Ela caiu de costa, ainda deitada por um momento, tentou determinar se ela estava ferida. Percebeu que não estava, e sentou-se cautelosamente. Nada parecia estar quebrado, embora ela tivesse certeza de ter contusões no dia seguinte.

Com o relincho pungente de Flame, Isabella levantou-se e correu em direção à égua. Os olhos de Flameestavam escancarados de medo e dor. Isabella viu o ângulo desajeitado em que estava a pata dianteira.

Oh, não - murmurou Isabella, caindo de joelhos e acariciando o pescoço da égua -. Desculpe- me, garota - ela soluçou -. Eu não quis puni-la, eu vou levar você ao rancho e tudo vai ficar bem - lágrimas correram pelo seu rosto e ela as enxugou, deixando uma mancha suja em sua bochecha.

Mesmo ouvindo os cavalos que se aproximavam, ela não tirou os olhos da égua, que ainda gritava de dor, enquanto Isabella falava com ela em tons baixos e suaves.

Edward e Jacob puxaram as rédeas e perceberam a situação de imediato. Edward não queria reconhecer o alívio que sentia quando viu que Isabella estava, aparentemente, intacta. Ele e Jacob se entreolharam e concordaram em uníssono. Desmontaram juntos, como se estivessem coreografados.

Isabella olhou para cima quando viu suas botas perto da cabeça de Flame. Ficou de pé, correu para o marido, agarrando-lhe os braços. Seus olhos estavam cheios de lágrimas suplicantes.

Edward, foi minha culpa, ela tropeçou em um buraco de um roedor, provavelmente... Ela vai ficar bem... Ajude-a ... Ela vai ficar boa.

Com uma calma mortal, Edward ignorou seus olhos enquanto sua mão buscava sua pistola no coldre e a retirou.

Não - ela murmurou -. Não! - dessa vez, ela gritou.

Jacob - foi tudo o que ele disse.

Isabella sentiu-se arrastada para fora do caminho quando Edward apontou sua pistola e disparou. O grito da égua cessou imediatamente, apenas para ser substituído pelo eco do tiro da pistola. Então outro grito saltou sobre as colinas circundantes, mas Isabella não a reconheceu como dela enquanto ela voava para Edward.

Seu monstro, você a matou! Besta! Animal! Assassino! Assassino! Seus punhos pequenos golpeavam seu peito e seus pés chutavam suas canelas. Ela só queria magoá-lo, vingar sua própria dor. Permaneceu passivamente e tomou o castigo, sem levantar a mão para se proteger -. Eu odeio você! - ela gritou -. Você é vil e selvagem! Cruel! - Sua voz começou a perder um pouco de seu ímpeto, assim como seus punhos. As palavras eram apenas um sussurro agora e elas saíram como um soluço, ela caiu no chão toda encurvada, como um brinquedo que tinha repentinamente tivesse sido derrubado. Um grande soluço sacudiu seus ombros.

Jacob ficou de cócoras e colocou uma mão solícita em seu ombro.

Ele fez o que tinha que ser feito, Isabella. Era impossível que ela melhorasse e Edward só atirou para aliviar sua dor - sua voz se tornou mais suave -. Acho que você sabe disso.

O choro cessou, mas sua cabeça permaneceu curvada. Jacob se levantou.

Vou levá-la para casa - disse ele calmamente -. Você cuida do cavalo.

Nunca se sentira tão impotente em sua vida. Ele não tinha certeza do que havia acontecido entre seu irmão e sua esposa nos últimos dias. Tudo que ele sabia era que ambos estavam sofrendo, e ele era impotente para fazer qualquer coisa por qualquer um deles.

Edward ergueu os olhos para seu irmão, que momentos antes estavam cravados na figura sofrida a seus pés, e falou resolutamente -: Não. Ela é minha esposa, e ninguém, a não ser eu, vai cuidar dela. Se ela for para casa, ela vai comigo.

Jacob evitou uma discussão, mesmo quando viu Edward se inclinar e levantar Isabella pelos braços, puxando-a para ficar de pé. Ela se livrou das mãos dele e olhou para ele desafiadoramente. Então, sem dizer uma palavra, caminhou em direção a Charger e montou na sela. Sentou-se rigidamente quando Edward montou atrás dela. Jacob os observou até que eles saíram de seu campo de visão. Ele balançou a cabeça em perplexidade e desespero por essas duas pessoas que ele amava, antes de preparar a pira funerária de Flame.

Isabella se manteve rígida na sela na frente de Edward, que parecia tão determinado a não tocá-la uato ela. O que ele estava sentindo após seu ataque permanecia um mistério. Quando finalmente entraram no rancho e em frente à casa, Edward falou as primeiras palavras sobre o que havia se passado entre eles.

A lua de mel acabou - disse sarcasticamente -. Parabéns, Isabella, você conseguiu o que ninguém nunca havia nem tentado: pela primeira vez na minha vida, enfrentei meu próprio irmão... Antes de causar mais confusão, quero sair daqui de manhã... esteja pronta bem cedo.

Como quiser - ela respondeu, enquanto deslizava para o chão e entrou na casa sem olhar para

ele.

* * *

Depois de dizer adeus aos Mendez, com os olhos enevoados e abraços quentes de despedida,

seria difícil para Isabella voltar à casa de Esme, em Coronado, onde ela conhecia apenas a inquietação. Se não fosse a chegada do bebê de Elena, que um radiante Carlos lhe tinha anunciado há poucos dias, deixar Keypoint teria sido insuportável.

Após a inesperada chegada do casal, Esme não perguntou nada sobre a permanência em Keypoint. Isabella agora sabia por que ela tinha tanto desprezo pela família que morava no rancho. Carlisle Wells perguntou, educadamente, sobre o bem-estar de Isabella em sua primeira noite naquela casa. Ele agora, ao que parecia, jantava ali todos os dias.

Edward estava defensivamente mal-humorado e bebia constantemente durante toda a refeição. Esme comentou satisfeita sobre os Vandivers por ter chegado a um acordo com eles, já que em muito breve começaria a construção da ferrovia para um pouco de sorte e se o tempo permitir o trabalho a contento, tudo estará concluído até o próximo ano.

Que ilusão - Edward murmurou em seu copo.

Eu achei que isso deixasse você feliz - Esme o espetou. Ele empurrou a cadeira para trás e se levantou vacilante.

Eu vou dizer o que me deixa infeliz: aqueles malditos Vandivers estavam bisbilhotando Keypoint outro dia. Graças a Deus, eu não estava lá ou eles não teriam chegar perto do rancho. Eu quero que eles estejam restritos à área designada para a usina, ou os coloco para fora a pontapés. Fui claro? - seu rosto estava ruborizado e seus olhos âmbar brilhavam, como os olhos de animal na escuridão.

Sim, Edward, vou mencionar isso para eles. Tenho certeza de que eles vão obedecê-lo - Esme o acalmou.

Ele só bufou e encheu seu copo, escorregando uísque sobre sua mão trêmula.

* * *

A única alegria naquela casa, para Isabella, era o bebê de Elena. Sua apresentação a Isabela foi feita enquanto o bebê sugava avidamente o leite de sua mãe. Isabella enrubescida e envergonhada com a falta de modéstia de Elena, quando se desnudou para dar de mamar, mas a nova mãe não ficou nem um pouco envergonhada. Rosa olhava com grande orgulho. O cabelo de Isabela era negro como carvão e seus olhos negros estavam ligeiramente franjados de cílios escuros.

O bebê ficou na pequena cozinha que Rosa compartilhava com Elena. Quando Elena estava ocupada em algum lugar da casa, Rosa estava por perto para responder aos gritos exigentes de sua neta. Enquanto Esme não fosse perturbada, tudo ficaria bem.

Isabella odiava que Carlos fosse separado de sua família. Ela pretendia conversar com Edward sobre a possibilidade deles viverem juntos em Keypoint. Certamente com outro bebê dos Mendez vindo, Leah poderia precisar da ajuda de Elena.

Isabella ficou espantada com o fato de Elena se recuperar do parto tão rápido. As novas mães a quem ela tinha assistido, enquanto vivia na casa paroquial, tinham levado semanas para sair da cama, mas Elena retomou seus deveres na casa imediatamente, parando periodicamente e apenas o tempo suficiente para alimentar Isabela.

Então, Isabella ficou com uma profunda preocupação, quando encontrou Elena, certa tarde, encostada no corrimão, incapaz de continuar ao andar de cima.

Elena, o que há de errado? - perguntou ela, correndo para a moça e dando-lhe apoio.

Estou cansada, acho. - Mas voz de Elena não tinha nada de sua habitual animação.

Por que você não vai se deitar por um tempo? Eu explico para Esme.

Ela pegou o cotovelo da moça e conduziu-a para seu quarto. Seu pavor aumentou ainda mais, quando Elena não discutiu com ela, como ela costumava fazer. Sem protestar, ela deitou na cama e Isabella a cobriu com um leve cobertor. O bebê estava dormindo tranquilamente no quarto em seu berço. Isabella os deixou, esperando que Rosa logo voltasse dos seus afazeres.

Depois do jantar, Isabella entrou sorrateiramente na cozinha, enquanto Esme e Edward discutiam algum negócio bancário. Rosa estava sentada na mesa da cozinha e seus dedos percorriam as contas de seu rosário. Quando a porta se fechou suavemente atrás de Isabella, Rosa abriu os olhos.

Rosa, o que há de errado? - perguntou rapidamente. - É Elena?

A mulher apertou as mãos sobre suas amplas bochechas e balançou a cabeça para cima e para baixo, em afirmação. Lágrimas se juntaram em seus olhos de chocolate.

Está enferma, ela está com febre.

Isabella caminhou na ponta dos pés no quarto escuro e se ajoelhou para sentir a testa de Elena. Estava queimando. Rosa tinha sua roupa e a jovem estava deitada sob o cobertor, vestindo apenas sua fina camisola. Isabella ligou a luz de gás mais próxima da cama e imediatamente viu a erupção cutânea. Erupções vermelhas cobriram a garganta e o peito de Elena. Isabella desabotoou sua camisa, mas sabia antes que ela olhasse que a erupção se estendia pelo torso de Elena. Com um coração dolorido, voltou para a cozinha.

Rosa - disse Isabella calmamente, engolindo a bílis que se acumulava em sua garganta -, Elena vomitou ontem à noite ou esta manhã? Ela reclamou de sentir frio?

Si, señora - respondeu Rosa, desanimada. O rosto devastado da mulher confirmou as suspeitas de Isabella. Rosa conhecia a gravidade da doença de sua filha.

A garganta está dolorida? - Rosa apenas balançou a cabeça.

Isabella fechou os olhos brevemente e orou por força. Os próximos dias seriam um julgamento para todos eles. A tarefa que enfrentava era desagradável, mas ela o faria. Essas pessoas eram suas amigas e elas precisavam dela. Se ela não os ajudasse, ninguém o faria.

Sua voz não mostrou qualquer vestígio do pânico que sentiu, quando começou a dar instruções.

Prepare um pouco de chá e mantenha a chaleira aquecida em todos os momentos. Tire o bebê para fora do quarto de uma vez e não deixe que ninguém mais fique por perto. Escalde todos os utensílios de cozinha e não vá ao quarto dela novamente. Por onde Elena foi hoje?

Em parte alguma, señora, ela se sentiu muito mal para fazer qualquer coisa... Ela esteve em Pueblo, há poucos dias, mostrando Isabela... A voz de Rosa vacilou quando perguntou: - Ela está com escarlatina, señora?.

Sim, ela está - Isabella permaneceu calma apesar da turbulência dentro dela quando ela voltou para o quarto escuro.

Escarlatina. Isabela. Ela odiava ver. Por favor, Deus, não. O bebê dormiu pacificamente o dia inteiro. Incomum. Isabella foi até o berço, retirou a manta e se conteve para não gritar de angústia ao perceber que o bebê apenas respirava, e que seu corpinho estava coberto com a erupção reveladora.

Madre de Dios - murmurou Rosa atrás dela.

A febre está espalhada em Pueblo? - Isabella perguntou.

Sim, señora... Muitas pessoas ficaram doentes, Elena não pensou que ela iria pegar, e ninguém da família estava doente quando a visitou.

Vá fazer o que eu disse, Rosa. Vou ficar aqui com ela e com o bebê.

Quando a mulher se retirou para a cozinha para cumprir suas instruções, Isabella sentou-se na beirada da cama e tomou a mão de Elena. Os olhos da menina se abriram e ela ofereceu um sorriso fraco. Quando ela tentou falar, ela só conseguiu resmungar.

Não tente falar, Elena, estou aqui para fazer você se sentir melhor - Isabella empurrou para trás algumas mechas do cabelo lânguido que descansava na testa febril.

Bebê? - perguntou Elena.

O bebê está ... dormindo e tudo ficará bem. Volte a dormir e eu lhe darei um pouco de chá quando estiver pronto.

Elena fechou os olhos apática e sua respiração logo se tornou superficial.

Isabella saiu do quarto, atravessou a cozinha e caminhou em passos lentos e medidos para o salão onde Esme e Carlisle estavam jogando cartas. Edward estava deitado em uma cadeira, e uma garrafa de uísque perto de sua mão.

Sem pensar duas vezes, ela pediu a atenção de todos e, quando os três se viraram, seus olhos assustados foram ela. Contou-lhes sobre Elena e o bebê.

Você não pode estar falando sério! - Esme explodiu, quando Isabella deixou clara sua intenção de cuidar delas.

Estou falando sério, Esme. Elas precisam de cuidados constantes e, como eu não tenho outra responsabilidade, eu sou a única a fazê-lo. Eu só vim para dizer que a partir de agora, a comida deverá ser trazida de fora. Como a cozinha é perto do quarto das doentes, seria melhor que todos evitassem a cozinha. Não é preciso ir a lugar nenhum, a menos que seja absolutamente necessário, pois devemos nos colocar em quarentena por causa dos outros.

Ela falou com tal autoridade que os outros três ficaram momentaneamente calados. Mas a pausa foi breve. Esme desencadeou sua fúria com força total.

Se você acha que eu vou deixar uma moça mexicana e seu pirralho doente que, possivelmente, morram em minha casa, contaminando o resto de nós, você está muito errada. Pepe vai levá-las imediatamente, Edward. São como animais, Sabem cuidar de si mesmos.

Isabella se virou para Edward, que tinha ficado consideravelmente sério e a observava de perto através de olhos âmbar.

Edward, se elas forem, eu também vou. Você diria que Edward Cullen baniu sua esposa para

Pueblo? - Ela o desafiou.

Ele olhou para a mãe e disse, inquieto:

Isabella, essas pessoas estão acostumadas a epidemias, morrem às centenas em San Antonio, a cada poucos anos de febre amarela... O povoado não tem saneamento adequado para protegê-las dessas doenças e uma vez que tenha começado, espalha-se facilmente.

Então alguém que tem muito dinheiro e poder deve melhorar seu sistema de saneamento, não é? - Sua voz era uma acusação. Perguntou-se por que os Cullen haviam-na intimidado. Agora, ela se sentia muito forte.

Edward tentou outro ponto.

É altamente contagioso, Isabella, você pensou nisso, o que a impede de pegar escarlatina?

Ela olhou para ele com firmeza.

Eu tive, quando eu tinha dez anos de idade, e fui ignorada por um pai aterrorizado pela doença e por uma empregada zangada comigo por dar-lhe tanto trabalho extra. É um milagre que eu tenha sobrevivido. Eu não esqueci a miséria e o medo... Não vou permitir que Elena sofra assim... Agora vou poder trata-la aqui ou teremos que ir para outro lugar?

Esme abriu a boca para falar, mas Edward ordenou:

Cala-se, mãe! - Seus olhos nunca saíram do rosto de Isabella. Eles olharam um para o outro fixamente durante um longo tempo. Sua mão estava em seu braço e ela o fitava com olhos suplicantes.

Tudo bem - ele disse finalmente -. Há algo que eu possa fazer?

Não. Fique longe dos aposentos na parte de trás da casa e farei com que Rosa esfregue tudo o mais rapidamente possível com o desinfetante.

Foi somente quando ela tentou se afastar que eles perceberam que dedos fortes prendiam os dela contra seu braço. Lentamente, lamentavelmente, eles foram liberados.

Ela não olhou para Esme ou para Carlisle quando saiu do salão. No umbral da cozinha, ela se virou e olhou para o marido.

Eu não acho que o bebê vai sobreviver - ele viu lágrimas brilhando nos olhos luminosos.

* * *

Os dias e as noites se misturavam em uma montagem de dor, sofrimento, exaustão e desespero. Isabela morreu na tarde do segundo dia. Isabella tentou corajosamente dar chá adocicado através dos minúsculos lábios, mas a língua inchada, vermelha e garganta obstruída, dificultaram o trabalho, e a bebê não conseguiu obter os fluidos essenciais para sua vida.

Isabella observou o minúsculo peito, que estremeceu uma última vez e, sem sequer um grito, Isabela terminou sua curta permanência na terra. Isabella queria lamentar a perda, mas precisava concentrar sua atenção em salvar Elena.

Isabella alimentou com galões de chá sua paciente, apesar da falta de vontade de Elena para aceitá-lo. Sua língua estava coberta de bolhas vermelhas dolorosas, que o faziam parecer um morango. Sua febre aumentava drasticamente a cada noite. Rosa e Isabella tiravam e banhavam seu corpo com água fria. Elas não contaram para ela sobre Isabela, e ela delirava muito para perguntar.

Pepe construiu um pequeno ataúde de madeira e a avó cuidou de enterrá-la. Carlos foi chamado, mas permaneceu nos estábulos de acordo com as ordens de Isabella. Não era apenas para sua proteção, mas também para aqueles que amava em Keypoint. Pepe transmitia mensagens para o jovem ansioso, que lamentava a morte de sua filha e temia pela vida de sua esposa.

Isabella nunca saiu da "enferSue". Mandou Rosa para o seu quarto buscar roupas novas, mas mal teve tempo de se trocar durante sua vigília sobre a sofredora Elena. À noite, depois de conseguirem manter a febre de Elena sob controle, ela dormia espalmada em uma cadeira perto da cama. Ela orava constantemente pela vida de sua amiga e por força contínua. Rezou, também, para que Edward não contraísse a doença. As palavras se formaram em seus lábios, saindo direto de sua alma, antes mesmo de ter consciência sobre os seus pensamentos.

A febre literalmente queimava a pele das palmas das mãos de Elena, dos dedos e da sola dos pés. Enquanto a moça dormia, Isabella gentilmente afastou-a para que Elena não ficasse assustada se ela visse o tecido morto, pendurado como teias de aranha, de suas mãos.

Cinco dias depois que Isabella entrou no sufocante quarto, acordou em uma posição apertada na cadeira, e ouviu uma respiração regular, ao invés de uma respiração árdua e superficial, escutada durante longos dias e noites. Ela correu para a cama de Elena e colocou a mão na testa fria. Afastou os lábios relaxados, e viu que a língua estava menos inchada e as bolhas quase tinham desaparecido. A erupção também estava desaparecendo. Ela poderia ter rido em voz alta, mas ao contrário, ela afundou de volta à cadeira e ofereceu uma oração de agradecimento.

Na manhã seguinte, quando contou a Rosa a notícia, a velha chorou abertamente. Durante o resto do dia, eles permitiram que Elena dormisse um sono de cura. Eles mudaram seus lençóis e, ao meio-dia, alimentou-a com um caldo de carne até que ela caiu, uma vez mais, no sono. Isabella ficou com ela para ter certeza de que a febre não iria retornar.

Ela estava exausta, mas feliz e aliviada, quando ela entrou na cozinha naquela noite. Ficou surpresa ao ver Edward de pé na porta dos fundos, olhando para o quintal pela janela. Rosa tinha informado sobre a recuperação de Elena mais cedo.

Ele se virou quando a ouviu entrar.

Isabella, isso demorou muito - disse ele sem mediar as palavras -. Eu não vou deixar você se colocar em quarentena naquele quarto, nem mais um minuto, sem descansar um pouco.

Estou bem, de verdade - Isabella suspirou -. Mas acho que Elena não precisa mais de mim, só de uma grande quantidade de líquidos e de dormir. Deixarei Carlos vê-la pela manhã.

Si, señora - Rosa veio até Isabella e tomou-lhe ambas as mãos, beijando-as por sua vez -.

Señor Edward, ela é um anjo.

Sim, ela pode ser um anjo, mas agora ela parece um inferno - disse ele severamente.

Isabella percebeu que ele também não parecia estar em bom aspecto. Não tinha feito a barba, seu rosto estava marcado, suas bochechas pareciam mais magras e os olhos estavam vermelhos.

Rosa poderia ter dito que durante dias ele tinha amaldiçoado, ameaçado e vagado pela casa como uma alma penada. Ele era como um homem selvagem em sua preocupação. Sua única fonte de alimento era um gole de uísque, tomado em intervalos regulares.

Isabella tentou focar os olhos, mas as imagens começaram a se a se embaralhar, perdendo a intensidade e desaparecendo de sua vista. A cozinha estava girando loucamente.

Edward - ela gemeu roucamente antes de desabar nos braços fortes de seu marido, que estendia a mão para ela.

Ela está desmaiada - disse ele -. E com fome, por causa do esforço. Aposto que ela perdeu alguns quilos, e a primeira coisa que você vai fazer pela manhã, Rosa, é servir um grande café da manhã em seu quarto. Fique com ela até que ela coma cada pedaço de comida. Acho que ela precisa descansar primeiro.

Ele carregou aquela mulher, tão frágil, inerte em seus braços. Levou-a para o quarto dela, chutando a porta e fechando-a atrás dele. Ele ficou de pé por um momento, permitindo que seus olhos se acostumassem à escuridão, então se moveu em direção à cama. Havia apenas uma luz suficiente, que vinha através das janelas para ele vê-la sem acender a lâmpada.

Isabella murmurou algo ininteligível enquanto ele colocava seus pés no chão, sustentando-a com seu corpo. Ela se inclinou pesadamente contra ele e ele murmurou imprecações por sua tolice em se esgotar totalmente daquela maneira. Esforçava-se para ignorar a proximidade de seus corpos. "Como pôde ficar em uma enferma por uma semana e sair cheirando a lavanda?" Ele não sabia que Isabella pedira a Rosa para buscar uma garrafa de água de colônia de seu quarto, e que ela adicionava à água que a lavava a cada dia.

"Bem, eu não posso simplesmente jogá-la na cama", pensou Edward. Com os dedos trêmulos, começou a soltar os botões na parte de trás da camisa. A cabeça de Isabella caiu contra seu peito. Demorou muito tempo para ele chegar ao último botão, porque usava apenas uma mão, sustentando- a com a outra. Seus dedos trêmulos não possuíam sua habitual destreza.

Ele tirou a blusa da cintura de sua saia e então começou a se desfazer dos colchetes. Ele desamarrou as fitas de várias anáguas, amaldiçoando enquanto amarravam em seus dedos. "Por que as mulheres usam tantas malditas roupas de qualquer maneira?" ele pensou. Finalmente, ele conseguiu baixar a saia e as anáguas, que caíram no chão como uma espuma ondulante em seus tornozelos.

Ele fez uma pausa, respirando profundamente em um esforço para fornecer oxigênio ao seu cérebro, que girava como um turbilhão. Se ela acordasse agora, pensou pesarosamente, provavelmente gritaria e acordaria a casa toda.

Com cuidado meticuloso, apoiou-a contra um de seus braços e, inclinando-a para trás, afastou lentamente a camisa dos ombros, deslizando as mangas pelos braços.

Estava apagada. Ela ainda dormia, mas estava suando e tremendo. Ele a pressionou contra ele, adiando o momento em que ele a olharia, saboreando sua antecipação.

Ele estendeu a mão e começou a caçar os grampos que seguravam seus cabelos, removendo- os suavemente, quando os encontrou entre as espessas tranças. Seus cabelos caíram pelas costas e pelos ombros, derramando-se em suas mãos. Então, como ele queria fazer desde a primeira vez que a vira, passou as mãos pela seda preta, acariciando cada fio, esfregando os lisos cachos entre os dedos, deleitando-se na sensação deles como um avarento que ama a sensação do ouro. Ele enterrou o rosto em seu cabelo e sussurrou elogios em sua gloria.

Edward baixou-a gentilmente na cama, retirando a saia e as anáguas dos tornozelos. Ela deitou no travesseiro e suspirou satisfeita, seu cabelo se espalhava atrás dela sobre o linho branco.

Edward sentou-se ao lado da cama, aliviando-se para não acordá-la. "Deus! Ela era linda!" Até mesmo as linhas de fadiga em torno de sua boca e as cavidades em suas bochechas combinavam com sua beleza. Longos cílios pretos descansavam em bochechas de alabastro. Ele seguiu a coluna de seu pescoço até a base de sua garganta, onde viu a vibração de seu pulso. Seus ombros eram brancos e inclinados em um peito impecável.

Ele hesitou, mas seus dedos moveram por vontade própria e estendeu a mão para o topo de sua camisola. Desatou a fita de cetim azul que estava enfiada através do laço e, lentamente, desabotoou os primeiros botões. Mais uma vez quis prolongar a antecipação.

Seus olhos desceram até sua cintura, que era fina como uma vespa, então para o leve toque dela. Ele geralmente preferia curvas mais voluptuosas, mas Isabella era perfeitamente proporcional. Não podia negar! Ele percebeu as coxas longas e delgadas e panturrilhas bem torneadas.

"Maldição!" Esquecera-se dos sapatos. Os botões tediosos eram quase impossíveis de manejar no escuro, mas ele finalmente conseguiu desfazê-los assim mesmo.

Quando ele tinha tirado os sapatos dos pés de seda, ele voltou seu olhar para seu rosto enquanto seus dedos abriam lentamente a camisola para desnudar sua esposa. Ela não se mexeu. Seus olhos vagaram sem rumo, até que ele recompensou sua paciência e olhou para ela.

Ele tinha imaginado como ela iria olhar, mas as fantasias eram inadequadas e ele não estava preparado para a visão que cumprimentou seus olhos. Dois seios perfeitamente formados, redondos, alto e firmes, foram exibidos. Sua pele era tão cremosa e branca quanto uma flor de magnólia. Os mamilos que coroavam cada seio macio eram rosados. Botticelli, se a tivesse conhecido, iria transformá-la em sua modelo preferida. Adorável! Sua beleza etérea era definitivamente medieval. Rosa não estava errada. Em sua beleza, ela parecia um anjo caído do céu.

Mas Edward era mortal, e ele a queria como nunca tinha desejado uma mulher antes. Ele cuidadosamente abaixou a cabeça e beijou sua garganta, sentindo sua pulsação. Então seus lábios viajaram com uma preguiça de bem-aventurança sobre seus seios, mordiscando e lamCharliedo levemente para que ela nunca soubesse que ele tinha adorado seu corpo todo. Ela lhe era proibida. Era uma negação auto imposta, mas isso a tornava ainda mais desejável.

Mas como, agora. . . Que Isabella o perdoasse, mas ele precisava beijá-la mais uma vez.

Ele levantou sua cabeça e a tocou uma rosa. Suavemente rolando entre seus dedos, ele assistiu com fascínio como ela respondeu ao seu toque e tornou-se convidativo. Incapaz de resistir, sua boca se abriu sobre a dela. Derretia contra sua língua como um pedaço de doce de açúcar, que parecia ainda mais doce.

Seus olhos se ergueram uma vez mais para o rosto que estava em repouso pacífico naquela capa de cabelo preto. "Isabella, me perdoe," ele sussurrou enquanto abaixava a boca mais uma vez.

* * *

Quando Isabella acordou, no dia seguinte, era quase meio-dia, e não conseguia se lembrar dos acontecimentos dos últimos dias, nem do porquê de dormir tão tarde. Usava só uma leve combinação e calcinha. Ela esticou os músculos doloridos e juntou os fragmentos, piscando através de sua memória.

Elena! Ela lembrou da doença da moça e pulou da cama, jogando para trás o único cobertor que a cobriu. Por que ela estava dormindo em cima da colcha? Desorientada, ficou de pé no meio do quarto, com as mãos em cada lado da cabeça, tentando banir as manchas amarelas que dançavam contra a cortina. Levantou-se com tanta rapidez que cambaleou vertiginosamente. A falta de comida adequada nos últimos seis dias a deixou fraca.

Quando tentava virar na cama, Rosa entrou no quarto.

Señora Isabella, está acordada! Dormiu a noite toda, como um bebê.

Como está Elena? - perguntou rapidamente. O olhar radiante no rosto de Rosa dissipou qualquer medo.

Está fraca e sonolenta, mas esta manhã, ela comeu uma torrada e conversou com Carlos - os traços felizes sumiram um pouco -. Tínhamos que contar sobre o que aconteceu à niña, e ela está muito triste. Mas ver Carlos a fez se sentir melhor. Ela mandou lhe agradece, señora, eu também agradeço - seu lábio começou a tremer.

Estou feliz por ter ajudado Elena, só queria que pudéssemos ter salvado a bebê. Mas depois de uma febre tão alta, Isabela nunca poderia ser completamente saudável.

Si, sua pequena alma está no céu e ela está bem agora. Se eu bem conheço Elena e Carlos, eles vão fazer um outro niño em breve - sorriu amplamente -. Eu trouxe seu café da manhã.

Saiu para o corredor e pegou uma bandeja que tinha deixado em uma mesa de corredor. Os deliciosos aromas que emanavam dos pratos deram água na boca de Isabella. Quando ela havia comido uma refeição completa?

O señor Edward me disse para força-la a ficar na cama e comer tudo que está na bandeja.

Ele está ... Quero dizer, o resto da família está bem? Não os vejo há quase uma semana.

Viu o senhor Edward ontem à noite, señora, não se lembra?... Desmaiou na cozinha, ele a levou até a cama, em seus braços.

O quarto estava girando novamente e em seus ouvidos havia um grande rugido. Sorveu o chá bem quente e tentou evitar que sua mão tremesse ao colocar a xícara de volta no pires.

Não... não, eu... uh... não me lembro de nada disso, sei apenas que estava muito cansada.

Ele estava com raiva, e eu acho por vê-la tão cansada. Gostaria de tomar um banho, señora, sim? - sem esperar por uma resposta, Rosa entrou no banheiro, recolhendo as roupas descartadas no chão ao lado da cama.

As roupas dela! Edward a colocou na cama. Edward a despiu!

Ela havia sonhado com ele durante seu sono profundo. Lembrou nitidamente dos sonhos, agora. Edward estava inclinado sobre ela e olhando-a com ternura. Sua cabeça descansava contra o peito dele. Se ao menos seus braços não estivessem tão pesados, ela poderia ter se esticado e corrido os dedos pelo cabelo clareado pelo sol que lhe sufocava a garganta. Em um de seus sonhos, Edward estava sussurrando palavras em espanhol contra seu ouvido. Em outro, ele fazia alguma coisa com a boca que espalhava um delicioso calor através dela.

Ela terminou de comer devagar, distraída pela memória de seus sonhos tão perturbadores. Quando ela começou a se despir, notou que a fita de sua camisola estava faltando. Teria que pedir a Rosa para ser mais cuidadosa ao lavar suas roupas íntimas.

Ela entrou na banheira e deu as boas-vindas ao calor reconfortante da água. Fazia dias que não usufruía do luxo de tomar banho. Colocou suas mãos em concha e espalhou um punhado de espuma sobre si mesma, Ficou chocada quando a água ensaboada causou uma estranha sensação em seus seios. Involuntariamente, ela ofegou. Examinou melhor a si mesma e percebeu que estava ligeiramente dolorida. Quando tocou os mamilos, sentiu que formigaram e um arrepio excitante percorreu seu corpo. A pele de seus seios ardia, como se estivesse aranhada. O que quer que fosse...

Seus olhos se arregalaram com o pavor do pensamento. Seus dedos trêmulos cobriram seus lábios, apertando-os para reprimir um grito.

Não! Não! Isso não seria possível. Seus sonhos e essa realidade não tinham nada a ver um com o outro. Era impensável. Ainda assim, ela tremeu ante a possibilidade. Edward, sem se barbear, vendo- a, tocando-a, beijando-a...

Rapidamente saiu da banheira, secou-se, e envolveu um roupão ao redor dela antes de voltar para o quarto.

Onde está Edward? - perguntou timidamente Rosa, enquanto se preparava para descer e visitar Elena. Queria evitá-lo, porque encontrá-lo cara a cara e enfrentar seu sorriso cínico e seus comentários sarcásticos, depois do que imaginava ter acontecido na noite passada seria humilhante demais.

Ele foi para Austin esta manhã, saiu muito cedo - respondeu Rosa -. Disse que iria ficar fora por várias semanas. Algo a ver com negócios -. Ia me esquecendo... -. Deixou-lhe um pacote - apressou-se porta a fora e voltou com uma pequena caixa imediatamente -. Disse que precisaria disso para a próxima vez que for para Keypoint.

Isabella desfez o nó da fita ao redor da caixa, levantou a tampa e viu um lenço de seda azul embrulhado no papel de seda. Uma bandana. Ele tinha se lembrado de que ela precisava de uma. Lágrimas bailaram em seus olhos, mas consciente de percepção aguçada de Rosa, ela empurrou o lenço em uma de suas gavetas da roupa íntima com disfarçada indiferença.

Tenho que me lembrar de agradecê-lo quando ele voltar para casa - saiu do quarto, deixando Rosa que balançava a cabeça, perplexa e decepcionada.