Capítulo 13 – Roda de fogueira

Enquanto eu olhava a lua pude sentir que alguém me olhava, olhei assustada para trás e percebi uma sombra maior atrás da árvore logo atrás de mim.

- Quem é? – Perguntei com medo.

- Desculpe Bella, só achei que não deveria te atrapalhar. – Disse Jacob vindo na minha direção.

- Oi Jacob, você me assustou. – Eu disse olhando para a lua novamente.

- É linda não é? – Perguntou ele sentando-se ao meu lado.

- Sim, mas me diga, o que vai ter por aqui, está tudo tão produzido? – Perguntei sem tirar os olhos da lua.

- Ah, a senhora Clearwater é que organiza tudo, ela preparou um jantar, e depois nos sentaremos ao redor de uma fogueira para contar nossas lendas. – Respondeu Jacob.

- Lendas sobre o que? – Perguntei encarando-o

- Como surgimos, o que somos, esse tipo de coisa. – Respondeu ele.

- Mas você acredita em alguma Jacob? – Perguntei ainda encarando-o.

- Não particularmente, só acho que são vitais para nossa aldeia. – Respondeu ele me olhando. – Você está bonita Bella. – Disse ele sorrindo.

- Obrigada. – Respondi meio sem graça.

- Crianças venham, Billy chama vocês. – Disse a senhora Clearwater de longe.

- Claro senhora, já estamos indo. – Respondeu Jacob ficando de pé. – Vamos? – Perguntou ele estendendo a mão para mim.

- Sim. – Respondi levantando-me sozinha.

Quando chegamos a casa de Billy todos estavam sentados a mesa, minha cadeira estava vaga ao lado de uma garota bonita, de cabelos lisos pretos e um pouco magra, então fui até lá e me sentei. A senhora Clearwater serviu frango assado e uma porção de arroz para cada pessoa, depois disso nós mesmos começamos a nos servir com tudo que estava em cima da mesa, me levantei para pegar meu refrigerante mas Jacob já voltava da pequena cozinha com dois copos na mão.

- Um é seu Bella. – Disse Jacob me dando o copo.

- Obrigada Jake. – Eu agradeci com um sorrisinho.

Voltei ao meu lugar e terminei de jantar, depois deixei meu prato na pia, onde a garota que havia sentado ao meu lado estava lavando-os, então para não parecer mal educada eu a cumprimentei.

- Olá, deixo isso aqui? – Perguntei desconfiada.

- Sim, pode deixar, hoje os pratos são meus. – Respondeu a menina.

- Você não quer ajuda para nada? – Perguntei ainda desconfiada.

- Se você puder, pega os outros pratos que faltam em cima da mesa por favor? – Perguntou a menina dando um pequeno sorriso.

- Claro, só um segundo. – Eu respondi e fui pegar todos os outros pratos.

- Obrigada, a propósito, meu nome é Leah. – Disse a menina agradecendo.

- De nada, me chamo Bella. – Respondi dando um sorrisinho torto para ela.

Depois de ajuda-la fui para fora da pequena casa dos Black, e encontrei Charlie que me acompanhou até a roda de fogueira onde ia ter as histórias sobre os Quileutes. Jacob estava sentado ao lado de Billy do outro lado da roda, e logo que dei pelo resto dos rostos, haviam muitos jovens sentados para ouvir as histórias, entre eles estava o rosto de Leah. A senhora Clearwater acendeu a fogueira e correu para se sentar ao lado de Leah. Em seguida, Billy começou a contar as lendas.

- Há algum tempo atrás, vivíamos todos me harmonia, nós os Quileutes não saiamos da nossa aldeia por quase nada, mas depois de certo tempo ela não era mais segura. Coisas estranhas começaram a acontecer, começando pelos nossos jovens, toda noite de lua cheia podíamos ouvir uivos vindos das montanhas e sempre que olhávamos nos quartos das nossas crianças, elas haviam sumido. – Dizia Billy num tom bem serenos. – Com um tempo os pais se juntaram para procurar seus filhos, entre eles estava meu pai, o ancião da aldeia, mas de nada adiantou os pais procurarem, porque todo amanhecer nossos filhos estavam em suas camas como haviam sumido apareciam por mágica. – Pausou Billy pegando uma cerveja para tomar.

- Continua senhor Black. – Disse a voz de um menino que não poderia ter mais de 15 anos de idade.

- Calma Seth – Disse Billy. – Então uma bela noite, a lua estava em sua total plenitude no céu e quando nossas crianças foram dormir todos os pais ficaram expertos, pois sabiam que seus filhos sumiriam em breve. Meu pai por sua vez, ficou parado na porta para impedir que eu saísse, mas de nada adiantou, eu consegui sair com apenas um pulo, assim ele não teve outra, reuniu todos os pais e nos seguiu, até que no alto de uma colina viu que nos transformávamos em lobos, nós formávamos uma enorme alcatéia, uma alcatéia que protegia a nossa aldeia todas as noites fervorosamente. – Disse Billy bebendo mais um gole de sua cerveja. – Ficamos anos protegendo a nossa aldeia sem nenhum perigo demais para nós, até que uma noite, um humano, ou parecia pelo menos, entrou em nossos domínios, nessa época eu já era velho, mas era o líder do bando. Todos me obedeceram quando os mandei ficar parado, com a exessão de um, o Ralf, um jovem lobo esquentado, ele se transformou e foi atacar o humano, mas o humano se defendeu e o matou, e ainda tomou todo o sangue do Ralf, então minha fúria foi tão grande que mandei que todos os atacassem, mas os outros ficaram com medo, então eu me transformei com a ajuda da lua cheia e fui tentar defender nossa tribo, mas o humano pegou meu pai como refém e me pedia desculpa direto, dizendo que não tinha a intenção de matar o Ralf, mas eu não tive pena dele e fui para cima, mas ele correu soltando meu pai e disse que não queria me machucar. – Disse Billy tomando mais um gole de sua cerveja. – Eu fui atrás dele fervorosamente, mas ele corria mais do que eu e conseguiu me acertar e como eu já era velho, minhas forças não conseguiram vence-lo, assim fiquei paralítico e fizermos então um contrato, ele não entraria em nossas terras e também não diríamos a ninguém o que ele realmente era, e é assim até hoje. – Terminou Billy ganhando todos os aplausos dos jovens que o assistiam.

- Mas Billy, o que esse tal "humano" era verdadeiramente? – Perguntei desconfiada.

- Minha querida Bella, ele era um frio. – Respondeu ele me encarando.

- Como assim frio? – Perguntei mais desconfiada ainda.

- Um sanguessuga minha querida, quando ver um por ai cuidado, não quero que Charlie veja você machucada. – Disse Billy como se soubesse de algo.

- Obrigada pela dica Billy. – Eu respondi tentando parecer mais confiante.

Ao fim de todas as lendas eu percebi que Billy falava de Edward, do homem morto, do acordo, tudo era Edward, e que ele sabia sobre eu e Edward sem que eu precisasse comentar sobre tal fato. Eu fiquei bastante preocupada e precisava falar com Edward, mas eu não tinha idéia de como entrar em contato com ele. Fiquei muito tempo sentada no terraço da casa de Billy tentando falar com Edward pelo pensamento como Alice, mas não sabia se havia conseguido, então ouvi Charlie sair da casa de Billy.

- Vamos Bella? – Perguntou Charlie.

- Quando quiser pai. – Respondi me levantando.

- Obrigado pelo jantar e pelas histórias Billy. – Agradeceu Charlie apertando a mão do seu amigo.

- De nada Charlie. – Respondeu Billy sorrindo para Charlie. – Tchau Bella e boa noite. – Disse Billy me olhando.

- Tchau senhor Black. – Eu respondi acenando para ele.

- Bella, vai sem se despedir de mim? – Perguntou Jacob.

- Ah, desculpem Jake, havia esquecido de você realmente. – Eu respondi sorrindo. – Até a próxima Jake. – Eu me despedi acenando.

- Até mais ver Bells. – Respondeu Jacob sorrindo para mim.

Quando eu e Charlie entramos na picape eu a liguei e dei a partida para sair daquela aldeia o mais rápido possível, na minha cabeça só havia Edward e mais Edward. Chegando em casa estacionei a picape, Charlie abriu a porta enquanto eu desligava a picape, então entramos em casa.

- Boa noite querida. – Disse Charlie sentado no sofá.

- Boa noite pai. – Respondi subindo as escadas para meu quarto.

Quando entrei no meu quarto que fechei a porta tive um susto imenso com uma sombra que surgia pela janela dele.

- Olá Bella. – Dizia Edward sentado na cadeira da minha mesinha de estudos.

- Oi Edward, que susto. – Eu respondi soltando a respiração.

- Me desculpe. – Respondeu ele sorrindo. – Você queria falar comigo? – Perguntou ele com um rosto sério.

- Sim, você me ouviu? – Perguntei surpresa.

- Não, Alice que me disse para vir vê-la. – Respondeu ele.

- Ah, Alice. Mas esquecendo dela, Edward, você matou um dos lobos Quileutes foi? – Perguntei me sentando na cama.

- Sim Bella, foi um deles sim, mas como você soube? – Perguntou ele curioso.

- Eu estava na aldeia numa roda de fogueira e contaram esta lenda, ou nem tanta lenda assim. – Respondi surpresa.

- Esperava por isso. – Disse ele apertando as mãos nos pulsos.

- Você deixou Billy da forma que é agora. Meu Deus, você fez mal demais aquelas pessoas. – Falei abaixando a cabeça.

- Fiz Bella, e sei que fiz, por isso não quero você perto de mim, não posso estar muito perto, posso machuca-la. – Disse ele se aproximando de mim. – Você leu o guia do seu avô? – Perguntou ele.

- Não Edward, não o li mais, mas independente dele sei que não me machucará. – Eu respondi me aproximando dele.

- Não confie Bella. – Disse ele afastando-se.

- Por favor não me ignore Edward, não consigo ficar longe de você, independente do perigo que seja, quero corre-lo com você, não fuja de mim. – Falei mais perto dele.

- Não consigo ficar longe de você também, mas posso machuca-la. – Dizia ele com um rosto triste.

- Não vai Edward, não vai. – Repeti fervorosamente frente a frente com ele.

Então ele cedeu aos seus desejos e me beijou. Desta vez ele me beijava mais carinhosamente, com uma delicadeza estrema, mas tentava me tocar poucas vezes quanto fosse possível, enquanto as minhas mãos encontravam-se em seus cabelos puxando para mais perto de mim. Ele começou a me abraçar e passar as mãos pelas minhas costas, depois ele me puxou para seu colo e eu fui sem nenhuma resistência, então ele deu por si e me empurrou em cima da cama.

- Bella, por favor. – Disse ele levantando-se da cadeira.

- Desculpa, às vezes não me controlo. – Falei com medo que ele sumisse.

- Bella, você tem de me controlar ta? – Pediu ele sentando-se na cama próximo a mim.

- Ta, tudo bem. – Eu respondi olhando-o nos olhos. – Me diz uma coisa, você me transformaria se me mordesse? – Perguntei curiosa.

- Sim, fui transformado por uma mordida, como não transformaria você se a mordesse. – Respondeu ele como se detestasse a pergunta.

- Ah, era curiosidade, os vampiros dos filmes são assim também. – Falei sorrindo.

- Você é única Bella. – Disse ele sorrindo. – Agora tenho que ir, Charlie virá vê-la em dois minutos, tchau. – Disse Edward dando um beijo na minha testa.

- Tchau, até amanhã. – Eu respondi acertando um selinho em sua boca.

Edward deu uma risadinha da minha atitude e desceu pela janela. Dois minutos exatos Charlie subiu para me olhar, viu a janela aberta e a fechou, depois ele saiu e fechou a porta do quarto. Demorei pra dormir pensando em tudo que tinha acontecido, mas quando peguei no sono, meu sonho foi apenas com Edward Cullen.