N/A1: queria agradecer a todas as reviews e comentários sobre 'Esperança', e especialmente sobre 'Escuridão'. Não imaginava que mesmo depois de ter terminado a fic ainda veria alguma review ou comentário sobre ela! Também gostaria de agradecer aos que visitam o site (que fez um ano no mês passado e eu nem percebi :p), não acredito que já tem mais de 1000 visitas (isso foi outra coisa q eu só notei hoje :)!!! Obrigada a todos!

N/A2: Sobre os capítulos 12 e 13, só para esclarecer, eles eram um só, mas como estava ficando enormemente grande, decidi partir em 2, por isso o começo pode parecer um pouco previsível

N/A3: Versão betada no ar, alguns erros corrigidos

13. SOMENTE O TEMPO

Julie tremia enquanto subia as quatro escadas até a porta de entrada do Hospital St. Mungus. Seu coração batia com ansiedade, pois aquele seria seu primeiro dia de trabalho como enfermeira-auxiliar.

Não trabalharia com os pacientes, como a chefe de enfermaria, Helen Stanford, havia dito nos dois dias em que fora para o hospital somente para conhecer as áreas e o funcionamento do lugar. Julie teria que fazer algumas poções, atender os pacientes, encaminhá-los para a área certa, e se continuasse estudando, poderia se tornar enfermeira. Não era exatamente o que estava esperando quando soube que havia conseguido a vaga, mas estava trabalhando no hospital. Julie sorriu, lembrando do dia que recebeu o pergaminho de aprovação.

Rigel, Stella e Emma pararam quando chegaram na porta do quarto. Julie segurava um pergaminho na mão direita, sem demonstrar nenhuma reação.

- E então, querida? – Stella perguntou. – Conseguiu?

Julie voltou o rosto para os pais e a irmã, somente percebendo que eles estavam lá depois que a mãe falou, e respondeu.

- Eu consegui! Eu consegui o emprego! – a garota pulava, animada.

- Parabéns, querida! – a mãe a abraçou.

- Oh, Julie, eu sabia que você conseguiria! – Emma batia palmas, entusiasmada com a vitória da irmã.

- E é só o começo! – o pai disse beijando a filha no rosto, sorrindo com orgulho.

Agora Julie estava na recepção, esperando ser chamada para receber seu crachá. Vários bruxos e bruxas já haviam passado, e sempre que alguém passava, Julie tinha certeza de que seria chamada. Não foi diferente quando uma mulher de cabelos castanhos apareceu. Se ela não estivesse tão nervosa, teria achado aquele rosto familiar.

- Julie Deneb Black?

Julie levantou-se imediatamente, e sorriu, tentando disfarçar o embaraçamento.

- Por favor, me chame de Julie. Odeio meu nome do meio. Só porque meu pai tem um nome de estrela, minha mãe achou que os filhos também deveriam ter o nome de uma estrela. Ainda bem que depois do Sirius, meu pai convenceu minha mãe de que seria melhor que fosse o segundo nome, e não o primeiro, o que foi uma sorte para minha irmã. Quem gostaria de se chamar Nashira?

A mulher sorriu, concordando.

- É, eu sei, seu irmão me contou.

- Ah, você conhece o Sirius? – Julie perguntou, passando a observar melhor a mulher, a reconhecendo quase imediatamente. – Merlin, eu não acredito! Melanie Grant!

Julie abraçou Melanie, lembrando que ela havia namorado Sirius durante o terceiro ano dela, e que o namoro dos dois havia durado algumas semanas a mais do que as outras. Ela suspeitava que se o irmão não fosse tão inconstante, o namoro poderia ter durado mais tempo.

- Quanto tempo, não é? – ela sorriu. – Como está a família?

- O Sirius está bem, viajando a trabalho. – Julie respondeu, disfarçando que Sirius estava fazendo um trabalho para a Ordem. – Então, quando eu começo?

- No laboratório, você vai preparar as poções que daremos aos pacientes, e será supervisionada pela Glory. Foi ela quem apresentou o funcionamento do hospital, não foi?

Julie concordou com a cabeça, recordando da simpática mulher de cabelos loiros crespos e olhos castanhos.

- Então vamos. – Melanie disse. – Sabe, eu fazia as poções antes, mas finalmente consegui passar nos exames para enfermeira. Ainda bem, porque esse não é um dos melhores setores do hospital, os pedidos de poções chegam a todo o momento, e você tem que ficar atenta para o estoque estar sempre cheio...

- É tão difícil assim? – Julie perguntou, temerosa.

- O começo é terrível, mas eu tenho certeza que você vai se acostumar logo. – ela finalizou com um sorriso. – Bem, chegamos. – Melanie abriu a porta. – Glory, aqui está a nova assistente.

Glory, que deveria ter mais de quarenta anos, aproximou-se.

- É, a nova vítima chegou. – Julie disse num misto de brincadeira e nervosismo.

- Ora, querida, não seja tão pessimista! – ela pôs a mão no ombro de Julie. – Venha, é melhor você começar para perceber como é fácil...

Enquanto era arrastada, Julie voltou-se para Melanie, que acenou para ela e saiu.

Se Julie esperava que o dia ia ser difícil, nada a teria preparado para o que aconteceu. O primeiro pedido foi uma poção para um paciente que havia comido uma fruta com ovos de fadas-mordentes e não parava de cuspir novas fadas. Assim que começou a fazer a poção que acabaria com os ovos, recebeu um pedido para fazer uma poção anestesiante, e fez as duas ao mesmo tempo, passando para Glory quando terminou.

Nem cinco minutos se passaram quando um bruxo irritado apareceu no laboratório querendo saber quem havia sido o incompetente que em vez de mandar uma poção para destruir ovos de fada-mordente por uma anestesiante.

- Ehr... fui eu... – Julie confessou, corando.

- Muito obrigado, - o medi-bruxo disse, irritado. – agora vou ter que esperar duas horas para poder dar a poção correta!

- Me desculpe, Allan, é o primeiro dia dela... – Glory entregou a poção correta e apressou-se a desculpar Julie.

O bruxo saiu antes que Glory terminasse. A mulher olhou penalizada para Julie, e foi com dificuldade, como se não quisesse falar mais, ela acrescentou.

- Julie, é melhor você ir para a recepção...

- Certo, Glory... Não precisa se sentir mal com isso, eu não devia ter trocado aquelas poções... – ela passou a mão pelos cabelos, e disse tentando esconder a raiva que sentia por ter sido tão estúpida.

Sem outra saída, Julie foi para a recepção do laboratório, onde recebia os pedidos vindos dos vários setores do hospital, e repassava para as outras assistentes. Ela anotava os pedidos com atenção, para não errar outra vez, por isso, só percebeu o medi-bruxo à sua frente quando ele falou.

- Oi, alguém deve ter trocado a minha poção. Eu vou precisar de uma anestesiante, e não de uma contra ovos de fada-mordente, a não ser que o fígado agora seja um órgão inútil.

Lentamente, Julie levantou a cabeça, mal conseguindo encarar o bruxo que sorria da própria piada, mostrando os dentes brancos que ressaltavam mais ainda sua pele negra.

- Ah, Merlin! – ele disse, surpreso, notando o embaraçamento de Julie. – Foi você que trocou, não foi? Me desculpe, eu não quis...

Com um gesto de descaso, Julie o interrompeu.

- Tudo bem, acontece com qualquer novato nervoso.

- Então você é a nova assistente? Por isso a Mel estava tão animada, ela estava doida para sair do laboratório. – e em tom confidencial, ele continuou. – Ela sempre trocava as poções.

Julie riu, sentindo-se aliviada graças àquele médico, e foi pegar a poção.

- Pronto, aqui está sua poção. – ela disse quando voltou.

- Obrigado. – ele piscou. – Nós nos encontramos por aí!

Julie observou ele se afastar, começando a achar que talvez trabalhar no laboratório não fosse ser tão ruim assim, mas somente quando o perdeu de vist, lembrou-se que não havia perguntado o nome dele.

-x-x-x-

Logo Julie acostumou-se ao ritmo frenético do trabalho no laboratório. Depois do primeiro dia desastroso, ela não trocou mais uma poção. Também não tinha visto o médico que a tranqüilizara, mas começava a conhecer as colegas de laboratório. Gostava particularmente de Ruby, uma baixinha de volumosos cabelos loiro-avermelhados e olhos pretos, e Danah, uma loira de cabelos curtos, com pacientes olhos amarelados. As três se tornaram amigas, apesar das diferenças de temperamento. Ruby era expansiva, enquanto que Danah era séria.

- O que vocês acham de irmos ao Três Vassouras? – Ruby perguntou ao final de um plantão. – Daria tudo por um uísque de fogo.

- Por Merlin, Ruby, você é uma enfermeira!

- Uma enfermeira no dia de folga. – Julie defendeu a ruiva, concordando com a idéia. – Vamos, Danah, só uma vez não fará nenhum mal.

- Está bem, mas nós vamos ficar pouco tempo. – ela acrescentou com severidade.

Como em toda noite de sexta feira, o bar estava lotado, e logo as três perceberam que não eram as únicas empregadas do St. Mungus a estar no 3 Vassouras. Sentada em uma mesa, Melanie Grant acenava para as três mulheres.

- Oi, como estão? – ela perguntou, cumprimentando as colegas de trabalho. – Sentindo minha falta, Danah? – ela perguntou, provocante.

- Estamos bem. – Julie respondeu antes que Danah o fizesse. – Terminamos o plantão e decidimos passar aqui, vocês também saíram do plantão?

- Não, estamos aproveitando nosso dia de folga. Por que vocês não se sentam, podemos ficar juntos, não é? – ela perguntou olhando para os outros na mesa, dois médicos e mais uma enfermeira.

- Sem problema. – um dos médicos, com uma franja que caía sobre o rosto, cobrindo quase que totalmente seus olhos, disse. – Só deixem uma cadeira para o Ephram, ele foi pegar umas bebidas.

Julie, Ruby e Danah sentavam-se quando vários copos de uísque de fogo surgiram sobre a mesa. Ao mesmo tempo, elas ouviram uma voz masculina.

- Eu vi quando vocês chegaram e pedi uísque para todos, algum problema? – em seguida, ele sentou-se na única cadeira desocupada.

- O Ephram pode ser mal-educado, mas eu não sou. – Melanie disse, numa tentativa inútil de irritá-lo. – Julie, Danah, Ruby, esse é Ephram.

Enquanto Melanie o apresentava, Ephram sorria para Julie, e ela também estava sorrindo. Finalmente estava reencontrando o médico que conheceu no primeiro dia de trabalho.

- Trocando muitas poções, Julie? – ele perguntou.

- Não mais, Ephram. – ela disse sorrindo também.

- Vocês já se conhecem? – Melanie perguntou, surpresa.

- Sim, a Julie fez com que eu me lembrasse porque eu pedi para que tirassem você do laboratório.

- Pensei que você tinha solicitado o pedido porque queria que eu ficasse mais perto de você, amor. – Melanie zombou do amigo, fazendo os dois médicos rirem.

- Eu falei para você, Ephram, ela está de quatro por você!

- Ah, cala a boca, Richard! – a mulher respondeu, mas Julie, que conversava com Ephram, não ouviu.

- Como está indo no laboratório? – ele perguntou.

- Muito melhor. Eu estava nervosa naquele dia, desculpe se eu dificultei o seu trabalho.

Ephram fez um gesto de pouco caso e respondeu.

- Não tem importância, eu também estava nervoso no meu primeiro dia no laboratório.

Eles continuaram conversando entre si, até que Danah decidiu ir embora, e Julie teve que ir, pois ela também morava na Irlanda. Apesar de não ter ficado a noite toda, Julie havia se divertido muito naquela noite com a conversa animada de Ephram, Ruby e Melanie, e o grupo combinou saírem mais vezes juntos.

Quando chegou em casa, todos estavam dormindo. Com todo cuidado para que ninguém acordasse, Julie subiu as escadas para o seu quarto, mas um barulho similar a um tiro fez ela voltar-se para a sala. Sirius estava deitado, no chão. Sem pensar em fazer silêncio, ela desceu as escadas apressada.

- Sirius, o que aconteceu!? – ela perguntou, apreensiva.

- Eu estou bem, eu estou bem. – ele disse, fazendo uma careta de dor. – Eu só fui atingido por um feitiço cambaleante durante a missão e aparatar não ajuda muito na recuperação...

- Sirius, você nem devia pensar em aparatar! – ela repreendeu o irmão ao mesmo tempo em que o levava até o sofá.

Enquanto Julie deitava o irmão, Stella entrou na sala, sendo seguida pelo marido.

- O que foi isso? Sirius! O que foi, você está ferido? – ela perguntou, se pondo ao lado do filho.

- Não, mãe, só estou um pouco tonto, mas já está passando. Onde está o pai? – ele perguntou, levantando a cabeça com dificuldade.

- Estou aqui. – Rigel disse, se aproximando do sofá. – Como foi, filho?

- Eles tentaram invadir a casa de Nicolau. A pedra estava em segurança, mas eu quis garantir que Nicolau e a esposa também ficariam.

Julie e Stella se entreolharam sem entender uma palavra do que eles diziam, mas Rigel ficou satisfeito com o que ouviu.

- Ótimo, filho, você fez muito bem. Vem, coloca o braço no meu pescoço, eu ajudo você a ir para o seu quarto.

Com a ajuda de Julie, Rigel levou Sirius para o segundo andar. Stella ficou cuidando do filho, assim, pai e filha foram dormir.

Julie esperava conseguir saber exatamente o que Sirius fizera, mas ele quase não saía do quarto, e ela tinha que ir para o St. Mungus. Nas poucas vezes que se encontraram, Sirius sempre mudava o assunto da conversa quando a irmã fazia insinuações sobre a missão. A garota poderia se enganar, mas ele via o verdadeiro interesse da irmã escondido nas perguntas que fazia. Julie queria saber sobre Remo, mas Sirius não poderia dizer nada sobre o que não sabia.

No terceiro dia, Julie perdeu a paciência. Sirius estava fugindo dela, mas não precisava ficar praticamente o tempo todo trancado no quarto. Decidida a fazer o irmão sair do quarto, ela foi falar com ele.

-x-x-x-

O Três Vassouras estava lotado. Era fim de julho, a maioria dos bruxos estava de férias, e muitos resolviam passar o tempo livre no bar. Sirius caminhava com dificuldade, e se não fosse por Julie estar segurando sua mão com firmeza, teria se perdido.

Logo Julie viu os colegas de trabalho. Na mesa estavam Ephram, Ruby, Melanie, Richard e Stuart, um enfermeiro-auxiliar.

- Olha, eles estão naquela mesa – Julie disse para Sirius apontando para a mesa.

- Oi, pessoal! – a garota cumprimentou os cinco na mesa jovialmente – Esse é meu irmão, Sirius, tudo bem ele ter vindo, não?

- Claro. Senta aí – um homem em torno dos trinta anos, com cabelos crespos e castanho-claros disse, apontando para uma cadeira.

Julie sentou-se perto de Ruby, e só quando viu o irmão conversando com Melanie lembrou-se de dizer para Sirius que a antiga namorada era sua colega de trabalho. Não adiantava dizer isso agora que os dois estavam conversando, e até o fim da noite, sempre que Julie procurava o irmão, o encontrava com Melanie Grant.

- E então, se divertiu? – Julie perguntou quando chegaram em casa com um sorriso brincalhão.

- Por que você não me contou que a Mel era sua colega de trabalho? – ele perguntou sem irritação na voz.

- Você não estava em casa quando eu comecei a trabalhar no St. Mungus, acabei esquecendo de contar quando você voltou. Está zangado?

- Não, só surpreso – o tom de voz dele era distante, e ele caminhava para o quarto pensativo. – Foi bom reencontrar a Mel.

Julie sorriu, como se guardasse um segredo que ninguém mais soubesse. Sirius poderia pensar que havia reencontrado uma amiga, mas ela via além. O irmão havia encontrado a única pessoa que era capaz de fazê-lo esquecer Adrianne Snape.

-x-x-x-

Dois meses depois de estar trabalhando no hospital, Julie se sentia completamente à vontade com o hospital. Conhecia os médicos e as enfermeiras, não gostava de alguns e os evitava, mas ela sempre tinha tempo para conversar com Ephram Parslow.

Ele estava se tornando o amigo que Julie sentia falta desde que Frank entrara no treinamento de Auror. Foi com a ajuda de Ephram que ela conseguiu sair do laboratório em menos de dois meses para cuidar de pacientes em recuperação.

- Você não fez isso para mim! – Melanie reclamou quando soube que trabalharia com Julie.

- Ela mereceu – Ephram respondeu, olhando com falsa ingenuidade para a colega e bebendo mais um pouco de quentão. Eles estavam comemorando o aniversário de Julie e a promoção em um bar no Beco Diagonal. – Não trocava nenhuma poção, ao contrário de você.

- Está vendo, você continua a mesma distraída de sempre – Sirius respondeu, rindo, acariciando a mão de Melanie. No dia seguinte, partiria em mais uma missão para a Ordem, e queria aproveitar o tempo livre.

Julie sorriu vedo os três conversando, sem ouvir o que eles diziam. Pensava em Remo. Eles estavam separados há meses, mas para Julie, era como se não o visse há décadas. Pensava nele todos os dias, com saudade do que tiveram. Com Remo, ela havia descoberto uma parte de si que não imaginava existir, que desapareceu quando ele partiu.

Apesar da saudade, tentava se divertir, como estava fazendo na festa, e era difícil não rir das provocações de Ephram e Melanie, Sirius tentando defender a mulher, mas atrapalhando mais do que qualquer coisa, Ruby cantando o hino de um time de quadribol com Danah e Richard, os três bêbados demais até mesmo para se lembrar da letra.

- Eu acho que é melhor irmos – Julie disse, apontando para Ruby, Danah e Richard. – Esses três já passaram do limite. Pelos vistos, Sirius, vamos ter que carregar a Danah, nunca pensei que ia viver para ver esse dia!

- Ah, não, não vamos embora, agora que a festa está começando! – Danah disse com a voz arrastada, apoiando-se no ombro de Richard.

- Talvez eu não vá para casa hoje, Julie – ele olhou para Melanie. – Depende da sua resposta para a minha pergunta. Mel, você quer namorar comigo?

Um sorriso de surpresa iluminou o rosto de Melanie.

- Sirius, você está falando sério? – antes que ele respondesse, ela continuou. – Claro que eu aceito!

- Acho que você vai ter que ficar no Caldeirão Furado, porque eu sei onde vou passar a noite... – ele disse para a irmã antes de beijar Melanie.

- Se vocês quiserem, podem passar a noite em minha casa – Ephram se ofereceu para ajudar.

- Ótimo, amanhã de manhã a Danah vai estar melhor, e provavelmente, negando tudo o que fez hoje – ela acrescentou quando viu a amiga beijando Richard.

Rindo, Ephram ajudou Julie a levar Danah para a casa dele. Foi uma tarefa difícil, pois além de Danah não querer sair, Richard também não queria que ela fosse embora, e o dono do bar havia enfeitiçado o lugar para que somente funcionários pudessem realizar feitiços. Só conseguiram tirar Danah do bar quando um dos funcionários lançou um feitiço paralisante na loira.

- Nunca pensei que a Danah, com aquele jeito sério, pudesse tomar um porre e se agarrar com o Richard – Julie disse depois que ela e Ephram colocaram a mulher num dos quartos da casa.

- Essa não foi a primeira vez que eles fizeram isso. Eles estão apaixonados, mas não assumem, acho que eles têm medo de mudar – Ephram deixou Julie passar, e fechou a porta. – Quer comer alguma coisa?

- Não, obrigada, eu não quero incomodar.

Ephram aproximou-se de Julie e, segurando a mão dela com delicadeza.

- Julie, você nunca é um incômodo para mim.

Ephram sorria e olhava com expectativa para Julie, e, subitamente, ela percebeu o que os constantes encontros no hospital, os sorrisos e as gentilezas significavam. Ele estava apaixonado por ela.

- Ephram... – Julie começou, tentando ser o mais gentil possível. – Eu não... Eu... eu... – as palavras desapareceram da sua cabeça, e ela só conseguia gaguejar. – Me desculpa, mas eu só posso ser sua amiga. Queria poder sentir algo mais, mas... eu não posso.

Ephram abaixou a cabeça, resignado.

- Eu entendo... Tem outra pessoa, não é?

- Sim – ela respondeu depressa demais. – Quer dizer, tinha, e o que eu sinto por ele ainda é muito forte... Você me desculpa?

- Não se desculpe, eu entendo. – em seguida, ele começou a ir para o outro quarto. – Boa noite.

Julie abriu a boca para chamar Ephram de volta, mas ele já havia entrado. Ela suspirou. Talvez fosse melhor assim.

-x-x-x-

Pela manhã, Julie voltou para a Irlanda com Danah, e como aquele era seu dia de folga, só voltou para o St. Mungus dois dias depois. Durante esses dias, ela tinha pensado muito sobre Ephram. Gostava dele, muito, mas sabia que sempre amaria Remo. Ela podia não vê-lo durante a lua cheia, ou sentir o mesmo que ele sentia, mas apesar do elo que os unia estar enfraquecido, ele ainda existia.

Julie entrou no hospital disposta a ter uma conversa séria com o amigo, mas um ataque dos Comensais de Voldemort a um grupo de Aurores a ocupou o dia inteiro, e ela não teve tempo para procurar Ephram. No dia seguinte, soube que ele estava de folga, porém, no terceiro dia, o encontrou.

- Ephram, precisamos conversar – Julie segurava a mão dele, o impedindo de se afastar imediatamente.

- Julie, eu não quero que isso seja mais embaraçoso para você do que está sendo...

Julie sorriu, aliviada. Pensava que Ephram fugira por estar com raiva dela.

- Nós só vamos conversar, está bem? – ela o encarou, persuasiva.

- Certo, mas agora eu estou ocupado, quando eu terminar, procuro você.

- É bom mesmo – ela sorriu. – Até logo.

O restante do dia, Julie esperou Ephram aparecer, mas só quando estava saindo foi que o reencontrou.

- Pensei que você estava fugindo! – ela disse quando o viu na porta do banheiro feminino.

- Tive um dia complicado, um dos aurores passou mal.

- Como ele está? – ela perguntou com preocupação, pensando em Frank, que em um ano seria um Auror.

- Nada bem – ele respondeu com decepção. – Essa guerra é um desperdício. Não passa de uma disputa de poder.

- Pelo menos não estamos de braços cruzados, Ephram. Estamos fazendo algo para que não seja tão complicado.

Ele concordou em silêncio, e Julie aproveitou a oportunidade para falar sobre o que aconteceu no apartamento dele.

- Ephram, sobre domingo... Eu quero deixar claro que você não precisa fugir de mim. Nesses dias, eu senti muito a sua falta.

- Eu pensei que você quisesse um tempo sozinha...

- De forma nenhuma! – ela disse, indignada, mas quando continuou, falou com tristeza. – Ephram, você é tão bom comigo... Queria poder sentir por você o que você sente por mim, mas eu não consigo... Apesar disso, não quero que nossa amizade termine. Você é importante para mim.

- Eu fui um idiota por tentar te evitar – ele disse com um sorriso triste. – Ainda somos amigos sim, Julie.

- Você não sabe o quanto eu estou feliz – ela disse, abraçada a Ephram.

-x-x-x-

O ataque de Voldemort ao grupo de Aurores foi o primeiro de vários ataques a empregados do Ministério de Magia. Julie esteve tão ocupada no St. Mungus que não passou o Natal em casa, assim como Sirius, que havia se mudado para Londres e além disso estava trabalhando para a Ordem da Fênix, e Emma, que preferiu ficar em Hogwarts. Pela primeira vez, os Black passavam o Natal separados.

Com os sucessivos ataques de Voldemort, Julie mal viu os pais e os irmãos no começo de 1980. Ela pensou em tirar férias durante a Páscoa, no meio de Março, mas como Emma ficaria em Hogwarts, Julie tirou uma semana de folga e além de passar mais tempo com os pais, visitou Lílian, que estava grávida de cinco meses, tomando cuidado para não tocar na pele da amiga. Não queria preocupá-la.

- Como você está se sentindo? Gorda? – ela disse, brincalhona.

- Ah, não, com Tiago dizendo a cada cinco minutos que eu estou linda, como poderia pensar diferente? – a ruiva respondeu, levemente irritada. – Ainda bem que ele está em missão, eu acabaria cometendo um assassinato se ele aparecesse mais uma vez perguntando se está tudo bem comigo! Por Merlin, eu estou grávida, e não com nenhuma doença terminal!

- Ele só está preocupado, acontece com os pais de primeira viagem. Mas ele não está mentindo, você está ótima!

- Eu sei – ela disse com um sorriso radiante. – Sentir uma pessoa viva dentro de mim é como se eu nascesse de novo, e ele está começando a chutar.

- Ele? Como sabe?

- Ah, eu sempre soube que era um menino. Já decidi o nome, será Harry. Sempre gostei desse nome, encontrei no primeiro livro bruxo que eu li.

- É perfeito. Espero que vocês sejam felizes.

- E quanto a você? – Lílian perguntou. – Eu já passei anos com esse dom para saber quando alguém está me evitando.

- Não é nada – Julie respondeu com descaso. – Ainda tenho saudades do Remo, mas estou me recuperando.

- Se você quiser encontrá-lo, Tiago me disse onde ele está, ele está...

Julie se levantou, interrompendo a ruiva com irritação.

- Não, Lílian. Ele escolheu ficar longe de mim, ele que me procure.

- Julie...

- Lílian, por favor, eu não quero discutir. Vamos falar sobre qualquer coisa, mas não sobre Remo Lupin.

Lílian suspirou, mas concordou com Julie, e a conversa continuou sem que outras discordâncias surgissem.

No dia seguinte, com o fim das férias, Julie voltou ao St. Mungus. Agora ela ajudava os medi-bruxos com pacientes que se envolviam em graves acidentes mágicos. Havia poucos casos assim, mas como eles eram os mais complicados, ela tinha pouco tempo livre. Por isso, quando Ruby apareceu dizendo que tinha uma visita, Julie ficou aliviada por se afastar um pouco do trabalho mas esperava que fosse rápido, pois tinha que atender dois pacientes.

Ela chegou na recepção, e ao ver a irmã com o namorado, não disfarçou a surpresa.

- Emma, o que você está fazendo aqui, você deveria estar em Hogwarts! E Frank, como você conseguiu uma folga do treinamento? – ela perguntou depois de abraçar os dois.

- Julie, nós queríamos que você fosse a primeira a saber – Emma disse, mal contendo a felicidade que sentia. – Nós nos casamos!

- Vocês o quê?! – ela perguntou, surpresa.

- Nós nos casamos – Frank disse, sorrindo. – Foi de repente, estávamos nos Estados Unidos...

- Estados Unidos?! – ela olhou irritada para a irmã. – Quer dizer que enquanto nossos pais pensam que você está em Hogwarts, você está se casando nos Estados Unidos? – ela olhou para Frank. – Frank, eu não esperava isso de você!

Emma olhou com raiva para a irmã, mas antes que ela falasse, Frank começou.

- Julie, eu amo a Emma mais do que tudo, e só quero fazê-la feliz ao meu lado. Eu não sei o que vai acontecer daqui a uma semana, ou um mês, mas enquanto eu estiver bem, quero aproveitar a minha vida e ser feliz com a mulher que eu amo.

- Não viemos aqui pedir a sua aprovação. Só queríamos que você ficasse feliz por nós - Emma, aproveitando que Frank havia se calado, disse.

- É claro que eu estou feliz por vocês, mas, Emma, você ainda não terminou os estudos, e Frank, você ainda nem é um Auror! Como vocês se casam se não têm nem onde morar?

- Isso é problema nosso – Emma disse, corajosamente. – O que importa é que não temos medo de arriscar, ao contrário de você! – ela se calou, percebendo que estava indo longe demais, e olhou para a irmã com culpa. – Desculpe, Julie, eu não quis dizer isso...

Por um segundo, Julie olhou com raiva para a irmã. Ela não tinha direito nenhum de se intrometer na sua vida pessoal e nas decisões que fizera. Imediatamente, se arrependeu. Emma estava somente agindo como ela mesma agiria.

- Tudo bem, Emma... Olha, eu...

Antes que Julie terminasse, uma das enfermeiras foi até ela.

- Julie, o dr. Parslow está precisando de você na sala de operações.

- Está bem, eu estou indo – e voltando para o casal, disse. – Eu tenho que ir, mas não pensem que eu não quero o melhor para vocês. Espero que vocês tenham toda a felicidade do mundo.

- Obrigada, Julie – Emma disse, segurando a mão da irmã.

- Tchau – Frank disse, acenando para Julie, que se afastava.

Julie voltou para a operação, mas não estava concentrada. As palavras da irmã ainda ecoavam em sua mente, e a distração dela não passou desapercebida a Ephram.

- Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou quando estavam indo embora. – Você estava em qualquer lugar, menos naquela sala.

- Não foi nada – ela tentou ser evasiva, mas logo depois mudou de idéia. – Minha irmã apareceu aqui hoje e me disse umas coisas, e eu acho que ela talvez esteja certa... Eu tenho sido um pouco rigorosa comigo, e estou me prejudicando...

- Você não precisa ficar assim, Julie – ele se aproximou, segurando os braços dela gentilmente. - Deve ter uma solução, você pode mudar o que está acontecendo... Só dê uma chance para você mesma.

Julie encarou os olhos de Ephram com intensidade, e a esperança que existia neles a comoveu. Estava ali, bem na sua frente, tudo o que precisava. Ephram era compreensivo, divertido, e paciente, pois apesar das negativas Julie sabia que ele ainda esperava por ela, mas não para sempre. Aquela poderia ser sua última chance de ser feliz, e estava deixando passar.

- Eu quero dar uma chance, Ephram, mas não para mim – ela fez uma pausa antes de continuar, e segurando as mãos dele, continuou. – Eu quero dar uma chance para nós.

Ephram olhou para Julie, e, sorrindo com surpresa, ele segurou o rosto dela com as duas mãos.

- E eu vou fazer dar certo. – ele disse antes de beijá-la, sem perceber que Julie nunca ficara tão angustiada. Aquele era seu primeiro beijo desde que Remo desistiu dela, e todo seu corpo reclamava que Ephram era um intruso em sua vida.

-x-x-x-

Julie medicou a paciente, uma mulher de quarenta anos que se machucara ao tentar aparatar para os Estados Unidos.

- Acho que a senhora poderá sair amanhã, senhora Skelter. Os ossos estão perfeitos – ela sorriu.

- Oh, ainda bem! Esses remédios estão me causando mais dor do que quando aparatei.

- Da próxima vez que quiser visitar seu filho, entre em contato com o Ministério de Magia, é menos doloroso.

O barulho de batidas na porta atraiu as duas, e elas se viraram para ver Ephram entrar.

- Olá, senhora Skelter! De acordo com as últimas amostras, a senhora poderá sair amanhã.

- Ótimo, estou com tanta saudade do meu Josh... – ela respondeu, sonhadora.

- Seu filho deve ser tão ansioso quanto a senhora – Ephram disse, piscando para Julie.

- É mesmo, como você sabe?

- Bem, foi difícil fazer com que ele esperasse a senhorita Black terminar de aplicar a poção... – ele sorria, divertido.

- Oh, deixem meu filho entrar! Por favor!

Julie e Ephram sorriram um para o outro, e depois que Josh Skelter entrou, eles saíram.

- E então, preparada para o grande dia? – Ephram perguntou após fechar a porta.

- É, pode se dizer que sim...

Depois de cinco meses de namoro, Julie iria jantar com a família de Ephram. Conhecia a irmã caçula dele, era uma colega da Grifinória, alguns anos adiantada, mas ainda não conhecia os pais do namorado. Ela estava um pouco insegura quanto àquele jantar. Achava que Ephram estava criando muitas expectativas, mas precisava relaxar.

Muita coisa havia acontecido naqueles cinco meses. Melanie e Sirius terminaram o namoro durante uma missão para a Ordem da Fênix, mas quando voltou, nenhum dos dois comentaram nada sobre o assunto. A enfermeira se dedicou ao trabalho, logo conseguindo um cargo de medibruxa, e Sirius partiu quase que imediatamente numa outra missão da Ordem. Além disso, dois meses após ter se casado com Frank, Emma descobriu que estava grávida. Julie teve que suportar as mudanças de humor da mãe, que iam da raiva, pelo fato da filha ter se casado às pressas, até a alegria, pois se tornaria avó. No final de Julho, nasceu Harry, o filho de Tiago e Lílian. Julie foi uma das primeiras a visitar os novos pais, e uma das primeiras a saber que a chegada do filho era o único motivo de alegria para os Potter. Eles estavam sendo caçados por Lord Voldemort, por um motivo que nem mesmo os Potter sabiam, e se esconderiam até ser seguro o bastante.

- Eu vou falar com o filho da senhora Skelter, nos encontramos do lado de fora, certo?

Julie concordou com a cabeça, e foi para o vestiário, mas ao atravessar a recepção, ouviu a voz do irmão a chamar. Ela se virou, mas apesar de ter escutado a voz de Sirius, não o enxergou. Estava concentrada no homem ao lado dele. O rosto dele poderia estar um pouco mais envelhecido, alguns fios brancos poderiam ser visíveis no meio da massa de cabelos castanhos-claro, mas, para Julie, ainda era o mesmo rosto que ela não via há dois anos. Ao lado de Sirius, estava Remo Lupin.