UNIDOS POR TODA A VIDA
Autora: Patricia Pondian
CAPÍTULO 13 – ESCOLHAS
O dia posterior era um Domingo e tradicionalmente eles almoçavam todos na toca, Rony estava com uma expressão indecifrável no rosto e tratando Hermione com uma formalidade que assustava após o almoço, quando as mulheres estavam na cozinha e os homens se encontravam meio adormecidos de tanto comer nos sofás da sala, Rony se dirigiu ao amigo:
- Harry, será que posso falar um instante com você?
- Claro. Respondeu o garoto firmemente se endireitando na poltrona.
- À sós. Esclareceu Rony fazendo sinal em direção a escada.
- Ah, sim...
Eles subiram até o quarto do amigo, que fechou a porta e se sentou ao seu lado soltando um suspiro profundo e indo direto ao assunto:
- O que você achou disso cara?
- Disso o que? Perguntou Harry incerto.
- Hermione ser Auror. Afirmou o amigo tristemente.
- E...eu não sei Rony.
- Mas você sabe o quanto é perigoso! Lembra...Desculpe, mas lembra de Tonks? Olho Tonto? Os pais do Neville...
- Lembro claro, mas não são todos os aurores que acabam assim, veja...Veja Kingsley por exemplo. A guerra acabou, as coisas devem ser mais tranqüilas agora.
Rony riu desalentado:
- Bem se vê que vocês dois conhecem pouco o mundo bruxo! A guerra acabou, mas sempre haverá alguém, em algum lugar deixando o mal retornar Harry, e ela estará na linha de frente quando isto acontecer.
- Eu sei, não pense que eu não sei, que não me preocupo com a segurança dela também, mas eu acho que se ela realmente quer isso não é justo forçá-la a fazer outra coisa. Ela não será feliz. Terminou ele tentando deixar clara sua posição.
- Ela quer realmente isso e ela vai fazer mesmo, afinal eu nunca consegui impedi-la de fazer o que quer que fosse. Respondeu Rony sem esperanças.
- Parece que não adianta querer prender o vento não é? Perguntou Harry lembrando-se do Sr. Granger.
- …. Posso contar com você então? Perguntou o amigo dando-lhe um tapa amigável nas costas.
- Contar comigo?
- Para cuidar dela lá...Já que eu não estarei junto.
- Claro, mas Rony o treinamento não é em regime de internato vocês ainda poderão se ver todos os dias se quiserem...
- Eu sei, mas quando ela correr perigo eu não vou estar ...
Harry pensou em lembrá-lo que era da Mione que estavam falando, da mais brilhante Bruxa da geração deles, Mione que sempre soubera muito bem se livrar dos perigos sozinha e ainda ajudar a tirar ele e Rony das enrascadas, mas achou que não era uma boa idéia ao ver a expressão arrasada do amigo, que o enchia de uma culpa corrosiva, ele gostava demais do amigo... Talvez...
- Rony, porque você não vem conosco? Porque não se candidata também? Você conseguiu os NIEMs necessários...
Rony o olhou entre risonho e envergonhado:
- Bem eu... fui chamado para jogar no Puddlemere United, sabe é uma equipe amadora de quadribol, Gina também foi ela não te contou ainda?
Não. Respondeu Harry assustado, mal falara com a namorada depois de deixá-la falando sozinha na sua festa de aniversário e ele sentiu um pouco mais de remorso, se é que ainda era possível, Rony continuava falando:
- E eu quero ir... Eu tinha a intenção de me casar com ela e levá-la junto comigo, onde quer que eu fosse jogar, mas agora... - Harry você é a única pessoa que eu confio para cuidar dela para mim, porque você sempre foi como meu irmão. Ele se calou por um momento parecendo perdido em lembranças e depois completou:
- Mentira, você não é como meu irmão, você é meu irmão! … mais meu irmão que os meus próprios irmãos de sangue.
Harry olhou nos olhos de Rony e teve uma imensa vontade de chorar, de pedir perdão de joelhos, de escancarar a verdade toda logo, de dizer que era apaixonado por ela também e não podia fazer nada para mudar isso, mas respirando fundo e se controlando imediatamente falou a primeira coisa que veio na sua cabeça:
-Desculpe por ter me metido em um assunto particular de vocês dois.
- Não se desculpe. - Respondeu o amigo rindo para ele. -Você tem esse direito, sei que se preocupa com ela e que ela é como sua irmã também.
- Ela é. Disse Harry simplesmente evitando voltar a olhar para o amigo. - Vamos descer então, afinal Gina precisa me contar algo não é?
- Vamos. Disse Rony já parecendo bem mais alegre.
Harry e Hermione não se falaram pelo resto do dia, mas todos na casa comentavam que Harry agira certo em defender Hermione na festa e que Rony era um machista incurável, Gina o apoiara totalmente ainda mais quando lhe contara sobre o Puddlemere United e ele lhe dera a maior força para correr atrás de seus objetivos.
Mas a verdade era que Harry agora estava se sentindo tão culpado que já se arrependia de ter ajudado e incentivado Hermione a ser Auror e achava mesmo melhor que os dois não se encontrassem a sós por um bom tempo. Pelo menos foi com essa convicção que ele foi se deitar... a toca estava cheia e ele se ofereceu para dormir no sofá da sala, já que a cama auxiliar do quarto de Rony, seria posta no quarto de Gina para Padma usar e todos os quartos estavam lotados, Harry não se importou queria mesmo ficar só.
Já era de madrugada quando harry acordou com um chamado abafado.
-Harry... – ele pode ouvir um pequeno sussurro do seu lado.
Deviam ser por volta de duas da manhã, Harry abriu os olhos ainda sonolentos e observou o relógio no lado esquerdo do sofá, ele tinha a ligeira sensação de que alguém o chamara, como que de bem longe...
- Harry... – um leve toque no ombro direito fez com que Harry virasse...
- Hermione...? – sussurrou ele sobressaltado. Sua vista ainda estava embassada – … você? – tentou confirmar ele, forçando a visão enquanto tateava em busca dos óculos.
- Sou... – respondeu ela de volta, pondo os óculos no rosto do amigo.
E só agora, vendo um pouco mais claramente, Harry pode perceber o desconcerto da cena. Normalmente, claro, não haveria nada demais em uma conversa entre amigos. Entretanto, devido às recentes, novas circunstâncias. O fato de ambos estarem na sala dos Weasleys, somado-se ao fato de (que só agora ele percebia) ela mesma parecia ter acabado de sair da própria cama, Harry não pode deixar de notar imediatamente se odiando por isso que ela usava apenas uma camisola branca e fina coberta por um robe leve, que diga-se de passagem, não adiantava muito...
-O qu... O que você...? – gaguejou ele ainda confuso, agora se sentando. Era um tanto difícil esconder o desconcerto e a surpresa da visita, principalmente pelo fato da última conversa que tivera com Rony...
-Schhhhh... – começou ela encostando os dedos nos lábios dele... – Você tava dormindo...? – perguntou ela agora se sentando a sua frente.
Harry não soube o que dizer... Era óbvio que ele estava dormindo... Que tipo de pergunta era aquela?
- Você não estava? – estranhou ele.
- Bem... Não exatamente... – desconversou ela se aproximando.- Na realidade... Eu estava pensando se a gente... Podia conversar um pouco... – tentou ela, se aproximando um pouco mais...
- O qu... E-eu, er claro...
- Então pegue seu robe aí agente saí.
-Saí? – perguntou ele - O que era aquilo? O que ela estava fazendo?
- …, sair... Mais confortável, você não acha do que ficar aqui na sala deles?
- …...Ele sentiu um sorriso involuntário se formar na sua boca.
- Então...Melhor sairmos.
- B-bem, ta... Tá... Mas – tateou ele – … de madrugada, está escuro... – Avisou ele.
Ela riu:
- Você tem medo?
-D...de quê?
-Do escuro.
-D...Do escuro? Claro que não.
- Então vamos. Disse ela tomando a mão dele e o puxando.
Harry, ainda de pijama a seguiu até a porta de entrada da Toca, abrindo com muito cuidado a porta, os dois se esgueiraram para o quintal entre sussurros, a noite de verão estava agradável e estrelada.
Harry sabia que não devia estar fazendo aquilo, à tarde, após a conversa com Rony tinha jurado para si mesmo que se afastaria dela, mas era incrível como com um simples chamado ela colocava todas as suas convicções por terra, ele sabia que não devia, que nunca ia dar certo, que se acontecesse algo ia dar numa tragédia imensa, que muita gente ia ser afetada com aquilo, que principalmente ele seria afetado com aquilo, que era uma loucura, que era quase suicídio, que ninguém minimamente sensato faria aquilo... mas quem disse que ele conseguia não fazer? Ela era um abismo, ele não podia sentir aquele vento subindo que se jogava, não podia ver aquela paisagem deliciosa, que se atirava...
- Então? Qual é o plano madame? Ele perguntou à ela, divertindo-se com a travessura da amiga.
-Vamos para lá. Disse ela apontando um morro muito alto e longe, somente visível daquela distância.
Não precisou falar duas vezes ele tomou o braço dela e aparataram. Chegaram ao local ainda rindo como dois bobos.
- O que houve afinal Mione? Porque me trouxe aqui? Ele perguntou sentando-se ao lado dela, que olhava a paisagem com uma expressão de completa satisfação.
- Queria te mostrar essa vista, queria, queria que viesse aqui comigo, não é linda?
- Linda, linda, linda, linda. Disse ele rindo e olhando para ela, mas não falava da vista. Ela porém não pareceu notar.
- Olhe esse céu. Ela continuou admirada, se deitando na grama e pondo-se a fitar o infinito. O céu estava tão estrelado e parecia tão próximo a ponto de poderem tocá-lo.
Harry se deitou ao lado dela e também ficou olhando as estrelas, ficaram assim um longo tempo. Aquele era um daqueles momentos onde o universo parece conspirar para que tudo saia perfeito:
- Olhe, uma estrela cadente - Disse ele apontando.
- Faça um pedido. Disseram os dois ao mesmo tempo.
Eles se entreolharam.
-Eu já fiz. Disseram novamente juntos, e cairam no riso.
- Estamos numa encruzilhada. Disse ela parecendo encantada com a conclusão.
- Encruzilhada? Perguntou ele sem entender.
- Sim, ontem, sabe, éramos apenas adolescentes, estudantes de Hogwarts, recém chegados ao mundo da bruxaria, mas agora, bem, agora é o momento de decidirmos o que realmente queremos para nós. Aqui ela se aproximou ainda mais do amigo
- O que você pediu? Perguntou ele.
- Não posso contar senão não se realiza não é. Disse ela balançando a cabeça com a bobagem do amigo.
- Ah é assim que funciona? - Agora eles estavam de fato, perto demais... Ele tinha de fazer alguma coisa... Qualquer coisa... Antes que ele não pudesse mais responder pelos próprios atos, quando ele sentiu o calor do rosto dela próximo ao seu..."Você não é como meu irmão, você é meu irmão" Ecoava na sua mente.
- Er...Vamos voltar? Ele disse por falta de algo melhor para dizer, ela pareceu acordar para o que estava fazendo e levantou-se depressa corando e concordando com a cabeça, e após dar os braços para ele sem o olhar aparataram em direção à toca.
No outro dia Harry e Hermione, acompanhados por Gina e Rony respectivamente, aparatavam numa rua suja de Londres e se espremendo numa cabine telefônica, aparentemente quebrada, Harry tirou o telefone do gancho, discando seis, dois, quatro, outro quatro e dois.
Assim que o disco do telefone voltou a posição normal , ouviu-se uma voz tranquila, como se uma mulher invisível estivesse com eles:
- Bem vindos ao Ministério da Magia. Por favor, informem seus nomes e o objetivo da visita.
- Harry Potter e Hermione Granger, inscrição no Deparatamento de Execução das Leis da Magia, Seção dos Aurores. Ronald e Ginevra Weasley, acompanhantes.
- Obrigada. Visitantes, por favor apanhem seus crachás e prenda-nos nas vestes.
Ouviu-se um barulhinho de metal, quando quatro crachás prateados caíram pela abertura por onde normalmente saem as moedas excedentes, os amigos prenderam os crachás nas roupas e imediatamente a cabine telefônica pareceu afundar no chão, após não mais que um minuto a voz de mulher novamente falou. - O Ministério da Magia deseja aos senhores um dia muito agradável. - As portas da cabine se abriam para um esplendoroso hall de entrada, tudo estava como na primeira vez que Harry estivera ali, o chão de madeira escura e brilhante o teto azul pavão, onde símbolos dourados mudavam e se alternavam, as paredes forradas de painéis de madeira escura, onde haviam muitas lareiras de onde há intervalos surgiam bruxos saídos de chamas verde esmeralda.
A única mudança era na fonte que resplandecia no meio do saguão, quando no passado ali, já houvera, uma fonte onde figuravam um elfo doméstico, um Duende e um Centauro sustentando um pouco convincente olhar de adoração à um casal de bruxos e posteriormente, um casal de bruxos sentados sobre um trono feito com corpos de trouxas, agora havia também um casal de bruxos, mas eles estavam de mãos dadas com um elfo doméstico, um centauro, um duende e (o que deveria ser a visão bruxa dos trouxas) um homem com uma feição parva, todos ainda olhando com admiração para o casal de bruxos. O aviso não mudara:
"TODO DINHEIRO RECOLHIDO NA FONTE DOS IRMÃOS MÁGICOS SERÁ DOADO AO HOSPITAL ST. MUNGUS PARA DOENÇAS E ACIDENTES MÁGICOS."
Harry dirigiu os amigos até uma mesa a esquerda onde um bruxo, com um uniforme azul lia um exemplar do Pasquim, sobre a mesa havia uma paquinha onde se lia: Segurança. O rapaz sabia que deveriam apresentar suas varinhas para conferência e que elas ficariam presas até a saída, no entanto, para sua surpresa o segurança imediatamente ao avistá-lo se colocou em pé num salto e com uma atitude de reverência exclamou:
Harry Potter, meu senhor! Seja bem vindo! Não, não o que é isso? Imagine, não é necessário que o senhor apresente varinha, não, nem seus amigos! Fique à vontade o Senhor e seus amigos têm acesso livre ao Ministério.
Harry se sentiu um tanto constrangido e se perguntou se o segurança, acreditava mesmo que ele apreciava aquele tipo de "tratamento especial" que ele entendia como um favorecimento injusto, mas já que as pessoas começavam a virar-se para olhar, achou melhor não discutir com ele.
- Obrigada …rico. Disse Hermione, que provavelmente já o conhecia pois estivera estagiando ali o verão todo, no entanto o segurança a ignorou e continuou se dirigindo a Harry:
- Será que o senhor poderia me dar um autógrafo? … para minha filhinha sabe ela é uma grande fã do senhor.
Já meio irritado Harry, assinou o papel que o segurança praticamente encostara no seu nariz e se dirigiu pisando duro para o elevador, seguido de perto por Gina Rony e Mione.
O elevador estava lotado e as pessoas imediatamente começaram a encarar Harry e cochichar entre si o que se tornou insuportável após alguns minutos. A voz de mulher voltava a falar.
"NIVEL SETE, DEPARTAMENTO DE JOGOS E ESPORTES MÁGICOS, QUE INCLUÍ A SEDE DAS LIGAS BRITÂNICA E IRLANDESA DE QUADRIBOL, O CLUBE DE BEXIGA OFICIAL E A SEÇÃO DE PATENTES ABSURDAS"
Um bruxo com vestes amarelo canário, levando uma caixa de balaços, saiu do elevador, após lançar um olhar significativo para o lado de Harry.
"NIVEL SEIS DEPARTAMENTO DE TRANSPORTES MÁGICOS, QUE INCLUÍ A AUTORIDADE DA REDE DE FLOO, O CONTROLE DE AFERIÇÃO DE VASSOURAS, A SEÇÃO DE CHAVES DE PORTAIS E O CENTRO DE TESTES DA APARATAÇÃO."
Duas bruxas entraram esbaforidas no elevador, com aviõezinhos de papel violeta claro sobrevoando suas cabeças e rindo bobamente pediram autógrafos para Harry, sob as bufadas e olhadas feias de Gina.
"NÍVEL CINCO DEPARTAMENTO DE COOPERAÇÃO INTERNACIONAL EM MAGIA, INCORPORANDO O ORGANISMO DE PADR'ES DE COM…RCIO MÁGICO INTERNACIONAL, O ESCRIT"RIO INTERNACIONAL DE DIREITO EM MAGIA E A CONFEDERAÇÃO INTERNACIONAL DOS BRUXOS SEDE BRITÂNICA."
Enquanto as bruxas saiam, Percy entrou no elevador já lotado dizendo:
- Olá! Soube que vocês estavam no Ministério e resolvi dar um alô!
- Como você soube que estávamos aqui. Perguntou Hermione perspicaz.
- Bem, creio que você sabe como o nosso sistema de informação é avançado. Disse ele olhando para a garota risonho.
Ela o olhou irônica
- Sistema de fofocas você quer dizer.
" NIVEL QUATRO DEPARTAMENTO PARA REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE DAS CRIATURAS MÁGICAS, QUE INCLUI AS DIVIS'ES DAS FERAS SERES E ESPÍRITOS, SEÇÃO DE LIGAÇÃO COM OS DUENDES ESCRIT"RIO DE ORIENTAÇÃO SOBRE PRAGAS."
Enquanto ainda falava com Percy, Hermione, por força do costume, quase desceu nesse andar, sendo contida por Harry.
"NÍVEL TRÊS, DEPARTAMENTO DE ACIDENTES E CATÁSTROFES MÁGICAS, INCLUINDO O ESQUADRÃO DE REVERSÃO DE MÁGICAS ACIDENTAIS, CENTRAL DE OBLIVIAÇÃO E COMISSÃO DE JUSTIFICATIVAS DIGNAS DE TROUXAS."
Quando a porta do elevador se abriu, um grupo de bruxos e bruxas irrompeu num grande aplauso olhando carinhosamente para Harry, enquanto o elevador abria e fechava as portas inutilmente já que nenhum deles parecia Ter chamado o elevador para utilizá-lo realmente.
"NÍVEL DOIS, DEPARTAMENTO DE EXECUÇÃO DAS LEIS DA MAGIA, QUE INCLUÍ A SEÇÃO DE CONTROLE DO USO INDEVIDO DA MAGIA, O QUARTEL GENERAL DOS AURORES E OS SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS DA SUPREMA CORTE DOS BRUXOS."
A porta do elevador se abriu e o Ministro em pessoa os esperava de braços abertos:
- Potter, que bom vê-lo!
- Ministro! Eles se abraçaram como velhos amigos sob o olhar invejoso de um fila de candidatos a Aurores, que provavelmente esperava por sua vez para fazer a inscrição, ao longo do corredor ladeado de portas e janelas encantadas por onde podia se ver um céu muito azul.
- Srta. Granger, minha querida! Kingsley se adiantou abraçando-a também. O bruxo sempre tivera grande admiração pela garota.
E virando-se para cumprimentar os três Weasley´s que se enfileiravam ele continuou falando:
- Vieram se inscrever para Aurores? Todos vocês? Que ótimo! Menos você espero Percy? Você é essencial no Departamento de Cooperação Internacional em Magia!
Percy pareceu inchar de orgulho.
- Não Ministro só Harry e Hermione vão se inscrever.
- Ah Sim? Bom que bom assim mesmo! Mas depois vocês terão tempo para as inscrições, porque não vêm conhecer o meu gabinete?
Harry não estava com muita vontade de conhecer o gabinete do Ministro, ou de ir onde quer que fosse, queria fazer logo a sua inscrição e a de Hermione, mas não podia recusar um convite de Kingsley e obedientemente seguiu-o de volta para o elevador. A voz de mulher voltou a falar:
"NIVEL UM MINISTRO DA MAGIA E EQUIPE DE APOIO"
Eles passaram por um corredor é acarpetado, ao longo do qual haviam muitas portas de madeira brilhante com placas douradas indicando o nome e a função do ocupante. Os garotos ficaram imediatamente quietos como se a imponência do lugar os impressionasse e ao final do corredor havia um escritório amplo e arejado, com as paredes de vidro de onde podia se avistar um céu muito limpo, a escrivaninha do Ministro era enorme e havia muitas cadeiras espalhadas ali, das paredes sorriam os ex-Ministros da Magia e Harry teve um particular aperto no peito ao avistar Fudge e Scrigmeour o olhando afetuosamente.
-Sentem-se. -Disse Kingsley, já muito mais informal. - Aceitam, café? Chá? Agua?
- Não obrigado. Responderam todos mas Gina aceitou:
- Eu adoraria um café com açúcar e chantily. Disse ela sorridente.
O Ministro então virou-se para a lareira e repassou o pedido, que após segundos entrou flutuando pela sala numa bandeja prateada.
- Bem, então Harry e Hermione desejam ser Aurores? - Falou Kingsley retomando o assunto e virando-se para Hermione acrescentou. - Achei que você gostaria de continuar no Departamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas.
- Acho que posso ser mais útil no Departamento de Execução das Leis da Magia. Respondeu ela.
- Na Seção dos Aurores? Confirmou Kin com um caloroso sorriso.
- …, bem se eu for aceita e conseguir terminar o treinamento com notas suficientes. Completou Hermione olhando-o séria.
O Ministro fez um gesto paternal para ela, afirmando.
- Obviamente será aceita, os dois serão. Isto pode ser facilmente arranjado.
Hermione não retribuiu o sorriso, permaneceu olhando-o firmemente:
- Kin, nós não queremos nenhum tipo de favorecimento...
- Não é favorecimento Mione. … o certo! Cortou ele inflexível.
Assim que Harry entendeu do que eles falavam, se juntou a amiga na argumentação:
- Não, Kin, Mione está certa, queremos concorrer em igualdade de condições com os demais não é justo...
- Harry por favor! … o mínimo que o Ministério pode fazer após o que vocês dois fizeram pelo mundo bruxo. - E olhando para Rony acrescentou. - Quero dizer vocês três! Mas Rony tem outros planos pelo visto.
- … tenho.- Afirmou ele. - Mas não concordo com esse tipo de ajuda e nem concordo que Hermione seja Auror!
Mas o Ministro não o estava mais ouvindo, continuava falando apaixonadamente:
-Vocês serão brilhantes! Os dois! Eu fui Auror sabia?- Como se aquilo fosse a maior novidade do mundo para os garotos. - Fui um dos bons do meu tempo! Eu, Olho Tonto, Scrigmeour...Jones... - E parando parecendo perdido em lembranças, acrescentou: Tenho saudades...
- KIN!
- Ahã?
- Queremos ter a chance de tentar por nós mesmos. Afirmou Harry.
- Ah sim! Tudo bem então.- Disse o amigo. - Vocês é quem sabem.
- Nenhuma espécie de favorecimento? Quis confirmar Hermione.
- Nenhuma.
- Tenho a sua palavra? Perguntou Harry.
- Têm. Afirmou o Ministro. - E saibam que eu admiro ainda mais vocês por isto.
Mas ao se despedirem do Ministro e entrarem novamente no elevador Percy, falou o que estava no pensamento de todos embora ninguém ousasse verbalizar:
- Não sei porque fizeram isso, com a ajuda dele ou não, todos dirão que vocês tiveram algum empurrãozinho.
- Mas nós saberemos que não tivemos. -Respondeu Harry.- Tentando se convencer que aquilo bastaria.
Eles desceram novamente no nível dois e viram que a fila para as inscrições aumentara, pararam ali e esperaram durante muito tempo sob os olhares desconfiados e por vezes hostis dos demais candidatos, a fila dobrou um canto, passou por pesadas portas de carvalho e saiu em uma área aberta subdivididas em cubículos de onde se ouviam conversas e risos, havia uma placa torta onde se lia " Quartel General dos Aurores"
Ele e Hermione foram separados, ao entrarem pela porta, cada um deles foi direcionado para um cubículo a fim de efetuarem as inscrições, Gina acompanhou Harry e Rony acompanhou Hermione. No cúbículo onde entrou Harry viu que o ocupante cobrira as paredes com fotos da família e pôsteres dos Tornados, havia também alguns artigos do profeta diário.
O Bruxo que o atendeu usava vestes vermelho vinho e botas pretas que ele descansava sobre a escrivaninha. Enquanto fazia perguntas ao garoto a sua pena de repetição rápida ia escrevendo tudo.
- Nome? Ele perguntou sem erguer os olhos da caneca de café que estava tomando.
- Potter, Harry Potter.
O bruxo quase engasgou com o café e o olhou incrédulo enquanto uma mulher de cabelos louros espiava por sobre a divisória falando para o colega:
- Ei Charles, veja só quem eu peguei: Hermione Granger! A Auror que entrevistava Hermione do outro lado da parede, tinha uma expressão orgulhosa e divertida no rosto, como se eles fossem colecionadores e ela tivesse conseguido uma peça rara, o colega no entanto não se deu por achado respondeu com um sorriso de orelha a orelha.
- GRANDE COISA. EU PEGUEI HARRY POTTER!
O sorriso da Bruxa esmoreceu e ela o olhou assombrada.
- Potter? … É ele mesmo? - E virando-se para Harry sorridente. - É você mesmo?
- É...Acho que sou. Respondeu ele desanimado.
- Veio se inscrever? A bruxa perguntou, mas Charles não a deixou continuar.
- Ei! Ele é meu! Volte para a sua Granger, eu é que vou inquiri-lo e fazendo um gesto zombeteiro de adeus a dispensou, ela fez uma cara desanimada e desapareceu sob a divisória.
- Muito bem Harry.- O bruxo o olhava com muito mais interesse do que havia demonstrado antes e Harry registrara o uso do seu primeiro nome.- Veio se inscrever para a preparação de Auror?
- Sim, isso mesmo eu trouxe a documentação exigida...Mas o bruxo cortou-o imediatamente fazendo um gesto de desprezo para os papéis.
- Não precisamos nos ater a formalidades não é?
Mas Harry o olhou bravo e respondeu:
- Claro que precisamos! Eu passei um ano inteiro me esforçando para obter os NIEM´s e perdi as minhas férias de verão, juntado o restante da documentação necessária. Então eu ficaria grato se o senhor ao menos se desse o trabalho de conferir minhas qualificações.
O Auror pareceu ter levado um susto com a reação de Harry e acordado para o que estava fazendo, ficando imediatamente vermelho e se justificou:
- Ah me desculpe, claro, claro, me passe a documentação. … que eu sempre quis conhecê-lo pessoalmente você entende...
E pegando a pasta que Harry lhe estendia passou a conferir o conteúdo:
- Muito bem: Ex-aluno de Hogwarts, Prêmios por serviços prestados a escola, NIEM´s de Feitiços, Transfiguração, Poções, Defesa Contra as Artes das Trevas e Herbologia; Monitor de um grupo de estudos de Defesa Contra as Artes das Trevas durante o quinto ano em Hogwarts...
Harry deu um sorriso disfarçado: Chamá-lo de Monitor e a Armada de Dumbledore de Grupo de estudos de Defesa Contra as Artes das Trevas, era o tipo de coisa inofensiva, que a Professora MacGonagall, fizera para abrilhantar seu curriculum, já que certa vez jurara que o ajudaria a se tornar Auror.
Bem está tudo correto.
- Qual é o próximo passo?
- O Ministério avaliará os pedidos e checará os antecedentes dos candidatos. Não que você precise disso é claro. Ele afirmou com o sorriso bobo voltando ao rosto.
- E depois? Perguntou Harry sem retribuir o sorriso.
- Vocês deverão aguardar a resposta por coruja. Serão chamados vinte candidatos para os testes de aptidão e caráter a serem realizados aqui mesmo no Ministério e destes vinte, os melhores, iniciarão o treinamento, que durará mais três anos, com aulas e provas, ao final se tiverem notas suficientes se tornarão Aurores.
- Ok, eu aguardarei então. Afirmou Harry se levantando e dando a mão para Charles, mas esse não parecia disposto a largá-lo.
- Bem agora que terminamos com as formalidades, Harry porque não me conta aquela história de "Horcruques"? Não é verdade é? Quer um café?
- Não obrigada, senhor?
- Tompson, mas pode me chamar de Charles.
- Bem Tompson, talvez tenhamos muito tempo para nos conhecermos melhor no futuro, mas eu creio que agora há uma fila enorme de candidatos ai fora, que não merece ficar esperando em pé enquanto tomamos café.
- Bem, bem está certo então. - Respondeu o Auror. - Foi muito bom conhecer você pessoalmente.
- O prazer foi meu. Afirmou Harry, virando-se para sair, no entanto...
- Será que você se importaria em me dar um autógrafo? … para meu filho sabe ele é um fã.
O rapaz não agüentou e riu.
- Claro que não me importo.
Ao retornarem ao corredor ainda repleto de candidatos, Harry e Gina encontraram Hermione e Rony já os aguardando ela o olhava desesperada com aquela expressão doentia de quando desejava conferir as respostas após algum exame:
- E então?
- E então o que? Perguntou o rapaz se fazendo de desentendido.
- COMO FOI HARRY!
- Bem não sei...Acho que bem. Ele respondeu incerto.
- Ele está dentro, o cara é um fã. Afirmou Gina confiante.
- Hermione também se saiu bem. Disse Rony.
- Ah pelo amor de Deus pare de dizer bobagens, não fui nada bem! Fiquei nervosa na entrevista e tenho certeza que ela me viu tremer.
- E o que isso tem de mais? Perguntou Harry querendo tranquilizá-la. Mas ela girou os olhos para o teto fazendo os outros três rirem.
- Tem que se quero ser uma auror não posso tremer numa simples entrevista.
- Mione, vai ficar tudo bem, você se preocupa demais...Tentava Rony, enquanto eles deixavam o Ministério, mas ela nem ouvia virando-se para Harry continuava o interrogatório:
- E sobre seus pais, ele não perguntou nem sobre seu pais?
