Professor Potter – Capítulo 14

Memories – David Guetta

All the crazy shit I did tonight,

Those would be the best memories,

I just wanna let it go for the night,

That would be the best therapy for me

Hey hey

Yeah yeah

All the crazy shit I did tonight,

Those would be the best memories,

I just wanna let it go for the night,

That would be the best therapy for me

Hey hey

Yeah yeah

It`s gettin' late but I dont mind

Hey hey

Yeah yeah

Os corredores estavam vazios e Ginny não encontrou ninguém durante a sua volta para o alojamento. Já era noite e todos os estudantes estavam reunidos em seus dormitórios, assistindo TV ou algo do tipo. Quando ela entrou em Gryffindor, deparou-se com vários de seus colegas reunidos, contando suas aventuras das férias. Ginny teve vontade de contar para eles que a maior aventura de sua vida tinha acabado de acontecer, mas que não tinha sido do jeito que ela imaginava. Porém, não o fez. Apenas passou direto, ignorando os chamados das garotas e andando rapidamente até seu quarto. Assim que abriu a porta e viu Hermione sentada lendo um livro, Ginny soltou um suspiro de alívio e correu para os braços da amiga. Sem entender, a morena afastou para um lado para que Ginny pudesse sentar-se na cama, e passou um braço ao redor dos ombros dela. A amiga parecia tão confusa!

- O que aconteceu, Ginny? – Hermione perguntou, preocupada. Sabia que a ruiva tinha ido procurar Harry quando ela tinha saído do quarto à tarde, mas não sabia se ela tinha estado com ele durante todo esse tempo.

Ginny ergueu o rosto para encarar Hermione.

- Harry e eu... – ela começou, mas sua voz falhou.

- Vocês o quê? – a morena perguntou gentilmente. Será que eles tinham brigado?

- Nós transamos.

Hermione quase caiu da cama. Ela deu um pulo tão grande que a própria Ginny se assustou. Não estava acreditando no que tinha ouvido. Quer dizer, ela e Ginny já tinham se metido em muitos problemas, já tinham quebrado várias regras, mas nunca tinham se envolvido com algo que quebrasse a lei. Ginny era menor de idade, pelo amor de Deus! E era uma aluna!

- Ginny! – Hermione gritou com a voz esganiçada – Como assim?

Ginny pressionou os dedos nas têmporas, pois os gritos de Hermione estavam-na deixando com mais dor de cabeça ainda. Ela olhou para a amiga e disse:

- Por favor, não grite. A confusão já está grande o bastante dentro do meu cérebro para que ele tenha que agüentar gritos também.

Hermione fechou os olhos e respirou fundo. Quando os abriu, viu que Ginny a olhava angustiadamente. Hermione estendeu o braço mais uma vez e puxou a amiga para perto de si, então começou a acariciar seus cabelos.

- Desculpe – ela disse, com a voz mais calma agora – Me conte o que aconteceu. Qual o motivo da confusão? Eu pensei que fosse isso que você queria, não?

Ginny assentiu com a cabeça.

- É isso que eu quero – ela retrucou – Mas foi muito diferente de tudo o que eu já tinha imaginado. Principalmente o modo como ele agiu depois.

- E como ele agiu? – Hermione perguntou, sua voz carregada de raiva pela possibilidade de Harry ter tratado Ginny mal.

- Eu não sei explicar muito bem – Ginny respondeu – Ele não disse nada maldoso nem nada do tipo, mas ele pareceu tão distante... Eu poderia jurar que ele se arrependeu – ela disse a última frase com a voz fraca, mas se obrigou a não chorar. Já tinha chorado o bastante para toda a sua vida durante aquelas férias.

Hermione não duvidou daquela hipótese, afinal, ele devia ter percebido a grande besteira que ele tinha feito ao dormir com uma aluna. Mas ela não disse isso em voz alta, apenas ficou calada.

- Eu fiquei pensando – Ginny continuou – Eu achava que ele estava apaixonado por mim. Mas acho que ele não está, e é por isso que se arrependeu.

Se ela soubesse como estava sendo burra e infantil, Hermione pensou, revirando os olhos. Ginny tinha entendido tudo completamente errado. É claro que o professor Potter estava apaixonado por ela, só que ele sabia que não deveria estar. E por isso estava arrependido. Mas se ele não iria revelar seus verdadeiros sentimentos a Ginny, Hermione não iria fazer isso por ele.

- Ginny, você precisa dormir – ela disse à amiga – Vá descansar e deixe para pensar nisso amanhã, ok? Tenho certeza de que tudo irá se resolver.

A ruiva assentiu e, lentamente, foi até sua cama. Nem ao menos trocou de roupa, apenas se encolheu debaixo de suas cobertas e tentou dormir. Estava tão cansada que o sono não demorou a chegar, mas isso não impediu que algumas lágrimas teimosas descessem pelas suas bochechas minutos antes que ela ficasse inconsciente.

Na manhã seguinte, ela acordou como sempre: com Hermione gritando que iriam se atrasar para a aula. Lentamente, Ginny se obrigou a sair da cama e ir em direção ao banheiro. Disse para a amiga que não era necessário esperar por ela, e então fechou a porta. Parou, olhando-se no espelho. Tinha tido um sonho maravilhoso, mas não conseguia se lembrar o que era. Entretanto, não estava chateada. Ao contrário do que tinha pensado antes de dormir, ela não tinha acordado com olheiras enormes nem com uma cara horrível. Tinha dormido bem. Avaliou-se por alguns minutos, em frente ao espelho, procurando algum sinal de mudança na sua aparência. Será que alguém iria notar que ela não era mais virgem? O corpo mudava depois que se fazia sexo pela primeira vez? Ela não conseguiu achar traço algum que confirmasse essas hipóteses.

Contudo, tinha que admitir que estava se sentindo diferente. Mais adulta, talvez, ou mais experiente – o que, de fato, era verdade. Mas foi só depois que saiu do banheiro e encontrou Hermione ainda dentro do quarto esperando por ela que Ginny soube, pela boca da amiga, o que estava diferente em si.

- Você está bem? – a amiga perguntou preocupada, avaliando-a cuidadosamente.

- Estou – Ginny respondeu sinceramente, e para completar deu um sorriso à Hermione.

- Que bom – a amiga pareceu convencida – Sabe, você parece diferente.

Ginny ergueu as sobrancelhas.

- Mesmo? – ela perguntou, curiosa – Diferente como?

- Você está... mais brilhante do que o normal.

A ruiva riu e começou a procurar uma roupa para vestir. Hermione sempre dissera a ela que Ginny tinha uma espécie de uma aura ao redor de si que chamava a atenção de todos. Até parece.

Depois de prontas, as duas saíram do quarto e do alojamento em direção ao café da manhã. Infelizmente, Ginny não teria aula com Harry naquele dia, apenas no dia seguinte. Mas ainda assim, ela iria encontrar com ele no café, no almoço e – ela lembrou-se de repente, com um sobressalto – também jantaria com ele, com o pai dela e com o diretor naquela noite.

Que maravilha.

Não.

Assim que adentrou o Salão Principal, ela vasculhou o recinto à procura dos olhos verdes que tanto amava e que estavam tão próximos de serem todos seus. Achou-os no mesmo lugar que no dia anterior: no rosto de seu dono, que estava sentado à esquerda da mesa dos professores.

Os olhares deles se encontraram e Ginny sorriu para Harry. Ele lhe sorriu de volta, mas de uma forma um pouco menos animada do que ela. No dia anterior, depois que a garota tinha saído de sua sala, ele tinha decidido que não poderia continuar com aquilo. Por mais que cada célula de seu corpo gritasse o nome de Ginny sempre que a via, ele não poderia fazer uma coisa daquelas com ela, nem consigo, nem com o colégio. Tinha apenas correspondido ao sorriso dela porque foi seu primeiro instinto ao vê-la tão linda logo pela manhã, e também porque não queria deixá-la mais triste do que já tinha deixado no dia anterior por causa de seu comportamento. Eles iriam conversar mais tarde, e aí sim ele poderia anunciar a ela sua decisão: iria embora de Hogwarts. Mas até o momento oportuno, teria que ao menos fingir que estava feliz – o que, de certa forma, era verdade, pois nunca tinha ficado tão feliz na sua vida quanto tinha estado no dia anterior com Ginny nos seus braços. E também não agüentaria ver a expressão decepcionada no rosto dela se ele simplesmente a ignorasse. Acabar com algo tão maravilhoso que nem ao menos havia começado já seria difícil o suficiente na hora de sua partida. Harry não poderia passar o dia todo puxando aquele band-aid com tanta lentidão.

Durante a refeição, Ginny acabou esquecendo-se de seus problemas de tão indignada que estava com os de Hermione. Ela ficou olhando para a amiga numa tentativa de confortar-lhe pelo olhar. Hermione sabia que era aquilo que iria acontecer assim que chegassem ao internato, mas ainda assim não era fácil observar Lavender aproximar-se do seu namorado e beijá-lo. Ron tentou corresponder o mais brevemente e com o menor entusiasmo possível, mas não foi o suficiente para apaziguar a raiva de Hermione.

Vinte minutos na presença deles foi o bastante para ela. Sem terminar seu café-da-manhã, ela se levantou bruscamente, lançou um olhar mortífero para o casal e deu as costas para ir embora. Imediatamente, Ginny virou-se para o irmão, tentando sinalizar que ele deveria ir atrás da verdadeira namorada dele, mas Ron não teve oportunidade alguma de sair da mesa para ir atrás de Hermione, pois Lavander estava o tempo todo agarrada ao seu braço, tagarelando sobre as compras maravilhosas que tinha feito durante as férias em Paris. Até parece que ele estava interessado.

Finalmente, todos acabaram de tomar café e cada um tomou um rumo diferente – felizmente, para Ron. Ginny tinha aula de História, com o Prof. Binns, e foi para a sala dele o mais rapidamente possível porque sabia que Hermione também estaria lá e precisava acalmar a amiga – não que ela fosse defender o irmão, pois também não concordava com a atitude dele.

- Hoje à noite meu pai vem jantar com a gente – ela confortou Hermione, enquanto as duas sentavam-se em suas respectivas carteiras – E eu mesma vou falar com ele sobre isso. Ron pode não ter coragem, mas eu tenho.

Um grunhido foi tudo que ela recebeu de Hermione. A morena não queria falar sua verdadeira opinião em voz alta, para não ofender a amiga, mas o que ela realmente queria era que Ron falasse com o Sr. Weasley, e não Ginny. Não seria a mesma coisa se fosse Ginny defendendo seu relacionamento com Ron, ao invés do próprio Ron estar fazendo isso. Quer dizer, era o mínimo que ele poderia fazer.

Quando a aula acabou e Ginny já estava no caminho para sua próxima aula, ela estava tão aérea que acabou trombando em alguém. Seus pensamentos saíram rapidamente da noite anterior – das mãos de Harry percorrendo seu corpo e a fazendo sentir um prazer que nunca pensou que fosse possível – e voltaram para o presente. Que grande ironia ela ter trombado exatamente com a pessoa que estava perturbando seus pensamentos.

- Desculpe – ela exclamou. Quase caiu, mas mãos extremamente fortes e familiares a ampararam, e, quando olhou para cima, ela descobriu que estava nos braços de Harry.

Ele não respondeu nada. Apenas a puxou e, mais rápido do que Ginny teria desejado, retirou as mãos do corpo dela e deu um passo para trás. Harry não queria ficar muito perto dela, pois não queria que ninguém desconfiasse do que tinha acontecido entre eles – e também não achava seguro ficar tão próximo de Ginny, agora que sabia o que ela era capaz de fazê-lo sentir.

- Harry! – ela disse, com um sorriso. Chegou mais perto dele, e Harry não conseguiu se mover. Ficou paralisado, sentindo o perfume doce dela invadir suas narinas e o calor emanando de seu corpo. Ginny olhou ao redor e percebeu que os dois estavam sozinhos no corredor. Como Harry não tinha recuado à aproximação dela, ela começou a andar para mais perto ainda dele.

O olhar de Harry desceu para seus lábios cuidadosamente pintados. Estavam tão próximos que ele praticamente podia senti-los de encontro aos seus. Olhou para Ginny, lhe lançando um olhar desesperado. Por que ela estava fazendo aquilo com ele? Ela sabia que tinha armas às quais ele não podia resistir, e estava se aproveitando disso.

- Você está bem? – ele perguntou com a voz fraca por causa da imensa força que ele estava fazendo para não passar os braços ao redor de Ginny e puxá-la para si. Entretanto, fez um esforço para perguntar pelo menos aquilo. Ele precisava saber como ela estava se sentindo. Afinal, tinha sido a primeira vez que ela dormira com um homem. Aquilo costumava afetar o psicológico das garotas, e Harry - por mais que se torturasse por causa disso – se preocupava com ela.

- Estou ótima. Um pouco cansada – ela deu um sorriso de lado, que Harry achou extremamente obsceno – Mas acho que é normal, não é?

- É, sim – Harry respondeu, já esquecendo de todas as decisões que tinha tomado anteriormente. Chegou um pouco mais perto dela e se apoiou casualmente na parede. Agora seus rostos estavam a menos de três centímetros – Eu também estou cansado. Mas isso é normal depois de uma noite como a de ontem.

Ele estava perdido e sabia disso. Era tarde demais. Seu cérebro já tinha perdido todo o controle, e agora eram suas emoções – e não a sua cabeça – que o controlavam. Era sempre assim perto quando estava perto de Ginny Weasley.

Assim como tinha esperado, Ginny ficou vermelha. Harry percebeu que ela ficava linda quando estava envergonhada – o que era muito raro de acontecer, já que Ginny era a pessoa mais cara de pau que ele jamais tinha conhecido; só perdia para James. Decidiu que tinha que deixá-la embaraçada mais vezes.

Mas poderia fazer isso depois. Naquele momento, tudo o que queria era sentir o corpo dela colado ao seu novamente, e aqueles lábios tão macios por cima dos seus. Não ligava que eles estivessem no meio de um corredor, em plena manhã, e qualquer um poderia chegar a qualquer m...

- Bom dia, professor Potter – uma voz fria falou, a poucos metros deles – senhorita Weasley.

Harry e Ginny se afastaram um do outro rapidamente. O coração dos dois estava quase saindo pela garganta por causa do susto. Quando se viraram para olhar a pessoa que estava ali ao lado deles – por mais que, pela voz, já soubessem -, a coloração de seus rostos mudou completamente: Harry ficou totalmente branco, e Ginny ficou ainda mais vermelha do que já estava.

O sorriso irônico no rosto de Snape era perceptível, mesmo que ele tentasse esconder. Fingindo que não tinha notado nada, ele voltou-se para Harry e falou:

- O diretor quer vê-lo, professor.

Harry percebeu que estava agindo como um completo idiota, ao ficar com medo de Snape. Aquilo era o que o homem queria, afinal, e demonstrar que ele estava de algum modo conseguindo realizar seus desejos não era algo que Harry iria fazer. Harry James Potter não perdia uma briga.

- Claro – ele respondeu, a voz tão serena quanto a de Snape – Obrigado por avisar.

Então, com uma cara de pau maior até do que a de Ginny, ele se virou para a garota e disse:

- Continuamos essa conversa depois, Srta. Weasley. Tenha um bom dia.

Ginny olhou intrigada para ele. Não estava assustada com o quase flagrante de Snape, mas tinha certeza de que Harry iria ficar. Entretanto, ele estava agindo tão naturalmente que seria impossível, para um espectador qualquer, identificar a situação delicada que estava se passando ali.

Sob o olhar desconfiado de Snape, ela começou a andar rapidamente em direção a sua próxima aula. Já estava atrasada, e havia poucas chances do professor Flitwick deixá-la entrar, mas era melhor encará-lo do que passar mais um segundo na presença de Snape.

Ao fim das aulas, Hermione e Ginny foram para o alojamento para se prepararem para o jantar com o diretor. Como faziam aquilo todo ano, já estavam acostumadas, e já sabiam que tipo de roupa usar. Entretanto, não estavam tão seguras dessa vez, não por causa da roupa, mas por causa das pessoas que iriam participar. Afinal, Hermione e Ron estavam brigados. Ginny e Harry estavam sem saber como agir em relação ao outro. E o pai de Ginny, junto com o diretor Dumbledore e os gêmeos, estariam ao lado deles sem saber a verdade oculta por trás do silêncio constrangedor que com certeza iria reinar durante o jantar.

- Tudo vai dar certo – Hermione falou para Ginny, com uma voz que claramente deixava transparecer sua incerteza em relação a tais palavras.

- É fácil para você dizer – a ruiva retrucou, olhando-se no espelho. Seu rosto estava ligeiramente verde – Não foi você quem dormiu com um professor e agora vai ter que jantar com ele e com seu pai ao lado.

Hermione não respondeu, é claro. Não havia nada que pudesse dizer contra o argumento da amiga, até porque as duas sabiam que aquela era a verdade. Quando ficaram finalmente prontas, Hermione caminhou na direção de Ginny e pegou em sua mão, apertando-a com força. Então as duas começaram a se dirigir ao Salão Principal.

Se Ginny estava nervosa em relação ao jantar, o que ela sentia não era nem metade do que se passava pela cabeça de Harry naquele momento. As mãos dele suavam, e a todo momento ele olhava ao redor, esperando que a qualquer instante os Weasley iriam chegar e o pai e os irmãos de Ginny iriam enchê-lo de porrada. Claro que Ginny não era tão louca a ponto de contar para eles o que havia acontecido na noite anterior, mas Harry com certeza estava tão louco a ponto de considerar essa possibilidade.

- Você está bem, Harry? – a voz de Dumbledore interrompeu seus pensamentos.

- Estou ótimo – Harry respondeu, olhando para o diretor, que estava sentado a uma cadeira de distância.

Como na noite do jantar de boas vindas, as mesas compridas que normalmente ocupavam o Salão tinham sido substituídas por várias mesas menores e redondas. Ao redor deles, muitos estudantes já estavam sentados em seus respectivos lugares, junto com seus pais e outros professores. Em seu tempo, Harry lembrou, ele costumava ficar olhando para seus colegas enquanto a noite passava. Achava hilária a expressão deles quando os professores contavam aos seus pais as coisas que eles tinham aprontado, ou então as notas vermelhas que tinham sido escondidas. Mas naquele momento, sentado ao lado do diretor e esperando a chegada de Ginny, ele nunca se sentiu tão simpatizante em relação aos seus colegas de antigamente.

Após mais alguns minutos angustiantes, foi com alívio que Harry pôs os olhos em Ginny e Hermione, vindo em direção à mesa. Claro que o alívio só durou alguns segundos, pois logo ele se lembrou que, depois do jantar, iria ter que conversar com Ginny sobre sua saída de Hogwarts, e o fato de ela parecer uma deusa quando sentou ao seu lado não ajudou muito. Seus olhares se cruzaram, mas os dois desviaram o rosto rapidamente, virando-se para encarar o diretor. Ele olhou com curiosidade para eles, mas depois fingiu não ter percebido.

Os joelhos de Harry e de Ginny se chocaram enquanto ela se acomodava à mesa, e um arrepio percorreu por seu corpo. Harry olhou para ela novamente, e ela se virou para a etiqueta à sua frente, que indicava que ela teria que sentar ali. Xingou as pessoas que tinham organizado a distribuição de lugares. Normalmente não se importaria de sentar-se ao lado de Harry, mas aquele jantar em especial era a pior oportunidade para brincar de aluna e professor embaixo da mesa. Ela olhou para ele rapidamente, e percebeu que estava tão desconfortável quanto ela – se não estava mais.

Harry olhou despreocupadamente para a etiqueta que indicava quem sentaria ao seu lado. A sensação foi como se seu estômago estivesse afundando quando viu o nome do pai de Ginny escrito com aquela letra elegante. A própria garota percebeu o olhar desolado em seu rosto e deu uma espiada na etiqueta.

- Não se preocupe – ela sussurrou para Harry após ver que seu pai se sentaria ao lado dele – Tudo vai correr bem.

A mão de Ginny em seu joelho só fez as coisas piorarem. Ela provavelmente achava que o carinho iria reconfortá-lo, mas só fazia deixá-lo mais nervoso – e triste, também, ao perceber o quanto ela se importava com ele (e ao lembrar o quanto se importava com ela também).

Hermione estava sentanda em frente aos dois, e fingiu não perceber o que estava acontecendo entre eles. Mas não foi necessário ficar com o rosto virado para o lado por muito tempo, já que logo os gêmeos e o Sr. Weasley chegaram, e a aproximação deles fez com que Harry e Ginny se separassem rapidamente, chegando até a afastar as cadeiras.

- Boa noite a todos – disse o Sr. Weasley, com sua costumeira simpatia e educação. Apertou a mão do diretor, então beijou a mão de Hermione e deu um beijo na cabeça de Ginny. Quando parou ao lado do professor Potter, este se levantou desajeitado e eles sacudiram as mãos – É um prazer conhecê-lo. Sou Arthur Weasley.

- Harry Potter. O prazer é meu.

- O professor Potter foi a nossa mais recente adesão ao corpo docente – explicou o diretor Dumbledore.

- Mas ele é o professor mais maneiro que temos – Fred disse sem a mínima educação, e George se apressou a concordar.

Harry, durante o semestre que tinha passado, tinha feito amizade com a maioria dos alunos, e atribuía essa afinidade ao fato de ter praticamente a mesma idade que eles. Por isso mesmo, não conseguiu impedir a culpa de se apoderar de seu corpo ao ouvir os elogios de Fred e George. O que eles pensariam de seu melhor professor se descobrissem que ele tinha transado com a irmã caçula deles? Esse pensamento fez com que Harry ficasse extremamente pálido, e Ginny percebeu, mas não se atreveu a confortá-lo. Se Harry podia enfrentar Snape tranquilamente, por que não poderia enfrentar aquelas pessoas bem mais simpáticas do que o seboso?

Mas aquele era exatamente o problema: o pai de Ginny era um dos homens mais bondosos que Harry já tinha tido o prazer de conhecer, e não demorou mais do que alguns minutos para ele chegar a essa conclusão. Enquanto esperavam Ron chegar, todos começaram a conversar e, à medida que Harry e o Sr. Weasley se entendiam como se fossem amigos há muito tempo, Ginny se tranqüilizou. Entretanto, aquilo só fazia com que Harry se sentisse cada vez mais perturbado.

- Onde está o Ron? – o Sr. Weasley perguntou com a testa ligeiramente franzida, depois de vinte minutos que estavam conversando.

- Sinto muito, pai – Ginny respondeu – Nenhum de nós sabe onde ele se meteu.

Como se estivesse respondendo ao questionamento do pai, Ron apareceu nas portas do Salão, ligeiramente suado e ofegante, como se tivesse corrido até lá. Hermione girou os olhos sem que ninguém notasse. Típico dele. Ela poderia apostar todo o dinheiro de seus pais que ele tinha dormido e se esquecido do jantar. Quando ele se sentou ao seu lado, ignorando completamente a cadeira ao lado de Ginny que dizia que aquele era o seu lugar, o pai dele perguntou:

- Filho, o que aconteceu?

- Eu tive que cuidar de algumas coisas antes de vir para cá, e acabei me atrasando – Ron respondeu – Sinto muito.

Hermione olhou desconfiada para ele. Sabia que tinha sentado ao seu lado de propósito, mas não estava nem um pouco mais propensa a perdoá-lo do que estava pela manhã. Observando seu perfil, ela notou que ele não estava com sua cara de quem tinha acabado de acordar que tinha se tornado tão dolorosamente familiar para ela durante as férias. Então ele não dormiu. Provavelmente estava jogando vídeo game como um garotinho.

De repente, seus pensamentos foram interrompidos ao sentir algo tocando sua mão embaixo da mesa. Quase pulou com o susto, mas no final conseguiu se controlar. Olhou com raiva para Ron, ao perceber que era a mão dele que estava procurando pela sua. Afastou-se rapidamente e desviou o olhar.

O garoto, entretanto, não desistiu. Tinha chegado atrasado exatamente porque tinha escapado de Hogwarts para ir até Hogsmead, procurar pelas orquídeas que Hermione tinha confessado, certo dia, serem suas flores preferidas. Como não poderia trazer todas na mão sem que ninguém notasse, ele tinha pego apenas uma e guardado no bolso do smoking para entregar a ela. Sendo assim, ele pegou a flor com a mão e, com a outra, agarrou o pulso de Hermione por baixo da mesa. Sem poder se movimentar bruscamente para arrancar o braço das mãos dele, Hermione apenas deu um pequeno puxão que de nada adiantou, e lhe lançou um olhar de raiva. Mas antes que ela finalmente perdesse a paciência e gritasse para que Ron a largasse – e ele não duvidava que ela fizesse isso -, ele empurrou a orquídea delicadamente em sua mão. Ao sentir aquela textura diferente na palma, Hermione hesitou e olhou ao redor antes que abaixar a cabeça para verificar o que Ron tinha lhe dado. Seus olhos se arregalaram em surpresa ao ver a orquídea, se perguntando como ele tinha lembrado. Afinal, na hora em que tinha dito para Ron que sua flor favorita era a orquídea, eles estavam nus na cama dele, e, embora estivessem conversando, Ron parecia estar muito mais concentrado em passar as mãos por todo lugar de seu corpo que poderia alcançar. Não achou que ele tivesse prestado atenção.

Ele sorriu para ela quando a garota levantou os grandes olhos castanhos para ele, mas não conseguiu decifrar a expressão dela. Quando ela pegou a flor carinhosamente e deixou-a em seu colo, ele achou que fosse um bom sinal, mas ela não fez mais nada além disso. Voltou-se para a conversa dos outros componentes da mesa, e, embora sua expressão tivesse se suavizado, ela não voltou a falar com Ron. Hesitante, ele esticou um braço para descansar uma mão na perna dela. Hermione não lhe lançou um sorriso ou qualquer outra coisa que indicasse que estava perdoado, mas também não lhe deu um chute acusando-o de tê-la tocado.

- Bem, o jantar já vai ser servido – comentou o diretor – Mas temo que o nosso último convidado ainda não tenha chegado.

- Ei – Ron exclamou, surpreso – Eu estou bem aqui.

O diretor riu.

- Não você, Sr. Weasley – o velho disse, ainda rindo – O professor Snape.

Se alguém percebeu os corpos de Ginny e de Harry ficando tensos depois dessa declaração, não comentou nada. Nenhum dos dois tinha notado o lugar ainda vazio ao lado de Ginny, mas quando o diretor enunciou essas palavras tudo fez sentido, e eles se perguntaram porque não tinham percebido antes. Como tinham sido burros ao pensar que a noite talvez não fosse tão ruim assim. É claro que o acaso iria trazer alguém para estragar o que, até o momento, estava prometendo ser um jantar, pelo menos, normal.

- Snape vai jantar com a gente? – George exclamou, sem se preocupar em esconder a careta – Que ótimo!

Arthur lançou um olhar de repreensão ao filho, ao mesmo tempo em que falava com uma voz que ameaçava se tornar mais alta a cada minuto.

- George...

- Ele tem razão – Ron se meteu – Ele é um fil...

- Rony! – Hermione falou com ele pela primeira vez, mas sua voz não estava agradável – Fique fora disso para não piorar as coisas.

Lançando um olhar a Ginny e a Harry, ela tentou passar à amiga uma mensagem: fique calma. Ginny pareceu entender, e assentiu para a amiga ligeiramente. Ao redor deles, o Sr. Weasley estava brigando com os filhos por causa de sua falta de educação, e Hermione logo se intrometeu para apartar a confusão, pois não queria deixar Ginny ainda mais nervosa. Quando Harry percebeu que ela tinha parado de prestar atenção nos dois, ele se virou para Ginny, sem se conter, e murmurou:

- Você contou para a Hermione?

Ginny percebeu, pelo seu tom, que aquilo não tinha agradado Harry nem um pouquinho. Pela primeira vez, ficou com medo de que ele estivesse com raiva dela.

- Contei – ela falou, se encolhendo.

- Por que diabos você faria isso? – a voz de Harry aumentava cada vez mais.

- Ela é minha melhor amiga – ela respondeu na defensiva – Não há nada sobre mim que Hermione não saiba.

Quando Harry ia abrir a boca para retrucar, todos na mesa silenciaram e ele acabou se calando. Lançando para Ginny um olhar que dizia claramente "vamos continuar essa conversa mais tarde", ele voltou-se para as pessoas na mesa e Ginny fez o mesmo, sabendo que tinha piorado as coisas com Harry, que já não estavam tão bem. Mas esses pensamentos foram violentamente sugados de sua cabeça ao ver a razão do silêncio: o último convidado havia chegado, e estava sentando bem ao seu lado.

- Boa noite – Snape falou com sua voz fria.

- Boa noite – responderam Arthur e Dumbledore. Harry olhou para ele com ódio, e se perguntou se dizer "Chegou quem não devia, acabou a nossa alegria" seria infantilidade demais.

- Como vai, professor Snape? – Arthur falou cordialmente, sem notar a infelicidade da maioria das pessoas na mesa.

- Vou muito bem, Sr. Weasley – Snape respondeu – E o senhor, como vai? Já conheceu o nosso adorado professor Potter?

É claro. Já ia começar. Harry sabia que não iria demorar muito.

- Estou ótimo – o outro respondeu – E, sim, conheci o Harry. Achei-o um rapaz ótimo e muito competente – ele complementou, dando um sorriso simpático para Harry.

- Ah, com certeza a sua filha acha o mesmo – Snape disse como quem não quer nada.

Harry cerrou os pulsos por baixo da mesa, se controlando para não dar um soco no narigão nojento de Snape. O Sr. Weasley franziu a testa, sem entender.

- O que quer dizer com isso?

- Só quis dizer que a Srta. Weasley e o professor Potter são muito próximos. Com certeza, se perguntar, ela lhe dirá que ele é o melhor professor da escola, não é? – ele falou, lançando a Ginny um olhar inocente.

- Claro que não – Ginny rebateu, com o queixo erguido – Certamente, eu não deixaria Harry pegar o seu posto no meu coração, professor Snape – disse, sarcasticamente.

Snape estreitou os olhos.

- Vejo que o senhor também já pegou o mesmo costume de sua filha, de chamar o professor Potter pelo primeiro nome – ele disse.

- Eu insisti que Harry me chamasse de Arthur. Acho que seria muito apropriado que eu o chamasse de Harry, em troca.

- Talvez ele queira outra coisa em troca – Snape disse, olhando para Ginny.

Após esse comentário, seguiu-se um silêncio confuso. Quando o Sr. Weasley estava prestes a abrir a boca para perguntar o que diabos estava acontecendo, eles ouviram um grito de raiva que não pareceu vir de nenhum deles. Todos se viraram à procura da pessoa que tinha produzido aquele som, pois ela parecia estar bem próxima. Foi quando deram de cara com Lavender Brown, salivando atrás de Ron e Hermione. Os dois também tinham se virado para olhar, e, no movimento, Hermione tinha deixado sua perna fora da toalha da mesa, e a mão de Ron ainda estava lá. As pessoas do outro lado da mesa não poderiam ver, mas Lavender estava vendo tudo muito claramente. E Ron nem se deu ao trabalho de retirar a mão.

- Ronald Weasley! – ela gritou, o rosto vermelho de raiva. Todos ao redor deles pararam para olhar – O que você pensa que está fazendo?

Por um ou dois segundos, Hermione pensou, pelo olhar apavorado de Ron, que ele iria correr até Lavender para beijá-la e se desculpar. Mas não foi isso que aconteceu.

Seu olhar petrificado se transformou em determinação, e, lançando um olhar de "eu te disse" para o pai, ele se levantou.

- Escute, Lavander... – ele começou, com uma voz gentil, mas determinada. Não queria fazer a garota passar vergonha, mas se fosse necessário, ele o faria.

- Escutar? – Lavander o interrompeu – Escutar? Escute você, seu filho d...

- Huhum – o diretor Dumbledore pigarreou – Srta. Brown, por favor, se acalme...

- Eu me arrumei todinha para vir te encontrar aqui, porque achava que você simplesmente tinha esquecido de me avisar que nós iríamos jantar na mesma mesa, como fazemos todos os anos, mas em vez disso eu chego aqui para descobrir que todos os lugares estão ocupados... – ela falava sem parar, sua voz aumentando cada vez mais, assim como a fumaça que parecia sair de suas orelhas – E ainda dou de cara com você cheio de brincadeirinhas com essa daí embaixo da mesa! – ela indicou Hermione com o queixo.

Se os espectadores esperavam que Ron fosse ficar envergonhado como Hermione, se decepcionaram. Ele ignorou os olhares surpresos de seu pai, dos professores e dos gêmeos, e falou para Lavander com a voz mais calma que conseguiu encontrar.

- Eu sinto muito – ele disse, e estava sendo sincero – Não queria que acabasse assim.

A expressão no rosto de Lavander foi extremamente hilária, e, por um momento, Ginny esqueceu todos os seus problemas e começou a rir. Harry lhe lançou um olhar para que ela tentasse disfarçar, mas nem ele parecia estar conseguindo controlar o riso direito. Estava na cara que Lavender, por mais raiva que estivesse sentindo de Ron naquele momento, não tinha pensado em acabar o namoro com ele.

- Acabar? – ela exclamou, a voz tão desafinada por causa do susto que chegava a dar pena – Quem falou em acabar? O que você quer dizer com isso?

- Você entendeu o que eu quis dizer – Ron respondeu friamente. Então virou-se para seu pai, ignorando Lavender totalmente – Sei que você não queria que eu fizesse isso, mas a culpa é toda sua se eu perdi a paciência.

Arthur olhava de boca aberta para Ron. Sinceramente, não estava nem aí para seu cargo. Estava simplesmente surpreso com o escândalo que Lavender estava fazendo, e não conseguia perdoar a si mesmo por ter feito o filho agüentar uma garota como aquela por tanto tempo.

- Hã – ele falou, ainda sem palavras – Por mim, tudo bem. E pode deixar que eu cuido da sua mãe.

Foi a vez de Hermione arregalar os olhos. Ela não acreditava que Ron tinha feito aquilo, mas o que foi mais difícil para ela de aceitar foi que tinham acabado de receber permissão do pai de Ron. Sem se esconder. Sem ter que suportar seu namorado beijando outra. Sem se preocupar com Molly Weasley. Ela estava sonhando?

Ron sorriu para o pai e, então, voltou-se para Hermione. Riu ainda mais quando olhou para aquela expressão aparvalhada dela. Puxando seu braço para que ela ficasse de pé, ele passou os braços ao redor de sua cintura a e puxou para si. A orquídea caiu esquecida no chão, enquanto ele encostava seus lábios nos lábios trêmulos dela, e aquele beijo pareceu durar a eternidade. Quando se separaram, Hermione sorria, mais ainda parecia confusa.

- Eu te amo – Ron falou para ela, com a voz alta.

Hermione não conseguia responder de tão surpresa que estava. Se tivesse olhado para os lados, teria visto todos do Salão olharem estupefatos para eles quando ela passou a mão pela nuca de Ron e o puxou para mais um beijo, que com certeza foi até mais eficiente do que um "Eu também te amo".

- Bem – disse o diretor, constrangido – Acho que o jantar acabou.

Todos pareceram concordar, incluindo Hermione e Ron, que finalmente se separaram e foram os primeiros a saírem do Salão Principal. Pigarreando, os gêmeos se levantaram da mesa.

- Com licença – falaram juntos, saindo da mesa o mais rápido possível.

- Para mim também – Ginny falou. Não agüentava mais ficar ali.

Quando ela saiu, Harry cumprimentou com a cabeça rapidamente as pessoas que ainda estavam na mesa, e foi atrás dela. Esperou até que os dois estivessem fora do Salão para correr mais um pouco e alcançá-la. Puxou seu braço e ela se virou para encará-lo.

- Precisamos conversar – ele disse, sério.

Ginny não pareceu ter percebido seu tom de voz. Olhou para ele aliviada, ao ver que ele estava disposto a passar algum tempo com ela naquele momento. Tudo o que precisava naquele momento era estar nos braços de Harry mais uma vez, então foi de boa vontade que ela o seguiu até os aposentos dele. Quando entraram na sala, o olhar dos dois foi logo para a escrivaninha em cima da qual tinham feito amor no dia anterior. Depois seus olhares se encontraram, e Ginny sorriu, mas Harry não fez o mesmo, apenas continuou andando em direção à porta que dava para seu quarto. Segurou a porta para que Ginny passasse, e então a fechou atrás de si.

- Ginny... – ele começou a falar, mas ela o interrompeu.

- Eu sei que você quer conversar – Ginny aproximou-se dele, e suas mãos pegaram o rosto dele delicadamente, puxando-o para si – Mas não podemos deixar essa conversa para depois? Eu realmente preciso de você de novo, Harry.

Harry congelou àquelas palavras. Olhou para Ginny e viu o desejo em seu olhar. Sempre soube que ela seria uma mulher com bastante disposição na cama, desde o primeiro momento em que falou com ela. Mas sabia que a necessidade que ela tinha não era apenas desejo, pois ele sentia o mesmo. Sentia que, se não a possuísse naquele momento, sua cabeça iria estourar de tanto estresse. Ele precisava da mulher que amava.

Decidindo que aquilo seria sua despedida, ele sorriu e baixou o rosto para que seus lábios encontrassem os dela. Ginny passou os braços ao redor de seu pescoço e enterrou as mãos em seus cabelos curtos da nuca, enquanto Harry rodeava a cintura dela com o braço e a puxava para tão perto que Ginny teve que arquear o corpo. Sua língua viajava pela boca dela, explorando cada detalhe para que nunca mais esquecesse. Beijou-a por muito tempo, para que o gosto doce de Ginny ficasse impregnado nele para sempre.

Ela nunca se esqueceria daquele beijo. Pôde senti-lo do fio de cabelo até os dedos dos pés, e por todo o caminho entre esses dois pontos. Nas outras vezes que eles tinham se beijado, tudo tinha sido muito ávido e desesperado – não que tivesse sido ruim. Mas daquela vez, Harry a beijava com tanta intensidade e carinho que deixou Ginny mole em seus braços. Pararam apenas quando lhes faltou ar.

Harry começou a andar na direção da cama, com Ginny ainda em seus braços, fazendo com que ela andasse de costas. Como tinham parado de se beijar, ele aproveitou para puxar o zíper de seu vestido, mas sem pressa. Essa noite não seria como o dia anterior. Essa noite ele teria paciência, e iria extrair tudo o que podia de Ginny, vagarosamente, até que os dois estivessem roucos de gritar e não conseguissem mais sentir prazer pois já tinham sentido todo o prazer do mundo.

Colocou as mãos na cintura dela para que parassem de andar. Estavam a alguns centímetros da cama, apenas. Lentamente, ele desceu as mãos, levando o vestido para baixo também. Então beijou cada pedacinho de pele que descobria, seu pescoço, seus ombros, seu colo... quando seus seios cobertos pelo sutiã apareceram, ele deu um beijo na região entre eles e continuou descendo. Ginny tinha enfiado as mãos em seu cabelo mais uma vez, e a cada beijo sua respiração ficava mais entrecortada e o aperto em nos cabelos do moreno aumentava um pouco. A barriga lisa dela foi revelada, e ele parou de segurar o vestido apenas momentaneamente, para segurar cintura dela. Enquanto percorria seu abdômen com os lábios e a língua, Harry movimentava também os dedos polegares, fazendo massagem nas laterais da barriga de Ginny. Ela riu quando a língua quente de Harry atingiu um ponto que a fazia sentir cócegas, e então ele voltou suas mãos para o vestido. Continuou descendo o vestido e os beijos, até que sua boca estava na região do baixo-ventre de Ginny, e seu queixo estava roçando na renda branca da calcinha dela. Sem descer os beijos, ele terminou de tirar o vestido, passando as mãos pelas pernas torneadas da garota. Então deu um simples beijo na frente de sua calcinha, o que fez Ginny gemer baixinho, e se levantou para olhá-la nos olhos novamente.

Sem quebrar o contato visual, Harry tirou o smoking e, aos poucos, desabotoou a camiseta. Ginny acompanhou cada um de seus movimentos, seus olhos praticamente comendo Harry vivo. Ela teve vontade de lamber aquela barriga de tanquinho inteira, assim como ele tinha feito com a sua, mas ele não permitiu. Voltou a andar, e Ginny teve que se mover de costas, até que seus joelhos bateram na cama e ela parou, se desequilibrando. Harry a segurou, pelos braços, e começou a beijar seu pescoço. Um arrepio percorreu o corpo dela quando Harry a mordeu, ao mesmo tempo em que descia as mãos carinhosamente pelos seus braços até os pulsos. Então ele se inclinou, obrigando Ginny a sentar na cama, e depois a fez deitar-se. Ginny abriu as pernas para que ele pudesse deitar-se por cima dela, mas ele não encostou seu corpo ao dela. Ainda segurando seus pulsos, Harry levantou os braços de Ginny para cima da cabeça da garota, e os prendeu lá com as mãos. Voltou a beijá-la, sua língua percorrendo a boca de Ginny com mais avidez do que antes. Seus beijos começaram a descer novamente, e quando ele não podia mais segurar os braços dela, os puxou e os prendeu ao lado do corpo da ruiva.

Dessa vez, Harry não passou direto por seus seios, e Ginny ficou eternamente grata por isso. Sem dificuldade, ele tirou o sutiã do corpo dela e o colocou na cabeceira ao lado da cama. Ela gemeu baixinho quando sentiu os lábios de Harry ao redor de seu mamilo direito, e enquanto a língua dele fazia todo tipo de brincadeiras com um seio, a mão dele massageava o outro. Com o dedo indicador, ele fazia círculos ao redor do mamilo de Ginny, e logo os bicos de ambos os seios estavam eriçados e vermelhos. Ginny fechou os olhos quando Harry trocou de seio e começou a lamber seu mamilo esquerdo, e ofegou quando ele lhe deu uma leve mordida.

Sabendo que ela iria gostar ainda mais do que estava por vir, Harry ignorou o resmungo de Ginny quando ele tirou a boca de seus seios. Começou a descer seus beijos até a barriga dela, mas não se demorou tanto quanto antes. Logo tinha chegado ao seu baixo-ventre, e a renda da calcinha dela roçava em seu queixo novamente. Levantou o rosto apenas para retirar a calcinha, e olhou para Ginny durante todo o processo. Queria gravar em sua memória a expressão dela quando estava sentindo prazer.

Ela ofegou quando sentiu os lábios de Harry em sua intimidade. Ele passou a língua vagarosamente por toda a extensão de sua vulva, e então fez isso mais vezes e com mais rapidez. Parou por um momento, apenas para brincar com o clitóris dela. Ginny apertou com força os lençóis quando Harry chupou aquele pequeno pedaço de carne que ela nunca achou que poderia lhe provocar tanto prazer. Então ele voltou a percorrê-la por inteiro, e de repente a penetrou com a língua, fazendo com que ela gemesse alto e flexionasse os dedos dos pés. Ele continuou a penetrá-la com língua por mais algum tempo, e os gritos de Ginny aumentavam cada vez mais.

Parou apenas para, no lugar da língua, penetrá-la com o dedo. Ela tinha fechado os olhos e estava com o corpo totalmente arqueado. Harry enfiou mais um dedo, e Ginny sentia que poderia morrer a qualquer momento. Ele a penetrava rapidamente, levando-a à loucura, principalmente quando voltou a baixar o rosto e sua língua encontrou o clitóris dela novamente. Harry aumentou a velocidade com que enfiava seus dedos, e não parou de massagear seu clitóris em nenhum momento, até que os gemidos de Ginny estavam tão altos que provavelmente poderiam ser ouvidos desde Hogsmeade, e, com um grande tremor, ela sentiu o orgasmo percorrer todo o seu corpo e desorientar seus sentidos por algum tempo.

Ofegante, ela olhou para Harry, percebendo que ele ainda não tinha terminado. Sem pressa, ele tirou sua calça e sua cueca, revelando o membro rígido e pulsante. Olhando nos olhos dela, Harry deitou-se em cima de Ginny e a penetrou tão devagar que achou que fosse gritar em agonia. Mas não tinha desistido de seus planejamentos: naquela noite, tudo iria ser devagar.

Penetrou-a tão profundamente quanto pôde, e Ginny se arqueou para ajudar. As mãos dela rodearam sua cintura e subiram pelas suas costas sensualmente. Beijando-a no pescoço, Harry se afastou, apenas para voltar a penetrá-la vagarosamente. Os gemidos roucos e baixos de Harry no ouvido de Ginny a estavam deixando ainda mais excitada. Quando ele chegou ao limite de penetração, ela desceu as mãos para as nádegas dele, apertou-as e o puxou para ainda mais perto. O gemido que Harry soltou dessa vez foi maior, e ele ficou impressionado com Ginny. Será que ela realmente nunca tinha transado com ninguém antes dele? Ela sabia tudo o que fazer, na hora certa, e do jeito certo. Mais uma vez, ele saiu e entrou, só que mais rapidamente. Ainda segurando sua bunda, Ginny o ajudou a ir até o fim novamente. Aos poucos, Harry começou a se movimentar mais rapidamente.

As mãos de Ginny subiram para seus ombros, e lá ela cravou suas unhas sempre bem-feitas. Adorou a sensação dos músculos de Harry se contraído sob sua pele. Logo as lamúrias dos dois enchiam todo o quarto, e Ginny passou as pernas ao redor da cintura de Harry. Aprendeu muito facilmente qual era o ritmo dele, e começou a subir o quadril junto com o moreno. Aquela sensação maravilhosa em seu baixo ventre aumentava cada vez mais, assim como o prazer que Harry estava sentindo com Ginny ao redor de si. Mais uma vez, se surpreendeu que uma garota como ela, que estava fazendo sexo pela segunda vez na vida, pudesse lhe proporcionar sensações que nunca tinha sentido com mais ninguém.

Pela segunda vez, Ginny chegou ao limite, e o tremor que percorreu seu corpo foi ainda maior do que uma hora atrás. Sentiu ondas de prazer subirem e descerem pela sua coluna espinhal por vários segundos, todos os seus músculos se contraíram, para que, de repente, ela caísse molemente nos lençóis. Harry tinha parado momentaneamente de penetrá-la, apenas para observá-la no ápice. Era uma imagem que nunca sairia de sua retina.

Mas ele ainda não tinha acabado. Continuou penetrando-a, cada vez mais rápido, e Ginny voltou a arranhar suas costas – ele chegou à conclusão de que adorava quando ela fazia aquilo. Enquanto sentia seu orgasmo chegar, todos os seus pensamentos voaram para longe, e quase revirou os olhos de tanto prazer. Derramou-se dentro dela, gozando mais do que jamais tinha feito, e deixou um último gemido alto escapar de sua boca. Ofegante, ele saiu de dentro de Ginny e caiu pesadamente ao lado dela.

Os dois respiravam com dificuldade, olhando para o teto e imaginando o que tinha sido aquilo. Harry estava simplesmente morto, esgotado até sua alma, mas nunca tinha ficado tão satisfeito. Virou a cabeça para olhar Ginny, e ela virou-se para ele também. Dessa vez, quando ela sorriu, ele sorriu de volta. Puxou-a para seu peito, e ela encostou a cabeça ali com o maior prazer, ouvindo o coração dele bater rapidamente. Harry começou a mexer em seus cabelos, e o último pensamento que Ginny teve antes de dormir foi que tinha sido esperta ao escolher um cara com tanta experiência.

Parecia um anjo quando estava dormindo. E aquilo só fazia a situação ficar ainda mais dolorosa. Enquanto olhava para o rosto calmo de Ginny ao seu lado, Harry teve vontade de jogar tudo para o ar e ficar em Hogwarts até que ela se formasse, e quando isso acontecesse, ele a seguiria para onde quer que ela fosse. Entretanto, sabia que aquilo não era a coisa certa a fazer. Seu coração estava apertado de angustia, e ele tinha vontade de se socar por ter deixado aquilo acontecer. Lembrou do pai de Ginny, e de como ele tinha lhe tratado bem, inocentemente pensando que ele apenas era um bom professor, e que isso era o motivo de sua filha gostar tanto dele. Imagine se ele descobrisse o que Harry tinha feito com Ginny na noite passada. Harry seria queimado vivo, e não discordaria. Ginny tinha dezessete anos; Harry tinha vinte e três. E era um grande babaca irresponsável.

- Bom dia – ele ouviu a voz rouca e doce de Ginny ao seu lado.

Olhou para ela, e soube que a garota tinha visto em seu olhar que havia algo errado.

- O que aconteceu? – perguntou, preocupada.

- Precisamos conversar – Harry olhou sério para ela, ao mesmo tempo em que sentia cada célula de seu corpo gritando de dor e angústia – Nós fizemos uma grande besteira, Ginny.

Ela franziu a testa, tentando entender.

- Como assim?

Harry respirou fundo, para controlar-se. Pela primeira vez na sua vida, tinha vontade de chorar.

- A noite de ontem foi uma despedida.

Ela olhou para ele ainda confusa, mas Harry percebeu que ela estava começando a entender.

- E por que foi uma despedida? – Ginny perguntou, mesmo que soubesse que a resposta não iria lhe agradar. Com o coração na boca, ela aguardou até que Harry lhe respondesse.

- Porque eu vou embora de Hogwarts.

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N/A: muahahaha. Será que ele vai embora mesmo? O que Ginny vai fazer se ele for? Só no próximo cap!

Gente, eu não to com tempo pra responder aos comentários agora, então vai ter que ficar pro prox cap =( Odeio quando não posso responder vocês!

Enfim, espero que tenham gostado desse cap, e espero que não me odeiem muito por ter que ignorá-los hoje ou por ter acabado o cap na parte mais tensa (mas qual seria a diversão se eu não fizesse isso? Kkkk). Aproveitando que eu não vou poder responder a todos, gostaria de mandar um recadinho geral: muito obrigada a todos que lêem a minha fic, todos que comentam, que add aos favoritos e etc. Vocês fazem tudo valer a pena! Nunca pensei que tanta gente fosse gostar da minha fic =) Um grande beijo, e próximo cap no domingo (03.10).