Capítulo 14
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Será que essa quinta infernal não vai acabar nunca? Três e meia da tarde, Sala Comunal da Grifinória, minha poltrona.
Sério mesmo, o que mais pode acontecer hoje? Tipo, falando sério? UGH, estou com tanta raiva. Eu só não sei se eu sinto mais raiva dele ou de mim mesma.
Mas eu sei que quando eu saí da sala comunal depois do que aconteceu e fui andar perto da floresta, eu sentia só uma grande humilhação. Uma sensação horrenda, tipo, despedaçada por inteiro sabe. Mas acho que agora, sentada na sala comunal vazia, matando minha aula de transfiguração e prestes a escrever o ocorrido, eu só sinto é raiva. ÓDIO PURO.
Quando eu parei de escrever aqui e subi para o dormitório masculino, Potter estava deitado na sua cama, de barriga pra cima, brincando eternamente com aquele pomo idiota. Ele olhou para mim, enquanto eu atravessava o quarto e me sentava na cama de Sirius, ao lado da dele.
- Veio pedir outro beijinho, Evans? – Ele falou, sorrindo cinicamente.
Eu registrei o 'Evans'.
- Quase isso, idiota. Eu vim só te dizer que foi a pior coisa que já aconteceu em toda minha vida. Só pra você ficar sabendo. – Eu terminei, dando de ombros.
- Pior que o quê, exatamente? – Ele perguntou, sentando-se.
- Pior experiência com um garoto, eu quis dizer.
- Ah é, né, porque você tem TANTA experiência quando o assunto é garotos... – Ele falou, rolando os olhos.
AHH, imbecil. Vá se ferrar.
- Como se você pudesse saber com quem eu me relaciono ou deixo de me relacionar. – Eu respondi, estreitando os olhos.
- Acredite, Evans, eu sei. – Ele falou, com o tom que ele deve ter pensado que fosse enigmático.
- Ah, é. Esqueci que você é um imbecil obcecado por mim, desculpe.
- Eu estava mais é falando sobre nesse castelo nós não termos privacidade ou coisa assim, sabe, porque aqui tudo o que você faz é descoberto e...
- Tá, tá. – Eu disse, abanando minha mão para ele, em sinal de descaso. Tanto faz o que ele pensa. - De qualquer maneira, eu sei que você não é capaz de entender de primeira, mas eu não estou falando de quantidade, Potter, eu estou falando de qualidade.
- Oh, sim, realmente meu beijo deve ser bem pior do que o de Amos Diggory ou o de Edmund Heinkain, ou o de Gabriel Strampson, ou o de Caio Ergsh, ou o de Erick Hidden ou até mesmo de Edward Thompson, não é?
Meu, ele é doente. Ele sabe o nome de todos os garotos com os quais eu fiquei nesse castelo. Eu sei que são poucos, mas cara. Eu fiquei com Caio Ergsh no terceiro ano. Ele foi o meu primeiro ficante. Bom, talvez seja exatamente por esse motivo que ele lembra. Mas e Edward Thompson? Eu fiquei com Edward no fim do quino ano, num passeio em Hogsmeade. Ninguém deveria saber, a não ser meus amigos. Ok, Sirius deve ter contado pra ele mas...
EI.
SIRIUS.
Há, Potter vai querer morrer depois dessa...
- Uh, acho que você está se esquecendo de uma pessoa, não, Potter? – Eu falei, um sorriso de escárnio nascendo na minha boca. E crescendo ao ver a reação dele.
Potter ficou mais rígido instantaneamente. O sorriso cínico desapareceu. A postura metida também. Ele agora era só o pobre menino traído por ser melhor amigo, quase como há três anos, quando fiquei com Sirius no fim ano, na primeira festa na qual nós comparecemos, na Sala Comunal.
- Huuum, - Eu comecei. Hoho, escárnio puro. Ele era um trasgo, tinha provado isso me agarrando. Merecia essas brincadeirinhas de mau-gosto. – Então mais uma coisa que eu descobri. – Eu acrescentei, enquanto me levantava e me olhava no espelho que havia pendurado na parede, entre as duas camas. – Primeiro descobri que você ainda se freia com uma ameaça de uma garota. Segundo que você realmente ainda NÃO superou essa coisa toda de eu ter ficado com Pads. – Eu disse, me virando para encará-lo. – É uma pena, Potter.
Ele levou alguns segundos a mais do que pretendia para se recompor.
- Que seja. – Ele falou emburrado. – Você não poderia saber mesmo.
- Hã?
- Aquilo nem foi um beijo pra valer. – Ele falou, guardando o pomo no bolso.
As mãos dele estavam livres: MAU SINAL.
- Nem vem, Potter, fique longe de mim. Juro que se encostar um dedo que seja em mim novamente, eu te mato.
- Uuuuh, que medo... - Ele zombou, levantando-se devagar.
- Eu estou avisando. É melhor fic- Potter, NÃO!
Ele me derrubou deitada na cama de Sirius. Ou pior: ele NOS derrubou deitados na cama de Sirius. Ele estava em cima de mim, e juro que se não fosse o Potter, eu adoraria. Tipo, qualquer outro abençoado com um corpo desses em cima de mim.
QUALQUER OUTRO.
- PÁRA! PÁRA, POTTER. NÃO! NÃO OUSE MOVER NEM MAIS UM MÚSCUL-
- Er, desculpa. – Sirius murmurou sorrindo, enquanto fazia meia-volta e tentava sair de fininho do dormitório.
- NÃO, SIRIUS! SIRIUS!!! VOLTA AQUI, PADS! – .MERLIM. Vou matar o Sirius, fato. - POTTER! – eu gritei, aproveitando enquanto ele piscava para Sirius para pegar minha varinha. – Juro que se você tentar qualquer coisa, Potter, qualquer coisinha que seja, eu te deixo inteirinho coberto de bolhas de pus, e eu não estou brincando! – eu falei, enquanto empunhava a minha varinha bem no meio do seu rosto.
Ele abriu aquele sorriso master perfeito E idiota dele.
- É o melhor que poderia fazer, Evans? Me lançar uma azaração?
- Com certeza não, Potter, mas pelo menos uma azaração como essa te deixaria impossibilitado de começar a treinar no sábado. – Eu respondi, prestando atenção em cada possível movimento vindo daquela ameaça ambulante.
Infelizmente, não surtiu o menor efeito. A minha ameaça, quero dizer.
Ele simplesmente relaxou os músculos. O que não foi nem um pouco agradável, se quer saber, porque ele estava completamente relaxado sobre mim, apoiando-se apenas nos braços, situados um de cada lado da minha cabeça. Eu podia sentir a respiração dele no meu rosto, de tão perto que ele estava.
E o idiota estava RELAXADO!
Como é que EU poderia relaxar se eu tinha o garoto mais perfeito, ÓBVIO QUE FISICAMENTE FALANDO, em cima de mim, com aquele sorriso lindo bem próximo do meu rosto?
Perigosamente próximo da minha boca.
EI, ALÔ. ELE É JAMES POTTER, O IDIOTA. Mas ok, isso NÃO estava sendo agradável, porque mais um pouco e eu corria o risco de ser controlada pelos meus hormônios e fazer qualquer cagada. E aí, eu JAMAIS me perdoaria. Jamais.
- O que vai fazer agora? – Ele perguntou baixando a voz, olhando dentro dos meus olhos com uma zombaria estampada. IDIOTA.
ER, eu primeiro precisava me lembrar de como se respirava.
MEU, POR MERLIM, O QUE É QUE HAVIA DADO EM MIM?
Eu estava claramente perturbada HORMONALMENTE pelo cara que eu repugnava há tantos anos. Isso era, definitivamente, errado. Muito errado. Mas, hm, como é que ele podia ser tão cheiroso? E tipo, ser tão incrivelmente sexy e ter esse poder estúpido de simplesmente esvaziar a minha cabeça de tudo e qualquer coisa diferente de 'por favor, acabe com essa tortura e me beije de uma vez'.
MERLIM MERLIM MERLIM.
Me diga por favor que eu não pensei nisso. OH, DEUS. Ele me paga, ah se paga! Idiota desprezível, os meus valores NÃO são alteráveis apenas por uma pressão física, ok? Isso não é justo. NEM UM POUCO. Mas eu tinha que ser forte e resistir à tentação. E tipo, se eu conseguisse pensar direito, eu rapidamente teria nojo de mim mesma por ter, UM DIA, tido vontade de beijá-lo pra valer, porque MERLIM, era só o imbecil do Potter. Mas quem disse que eu conseguia pensar direito?
Eu estou dizendo. ELE. ME. PAGA.
Eu, infelizmente, mas MUITO infelizmente MESMO, fiz a cagada da minha vida AI, MERLIM, QUE RAIVA, de olhar bem nos olhos dele. Eu sou tão idiota, mas o que eu podia fazer? Eu só podia pensar em uma coisa. E infelizmente eu deveria estar pensando tanto, mas tanto, que EU (AAAAAH, ÓDIO), realmente (NÃO ACREDITO QUE VOU DIZER ISSO) dei a chance para ele me beijar. UGH. Isso mesmo. Não foi um beijo forçado. NÃO POSSO NEM AO MENOS DIZER QUE O IDIOTA DESPREZÍVEL ME BEIJOU À FORÇA, CACETE. Ele não tinha me perguntado? 'O que vai fazer agora?' EU SÓ CONSEGUI FAZER UMA COISA, ORAS. UMA IMBECIL ESTÚPIDA IDIOTA REPUGNANTE NOJENTA ASQUEROSA IMPENSADA AUTOMÁTICA E MARAVILHOSA COISA. (delete esse maravilhosa, por favor. POR FAVOR, DELETE) Eu simplesmente o beijei.
E eu sei que eu vou me arrepender muito por dizer isso (SE É QUE EU POSSO ME ARREPENDER MAIS), mas eu realmente preciso registrar que isso foi a melhor coisa da minha vida, fato.
Tipo, então agora esqueça que eu escrevi isso, porque foi a primeira E última. Nunca mais vou tocar nesse assunto, nunca mais vou pensar nisso, nunca mais vai haver uma chance pra isso acontecer. NUNCA MAIS. Porque eu simplesmente cortei todas as (inexistentes) relações com o idiota. TODAS.
E não me venha perguntar o porquê, e dizer que não entendeu, porque eu disse que foi aquilo-que-prometi-nunca-mais-dizer, ENTENDEU?
Eu odiei realmente. Eu queria poder apagar isso. Eu queria poder esquecer que um dia eu fui submetida à tal humilhação.
Admitir que fazer-aquilo-que-você-sabe-o-que-é foi aquilo-que-você-já-sabe-que-eu-disse. Eu só não vou comentar aqui que odeio o Potter mais do que eu já odiava porque isso não parece ser possível. Eu já o odeio supremamente, não há como piorar.
- Por favor, por favor. – Eu comecei, depois de tomar ar, com a voz fraca. – Me diga que isso não aconteceu. – Eu falei, ainda de olhos fechados, sentindo a respiração de Potter se afastar. Ele estava ofegante. NÓS estávamos. Eu queria matá-lo.
- Hum, - Ele disse, e eu podia ouvir cada uma E todas as notas de diversão E realização na boca do infeliz. – Pode-se dizer que sim, isso realmente aconteceu, e sabe Lil-
Eu estiquei minha mão na frente da cara dele, interrompendo-o. Ele NÃO precisava comentar. Não queria ouvir NADA sobre isso. Eu queria poder esquecer. Passou um segundo de silêncio no dormitório. Um torturante segundo em que eu AINDA podia sentir a respiração dele perto do meu rosto, mas agora eu estava totalmente certa de que eu não corria nenhum risco.
PORQUE EU JÁ TINHA FEITO A MERDA. PORQUE EU JÁ ESTAVA TOTALMENTE SÃ NOVAMENTE, PORQUE EU JÁ ESTAVA ARREPENDIDA ATÉ O DEDINHO DO PÉ.
E o pior é que eu já sabia que só estava começando.
- Potter. – Eu falei, entortando a boca. – Você por favor, por favor, poderia sair de cima de mim? – Eu pedi, fazendo toda a força que eu consegui pra poder falar, mas eu não acredito que ele tenha ouvido apenas um murmúrio. Mas eu sabia que era ou aquilo, ou um grito que se faria ouvir lá no saguão do Castelo. E eu realmente não queria que as pessoas fossem alertadas para o que estava acontecendo nesse momento.
- Nossa, quanta educação. – Ele falou, e eu AINDA podia ver, mesmo que meus olhos estivessem tão fechados quanto era possível, que ele sorria. E eu podia chutar que não era um mero sorriso. Eu confesso que eu tinha medo de olhar, porque eu sabia que o garoto estaria simplesmente radiante. Seria insuportável, para mim, olhar para uma pessoa num estado de espírito tão extremamente diferente do meu. – Mas vou atender seu pedido só porque voc-
- Não termine, por favor. – Eu disse, abrindo os olhos cautelosamente, para ver exatamente o que eu tanto temia. O rosto dele era SÓ sorriso. Não havia nenhum espaço que não estivesse iluminado. E tanta zombaria... ai, Merlim, eu merecia.
Ele escorregou para fora da cama, ficando de pé e passando a mão no cabelo, desarrumando.
Eu respirei fundo uma vez. Até isso doía, acredite em mim. Cada inspiração era como se o perfumem que estava em mim, me fizesse lembrar do que aconteceu (com detalhes, MUITO infelizmente) e cada expiração me fazia desejar morrer, pra não ter que agüentar as conseqüências da minha grande merda. Juro que foi a maior de toda a minha vida. E espero que pare por aqui, porque eu não seria capaz de agüentar coisa igual.
Eu olhei para o teto, analisando muito bem as cortinas da cama, memorizando cada detalhe, tentando adiar a hora em que eu teria que levantar dali e sair. Eu podia ficar deitada ali pra sempre, se não fosse o fato dele estar de pé ao pé da cama, estendendo a mão para mim. ELE ESTAVA ESTENDO A MÃO PARA MIM, como se eu realmente fosse pegar a mão dele, levantar da cama e anunciar o nosso noivado, ou algo assim. VÁ SONHANDO, POTTER. Eu só não conseguia ver como é que eu ia tratá-lo, porque a culpa certamente era minha. CLARO QUE ERA MUITO MAIS DELE, NÉ, PORQUE O IDIOTA FOI QUE ME DEIXOU NAQUELE ESTADO DE TORPOR. Mas eu não podia admitir isso, não é? Ou eu estaria me humilhando mais ainda. NÃO QUE FOSSE POSSÍVEL.
Eu não segurei a mão dele, não preciso dizer. Eu levantei e alisei minha roupa. Olhar ou não olhar no espelho? Eu seria capaz de agüentar o que veria? Mas era preciso, porque de que outro jeito eu iria sair dali sem dar pistas pra ninguém? Certamente meu cabelo NÃO estava super normal. Eu fui até o espelho, me recompus (apenas fisicamente né, porque eu não poderia estar mais aos farrapos por dentro) e me virei, desejando com todas as forças que Potter simplesmente me deixasse sair.
Mas eu realmente NÃO preciso dizer que isso não aconteceu, por um simples fato: ELE É O POTTER.
Ele segurou meu braço, e graças a Merlim NÃO me puxou para perto. Ele simplesmente me prendeu. Tipo, só pra me humilhar mais e impedir que eu saísse e fosse pra qualquer lugar longe dali.
Eu mirei a porta, fixando meu olhar bem ali. Eu só não sabia se era mais porque eu queria sair ou se era mais porque eu desejava muito que NINGUÉM entrasse naquela hora.
- Lily? – Ele chamou, e eu realmente não consegui identificar o que tinha na voz dele, mas eu podia afirmar que NÃO era diversão.
Eu continuei olhando para a porta. Por que ele não podia me soltar? Estúpido imbecil.
- Lily, quer olhar pra mim, por favor? – Ele pediu, e acho que eu consegui ouvir um pouco de irritação na voz dele.
Mas eu não estava interessada. Ele apertou meu braço com mais força e doeu. Eu fui forçada a olhar para ele, pra constatar que o sorriso havia desaparecido.
- Está me machucando. – Eu disse, mas fui obrigada a baixar o olhar, porque algo no olhar DELE me deixou incomodada. Ou talvez fosse só o fato de que eu precisava de tempo pra poder olhar novamente nos olhos dele, sem humilhação. MINHA HUMILHAÇÃO, porque eu cedi. Porque eu tinha sido idiota e finalmente cedido.
- Desculpe. – Ele falou, afrouxando o aperto.
- Seria melhor se você soltasse totalmente e-
- E você poderia então sair correndo. – Ele terminou a frase por mim. Com outras palavras, claro, mas exatamente corretas.
- Escuta Potter, - Eu comecei, ainda olhando pra baixo. - eu n-
- Escute você, Lily Evans. – Ele me interrompeu, alteando a voz. – Isso que você tá fazendo NÃO é normal. Você não pode simplesmente levantar e-
- Eu posso fazer o que bem entender, James Potter. – Eu o interrompi, erguendo os olhos novamente. – Ou você esperava que eu te desse a mão e te beijasse apaixonadamente, pra depois descermos e anunciarmos que vamos casar?
Ele soltou meu braço. Que seja, eu não ia sair correndo mesmo. Não antes de falar algumas coisas pra ele. Ele provocou, afinal.
- Você me beijou por que quis, Lily, não venha botar a culpa em mim agora!
- Eu não botei a culpa em você em momento algum, Potter. Eu não sou cínica como você, eu assumo os meus atos.
- Ah, eu sou o cínico agora? E quem é que veio aqui pra me xingar e acabou me beijando? – Ele falou, e eu gostaria que ele abaixasse a voz.
- Eu não acabei te beijando, seu idiota. Nós nos beijamos, assuma sua culpa pelo menos uma vez, Potter.
- Que culpa? A de ser aterradoramente irresistível? – Ele perguntou, um sorriso torto e cínico que se formando nos seus lábios. E eu nem podia negar, idiota.
- A de ter me provocado. Ok, você quer falar sério, então? Ótimo, porque eu nunca mais quero ter que conversar com você novamente, então é bom que esclarecermos tudo bem agora.
- Ótimo.
- Ótimo.
- Primeiro as damas.
Eu revirei os olhos.
- Tudo bem. O que eu disser aqui, Potter, fica aqui. Ou... Que seja, você não tem palavra mesmo. Enfim, eu só quero que algumas coisas fiquem claras. Primeiro: Você é asqueroso e desprezível, e hoje de manhã quando você me agarrou, você provou o quão estúpido pode ser, só pra provar que consegue tudo o que quer. Só uma dica: ISSO NÃO SE FAZ COM NENHUMA GAROTA. Agarrar garotas à força é simplesmente repugnante, só pra você saber. Mesmo que você pense que elas vão se derreter por você depois. Ah, lamento informar, isso é mentira, sou um exemplo vivo disso. Segundo: Tudo o que eu falei agora há pouco continua valendo, ok? Não pense que era só um pretexto pra vir aqui te beijar, né, já que você se acha tão aterradoramente irresistível. É bom também que você saiba Potter, já que eu nunca admiti, que apesar de você ser sim, irresistivelmente atraente, você é o maior idiota da face da Terra. E não faça essa cara, porque é óbvio que você já deveria saber que eu sou uma garota comum de 17 anos, e infelizmente não sou imune aos hormônios. E se você ainda quiser começar a treinar nesse sábado, acho bom que só ria quando eu não puder mais ver. Outra coisa: Que fique claro que eu posso arruinar sua vida aqui dentro se por um acaso eu deixar escapar perto de Dumbledore o que você fez comigo na ala hospitalar. Não que você vá precisar disso, caso já tenha o corpo coberto de bolhas de pus. E não pense que eu estou blefando, porque você vai se enganar. Eu garanto que sou a única em um raio de muitos quilômetros que sabe o contra-feitiço pra essa azaração. – Eu parei, respirei fundo, dei as costas e segui na direção da porta. Mas parei na metade do caminho. – Ah, quanto à você, pode recolher seus comentários só para si, e guardar sua saliva pra contar suas mentiras para os outros depois. De como eu cheguei aqui e te agarrei ou algo assim, não me importa. A última coisa que eu quero que você saiba Potter, que talvez você já tenha entendido né, mas eu duvido um pouco da sua capacidade mental, então vou deixar BEM claro: Esse beijo não significou nada para mim, a não ser que você considere o fato de que eu estou mais arrependida agora do que já estive em toda minha vida. Porque eu tenho certeza que a humilhação de ter cedido aqui vai ser a pior de toda a minha vida, e olhe que eu só tenho 17. Mas enfim, só pra você saber, eu te odeio do mesmo jeito que eu te odiava antes desse beijo, mas só porque não posso odiar mais, sabe, esse sentimento já alcançou o limite. AH! Posso fazer uma coisa que estou morrendo de vontade? Você beija muito bem, por sinal. Não fique alegrinho Potter, e não ouse me interromper, porque saiba você que eu só te disse isso porque eu tenho certeza de que se você contar para qualquer um, essa pessoa vai rir muito da sua cara, que é o mínimo que todo mundo devia fazer quando olha pra você, porque você é um idiota prepotente.
Eu me virei novamente, e andei o resto do caminho até a porta. Eu abri, olhei para ele, ergui minhas sobrancelhas quase que involuntariamente, de tanta indignação que eu sentia naquele momento, e bati a porta com toda a força. Que por sinal eu já tinha recuperado, depois de soltar tudo aquilo em cima do Potter. Eu desci as escadas pra me deparar com uma sala comunal lotada, silenciosa e atenta. TODOS sem exceção, estavam olhando para a escada, como se estivessem esperando alguém descer. E era exatamente isso que aconteceu, como Lene me contou assim que eu cheguei perto deles.
- O que foi que houve? – Ela perguntou, e naquele momento eu percebi que TODAS as coisas que tinham sido ditas lá em cima foram escutadas por eles.
- O quanto vocês ouviram? – Eu perguntei. Eu não tinha medo da resposta. Eu não podia ter, afinal de contas. Eu não tinha medo de mais nada, porque só tinha espaço para a vergonha. De mim mesma. A humilhação de ter cedido para Potter.
- Começamos a ouvir desde a hora que você gritou pela primeira vez.
Uma súbita lembrança de "Potter, NÃO!" invadiu minha cabeça.
.MERLIM, quer dizer então que TODAS aquelas pessoas que estavam na sala ouviram TUDO o que aconteceu lá no dormitório, incluindo o momento de silêncio referente ao você-sabe-o-quê e tudo o mais? Bom, se há pelo menos um ponto positivo nisso, é que elas também ouviram as coisas que eu disse a ele, antes de sair do quarto.
- Hm, então eu não preciso explicar nada. – Eu disse, me virando para sair da sala.
Eu sorri com extremamente cínica para todo mundo que estava me olhando, o que significa todo mundo que estava naquela sala, e sai pelo retrato, pra tentar fazer qualquer coisa que não fosse pensar no que aconteceu.
N/A: Eu sei que eu sou uma péssima autora que demora pra att, e que demora mais ainda pra responder as reviews. mas poxa, nenhuma review pro último capítulo é pra quebrar as pernas né, namoral. D': espero que gostem desse capítulo, e por favor, não parem com as reviews. :/
