Ligações Perigosas

Capítulo 14.

Jeffrey acordou cedo e estranhou ao perceber que Jared ainda estava ao seu lado na cama. Era difícil isso acontecer, pois o moreno costumava voltar para o seu quarto logo depois de transarem; devia ter sido vencido pelo sono, ou pelo cansaço – Sorriu ao se lembrar da noite que tiveram.

O braço de Jared estava sobre o seu abdômen e uma de suas longas pernas estava sobre a sua. Pensou que poderia se acostumar a acordar desse jeito todas as manhãs.

Deixou-o dormir e respirou fundo, decidindo o que fazer. A semana de trabalho tinha sido desgastante e talvez pudesse aproveitar aquela sexta-feira ensolarada de uma maneira mais proveitosa. Olhou mais uma vez para o homem ao seu lado e o cutucou de leve, tentando acordá-lo.

Jared resmungou alguma coisa e se enroscou ainda mais em seu corpo, então de repente se virou e arregalou os olhos.

- Eu dormi aqui? – Perguntou com a voz rouca.

- É o que parece – Jeffrey sorriu e Jared se enroscou ao seu corpo novamente.

- Eu preciso dormir mais. Estou acabado - resmungou.

- Não. Você vai tirar esse traseiro da cama agora – Jeffrey o empurrou e deu um tapa estalado na bunda do moreno. - Eu tenho planos pra hoje.

- Seus planos incluem você no seu escritório, gritando com o seu irmão, que por acaso está na sala no andar de cima, por telefone? – Jared bufou.

- Pensei em algo diferente hoje – Jeffrey se levantou da cama, animado. – Prepare o carro esportivo e vista algo confortável, não vai precisar do uniforme hoje.

- Pra onde diabos você vai? – Jared perguntou, ainda sonolento, enquanto se vestia para deixar o quarto do seu patrão.

- Ah, e leve uma bermuda, tênis, ou sei lá... você vai precisar.

- Hã? – Jared levantou as sobrancelhas, sem entender nada, mas Jeffrey já tinha fechado a porta do banheiro atrás de si.

O moreno foi para o seu quarto e, depois de um banho, foi para a cozinha tomar café e fez o que Morgan pedira. Meia hora depois, seu chefe estava no carro, vestindo calça jeans, tênis e uma camisa xadrez. Jared começou a rir assim que o viu.

- Ótimo. Agora eu sou a piada do dia – Jeffrey fez uma carranca e se acomodou no banco do passageiro, ao lado de Jared.

- É a primeira vez que eu vejo você vestir uma calça jeans – Jared deu partida no carro, sem tirar o sorriso do rosto.

- Como se eu já não me sentisse desconfortável o suficiente com ela – Resmungou.

Jared gargalhou. - Pra onde você quer ir, afinal?

- Pra casa do lago. Fica há duas horas daqui.

- Você tem uma casa no lago?

- Tenho. Não sei por que um dia eu achei que fosse boa ideia compra-la. Devo tê-la usado uma ou duas vezes apenas - resmungou.

Ao chegarem, Jared ficou admirado com o lugar. O chalé de apenas um andar era feito de madeira rústica por fora, e por dentro tinha todo o tipo de conforto, inclusive uma lareira. A propriedade era cercada por uma grama verdinha, árvores, e terminava no lago, onde também havia um trapiche e uma casa de barcos.

Assim que entrou, Jeffrey se atirou no sofá, se espreguiçando.

- Eu cancelei todos os meus compromissos de hoje e desliguei meu celular. Acho que dá pra ter um dia de sossego por aqui.

- Então, qual é a sua ideia?

- Minha ideia? – Jeffrey franziu o cenho.

- O que você quer fazer? – Jared falou com empolgação. – Está um dia lindo lá fora.

- Esqueça. O máximo de atividade física que eu pretendo fazer é rolar com você sobre esse tapete felpudo, que aliás, eu paguei uma fortuna por ele e nunca foi usado.

- Você não está falando sério? – Jared se sentou no sofá em frente ao que Jeffrey se encontrava, frustrado. – Não quero desdenhar do seu tapete, que deve mais macio do que a minha cama, mas vamos pelo menos dar uma volta por aí?

- Eu sabia que isso não seria boa ideia. Devia ter me trancado com você no meu quarto, me daria menos trabalho – Jeffrey resmungou, mas acabou cedendo.

Trocaram suas calças jeans por bermudas e foram caminhar até os limites do lago.

- Você tem um barco – Os olhos de Jared brilharam ao entrarem na casa de barcos.

- Sim.

- Nós podemos...?

- Não Jared, nós não vamos andar de barco - Jeffrey respondeu mau humorado.

- Vamos fazer o quê, então? Caminhar por aí? Pescar, Ou você quer nadar no lago?

- Acho que você não entendeu - O mais velho bufou, impaciente. - Eu te trouxe aqui pra foder você em um local diferente, não pra você andar de barco ou brincar de escoteiro.

- Está bem então – Jared cruzou os braços, sem conseguir disfarçar sua decepção.

- Jared...

- Hã?

- Pare de me olhar com essa cara de quem nunca andou de barco.

- Eu não estou com essa cara. Estou? – Franziu o cenho.

- Sim, você está.

- Eu já andei de barco quando era moleque, claro. Mas eu nunca pilotei um desses - Jared sorriu de lado, esperançoso.

- Certo – Jeffrey respirou fundo. – Nós vamos fazer um passeio de barco. Mas depois eu vou querer brincar de outra coisa, e você vai ter que concordar.

- Brincar de outra coisa? – Jared o olhou, desconfiado. – Que tipo de coisa?

- Se eu disser agora, vai perder a graça – Jeffrey tinha um sorriso maroto nos lábios. - Vamos lá, me ajude a soltar as cordas, vamos colocar essa belezinha pra funcionar.

Jeffrey começou pilotando o barco e ensinando ao moreno como tudo funcionava, até dar a ele o total controle sobre o veículo. Jared logo pegou o jeito e Jeffrey estava gostando de observá-lo, de bermuda, sem camisa, com o sol brilhando sobre sua pele bronzeada, e os cabelos esvoaçando ao vento.

Percebeu também o quanto gostava de ouvir suas risadas, cada vez que fazia uma manobra ou uma curva em alta velocidade. Jared se divertia como uma criança e Jeffrey tinha que admitir que o passeio tinha sido bem mais divertido do que esperava.

Lembrou-se do quanto gostava de fazer esse tipo de coisa há alguns anos, e percebeu que não saberia dizer por que ou quando tinha deixado de se divertir com elas. Talvez estivesse sempre ocupado demais com o trabalho para poder apreciar esses momentos.

- Vai ficar aí sonhando acordado, ou vai entrar na água e nadar comigo? – Jared o tirou de seus devaneios. Tinha parado o barco no trapiche.

- Não mesmo. A água deve estar gelada demais – O mais velho reclamou.

- Sabia que você ia amarelar. Vou ter que ir sozinho, então – Jared fez cara de chateado e tirou sua bermuda e cueca, ficando completamente nu.

- Se você acha que pode me convencer mostrando esse seu traseiro lindo, está muito enganado.

- Tudo bem, eu entendo. Você deve estar ficando velho demais pra isso – Provocou.

- Velho? Eu nado mais rápido que você. Já provei isso na piscina lá de casa – Jeffrey resmungou, ainda de pé em cima do trapiche.

- Eu deixei você ganhar. Duvido que você tenha fôlego pra nadar até o próximo trapiche – Provocou ainda mais e começou a nadar. Sabia o quanto Jeffrey podia ser competitivo.

Ainda que contrariado, o mais velho tirou suas roupas e pulou na água. Estava fria, mas suportável. Nadou e acabou alcançando Jared com facilidade, empurrando o moreno pra debaixo d'água ao se aproximar.

Jared gargalhou e pulou nas costas do mais velho, fazendo com que ambos afundassem. Ainda brincaram feito dois adolescentes e então foram para a parte mais rasa, onde podiam apoiar os pés no chão.

- Você não tem vizinhos por aqui? – Jared se aproximou e abraçou Jeffrey pelo pescoço.

- Não, esse lugar é totalmente isolado. Eu dispensei o caseiro, então estamos só nós dois aqui.

- Humm... isso é ótimo – Jared envolveu as pernas no quadril do mais velho e começou a masturbar a ambos, enquanto o beijava.

Jeffrey gemeu entre o beijo, um de seus braços envolvendo a cintura de Jared, o mantendo no lugar, e a outra mão o acariciava entre as nádegas, a princípio apenas fazendo círculos em sua entrada, mas logo já estava com dois dedos enfiados dentro dele.

Depois de gozarem, abafando os gemidos entre os beijos, Jared voltou a apoiar seus pés no chão, quando sentiu o mais velho perdendo o equilíbrio. Beijaram-se mais uma vez e então nadaram de volta até o trapiche, onde tinham deixado suas roupas.

Depois de vestirem suas bermudas, caminharam até a beira do lago. Jared se sentou na grama e Jeffrey se sentou em um tronco grosso de madeira que estava largado ali. Ficaram algum tempo em silêncio, apenas curtindo a paisagem e sentindo o sol aquecer suas peles.

- A minha primeira vez com uma garota foi em um lugar como esse – Jeffrey por fim quebrou o silêncio. - Meu pai tinha uma casa de campo, onde costumávamos ir durante as férias. Ainda tem, eu acho. Havia um lago e logo adiante uma mata fechada. Foi ali, no meio do mato, com a filha de um empregado. Ela era mais velha e eu tinha 16 anos.

- E como foi? – Jared sorriu, curioso.

- Terrível – Jeffrey gargalhou com a lembrança. – Eu estava nervoso e gozei tão rápido, que nem deu pra aproveitar nada. Pra minha sorte ela voltou no dia seguinte e deu pra remediar a situação.

- E com um homem? Quando foi? – Jared se virou para olhá-lo.

- No terceiro ano da faculdade. Não que eu não tivesse sentido interesse antes, mas... Minha família era conservadora, eu tentei seguir as regras por um bom tempo, até que acabei caindo em tentação. Eu tinha toda a liberdade na época, morava sozinho em um apartamento, longe de casa. E tinha esse garoto que estudava comigo, lindo, moreno, cheio de atrativos e totalmente disponível pra mim.

- Você por acaso já encontrou alguém que não estivesse disponível pra você? – Jared brincou.

- Não que eu me lembre – Jeffrey riu. – Mas e você? Como foi a sua primeira vez, Jared Padalecki?

- Eu fui um pouco mais precoce, eu acho – Jared ficou pensativo por um instante.

- Por que isso não me surpreende? – Jeffrey gargalhou.

- Eu tinha 14 anos, quase 15 quando me apaixonei por um vizinho. Ele era dois anos mais velho.

- Se apaixonou? – Jeffrey ergueu as sobrancelhas, sorrindo.

- Sim, ele era moreno e tinha os olhos azuis. Era lindo. Eu costumava jogar basquete com o Mike, irmão mais novo dele, nos fundos da casa, e ficava suspirando cada vez que o via. Ele devia perceber, porque um dia em que eu fui até lá e o Mike não estava, ele me agarrou e me beijou. Eu fiquei ainda mais apaixonado.

- Você era tão menininha – Jeffrey zombou.

- É – Jared riu. – Acho que eu era. Um dia, quando meus pais não estavam em casa, eu brincava de skate na garagem e ele apareceu por lá. Perguntou se eu queria fazer sexo com ele. Eu fiquei um pouco assustado com a ideia, mas eu não queria que ele pensasse que eu era um covarde, então aceitei – Jared ficou pensativo por um tempo, e então riu. – As pessoas superestimam a primeira vez, não é? Acho que pra maioria é uma merda.

- Eu acho que sim. Mas como foi, afinal? O seu príncipe encantado te carregou nos braços e te deflorou? - O mais velho debochou e os dois gargalharam.

- Ele me empurrou pra que eu me inclinasse sobre a bancada da garagem, abaixou minhas calças e mordeu minha nuca. Quando ele meteu, usando camisinha e cuspe, eu senti como se tivessem me rasgando por dentro. Ele tapou a minha boca pra que eu não gritasse e quando terminou, se vestiu e foi embora. Eu devo ter ficado uns dez minutos lá parado, sem coragem de me mexer.

- Acho que não foi uma experiência agradável – Jeffrey estava sério. – Nem romântica.

- Não. Nem um pouco. Na outra semana nós fizemos de novo. Não doeu tanto, mas eu só senti desconforto, então achei que estivesse fazendo algo errado. Eu só conseguia pensar que, se fosse assim tão ruim, ninguém faria, não é?

- Sério que você fez de novo com o mesmo cara, depois daquilo?

- Eu sempre fui persistente.

- Percebo.

- Quando ele apareceu de novo eu o levei pra minha cama, pedi que ele se deitasse e assumi o controle, me sentando em cima dele. Foi a primeira vez que eu senti prazer. A merda é que eu tomei o cuidado de esconder a camisinha, mas não me lembrei de olhar se tínhamos sujado a cama. A minha mãe percebeu e me pressionou, eu acabei confessando. Ela deve ter ligado pro meu pai, porque ele voltou pra casa mais cedo, vermelho de raiva. Ele abaixou minhas calças e me deu uma surra de cinto. Fiquei quase uma semana dormindo de bruços e sem poder me sentar. Me tiraram da escola e, menos de um mês depois, estávamos nos mudando da cidade.

- Parece ter sido uma experiência traumatizante - Jeffrey comentou.

- Nem tanto. Eu fiquei com muita raiva, mas nem por causa da surra. Fiquei com raiva por ter que deixar meus amigos, a escola... Ter que começar tudo de novo em outra cidade. Um ano depois, estávamos nos mudando novamente – Jared riu.

- Você já era fogoso desde menino, então – Jeffrey brincou. – E com garotas?

- Acho que foi aos 17 anos, com uma garota da escola. Eu curti bastante, até, mas no fundo, sempre preferi os homens.

- Você deve ter dado trabalho pros seus pais.

- Bastante - Jared riu.

- Falando em primeira vez, você fez eu me lembrar do seu primeiro dia lá em casa - Jeffrey ficou pensativo.

- Oh, não - Jared gargalhou.

- Você parecia um filhote perdido e assustado. Por um momento eu achei que fosse desistir.

- Era a minha vontade, mas eu não podia. Eu tive que escolher o que era prioridade na minha vida e deixar o resto pra trás. O meu orgulho eu já tinha abandonado quando fui te procurar, então…

Flashback on...

- Este será o seu quarto. Seus uniformes de motorista estão no armário e tem bastante espaço para guardar as suas coisas – Judith, a empregada e governanta, lhe mostrava os cômodos da casa aos quais teria acesso e o apresentou aos demais empregados. – O senhor Morgan pediu que o aguardasse na sala, ele já deve estar chegando.

A empregada se retirou e Jared ficou ali, naquela sala enorme e elegantemente decorada, esperando por Jeffrey. Sentiu um frio na barriga ao se dar conta do que estava fazendo. Por um momento, teve vontade de virar as costas e sair correndo daquela casa, mas não era hora de ter uma crise de consciência. Para quem já esteve na prisão, aquilo ali não podia ser tão ruim, podia?

Seus pensamentos foram interrompidos quando Morgan entrou na sala, largando sua maleta sobre o sofá e ainda falando ao celular. Ao encerrar a ligação Jeffrey parou há alguns metros de Jared, o olhando atentamente.

Jared não disse nada. Tinha pensado em muitas coisas antes, mas agora que estava ali, não sabia o que dizer ou como agir diante daquele homem que o estava contratando. Contratando para fazer sexo. Pensar desta maneira, de repente fez com que se sentisse uma prostituta barata. Deus, onde estava com a cabeça quando resolveu aceitar aquilo?

- Você já deve ter conhecido a Judith. Ela te mostrou o seu quarto e o restante da casa? – Jeffrey tentou puxar conversa. Percebeu que Jared estava nervoso, calado demais, diferente do dia em que o conhecera. Precisava quebrar o gelo de alguma maneira.

- Sim, ela... – Jared sentiu um calafrio com a intensidade do olhar de Jeffrey. Era como se ele pudesse enxergar dentro da sua alma. – É... Sim, senhor.

- Prefiro que não me chame de senhor quando estivermos a sós, dentro desta casa – Morgan fez uma careta. - Faz com que eu me sinta mais velho.

- Sim, ss… Jeffrey.

- Você pode ficar à vontade, e... apareça no meu quarto às dez horas. Não precisa bater, a porta estará aberta – Jeffrey piscou e saiu, subindo as escadas em direção ao seu quarto.

Jared ainda permaneceu ali na sala, imóvel, por alguns minutos. Respirou fundo e fez o caminho de volta até o seu quarto. Olhou para a saída mais uma vez antes de entrar. Era tentador, mas não era uma opção. Jeffrey tinha cumprido com sua parte no acordo e mais ainda, tinha lhe adiantado alguns meses de salário, assim pudera quitar boa parte das suas dívidas, garantindo assim que não haveria nenhum traficante lhe perseguindo. Teria que cumprir com sua parte agora. Era melhor não pensar sobre o que estava fazendo ou acabaria enlouquecendo de vez.

Fechou a porta do quarto e deu uma boa olhada em tudo. Havia uma cama de casal, bem confortável até, um armário, uma escrivaninha, uma poltrona macia e uma TV, além de um banheiro privativo. Muito melhor do que qualquer lugar que tinha morado nos últimos anos. Se bem que, depois de ter passado um ano e meio na prisão, qualquer muquifo parecia um hotel cinco estrelas. Sorriu com o pensamento.

Arrumou as poucas roupas que tinha trazido no armário, tomou um banho quente e demorado, tentando relaxar, e se deitou na cama, zapeando os canais da TV enquanto esperava o tempo passar.

Judith bateu na sua porta, o chamando para jantar, mas Jared recusou. Geralmente a ansiedade lhe dava ainda mais fome, mas não conseguia nem pensar em comer qualquer coisa naquele momento, ou acabaria vomitando.

Olhava no relógio a cada cinco minutos, se não menos, e quando eram quase dez horas escovou os dentes, vestiu uma calça jeans e camiseta branca com gola V. Jeffrey não tinha feito nenhuma exigência quanto às suas roupas, então vestiu o que lhe deixava à vontade.

Às dez horas, pontualmente, Jared pegou o papel que tinha deixado sobre a escrivaninha e subiu as escadas em direção ao quarto de Morgan. Parou diante da porta, criando coragem. Suas pernas tremiam e suas mãos suavam; de repente se sentiu um adolescente virgem e riu de si mesmo. Qual era o seu problema, afinal?

Conforme combinado, a porta do quarto estava destrancada. Entrou e fechou-a atrás de si. Já tinha estado naquele quarto na noite em que se conheceram, mas agora ele parecia muito maior. Um pouco assustador até. Talvez porque estivesse bêbado naquela noite, ou porque o que menos lhe interessava naquele momento era o tamanho do quarto.

Caminhou pelo cômodo e encontrou Jeffrey sentado em uma poltrona perto da cama, vestindo um roupão branco e bebendo uma taça de vinho.

Nenhum dos dois disse nada em um primeiro momento. Jeffrey o olhou de cima a baixo, o analisando. O homem tinha o poder de fazer Jared se sentir nu diante dele, mesmo que ainda estivesse completamente vestido.

- Pode chegar mais perto – Jeffrey sorriu, parecia divertido com a situação. – O que é isso? – Apontou para o papel que Jared tinha nas mãos, quando o moreno se aproximou.

- Um contrato – Jared lhe estendeu o papel.

- Um contrato? – O empresário franziu o cenho ao começar a ler. – Você se deu o trabalho de redigir um contrato? – Olhou brevemente para Jared e voltou à leitura do papel. – Não acha mesmo que eu vou assinar isso, acha?

- Não. Você pode queimar depois de ler, é só pra que algumas coisas fiquem bem claras – Jared cruzou os braços, esperando que Jeffrey terminasse a leitura.

O homem mais velho começou a rir. – Uso de quaisquer tipos de brinquedos sexuais apenas com o consentimento do contratado? – Franziu o cenho. – O que você tem contra brinquedos sexuais?

- Nada. Eu até curto a maioria deles, é só por precaução mesmo - Jared forçou um sorriso e Jeffrey o olhou, sem entender. - Eu posso não gostar de ter outra coisa que não seja o seu pau enfiado no meu corpo… Melhor eu me garantir, não é? - Jared explicou, dando de ombros.

Jeffrey deu risadas e balançou a cabeça, então continuou a ler…

- O contratado deverá ser consultado quando à participação de uma terceira pessoa, orgias, ou… - Isso é sério? - Jeffrey o encarou, indignado.

- É só…

- Precaução. Percebo. Você já participou alguma vez? - Perguntou, curioso.

- Já participei do quê?

- De alguma orgia? Do que nós estamos falando?

- Não. Claro que não - Jared respondeu rápido demais e Jeffrey o encarou. - Uma vez - Confessou, sob o olhar avaliativo do outro. - Talvez duas…

- Okay - Jeffrey se levantou da poltrona e parou diante de Jared, muito próximo, depois de amassar o contrato. - Você não precisa se preocupar com nada disso, eu sou um homem de hábitos simples. Gosto de sexo a dois, do básico, desde que seja espontâneo e quente. Eu te chamarei quando precisar dos seus serviços e quando eu chamar, não faça o que não tiver vontade, só seja você mesmo, e vamos nos entender. O que fizemos na outra noite foi bastante razoável - Jeffrey se aproximou para beijar a boca de Jared, querendo encerrar a conversa e partir para a ação.

- Razoável? - Jared desviou do beijo para olhar nos olhos de Morgan.

- Sim, razoável - Jeffrey confirmou e Jared ainda quis dizer alguma coisa, mas não conseguiu pensar em mais nada depois de sentir a língua daquele homem explorando sua boca e as mãos dele tocando o seu corpo de um jeito que o deixava louco…

Flashback off.

- Razoável - Jared deu risadas com a lembrança. - Eu passei a odiar essa palavra depois daquela noite.

Jeffrey gargalhou. - Se eu dissesse que tinha sido ótimo, você não teria se esforçado pra me agradar.

- Isso não se faz. Eu podia ter ficado traumatizado - Jared fez uma cara triste, exagerando, e ambos deram risadas.

- Por falar nisso… Chega de papo furado. Vamos - Jeffrey se levantou e esperou que Jared o acompanhasse.

- Hora de rolar no tapete? - O moreno sorriu, caminhando atrás de Jeffrey rumo ao chalé.

- Hora de brincar feito gente grande - Jeffrey tinha um sorriso sacana nos lábios.

Continua...


Nota da autora: Capítulo sem beta, relevem meus erros, please. O capítulo 14 ficaria gigantesco, por isso optei por dividi-lo em três partes, para que não ficasse cansativo demais. Só pra avisar que os próximos dois capítulos serão uma continuação deste. Tem uma cena bem hot no próximo... Aguardem! rs


Resposta a review sem login:

Anaas: Acho que é algo que eles nunca irão saber, né? Na época, Jared não queria ajuda, por isso fez o que fez para afastar Jensen da sua vida. Eu penso que eles devem um ao outro, tem uma história linda e triste juntos, e tudo o que aconteceu só fortaleceu essa amizade. E Jeffrey sendo Jeffrey... Hahaha! Obrigada por comentar! Abraços!