Capítulo 14

A segunda-feira trouxe novos visitantes à Berkeley Street, os Rushworths, os Bertrams e os Crawfords. A jovem e bela Mrs. Rushworth era a única que Elizabeth já conhecia, mas nenhuma das duas sentiu-se inclinada a estreitar relações. Miss Bertram era uma moça bonita e charmosa, que perdera o noivo, Mr. Yates, há cerca de um ano e só agora estava retornando a sociedade. Mrs. Crawford era agradável e bonitinha, embora bastante quieta. Miss Crawford era bonita e animada. Quanto aos homens, Mr. Rushworth não era digno de nota, Mr. Bertram e Mr. Edmund, seu irmão mais novo, rapazes bonitos e agradáveis e Mr. Crawford era galante e divertido, embora pouco atraente.

- Mrs. Crawford, como a senhora e seu marido se conheceram? – Mrs. Darcy tentava encontrar um assunto que interessasse a quieta senhora.

- Eu morava com meus tios, o pároco é casado com a irmã mais velha deles. Meu marido e minha cunhada foram visitá-los.

- A propriedade de seu marido fica em Norfolk, não é mesmo?

- Exatamente.

- Ainda não conheço a região. É agradável?

- Sim, muito.

- No que a região é diferente de Northampshire?

- No inverno neva, às vezes.

- Então você pode patinar no gelo! Fui criada em Hertfordshire e lá nunca esteve frio o bastante. Mas nesse inverno nós patinamos em Pemberley.

- Eu nunca patinei no gelo. Não parece ser algo muito agradável.

- É muito agradável. Mas o dia seguinte não é tanto. – sem conseguir outra resposta além de um aceno de cabeça, Elizabeth resolveu mudar de assunto. – Eu gostaria de visitar Northampshire durante a volta para Pemberley. Há algum local de interesse que você recomendaria?

- Não conheço a região muito além de Mansfield Park. Meus primos certamente serão capazes de responder sua pergunta melhor que eu.

- Creio que vocês gostarão de conhecer Guilsborough. Há uma igreja muito charmosa lá. Ela é tão antiga, que algumas partes foram construídas pelos saxões. – uma breve expressão de alívio cruzou o rosto de Mrs. Crawford com a charmosa intervenção da cunhada.

- Obrigada pela sugestão. Irei mencionar a cidade para meu marido quando discutirmos nossos planos de viagem.

- É um prazer ser-lhe útil. Mas devo alertá-la para não levar crianças, pois há uma terrível bruxa que mora na lagoa local.

- Miss Crawford, estou certo de que Mrs. Darcy não deseja escutar tolices sobre o folclore local.

- Mr. Edmund Bertram é tão sério que não sabe apreciar o charme de uma lenda.

- Mary!

- E minha querida cunhada horroriza-se com a possibilidade de qualquer pessoa encontrar falhas no primo que ela ama como a um irmão.

Havia uma bem escondida tensão entre o trio e Elizabeth resolveu mudar de assunto, questionando o mais jovem Mr. Bertram sobre lugares de interesse em sua região. Miss Crawford juntou-se a uma discussão sobre música.

Fora o breve período de tensão, a visita foi divertida e animada, durando um pouco mais do que o habitual. Os Bingleys, Sir John, Mrs. Jennings e Lord Graham também estavam presentes. Muitos planos para visitas – afinal, Miss Crawford precisava tocar harpa com Georgiana e Kitty – e passeios futuros foram feitos naquela manhã.

Mais tarde chegaram dois esperados visitantes, Sir William e Lady Lucas. A prática Charlotte quase chorou de alegria com a surpresa. O encontro das duas famílias foi feliz como se pode imaginar. Sir John e Sir William imediatamente gostaram um do outro e começaram a discutir festas, St. James e caçadas. Lady Lucas estava orgulhosa da conquista da filha e ela e Mrs. Jennings logo começaram a planejar o futuro amoroso dos Lucas solteiros. Nas quatro semanas seguintes Lady Lucas, Miss Lucas e Mrs. Jennings iriam às compras para o enxoval quase todos os dias. A primeira compra delas, no entanto, não foi para o enxoval. Elas encomendaram, com urgência, um vestido novo para Lady Lucas ir ao baile dos Fitzwillians naquela semana.

Sir Willam Lucas já havia ido a um baile em St. James, mas ainda assim ficou pasmo com a honra de ter sido convidado para uma festa na casa de um conde. Meryton ouviria sobre a ocasião por anos. O baile em Selby House foi um sucesso, embora alguns possam tê-lo achado sério demais. No dia seguinte ao baile, Mr. e Mrs. Darcy receberam Mr. e Mrs. Bingley no escritório para uma séria conversa.

- O baile de ontem foi ótimo, não foi? – Bingley estava sorridente e animado como sempre.

- Sim, foi mas gostaríamos de falar com vocês sobre o baile que vocês deram.

- Lizzy, nós sentimos tanto sua falta! Mas vocês tiveram um excelente motivo para não participarem.

- Claro, Jane. Mas o assunto que temos a tratar não é agradável, infelizmente. – Elizabeth estava muito desconfortável com a conversa.

- E que assunto poderia ser esse?

- Bingley, soubemos que sua lista de convidados não foi muito apropriada.

- Ora, você sabe que eu tenho amigos em outros círculos da sociedade. Minha lista de convidados jamais seria tão seletiva quanto a sua ou a dos seus tios.

- O problema é quanto à moralidade de alguns dos convidados.

- Eu sei o que de Courcy falou sobre Lady Susan, mas...

- Lady Susan, por mais defeitos que tenha, sabe como se comportar em público e a presença dela, embora não seja desejável, é aceitável, especialmente por ela ser amiga de suas irmãs.

- Miss Lucas falou sobre os Thorpe? Miss Thorpe cometeu alguns erros no passado, mas é uma moça muito agradável.

- Tenho certeza que sim, Jane. E ela foi ainda mais agradável com os homens que ela divertiu em particular naquela noite.

- Pobre Charlotte! Creio que ela está com ciúmes da atenção que Miss Thorpe recebeu e acabou interpretando os fatos de forma desfavorável à moça. Ela me deixou em uma situação constrangedora com eles.

- Jane, várias pessoas nos relataram as escapadas de Miss Thorpe no baile. E não só as dela.

- Se nós estivéssemos no baile, teríamos voltado para casa cedo. Ou se nós soubéssemos que vocês convidariam alguém como Lord Hussey, que comprometeu publicamente sua última esposa em St. James para forçá-la a se casar com ele, não teríamos permitido a presença de Georgiana e Catherine.

- Certamente a situação foi mal-interpretada. Lord Hussey é muito agradável e jamais faria uma coisa dessas.

- Mrs. Bingley, a situação foi bastante pública. Eu fui um dos muitos presentes que testemunharam a situação. Se o pai da pobre moça não estivesse tão doente, certamente a situação teria sido resolvida com um duelo e não com o casamento.

- Jane, você viu o que estão dizendo sobre o baile nas colunas sociais dos jornais?

- Lizzy, desde quando você se importa com fofocas? Só porque estão dizendo aquelas coisas horríveis no jornal...

- Lord Hussey e eu temos negócios juntos. Mr. Thorpe e eu estamos no mesmo clube de corridas de carruagens. Nós não iremos deixar de recebê-los apenas por causa de umas fofocas.

- Como quiserem. Mas saiba que eu não tolerarei essas pessoas de má reputação e nem permitirei que minha família esteja na companhia delas. Se vocês forem nos convidar para algo e os convidarem também, nós iremos embora.

- Se eu estiver visitando você e alguém como Miss Thorpe aparecer, eu não permitirei que você nos apresente e irei embora no mesmo momento. – Elizabeth rapidamente aderiu à estratégia do marido. – E também não terei nenhum problema em fazer o mesmo em lugares públicos.

- Lizzy! Você não faria algo tão pouco gracioso.

- Se você cometer conosco o desrespeito de ter tais pessoas em nossa presença.

- Agora teremos que submeter nossa lista de convidados para sua aprovação? – Mr. Bingley estava mais preocupado do que irritado com a situação.

- É claro que não! Basta usar o bom-senso. Simplesmente não iremos estar na companhia de pessoas de vida desregrada que são publicamente conhecidas por isso.

- Esse é um dos motivos pelos quais evitamos estar na presença do meu primo Roxbourgh. Ele é discreto, mas não é o tipo de pessoa que queremos por perto. E ele sabe que em minha casa tem que apresentar um comportamento exemplar.

- Tudo bem, então. – Mr. Bingley parecia um tanto desanimado após a discussão.

- Eu tenho certeza de que vocês gostariam muito dos Thorpes se lhes dessem uma chance. Mas certamente não os irei colocar em uma situação desagradável. Mas vamos mudar de assunto. Eu vou me encontrar com Caroline daqui a pouco, para fazermos algumas compras. Você quer ir também?

- Obrigada. Mas tenho que descansar.

Mrs. Bingley, embora irritante em sua teimosia em pensar bem de todos, não deixou de ser doce e angelical durante toda a discussão, nem perdeu seu bom humor, embora achasse que sua irmã e seu cunhado devessem ser um pouco mais compreensivos com seus novos amigos. Esse último pensamento a deixou preocupada por alguns minutos, até conseguiu justificar a atitude deles com uma preocupação maior que a normal com a opinião pública por estarem esperando uma elevação à nobreza em breve, devido à idade avançada de Lord Cromer.

Já Mr. Bingley estava um tanto preocupado com as fofocas (mas que mal poderia haver em um pouco de diversão durante um baile animado?), especialmente com a reação de Caroline. Felizmente ela estava absorta demais em seu novo estado civil e a consequente redecoração da casa para prestar atenção em fofocas.

Após se despedirem dos Bingleys, Mr. Darcy levou a esposa para descansar em seus aposentos.

- Pensei que fosse proibido usar os bebês para fugir de Lady Fitzgibbon.

- Mas eu estou realmente cansada! É cansativo tentar fazer Jane entender que nem todo mundo é bom e tem boas intenções.

- Nós fizemos nosso dever e tentamos alertá-los. Pelo menos conseguimos chegar a um compromisso razoável. Vou chamar Agnes para cuidar de você.

- Eu prefiro ser cuidada pelo meu belo marido.

- Pensei que você estivesse realmente cansada.

- E eu estou. Mas não fisicamente. Creio que sentir o quanto você me ama me fará muito bem.

- Prepare-se então, Mrs. Darcy, para ser adorada pelo seu marido.

Mr. Darcy começou a beijar sua esposa ternamente, primeiro nos lábios depois no lado direito do rosto e no pescoço. Gentilmente, ele a virou e começou a abrir os botões do vestido, enquanto cobria de beijos a nuca e a parte de trás do pescoço. Após livrar-se do vestido, ele passou a desamarrar o corselete e a anágua e finalmente retirou a camisa, deixando-a apenas com as meias. Ainda vestido, ele passou a beijar suavemente as costas da esposa do pescoço até o começo do bumbum, retornando com uma longa carícia coma língua em toda a extensão da coluna.

- Não se mova. – Mr. Darcy se livrava de suas roupas, ocasionalmente distribuindo beijos nas costas de Elizabeth. Após terminar de se despir, ele a pegou no colo, indo na direção da cama.

- É muito melhor ser adorada nos seus braços do que em um pedestal.

- E eu certamente prefiro adorá-la em meus braços.

E adorá-la foi o que ele fez. Nenhum pedacinho da pele dela ficou sem ser beijado e acariciado. Ele tirou as meias dela e começou pelos dedos dos pés, beijando, mordiscando e sugando cada um deles. O peito do pé, seu arco e calcanhar também foram atendidos antes de Darcy subir para os calcanhares, pernas, joelhos e coxas. Embora a virilha tenha recebido bastante atenção, Elizabeth ficou ligeiramente desapontada por não ter sido tocada .

Mas certamente os beijos na barriga, acompanhados pelas carícias nos seios a distraíram bastante. Antes de começar a beijar os seios da esposa, ele concentrou-se nos braços, desde os dedos da mão até os ombros.

- Você não quer um pouco de geléia?

- Eu prefiro o seu gosto ao de qualquer geléia.

Após terminar de beijar toda a parte da frente do corpo da esposa, dos pés até a cabeça, ele a virou gentilmente e começou a beijá-la das cabeças aos pés, dando especial atenção à nuca, ao pescoço, à coluna, ao bumbum e à sensível parte de trás dos joelhos. Só após terminar de beijar a sola de seus pés, ele a virou novamente e, com um travesseiro estrategicamente colocado sob os quadris, começou a beijar e acariciar suas partes íntimas. Elizabeth estava tão passiva quanto conseguia, recebendo a adoração do marido, apenas inconscientemente gemendo e elevando partes do corpo para a boca do marido. Porém, quando ele a penetrou com um dedo, ela começou a pedir por mais. Ele a atendeu com mais um de seus dedos e a levou ao orgasmo, mas não interrompeu suas atenções até que ela estivesse próxima de outro. Só então ele substituiu seus dedos por seu membro, penetrando-a lentamente, deleitando-se em cada momento. Seus movimentos eram lentos e contidos e ele alternava seus lábios entre beijos na boca, face e pescoço de sua esposa e palavras de amor, carinho e admiração. Apoiando-se em um dos braços, ele usava a mão livre para acariciar a lateral do corpo da esposa, até que resolveu enroscar a perna dela em sua cintura. Trocando o braço de apoio, ele fez o mesmo com a outra perna. Após mais alguns minutos bem gastos no lento e delicioso vai e vem, acompanhado por beijos e declarações, Elizabeth alcançou o clímax novamente, sendo quase imediatamente seguida pelo marido.

- Agora sim eu estou pronta para descansar.

- Eu vou por alguns travesseiros sob seus pés.

- Você pode ficar comigo? Ou tem algum compromisso?

- Tenho algumas propostas de negócios para estudar. Mas vou ficar com você aqui mais um pouco e depois pedirei que Wilkins traga os papéis aqui.

- Ou seja,você vai continuar adorando sua esposa, mas de outra forma.

- Eu adoro minha esposa o tempo todo, estando perto ou longe. Vou trabalhar aqui por razões puramente egoístas.

- É mesmo? Quais razões?

- Quando estou perto de você eu sinto como seu fosse melhor do que eu sou. Mais forte, mais inteligente e mais sábio. Além de mais feliz e tranqüilo. E eu gosto de olhar para você. Você é tão linda, Elizabeth.

- Nós somos mesmo mais fortes juntos, meu amor. Mesmo quando não estamos próximos, estamos juntos, pois você está sempre em minha mente e meu coração. Além disso, devo confessar que também gosto de olhar para você. Você é muito agradável de olhar. E de se tocar, de beijar...

- Desse jeito, Mrs. Darcy, a senhora não irá conseguir descansar.

- Guarde esse pensamento para mais tarde. Depois que eu estiver descansada e cheia de energia novamente.

- Como quiser, Mrs. Darcy. Agora durma, meu amor.

Com os cafunés do marido, Mrs. Darcy rapidamente dormiu. Mr. Darcy descansou um pouco e depois convocou seu valete para que trouxesse chá, alguns biscoitos e seus papéis. Após ter suas ordens atendidas, ele bebeu, comeu e trabalhou diligentemente por duas horas, até que Elizabeth acordou e foi se preparar para receber os convidados que viriam jantar naquela noite.

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- Oh, minha querida Mrs. Darcy! Recebi notícias tão terríveis hoje que mal tive coragem para vir aqui.

- Espero, Mrs. Knightley, que a nossa companhia a ajude a enfrentar essas notícias tão terríveis. – Isabella era uma boa mulher, mas tinha grande inclinação por dramatizar tudo. – Que notícias são essas?

- Mr. Churchill faleceu. Ele é tio de Frank Churchill, que é filho de Mr. Weston e é casado com Jane Fairfax. Frank Churchill é que é casado com Jane Fairfax, não Mr. Weston. Mr. Weston casou-se com Miss Taylor. E ele já era viúvo da primeira esposa, que era Miss Churchill.

- Sinto muito. Você conhecia Mr. Churchill há muito tempo?

- Oh, não, não. Nunca o vi na vida. Embora a morte dele tenha sido triste, essa não é a pior parte da notícia.

- E qual é?

- Jane Fairfax, Mrs. Churchill agora, é neta de Mrs. Bates e sobrinha de Miss Bates. Ela escreveu para as Bates contando sobre a morte do tio do marido e as convidando para morar com eles. A senhora pode imaginar uma coisa dessas?

- Creio que é bastante natural. O que há de terrível nisso?

- O que há de terrível? O que há de terrível? Elas irão deixar Highbury e se mudar para longe no Norte! Meu pobre pai irá sentir tanto a falta delas. Eles são amigos há muitos anos, desde antes de meus pais casarem. Miss Bates, dizem, era apaixonada por ele na época e nunca se recuperou completamente quando ele começou a cortejar minha mãe.

- Quem sabe seu pai não a peça em casamento agora? Se eles se casarem, as Bates não irão deixar Hartfield.

- Não é má idéia. Mas meu pai odeia casamentos, infelizmente.

- Quem sabe com essa mudança ele resolva visitá-la de vez em quando?

- Eu duvido. Mas obrigada por me escutar, já me sinto muito melhor.

- Sempre que precisar conversar, a senhora sabe onde me encontrar.

Fora a agitação inicial de Mrs. Knightley, o jantar, que contava também com os Rivenhall, os Fitzwillians (apenas os condes), Sir John, Mrs. Jennings, os Palmers e alguns membros da sociedade, como Mrs. Inbrook e os Wolbath, passou sem problemas, com elegância, bom gosto e animação. O ponto alto da noite foi um prato italiano, ravióli ao pesto recheado com queijo. A cozinheira dos Darcy aprendera a receita com a cozinheira de Mrs. Inbrook e a senhora considerou o resultado à altura de sua cozinha.

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Duas semanas depois em Hartfield, após o jantar, os Knightleys e os Weston davam uma volta no jardim e Mr. Woodhouse entretinha Miss Bates na sala, enquanto Mrs. Bates cochilava em uma cadeira.

- Miss Bates, a senhora e sua mãe estão mesmo determinadas a morar com os Churchill?

- Certamente, Mr. Woodhouse. Sentiremos falta dos bons amigos daqui, mas nossa situação com nossa querida Jane será muito mais confortável.

- E se vocês pudessem ficar mais confortáveis sem precisar ir para tão longe?

- Seria ótimo. Mas não creio que isso seja possível.

- A senhorita certamente conhece minha opinião sobre casamentos.

- O senhor os detesta, embora tenha sido muito feliz no seu. – sorriu, incapaz de não provocá-lo sobre o assunto.

- Exatamente. Eu detesto casamentos por que eles causam mudanças. O de minha Emma não foi ruim, pois trouxe nosso amigo para morar aqui. Mas Isabella teve que nos deixar e ir para Londres e Mrs. Weston, mesmo morando perto não está mais aqui, em minha casa.

- Mas são três casais felizes.

- Podem até ser. Mas a questão, Miss Bates, é que não quero que a senhorita e sua mãe vão para longe. Por isso, ofereço-lhe uma alternativa. Case-se comigo e mudem-se para cá.

- Casar?

- Exatamente. É a melhor decisão a tomar, pois assim vocês não terão que enfrentar os terríveis invernos do Norte.

Miss Bates foi até a janela, mas seria incapaz de dizer o que se passava fora da casa. Ela só via em sua mente algumas das ocasiões onde ela pensou que receberia propostas como essa, mas nunca recebera. Quando jovem, ela teve esperanças de conquistar o jovem e charmoso Mr. Woodhouse. Na época ele já era caseiro, mas freqüentava mais as casas da vizinhança e não era tão avesso à mudança. Os anos se passaram sem que proposta alguma viesse. Um dia, os Knightleys receberam a visita da afilhada, a Isabella Clifford. Bonita, inteligente, animada, rica e de boa família, ela encantou Mr. Woodhouse e em um mês eles estavam noivos e em dois casados. Como a nova Mrs. Woodhouse, além de todas as qualidades já mencionadas era simpática e tinha um coração caloroso, Miss Bates não se ressentiu da escolha e elas conviveram de forma bastante amigável, embora nunca tenham sido amigas íntimas. Quando a senhora faleceu, deixando duas filhas pequenas, a já solteirona Miss Bates ficou realmente triste, mas também esperançosa e começou a imaginar que poderia ser pedida em casamento, para ser a necessária influência feminina para as duas pequenas. De tanto imaginar as três meninas, pois Jane Fairfax tinha acabado de ficar órfã, crescendo juntas, como irmãs, ela supunha que elas seriam realmente amigas íntimas e quase nunca se lembrava da realidade. E agora, depois de todos esses anos, finalmente a proposta havia sido feita.

- Eu aceito me casar com o senhor, Mr. Woodhouse.

Ela não teria o amor que sempre sonhou, mas nunca mais seria uma solteirona, nunca mais uma simples Miss Bates, mas Mrs. Woodhouse, a segunda mulher mais importante da região, só atrás da querida Emma. A insuportável Mrs. Elton teria que lhe ceder a preferência em todas as ocasiões. Além disso, eles não teriam que viver no Norte, como parentes pobres da querida Jane. Essa proposta não era um sonho finalmente realizado, mas era a melhor coisa que já tinha acontecido em sua vida.

A notícia foi recebida com surpresa e alegria. Todos viam os benefícios de tal casamento. As Bates teriam uma casa segura e não teriam que enfrentar o desconhecido em uma idade tão avançada. Mr. Woodhouse não iria perder a companhia das amigas de longa data. Os Knightleys talvez tivessem mais liberdade para viajar, ou até para mudar-se para Donwell Abbey.

Na mesma noite, foram enviadas cartas comunicando a novidade para os Knightleys em Londres e para os Churchills em Yorkshire. A recepção da notícia foi semelhante: surpresa e alegria.

Mr. Woodhouse exigiu que o café da manhã do casamento fosse dentro de casa, em um lugar bem protegido contra correntes de ar, e que não fosse servido bolo ou comidas pesadas. Por isso foi muito surpreendido com o farto café da manhã no jardim, mas não ficou aborrecido por muito tempo, pois estava distraído com os convidados e os netos.

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Poucos dias após Miss Bates finalmente ser pedida em casamento, os Darcys e seus convidados foram à ópera. A apresentação foi muito agradável e o teatro não estava muito cheio, o que aumentou o prazer da apresentação. Quando Mr. Darcy acompanhava a esposa para sair do camarote, ela parou subitamente, aumentando a pressão que exercia no braço do marido.

- O que aconteceu? Você está bem? – Elizabeth estava incapaz de responder, apenas olhava para ele com olhos arregalados de espanto. – Alguém chame um médico, rápido.

O desespero na voz do marido a fez se recobrar.

- Não, não. Não é preciso. Oh, Will!

- Elizabeth, por favor, me diga o que está acontecendo. – a risada dela o relaxou um pouco, mas ele ainda estava ansioso, assim como os Selby, que estavam com eles no camarote.

- Nossos bebês parecem gostar de ópera. Eu acabei de senti-los se mexer. – Mr. Darcy esqueceu-se completamente de que estava em um lugar público e abraçou e beijou a esposa.

Felizmente era uma noite tranqüila e eles estavam em um lugar pouco visível do camarote. Lord e Lady Selby separaram o casal e expressaram sua alegria com a notícia. Georgiana e Kitty só foram informadas da notícia na manhã seguinte. Elas também estavam na ópera, mas no camarote dos Rivenhall. Os Lucas estavam no camarote de Sir John.

Jane também foi informada e chorou por quinze minutos seguidos. Após se acalmar, ela compartilhou com a irmã suas desconfianças de que também pudesse estar grávida. Outra boa notícia vinda dos Bingley era que eles descobriram uma propriedade em Yorkshire, distante apenas trinta milhas de Pemberley. Eles iriam visitar a propriedade em algumas semanas. Mr. Darcy prometeu acompanhá-los, pois poderia voltar para Pemberley no mesmo dia.

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Finalmente, os habitantes de Darcy House foram para Hertfordshire, exceto Miss Dashwood, que ficou com os condes de Selby em Londres. Kitty ficou em Pulvis Lodge, usando uma miríade de diferentes desculpas para isso. Mas na manhã seguinte eles foram para Longbourn, enquanto Sir John e Mrs. Jennings foram para Lucas Lodge.

- Lizzy, essa temporada na cidade não lhe fez bem. Você engordou bastante. Assim seu marido logo arranjará uma amante e talvez até se divorcie de você por ela, então...

- Mama! Eu estou grávida.

- Grávida! Meus nervos! Sinto meu coração palpitar! Eu deveria saber, você é inteligente, portanto iria engravidar logo. Mas pensei que Jane seria a primeira a engravidar, pois ela é tão bonita e tão doce. É claro que ela casou vários meses depois de você. E Mary casou antes de todas vocês, mas Mr. Collins não parece ser muito vigoroso. Tenho certeza de que ela ainda não está grávida por culpa dele. – enquanto Mrs. Bennet falava sem parar, Mr. Bennet abraçou a filha e parabenizou o casal discretamente. – Você tem certeza de que está grávida? Não se pode saber até sentir o bebê se mexer e meus nervos não suportariam uma falsa notícia.

- Eu tenho certeza, pois senti o bebê se mexer pela primeira vez há uma semana.

- Uma semana? E porque não me contou antes? Você não tem compaixão por meus pobres nervos! Eu sou sua mãe e...

- Eu preferi dar a notícia pessoalmente.

- Bem. Você tem que garantir que seja um menino. Assim as propriedades de seu marido irão continuar na família.

- Mrs. Bennet, minhas propriedades podem ser herdadas por filhas também, não é necessário se preocupar.

- Ah, mas um filho homem é muito melhor. Mrs. Hinks, a parteira, diz que se você comer só carne de porco, e de nenhum outro animal, durante a gravidez seu filho certamente será homem.

- Tia Gardiner comia de tudo quando estava grávida dos meninos. Além disso, creio que já é tarde para começar esse regime agora.

- Nunca é demais tentar. Você tem que atentar mais ao seu dever. Mas eu já deveria imaginar que seria assim, teimosa e desobediente você sempre foi. E você Kitty? Conseguiu arranjar um marido?

- Não, Mama. Conheci muitos rapazes, mas nenhum deles me conquistou.

- Deixe disso! Basta que um homem tenha um bom rendimento. Três ou quatro mil libras seriam suficientes para você. E os rapazes que Lydia mencionou? Das corridas?

- São bons amigos, mas apenas isso.

- Não sei quem irá cuidar de você quando seu pai morrer. Eu me recusarei a cuidar de uma solteirona.

- Essa é uma preocupação que Miss Catherine não precisa ter. Ela sabe que sempre poderá contar conosco. – os Darcys na verdade já estava cuidando de Kitty.

- Lord Hapley e Lord Campdem são tão lindos! - Lydia estava apaixonada por ambos, provavelmente resultado da atenção que recebera e da falta de rapazes interessantes na região.

- Charlotte irá se casar.

- O quê? Com quem? Quando?

- Com um baronete, viúvo, com três filhos, Sir John Middleton, dia onze.

- Tão cedo... Eles foram descobertos em uma posição comprometedora?

- Não, Lydia. Eles já estão noivos há um mês.

- Um mês! E vocês não me contaram? Não têm pena de meus pobres nervos?

- Eles estão planejando um baile dois dias antes do casamento.

- E de que adianta um baile? Não temos mais a milícia aqui conosco, nem solteiros interessantes... Eles trarão algum solteiro interessante? Talvez aquele bonito marquês?

- Que eu saiba não.

- Charlotte Lucas será Lady Middleton. Absurdo. Mr. Bennet, o senhor tem que conseguir um título. Quero ser Lady Bennet.

- Lizzy está grávida de gêmeos. – essa foi a única distração em que Mr. Bennet conseguiu pensar e funcionou imediatamente.

- Gêmeos? Hill! Hill! Traga meus sais, sinto que vou desmaiar. É melhor que sejam dois meninos, Mrs. Darcy. Hill!

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O casamento de Charlotte Lucas foi uma surpresa para Meryton e muitas moças tentaram se aproximar de Lizzy e Charlotte para serem convidadas para a próxima temporada em Londres, onde até mesmo a solteirona Miss Lucas conseguiu arranjar um excelente marido.

Com tantas moças casadoiras, Mrs. Jennings começou a exercer seu hobby favorito e conseguiu arranjar marido para duas moças, Miss Clarke e uma Miss Harrington. Lydia ficou um pouco enciumada, mas consolou-se com a perspectiva de um marido rico e titulado no ano seguinte.

De acordo com a natureza do noivo e do pai da noiva, várias festas foram dadas para comemorar a ocasião e o café da manhã do casamento foi suntuoso. Os noivos partiram para Londres no mesmo dia, assim como Mrs. Jennings. A lua de mel seria passada em Lyme, presente de casamento dos Darcys.

Quatro dias depois do casamento, os habitantes de Pulvis Lodge começaram sua lenta jornada para Pemberley. Mrs. Bennet fora dissuadida de acompanhá-los com o argumento de que a chegada de seus dois primeiros netos seria mais do que seus pobres nervos agüentariam.

Eles demoraram uma semana para chegar a Pemberley, viajando lentamente e parando bastante. Embora a viagem não tenha sido desagradável, todos ficaram aliviados por finalmente chegar em casa.