NOVE MESES PARA AMAR

CAPITULO XIV

CONTRA A PAREDE

- Hermione não se esqueça que vamos ao tal medico trouxa hoje. Às seis horas hein?

- Não irei esquecer Sra. Weasley. Respondeu Hermione com a boca cheia de torradas, para depois desaparatar.

Como se fosse mesmo conseguir esquecer! A Sra. Weasley a lembrara disso constantemente nos últimos dias. Não que ela também não estivesse ansiosa pela consulta. Estava e muito, afinal desde que madame Pomfrey a examinara, dois meses atrás, ela não tinha mais noticias sobre a saúde do neném.

E constantemente ela tinha pesadelos, em que havia gargalhadas cruéis e o choros desesperados de bebê, reclamando de fome. Isso a assustava muito (principalmente depois que começara a comer demais).

Hermione aparatou no Ministério, fazendo a mesma rotina que a levaria ate a Yard; passou pelo átrio, desceu nos elevadores e entrou no Departamento de Mistérios (hoje de uma cor amarela ofuscante); entrou na sala vai-e-vem e desaparatou no beco.

Não tinha nem cinco minutos que chegara na sala que ocupava, e Vanessa chegou com uma bomba nas mãos.

- Dumbledore descobriu quem era os dois comensais da morte, que estava na casa ocupada por Voldemort.

- Quem? - Hermione chegou um pouquinho para frente.

- Pedro Pettigrew e Minor Nott. Isso te lembra algo? – Vanessa tinha as sobrancelhas erguidas sarcasticamente.

- Mas... ele esta morto Vanessa. Isso seria impossível!

- Seria. Mas foi com o testemunho de Pettigrew e Nott que colocamos aquele desgraçado em Azkaban. Esta lembrada?

- Claro que estou. O Julgamento foi amplamente divulgado pelo Profeta. Mas como isso foi possível?

- Será seu trabalho descobrir a possibilidade disso Hermione. – declarou Vanessa sombriamente.


- Entendeu então essa parte Draco? – Gina (que estava no corpo de Carol) às vezes ria do loiro. Ele era bem obtuso para esse tipo de conhecimento.

- Pode ser – respondeu ele rabugento – essa maquina é retardada demais. Ainda não entendo o que deu em Lucio para usar isso!

Gina riu baixinho, e como estava em pé atrás da cadeira de Draco, abaixou-se e falou dentro do ouvido dele:

- Vai ver, ele sabia que teria dificuldades de se entender com esse tipo de aparelhagem.

Draco sentiu um arrepio descer seu corpo, desde os cabelos ate a ponta do pé. Havia sido assim, desde que Blair começara a trabalhar para ele: estava sentindo uma atração inressistível pela garota, e ela sabia; usava de todos os truques que conhecia para atiçá-lo e quando ele tentava avançar, ela corria. Brincava deliberadamente com ele. E ele estava gostando disso! E muito.

- Talvez tenha razão Carol. Aquela cabeça maluca, pode muito bem ter planejado isso mesmo.

Draco se levantou e foi ate a janela. Olhou para a rua abaixo e viu bruxos–empresários passando lá em baixo. Estava se sentindo estranho, e meio vago. E tinha uma ligeira desconfiança de que a lembrança de uma certa ruiva, é que provocava essa sensação nele. E isso não era nada bom mesmo...

- É lógico que tenho razão! Os Wes...- Gina congelou na hora. O que ela estava dizendo? – Os Blair sempre têm razão.

Draco levantou os olhos da janela e observou mais atentamente a garota à sua frente. Não era a primeira vez que ela parava no meio de uma frase e se corrigia. Agora por exemplo, ela quase dissera Weasley. E por que diria isso? E muita coisa nela, lhe parecia estranhamente familiar; sendo que ele só a encontrara uma vez antes e de passagem pelo colégio.

- Você é decididamente estranha Blair. Decididamente.

- É eu sei. – concordou Gina nervosamente; já dera bandeira demais. – podemos voltar ao trabalho Malfoy?

- Claro. – concordou ele muito suavemente. Mas alguma coisa no modo como ela disse seu sobrenome, o fez se lembrar estranhamente de Gina (de novo não! Pensou incomodado).


Harry estava encurralado. Pela direita se aproximava um dementador, deslizando por cima do pântano. E do lado esquerdo, ele via voando veloz em um dragão Dente de Víbora Peruano, que mesmo sendo a menor raça que existia, era rápida no vôo e tinha uma "sede" incrível de presas humanas. Suas escamas acobreadas pareciam roubar toda a luz do sol e se refletir ali, cegando temporariamente quem olhasse para cima.

O Dente-de-Víbora Peruano soltou um jorro particularmente longo de fogo na direção de Harry, deixando-lhe como única saída pular na vala aberta a sua frente.

Mas pular na vala, não foi uma atitude muito inteligente: escondidos ali dentro, havia dois Barretes Vermelhos, que com seus bastões, miravam, Harry ameaçadoramente.

Então um frio pegajoso e úmido começou a tomar conta de seu corpo. Harry, olhando por cima da borda da vala, viu um jorro de fogo do dragão de crista negra, congelar no ar; logo o bicho estava indo embora, voando para longe.

Os Barretes Vermelhos também não se demoraram. Ao que parecia, aonde chegava um dementador, todas as criaturas iam embora.

Com a vala agora vazia, e sem ameaças de bastonadas, Harry se deitou ali e esperou. E se sua idéia desse certo, ele conseguiria surpreender o "horripilante demônio das trevas".

O frio foi aumentando, os barulhos cessaram e no silencio que ficou Harry pode ouvir, distintamente o som de uma matraca, que sugava o ar e sua alegria: anunciando a morte.

Quando ele achou que o dementador se aproximara o máximo possível do seu esconderijo, se levantou num pulo e mirando bem no peito da coisa (vendo o nitidamente o rosto de Hermione) ele berrou:

- EXPECTO PATRONUM!

E um veado prata, refulgente, saiu de sua varinha, galopando ate à coisa e acertando-o com a galhada onde normalmente fica o coração.

Mas ao invés de sumir, o dementador tropeçou e caiu no chão. Então Harry entendeu: aquele não era um dementador de verdade.

Com mais um aceno de varinha e um outro feitiço ("riddiculus") Harry viu o bicho-papão-dementador se transformar em uma bailaria de cabaré do século passado.

Com uma risada estrondosa, a coisa finalmente sumiu.

- ISSO FOI BOM POTTER! – disse o professor Murkh Jerrys, de Defesa Contra as Artes das Trevas, que era um homem corpulento e bruto: como nenhum outro que Harry já vira (parecia mais um trasgo que aprendera a falar). Era também muito rigoroso nos exercícios que passava.

Harry sabia que aquele era um dos maiores elogios que o professor fazia, por isso se sentiu realmente satisfeito. Com um suspiro cansando ele deixou a sala onde fazia os exercícios e foi se juntar ao resto da turma.

- Agora, quero como trabalho extra, uma pesquisa sobre dementadores. Trabalho cientifico – completou ele de um modo ignorante e decadente. Com um ultimo aceno a turma foi dispensada.

Sozinho, já que ainda não fizera muitas amizades, Harry foi se arrastando ao longo da alameda Amarela. Quando virou na direção dos dormitórios e banheiros, ele escutou claramente uma mulher gritar dentro de uma sala de aula. Ele não teria parado, se não tivesse reconhecido a voz que gritava.

- Estou dizendo que você é a pessoa mais idiota do mundo! – foi o ultimo berro que Harry escutou, antes da porta se abrir com violência. Finalmente ele via agora quem era a mulher que conversa com seu instrutor na semana passada!

Hannah, era a estranha figura que atendera ele quando chegara ao CTA. O garoto não a via desde o dia que ela lhe fizera assinar muitos papeis. Mas os cabelos cor de rato e os olhos empapuçados ainda estavam lá. Era uma mulher feia, e sempre de mal-humor.

Logo atrás dela, saiu o Sr. Woodcrofth, com uma cara também de poucos amigos.

- O que esta fazendo por aqui Potter? – pelo tom de voz, Harry viu que ele estava profundamente aborrecido.

- Estou indo tomar banho antes das aulas da tarde, senhor – Harry tentou falar com a voz mais neutra possível, mas a curiosidade o consumia: "O que é que aqueles dois tinham, que brigavam tanto?"

- Pois então continue seu caminho moleque.

Harry continuou e logo chegava à alameda Azul. Queria muito discutir o assunto com alguém, mas Rony não iria se interessar e Hermione, bem Hermione era um caso a parte. E ele tinha certeza que ela nem falaria com ele.

- Ola Harry – chamou uma voz animada do outro lado da rua.

- Como vai Neville? – Harry tinha uma voz baixa e fraca. Tanto que Neville teve que atravessar a rua para falara com ele.

- O que disse Harry? – a animação do outro, feria os ouvidos de Harry. Ele queria tomar um banho e se deitar. Somente isso.

- Você esta bem? – perguntou Neville preocupado, ao ver que Harry não respondia sua pergunta – você não me parece bem.

- Acabei de ter uma aula pratica de Defesa Contra as Artes das Trevas. Estou moído.

Neville o olhou assustado.

- É tão ruim quanto andam dizendo?

- É desgastante. Tem uma tensão que te deixa muito mal. – de repente Harry teve uma idéia: Se não podia contar com Rony e Hermione, Neville certamente seria uma boa companhia. O colega ficara muito melhor, menos trapalhão e mais esperto.

- Hum... escute Neville. Eu agora estou muito cansado, mas será que podemos nos encontrar amanhã no café? Tem uma coisa que eu realmente queria discutir cm você.

- Tudo bem. Se eu fosse você mataria as aulas da tarde e iria para cama. Não esta se agüentando em pé.

- É provavelmente farei isso. E se vierem me chamar, eu vou comer um daqueles doces dos gêmeos e fingir que estou doente de verdade.

Neville riu e seguiu para os refeitórios. E Harry pensou que comer uma Vomitilha não seria mesmo má idéia.


- É como estou dizendo para você Rony – explicou Carol (no corpo de Gina) meio aborrecida – mesmo que ela, teoricamente, não namore bruxos não quer dizer que você não deva tentar!

Rony bufou. Gina estava insistentemente irritante.

- Já disse para parar de me aborrecer Gina. Essa garota, com ou sem suas esquisitices, não é mais do meu interesse.

- Então ótimo! – Carol estava realmente aborrecida – se você quer bancar o palhaço e sofrer pelos cantos, eu não vou fazer mais nada!

Rony meio que cuspiu o suco de abóbora gelado que estava tomando.

- Eu... Eu... – sua voz tremeu e suas orelhas ficaram da cor de carne crua – não sofro pelos cantos!

- Não sofre – zombou Carol – é claro que não. Só fica com olhos de cachorro pidão para cima de mim!

Rony franziu as sobrancelhas.

- Você?

- É... Não... – agora era a vez de Carol gaguejar – para cima da Carol, Rony. Você me deixa tão nervosa que acabo me confundindo!

Ele ainda a olhou um tanto desconfiado, mas em seguida largou essa besteira de lado "devo estar biruta!"

- Rony! – chamou Lupin, com uma voz animada, da oficina – venha ate aqui ver isso.

O garoto foi, não sem antes olhar mais uma vez para irmã e imagina que ela se não era ela que estava ficando doida.

Carol suspirou aliviada; e tomou um bom gole de suco para se acalmar.

- Ufa! Se ele fosse menos tapado, teria percebido alguma coisa estranha! – disse baixinho para a cozinha vazia.


- O que esta fazendo Hermione? – perguntou Vanessa da porta. Ela nunca batia antes de entrar.

- Lendo o interrogatório de Alexander Jonas- ela ergueu os olhos do papel – novamente.

- E quanto àquela outra pesquisa? O já descobriu alguma coisa? Hermione olhou indignada para a chefa.

- Claro que sim! Mas não quero falar disso agora! – Vanessa foi se sentando na linda poltroninha branca em frente à mesa de Hermione – Eu estava lendo essa baboseira aqui e descobri algo realmente interessante.

- O que? – Vanessa se acomodou melhor. Meio que relaxou na cadeira.

- O Sr. Jonas disse que pediu um empréstimo para terminar a faculdade...

- Isso.

- Bom, eu falei com o reitor de Oxford e depois das ameaças, que você me ensinou a fazer, o homem me disse que foi um doador anônimo que pagou as mensalidades.

- Anônimo é?

- Pois é. E não me disseram mesmo quem era ele. Acho que terá de conseguir um mandado Vanessa. Somente assim eles vão falar alguma coisa que preste.

- Hum... – Via-se que estava aborrecida. Os olhos, normalmente azuis, estava mudando para violeta lentamente. – irei providenciar isso. Amanhã estaremos lá!Mais alguma coisa? E a pesquisa?

- Eu tive uma idéia, e sei que será bem difícil de fazermos isso, mas acho que será o único modo.

Um leve arquear de sobrancelhas foi à resposta que Hermione obteve. Ela sabia que Vanessa detestava enigmas. Fora por isso que virara detetive: para descobrir os enigmas.

- Acho que uma exumação do cadáver e um exame trouxa de DNA resolveriam esse problema. Então teríamos uma pista sobre essas mortes.

- Vou pensar sobre isso. – disse Vanessa abruptamente. Se levantou e estava já na porta, quando Hermione com uma voz vacilante perguntou:

- E Greg? Você já o afastou?

- Não se preocupe com ele Hermione.

Mas pelo tom de voz de Vanessa e pela batida na porta, Hermione achou que era para se preocupar.


Às seis horas se aproximavam e Molly já se achava no Átrio do Ministério esperando por Hermione e Gina. Ela olhava de modo desfocado para a fonte (que no momento tinha o rosto de Dillys Derwent). Detestava esperar e Gina sabia disso.

Quando a fonte mudou de rosto novamente, Gina e Carol chegaram.

- Ora ate que enfim! Vocês duas hein? Francamente! – ralhou ela em voz baixa – e Hermione não é muito melhor afinal, já que também não sabe chegar na hora.

- Oh por favor – começou Gina (que ainda estava no corpo de Carol) e parou de repente – eu quero muito ir ao banheiro. Inventou apressadamente, por que a Sra. Weasley olhava para ela de um modo estranho.

- Sinto muito querida. Mas só quando chegarmos ao consultório do médico, e se chegarmos!

Como a Sra. Weasley estava extremamente irritada, nenhuma das duas falou mais nada. Embora Carol ainda sentia uma louca vontade de rir do furo da amiga.

Hermione finalmente chegou, meio ofegante e pediu desculpas. Que lógico foram prontamente aceita, mas a Sra. Weasley deu um longo sermão pelo caminho ate o médico.

O consultório era exatamente como essas coisas trouxas tinham que ser: tinham paredes pintadas de creme e quadros lindíssimos, mas as cadeiras da sala de espera eram realmente desconfortáveis.

Hermione que entrava no quarto mês de gravidez, estava começando a se sentir incomodada com cadeiras daquele tipo; Eram de plástico branco e parecia que iria cair a qualquer momento.

- Hermione Granger – chamou a secretaria da Drª. Cabbot. Quando as quatro se levantaram, muito firmemente a mulher falou: - somente uma acompanhante por favor.

Gina e Carol, é claro foram escolhidas... para ficarem na sala de espera. Elas não fizeram caras agradáveis ao ver a Sra. Weasley passar com Hermione para o consultório.

A Drª Cabbot era uma pessoa mediana: nem alta nem baixa, nem gorda nem magra, nem feia nem bonita. Parecia simplesmente uma pessoa comum demais, e não tinha nenhum traço realmente marcante.

Foi uma consulta agradável, com a medica deixando Hermione o mais a vontade possível (embora isso tenha sido ligeiramente arruinado pela Sra. Weasley que escondia sua irritação com a trouxa de modo não muito eficaz). Hermione tirou todas as duvidas e recebeu bons conselhos (se tiver com sono, não resista: durma!).

- Venham por aqui. É onde fica nossa aparelhagem de ultra-som. – a voz a drª também não tinha diferenciação: tudo normal demais.

Uma adolescente ajudou Hermione colocar uma longa camisola de exames (que não serviu de muita coisa, já que teria que estar nua), e a levou para a maca.

A drª fez vários exames de toques (particularmente embaraçosos) antes de espalhar um gel transparente sobre a barriga ligeiramente protuberante de Hermione.

E então Hermione viu: o coração de seu filho ou filha batendo forte, a mãozinhas (que a drª apontou no monitor), viu o formato dele pequenininho e lagrimas de alegria vieram aos seus olhos. Quando se virou viu a Sra. Weasley enxugando lagrimas também.

- É lindo Hermione. Muito lindo mesmo! – disse Molly emocionada.

- Você quer que eu grave para o futuro papai ver Hermione – perguntou a medica, depois que as duas se recuperam do acesso de choro.

- Eu quero sim – Hermione fez uma pausa, pensando se devia ou não falar, por fim decidiu pela verdade – mas não é para o pai: ele não aceita o bebê. Quero mostrar a outras pessoas.

Ao ouvir a confissão de Hermione, a medica não alterou em nada seu comportamento. Mas, no final da consulta, depois de entregar a fita, e Hermione e a Sra. Weasley já estarem na porta, a medica sugeriu amavelmente:

- Se você quiser Hermione, pode mandar seu ex-namorado vir falar comigo. Pode ser bastante proveitoso.

- Vou pensar drª Cabbot, mas obrigado assim mesmo. E ate o mês que vem.

- Ate Hermione – ela se despediu normalmente, como tudo o que fazia.


Sirius e Lupin ficaram como dois babões na frente da tv, assistindo aos dez minutos de fama do bebê. Parecia que eles é que eram os mais interessados nisso tudo.

- Ei olhe Aluado – disse Sirius apontando com o dedo, o coração minúsculo do bebê – olhe como bate forte! (ele disse a mesma coisa nas outras três vezes que vemos esse vídeo – resmungou Gina) vai ser um campeão da grifinória!

- É, e faremos um Mapa do Maroto muito melhor! Revisado e reeditado – sonhou Lupin.

- Agora chega! – disse Gina, já em seu corpo mesmo – vocês já virão o suficiente para encher o Tamisa de baba. Nós estamos indo e vamos levar tudo embora....

- Não vão não! – esbravejou Sirius, ainda olhando a tela como besta – isso pode ficar aqui mais alguns dias não pode Hermione? Queremos ver mais ele... é tão lindo.

- Ahhh... Sirius, os outros Weasley também querem babar em cima da fita – disse Hermione desapontada – acho que seria cruel com eles, não acha?

- Não. De verdade. Mas então podemos fazer uma copia da fita, e você pode deixar aqui com a gente... – sugeriu ele com uma cara esperançosa: era quase impossível resistir quando ele fazia assim, ficava parecendo tanto um cachorro sem dono...

- Vamos fazer o seguinte Sirius – sugeriu Gina, que tivera uma ótima idéia – nós levamos tudo embora, e o pessoal lá de casa vê o vídeo. Então sábado eu trago uma copia da fita e você compra seu próprio aparelho trouxa. O que acha?

Sirius concordou. Sabia que Gina entendera suas intenções.

- Que bom então que estamos acordados – alegrou-se Hermione que nada percebeu, (estava em um dos seus horários de sono). – Vamos embora Gina. Quero dormir e amanhã tenho muito que trabalhar.

Em cinco minutos elas juntaram tudo e aparataram para a toca (usando o cinto de segurança de Hermione).

- Será que essa idéia vai dar certo Almofadinhas? – Lupin expressou sua preocupação.

- Não sei Aluado, mas não posso permitir que Harry aja como um idiota para sempre. Tem limites.

Lupin achou melhor não dizer nada.


- Vamos Rony, deixe de ser medroso. Eu só quero ir lá fora um pouquinho – suplicou Carol, que não pudera ir com as meninas na casa de Sirius e Lupin.

- Se você não esta com medo, vá sozinha então – retrucou Rony de maus modos. Estava tentando estudar um complicado diagrama de motor de motos.

- Voc pode estudar lá fora Rony – por Merlin que ela tentava não perder a paciência com ele: mas o cara era cabeça dura! – e eu poderei ver a lua. Vamos, por favor.

- Rony isso é modo de tratar uma visita? – ralhou a Sra. Weasley na porta da cozinha – acompanhe Carol até lá, afinal não foi essa educação que sua mãe lhe deu!

Como sempre acontecia, Rony obedeceu a mãe (não que tivesse isso calado, escutava-se nitidamente seus resmungos enquanto saia da cozinha com os diagramas flutuando no ar à sua frente).

- Obrigado Rony – Carol respirou profundamente – precisava mesmo de ar fresco.

- Não sei porque – replicou azedamente – você passa o dia todo na rua, então para que mais ar fresco?

Carol ia responder, mas como poderia denunciar seu disfarce ficou quieta.

"Pelo menos ela calou a boca!" Pensou Rony aliviado.

- Então o que é isso que esta fazendo? – ela perguntou, como se tivesse adivinhado seus pensamentos e resolvido contrariá-los. – e o que há de tão complicado em lançar feitiços voadores em motos? – Carol espiou o grande diagrama que Rony estudava.

Ele quase gemeu de frustração! "o que há de tão complicado?..."

- Garota – começou ele, falando entre os dentes – eu não quero conversa com você! Só estou aqui porque minha mae, delicadamente pediu. E não olharia na sua cara, se não estivesse passando as férias na minha casa. Não depois das suas fotos e saídas com aquele ridículo trouxa...

- Oohh! Então você vai finalmente falar o que esta sentindo – Carol estava bem magoada com as palavras ferinas dele – isso é realmente bom, porque é bem chato ver as pessoas fazerem cara feia e ranger os dentes sem entender o que se fez.

- E ainda precisa de explicação? – Rony parou de fingir que o diagrama era interessante – você aparece no jornal com um almofadinha trouxa, depois faz uma visita com ele na mesma fabrica em que trabalho! Mas é muita cara de pau a sua mesmo.

- Acha que só porque me roubou um ou dois beijos pode começar a sentir ciúmes de mim Ronald Weasley – Carol se levantara de um pulo. – pois esta muito enganado. Saiba que é o primeiro bruxo que eu...

- Sei... que você beija é? – ironizou ele, com bastante sarcasmo – eu me esqueci! (Rony deu uma palmada na testa) você não namora bruxos não é mesmo? Ou somente os bruxos pobres? Porque eu fiquei sabendo que você anda visitando Malfoy, e que passa muito tempo no escritório dele.

Os dois estavam em pé, se olhando com as expressões mais ferozes que suas raivas permitiam. "ele é um rematado imbecil!" e no mesmo momento que pensou isso, Carol lascou um bom tapa na cara de Rony.

- Isso é para você nunca mais ousar falar que sou interesseira. Seu... seu nojento!

Como estava preste a chorar, Carol correu para dentro de casa. Rony ficou lá, debaixo da arvore, no jardim escuro, pensando se ela era mesmo interesseira.

- Imagine, nem se deu ao trabalho de negar as acusações! – resmungou ele baixinho, juntando as suas coisas.


Arthur estava simplesmente boquiaberto! Os trouxas eram fantásticos...

- Como eles se dão bem sem magia não é mesmo? – ele perguntou a todos e a ninguém em especial.

Estavam os Weasleys, Hermione e Carol no barracão do Sr. Weasley vendo ao filme de dez minutos do bebê. E o que mais parecia encantado era o dono do barracão. Mas não com o bebê em si, estava muito mais impressionado com as invenções trouxas!

- É lógico que é lindo ver seu filho, minha querida – assegurou ele a Hermione (Fred e Jorge tinham insistentemente falado que o pai não ligava para o bebê, só para as coisas trouxas) – mas é que essas maravilhas eu ainda não tinha visto. É muito interessante.

Hermione apenas riu e deixou para lá. Sabia que o Sr. Weasley estava mesmo emocionado com seu filho, assim como todos naquela fabulosa família.

- Eu sinto muito gente – despediu-se Hermione, abrindo a boca – mas estou com sono demais. Vou-me deitar, ate amanha.

Todos entraram em casa juntos, menos o Sr. Weasley que ficou para investigar mais aquelas maravilhas. Dentro de casa, eles se espalharam: a Sra. Weasley se sentou na sala para terminar um tricô; Fred e Jorge se sentaram na cozinha para conversar sobre a loja; Rony subiu para o quarto (sem nem ao menos dizer boa-noite); e Carol chamou Gina para um passeio. Hermione também, mas como estava cansada demais não aceitou.

Portanto era calmamente que as duas davam uma volta pela Toca.

- Eu acho que não quero mais me disfarçar Gina – falou Carol emburrada. Ela fizera boas representações ao ver o vídeo, mas agora podia deixar o mal-humor aflorar.

- Mas... mas... porque? – Gina estava meio congelada. "não!" gritava seu corpo. "graças à Merlin!" dizia a razão.

- Simplesmente não sei o que sinto pelo Rony, Gina. Acho seu irmão lindo e gostoso ... – Carol deu uma pausa (e nesse momento elas escutaram uma janela bater forte dentro da casa.) Olharam assustadas, mas não tinha nada fora do comum – mas simplesmente não sei o que sentir por ele. Em um momento penso que não posso namorá-lo e em outro só quero sentir os lábios dele nos meus. E no prazer que isso me dá.

Temos o mesmo problema, pensou Gina, mas não disse nada. Só suspirou audivelmente.

- É eu sei que é confuso – Carol parecia tão perdida que não viu o olhar distraído de Gina – e eu me sinto mal. Porque mesmo que eu o faça me perdoar, o que será bem difícil, não sei se poderei ficar com Rony.

Ao ouvir o nome do irmão, Gina saiu do "dracotranse" em que estava. "o que era mesmo que estavam falando? Ahh sim! De seu irmão"

- Mas... você não pode para de se disfarçar Carol. Isso não lhe daria chance nenhuma com ele.

- Você escutou o que disse? – Carol parou de caminhar e ficou na frente de Gina – eu não sei se quero ter essa chance!

- Mas mesmo assim... você... você não pode... – Como Gina a convenceria a não mudar de idéia? Se Carol parasse de se transformar, ela, Gina teria que parar de ver Draco!

- Porque não posso? – Carol ergueu as sobrancelhas. Gina sabia que teria que contar a verdade.

- Eu... eu... – por pouco Gina não disse que se sentia levemente interessada em Malfoy – eu quero fazer Malfoy pagar uma divida comigo. E para isso preciso que você continue a se disfarçar.

Carol pensou um pouco antes de responder:

- Tudo bem Gina. Você fica me devendo essa. E eu tenho uma idéia que vai poder lhe ajudar muito nessa sua vingança.

Gina sorriu, as idéias de Carol eram sempre boas.


O que as duas não sabiam, era que a dois metros dali, encolhido perto da janela Rony escutara uma parte da conversa (mas a Sra. Weasley o descobriu e o mandou dormir). Mas escutara o suficiente para ficar feliz:

"Simplesmente não sei o que sinto pelo Rony, Gina. Acho seu irmão lindo e gostoso" - ela me acha lindo e gostoso. Lindo e gostoso. As palavras ficaram se repetindo ate Rony pegar no sono.

Harry acordou se sentindo mais cansado do que quando fora dormir. Isso porque ele descobrira que não tinha mais nenhum dos doces dos gêmeos, portanto não pode fingir que estava doente. Tivera, então que agüentar as estafantes aulas da tarde do dia anterior (transfiguração).

Ele se arrastou pesadamente para a fila que ia para o refeitório. Estava cansado demais e tinha a sensação que as coisas somente piorariam.

- Ola Harry – saudou Neville que parecia bem disposto – eu terei minha primeira aula de Defesa Contra a Arte das Trevas (Harry gemeu ao ouvir isso) hoje à tarde.

Sem receber nenhuma reposta, Neville continou: - O que é que você queria falar comigo Harry?

Como que despertado de um transe, Harry contou tudo o que sabia de esquisito sobre o instrutor Woodcrofth e Hannah, a mulher da secretaria. Que achara a conversa deles estranha demais e logo depois do ataque comensal e também o grito de ontem. E que ao que tudo indicava eles não se conheciam.

- Isso é realmente estranho Harry – disse Neville pensativo – você acha que eles podem estar de alguma forma ligados ao ataque naquela casa?

- Eu não sei Neville, é que... só me pareceu suspeito.

- Então porque você não fala para Hermione? – Harry fez uma cara de quem achava Neville louco – é que, caso não saiba, saiu uma matéria no Profeta sobre ela hoje.

- Deixa-me ver, anda!

De posse do jornal, Harry leu a pequena reportagem falando de Hermione.

Anunciado ontem à noite pelo Ministro da Magia, em sua coletiva à impressa, o nome das responsáveis pela investigação dos estranhos assassinatos ocorridos na casa onde Você-Sabe-Quem matinha seu quartel General.

Hermione Granger e Vanessa Wolf, as duas inomináveis (denominação para quem trabalha no Departamento de Mistério) serão as encarregadas do caso. A Srta Wolf é uma funcionaria antiga, com mais de quinze anos de trabalhos; agora o que a comunidade bruxa deve se perguntar é se uma recém-formada de Hogwarts deveria assumir tão grande responsabilidade... Isso parece mais uma imprudência do ministro...

A reportagem (logicamente assinada por Rita Skeeter) vinha cheia de criticas a atitudes do Ministro. Mas Harry ficou feliz por Hermione, já que ela parecia ter se dado bem no emprego.

- Então vai falar com ela? – perguntou Neville que estivera observando-o enquanto lia o jornal.

- Vou pensar nisso Neville. Seriamente.


Draco apertava insossamente uma letra ou outra no teclado. Tinha uma mão apoiada no rosto e parecia babar em cima do computador. Estava com muito sono, tanto quanto era possível uma pessoa estar.

- Malfoy – gritou uma voz na sala de Sally – quer falar para essa mulher me deixar entrar?!

O rebuliço despertou Draco do estado de sonolência em que se encontrava. Quando ele chegou na porta, viu uma cena que para sempre ficaria em sua memória.

Virginia Weasley tentava de todo o modo passara pela eficaz segurança de Sally. Faltava somente as duas se engalfinharem ali (embora Gina não fosse boba de puxar briga; a outra bruxa podia usar magia e ela não).

- Bom dia Weasley – desejou ele numa voz fria e cheia de sarcasmo. As duas mulheres pararam na hora de tentar se atropelarem.

- Sr. Malfoy! – arquejou Sally dando as costas soberbamente a Gina – eu tentei dizer a Srta., que era um homem de negócios muito ocupados. Mas ela simplesmente não me houve.

- Tudo bem Srta. Mansfields – retrucou Draco tentando parecer controlado – pode deixar que eu mesmo cuido dela.

Gina apertou os olhos em triunfo para a secretaria e seguiu Draco para dentro da sala dele. Mas sabia, que a batalha ainda não estava ganha. Simplesmente mudara o oponente e campo de batalha...

- O que pensa que esta fazendo aqui Weasley? – ele tinha dado a volta na mesa e quis manter uma pose seria e distante (embora fosse extremamente complicado, já que Gina usava uma saia jeans particularmente curta) – não disse que nunca mais iria me ver?

- Não pense que estou aqui por que quero Malfoy – respondeu Gina em um tom de desdém comparável ao dele. – Apenas perdi uma estúpida aposta com Carol Blair e estou pagando ela.

Draco perdeu a fala por alguns segundos. "como elas ousavam apostar sobre ele?"

- Vocês... vocês apostaram sobre mim? – ele aumentou a voz estranhamente. Estava muito indignado.

- Mas é claro que não! – Gina descartou a idéia como se fosse absurda – apostamos outras coisas, que não lhe interessam, e como ela ganhou, terei que lhe dar essas aulas de computador.

Draco deu uma risadinha desdenhosa.

- Achou mesmo que iria querer aulas com você? – ele jogou a cabaça para trás, a olhando como se fosse um verme – nem mesmo que eu fique com trasgos dançantes!

Gina se indignou! "como ele poderia falar isso?" então uma idéia malévola brilhou dentro dela. Gina respirou fundo e partiu para o ataque:

- Então você prefere os trasgos é Malfoy? – Gina foi chegando perto da mesa – não foi isso que me pareceu quando eu fui agarrada no Baile de Formatura. – ela o acuou na cadeira – ou quando você me seguiu no Expresso de Hogwarts – Draco sentou (lê-se por isso tombar) na cadeira e Gina foi chegando mais perto.

- Ou quando você me chantageou com a gravidez de Hermione, para que namorássemos. – ela deu uma risada de escárnio e repetiu a cena de pouco tempo atrás (novamente por cima dele, o prendendo em uma cadeira) – ou quando me fez usar aquela ridícula saia machista por todo o colégio.

Gina parou para respirar e ver os olhos meio arregalados de Draco.

- Não esqueci nada do que aconteceu conosco Malfoy. E nem perdoei nada do que aconteceu. Mas sei que você é esperto e compreende que me desafiar no momento não será uma boa escolha. Você precisa de mim – ela foi chegando a cabeça mais perto dele - e eu pagarei minha divida.

- No dia que eu for um hipogrifo sem asa... – começou Malfoy.

- Nesse dia, felizmente não nos veremos mais – cortou Gina sarcástica – agora podemos passar às aulas?

Draco ainda olhou para a mulher a sua frente (não que estivesse em uma boa posição para avaliar) e teve que se render ao inevitável: precisava dela, e insulta-la não seria a melhor maneira de obter ajuda.

"Maldita Carol Blair! Maldita Weasley!" Pensou com selvageria. Mas em voz alta disse apenas:

- Essa você ganhou Weasley. Vamos às malditas aulas.

Gina saiu de cima da cadeira e com um sorriso vitorioso começou o dia.


Oxford era uma cidade que vivia em função da universidade. Mas como estavam no verão, período das férias escolares, havia ordas de turistas de todos os lugares do mundo.

Vanessa e Hermione seguiram de carro ate a cidade (temos sempre que agir do modo mais trouxa possível Hermione – respondeu ela à sugestão de aparatarem). Na entrada quase que Vanessa atropelou um jovem de bicicleta, mas depois de resolvido esse transtorno elas conseguiram chegar na universidade.

A universidade de Oxford era tão antiga quanto à cidade e Hermione ficou encantada com os muros de pedra que datavam a Idade Média.

- Imagine a biblioteca desse lugar Vanessa! – exclamou ela ao entrarem no saguão da diretoria.

- É maravilhosa mesmo. Quem sabe um dia você não ganha um curso aqui? – Hermione olhou tão encantada para Vanessa, que esta teve que rir de sua cara. – Mas vamos ao que interessa não é mesmo?

Depois que saíram do saguão, elas entraram em uma sala no fim do corredor. Era lá a sala do reitor da universidade, mas primeiro teriam que passar pelo "leão de chácara" da secretaria.

- O reitor não poderá atende-las.- disse a senhora muito empertigada. – ele esta bastante ocupado no momento.

- Nós sabemos disso Sra. Mollaw – disse Vanessa suavemente – mas temos um mandado de busca e apreensão. Por isso acho que ele terá um tempo para nos receber.

Os óculos tremeram horrivelmente na ponta do nariz anormalmente grande da mulher. Com um murmúrio inaudível ela sumiu para dentro da sala do reitor.

- Você é má Vanessa. – riu-se Hermione – deixou a coitada tremendo.

- Detesto secretarias intrometidas! – disse Vanessa fazendo pose.

O reitor saiu da sala, seguido de perto pela Sra. Mollaw. Era um homem alto, mas com a constituição daqueles que passam anos enfiados em bibliotecas.

- Em que posso ajuda-las? – ele tinha uma voz bem educada e fria.

- Somos os detetives Granger e Wolf - Hermione tomou a dianteira - da Yard, reitor Hendricks (eles apertaram as mãos). Estamos fazendo algumas investigações preliminares e queremos o histórico escolar e qualquer outro documento de um aluno da universidade.

Como o reitor continuou olhando-as, sem convidar para sentar ou entrar em seu escritório, Hermione continou o discursso:

- Portanto agradeceríamos se pudessem cooperar em tudo que puderem.

- Posso ver o mandado de vocês? – ele tinha uma expressão ainda mais gelada.

Vanessa passou o papel para ele, orgulhosa de Hermione. Ela fizera do jeito certo.

- Alexander Jonas, aluno de administração. É parece que está tudo em ordem com o papel. Sra. Mollaw pegue a ficha desse aluno, vocês poderão usar aquela sala ali. – ela apontou para outra porta.

- Obrigado reitor Hendricks. – disse Vanessa. As duas seguiram para a sala. Esperaram no mínimo vinte minutos antes da Sra. Mollaw chegar com duas pastas cheias de documentos.

- Aqui esta. – disse da má vontade, quase jogando as pastas em cima da mesa. – bom trabalho!

- Se não tivéssemos esfregado o mandado na cara deles, você veria como iríamos ser tratadas. – resmungou Vanessa ao se sentar para começar a trabalhar.

- Seriamos escorraçadas, eu imagino. Hermione lia concentrada, o primeiro papel que puxara da pasta.

Vanessa fez um ultimo som grosseiro e o silencio imperou na sala. Estavam absortas em descobrir as mentiras de Alexander Jonas.


- Vai me dizer onde é que ela esta?

Carol pulou na cadeira de susto. Rony a olhava aborrecido da porta.

- Quer me matar do coração! E do que, Merlin, que você esta falando?

- Não se faça de desentendida Blair. Quero saber onde é que Gina foi!?! E não me venha com evasivas! – detestava que os outros tivesse segredos para ele.

- Se ela não quis lhe dizer, não serei eu que falarei. – Carol olhou com estremo nojo para ele (resolvera mudar de tática) – e agora pode ir saindo que tenho muito que fazer.

- Não de as costas para mim – Rony virou a cadeira giratória em que Carol se sentava – quero saber onde Gina esta e quero saber agora.

O sangue de Carol ferveu. "Quem ele pensa que é?!" E com uma força tirada da indignação ela se levantou da cadeira e empurrou Rony na parede (o que não é uma coisa muito fácil, já que ele é mais alto e forte que ela), mas como foi pego de surpresa se deixou encostar na parede.

Carol então o beijou. Não uma coisa doce e singela como fora ate ali. Foi animal e cheio de paixão. Agressivo, descontando toda a frustração que sentia naquele toque de lábios. Quando se soltaram Rony a olhava com olhos do tamanho de pires.

- E isso é a única coisa que vai sair da minha boca Weasley. – declarou ela arfante e triunfante, saindo da sala e indo de encontro ao Sirius, que esperava para apreender as "técnicas trouxas".


- Se eu pegar mais uma folha dizendo o quanto esse cara é perfeito, quebrarei metade desse escritório – ameaçou Vanessa.

Hermione riu. Vanessa ficava muito engraçada frustrada.

- Não se preocupe Vanessa. Vamos achar alguma coisa, afinal passamos a manha toda analisando esse bando de coisas inúteis. Talvez agora depois do almoço, eles comecem a trazer coisa que preste.

A Sra. Mollaw entrou trazendo mais pastas. Ainda conservava a mesma cara de mau-humor.

- Você acha que posso fazer um feitiço de cola-permanente e deixar essa cara dela para sempre? – perguntou Vanessa, quando a mulher saiu da sala.

- Se quiser enfrentar o Ministério depois – respondeu Hermione distraída – mas eu acho que você não devia fazer isso, porque... – ela parou no meio da frase e ficou olhando para o papel que estava lendo, com olhos assombrados.

- Porque? – perguntou Vanessa. Que ao não receber resposta olhou para Hermione – o que? O que achou ai?

- A resposta que viemos buscar. – um frêmito de excitação passou pelo corpo dela - descobrimos agora quem pagou a faculdade para Jonas. E você não vai acreditar Vanessa.

Vanessa adiantou e pegou o papel. Ao ler o nome que estava ali, deixou um palavrão sair:

- Mas é absurdo! Que motivos ele teria para fazer isso?

- Jonas é filho dele Vanessa. Olhe a aparência do cara. É idêntico ao irmão! Estava na nossa cara e não quisemos ver isso! – concluiu ela indignada.

- Vamos Hermione, você esta delirando. Só sabemos que ele pagou a faculdade de Jonas. Não podemos afirmar nada com relação à paternidade.

Hermione revirou os olhos.

- Se quiser uma prova vamos voltar para Londres e te darei mais provas.

As duas se levantaram e arrumaram toda a bagunça que haviam feito. Agradeceram a Sra. Mollaw e foram embora.

A cabeça de Hermione fervia com as novas possibilidades que essa descoberta provocava.

- É tão impossível, que realmente é possível! – disse ela para si mesma dentro do carro.


Sábado chegou trazendo novas esperanças para Harry. Fazia um lindo dia de verão e em menos de dez minutos ele estaria sendo dispensado para mais um final de semana em casa.

Ele entrou na fila que levava à secretaria para entregar seu crachá e pode perceber que Woodcrofth disse a Hannah que ouvira a discussão entre os dois. Ela tinha um olhar assassino, cravado nele.

- Acho bom você tomar cuidado Harry – alertou Neville quando já estavam fora do CTA – me disseram que essa mulher é uma das piores desse Centro. E pelo olhar que ela te deu... Eu ficaria alerta.

Harry não levou o aviso a serio. O que ela poderia lhe fazer? E alem do mais a conversa que ouvira não fora nem um pouco elucidativa, pelo contrario: deixara-o com mais duvidas.

- Em todo caso, ate segunda Neville. Bom final de semana. – Harry desejou e logo desaparatou para casa.

A chegada em casa não foi, definitivamente, como ele imaginara. O apartamento estava vazio e pelo estado da mesa da cozinha, Sirius e Lupin já tinham tomado café.

Harry pegou umas bolachas de cima da mesa, e foi para sala. Esperara encontrar Sirius e Lupin e comentar o que acontecera na semana com eles.

Frustrado ele se sentou na sala e reparou uma coisa: os dois haviam comprado um vídeo cassete! Harry saiu do sofá e se sentou no tapete. Estava analisando a nova aquisição dos dois malucos quando a campainha tocou.

- Ola Gina – disse ele ao ver quem era. – como vai?

- Bem. Estou procurando Sirius ou o Lupin. Onde eles estão? – ela disse da porta. Sem entrar no apartamento.

"Devia ganhar um premio por mentir tão bem!" Pensou Gina satisfeita.

- Eles não estão em casa Gina – "é eu sei! Combinei isso com eles!" – mas entre e...

- Obrigado Harry. Mas não tenho tempo. Só queria mesmo é entregar essa fita, como combinei na quarta. – ela colocou uma fita da capa preta nas mãos do garoto – entregue para mim, sim?

- Mas não quer entrar? – perguntou ele desapontado.

- Não posso. Eu tenho um encontro agora e não quero me atrasar. Só digam a eles para não babarem feitos bobos – ela riu, como se Harry tivesse entendido a piada – ate depois Harry.

Ele fechou a porta e ficou olhando para fita. "O que será que os faria babar feito bobo?" Harry não conseguia pensar em Sirius fazendo papel de idiota.

Curioso ele pôs a fita no vídeo. Pensando vagamente que aquela fita deveria ser o motivo da compra do aparelho.

De tudo o que Harry pudesse pensar que estaria dentro da fita, com certeza não foi o que apareceu na tv. Ele parou petrificado, com uma bolacha no caminho da boca.

- Santo Merlin! Eu não posso acreditar – disse ele com a voz fraquinha.

Estava olhando para o pulsar do coração de seu filho. E vendo o formato que ele tinha. Depois a imagem passou para uma Hermione sorridente e a medica falando algo que ele não entendeu.

Estava vendo a barriga dela, já meio crescida e linda. O sorriso feliz e a Sra. Weasley chorando.

Novamente o bebê apareceu, mostrou o contorno das mãos e pés. E também o coração batendo depressa.

Durante 10 minutos o mundo parou para ele. E pela primeira vez se deu conta que não estaria perdendo nada com aquela gravidez; e sim ganhando!

Quando o vídeo acabou, uma lagrima solitária caiu no rosto dele.

Harry nem reparou.


Esgueirando pelas ruas tortas de Londres, um homem de capuz continuava seu caminho, tentando a todo custo escapar do sol. Era necessário que ninguém o visse ali.

Ele entrou em um casebre tosco e mal iluminado, que cheirava fortemente a esgoto. Deu quatro pancadinhas em outra porta e uma pessoa abriu-a para ele.

Assim que se viram seguros dentro de uma sala escura como o breu, o homem de capuz, o Informante, falou rapidamente as novidades.

- Então ela esta grávida? – repetiu uma voz rouca, como se não fosse usada há muito tempo.

- Sim. Deve ter poucos meses, mas a barriga esta bem pronunciada. - repetiu o Informante.

- Interessante. Muito bom isso ter acontecido nesse momento. Mais um Potter no mundo, e o melhor... Um recém nascido!

- Não, acho que você se engana - contradisse o Informante - o nome dela, tenho certeza, é Hermione Granger.

- E o filho foi feito sozinho!?! - estorvou-se a voz rouca e pouco usada - ela é namorada de Potter! Todo o mundo bruxo sabe disso!

Houve um segundo de retumbante silencio. Em que a tensão pareceu vibrar dentro da sala escura.

- Mas eu me esqueço - continou a voz sarcástica - voc não faz parte desse mundo! É um aborto não é mesmo?!

O Informante apertou os olhos, até que sobrou somente uma linha fina de cor da íris.

- Feche essa sua boca seu grande estúpido! Somos da mesma família. Por isso não fale nesse tom superior comigo.

- Falo como quiser - continuou o outro petulante - sou um bruxo...

Mas ele nem teve tempo de continuar; Em uma confusão apertada e escurecida, o Informante apertou o arrogante Bruxo na parede.

- Continue nessa linha de raciocínio, e não verá o próximo dia nascer. Porque existem muitas maneiras de matar sem ter que usar essa sua "farpinha de madeira". - o Informante soltou o Bruxo. E este, com um gesto brusco, se ajeitou dentro das vestes pretas.

- Você está certo. Não podemos brigar. São nossas diferenças que nos une, não podemos permitir que nos separe! Depois desse discurso melado, os dois homens se abraçaram.

- Acho que isso é tudo. É melhor ir agora. Eles podem notar minha ausência.

O Informante se despediu e virou-se para ir embora. "Um dia irá me pagar por todos os insultos que proferiu, desgraçado!"

"Se o idiota imbecil, acreditou naquele discurso ridiculamente meloso, ele é mais burro que eu imaginava!" Pensou o Bruxo antes de fechar a porta e desaparatar dali.


N/A¹: Agradecimentos especiais para: Ângela Oliveira (imagine se vc visse o nome antigo entaum, fia, nunca que ia que ler!); Leon Crawfort (descobrir eu não sei, mas axo que eles ficaram desconfiados hein?); Tonks Black (Tonks Power, Girl!); Pelúcia (ainda bem que vc gostou, pk eu amo sua fic!); Stella (ei fia, num fique histérica naum... me mande um mail dizendo que quer, e eu te coloco na minha lista de contatos... assim sempre vai receber aviso de atualizações).

Agradecimentos mais que especiais para Nina (que deu a idéia da fonte com a cara de personalidade bruxas, e um ou outro palpite certeiro) e a SarahBlack (que conversa direto comigo no msn, leiam a fic dela: Uma História Diferente – no potterish)

Pro pessoal do Potterish um beijão tb... (como o site num funciona, naum poderei colocar o nome aki)

N/A²: Desculpe, desculpinha, desculpão!!! Naum queria demorar na atualização, mas motivos importantíssimos (leiam a prox. N/A) me tiraram essa escolha. Não prometerei mais agilidade, quase nunca consigo cumprir essa promessa. Mas vou tentar ser mais rápida!

N/A³: Quem lê minha outra fic (Sempre Há Um Amanhã) sabe que no inicio da semana eu fui injustamente acusada de plagio. Eu fiquei realmente stressada com isso. E fui em todos os fóruns que sou associada (animagos; BD; potterish e Sobresites) colocar a boca no mundo contra essa pessoa! E para explicar tb, aos leitores, o que tava acontecendo.

N/A4: É eu sei que esse cap complicou mais ainda a marafunda! quem é que Rabicho e Nott botaram na cadeia? O que Woodcrofth tem com a Hannah? Quem pagava a faculdade para Jonas? Quem são os dois homens conversando no final? O que a Gina vai fazer com o Draco? e a Carol e o Rony vaum chegar em que lugar? E o Harry? o que ele vai fazer agora que viu seu filho? a Hermione poderá perdoa-lo? NAUM DEIXEM DE LER OS PROXIMOS CAP!!!! (que chamada de novela mexicana hein?). bom, axo que isso era tudo o que tinha para falar, então: Xauuuuuuuuu!!!!!!!!