Nota: Os personagens de Hellsing não me pertencem, apenas Vitória, Gabriel e Giuliano são criações únicas e exclusivas minha para essa história.


Boa Leitura!


HELLSING

Capitulo 14: Ciúme.

.I.

-Sr e Sra Helsing, agradecemos pela preferência e desejamos que tenham uma ótima estadia em Roma; o gerente do hotel falou, ao recebê-los.

-Obrigado e certamente teremos; Alucard falou, com um sorriso um tanto quanto sádico.

Como um sorriso sem graça o gerente acompanhou-os a um elevador que os levaria ao segundo andar. Entraram no mesmo, logo chegando ao quarto que lhes dava uma bela vista do Coliseu.

A tarde era fria e o céu permanecia acinzentado e depois as pessoas diziam que Londres era sombria; Vitória pensou aproximando-se da janela, observando a tarde chegar ao fim, dando lugar a uma noite de estrelas. Provavelmente as quimeras sairiam para caçar, afinal, era o ultimo dia de lua cheia.

-Nem pense nisso; Alucard falou, aproximando-se após fechar a porta e dispensar os carregadores de malas. Enlaçou a jovem pela cintura, abraçando-a carinhosamente, apoiando o queixo em seu ombro.

-O que? –ela perguntou, com um sorriso inocente.

-Sair para caçar; o vampiro respondeu, estreitando os obres já imaginando que ela tentaria arrumar uma desculpa para isso.-Vamos aproveitar essa noite para descansar e amanhã vemos como vamos agir; ele completou.

-...; Vitória assentiu, dando-se por vencida. Alucard conseguia ser mais teimoso do que ela, quando queria.

-Certamente; ele respondeu com um sorriso maroto nos lábios, roçando-lhe de maneira provocante a curva do pescoço com a ponta do nariz.

-Eu agradeceria se você parasse de ler a minha mente; ela falou, tentando conter um estremecimento.

-Se eu soubesse como fazer, pode ter certeza de que eu o faria; Alucard respondeu, afastando-se e puxando consigo, para sentar-se em uma poltrona da ante-sala.

-Eu não entendo; Vitória murmurou, sentando-se no colo dele.

-O que? –Alucard perguntou, enlaçando-a pela cintura, fazendo-a repousar a cabeça em seu peito.

-As coisas que sinto que estão mudando; ela comentou, brincando distraidamente com uma mexa prateada.

-Fala pelas dores? –ele perguntou, hesitante.

-Não, eu me sinto diferente mesmo; a jovem respondeu. Era estranho, mas sentia que seus sentidos estavam mais apurados, a velocidade também; ela pensou, lembrando-se de que um dos primeiros dias de viagem, estavam no vagão restaurante e um garçom quase derrubara uma taça no chão, próximo de onde estava. Fora extremamente rápido e quando viu, não era um passo e já estava ao lado do garçom com a taça nas mãos, impedindo-a de ir ao chão. Entre outras coisas que andaram acontecendo, para que chegasse a essa conclusão.

-Como assim? –Alucard perguntou, embora já soubesse o porque dos questionamentos da jovem. Notou que por vezes, quando ela se irritava com alguma provocação sua, os olhos começavam a ficar vermelhos. Era muito rápido, mas ainda sim, podia ver a transformação. O que tudo indicava é que faltava pouco tempo para a transformação se completar e vinha a parte mais difícil.

-Não leio seus pensamentos, mas consigo senti-los; ela respondeu, tirando-lhe de seus pensamentos.

-É uma ligação, acho que é devido ao fato de agora você ter o meu sangue correndo em suas veias; ele explicou, erguendo uma das mãos da jovem e tocando-lhe o pulso, onde uma veia pulsava.

-...; Vitória assentiu, não mais querendo pensar no assunto, não conseguiria achar uma resposta mesmo, ou melhor, tinha medo de achar uma.

-Então é melhor dormir um pouco; o vampiro sugeriu.

-Hei; ela resmungou.

-Desculpe, não foi a intenção; Alucard respondeu, com um sorriso inocente.

-Porque será que tenho minhas duvidas; a jovem resmungou, com os orbes serrados.

O vampiro riu, realmente ela poderia não saber o que estava pensando, mas sabia perfeitamente o que sentia. Seria interessante ver as outras habilidades que ela estava desenvolvendo com as transformações, mas tudo há seu tempo.

-Bem, tem uma forma de eu não ler seus pensamentos; ele falou em tom casual, enquanto deixava a ponta dos dedos correrem suavemente pela face dela.

-Qual? –Vitória perguntou, fechando momentaneamente os olhos.

Sentiu a respiração suave dele chocar-se contra sua face e os dedos entrelaçarem-se nos fios dourados, descendo até a nuca.

-Fazendo com que você não pense; respondeu num tom sedutor de voz, antes de roçar-lhe os lábios de maneira provocante, tomando-os num beijo intenso.

.II.

Andava de um lado para outro do escritório. Estavam a um dia do Conselho e não recebera noticia alguma da caçadora. Ela realmente havia deixado o irmão para trás; o sumo pontífice pensou.

Desde o começo sabia que existia essa possibilidade, Pelo que ouvira falar sobre os Belmonte, certamente viria retaliação e tinha absoluta certeza de que não teria como lutar contra.

De dentro de seu escritório, ouvia todos os empregados correrem para todos os lados acertando os últimos preparativos. Não tinha mais tempo de criar um plano B, confiara de mais que se seqüestrasse o garoto todos seus problemas estariam resolvidos, mas agora... Definitivamente precisava de um milagre, porém intimamente sabia que nenhum de seus santos lhe daria a mão, se levar em consideração suas ultimas ações eu não foram nada dignas de um homem de sua ordem.

-o-o-o-o-

Estava inquieto, sentia um cheiro diferente no ar, ou melhor uma presença que lhe era familiar. Saltou entre os prédios, ouvindo o farfalhar do sobretudo e a espada tilintava vez ou outra quando batia em algumas telhas.

Sentia que aquela presença estava se aproximando, ou melhor, que estava se aproximando dela.

Voltou-se surpreso ao notar que estava perto do César. Um dos hotéis mais bem conceituados de Roma, que dava uma bela vista para o Coliseu, não era a favor de ficar bisbilhotando a vida alheia, mas uma das janelas do hotel lhe chamou a atenção.

Aproximou-se o máximo que pode, sem ser visto. Foi com surpresa que viu uma jovem de longos cabelos dourados e orbes verdes sair na sacada, ela vestia uma fina camisola de seda e um hobby branco por cima. Os cabelos jaziam presos em uma trança de fios soltos.

Ela lhe era familiar, não sabia o porque, mas tinha certeza de que a conhecia.

Franziu o cenho ao ver que ela ficara poucos minutos sozinha ali, pois um homem de cabelos prateados aproximou-se, abraçando-a, como se fossem um casal. Definitivamente, aquilo lhe incomodou. Os orbes verdes cintilaram em meio à noite e teve de afastar-se, escondendo-se sobre a sombra de um poste, num reflexo rápido, ao ter a impressão de que o homem virara-se em sua direção e um par de orbes vermelhos se acenderam para ele.

-Gabriel; Giuliano chamou, aproximando-se, porém estancou surpreso ao acompanhar o olhar do garoto e ver quem estava na sacada.

-O que quer? –o caçador perguntou, voltando-se para ele, mas pela primeira vez em muito tempo, viu um hassassin empalidecer tão rápido, como se houvesse batido de frente com a própria morte.

-Vamos caçar; ele respondeu, tentando recuperar o auto-controle; -"Ela esta aqui, como isso é possível?";

-Você a conhece? –Gabriel perguntou, pegando-o de surpresa.

-Quem? –Giuliano fez-se de desentendido.

-Aquela garota; o jovem falou, apontando a janela.

-Não; ele mentiu. –Mas porque quer saber?

-Nada importante, tive a impressão de conhecê-la; ele respondeu, omitindo o fato de não ter gostado de vê-la acompanhada.

-Quem sae; o hassassin falou vagamente. –Mas se está interessado é melhor não se aproximar, ela esta acompanhada; ele falou, em tom de provocação. –"Quem será esse homem?";

-Puff! Tirar o almofadinhas do caminho é fácil; Gabriel rebateu, petulante.

-Uhn! Senti um 'Qzinho' de ciúme ou foi impressão a minha? -Giuliano alfinetou.

Gabriel estreitou os orbes de maneira perigosa, irritado com o que ele falara.

-Quem sabe ciúme de uma irmã mais nova; ele continuou, em tom displicente, como se sugerisse a idéia.

-O que? –Gabriel perguntou, confuso.

-Nada não, mas vamos logo; o hassassin completou, era melhor que ele não soubesse de nada no momento.

Deu as costas ao caçador preparando-se para voltar a praça de São Pedro. Não acreditava que Vitória estivesse em Roma, mas a havia visto. Ela lhe surpreendera, nem mesmo os espiões mais fieis do Vaticano conseguiram localizá-la. Chegava a ser irônico, que mesmo Gabriel não lembrando-se dela, sentira sua presença e fora atrás; ele pensou, com um meio sorriso nos lábios.

-o-o-o-o-

Saira do banheiro terminando de pentear os cabelos e prendê-los em uma trança. Viu Alucard sentando em uma poltrona, lendo. Franziu o cenho ao sentir um vento gelado entrar pela porta da sacada.

-Que frio; ela murmurou, fechando o hobby.

-É melhor não chegar perto da janela, esse vento gelado por não lhe fazer bem; ele falou, deixando de lado o livro e levantando-se.

-Não tem problema; Vitória falou, saindo na sacada.

-Vitória, deixe de ser teimosa; Alucard falou, seguindo-a.

Viu a jovem encostar-se no beiral da sacada, com um olhar perdido. Ela sentia saudades do irmão e esse sentimento infelizmente não tinha poder para aplacar; ele pensou, sabendo perfeitamente o que se passava pela mente da jovem.

Parou atrás dela, enlaçando-a pela cintura. Ela apoiou a cabeça sobre seu ombro, dando um suspiro relaxado.

-Não se preocupe, logo você estará com ele; Alucard sussurrou, deixando que os dedos correrem suavemente pelas melenas douradas, desfazendo a trança, deixando-os esvoaçarem com o vento.

-Obrigada; ela sussurrou, fechando os olhos.

-Pelo que? –ele perguntou confuso.

-Por estar sempre comigo; a jovem respondeu, virando-se e o abraçando.

Abraçou-a fortemente, queria evitar de ler os pensamentos dela, mas era impossível. Sabia que Vitória tinha medo. Medo do que poderia acontecer com eles ainda mais quando amanhecesse, que começassem a colocar seus planos em ação.

Abaixou a cabeça lentamente, deixando a ponta dos dedos tocassem com suavidade a face dela, erguendo-a pelo queixo. Roçou-lhe os lábios, sentindo a respiração dela alterar-se quando tomou-os num beijo intenso.

Com passos lentos puxou-a para dentro do quarto, sem interromper o contanto entre eles. Como por mágica, as portas da sacada se fecharam, deixando o quarto cair na completa penumbra.

.III.

-Majestade, logo vamos desembarcar; a dama de companhia avisou.

-Ótimo, não agüento mais ficar trancada nessa lata ambulante; Vitória exasperou.

-Desculpe, Sra; ela falou tentando conter o riso. –Mas deseja mais alguma coisa?

-Não, pode ir; ela respondeu.

Com uma breve reverencia a garota deixou a cabine.

-"Como será que esta a Vitória agora?"; ela se perguntou preocupada, em menos de uma hora estaria em Roma e mal podia esperar por isso.

-o-o-o-o-

Acordou pouco antes do sol nascer, remexeu-se na cama, virando-se de frente para ele.

Se algum dia alguém lhe falasse que iria se apaixonar por um vampiro, chamaria de doido; ela pensou, com um meio sorriso.

Tocou-lhe a face delicadamente, deixando a ponta dos dedos afastarem alguns fios prateados de sobre seus olhos.

Ouviu um baixo ressonar dele, enquanto os braços fortes envolviam sua cintura, puxando-a mais para si. Instintivamente prendeu a respiração, temendo tê-lo acordado, mas ele ainda dormia, ela constatou, suspirando aliviada.

Fechou os olhos momentaneamente. Era estranho, durante a noite quando fora à sacada, teve a impressão de que estavam sendo observados. Achou que fosse impossível, mas não pode negar que seus instintos mais aflorados, não mentiam.

Outra coisa que deixou intrigada foi sentir a presença de Gabriel, isso não era pelo fato de Alucard estar usando algumas roupas do irmão, sabia distinguir os dois, mas fora estranho, tivera a sensação de que ele estava por perto.

-Uhn! Já cedo pensando tanto; o vampiro murmurou, roçando-lhe a curva do pescoço com os lábios, ainda mantendo-se de olhos fechados.

-Como? –Vitória perguntou surpresa, sentindo um breve estremecimento correr por seu corpo.

-Não se preocupe, logo vamos resolver tudo, ficar se martirizando antecipadamente não vai te fazer bem; Alucard respondeu, abrindo os olhos.

-Eu sei, mas...; Ela preferiu não completar, sabia que ele já ouvira seus pensamentos mesmo.

-Apenas descanse e depois vamos dar uma volta para reconhecer o território; ele brincou, dando-lhe um rápido beijo nos lábios.

-Se não tem outro jeito; Vitória respondeu num resmungou.

Balançou a cabeça levemente para os lados como se respondesse que não. Acomodou-a melhor entre seus braços. Num movimento suave e calmo, deixou suas mãos correrem pelas costas dela ouvindo-a suspirar e relaxar, minutos depois, ela ressonava baixinho dormindo completamente.

Continua...