Vida nova

Os três demoraram mais alguns minutos dentro do quarto onde eles guardavam as roupas, mochilas, uma espécie de vestiário. Cada segundo parecia prolongadas horas e o tempo não passava.

Sem perceberem, as meninas deram as mãos. Talvez por impulso. E finalmente os três saíram. Darien tinha os olhos vermelhos, Andrew ainda chorava e Setsuna, assim com Darien, com os olhos vermelhos. Os dois sentaram-se no sofá, e as meninas ficaram em pé enquanto Setsuna falava.

-Meninas, eu sinto informa-lhes que algo muito triste aconteceu, vocês já devem ter percebido. Infelizmente a avó de Andrew e Darien faleceu hoje à tarde. Foi há algumas horas e o funeral vai ser ainda hoje. –Setsuna sabia que as meninas logo perguntariam assim que digerissem a noticia então continuou explicando com a voz trêmula. –Não sabemos o que aconteceu. Ela estava bem de saúde, não comentou nada sobre alguma dor ou doença com ninguém. Então acreditamos que chegou a hora dela...-A voz de Setsuna se esvaia conforme ela falava. E o choro triste de Andrew aumentava.

Darien sentiu o coração dilacerado. Sabia que seu irmão se sentia como ele, mas ainda sim para ele seus sentimentos pareciam piores. Quem seria o próximo?Por que ela? Várias perguntas rolavam por sua cabeça, não havia resposta para nenhuma.

Eles marcaram de se encontrarem no apartamento de Setsuna para saírem juntos. Porém Setsuna não acompanhou Serena para casa, pois tinha alguns problemas para resolver, ela pediu para que as meninas fossem juntas para o seu apartamento.

Elas andaram caladas, soltavam solitárias lágrimas no caminho. Não havia o que ser falado, não havia palavras para aquele momento. Não havia mais ou menos sofrimento. Todos sofriam agora, cada qual com sua dor, com sua reflexão, com sua lágrima. Serena não sabia para onde estava indo. Ela estava perdida em seus pensamentos e apenas acompanhava o fluxo, duas ou três vezes teve que apressar o passo, pois tinha ficado para trás. Elas não reparavam nos olhares curiosos que fixavam no rosto de quem passava por elas. Elas nem os viam.

Rey, a mais atenta, percebeu que alguém estava seguindo-as. Discretamente ela falou para Lita, mas antes dela poderem pensar sobre o que fazer, surgiu um homem na frente das meninas.

-Onde as bonequinhas vão ... numa hora dessas..tarde... –O seu bafo de bebida impregnou o ar – chorando?Eu ajudo vocês... vêem.. tem um lugar ótimo para garotas assim... bonitas...-O choro de Serena aumentou. Rey não soube se por medo ou por outra coisa, mas resolveu agir já que ele não parecia que as deixaria em paz.

-Com licença, nós já temos um lugar para ir-Rey começou a andar, mas o homem moribundo não saia de sua frente.

-Que linda.. está brava amor?-Ao dizer isso o homem levantou o braço para tocar o rosto de Rey.

As próximas ações aconteceram quase que simultaneamente. Amy abraçou Serena que chorava ainda mais forte. Rey deu um tabefe no homem para que ele não encostasse nela e começou a xingá-lo. Lita fechou os punhos pronta para revidar se o homem pensasse em fazer algum movimento brusco.

Ele pensou e o fez, meio cambaleando ele se jogou em cima de Rey que continuava xingá-o. Mas ela não chegou a sentir o moribundo encostar nela. Ela viu Yaten entrar na sua frente e deter o homem. Em um movimento rápido e gracioso ele o derrubou e começou a fazer um discurso que o moribundo não compreendia, talvez pelo álcool,talvez pela incapacidade de compreensão. Mas mesmo assim, Yaten serviu para assustá-lo. Hélios e Taiki verificaram se as meninas estavam bem. Hélios, tímido, retirou um lenço e ofereceu a Serena.

-Não precisam se preocupar meninas, -Yaten virou para elas e encarou Rey em especial- Se não se importarem iremos acompanhá-las. As ruas podem ser perigosas a essa hora e..-Rey não deixou que ele continuasse.

Rey que estava preparada para bater no bêbado transmitiu sua raiva pra Yaten e deu-lhe um tapa. Seus olhos pegavam fogo. Como ele se pode fazer isso? Elas não pediram ajuda em momento algum, estavam muito bem sozinhas, não precisavam de nenhum príncipe para salvá-las, ainda mais um príncipe como ele. Como se bate em alguém com graciosidade? Isto era o que mais irritava Rey, ela realmente não se importou com a "ajuda" mas se importou com a reação que teve em vê-lo agir.

-Rey ele estava tentando ajudar...-Lita falou segurando o ombro da morena. –Obrigado meninos, mas é melhor nos irmos indo. Não está tão tarde assim de qualquer jeito.

Rey ia revidar, começar a discutir com aquele playboy que achava que podia fazer o que bem lhe entendesse. Serena já conhecia o gênio explosivo da garota, sem dizer nada pegou no braço dela e seguiu andando. Assim Amy e Lita acompanharam-nas deixando os meninos para trás.

-Você acha que devemos continuar a segui-las?-Perguntou Hélios numa distancia na qual elas já não poderiam ouvi-los.

-Elas parecem que sabem se defender, e como disse Lita, não está tão tarde...-Respondeu Taiki que acompanhava as garotas com o olhar.

-Vamos. –A voz de Yaten soou mais como uma ordem. E ambos sabiam que não seria uma boa idéia contrariá-lo. Hélios na verdade ainda procurava entender porque Yaten não reagiu ao tapa e ainda mais, porque queria permanecer com a escolta. Ele olhou para Taiki curioso, mas Taiki permanecia sério. Talvez estivesse pensando a mesma coisa.

Lita percebeu que os garotos continuavam a escoltá-las. Preferiu não comentar nada, pois o que não queriam e não precisavam era de confusão.

No elevador, Rey pediu desculpas as garotas pelo que aconteceu. Mas quando se virou para vê-las achou Serena bem estranha.

Seu choro havia diminuído, as lágrimas ainda rolavam por seu rosto, mas estava pálida e tremia. Seria idiota perguntar se ela estava bem. Enquanto decidia o que fazer, o elevador chegou a seu destino e elas entraram.

Serena sentou-se no sofá e ficou ali até alguém voltar e ficar ao seu lado. Lita, seguindo as instruções de Setsuna, pegou algumas roupas pretas emprestadas de Serena e entregou para as meninas. Serena pegou a roupa que Lita lhe entregou e foi se trocar no quarto.Lita tremeu quando Serena trancou a porta."Talvez os meninos fossem necessários caso algo acontecesse" pensou com sigo mesma. Felizmente Amy tinha esquecido seus óculos no banheiro de Serena e bateu na porta, Serena abriu-a e depois que Amy saiu ela permaneceu entreaberta.

Sua mente também era preenchida por milhares de perguntas sem respostas satisfatórias. Serena sentia o corpo pesado, a senhora costumava lhe chamar de anja. Ela se sentiria extremamente feliz se pudesse ter dado a sua vida dela pela a da senhora. Não pode protegê-la, será que poderiam ter feito algo que tivesse mudado isso? Talvez ela ainda estivesse viva. Que tipo de anja seria se não pode ajudá-la? Depois de várias conversas animadas no Game, nunca reparou em nada, em nenhum problema, em nenhuma doença. Setsuna poderia estar certa quando disse que a hora dela chegou, mas Serena discordava. Os meninos, a bebê. Então sentiu-se ainda mais triste, quem cuidaria da bebê?

Enquanto sua mente vagava, seus olhos caíram sobre a roupa de Lita lhe ofereceu. Pela primeira vez ela não quis o preto. Era uma anja certo? Mas mesmo assim vestiu-se.

Elas permaneceram em silêncio, juntas. Suas lágrimas não paravam de rolas sobre seu rosto. Mudava a intensidade com que elas apareciam, mas não deixavam de existir.

Amy sentia-se horrível. Ela lembrou-se da conversa que teve com Darien no hospital. E agora olhando para Serena, sentiu medo. A garota que ele descreveu no dia em que entrou no lago vestia-se como Serena.

O velório foi triste, assim como o enterro. Serena chegou a desmaiar ao lado de Lita, que rapidamente a ajudou, assim poucos perceberam o que se sucedeu. Os garotos, o pai deles e Setsuna declararam, emocionados, as virtudes daquela boa senhora. Serena permaneceu ao longe com Lita por um bom tempo. Ao lado delas surgiu Mina, que veio prestar sua homenagem a senhora, mas para não criar tumulto resolveu permanecer longe. Elas só se aproximaram depois de um bom tempo, quando havia poucas pessoas ali. Serena ajoelhou-se. Não para rezar, mas para conversar com a senhora. Ou melhor dizendo fazer uma "prece". Ela pedia desculpas por não ter podido ajudá-la, mas para recompensá-la ela se esforçaria para cuidar dos meninos e de quem fosse preciso.

As garotas, Lita, Amy, Rey foram dormir na casa de Setsuna. Por insistência da dona da casa ,Mina acompanhou as meninas no jantar. Porém nenhuma delas estava em clima para comida, então não pode ser chamado de jantar. O clima de tristeza que se abateu sobre elas foi muito forte e em parte. Serena chegou a se sentir envergonhada, pois sentia uma grande dor pela morte da senhora. Ela dividiu sua aflição com sua tia, que a tranqüilizou dizendo que não tem o porque ela se sentir assim. A avó dos garotos era uma pessoa muito boa que cativava os outros com facilidade. A própria Setsuna apaixonou-se por ela quando a conheceu. Então, por mais que Serena tivesse convivido com ela por pouquíssimo tempo, sentir como se perdesse alguém muito próximo seria normal.

Mina despediu-se das meninas e partiu. Quando as garotas decidiram ir dormir, Serena pediu para ficar sozinha. Apesar da insistência das outras garotas para que isso não acontecesse e da relutância de Setsuna, que temia por alguma loucura, ela conseguiu o que queria. Assim as três dormiram na sala, derrotadas pelo cansaço. Elas não sonharam, porém tiveram um sono perturbado.

Setsuna rendeu-se ao cansaço e também dormiu. Mas antes de isto acontecer, sua mente trabalhava freneticamente. Ela tinha um grande problema nas mãos e não sabia como resolver. Teria que esperar por um milagre para que as coisas continuassem como estavam, ou o que seria o mais provável, dizer a verdade. E isto, por enquanto, estava fora de seus planos.

Serena não conseguiu dormir. Sua mente estava confusa e esgotada. Seu corpo pedia por um tempo para descansar, só não chorava mais porque suas lágrimas haviam secado, mas ainda sim não conseguia dormir. Ela não conseguia lidar muito bem com o fardo de perder alguém. Já tinha perdido várias coisas em sua vida, todas eram muito importantes. Sem ela querer, as lembranças amargas começaram a voltar. Elas misturavam-se a lembrança da senhora, e o sentimento de perda se acentuou.

Ela então começou a chorar, porém seu choro era ainda mais depressivo pois não havia lágrimas para escorrer. Ela engolia o pranto, os soluços, com medo de acordar os demais. Um mal estar se abateu sobre ela, até que decidiu tomar um banho para aliviar. Não se preocupou em molhar o cabelo, ela se concentrou na água que escorria por seu corpo. Ao rever algumas marcas, seu mal estar aumentou. Sentia o relevo em sua pele devido à cicatrização. Quis gritar. Cada marca possuía um significado, representava um momento de desespero, a tristeza que lhe corrompia a alma, uma perda. Quase que automaticamente um pensamento passou por sua cabeça, não havia uma nova marca para a nova perda.

Talvez sua tia estivesse certa, talvez ela precisasse de ajuda. Talvez. Talvez fosse por isso que não conseguiu ajudar a senhora, porque não tinha sido ajudada antes. Quem seria o próximo? Quem ...Ela ajoelho-se. Nem a água parecia lhe fazer sentir melhor. Ela levantou o rosto e deixou as gotas baterem em seus olhos. Quem sabe se assim não conseguiria ver as cosias mais claramente? Quem sabe..talvez..

Darien ainda não tinha conseguido dormir. Ele revivia cada momento de sua infância. Agradecia pela família que tinha, mas agora preocupava-se. Parecia que ele espantava a todos. Só lhe restou o irmão. Sua avó, tão boa. Sempre com os conselhos certos, sempre achando alguma forma de acalmá-lo.

Um dos momentos que relembrou, agora com grande saudade, foi uma das únicas brigas que teve com Andrew. Eles não eram mais crianças, mas ainda se comportavam como as vezes. Andrew tinha se apaixonado pela namoradinha de Darien. Que desde criança fora um namorador. Quando ele descobriu que o irmão gostava dela, tratou de terminar com a garota dando a desculpa mais esfarrapada e improvisada que conseguiu. Andrew veio brigar assim que soube que ele tinha terminado com a garota.

-Eu não queria ela pra mim! Eu queria ver ela feliz, se tinha que ser com você que fosse.

-Mas você gosta dela! Você pode fazer ela feliz, vai lá.. Eu fiz isso por você!!
-Não você fez isso por você. Será que não dá pra entender?

A briga se estendeu, os dois começaram a difamar um ao outro, lembrando fatos que já tinham passado. Andrew apesar da pouca idade, era mais maduro que Darien. Porém a briga tornou-se mais séria e por muito pouco os dois não partiram para uma agressão corporal. Eles foram apartados pela avó, que ouvindo a gritaria veio ver o que se tratava. Quando ela pediu que eles se desculpassem, nenhum acatou a decisão dela. Os dois emburrados e de cara fechada saíram cada qual para o seu canto. Eles ficaram semanas sem se falarem. A avó tentava reconciliá-los, mas não obtinha muito sucesso. Ela então preparou um jantar especial. Todos os doces que eles quisessem comer, toda a batata frita que conseguissem engolir. Mas para ganharem aquelas delícias teriam que se falar. Nenhum dos dois deu o braço a torcer. Eles ficaram sentados durante horas na mesa de jantar, os olhares iam da mesa para o irmão e para a avó. Tentaram convencê-la a deixá-los comer.Nada.

Andrew então tomou a iniciativa, pediu desculpa para Darien e falou que eles estavam se comportando feito idiotas e que não deviam mais passar fome. Darien também se desculpou e a avó deixou que eles comecem. Porém ela sabia que eles tinham se perdoado por conta da fome. Eles acabaram com tudo. Chocolates, bolachas, salgadinhos, batata frita. Comeram tudo, salgado, doce, quente, frio. Não importava. Assim que eles terminaram a avó pediu que fossem juntos para o quarto que ela iria levar um chá para eles. Os dois deitaram no chão e começaram a passar mal.Eles tinham comido tanta porcaria que não agüentaram. Darien então decidiu falar com seu irmão.

-Eu não devia ter tentado ganhar de você comendo...

-Nem eu...

-Você me desculpa... por tudo?

-Se você me desculpar...

Assim terminou a única briga dos dois. Eles prometeram que sempre iriam conversar sobre as coisas, os problemas, porém nenhum dos dois contou a promessa para o outro. Logo depois entrou a avó deles com um chá horrível, mas que curou logo o mal estar das crianças. Ela saiu contente do quarto quando viu que eles estavam se falando.

Darien abriu a gaveta de remédios e pegou dois comprimidos que havia prometido parar de tomá-los. Sua insônia era psicológica, diziam. Sua avó era contra ele tomar remédios, Andrew também. Ele não dava ouvidos e hoje permitiu-se quebrar a promessa feita algumas semanas antes. Sabia muito bem que aquelas pílulas seriam o único remédio que o faria dormir.

O apartamento de Setsuna amanheceu silencioso. As horas foram passando e mesmo assim ninguém levantava. Setsuna sabia que eles já deveriam estar acordados, sem muito jeito levantou-se e começou a se arrumar. Ainda não sabia o que faria quanto à pequena anja, como ela a chamava.

Ela foi à cozinha, viu que sua suspeitas se confirmaram, já passará do meio dia.. "Logo eles levantam pela fome" pensou. Assim resolveu preparar o almoço. Nunca fora uma cozinheira de mão cheia, acabou aprendendo por necessidade. Mas se orgulhava em dizer que, alguns pratos, conseguia preparar com destreza. Distraída ela acabou cortando o dedo, um corte pequeno e superficial que a fez lembrar de quando era criança. Ela e sua irmã ficavam na cozinha ajudando a mãe e, às vezes, preparavam a comida sozinhas. Ela sempre derrubava algo, quebrava um prato, estragava uma receita ou se cortava, enquanto a irmã preparava, muito bem, todos os pratos, especialmente doces. A saudade e preocupação com ela aumentaram depois das recordações.

Agora restava esperar seu prato especial cozinhar. Ela resolveu ver as meninas, na sala dormiam tranqüilas. Foi ao quarto de Serena e, antes de entrar, ouviu o chuveiro ligado. Pensou em voltar depois, mas sua intuição lhe dizia para entrar. "Bom você nunca me abandonou antes, por que o faria agora?' Estranhou uma poça d'água na quarto, assustou-se ao ver que a água continuava vindo do banheiro. Vacilou por alguns momentos, não pensou agiu. Soltou um grito mudo ao ver a sua sobrinha. Ela estava deitada nua no chão, sua pele extremamente enrugada, rosto virado ao chão. A água estava em todos os cantos do banheiro, não poderia dizer a quanto tempo ela estava lá. Setsuna respirou aliviada ao ver que, mesmo fraco, o coração batia e seu peito movia-se lentamente.

Com dificuldade Setsuna a levou para a cama, cobriu-a com toalhas e depois com cobertas. Voltou ao banheiro para dar uma arrumada geral e reparou em algo que não havia visto, havia pequenas marcas de sangue na parede. Setsuna abaixou-se e viu uma lâmina que imaginava não existir mais em sua casa. Voltou para a cama, procurou o novo machucado, achou-o.

Amy já estava acordada a um certo tempo, mas o que fez com que se levantasse foi um cheiro forte vindo da cozinha. Algo estava queimando, ela desligou o forno e sentou-se na cozinha. Assusto-se quando Sestuna entrou na cozinha apressada.

-Ah, olá Amy. –Setsuna procurava um pano e jogou o que segurava longe.

-Você se machucou?-Perguntou Amy que reparou o sangue no pano. – Se quiser eu posso lhe ajudar.

-Obrigada, mas acho que estou bem. – Setsuna não parecia nada bem. –Ah, você poderia entrar no meu quarto e me trazer um kit de primeiro socorros que tenho na primeira gaveta do criado mudo.

Amy foi ao quarto, achou o kit e estranhou o tamanho dele. Parecia mais com uma das pastas de sua mãe cheia de remédios. Voltou a cozinha mas não encontrou Setsuna, ouviu um barulho do quarto de Serena e resolveu entrar no quarto dela.

-Setsuna?

-Ah, pode deixar ai Amy. –Setsuna pensou melhor- Sua mãe é médica, você deve conhecer um pouco não?

-Sim, eu também quero fazer medicina.

-Então você atenderá sua primeira paciente. Por favor, me ajude aqui.Eu não entendo muito sobre isso.

No kit Amy encontrou tudo que era necessário para fazer um curativo. Ela não perguntou nada, apenas fez o curativo. Como sua mãe ensinou-lhe algumas coisas, ela conseguiu sentir o pulso de Serena e aconselhou Setsuna acordá-la.

-Mas como? Se ela não acordou quando a trouxe para a cama...

-Você tem café? Algo com cheiro forte deve servir. É melhor que ela acorde, precisa se esquentar, normalizar os batimentos, para podemos levá-la ao hospital.

-Duvido que consiga convencê-la. –Falou triste.

As meninas foram acordando com o alvoroço. O almoço não se perdeu completamente. Elas almoçaram e Serena, que permaneceu em seu quarto, também comeu um pouco. Amy foi conversar com ela, usou argumentos bem convincentes para levá-la ao hospital, mas não obteve sucesso e não se falou mais nisso.

Dois dias depois Serena encontrou com os irmãos, Andrew e Darien. O ar triste prevaleceu no encontro e, durante a conversa com eles, Darien se mostrou muito distante. Setsuna pediu que ela fosse ajudá-los com algumas tarefas. Lita foi acompanhá-la e acabou ficando sozinha com Andrew, enquanto Serena foi atrás de Darien.

Ele percebeu a presença da garota, mas não se virou, continuou olhando pela janela. Ela não falou nada, pôs a mão sobre o seu ombro e respirou fundo. De algum modo, sabia que Serena teve um problema. Ele lembrou-se do que Amy lhe disse no hospital, já havia associado Serena a garota que permeava seus sonhos. Água, muita água sobre a garota que se afogava em sua tristeza, que a puxava-a para o fundo do lago. Foi assim que interpretou seu delírio. Mas agora não pensaria nisso, a dor em seu peito ocupava toda sua atenção.

Um choro baixo invadiu a sala. Darien não disse nada, olhou para Andrew que lhe entregou uma mamadeira e entrou no quarto.

Serena e Lita estranharam a situação, Andrew explicou para elas.

-A mãe da menina morreu?

-É...Nós vamos adotá-la.

Darien voltou com a menina no colo. –Ela não está com fome, mas não para de chorar.

Serena foi até ele, acariciou o rostinho macio da menina. Num momento quase mágico, a menina parou de chorar. Serena pegou-a no colo e sorriu.

-Acho que ela gostou de você. –Disse Andrew.

-Onde estão as coisas dela? Eu acho que ela precisa trocar a fralda.

-Como você sabe? –Perguntou Darien desconfiado.

-Não sei. –Serena virou a menina devagar e puxou a fralda. – Agora sei.

Darien levou Serena ao seu quarto, onde estavam as coisas da menina. Ele a ajudou a arrumar a cama, onde pôs a bebê para poderem trocar a fralda.

-Ah, que cheiro. –Serena riu com o comentário dele, divertiu-se com a cara de nojo ao ver o conteúdo da fralda.

-Você vai ter que se acostumar com isso. Não é minha linda? Como ele vai cuidar de você?

Serena, sem ter muita certeza do que estava fazendo, trocou a fralda dela. Lembrou de quando era pequena e sua mãe dizia que era importante o talco.

-Você sabe se tem um talco aqui?

-Não- Ele olhou na bolsa- Mas tem um creme.

-Deve servir. Obrigada. Aprendeu como se faz?

-Acho que sim. Quantas vezes vou ter que fazer isso?

-Muitas. –Ela sorriu e pegou a menina no colo.

As meninas enrolaram o máximo que puderam, não queriam deixar a bebê. Os garotos tiveram que expulsá-las, e ainda sim com grande dificuldade, pois sempre que Darien tentava pegar a pequena do colo de Serena ela começava a chorar. E Serena, aproveitando-se da situação sorria feliz "viu, ela quer ficar comigo.".Mas finalmente Darien convenceu-as a saírem dali, sob a promessa de poderem voltar no dia seguinte. Quando as meninas saíram Andrew pegou a bebê e começou a brincar com ela.

-Estranho como ela não chorou nenhuma vez no colo de Serena, não?

-É, é –Resmungou Darien. Ele sentiu-se estranho com a presença de Serena perto da menina. Não sabia dizer porque, nem o que sentia. Uma espécie de visão familiar, misturados a admiração com uma pitada paterna.Darien olhou para Andrew e sorriu, ele daria um bom pai para a menina.

Setsuna estava em casa conversando com uma amiga. Dificilmente ela levava conhecidos para sua casa, mesmo quando Serena ainda não morava com ela. Gostava de ver seu apartamento sempre cheio, mas das suas crianças. Adultos costumam ser muito chatos, brincava. Sua amiga estava ali com uma missão especial. Ela era psicóloga e deveria conversar com Serena, a principio sem está saber o porque da visita da amiga. Setsuna passou os últimos acontecimentos para a amiga, que aceitou atender Serena. A preocupação da tia era parecida com o de uma mãe, se não fosse igual.

Serena chegou sozinha. Lita voltou para seu apartamento, pois tinha algumas coisas a resolver, mas fez questão de acompanhar Serena a porta do prédio. Ela entrou sorridente, cantarolando uma música da sua amiga, Mina Aiko. Estranhou a presença de alguém na casa que fosse maior de vinte anos, mas justamente por isso esforçou-se para passar uma boa impressão a amiga de sua tia. "Ela precisa sair mais, conhecer novas pessoas. Uma amiga faria muito bem, melhor não estragar tudo".

A conversa foi tranqüila, sobre assuntos sem importância. Nenhuma das três falou sobre a morte da avó dos meninos, nem mesmo sobre a bebê. Outra questão que tirava o sono de Setsuna.

Alguns dias se passaram, o Game reabriu, mas agora eles revezavam horários ainda mais, para sempre deixar alguém com a bebê. Darien e Andrew não queriam que mais ninguém ficasse com ela, pelo menos por enquanto. Por enquanto Setsuna cuidava da pequena enquanto eles estavam em aula, a tarde trocavam turnos. As meninas, Rey, Serena, Lita chegaram a perceber que, enquanto estavam no Game ou na escola ambos apresentavam sorrisos muito distantes, olhos triste, especialmente Darien. A dor que sentiam parecia apenas sanar com a proximidade á pequena. Ficavam anciosos para trocarem de turno, para acabar a escola. O sorriso voltava ao rosto deles quando contavam,animados, sobre as peripécias da meninas. Papais de primeira viagem que, até agora, estavam se saindo muito bem.

Os dias e as semanas foram passando. Para alguns parecia uma eternidade. Era assim que Serena encarava sua semana, como uma eternidade. Pela primeira vez começou a não aproveitar mais as horas que trabalhava no Game. Sua alegria voltava, completamente, quando chegava os finais de semana e ela ia para o apartamento dos meninos. As vezes Rey e Lita a acompanhavam. Amy também apareceu, assim como Mina. Marcavam saídas para o parque, brincavam. Era apenas nesse momento que tinha autorização para ver a bebê, que parecia sempre maior a cada visita de Serena. Essa regra imposta por Setsuna aborreceu Serena.

-Eu não sei mais o que fazer... Não tenho como afastá-la da criança e tenho medo, muito medo que ela descubra a verdade.

-Os meninos sabem?-Perguntou a voz no telefone.

-Não.

-Deixe que ela descubra então. Eu sou a favor de contar a verdade, mas entendo porque você não o fez. A natureza dará conta do recado. Mães e seus filhos possuem uma ligação especial, mágica. Você me disse que outro dia ela reconheceu o choro não? Mesmo nunca tendo a visto as duas se conhecem, elas sabem a verdade, talvez ainda não estejam prontas para aceitar.

-Talvez. Mas ela vai me odiar... Como vou ajudá-la depois? A minha amiga psicóloga não consegue se aprofundar muito nas conversas, mesmo porque Serena não fica mais aqui. Ela só não dorme lá porque não há cama para ela no apartamento dos meninos. –A voz do outro lado ficou ofegante, como se tomada por um susto.

-Preciso ir minha irmã. Espero que você fique bem, cuide das minhas crianças sim?

Tuuu tuuuu tuuuu

Setsuna pôs o telefone no gancho e procurou um relógio, eram dez da noite. "Aquele cafageste deve ter chego do trabalho". Ela soltou-se sobre o sofá e assim permaneceu. Tinha medo de contar a verdade para sua menina, medo da reação dela. Não sabia por quanto tempo as coisas permaneceriam desse modo. Ela adormeceu no sofá. Acordou no domingo seguinte com a claridade. Já passavam das nove da manhã e pelo que pode observar, era uma bela manhã de domingo. Ela foi para o banho e nem reparou que Serena não estava em seu quarto.

Darien acordou, mas ainda sentia-se cansado. Distraído foi ver a bebê, quer dormia no quarto de Andrew. Assustou-se ao não vê-la ali estava prestes a acordar seu irmão quando ouviu um barulho na sala. Ele, então, foi para a sala. Sorriu.

A bebe estava deitada sobre Serena, com a cabeça apoiada em seu peito. Os braços de Serena envolviam a pequena, protegendo-a. Ele simplesmente não podia deixar de olhá-las. Pareciam uma só pessoa.

-Se você visse sua cara de bobo agora... –Falou Andrew atrás de Darien. Ele olhou para o irmão, fechado a cara.-Não adianta, eu já vi você. Ta apaixonado, resta saber por qual das duas. Ou quem sabe, pelas duas.

-Não fale besteiras Andrew.

-Parecem mãe e filha não? Elas bem que poderiam ser...

-A filha da Serena morreu.

-Como você pode ter tanta certeza? –Darien não respondeu. Sabia que o irmão acreditava que a filha de Serena pudesse estar viva. Não discutiria com ele de novo. Voltou a olhá-las.-Quem sabe ela não ganhou uma outra filha?

Serena começou a se mexer. Sentiu aquele pequeno coração batendo contra seu peito e a acariciou. Os irmãos as observavam. Devagar ela começou a acordar e quando reparou nos olhos que a miravam envergonhou-se. Sabia que tinha prometido colocar a pequena no berço e ir embora.Mas simplesmente não podia deixá-la. Darien reprimiu a loira, deixou claro que ela não repetiria isso novamente e a fez ligar para Setsuna. Andrew ria do irmão, ele parecia um pai bravo.

Serena ficou brava com sua tia quando descobriu quem era a amiga com quem tinha acostumado a conversar. Logo a perdoou porque sabia que ela apenas queria o seu bem e, com muita relutância, aceitou continuar se encontrando com a psicóloga. As visitas cada vez menos freqüentes deviam-se ao contato de Serena com a bebê, que andava cada vez mais ocupada e do seu desgosto de ter que ir num psicólogo. Ela passava quase todo o seu tempo livre com Chibi-Chibi e convenceu sua tia a deixá-la passar no apartamento dos meninos também durante a semana.

Assim o tempo passou. Os jovens dividiam o tempo entre o Game, escola e cuidar da bebê. Amy, Mina e Rey visitavam a pequena e quando vinham, costumavam trazer os dois irmãos, Yaten e Taiki. A história se repetia: Yaten implicava com Rey, Taiki entrava em uma discussão filosófica com Amy e Mina se divertia ao ver que havia formado um casal, aliás, dois casais. Rey e Yaten eram muito teimosos para admitirem e Taiki e Amy, muito tímidos. Serena esforçava-se para deixar Lita a sós com Andrew, eles uniam-se cada vez mais de uma forma misteriosa. Haruka e Michiru, amigas de Mina que tocaram na reabertura do Game também visitaram eles.

A dor ainda estava presente, mas fazia parte do aprendizado, como dizia Sestuna.Eles aprenderam a conviverem juntos, nos problemas e nas alegrias. Andrew, Lita, Darien e Serena sentiam-se como pais da menina e criavam-na muito bem Às vezes uma discussão nascia, mas nada muito sério.

Setsuna via suas crianças crescerem a cada dia. Tornavam-se mais responsáveis. Ela ajudou-os quando a menina ficou doente, dividiu a alegria quando ela começou a andar e balbuciar as primeiras palavras. Poderiam ser considerados uma família, quatro pais, muitos tios e tias, até mesmo primos e Chibi-Chibi, que unia a todos.

-É na semana que vem Darien! Você não pode esperar uma festa pequena, temos que começar a preparar tudo.-Exclamou Rey um pouco nervosa.

-Mas não é uma boa idéia fazer uma festa grande Rey..

-Ainda bem que você não é o pai dela, senão a menina seria muito triste! E você Andrew, acha o mesmo que seu irmão?

-Olha só, não me mete nessa história vai...

-Rey, eu acho que temos que fazer uma festa sim, mas não precisa ser tão grande. –Falou Lita tentando acalmar a situação. –Ela só tem um ano.

- É uma data muito importante! O primeiro ano da vida dela.

-Ela ainda vai ter muitos anos para comemorar. –Disse Darien.

-Darien essa não é a questão. Ela tem que começar bem! Uma festa grande, cheia de crianças e amiguinhas dela. Até a Mina poderia cantar. Já pensou como seria legal?-Rey continuou falando e agora gesticulava com os braços, imaginando como ficaria a festa de um ano da pequena Chibi-Chibi.

-Ixi, ,mas que confusão é essa aqui ? –Serena entrou na sala, com a pequena grudada em suas pernas. Ela tinha acabado de tomar banho e, como sempre, estava muito animada.

-Eles não querem me deixar preparar uma festa grande para ela! –Os olhos de Rey encontraram com os de Serena e ela sabia que a loira concordaria com ela, ou pelo menos esperava. Agora podiam se chamar amigas, até alguns segredos dividiam. Nada de muita relevância, mas servia de estimulo para a amizade delas.

-E por que não?

-Você não pode estar falando sério, Serena. Rey quer transformar o aniversario dela no evento social do ano.-Exclamou Darien indignado.

-Vocês já perguntaram o que ela quer? –Serena abaixou-se para que a pequena pudesse olhar em seus olhos. – Você quer uma festa, ou uma feeeesstaaaa?

-Serena você não pode estar falando sério. –Reclamou Darien. "como ela vai poder escolher o que quer? É apenas um bebê"

A menina ficou em silêncio um pouco, como se pensasse sobre a situação. Então gritou: -Feeesstaaa.

Rey sorria. –Pronto está decidido.

Serena olhou para Darien e parecia que dizia "Ela sabe muito bem o que quer." Esse olhar assustou um pouco a Darien, parecia-lhe que Serena havia lido sua mente.

O domingo não estava tão calmo, mas muito bonito. Os seis foram para o parque, onde encontraram Amy. Passaram uma tarde agradável, conversando e planejando a festa da pequena. Ela, animada, corria e brincava no parque. Sempre que podia, gritava feeestaaaa, principalmente quando Rey repetia a palavra.

As tarefas já estavam todas separadas. Darien ainda não gostava da idéia, mas foi obrigado a aceitar. Rey cativou a todos com suas idéias e ele, em vão, argumentava que era o pai da menina e tinha a palavra final. Realmente, quando os papéis da adoção saíram, Darien registrou a menina como sua filha.Ele discutiu durante algumas semanas sobre quem seria o pai oficial da menina, Darien queria que fosse Andrew por considerá-lo mais responsável.Mas Andrew sabia que ele queria registrá-la, mas também queria fazê-lo. Finalmente chegaram a uma conclusão quando a menina, no colo de Darien, falou papai. Eles sempre evitavam falar "papai", "pai",. "mamãe" , "mãe" ou qualquer outra palavra que remetesse a família perto da menina, então não sabiam onde ela tinha ouvido aquilo. Talvez Serena estivesse certa quando deu-lhe o olhar de "ela sabe o que quer".

Setsuna ficou sabendo do plano dos jovens e decidiu ajudá-los. Propôs um buffet especializado para crianças, mas o único consenso é de que, a festa, seria no Game. Ela então ajudou-os a procurar lugares que pudessem alugar brinquedos infláveis e coisas do tipo. Mas surgiu um problema e ela teve que sair da cidade, porém deixou os cinco morando no seu apartamento. Serena e a pequena dormiriam na sua cama, Lita no quarto de Serena e os meninos no sofá da sala e um colchão. Eles aceitaram, mas acharam estranho o pedido.

-Mas quem cuidará da Chibi enquanto estivermos na escola?-Perguntou Andrew. Até então a menina passava as manhãs com Setsuna.

-Eu posso faltar à aula. –Propôs Serena

-Não, você já perdeu um ano. Eu falto.Além do mais estou no último ano. –Propôs Darien.

-Por isso mesmo que importante que você vá.

-Ninguém precisa faltar. Nos podemos levá-la. –Falou Andrew. Todos olharam para ele.

-á escola?-Perguntou Lita que foi a primeira a falar depois do silêncio que se instalou na sala.

-Eles não podem proibir a entrada dela. Além do mais ela vai ter que começar a estudar um dia, tem que começar a se acostumar.

-Ela tem um ano! Por que vai assistir aula do colegial? –Serena ainda não tinha entendido o porque Andrew disse aquilo. Na verdade nenhum deles.

-A escola não é só do colegial.O nosso prédio é do fundamental ao colegial. O prédio do lado é para a pré-escola. – Os outros soltaram um "Ah tá" e Andrew riu. – Vocês acharam que eu queria levá-la para a nossa aula?

Eles riram. A idéia parecia boa, só precisavam telefonar para a diretora antes de irem para o colégio. Seria por uma semana apenas. E por assim foi. Darien foi o primeiro a acordar. Já havia se acostumado a levantar cedo e o despertador ainda nem tinha tocado. Ele se levantou e foi ao banheiro. Quando saiu viu que a porta do quarto de Setsuna estava entreaberta. Entrou, sorrateiro no quarto para ver se Chibi estava bem. Pelo menos foi está desculpa que deu para si. A pequena estava bem, ocupava quase a cama inteira enquanto Serena encolhia-se num canto. Era engraçada a cena já que, por ser pequena ela é quem deveria ocupar o menor lugar. Serena começou a se movimentar e ele teve medo que ela acordasse, mas ainda sim não pode deixar o quarto. Ela apenas se espalhou um pouco mais sobre a cama, ajeitando-se para ficar mais confortável. Tão lindas.

-Anda Andrew, acorda.-Era a segunda vez que Darien o chamava e nada. O irmão começou a levantar e Darien ligou para a escola.

Enquanto o irmão falava com a diretora, Andrew levantou e foi chamar Lita. Relutou ao vê-la deitada.Seu coração começou a bater mais forte sem que ele soubesse porque. Será que o irmão estava certo? Ele estava se apaixonado por Lita? Não deu atenção, acordou-a carinhosamente e depois foi acordar Serena que já estava de pé quando ele entrou no quarto.

Lita foi se arrumar no quarto, junto com Serena enquanto a menina foi brincar com Andrew. Ela estava meio estranha e quando Serena perguntou-a o que ela tinha, começou:

-Eu.. eu estava dormindo e o Andrew me acordou. –Até então nada de estranho, mas Serena deixou-a continuar. –Mas.. eu.. estava sonhando com ele. –Ela ainda não tinha percebido qual era o problema. – Você não percebe? Eu estava sonhando com ele e ele me acordou!

-Que tipo de sonho?

-Er.. ele...eu...-Essa foi a primeira vez que Serena viu Lita ficar encabulada com algo. A morena parecia sempre tão segura, vê-la daquele jeito fez com que tivesse ainda mais certeza que ela estava amando. – Ele estava dormindo..só dormindo. Ouvia seu coração batendo e ...ele me acordou!

Serena riu. Tentou explicar para a morena que ela estava apaixonada, mas não obteve muito sucesso. No fundo ela sabia, só não queria admitir. Disse que sempre sentiu-se do mesmo jeito perto dele.

-Porque você sempre esteve apaixonada.

Darien bateu na porta e entrou em seguida, queria dar as boas novas. A diretora deixou que Chibi passasse uma semana na escola, mas pareceu não acredita muito quando ele lhe contou que tinha adotado a pequena.

-Até a diretora sabe da sua fama de pegador então?-Ele fechou a cara e saiu do quarto.

"Pegador? Como ela pode disser isso?? "

Ao chegarem na escola, foram deixar Chibi na sala. –Escola, escola! Ela gritava animada. Ao chegarem na sala a professora estranhou, os pais ou responsáveis é quem costumavam trazer as crianças e não um grupo de adolescentes. Ela cumprimentou a menina e a levou para dentro da sala, chamou os amiguinhos e a apresentou.

-Será que vai dar tudo certo? Eu acho que ela vai chorar...

-Calma Sere, qualquer coisa nós a levamos para casa. –Darien estava tão nervoso quanto a loira. Ambos estavam demasiadamente preocupados.

-Não será preciso, olhem. – Lita tinha razão. Chibi estava se enturmando muito bem com as outras crianças.

-Bom, como vêem não parece que teremos problemas. É difícil uma criança que nunca veio na escola se enturmar tão fácil com as outras. E pelo que pude perceber ela já começou a falar.-Disse a professor quando voltou para falar com eles.

-Sim ela costuma repetir algumas palavras, isso é algum problema? –Perguntou Darien.

-Não, muito pelo contrário. Normalmente as crianças só começam a aprender a falar a paritr de um ano, como a Chibi já repete algumas palavras isto indica que ela está um pouco mais adiantada que a maioria. –Serena esboçou um grande sorriso ao ouvir a professora. –Bom, eu tenho que voltar para a sala. Vocês poderiam deixar um telefone para contato caso aconteça alguma coisa?

-Sim, claro. –Lita tirou uma caneta da bolsa e anotou em uma folha o número de celular dos quatro e o nome do lado. A professora olhou para o papel e com uma cara meio estranha, despediu-se deles.

As aulas foram normais, mas o dia parecia não passar, tamanha era a vontade de reverem a pequena.

Olá,

Sei que estou a muito tempo sem postar. Mas agora anda tudo tão complicado q nem dei mais o q fazer direito.. XD

Espero q continuem acompanhando, e vamos chegando ao final dessa nossa história. Agradeço a todos q acompanharam e deixaram reviews

Bjaaum a todos