UNIVERSAL INVARIANTS
Capítulo Quatorze: De Cabeça No Caso
Mulder passou a maioria das noites como uma múmia no sofá dele. Na escuridão, o teto dele desaparecia e o escuro parecia durar para sempre. Apenas quando o estomago dele roncava, suplicando por comida, é que Mulder se aventurava em sair pelas ruas da cidade.
Ele gostava da cobertura das sombras, se sentia como se a escuridão cobrisse os pecados dele. Scully desapareceu na noite e o céu azul de alguma forma fazia com que ela ficasse perto de novo.
Vestido em roupas suadas e tenis, Mulder saiu do prédio apenas para parar na calçada. Ele suspirou e balançou a cabeça dele à visão da van estacionada do outro lado da rua.
Mulder esperou para o trânsito ficar limpo e correu até a porta do motorista. Ethan estava sentado lá dentro, bebendo um tipo de garrafa de licor ainda enrolada em uma sacola de papel. Ele parecia com um quebra cabeças que estava faltando alguns pedaços.
"Eu só estou indo comprar pizza," Mulder disse a ele. "Não tem necessidade de me seguir."
Ethan tampou a garrafa dele e lutou para se sentar direito. "Então pizza será."
Ele cheirava como o pai de Mulder depois que Samantha desapareceu.
Mulder arranhou o tenis dele no asfalto e deu um passo saindo do caminho do carro. "Escuta, você não pode continuar me seguindo por aí desse jeito."
"Oh? Por que não?" Ethan levantou a garrafa até os lábios dele e encarou Mulder com um olhar agressivo.
"É..." Maluco. Exasperante. Vergonhoso. Era como estar sendo sombreado por ele mesmo. "Não é saudável," Mulder acabou lamentando.
"Pra mim? Ou pra você?"
"Você não tem um trabalho ou algo assim que você deveria estar fazendo ao invés disso?"
"Esse é o meu trabalho agora." Ethan estendeu suas instáveis mãos. "Eu estou de licença. Licença compassiva. É isso o que eles te dão quando sua noiva é abduzida por alienígenas, sabia?"
O barulho dos carros sumiu. Mulder segurou a porta da van. "Noiva?"
Ethan concordou consigo mesmo. "Ela ia se casar comigo. Você pode acreditar? Eu não achei que ela diria sim, mas ela disse."
"Ela... ela nunca me contou."
Ethan tomou outro gole da garrafa dele e então estendeu através da janela aberta para Mulder. "Você quer um pouco?"
Mulder acenou negando. "Você devia ir pra casa."
"Eu não posso." Ethan inclinou a cabeça pra trás e olhou para Mulder com os olhos estreitos, escuros.
"Muito silencio por lá. Tudo o que eu vejo é sangue nas paredes."
Mulder apertou os olhos dele bem fechados e viu a mesma imagem repulsiva. Aqui estavam eles, dois homens lamentando pela mesma mulher, da mesma maneira. Apenas a dor de Ethan tinha legitimidade.
Mulder balançou a cabeça para clarear a mente e bateu levemente na porta de Ethan através da janela. "Vamos, eu te arranjo um taxi. Você não pode ficar aqui."
"Eu não sou um policial como você. Eu não sei onde procurar. Eu imagino o que eu posso. Tento seguir as pistas. Você é a única pista que eu tenho, Mulder."
"Eu queria poder ajudar você. Eu juro que eu estou fazendo tudo o que eu posso."
Ethan tropeço para a rua. "Como a Patty?" ele perguntou ao que Mulder o segurou.
O hálito fétido de alcool soprou no rosto de Mulder. Ele não tinha resposta.
"Eu fico pensando sobre aquela garotinha," Ethan continuou. "Ela simplesmente sumiu. Desapareceu e ninguém sabe onde ela está. Como isso pode acontecer com pessoas,Mulder? Como você pode estar aqui um minuto e então sumir no próximo? Alguém deve saber alguma coisa."
Mulder lutou para segurar o homem direito ao que ele estendeu o braço para tentar parar um taxi.
"Você desistiu," Ethan acusou.
Aquilo pegou a atenção de Mulder. "Eu não desisti."
"Você desistiu. Você parou de procurar por ela. Você não se importa se ela algum dia vai voltar pra casa."
Um taxi parou do lado da calçada, e Mulder começou aarrastar Ethan para o banco de trás.
"Você não pode fazer isso," Ethan disse. "Você não pode me mandar embora agora. Eu preciso - eu preciso... E se você a encontrar e eu não estiver lá?"
Respirando dificilmente por causa do esforço, Mulder lutou para colocar Ethan no banco de tras do taxi. "Olha, eu não vou achá-la hoje á noite, okay?" Ele deu ao motorista do taxi tres notas de vinte e o endereço de Scully.
"Mulder" O tom de Ethan era exigente.
"Não hoje á noite," Mulder repetiu. Ethan cedeu contra o banco e cobriu o rosto com as mãos.
Mulder ficou de pé do lado da rua e observou o taxi ir embora. Ao que as luzes de trás virarem a esquina, e ficarem longe de vista, Mulder deixou o olhar dele subir pelo prédio do apartamento dele, até o céu escuro da noite.
Apenas as estrelas mais brilhantes eram visíveis.
Barbara e Tom Waeleski serviram um chá fraco em delicadas xícaras ao que ele sentou-se com eles na sala de estar deles. Um prato de biscoitos estava em cima da mesinha de café, mas ninguém deu nenhuma mordida. Mulder notou Timmy dando uma olhada neles, então, ele estendeu a bandeja para o garoto.
"Eu só não pensei que alguém ainda estivesse procurando por Patty," Barbara disse. "Nos disseram que é um 'caso frio' e que os detetives só começariam a trabalhar nele de novo se alguma pista nova aparecesse."
Tom se inclinou para frente. "É isso? Você tem alguma nova pista?"
"Uh, não. Eu sinto muito. Mas foi por isso que eu quis voltar aqui."
Timmy parou de mastigar o chocolate do biscoito e olhou para Mulder. Os pais dele tinham uma expressão de expectativa semelhante.
Mulder tocou a aba da xicara com um dedo e então a colocou de lado. "Eu queria dar uma outra olhada no quarto de Patty. Pode não ajudar em nada, mas às vezes, depois de passado algum tempo, você pode olhar por uma outra perspectiva. Eu não vou demorar muito."
"Olhe o quanto quiser," Barbara disse. "Nós não tocamos em nada desde que..." Tom colocou um braço em volta dos ombros dela. Desde que você esteve lá da última vez," ela terminou rouca.
"Você não sabe como é," disse Tom. "É como se o tempo parasse, como se todos nós estivessemos vivendo no limbo."
Timmy colocou seu meio comido biscoito em um guardanapo e saiu da sala.
"Deixe ele ir," Tom disse quando Barbara se moveu para ir atrás dele.
Os olhos de Barbara se encheram de lágrimas. "Eu penso, mais do que tudo, nós temos que saber pelo bem de Tim o que aconteceu. Eu não posso imaginar o que deve ser para ele. Eu não quero que ele cresça desse jeito, com essa sombra se pendurando em cima de nós." Ela deu um profundo e trêmulo suspiro e então esfregou as mãos dela nas coxas. "Se Pattyse foi, nós vamos lidar com isso. Eu só quero saber. Eu quero saber o que aconteceu com o meu bebê."
Tom abraçou a esposa novamente. "Está tudo bem." ele disse contra a testa dela. "Está tudo bem."
"Eu só vou subir," Mulder disse, levantando-se desajeitadamente.
Ele passou pelo carpete das escadas e caminhou pelo escuro hall até o quarto de Patty. A luz estava acesa, então ele imaginou que a família ainda passava algum tempo lá dentro, apesar do que tinha dito Barbara. Mulder empurrou a porta e encontrou Timmy sentado na cama de Patty, segurando o cachorro de pelúcia no colo dele.
"Oi," Mulder disse.
"Oi," Timmy replicou carrancudo. Ele ficou remexendo as orelhas do cachorro.
Mulder fechou a porta atrás dele. "Está tudo bem se eu der uma olhada por aqui?"
Timmy concordou. "Você está procurando por mais pistas?"
"Algo assim." Mulder olhou nos olhos dele. "Você sabe de alguma?"
Timmy deu de ombros e olhou para os troféus de ginástica, medalhas e fotos de família "Ela não tinha um diário, porque eu já procurei por todo canto."
Mulder notou que a camiseta de dinossauro de Timmy estava ficando muito pequena para elel. Ele se lembrou do que Tom havia dito sobre estar preso no limbo e imaginou se Timmy estava tentando ter seis anos para sempre. "Obrigado pela dica," ele disse a Tim.
Ele vagou e inspecionou os troféus de ginástica de Patty. As estátuas passariam por um teste com luvas brancas, e isso significava que alguém estava tomando conta deles muito bem. "O que você pode me falar sobre o Treinador Matlock?" Mulder perguntou ao que ele pegou o troféu mais recente.
Timmy fez uma cara ruim. "Eu não gosto dele."
"Yeah? E porque?"
"Ele nunca fala comigo nem nada. Ele nunca parece estar feliz. Todas as vezes que nós iamos aos treinos, ele estava sempre gritando com todo mundo."
"E o que Patty fazia quando ele gritava?"
"Ela tentava fazer melhor. Algumas vezes ela chorava se ela estava cansada ou machucada e ele continuava dizendo, 'Mais uma vez.'"
Timmy pulou da cama e se juntou a Mulder diante dos troféus. Ele mal podia levantar o maior, mas Mulder o ajudou a segurar. "Você acha que Patty gostava do treinador dela?"
Timmy deu de ombros. "Eu acho que sim. Ela gostava de ginástica mais do que quase qualquer coisa."
Mulder moveu-se para os livros de escola de Patty, que estavam limpos de poeira, apesar do fato de que Patty estaria em uma série completamente diferente até então. Ele olhou pelas notas pelas ultimas coisas que Patty havia escrito. A Sra. Tricia Yearling, ela tinha escrito com a letra florida. Mulder sorriu.
Ele continuou até o ponto onde ela havia escrito, "Eu odeio ela. Eu odeio ela. Eu odeio ela." Mulder passou o dedo em cima das pequenas e irritadas letras amontoadas.
"Se Patty escreveu isso ela devia odiar alguém," ele disse a Timmy, "de quem você acha que ela estava falando?"
Timmy inclinou a cabeça dele e mostrou estar pensando sobre isso. "Ela odiava a mamãe algumas vezes, eu acho, quando a mamãe mexia nas coisas dela. Eu também." Ele balançouos braços dele para frente e para trás "Talvez Lindsey Beckwith."
"Lindsey Beckwith." Mulder procurou o nome em sua mente. "Você quer dizer a outra garota na ginástica com ela?"
"Yeah, essa mesma. Patty a chamou com uma palavra feia uma vez."
"Uma palavra feia?"
Timmy se inclinou para perto de Mulder. "Vadia," ele sussurrou.
"Oh," Mulder sussurrou de volta. "Você sabe porque ela a chamou disso?"
"Não." Timmy acariciou a figura prateada no topo de um dos troféus. "Patty tem estado longe faz muito tempo," ele disse depois de um momento.
"Sim," Mulder concordou.
"É como quando ela estava aqui, tivesse sido m sonho, você sabe?"
"Yeah, eu sei."
"Na escola nós tivemos que fazer essa coisa sobre nós e nossas famílias. Pra pendurar na parede? Eu tinha que escrever sobre todo mundo na minha família e desenhar uma foto."
Mulder soube imediatamente onde o garoto queria chegar. Ele sentia a pessoa desaparecida da vida dele como um membro fantasma.
Você é filho único? Eles iríam perguntar. E ele se sentiria como a criança mais solitária do universo.
Você não tem uma parceira? Eles iriam perguntar. E ele se sentia como um monstro trancado no porão, um principe que um dia havia sido bonito antes da tragédia transforma-lo em algo horroroso para poder se mostrar.
Mulder clareou o nó em sua garganta. Ele tinha sido esse garoto. Ele era esse garoto. Ele precisava saber.
"O que, uh, o que você escreveu no seu trabalho?" ele perguntou.
Timmy deslizou sua pequena mão na de Mulder e o levou pelo hall até o quarto dele. Mulder viu estrelas que brilhavam no escuro presas no teto e um não terminado foguete-navio em cima da cama. Na parede, estava um desenho de criança com um pequeno discurso anexado. Timmy apontou.
"Eu tenho uma irmã," lia-se. "O nome dela é Patty e ela é ginasta."
Do retrato de família em giz de cera, uma enorme Patty sorria do lado de fora para ele, o sorriso vermelho dela apenas um pouco fora do lugar.
Ao que Mulder saiu pelo gramado da frente da casa dos Waeleski, ele estava apenas um pouco surpreso em ver a van de Ethan estacionada atrás do carro dele. Mulder parou e observou para ter certeza de que ele não estava com algum resíduo. Do banco da frente, Ethan ergueu o café dele e deu um zombeteiro "saúde".
Mulder suspirou e caminhou até a van. "Você está horrivel," ele disse.
"Eu digo o mesmo de você," Ethan replicou, de trás do vidro escuro.
"Como você me achou?"
Ethan deu de ombros indiferentemente. "Suposição de sorte. Dana sempre disse que você se culpa sobre qualquer coisa."
Mulder sentiu como se tivesse levado um tapa. "Scully disse isso?"
Ethan deu de ombros de novo e provou do café dele. "Então, onde nós estamos indo agora?"
"Nós não estamos indo a lugar nenhum."
"Eu estou limpo. Estou sóbrio. Eu tenho o direito de dirigir em rodovias públicas. Se nossos caminhos acontecerem de se cruzar, então, assim será."
"Eu posso prender você por interferir em uma investigação federal0."
"E é isso que você está fazendo? Investigando?"
Mulder imaginou Scully voltando para achar o angustiado noivo dela na prisão. Ele estava desespeado para encontrar você, Scully, mas eu o mandei pra cadeia.
"Eu contei a você," ele disse a Ethan lentamente, "o caso ainda está aberto."
Ethan inclinou o queixo e apontou para a porta da frente da casa dos Waeleski. "Você disse a eles? Contou a eles as possibilidades de encontrar alguém vivo depois de que eles estão desaparecidos depois de setenta e duas horas? Patty tem estado sumida há mais de um ano."
E Dana estava sumida fazia seis semanas.
Mulder respirou fundo. "Eles sabem," ele disse. "Eu não tenho que dizer a eles."
"Mas você ainda está procurando."
"Eu nunca parei de procurar."
Dois errados fazem uma bagunça, Mulder decidiu.
Se você fez sexo com a noiva de outro homem, talvez você deva a ele para deixá-lo se pregar a você em uma investigação de m caso que não era realmente para você estar investigando.
O que era como ele acabado no ginásio de Matlock com Ethan á tiracolo. "Dana me prometeu uma exclusiva." ele tinha contado a Mulder, e Mulder estava no negócio de manter promessas.
"Simplesmente não diga nada," Mulder avisou. "E sem camera."
Eles encontraram Dave Matlock na mesa dele do escritório da parte de trás do ginásio, vestido em uma jaqueta quebra vento e calças de pára-quedas. "A policia e a imprensa de uma vez," ele disse, soando pouco impressionado. "Eu acho que nós estamos eliminando um intermediário desta vez? Não, 'a fonte disse' Treinador estava tendo um relacionamento ilícito com a ginasta desaparecida?"
"Você estava?" Mulder disse, sem expressão.
"Vai se fuder," Matlock replicou. ele olhou para Ethan. "E você pode escrever que eu disse isso."
"Você passa tempo demais com garotinhas," Ethan disse, e Mulder deu a ele um olhar que dizia "cala a merda da boca".
"Elas não são garotinhas," Matlock escarneceu. "Elas são atletas campeãs mundiais. Você vê uma garota de onze anos. Eu vejo uma futura medalhista de ouro olímpica."
"E era isso que você viu em Patty?" Mulder perguntou.
Matlock suavizou pela primeira vez. Ele tirou os óculos e esfregou os olhos. "Patty eraa melhor que eu já vi," ele disse simplesmente.
"Melhor que a Lindsey?"
A guarda de Matlock cresceu novamente. "Porque você está me perguntando sobre Lindsey?"
"Só curiosidade. Ela é a sua nova estrela favorita do momento, certo?"
"Eu não tenho estrelas favoritas. Nós treinamos como um esquadrão. Se você me der licença, as garotas estarão aqui logo e nós temos muito trabalho a fazer."
"Você não quer saber se nós temos algo novo sobre Patty?" Mulder pressionou.
"Você tem?"
"Você nunca perguntou. Você não quer saber o que aconteceu com ela?"
"É claro que eu quero. Já passou tanto tempo agora..."
"Você sabe como Patty deslocou o braço dela antes de desaparecer," Mulder disse, chegando perto dele. "Mas você não vai dizer. Porque?"
"Eu nunca machuquei Patty."
"Eu não disse que você machucou. Como ela machucou o braço, Treinador? Você a pressionou demais nos treinos? Ela pediu para parar e você disse não?"
Os olhos de Matlock flamejaram e ele se afastou de Mulder. "Garotas se machucam por aqui o tempo todo. Nós trabalhamos para prevenir, mas algumas vezes acontece. Eu jamais machucaria Patty ou faria qualquer coisa que comprometesse a carreira dela."
"E ela ameaçou contar?" Mulder perguntou, mantendo a voz baixa ao que ele se aproximava. "Ela disse que ela queria sair? Todas aquelas suas visões douradas virando fumaça?"
"Você não sabe de que droga você está falando," Matlock disse.
"Treinador?" A porta se abriu e uma garota ruiva gelou no umbral da porta.
"Agora não, Lindsey," Matlock disse asperamente. "Vá se trocar e eu falarei com você mais tarde."
Lindsey ficou branca e deixou a sala. Matlock endireitou a jaqueta dele. "As garotas estão aqui," ele disse, mais calmo. "Se você tem alguma questão específica, você pode ligar para o meu advogado. Eu vou pegar o cartão dele."
"Você precisa de um advogado?" Ethan perguntou. "Mas para que?"
"Por que depois de um ano eu ainda tenho o FBI e o povo da TV aparecendo aqui e atrapalhando os meus treinos." Ele deu o cartão a Mulder. "Eu espero que você a encontre," ele disse. "Pelo bem dos pais dela. Mas não tem mais nada que eu possa fazer para ajudar você."
Mulder o encarou por um minuto, procurando pelo rosto dele. Quando ele conseguiu a resposta que estava procurando, Mulder colocou o cartão de volta na mão dele e se afastou.
"Obrigado pelo seu tempo," ele disse.
Ethan o seguiu para fora. "É isso? Você vai simplesmente deixar ele sair desse jeito? O bastardo sabe alguma coisa e ele não está falando. E se ele a matou?"
"Ele não a matou."
"E o braço dela? Talvez tenha sido como você disse, ele deslocou e Patty ia contar."
"Ela não ia contar. Ela inventou uma estória pros pais dela sobre o acidente na árvore."
Ethan parou no hall, claramente frustrado. "Bem, então o que? Você disse que ele sabe o que aconteceu!"
"Ele sabe. Ele está protegendo alguém."
"Quem?"
"A única que sobrou para ele proteger."
Outono era a estaçao favorita dele, mas Mulder reconheceu a ironia ao que ele olhou pela janela para as árvores radiantes pelo sol que emergia. A natureza morria uma morte linda.
Ethan esperou com ele no banco da frente do Taurus, comendo as sementes de Mulder e jogando as cascas pela janela. "Eu acho que é aqui que Dana costumava sentar, huh?" ele perguntou ao que ele tirou uma caca do dente.
Mulder olhou para ele mas não disse nada.
"Se isso era mesmo tudo o que vocês faziam - sentar aqui por horas esperando por alguma coisa acontecer - Eu tenho que dizer que eu não entendo a atração."
"Não é o que você faz? Espera por alguma coisa acontecer então você pode ir lá e fotografar?"
"Bem, yeah. Mas você é do FBI. Eu achei que você podia *fazer* alguma coisa acontecer."
"É aí que você está errado."
Ethan mastigou uma semente. "Você sabe o que eu continuo pensando?"
Mulder não queria realmente saber, mas ele se fez perguntar. "O que?"
"O pai dela. O velho capitão da Marinha. O que ele diria se ele soubesse o que aconteceu a Dana."
"Nenhum de nós sabe o que realmente aconteceu."
Ethan se moveu, fazendo o assento de couro ranger. "Não, sério," ele disse ao que ele olhou para Mulder. "Só para de falar bobagens por um minuto. Só somos eu e você aqui. Eu acho que nós dois sabemos, certo? Dana não fugiu. Algum maluco lunático homicida a sequestrou. Ela não foi em casa ou tentar contactar nenhum de nós em seis semans. Você está me falando que você acha que tem alguma esperança de ela ainda estar viva?"
"Sempre há esperança." Mulder notou que ele soava ridículo.
Ethan olhou para frente de novo e lutou de repente com a calma dele. "Se ela estivesse viva, ela teria ligado. Ela iria querer falar comigo. Ela iria querer falar com a mãe dela."
"Ethan, ouça"
"Eu já ouvi que ele a amarrou e a colocou no porta malas. Eu ouvi que você achou cordas e sangue no porta malas." Ethan se virou, os olhos dele selvagens. "Não é verdade?"
"Sim," Mulder disse, evitando os olhos dele. "Isso é verdade."
"Eu não sei como você pode ter visto isso," Ethan replicou, "e ainda falar sobre esperança."
"Eu já vi muitas coisas, coisas que me convenceram que o mundo é muito menos certo do que a maioria das pessoas iriam acreditar."
"Então, se alienígenas existem, então irmãs há muito tempo desaparecidas podem quem sabe voltar para casa, não é mesmo? Qualquer coisa é possível?" Ethan balançou a cabeça. "Se é isso o que acontece, então eu devia perseguir homenzinhos verdes também. Eu me vestiria de Capitão Kirk com um chapéu engraçado se eu pensasse que mudaria o mundo. Eu queria que eu pudesse dar esse salto, Mulder, eu queria mesmo."
Mulder considerou. Ele nunca havia pensado nisso antes, mas a maior parte do tempo o sistema de crença dele sempre lhe trouxe mais dor, nunca paz. Ele viu monstros que outros nunca saberiam que existiam. A maioria das pessoas vagava com felicidade sem saber da existência do monstro do esgoto e dos híbridos humano-alienígenas no laboratório. Eles liam sobre médicos morrendo em acidentes de carro e pensam em rodovias geladas ao invés de corações gelados. Eles varriam os apartamentos deles por causa de poeira, não insetos. À noite, eles olhavam para o céu, procurando estrelas cadentes, e não astronaves caindo.
Mas então ele se lembrou de Ruby, a irmã que reapareceu do céu ardente.
"Algumas vezes elas voltam," ele disse simplesmente a Ethan.
"Deus, eu espero que sim." Ethan apertou os punhos.
"Se nós pudéssemos achar Patty, se ela voltar bem depois de todo esse tempo, você não acha que isso seria algum tipo de sinal?"
"Seja lá quem for que levou Patty Waeleski não tem nada a ver com o desaparecimento de Scully."
"Eu sei. Eu acho que eu só queria ver o que acontecia. Eu quero acreditar." Ele olhou para Mulder. "Sabe?"
Mulder deu um sorriso torto. "Olha, a teoria acabou. Lá está ela."
Do outro lado da rua, Lindsey Beckwith saiu do ginásio, carregando uma bolsa de ginástica.
Mulder e Ethan bateram as portas do carro em unissono, saindo no vento gelado da noite. Eles correram pela rua e alcançaram Lindsey, que estava acelerando o passo com a cabeça abaixada, rabo de cavalo balançando a cada passo rápido.
"Lindsey," Mulder chamou, e a garota pulou. ela girou com a bolsa no ombro dela. "Lindsey Beckwith?"
"Yeah," ela respondeu, olhando para eles cautelosamente.
Mulder pegou a ID dele. "Meu nome e Agente Mulder. Eu trabalho para o FBI. Este é Ethan Minette. Nós podemos falar com você por um minuto?"
"Sobre o que?"
"Patty Waeleski."
Lindsey arranhou um de seus pequenos pés na calçada. "O que tem ela?"
"Eu ouvi dizer que você e Patty não se davam muito bem."
"Ela não era minha melhor amiga, mas ela era okay."
"Entaõ você não tem nenhuma idéia do que pode ter acontecido com ela."
"Não, claro que não." Ela não soava exatamente convincente.
"O Treinador Matlock estava nos contando que Patty era a melhor ginasta que ele algum dia viu." Mulder deixou aquilo no ar. Lindsey arranhou o tênis um pouco mais forte e deu de ombros deliberadamente. "Devia ser difícil treinar no mesmo ginásio que Patty."
"Ela fazia as coisas dela e eu fazia as minhas. Não me incomodava em nada."
"Como Patty machucou o braço dela?"
A cabeça dela se elevou um pouco "O que?"
"Patty deslocou o braço dela pouco tempo antes de desaparecer. Eu estava imaginando se você sabe o que aconteceu."
"Eu-eu não sei."
"Você ia á escola com ela, certo?"
"Ela ia á minha escola."
"Eu ouvi dizer que ela se machucou na escola. Você tem certeza de que você não sabe o que aconteceu?"
"Eu te disse - não. Olha, eu estou atrasada pro jantar. Eu posso ir agora?"
"Claro, nós vamos com você," Mulder ofereceu. "Levar você pra casa. Nunca é cuidado demais, sabe, depois do que aconteceu com Patty. Ela estava caminhando pra casa também quando desapareceu." Mulder olhou para Ethan. "Não é mesmo?"
"Oh, certo. Absolutamente." Ethan concordou. "Ela estava indo pra casa completamente sozinha, e alguém deve ter agarrado ela na rua."
Os olhos de Lindsey se estreitaram. "Vocês só estão tentando me assustar."
"Eu ficaria assustado." Mulder piscou ao céu quase escuro. "Em um minuto você está indo para casa, no outro você desapareceu para sempre."
"Eu não sou a Patty."
Mulder olhou para ela. "Não?"
"Eu não sou nada parecida com a Patty."
"Como você não é como ela?"
"Eu sigo as regras como o resto do time. Eu não espero um tratamento especial. eu apareço quando eu tenho que aparecer e eu não corro atrás de Dave cada vez que eu quebro uma unha."
"É isso o que Patty fez?"
"Eu tenho que ir." Ela se virou, mas Mulder segurou o braço dela. Lindsey olhou para baixo, para os dedos dele curvados ao redor do cotovelo dela.
"Como Patty machucou o braço dela?"
"Eu te disse-"
"Você brigou com ela naquele dia, não brigou?"
"Me deixa ir."
"Foi isso que ela disse a você? Você só queria que ela ouvisse. Você só queria que ela prestasse atenção em você somente uma vez Você não iria deixar ela sair assim."
Lindsey lutou, o rabo de cavalo balançando. "Eu disse me deixa ir!"
"Seja lá o que você tenha dito deve ter funcionado. Patty não disse nada a ninguém. Você a ameaçou, Lindsey?"
"Eu não era o problema de Patty."
"Ela achou que você era."
"Bem,ela era uma vadia." Lindsey tampou a boca dela mas as palavras já haviam saído. A luta para que ele a soltasse acabara, e Mulder soltou o braço dela.
"O que aconteceu aquele dia, Lindsey?"
Ela abaixou os ombros. "Patty não se importava com ninguém além da própria Patty. Ela era a Pequena Rainha de Tudo. Você acharia que ela já tinha ganhado uma medalha de ouro. Dave achava que ela era perfeita, mas ele não sabia a verdade."
"Qual verdade?"
"Patty era uma pequena prostituta."
Ethan olhou para Mulder. Mulder balançou a cabeça dele: não diga nada.
"Nós não podemos namorar ninguém. É contra as regras. Mas Patty achava que isso incluia ela? Não mas é claro que não."
"Patty tinha um namorado?" Mulder lembrou da escrita infantil de nas anotações de Patty: Sra. Tricia Yearling. O garoto Yearling que tinha estado jogando futebol no dia que Patty desaparecera. Mulder tentou lembrar o nome do garoto "Evan?"
Lindsey fez cara feia. "Não o Evan," ela disse. "O irmão dele, Ryan."
Já estava escuro quando Mulder e Ethan chegaram à casa dos Yearling. Arbustos espessos tremiam à brisa enquanto eles caminhavam pelo pátio da frente. Uma luz resplandecia na frente da pequena varanda, como se a família estivesse esperando por eles.
Mulder tocou a campainha.
Alguns minutos depois, uma mulher de cabelos cacheados e quase cinzas respondeu. "Sim?" ela perguntou ao que ela secava as mãos em um pano de prato.
Mulder mostrou a ID dele. "Agente Mulder do FBI," ele disse. "Este é Ethan Minette. Você se importaria se nós entrássemos?"
"E seria sobre o que?"
Um rapaz adolescente se materializou atrás dos ombros dela. Mulder se lembrava dele agora. Aquele era o garoto acostumado a conseguir tudo o que quisesse apenas dando um sorriso, Scully havia dito.
Ele não estava sorrindo agora.
"Mãe," ele disse. "Eu acho que é melhor você os deixar entrar."
Fim do Capítulo Quatorze. Continua no Capítulo Quinze.
Muitos Obrigadas à Amanda por ter tirado tempo - dar férias dela ainda por cima! - para se levantar do sofá e betar isso pra mim. Sniff sniff. É para isso que amigas verdadeiras servem! Nós estamos deitadas em casa agora. :-)
Feedback são bem vindos para syn_
Adoro esse capítulo, é perfeito como as coisas vão se encaixando... perfeito! E eu fiquei com dó do Ethan... mas é claro que eu sei que Mulder pertence à Scully e Scully pertence à Mulder (assim como as estrelas ao céu, o requeijão com o pão, o sorvete com a calda de chocolate... LOL) Mas, tadinho do Ethan! hummmm, ok, tadinho do Mulder! :P
Valeu minha miga Dri por revisar. Sabiam, ela é genial.
