Olho Azul Apresenta:
Por Quem
Não me Apaixonar
O Pedido das Senshi
- Depois de conversarmos, achamos que é melhor você evitar o Mamoru – concluiu Makoto, após relatar em detalhes as conversas que as três, Rei, Ami e ela própria, tiveram a respeito.
No fundo, Usagi preferia acreditar ser mera coincidência o evento ocorrido dois dias antes no apartamento de Mamoru. Foi como se ele tivesse levado um choque de seu broche tão rápido fugiu da cama onde estavam ambos. Não queria se preocupar com o que Makoto lhe dizia agora. Na verdade, sua amiga só estava repetindo um parecer conjunto.
Usagi encolheu-se sobre o chão ao lado da cama de Rei. Não esperava que a reunião no templo Hikawa tomasse aquele rumo. Sobre por que Mamoru lhe permitira e até ajudara ir ajudar as amigas no meio de um jantar com seus pais.
Talvez por causa da expressão que Usagi fazia, Makoto se apressou para acrescentar:
- Nada drástico como terminar com ele do nada! Só evitar vê-lo, sabe? Não foi Motoki quem disse que ele não era de sair muito com as namoradas? A gente ganha tempo para investigar se ele poderia ser mesmo... você sabe... o Tuxedo Kamen.
Usagi queria parar sua cabeça de juntar peças e montar todo um caso contra Mamoru. Devia contar aquela reação no apartamento? Devia mencionar como ele agira como um vampiro que quase tocou uma cruz?
Não obstante haver se preocupado na noite, após aquela rejeição abrupta, era a primeira vez que pensava novamente no evento. Considerando o que acabara de ouvir, porém, aquela era uma informação mais pertinente que qualquer outra que já tivesse trazido a alguma reunião. Uma evidência sobre Mamoru ser a identidade real de Tuxedo Kamen.
E ela não queria pôr em palavras. Ela não queria agourar as chances.
- Pensei que gostassem dele... – disse com a voz fraca, para depois perceber que isso em nada influía no fato de que Tuxedo Kamen era um inimigo.
Sentia-se desnorteada. Ela também gostara dele. Mais que gostava de Mamoru, ao menos no início. Como se pudesse ainda saber de algo àquela altura.
- Mas a reação dele foi estranha com o comunicador – Makoto repetia o que havia dito logo no início da reunião.
- Não vou mentir – Rei interferiu. – Eu voto que ele a mandou ir embora porque era o jeito perfeito de deixá-la longe dos pais.
Doeu em Usagi. Mesmo havendo percebido que Rei não o dizia no estilo sarcástico de sempre, mas como forma de diminuir a tensão que o pedido de Makoto havia causado.
- E se ele só tava se livrando mesmo de mim? – Usagi considerou a sugestão mais seriamente, evitando contato visual com Rei. Por mais que lhe fosse uma tábua da salvação, admiti-lo ainda não era tão fácil.
- Não estamos falando de ir lá e confrontá-lo – era Ami quem falava agora. – Mas precisamos de cautela. Ao menos, até localizarmos o Cristal de Prata. Ou entendermos de que lado Tuxedo Kamen realmente está.
- Poderia ser lucrativo invertermos a espionagem – notou Rei. – Quem sabe Mamoru não acaba liberando alguma informação? Acho que desconfiarmos que Tuxedo Kamen é apenas Mamoru e não um alienígena poderoso já diminui bastante o perigo.
Usagi começou a gargalhar, fazendo suas amigas a olharem sem tempo de esconder a surpresa. Torceu para que não enxergassem também o desespero que causava aquele acesso de riso.
- É que tudo parece impossível! – explicou-se. – Como posso ser sortuda a ponto de namorar justo o Tuxedo Kamen?
- Agora que fala assim, lembro que um tempo atrás você mesma tinha achado eles parecidos – lembrou Rei pensativa. – E eu também acho que já tive a mesma impressão.
- Mas pense bem, não faz sentido!
- Usagi – Makoto a chamou, suas sobrancelhas arqueadas. – Pode até ser um pouco excessivo terminar com ele, mas tome cuidado.
Ami assentiu com firmeza, como se repetisse aquelas palavras.
Como não seguir o conselho depois que a dúvida de dois dias antes havia acabado de tomar forma mais definitiva? Usagi continuou a rir da boa piada que a hipótese poderia ser, mas seus olhos e sua mão voltavam a seu broche.
Iria ignorar o aviso, era o que decidira por fim. Claro, seria mais vigilante, mas para que evitar Mamoru?
Após entregar o último trabalho, durante sua última aula, Mamoru estava finalmente de férias até o final do verão, e Usagi deliberou que comemorariam na lanchonete próxima à universidade dele. Ela o esperaria lá e, depois, pretendia convencê-lo a ir a algum shopping ou coisa parecida. Já havia percebido que era mais fácil mantê-lo em movimento que incluir todo o roteiro no convite para o encontro. No fundo, também tinha medo de planejar várias etapas e surgir qualquer emergência.
Ainda que Mamoru houvesse se demonstrado compreensivo até demais com suas emergências muito mal explicadas.
Não, não queria pensar nisso. Não precisava. Bastava ser cautelosa com o que dissesse. Como no meio de beijos ela revelaria o local onde guardavam os cristais arco-íris? Desde a reunião no templo Hikawa, sua cabeça voltava o filme de todos seus encontros e nunca falara nada demais sobre suas atividades paralelas. Não havia como falar, quando, oficialmente, ele nem sequer possuía conhecimento disso.
Sim, estava segura. Manteria alguma desconfiança, prestaria mais atenção. Ainda assim, não se sentia alarmada. Tudo estava sob controle.
- Vai mesmo comer aqui? – Ele havia acabado de chegar e já encarava o prato de bolo que Usagi beliscava. – Achei que ficaria aqui só pra fazer hora enquanto eu não chegava.
- Claro que vou! – Puxando o prato para perto de si de maneira protetora, ela voltou a comer o bolo. Percebia que nem notara qual seu sabor até então. Mesmo sem motivo, a tensão a dominava. Está tudo bem, fique calma. – Com vergonha da sua namorada do ginásio?
Ele exibiu um sorriso com um pouco de malícia.
- Normalmente, caras universitários preferem se gabar de ter uma.
- Ótima oportunidade! – respondeu ela, voltando a comer.
Sentiu Mamoru observá-la um momento antes de pedir um copo de café gelado. Não estaria tudo escrito na sua testa, né? Não, estava tudo bem. Por que se preocupar? Era só um caso de amigas que não aprovavam o namoro e pronto, o motivo que não soava muito convencional com a coisa de ser um alienígena do mal. E elas nem eram seus pais para terem algum direito a interferir sua vida amorosa. Haviam expressado sua opinião de que não confiavam em Mamoru, e Usagi ouvira, analisara e provavelmente iria descartar.
- Fala logo o que foi.
Continuará...
Anita
Notas da Autora:
Sei que tenho demorado com as postagens, mas confesso que andei desanimada nos últimos tempos, então acabei me distraindo com outras coisas, *cara-de-pau* Aí, de repente, recebi um comentário na FFN me pedindo para continuar. Normalmente, minha reação a esses comentários é de: acabou as férias, mãos à massa pra revisar logo o capítulo e publicar. Desta vez, teve um pequeno porém.
Cara leitora do comentário anônimo – ou leitor... estou apenas presumindo coisas aqui –, eu lhe devo enormes desculpas não simplesmente porque demorei. Mas porque eu tenho certeza de que, ante as suas circunstâncias atuais, minha história não deve ter te ajudado em nada, né? Eu sinto muito mesmo!
Foi a primeira vez em que me vi numa situação de considerar prender mais o capítulo porque alguém me pediu para publicar mais... é uma infeliz coincidência seu pedido vir justo neste momento de virada da história. Sinto muitíssimo.
O que posso fazer é tentar ir mais rápido com os seguintes pra resolvermos logo essa bagunça que os dois criarem, né?
Ninguém me abandone antes disso! E até a próxima. :D
