Ano: 2010

Mês: Junho

Finn olhava em volta enquanto os fotógrafos tiravam fotos dele, fazendo com que flashes aparecessem por todos os lados. Era a pré-estreia de um filme e Finn tinha comparecido como se devia, elegante em seu terno e gravata pretos, com camisa de baixo azul escuro.

Andou pelo tapete vermelho e parou para pousar em cada um dos pontos que foram determinados para isso pela produção. A atenção que recebia era um pouco desconfortável, mas o excitamento por estar prestes a lançar um novo filme se sobrepunha a qualquer uma das coisas que não eram tão agradáveis. Como fingir ser simpático e ter ótimo relacionamento com todos os atores do filme. A maioria deles pensava ter o rei na barriga e Finn não tinha muita paciência para isso. Mas era necessário, como Mercedes e Mike sempre faziam questão de lembrá-lo.

Mas não parou para falar com nenhum dos repórteres, pois sabia que eles o encheriam de perguntas sobre seu recente rompimento com Santana Lopez.

Chegou ao fim do tapete vermelho e suspirou aliviado, piscando o olho, para tentar se livrar dos diversos pontos luminosos que via devido aos flashes. Kurt estava lá, esperando-o perto da entrada, assim como sua mãe. Burt nunca ia a esse tipo de evento e Finn não o culpava. Se pudesse, ele mesmo preferiria ficar em casa assistindo ao jogo na televisão.

– Ah, olha, ali está a Rachel. – Kurt apontou na direção da mulher de vestido branco, que vinha na direção deles.

Finn observou fixamente todos os movimentos dela ao se aproximar. Rachel havia passado uns dias na praia com uns amigos, depois de ter terminado o relacionamento com Sam, e a pele estava ainda mais morena devido ao sol, causando um perfeito contraste com o vestido de cor branca. Estava incrivelmente bonita e Finn ficou sem palavras.

– Isso é tão empolgante. – ela chegou falando, com um enorme sorriso. – É a primeira vez que estou numa pré-estreia de um filme tão importante. Quer dizer, é a primeira vez que venho num pré-estreia, do filme que seja!

Carole sorriu para ela, antes de perguntar:

– Veio sozinha?

– Sim, Puck não pôde vir porque não estava se sentindo muito bem. Foi alguma coisa que ele comeu, ou sei lá, resolvi não perder o convite e vim no lugar dele.

– Eles estão chamando para entrarmos. – Finn finalmente recuperou a voz. – Vamos.

Ele andou atrás dos outros três tentando não olhar para Rachel, muito menos para as pernas dela que pareciam ainda mais longas com aqueles sapatos de salto alto finíssimo. Finn não fazia ideia de como ela conseguia ficar em pé em cima daquilo.

Eles se sentaram em seus lugares para assistir ao filme e, de alguma forma, ele ficou ao lado de Rachel. Ela estava cheirando tão bem...

Mas ele tentou não pensar nisso e nem em como seu braço encostava-se ao dela em cima do apoio para braços. Tentou prestar atenção no filme, afinal de contas, era um bom filme e Finn estava feliz com o resultado de seu trabalho nele. Mas isso não quer dizer que ele tenha tirado o braço daquele lugar durante as duas horas em que ficaram sentados ali, ainda que tivesse começado a senti-lo ficar dormente por estar tanto tempo na mesma posição.

Pelo amor de Deus! O que ele era? Algum tipo de adolescente idiota? Certamente estava se comportando como um.

Mas enfim... Por mais ridículo que fosse, continuou com o braço lá. E Rachel também não retirou o dela.

Depois da sessão, Finn recebeu os cumprimentos e elogios dos jornalistas que estavam ali.

– Eu levo Rachel para casa. – falou, já do lado de fora, pronto para ir embora. – Você pode ir com Kurt, mãe.

Por que diabos ele tinha se oferecido para levá-la? Será que gostava de ser constantemente posto a prova, assim como sempre acontecia quando ficava ao lado dela, ainda mais sozinhos?

Mas, de qualquer maneira, lá estavam eles, dentro do carro de Finn, indo em direção à casa dos Berry. O que o fez lembrar que Rachel estava prestes a se mudar para um apartamento só dela.

– Como anda a reforma do seu novo apartamento? – Finn quebrou o silêncio.

– Tudo bem. – foi só o que ela respondeu, olhando pela janela.

– Quando acha que se mudará para lá?

Rachel encolheu os ombros, distraída.

– Em duas semanas. É a previsão.

Depois disso, eles voltaram a ficar em silêncio, até que Rachel perguntou, ainda olhando pela janela:

– Onde está Santana? Não a vi hoje.

Finn não respondeu imediatamente, olhando para o os carros no trânsito a sua frente. Ele respirou fundo. Querendo pôr uma pedra em cima do que podia estar começando a sentir por Rachel, passou a namorar Santana Lopez, uma atriz em ascendência, durante os dois últimos meses. Mas o namoro tinha acabado e Finn sabia que Rachel já devia saber disso.

– Não leu os tabloides ultimamente? – perguntou, meio ríspido, mas nem se importou.

Rachel finalmente virou a cabeça para olhá-lo.

– Se está se referindo aos que dizem que você e ela terminaram, sim. E Kurt também me falou uma coisa ou outra.

– Então por que perguntou?

– Queria ouvir de você.

– Não quero falar sobre isso.

Rachel ficou de cenho franzido ao ouvi-lo dizer aquilo, ainda mais no tom em que estava falando.

– Você ainda gosta dela?

Finn bufou.

– Rachel, não quero falar sobre isso, está bem?

– Sim, porque não acho que você tenha se apaixonado por ela tão de repente. – ela continuou, como se Finn não tivesse dito nada. – Então por que o assunto te incomoda tanto?

Finn entrou com o carro na propriedade dos Berry e parou logo embaixo de uma grande árvore, que cobria o carro e os escondia da casa.

– Está entregue.

– Não vai me falar mesmo? – ela perguntou, virando-se para ele, sem descer do carro.

Finn respirou fundo.

– Não é da sua conta.

Dessa vez, Rachel fez cara de espantada, devido à resposta mal humorada. No mesmo tom, ela respondeu:

– É, tem razão, não é da minha conta. – abriu a porta e saiu do carro.

Mas antes que pudesse dar alguns poucos passos, Finn já tinha saído do carro também e apareceu do lado dela, segurando-a pelo braço.

– Me desculpa, não devia ter falado assim.

– Não, você está certo, não é da minha conta, eu nem mesmo deveria ter perguntado.

Finn passou as mãos pelos cabelos, nervoso.

– Eu descobri que ela estava me usando. – confessou. – Quer dizer, descobri não, ela mesma me disse, antes de terminar comigo.

– Como assim?

– Ela é lésbica. – Finn declarou.

– Lésbica?

– Sim. Santana me disse que tinha um caso com uma amiga dela, chamada Brittany, ou sei lá qual é o nome, mas que de repente começou a achar que a coisa estava ficando séria. – ele explicou, mas ao ver que Rachel ainda tinha um brilho de indagação nos olhos, completou: – Estava se apaixonando por ela, coisa que não esperava. Santana sempre teve relacionamentos sérios com homens.

– Humm... – ela murmurou, pensativa.

– Por isso tinha me procurado, para ver se dava um jeito nisso. Como se pudesse "dar um jeito" em algo assim. Mas foi uma tentativa, segundo ela. Mas é tudo segredo, a imprensa não pode saber. – Finn terminou de dizer e olhou para Rachel. – Foi isso o que aconteceu, satisfeita?

Rachel ficou um tempo absorvendo o que Finn acabara de dizer e então começou a rir. Jogou a cabeça para trás e gargalhou com vontade.

– Espera, deixa eu ver se entendi. – ela pediu. – Está me dizendo que estava namorando com uma mulher que, no fim das contas, estava te usando porque não queria admitir para si mesma que era lébica? E você não sabia de nada?

Finn hesitou um pouco.

– Bom, era meio estranho, ela não gostava muito de ter certas... Intimidades comigo, se é que me entende.

Este último comentário fez Rachel rir mais ainda e Finn ficou de cara feia.

– Não poderia ser um pouco mais solidária e não rir? Quer dizer... Meio que atingiu meus sentimentos masculinos saber que estava sendo usado assim.

Como se fosse possível, Rachel gargalhou ainda mais.

– Sabe de uma coisa, eu vou embora. – ele se virou, mas Rachel o impediu.

– Tá, tudo bem, tudo bem... – falou, tentando se controlar. – Vou parar de rir. – Ela precisou de uns instantes a mais para se recuperar totalmente. – Mas não é como se você pudesse ficar tão ofendido assim, não é?

– O que quer dizer?

– Quero dizer que, claro, é uma pena que Santana não consiga aceitar a si mesma e tenha te usado para tentar esquecer o que sente por essa outra garota, mas você também a usou para tentar esquecer o que sente por mim. – assim como ela também estivera usando Sam para esquecer o que sentia por ele. Aquilo tudo estava uma tremenda bagunça.

Finn negou a declaração dela.

– Não é verdade. – disse.

– Claro que é. Por alguma razão você não consegue admitir o que sente de verdade. Talvez seja porque seja melhor para a sua imagem andar com outras celebridades. E, além do mais, eu não sou nenhuma dessas belezas de Hollywood e...

– Quer parar? – Finn interrompeu. – Você é linda!

Os dois ficaram um momento em silêncio, olhando-se, depois de uma declaração tão eloquente por parte dele.

– Bom, então deve ser porque você tem vergonha de mim.

– Vergonha? – Finn perguntou.

– É, vergonha. Afinal, não iria querer que o vissem por aí com aquela garotinha que te endeusava e só tinha olhos para você, não é? O que as pessoas iriam pensar disso, meu Deus? – Rachel já começava a falar de um jeito indignado e irônico. – Que escândalo!

Finn não respondeu ao que ela falou e só abaixou a cabeça. Rachel percebeu a reação dele.

– É isso, não é?

– Não. – Finn negou.

– Claro que é, só pode ser. Qual outro motivo seria? Você tem vergonha de mim, Finn, e tem vergonha do que sente por mim.

– Não é isso, Rachel! – ele falou. – Isso... Nós... – apontou para os dois. – Simplesmente não pode acontecer.

– Por que não?

– Porque é errado! – Finn bradou e Rachel se calou. – Porque é errado! Você era uma criança quando nós nos conhecemos, eu te vi crescer, Rachel! – ele falava de uma forma como quem tenta convencer a ela e também a si mesmo. – Você é a irmã caçula do meu melhor amig melhor amiga do meu irmão caçula! Nós praticamente somos da mesma família!

– Nós não somos da mesma família! – Rachel disse, firmemente. – Não somos parentes e eu não sou mais uma criança. Não dá para ver? – ela deu uma volta em torno de si mesma, com os braços levantados. – Eu sou uma mulher, Finn. Pode ser que quando eu tinha oito e você doze anos, ou quando eu tinha treze e você dezessete, a diferença de idade fosse mais evidente e você me visse apenas como uma pirralha, mas agora eu tenho 24 e você tem 28! Não há nenhum problema, pelo contrário.

– Mesmo assim! – Finn exclamou, mais para si mesmo do que para ela. – Mesmo assim...

– Mesmo assim o quê? – ela perguntou, mas Finn não respondeu. – Por mais que você tente se negar a ver, eu sou uma mulher e sei reconhecer quando um homem se sente atraído por mim. – o tom de voz dela já estava mais baixo. – Eu sei. – Rachel esperou que ele dissesse algo, mas Finn continuou em silêncio e de cabeça baixa. – Mas estou vendo que você ainda não vai admitir isso. É uma pena, mas que é um direito seu, eu suponho.

Achando que não havia mais nada a se dizer entre os dois, Rachel deu as costas para Finn e foi embora a caminho da entrada da casa. Porém, antes de se distanciar totalmente, parou e, sem se virar novamente para ele, disse:

– Parabéns pelo filme, à propósito. Você esteve muito bem nele.

Era algo que ela tinha que dizer, fazer o quê? Podia estar chateada naquele exato momento, mas não conseguia se livrar da sina de ser uma grande fã do trabalho dele.