu a invasão para a mente do professor, mas eram invasões fracas e sem conhecimento do novo território, e antes que pudesse entender o que via Snape detonava-as.
A terceira vez em que isso aconteceu caiu de joelhos, exausto, se defender a mente era cansativo invadir então era no mínimo duas vezes pior, e Snape não tinha piedade, jogava-o para fora sem nenhuma delicadeza, o que dava a sensação de que tinha passado um caminhão por sua cabeça.
Snape até chegara a arcar ofegando de cansaço, mas deu uma risada quando Harry levantou e deu uma cambaleada para trás.
-Cansou Potter? Dumbledore me contou que você disse que o Lorde é insistente, precisará se defender de invasões mesmo que esteja cansado, caso contrário será uma piada para ele.
-Eu tenho uma dúvida – ofegou.
-Típico...
-Nas vezes em que eu o invadi foi extremamente cansativo, o senhor me invade com facilidade, por quê?
Outro sorriso de desdém, o que só aumentou sua irritação.
-Sua mente já foi tão violentada que está fraca e sem barreiras, o que eu já esperava de você, até um trouxa poderia invadi-la sem problemas. A minha mente, além de ser mais treinada que a sua, tem barreiras e as usa, detonar barreiras cansa. – "Claro, quantas vezes VOCÊ foi invadido pelo tio Voldy? Ninguém destrói suas barreiras, falar é fácil"
-E como se ergue barreiras?
-Isso é indescritível.
Se encararam por um momento.
-De novo. Legilimens!
O salão comunal da sonserina, Malfoy imitando Colin – Snape com os olhos fixos nos seus, a varinha erguida – a estátua dourada do centauro de um só braço se precipitando e explodindo entre Dumbledore e Voldemort – Snape apertando os olhos – o furacão de fogo queimando-o, se concentrou em defender-se... – Snape arregalando os olhos e uma lufada de vento fazendo-o baixar a varinha, um choque e pressão na cabeça – um rapaz de cabelos negros e oleosos recebendo com surpresa um pacote por uma coruja negra; a mesma pessoa, um homem já, olhando com culpa no rosto para o pé da escrivaninha de Dumbledore, que o olha impassível; Voldemort olhando com uma expressão macabra "Eu quero você como comensal" sibila, gritos "Não! Não!"; um ataque de comensais a uma casa de família bruxa, sangue por toda parte, gritos de pessoas sendo torturadas, o homem apontando a varinha junto com outro comensal para uma mulher, "Crucio", ela gritou...
-JÁ CHEGA!
Só sentiu quando bateu na parede e sentiu a dor no ombro contra os cacos de vidro de um frasco que caiu, Snape respirava descontroladamente, a varinha erguida no braço trêmulo, pálido. Sentiu algo quente escorrer lentamente do ombro para as costas enquanto se levantava ofegante, a mente exausta, os ouvidos zunindo por ter batido a cabeça; Snape tinha atacado-o, sinal de desespero...
Em outra ocasião talvez tivesse dado um sorriso de triunfo, mas se escorou na parede sem fôlego, incapaz de falar algo, vira coisas que lhe dariam muito no que pensar, coisas do passado de Snape realmente horríveis... mas o cansaço o impedia de raciocinar direito, não agüentaria mais uma.
Snape estava furioso, guardou a varinha e falou ríspido:
-Chega por hoje Potter, essa última foi uma melhora, mas força-lo até ficar inconsciente será muito aborrecedor para mim e vergonhoso para você, volte no mesmo horário no sábado.
Assentiu com a cabeça e se virou enquanto guardava a varinha no bolso, quando abriu a porta ouviu Snape avisar:
-E Potter, esvazie a mente antes de ir dormir, saberei pelo seu rendimento se não praticou.
Nem falou nada, fechou a porta e foi caminhando cansado para o salão comunal, os músculos e o cérebro suplicando por uma cama, até pensar doía, os corredores estavam silenciosos e escuros, já devia ter passado da meia noite...
Disse a senha à Mulher Gorda ("Pena de Fênix." "Onde é que você estava à essa hora!") e entrou quase inconscientemente, o salão estava vazio exceto por Mione, Rony, Moana, Neville e Gina, que o olharam quando entrou.
-Aleluia! – exclamou Rony – Achamos que Snape tinha comido você!
-Como é essa oclumensia Harry? – perguntou Neville, curioso.
Se jogou na poltrona, feliz por não precisar ficar mais em pé, olhou surpreso para Mione, ela lançou um olhar fugaz a Moana e falou baixo:
-Gina contou a Neville sobre as aulas de oclumensia... – e sibilou só movendo os lábios: - e o resto.
-Ah, é chato Neville, to morrendo de sono... e ainda tem a porcaria do dever de Feitiços para terminar... – lamentou, esticando a mão para a mochila que disparou em sua direção, ouviu as exclamações surpresas de Neville e Moana, mas nem ligou, catou o dever e olhou com desânimo.
-Ei Harry, você reparou que está com o ombro sangrando? – perguntou Gina, observadora.
-O que? Ah... isso... foi agora no final... eu repeli a invasão para a mente dele, acabei vendo o que não devia e ele perdeu a cabeça e me azarou... não é nada...
Eles o olharam como se ele fosse louco. Catou o tinteiro e a pena e os olhou, cansado.
-Um de vocês faria a gentileza de me emprestar o dever de Feitiços?
Mione deu um resmungo se levantando "Eu não, se você copiar não vai aprender", Neville deu uma risada amarela, deu um beijinho em Gina (sob o olhar atento de Rony) e se mandou para o dormitório, ela deu um "Boa noite" e seguiu Hermione para os dormitórios, ele encarou Rony na expectativa e sorriu alegre quando Moana estendeu o seu dever... Rony deu um sorriso, "Aproveita", se levantou agarrando a mochila, desejou boa noite e se mandou também.
Ficaram os dois em silêncio enquanto pegava alguns dados do trabalho dela "Já imaginou o que ela deve estar pensando de você? 'Mas é um preguiçoso, cara de pau pedindo os deveres assim...'... cara, eu to ferrado...", acabou por acrescentar alguns dados que não estavam no trabalho dela, que mereceria um oito, decididamente ela não era muito boa em Feitiços... foram vinte minutos de silêncio, quando acabou guardou suas coisas com um bocejo, estendeu o dever dela.
-Muito obrigado, se não fosse por isso eu iria até a uma e meia fazendo...
Ela sorriu.
-Que nada... eu também copiava os deveres da minha irmã... ela ficava louca comigo...
A encarou quieto, impassível mas na expectativa, "Agora?..." mas ela bocejou de forma bem rude, esticando os braços e fechando os olhos, lembrando um pouco Tonks... sentiu-se encolher como se tivessem lhe atirado um balde de água fria... reprimiu um suspiro desapontado "Calma Harry, sábado vai chegar..."
-Boa noite – desejou se levantando contendo um bocejo. – estou doido para cair na cama, nem dá para acreditar que vou ver Snape de novo daqui a umas nove horas...
-Ninguém merece mesmo – ela riu, sonolenta – Boa noite... e tome cuidado, Harry, com as invasões... eu me preocupo com você.
Ela sumiu na porta do dormitório feminino. Parou atordoado no alto das escadas, queixo caído... "...eu me preocupo com você..."... sacudiu a cabeça e entrou no dormitório escuro, largou a mochila no lado da cama e tomou a poção às cegas, quando ia deitar sobressaltou-se ao escutar a voz de Rony:
-E aí?
-E aí o que? – se jogou na cama sem nem trocar de roupa, com o bulsoscópio, que ele nunca mais tirara.
-Vocês se beijaram?
-Você está indo muito depressa, a coisa mais romântica que aconteceu foi eu desejar boa noite...
-Você é uma desgraça mesmo...
-Ah, cala a boca e me deixa dormir que eu to acabado...
Uma brisa na cabeça... que ardeu muito, até ele sentir um choque e a explosão de dor na cicatriz... olhou para o lado, era tudo escuro, como se fosse o universo, mas havia pontos brancos indistintos, como estrelas, e sinais que ele não entendia, talvez palavras ilegíveis... e era tudo assim, até o chão era assim, como se pisasse no ar... e aqueles malditos olhos vermelhos às suas costas...
Sentiu uma dolorosa latejada na cicatriz, o rosto branco apareceu, uma sombra... tentou se concentrar, manter a mente vazia, era uma invasão... outra latejada, a sombra ficou mais sólida... a cada latejada a sombra ficava mais forte, assim como a dor na cicatriz, suas forças estavam esvaindo-se, não conseguia mais se concentrar por causa da dor... e então ele apareceu inteiro, e a dor se tornou completa, como se ele realmente estivesse ao seu lado, além da pressão na cabeça.
-O que está fazendo aqui! – perguntou com raiva.
-Ora Potter... – ele olhou em volta debochadamente – sua mente é bem complexa... pensei que seria mais bem-recepcionado...
-Saia daqui.
-Não – ele deu um sorriso cínico. – Acho que como inimigos que somos devemos nos conhecer melhor, não? Vamos Potter, seja um bom garoto e me fale da profecia.
Fechou os olhos, tentando ignorar a dor na cicatriz, tinha que manter a mente vazia para bani-lo, mas a sensação que tinha era de que estava com ela explodindo... "Claro, idiota, você está na sua própria mente e ele está dentro dela também! Pra esvaziar eu tenho que tira-lo... mas como?"
-Oh, que bonitinho... – ele ouviu a voz fria ironizar – então o nosso bravo herói está apaixonado... quem é a garota?
Abriu os olhos, o cenário não tinha mudado, mas sentiu a mente mais violada que antes, e havia um ar estranho ali, um ar que estranhamente lembrava com estar apaixonado... "interpretar emoções... mas que droga... sua bicha albina, sai logo daqui..."
O ar mudou para ficar mais quente, raiva. Voldemort se virou para ele.
-Vamos Potter, me fale sobre a profecia.
-Nunca! – tinha que se concentrar, isso estava ficando perigoso, as estrelas e sinais ali pareciam estar ficando maiores... mais brilhantes, como se elas fossem os pensamentos... Voldemort sorriu maliciosamente, nova latejada, o brilho aumentou, a mente doeu.
-Vamos... sabe Potter, a queimadura ficou muito boa... eu tenho uma bonita caligrafia não acha? – ele estava olhando para uma estrela que estava ficando maior, podia-se ver movimento dentro dela, era a lembrança dele se olhando no espelho, no Largo Grimauld...
-Pare com isso... sai daqui, ou eu vou ter que te tirar...
Voldemort gargalhou.
-Você acha que pode repelir uma invasão do melhor legilimente de todos os tempos? E ainda cansado mentalmente como está? Não me faça rir Potter!
Olhou para os lados, cansado e com um pouco de medo... não podia se desesperar, respirou fundo, tentou ficar calmo, tinha que bani-lo... antes que o pior acontecesse...
-Então Potter... desembuche.
Não falou nada, apenas fechou os olhos de novo, tentando não pensar, embora tivesse consciência de que a dor estava enlouquecendo-o.
-Quem é o novo professor de defesa contra a nobre arte das trevas? Está associado com o animago Black... algum parente?
Nova agulhada... isso estava machucando... foi concentrando energia... ou calmaria... Voldemort que blefasse... tinha que ficar calmo...
-Estão escondendo alguma coisa não é? Também está associado com Black... e com o seu pai... vamos Potter, revele.
Outra agulhada dolorosa, agora a claridade já ultrapassava suas pálpebras, a cicatriz ardeu no ponto máximo, ele ia descobrir...
Abriu os olhos a ponto de ver um Voldemort parecendo doido de desejo ao olhar para uma estrela com a imagem do escritório de Dumbledore colocando a penseira em cima da escrivaninha, era agora ou nunca...
Lançou toda sua energia acumulada, um choque, as estrelas e sinais, tão próximos, se afastaram abruptamente, voltando a ficar minúsculos, Voldemort arregalou os olhos, desapareceu, a cicatriz explodiu de dor, a imagem do lugar desapareceu, foi substituída pela visão da cortina da sua cama...
Teve consciência que o bulsoscópio voltava a afrouxar e que tremia muito, suando frio, deu uma rápida olhada no aparelho em seu pulso, três da manhã... não fez mais nada, corpo e mente exaustos e o alívio de ter conseguido fizeram-no adormecer sem sonhar, um sono vazio.
Estava sendo sacudido, mas uma preguiça desgraçada estava apoderada dele.
-Anda Harry, vamos perder o café da manhã! Levanta seu bundão apaixonado...
-Cala boca Rony, não estou com fome... – resmungou, estava novamente com aquele cansaço demoníaco e uma dor de cabeça irritante.
-É, mas se você não levantar vai perder a aula de Poções, e daí sim você vai estar lascado...
Abriu os olhos, que esforço, o contraste do azul do céu que dava para ver da janela com o vermelho do cabelo do amigo foi arrasador.
-Vai indo, acho que eu vou tomar um banho, não estou com fome... – disse se levantando, a roupa estava grudada no corpo, vestígios do suor.
-Credo, aconteceu de novo foi? – perguntou Rony sombriamente, só estavam os dois no dormitório.
-Foi... só que dessa vez ele invadiu mesmo... – passou a mão no rosto, tentando abafar o sono. – Ele é muito feio...
Rony riu nervosamente, saiu dizendo que ia explicar às meninas e que ia esperar ele na frente da sala de Snape. Foi bocejando para o banheiro, se olhou no espelho, estava muito parecido com um ET, pálido de morrer, os olhos inchados de sono e verdes... a vontade que deu foi de nunca mais sair da água, era muito relaxante, mas teria uma desculpa bem aceitável para as aulas de oclumensia se faltasse a mais essa de Poções, aulas de recuperação...
Chegou em frente à sala do professor cinco segundos antes dela abrir, nem conseguiu falar com as garotas ou com os amigos, era cada um para seu caldeirão, o som agourento da porta se fechando calou todos, Snape foi para a frente da sala.
-Hoje, os que não estavam desacordados na ala hospitalar na quarta – metade da turma olhou para Harry – ganharão as poções de zumbificação que fizeram, que depois desse período de descanso deve estar pronta. As que estarem com uma cor azul petróleo estão certas, para os tapados que não acertarem quero dois rolos de pergaminho relatando o modo de preparo certo, com como e porque errou. As instruções do antídoto – ele deu um aceno com a varinha – no quadro – elas apareceram ali – os materiais – outro aceno – no armário. – o armário abriu – Na próxima aula iremos testar a poção e o antídoto, portanto aqueles que erraram tratem de preparar o testamento – um arrepio percorreu a turma - Podem começar.
Ele se dirigiu até Harry, enquanto todos iam para o armário e acendiam o fogo.
-Potter, você faz a de zumbificação hoje, as instruções deviam estar na tarefa extra que você e Weasley receberam – ele apertou os olhos ao dar uma boa olhada nos olhos verdes opacos do aluno – e dará um jeito de fazer o antídoto também, ou receberá uma detenção.
E se afastou daquele jeito agourento que só ele tinha, Harry, perplexo, viu Draco dar uma risadinha de desdém e os sonserinos darem risadinhas idiotas, Rony e as duas garotas olharam-no com caras de fazer-o-que-?-boa-sorte-,-vai-precisar-... o jeito era fazer rápido e certo, deu uma olhada na tarefa extra, catou os ingredientes que precisava e acendeu o fogo antes que todos os outros, inconscientemente ergueu uma barreira de concentração na cabeça doída e se concentrou somente naquilo, Snape poderia estar dançando lambada no meio da sala e ele não teria reparado...
Quase ferrou a poção bem no final dela quando acabou cortando o dedo enquanto pilava o escaravelho antártico (ele nem sabia que existia escaravelhos na Antártida...), sangue com certeza não fazia parte da receita, quase teve uma crise nervosa esperando a poção ficar azul-bebê, ficou, agora era colocar num frasco e fazer ligeirinho o antídoto...
Ao bater os dois frascos com as duas poções certas na frente do professor no final da aula recebeu o olhar atônito da turma, o que desmanchou o sorriso dos sonserinos e fez Snape crispar os lábios, não estava cem por cento seguro de que as duas estavam certas porque o descanso das poções podia mudar tudo, mas pelo menos não recebera nada de tarefa extra, apenas o dever que todos receberam. Rony saiu nervoso, tinha errado a poção e errara o preparamento do antídoto, ao invés de ficar amarelada ficara verde escuro...
Quando estavam saindo, Snape o chamou:
-Potter! Fique.
Trocou um olhar com os amigos, eles saíram, olhou para Snape.
-O que aconteceu essa noite? – ele perguntou, ríspido.
-Ele invadiu minha mente. – respondeu, formal.
-Ele descobriu alguma coisa?
-Não. – e até era verdade, ele não descobrira nada que prestasse. Snape o encarou, frio.
-Você o retirou ou ele saiu?
-Eu o retirei.
Se encararam.
-Se isso se repetir saberei que não está se esforçando, você não é uma desgraça completa em oclumensia. – Harry franziu a testa para ele, isso era um elogio? – Retire-se.
Saiu pensativo da sala, a maldita dor de cabeça continuava, iria dar uma passada na ala hospitalar e pedir a Pomfrey um remédio. Os amigos o esperavam no fim do corredor.
-E aí, o que ele queria? – perguntou Rony.
-O que você disse sobre a invasão? – perguntou Moana, ela o encarava nos olhos.
-Já reparei que não consegui erguer uma barreira. – ela sorriu.
Contou num resumo rápido a conversa, se separou dos amigos num corredor, foi para a ala hospitalar e eles para a aula de Feitiços.
-Hum, Madame Pomfrey? – perguntou, ela se virou.
-Não esperava ver você tão cedo Potter.
Se tinha uma coisa que não sabia era se queixar de alguma coisa para alguém que não fosse um dos seus amigos, ela entendeu na hora só de ver suas olheiras, deu-lhe um remédio mas avisou que provavelmente ele ganharia muito sono com ele, tomou, a dor de cabeça sumiu, mas imediatamente sentiu aquela moleza...
A aula de Feitiços foi uma tortura, feitiços gaiola de novo, sem dúvida tinha problemas com ele, acabou por explodir uma classe e receber lição extra (de novo), aturou as piadas dos sonserinos, não estava com humor para revidar.
Foi ao almoço apenas por pedidos (e por parte de Hermione, ordens) dos amigos, meteu goela abaixo um pouco da gororoba, teriam a tarde livre, recebeu um bilhete de Hagrid para eles irem visitá-lo durante a tarde, pediu mil desculpas por não ir e se tacou na cama, sem condições de ficar mais tempo acordado, ainda por cima aquela comida lhe deu pesadelos horríveis...
Quando acordou era cinco horas, estava se sentindo ótimo, e sua disposição voltou completamente quando lembrou que dentro de doze horas estaria com Moana em Hogsmeade, os amigos ainda estavam na cabana de Hagrid, foi para lá também, curtindo o sol no rosto e observando os últimos alunos que ainda nadavam com a lula e alguns casaizinhos que namoravam na sombra das árvores e atrás dos arbustos... Emília Bulstrode e Crabbe, teria pesadelos... Cho olhou chorosa para ele, ele a ignorou como se fosse um verme, ela chorou, ele recebeu olhares feios das amigas dela...
Bateu na porta, foi Rony que abriu.
-Até que enfim, Bela Adormecida!
-Desculpe por não ter vindo antes Hagrid, eu tava no prego...
Hagrid falou que não ligava, Canino fazia festas a Harry, mas não pulava tanto como nos anos anteriores, Harry reparou que o cachorro de cor escura estava com o queixo todo branco, estava bem velho... Hagrid lhe ofereceu uns bolinhos de chocolate que ele aceitou e recebeu olhares desconfiados de Rony e Hermione, murmurou que estava morrendo de fome e não ligou por quase ter quebrado os dentes no bolinho, lá no fundo (bem lá no fundinho) eles até que eram bons.
-E aí Hagrid, peguei o bonde andando, continuem a conversa.
-Como está indo o Grope, Hagrid? – foi Rony que perguntou. Hagrid olhou meio desconfiado para Moana.
-Não se preocupe, ela é de confiança. – falou Harry, e recebeu a aprovação de Rony e Mione.
-Ele até que está indo muito bem, está mais sociável, não espanca mais por puro prazer... o problema mesmo é os centauros...
-Eles ainda estão zangados com Firenze? – perguntou Mione.
-Zangados? – Hagrid arregalou os olhos enquanto falava – eles estão furiosos! Quase mataram Firenze de tanta pancada, foi preciso Dumbledore ir lá para arrumar as coisas, agora estão mais revoltados que nunca, ameaçaram matar o primeiro que entrar lá dentro, sendo ele estudante ou funcionário. Como se não tivéssemos mais nada com que nos preocupar...
Depois disso mudaram o assunto para o quadribol, Polônia estava na frente, Vítor Krum estava fora momentaneamente, tinha se machucado em um jogo...("É mesmo! Vítor me mandou uma carta contando que ele tinha uma lesão feia na perna, vai ficar uns dias sem poder jogar..." "Se nós tivermos sorte ele vai ficar com a perna preta e podre, ela vai cair, os curandeiros vão refazer a perna errado e ele vai ficar manco pra sempre, vai ser expulso pra sempre dos times de quadribol, vai gastar toda a fortuna dele em bebidas alcoólicas porque vai ficar depressivo e vai ficar um gordo rabugento quando descobrir que gastou toda a grana em filmes pornôs e que ninguém do sexo feminino vai querer ficar com ele." "Que idiotice Rony!" o que gerou boas risadas por parte dos outros três), e agora a Bulgária estava em nono lugar, uma posição atrás da Inglaterra...
Saíram praticamente arrastados por Harry que estava doido para jantar, Hagrid ficou rindo na porta, mas tiveram um contra-tempo perto da entrada do castelo. Rony virou-se furioso para Mione:
-Você ainda anda se correspondendo com o Vitinho?
-E se eu estiver, o que você tem haver? E não chame ele de Vitinho!
-Por que não? – perguntou Rony irritado e sarcástico – Você se ofende por ele?
-Cala a boca Rony! – agora Hermione estava braba, e vermelha – O nome dele é Vítor, e é meu amigo!
-Por acaso seus amigos mandam cartas com declarações e pedidos de namoro? – perguntou Rony, cínico. Hermione ficou escarlate.
-O Vítor me pediu em namoro sim, e daí?
-E daí que sou seu namorado! – gritou Rony, igualmente vermelho. – e namorada minha não fica namorando com outros!
-E quem disse que eu estou namorando com ele hein? – berrou ela, furiosa – Eu respondi que não aceitava, mas posso mudar de idéia porque ele me valoriza, ao contrário de você!
-Eu não valorizo? EU NÃO VALORIZO? POR QUE VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU ASSIM HEIN? PORQUE EU GOSTO DE VOCÊ! AMO! E VOCÊ FICA DANDO BOLA PROS OUTROS! E DIZ QUE TAMBÉM GOSTA DE MIM!
-EU NÃO ESTOU DANDO BOLA PRO VÍTOR! ELE É MEU AMIGO! ELE É GENTIL, ELE ME RESPEITA, ME PERGUNTA SE PODE ANTES DE SAIR DANDO UMA DE DONO DE MIM, ELE GOSTA DE MIM! ELE...
-ISSO! VAI ELOGIANDO, É SÓ UM AMIGO!
Hermione estremeceu, foi até ele e lhe desceu a mão no rosto.
-ORA... SE VOCÊ NÃO CONFIA EM MIM QUANDO EU DIGO QUE NÃO, É PORQUE NÃO ME RESPEITA! E NÃO GOSTA! PRA MIM JÁ CHEGA RONALD WEASLEY! NÃO ME PROCURE, EU TENHO OUTRAS PESSOAS QUE ME VALORIZAM, E VOU APROVEITA-LAS! VOCÊ GOSTANDO OU NÃO! – ela virou as costas e entrou no castelo, deixando Rony tremendo de raiva e ao mesmo tempo chocado, com a mão no rosto.
-Volta aqui! Volta aqui e vamos resolver isso! – quando viu que ela não voltaria, soltou uma exclamação de raiva e entrou no castelo, vermelho, deixando Harry e Moana estáticos para trás.
Se entreolharam sombriamente.
-Não é melhor você ir atrás dele? – perguntou ela, apreensiva.
-Não... – deu um suspiro conformado, voltando a andar vagarosamente. – ele está com a cabeça quente, é capaz de perder a cabeça se eu falar alguma coisa... deixa ele esfriar, ele pode até ir atrás dela, mas nunca faria nada, gosta dela, mas tem a cabeça no lugar... – parou, pensando melhor – de vez em quando ele parece não ter cabeça.
-Ele sempre é ciumento assim? – perguntou ela, andando ao seu lado.
-Sempre, brigas assim são comuns, patéticas, mas acho que essa foi um pouco mais quente... mas eles voltam, sempre voltam...
Vários curiosos olhavam de olhos arregalados para eles, tinham escutado a discussão, e agora fofocavam urgentemente com os vizinhos, provavelmente inventando suas próprias versões para o ocorrido.
Jantaram conversando, o céu estava com nuvens e trovejava, o que intimamente incomodou Harry, queria que o tempo estivesse perfeito para se declarar... oh céus, ainda não tinha pensado na fala...
Depois de horas conversando naquele hipnotismo paradisíaco (o que deixou Harry com uma louca vontade de beija-la), se despediu e subiu ao dormitório masculino, pensando sonhadoramente na manhã seguinte, mas voltou a Terra quando a visão do dormitório escuro e da cortina fechada em torno da cama de Rony o atingiu. Se trocou em silêncio, pijamas pretos com aspecto de vestes bruxas, que loucura, a Sra.Weasley comprou seu pijama achando que ele iria a um velório às três da madrugada? Mais um pouco e não seria conhecido mais como "o menino que sobreviveu" e sim como "o morcego do pijama"...
Sentou-se na sua cama, sério, observando as ondas que a cortina tinha feito, incrível como até cortinas cor de vinho que escondem um cara com dor de cotovelo parecem românticas quando se está apaixonado... sacudiu a cabeça "Em quem mundo você está?", chamou em voz alta:
-Rony?
Um resmungo.
-Tá acordado?
-To.
-Você é um idiota Rony.
As cortinas se abriram. Rony o olhou com uma cara que o fez achar que iria levar um soco direto no queixo, mas para sua surpresa, ele disse simplesmente:
-Eu sei.
Um silêncio.
-E o que você vai fazer?
-Não sei... – ele se deitou de costas de novo – tentar me desculpar... me xingar e bater muito... – ele suspirou, chateado – vou tentar amanhã durante o passeio.
-Você devia dar um tempo até a poeira abaixar – disse, após tomar a poção, se deitando também. – deixa ela pensar.
-Você acha que essa noite não é suficiente? – perguntou Rony, agoniado.
-Considerando que você está com os dedos dela marcados na cara até agora, não.
-E o que eu faço?
-Não sei... ainda não passei por essa situação... tenta falar com ela amanhã... conhecendo a Mione você vai levar talvez outro tapa e vai ser ignorado por algumas semanas...
-E...? – perguntou o ruivo, desesperado por algo que pudesse ajuda-lo.
-E o resto eu não sei. Bem, se é só isso... boa noite.
Não iria se envolver mais que isso no namoro dos amigos, eles que dessem um jeito de fazer as pazes de novo, já tinha problemas demais sem se envolver com isso...
Acordou se espreguiçando e bocejando, ainda com olhos fechados, curtinho a preguiça de quem acaba de acordar... escutando o chilrear dos pássaros lá fora, nunca tinha reparado no canto deles... "Hoje é o dia, ou uma feliz aceitação, ou uma horrível recusa, com direito a tapa na cara e choque por umas três horas, portanto anime-se Potter, indecisões perigosas são a sua especialidade!"
Se levantou, os outros ainda dormiam, foi bem disposto para o banho, o que era mesmo boa disposição, detestava tomar banho de manhã cedo, principalmente em sábados, tivera um sono ótimo e tranqüilo, ao contrário de Rony que rolara na cama com pesadelos de uma Hermione chorando, ou fria com ele, ou beijando Krum...
Desceu para o salão comunal, Rony o esperava com a maior cara de enterro do mundo.
-Se anima Rony – falou animado, metendo um tapa nas costas do amigo. – até parece que morreu alguém!
-E morreu. – falou num tom deprimido.
-Quem? – perguntou horrorizado, parando de caminhar.
-Minha auto-estima.
-Ah... – deu um muxoxo de impaciência, voltando a andar. Foram em silêncio até o salão principal, onde Harry passou os olhos por toda a mesa procurando Moana, parecia o maníaco da tesoura espreitando a vítima, constatou desapontado que ela não estava lá, terminou rapidamente, para ver um Rony olhando deprimido para o leite.
-Eu to indo Rony, me deseje sorte. – disse, se levantando, bem disposto.
-Boa sorte... – resmungou desanimado o ruivo, enquanto o outro já se afastava.
Abriu um sorriso enorme ao vê-la ali no saguão esperando com as garotas (Hermione estava com uma cara horrível), estava linda (como se já não fosse...), uma camiseta branca meio curta que mostrava um pouco da barriga (visão tentadora) e calças jeans azul marinho, sandálias negras de estilo trouxa, o cabelo castanho-avermelhado que ele tanto gostava estava preso num elegante rabo de cavalo, com algumas tiras soltas pelo rosto, a legítima gata, ela sorriu contente ao avista-lo, chegou para junto delas.
-Vamos? – perguntou sorridente.
-Vamos. – respondeu ela, igualmente animada.
Ela se despediu rápido das garotas e eles passaram por Filch, depois de esperar o zelador conferir seus nomes na extensa lista e os olhar com desgosto, saíram pelos campos ensolarados em direção ao povoado, estava feliz, o tempo estava colaborando...
-Mal amado esse hein? – comentou Moana.
-Você nem imagina... pior que ele só a Umbridge.
-Fico razoavelmente alegre de não tê-la conhecido. – disse ela, sarcasticamente formal, ele riu. – E então, conversou com o Rony?
-Conversei, ele está bem pra baixo, e ela?
-Furiosa, magoada, chateada, enjoada – "Ela está grávida?" – se matando de chorar, querendo matar ele de tanta pancada, mas está bem. E você?...
Agora sim, estava nas nuvens!
-...ouvi Hermione e Gina conversando sobre a ordem, o que ela é?
Paralisou no ato, olhou de queixo caído para ela, que virou e o encarou surpresa com sua reação "Você é uma intrometida sabia disso?" "Cala a mente Harry, ela está no direito dela!"
-Quando você ouviu? – perguntou, preocupado.
-Na terça de noite, quando você estava na ala hospitalar... pensavam em mandar uma carta para a "ordem" contando o que acontecera, daí a Hermione falou que provavelmente eles já sabiam e que seria idiotice mandar, que se Dumbledore soubesse o que tinha acontecido já não tinha importância... o que é essa ordem?
"Decididamente ela é intrometida." "Fica quieto! Ela é confiável, pode saber!" "Não sei não, você é que está apaixonado, vê se não perde a razão, não me perde!"
-Jura pela sua vida que não conta a ninguém? – pediu, sério. Ela arqueou as sobrancelhas.
-Juro...
Saiu contando então, enquanto caminhavam pelas belas ruas do povoado, sem omitir nada, exceto a profecia, contou sobre Rabicho, a traição, como eles acharam que fora Sirius, como Rabicho fugiu e o padrinho fora preso, como doze anos depois ele e os dois amigos libertaram o ex-fugitivo depois de saberem de toda a história e Rabicho escapar, como fora parar no torneio tribruxo, o que acontecera no cemitério, a volta de Voldemort, explicou o que era a ordem (mas não deu detalhes dos seus planos nem falou muito de seus membros, exceto contou que seus pais e Sirius faziam parte dela) e falou brevemente da morte do padrinho.
-...e agora está nisso.
-Mas Harry... – ela olhou-o, meio chocada, era uma ótima ouvinte e se demonstrara preocupada – por que ele perseguiu você quando era bebê? Não estava atrás dos seus pais não é?
-Não... – ele olhou pensativo ao redor, os alunos andando em grupinhos e em casais conversando animadamente ali e aqui – sabe, fiz essa mesma pergunta a Dumbledore no final do primeiro ano... ele me disse que não podia responder... no fim do último ano ele me contou... não foi agradável...– fechou a cara – mas não vou te contar, ou vamos estragar o dia, e ele está tão bonito... – disse abrindo um sorriso, ela deu um sorrisinho também:
-É, você também é bonitinho... – ela passou a mão no rosto dele, seu coração explodiu num galope – Mas vamos! – ela o puxou sorridente pelo braço. – Já andamos um monte e você nem me mostrou nada!
Retribuiu o sorriso, esse era o espírito, os maus pensamentos que se danassem, foram conversando pelas ruas, mas dessa vez ele falava sobre as lojas pelas quais passavam, entravam em várias, acabaram por entrar na Zonko's também, a pedido dela para alegria dele, uma idéia que tinha tido... enquanto ela olhava as vitrines discretamente se afastou e foi até Rony, que olhava com Dino e Simas as coisas.
-Rony... – chamou baixo, os três se viraram, Simas e Dino já iam abrir a boca para falar bobagens, mas falou ríspido para os dois: - calem a boca vocês! – e baixando a voz, pediu a Rony: - distrai ela por cinco minutos, quero dar um pulinho na loja ali do lado...
Rony deu uma olhada pela janela, para a loja que Harry falara... "Madame Zuleikide: Presentes para todas as ocasiões", voltou a olhar para Harry, sorrindo.
-Vai comprar o que?
-Dois preservativos.
Rony arregalou os olhos para ele.
-Um presente, seu anta! – olhou para trás, mas ela ainda olhava interessada os cachos de barata. – Distrai?
-Pode deixar, "brô"...
Talento de quem assalta a geladeira escondido há doze anos, se esgueirou discretamente para fora da loja enquanto Rony e os dois patetas iam com ele distrair a garota, foi rápido para a loja, deu uma olhada resumida na seção de "Conquiste ela!", achou aquele bonito, comprou, gastou metade da saca, era bem caro, mas ela merecia muito mais "Meu Deus, estou muito gay hoje!", esgueirou-se de novo dentro da Zonko's, o presente numa caixinha no bolso, foi por trás deles, Rony e Dino conversavam com ela, Simas estava afastado aborrecido, lançou um olhar homicida a Harry quando esse chegou junto a eles.
-Onde você estava? – perguntou ela sorrindo.
-Comprei pó de fura-frunco para pôr na cama do Dino essa noite. – respondeu displicente, Dino amarrou a cara e Harry deu um pisão no pé de Rony indicando para ele ir se afastando que o dono do pedaço chegara... Saíram conversando da loja de logros.
-Você realmente vai botar o pó na cama do Dino?
-Vou, ele está me provocando há um bom tempo... Comprou o que? – perguntou, observando a sacola que ela levava.
-Ah, apenas suprimentos necessários para a sobrevivência neste campo da batalha... – ele a olhou, ela riu: - apenas bombas de bosta, palha-fede, picolé de sangue para o nosso querido Draco Malfoy e bolinhos de vômito recheados com chocolate para Crabbe e Goyle...
-Nossa, esses eu não conhecia... – falou, admirado, ela não era o que ele imaginava... era mais quente "Cara, essa mulher é incrível!" "Será que não é areia demais pro seu caminhãozinho?" "Às vezes eu acabo comigo mesmo..."
-São novos... e olha esses – ela tirou uma cartelinha com dois brincos femininos. – São para a Flávia Marsmont, ela adora usar brincos de aparência cara, pois bem, esses aqui quando menos se espera viram nabos cor de rosa berrante, e a pessoa nem repara... só quero ver a cara dela, vou mandar pelo correio...
Harry por um momento teve a visão de Luna morena com nariz arrebitado e olhos cor de bosta com dois rabanetes pendurados nas orelhas...
-Olha – disse repentinamente, para afastar a visão indecente da cabeça, apontou para frente – a Casa dos Gritos, a casa mais mal assombrada da Grã-Bretanha, habitada por espíritos de outro mundo particularmente violentos – olhou de esguelha para ela, ela ria "Você está parecendo o Galvão Bueno com dor de estômago!" ignorou o comentário, seus olhos pousaram no banquinho que tinha do lado da cerca onde mesmo tinham se escorado, se sentou, puxando ela com a mão para se sentar ao seu lado.
O coração aos pulos, tirou a caixinha de presente do bolso, ela o olhou com surpresa.
-Pra você. – ela pegou a caixinha de sua mão estendida, olhando surpresa para ele, abriu a caixinha, seu rosto se abriu num sorriso.
-Ah Harry, é lindo... – disse, pegando o colar de pedras Olho-de-Tigre, bem no meio a Olho-de-Gato, o olho amarelo se mexendo (magia) dentro do dourado...
Ela botou no pescoço, sob o olhar dele, as Olho-de-Tigre combinaram com seus olhos cor de mel...
-Ah... obrigado, é tão bonito... – disse, segurando e olhando a Olho-de-Gato. Harry ficou olhando-a, com medo de falar.
-Moana, eu... – ela o olhou, sua voz sumiu. "MERDA!BOSTA!CÚ!TETA!" "Que lindo vocabulário..." Ela ergueu as sobrancelhas. – bem eu... eu sou um idiota – ela arregalou os olhos, perplexa, ele deu um sorriso envergonhado "Isso foi ridículo" "Imagina o resto..." – ultimamente... – "Ultimamente? Jesus, foi só uma semana!" "Fazer o que? É a pressa... ela vai chutar o meu traseiro..." – eu tenho... hum... notado você – coçou a cabeça, absolutamente vermelho, ela o encarava atônita – eu me pego pensando em você por aí, direto... bem, essa pode ser a coisa mais bicha que eu já disse até hoje... – tomou ar, escarlate de vergonha – mas eu acho que estou apaixonado por você.
E aquela vontade louca de evaporar para sempre, sem nunca ter existido, maldita timidez! Agora fizera papel de idiota, corado até a raiz dos cabelos... que é que ela iria pensar?
Pra sua total perplexidade, o sorriso dela sumiu e ela deu um suspiro entristecido. O mundo caiu.
-Ah, Harry... isso era o que eu menos queria... – "Por quê? Eu sou tão feio assim?" – Espero que você entenda... está tudo sendo tão corrido... eu ainda não tive tempo para botar minhas idéias em ordem... ainda não tive tempo para superar... as mortes... – ela o olhou, deu um sorriso triste – Não estou pronta... ainda... para encarar isso... preciso de tempo... – ela passou a mão em seu rosto, sua mão era quente, mas não tirou os olhos dos dela, não esboçou reação – eu também gosto de você... mas não assim... você por enquanto é apenas meu amigo.
Já ouvira falar na expressão coração despedaçado, mas não sabia que era assim... seria melhor se ela tivesse gritado: "Você é um verme nojento e repulsivo que me dá ânsias só de olhar para você!" sua animação foi ao inferno, a tristeza dela se entranhou em sua alma, ela notou, falou triste:
-Espero que você entenda... eu não estou pronta... tentar seria forçar o que não existe...
-Eu sei... – falou sorrindo tristemente, passando a mão no rosto dela, ela parecia realmente sentir muito. – mas posso ter esperanças?
-Talvez... – ela olhou para o colar, chateada – eu preciso de tempo... para ver... quando a sombra do André me largar... quando eu olhar com outros olhos pra você... isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde – ela sorriu de novo, ele retribuiu, igualmente chateado – eu só preciso de tempo, para colocar as idéias em ordem, para me recuperar... aí eu te aviso... juro. – ela deu um suspiro – Até lá eu pediria para não forçar nada... quando puder eu te aviso...
-Certo... – olhou em volta, era meio da tarde já, voltou a olhar para ela – vou esperar... espero... serei apenas seu amigo... até a hora certa...
Ela sorriu, os dois levantaram-se, determinados a espantar aquele ar horrível ao seu redor, ela abruptamente estalou um beijo em sua bochecha.
-Pelo colar...
-Assim fica difícil resistir, sabia? – murmurou com a maior cara de safado que sabia, ela riu, uma risada meio abalada, insegura. Passou o braço pelos ombros dela, num abraço fraternal:
-Relaxa... eu juro que não forço... não precisa ficar assim, não vou te atacar. – ela sorriu em agradecimento, olhando o chão enquanto caminhavam. Então ele sussurrou no seu ouvido: - Mesmo que dê vontade...
Ela olhou rindo para ele, se desvencilhou do abraço:
-Safado...
-Sou mesmo, melhor ficar de olho se não quer ser atacada por um tarado...
Foram fazendo brincadeiras enquanto iam para o Três Vassouras, embora aquele ar de chateação não os abandonasse, sentiam-se decepcionados consigo mesmos, um por precisar de tempo, o outro por ter que esperar...
Entraram no barzinho, Harry apresentou Rosmerta para Moana, ela foi pedir as bebidas, ele se sentou com Rony, que olhava deprimido o chão, uma garrafa de cerveja na mão. O ruivo pareceu se animar ao vê-lo.
-Ei, como foi? – perguntou baixo.
-Uma desgraça... ela ainda não está pronta, vou ter que dar um tempo, ela me avisa.
-Ah... – ele o olhou como se compreendesse. – bem, boa sorte.
Moana voltou com duas cervejas amanteigadas.
-Como foi com Hermione? – perguntou ela, sentando-se ao lado de Harry. "Pô, ela também não ajuda..." "Cala a boca, ela faz o que ela quiser, você jurou se controlar!"
-Um desastre! – Rony virou a cara, apontando para as marcas no rosto. – Eu não sabia que ela era tão violenta... quase me deixou desacordado... – ele olhou melhor para Moana, depois para Harry: - Agora entendo o presente... presentasso!
Os dois coraram...
Ficaram um tempo conversando, depois voltaram ao castelo... com aquela aura estranhamente triste... Harry achou difícil se concentrar nas aulas de oclumensia, a imagem dela falando que o avisaria e a determinação de conquista-la não lhe saíam da cabeça.
