Jared saiu e voltou com dois lanches do McDonalds para ele, e sopa de legumes para Jensen. Devorou seus sanduíches e batatas em poucos minutos e ajudou Jensen com a sopa. Jared estava realmente gostando de cuidar dele. Recostou-o com cuidado na cama, e fez questão de lhe dar a sopa na boca. Jensen preferiria ter comido sozinho, mas quem era ele para discutir com Jared...
Os dias se passaram sem muitas novidades... Jensen ainda demorou um pouco a se recuperar, mas Jared era o enfermeiro mais cuidadoso do mundo. Ele fazia questão de ajudá-lo no banho, e sempre dormia com ele em seus braços, controlando sua temperatura e se certificando de que estava confortável. Beijos na boca tornaram-se corriqueiros, assim como apalpadelas e apertões carinhosos.
O que mais dificultava a vida dos dois, de fato, é que Jensen tornou-se demasiadamente dependente de Jared, e não queria se afastar dele nem por um segundo. Ele sempre se desesperava quando o moreno precisava sair para fazer compras, e insistia em ir junto com ele mesmo que não estivesse se sentindo bem. Jared então decidiu que era hora de procurar o esconderijo dos "homens das letras", pois só ali Jensen poderia se sentir protegido quando estivesse sozinho.
Os rapazes levaram todos os seus cacarecos para o Impala e partiram em direção ao Estado do Kansas. Sabiam algumas informações a respeito do lugar que procuravam, e após alguns dias de buscas, passaram em frente a entrada do esconderijo. Reconheceram o local imediatamente, pois era idêntica àquele do set de filmagens que lhes era tão familiar.
- Chegamos! – Festejou Jared entusiasticamente. Tirou a chave que carregava no bolso, e abriu a porta sem dificuldade. O lugar era de fato majestoso por dentro. Jensen entrou correndo, se esquecendo que ainda estava dolorido. Mas quem se importava? Finalmente eles tinham um lindo e seguro lar para chamar de seu.
Encontraram o quarto de Dean, todo decorado com facas.
- Não gosto dessa decoração... – Jensen foi logo dizendo. – Que tal a gente fazer umas mudanças?
- Faça o que você bem quiser, meu amor – respondeu Jared – Contanto que aqui tenha uma cama de casal para nós dois... Faço questão de dormir com você.
Jensen sorriu. Estava depois de muito tempo se sentindo alegre e entusiasmado. Ele e Jared entraram na internet e encomendaram uma linda e confortável cama que seria seu ninho de amor. Depois, Jared saiu sozinho para comprar comida, produtos de limpeza e itens de farmácia. Jensen dessa vez não reclamou. Saiu dando seus toques pessoais à casa, espalhando fotos românticas com ele e Jared juntos.
O moreno voltou segurando um lindo arranjo de flores que ofereceu ao "namorado".
- Meu, Deus... – disse Jensen corando – você me faz o homem mais feliz do mundo... Eu te amo!
- Eu te amo mais – respondeu Jared, apertando o louro em um abraço.
Jensen colocava as flores num vaso, quando ouviu o telefone de Jared tocar. O moreno atendeu.
- Garth?
- Oi Jared, estou ligando para saber como estão você e seu irmão... – disse o caçador.
- Estamos ótimos, muito bem mesmo... – disse animadamente.
- Escuta, eu só queria saber se vocês teriam condições de me ajudar em uma tarefa. É a última coisa que preciso fazer para fechar a porta do purgatório... E eu preciso de ajuda... – Garth então disse humildemente. – A verdade é que os caçadores estão escassos ultimamente... Então pensei em vocês dois...
- Claro, Garth! Pode contar conosco! O Dean já está se sentindo bem melhor. Acho que ele vai gostar dessa aventura.
- Hmmm... Certo. Mas lembre-se, isso não é nenhuma brincadeira, Sam. É muito sério...
Sam concordou. Estava animado em poder participar da caçada, pois há tempos não fazia nada além de cuidar de Jensen. Combinou de se encontrarem com Garth no dia seguinte para ele lhes contar sobre a prova. Assim que desligou o telefone, Jared viu Jensen olhando para ele assustado.
- De que aventura você estava falando? – o louro perguntou.
- O Garth convidou a gente para ajudá-lo a fechar o portão do purgatório! Parece divertido!
Jensen fez beicinho "- você sabe que eu tenho medo..."
- Ahh, não, Jen... Você não precisa ter medo nenhum, porque eu vou estar ao seu lado, e vou te proteger. Não se esqueça que estamos no meu mundo, e eu te amo. Não vou te perder de vista um segundo.
Jensen, apesar de se sentir um pouco inseguro com ideia de sair caçando monstros perigosos, teve que concordar que seu medo era infundado.
- Ahh, e além de tudo vou me certificar de que fecharemos mesmo esse tal portão, e aí monstro nenhum vai poder te assustar... Talvez o Garth realmente não consiga realizar a tarefa sem ajuda... – acrescentou o moreno.
Aquela noite Jensen e Jared dormiram nas antigas camas de Sam e Dean, que foram unidas para que o casal pudesse dormir juntinho. No dia seguinte bem cedo, a tão sonhada cama de casal chegou. Logo depois de colocá-la no lugar, os rapazes foram se encontrar com Garth em um bar não muito longe dali.
Garth não confiava 100% nos dois irmãos, não depois do que haviam aprontado da última vez que estiveram juntos... Mas dessa vez ele precisava realmente de ajuda... Pretendia fazer todo o trabalho difícil, deixando para eles as partes mais simples.
Quando Jensen e Jared chegaram, Garth já estava sentado em uma mesa bebericando uma cerveja gelada. O caçador os cumprimentou amigavelmente:
- Bom dia, rapazes!
- Bom dia, Garth!
- Bem, vamos direto ao assunto – disse ele. – Não há muito tempo a perder. Precisamos fazer o ritual hoje mesmo.
- Certo, pode dizer – disse Jared, interessado.
Garth estendeu um papel para Jared com um texto em latim, e uma pequena bola prateada para Jensen.
- Prestem atenção, rapazes. O trabalho de vocês é simples... Mas tem de ser feito com seriedade, ok?
- Claro... – concordaram os dois.
Ele então começou a explicar o que deveria ser feito. Ele, Garth, iria caçar a última criatura sobrenatural que ainda estava solta – Gale, O Dentuço. Sam e Dean deveriam estar esperando por ele em um determinado local, onde se localizava a entrada do purgatório. Assim que Garth chegasse com Gale, Sam deveria ler as palavras em latim. A porta então se tornaria visível. Garth atiraria Gale para dentro, e logo em seguida Dean deveria atirar a bolinha também. A bolinha prateada servia como uma chave poderosa, que trancaria de vez a porta do purgatório.
- Parece bem simples mesmo – comentou Jensen – ai, hmmmm – gemeu ele baixinho em seguida.
Gale então notou com horror que Sam estava com uma das mãos por dentro da roupa do irmão mais velho, fazendo sei lá o que... Ficou extremamente sem graça, principalmente porque os dois pareciam não se importar nem um pouco em esconder nada, nem dele nem de ninguém.
- Rapazes, por favor... o que é isso? – finalmente disse, com uma vozinha fraca.
- É o amor... – respondeu Jared, beijando Jensen na boca, calorosamente.
Garth se engasgou com a cerveja, e resolveu ir embora dali. Se Dean e Sam haviam assumido um amor incestuoso, o problema era deles... Contanto que fossem eficientes em ajudá-lo com a tarefa...
Então, na hora marcada, Jensen e Jared estavam no local indicado por Garth. Jared olhava aquele texto enorme em latim. Era muito complicado, mas ele não estava nem um pouco preocupado com aquilo. Ele era Deus, e o evento se desenrolaria de acordo com sua vontade.
Quando Garth chegou com Gale nos braços, Jared começou a ler. Teve dificuldade, e começou a trocar algumas palavras. Depois começou a dizer qualquer coisa que lhe passasse pela cabeça e que soasse como latim. Terminou a "leitura", mas nada da porta se abrir... Garth ficou nervoso, sem saber o que fazer. Aquilo não estava saindo como planejado...
- Tente de novo! – gritou ele para o Winchester mais novo.
Garth acabou perdendo o foco e Gale conseguiu cravar seus dentes em suas mãos. O pobre caçador aguentou firme, e apesar da dor não o soltou. Jensen, quando viu aquilo, se assustou com o sangue e soltou a bolinha de prata. Imediatamente uma porta se abriu.
- Oba! – gritaram os atores – Joga o dentuço lá dentro!
Mas o que Garth viu, horrorizado, foi que a poderosa chave destrancara a porta do inferno, soltando novamente todos os demônios, que com tanto trabalho, ele havia prendido há tempos atrás. A única coisa que pôde fazer foi soltar Gale e sair correndo. Gritou:
- Fujam, rapazes! Corram e se escondam, porque os demônios estão a solta!
Jensen a Jared correram como loucos e se enfiaram no Impala. Jared dirigiu o mais rápido que pôde, voltando para a sua fortaleza protegida. Jensen foi chorando o caminho todo, de tão apavorado que estava. Garth também conseguiu alcançar seu carro antes de ser massacrado. O pobre chorava mais que Jensen. Como pudera colocar tudo a perder confiando naquela dupla de malucos?
