À Beira do Abismo

Capítulo 13

A primeira semana tinha sido bastante difícil. Olhar para o homem com quem um dia tivera tanta intimidade, e ver um completo estranho, era algo com o que Jared jamais iria se acostumar.

Jensen o ignorava sempre que podia, e como Jared estava trabalhando junto de Tahmoh, e ele e Jensen eram muito amigos, o loiro só ia até a sala dele quando o moreno não estava. A situação era bastante desconfortável, mas Jared estava tentando lidar com aquilo da melhor maneira.

O loiro havia mudado muito. Parecia sempre cansado e com ressaca, um comportamento que nunca vira nele antes, a não ser nos finais de semana, quando costumavam sair com os amigos e beber juntos.

Doía assistir àquilo e não poder fazer nada. Sabia que se dissesse qualquer coisa, Jensen não o ouviria e o mandaria se foder, com toda a razão. Jared pensava no quanto daquela mudança era culpa sua, de Jeffrey, ou de ambos. Às vezes a culpa pesava tanto, que era difícil olhar nos olhos de Jensen, então não era só ele que o evitava, Jared fazia o mesmo.

O moreno tinha saído para conversar com Samantha, e quando voltou para a sala de Tahmoh, Jensen estava lá, mas sequer desviou o olhar, quando Jared entrou.

- Quem era? - Tahmoh perguntou, curioso, continuando a conversa.

- Joseph Morgan - Jensen respondeu, mostrando a mensagem no celular.

- Outra vez? Isso seria o que... o terceiro encontro? Será que eu já posso considerar um namoro? Você está doente, ou o quê? - Tahmoh se inclinou e colocou a mão na testa do loiro.

- Idiota! - Jensen deu um tapa em sua mão. - O cara é gostoso, o que eu posso fazer?

Jared continuou a fazer o seu trabalho, fingindo que não estava prestando atenção na conversa, mas ouvia cada palavra. No fundo, estava curioso para saber quem era esse tal de Joseph, por quem Jensen parecia tão interessado. Sabia que sequer tinha o direito de sentir ciúmes, mas algumas coisas eram simplesmente impossíveis de controlar.

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Na semana seguinte, Osric teve que se ausentar alguns dias do trabalho, pois estava com uma gripe forte e Samantha designou Jared para que trabalhasse com Jensen em um caso.

Foi totalmente inesperado, mas o moreno precisava realmente do emprego, não poderia negar. E Jensen realmente não parecia disposto a facilitar as coisas, ou torná-las menos desagradáveis.

- Só pra deixar claro, eu não quero você me acompanhando amanhã, no tribunal.

- Eu não iria de qualquer maneira, não tenho licença pra isso - Jared respondeu, sem se abalar.

- Abandonou mesmo a faculdade? Estava ocupado demais sendo pai? - Jensen ironizou, mas ao mesmo tempo estava curioso.

- Basicamente.

- Pra quem nem sabia se era portador, e sequer pensava no assunto, você mudou de ideia bem rápido, não foi?

- Não foi planejado - Jared respondeu, sem entrar em detalhes.

- Não? - Jensen deu uma risadinha - Existe uma coisa chamada camisinha. Já ouviu falar?

- Falando desse jeito, até parece que você nunca transou sem - Jared quis dizer que se não fosse por Jensen não ter usado, ele nunca teria ficado grávido, mas se calou. Não era hora para aquilo.

- Nunca. Eu sempre zelei pela minha saúde, e dos meus parceiros - Jensen falou e Jared não podia contestar. O loiro sempre fora extremamente cuidadoso com essas coisas e naquela noite ele estava bêbado, provavelmente nem se lembrava de terem transado sem proteção.

- Hey - Tahmoh entrou na sala de Jensen, os interrompendo - Eu já estou saindo pra encontrar um cliente. Te vejo no HandleBar hoje à noite?

- Pode ser. Me manda um whats mais tarde - Jensen respondeu.

- Você tem uma audiência amanhã, Jensen - Jared falou, indignado.

- E o que tem isso?

- O que tem? Você tem um discurso pra preparar e não pode chegar no tribunal com essa cara de ressaca que vem trabalhar todos os dias.

- Vem cá - Jensen riu com sarcasmo. - Você é o quê? A minha mãe, por acaso? Eu não me lembro de ter te dado a liberdade de cuidar da minha vida.

- Uau! - Tahmoh ergueu as sobrancelhas, sentindo o clima pesado. - Eu já vou indo. Me avise se for aparecer, o Joseph vai estar lá - Falou enquanto saía, deixando Jared e Jensen a sós novamente.

- Só cuide da sua própria vida, okay? - Jensen falou, puto, e saiu da própria sala, deixando Jared sozinho.

- Que porra você está fazendo? - Jared resmungou consigo mesmo, depois que Jensen saiu.

Precisava controlar seus impulsos, mas era difícil ver Jensen agindo daquela maneira, e não poder fazer nada.

Jensen só voltou para a sua sala no final da tarde, quando Jared já havia ido embora. Verificou os papéis e viu que Jared não apenas tinha escrito todo o seu discurso sobre o caso, como tinha destacado os pontos principais que Jensen deveria levantar no tribunal.

- Idiota! Acha que eu não posso escrever meu próprio discurso? - Jensen xingou baixinho e começou a digitá-lo.

Escreveu duas páginas e viu que estava tudo uma droga, então pegou o discurso que Jared havia escrito, e viu que era muito melhor.

À noite, passou em seu apartamento apenas para tomar um banho e trocar de roupas, então foi encontrar com Tahmoh e seus outros amigos no HandleBar.

O loiro bebeu e se divertiu, sem se preocupar com mais nada. Por mais que o cara fosse interessante, deixou Joseph de lado, pois não estava a fim de entrar em um relacionamento agora, e terminou a noite com um moreno muito bonito, chamado Colin Donnell.

Quando acordou pela manhã, percebeu que Colin ainda estava em sua cama, então o acordou e pediu que fosse embora. Tomou um banho, e o arrependimento veio rapidamente, ao sentiu sua cabeça latejar de dor. Não tinha sido mesmo uma boa ideia.

- Só pode ter sido praga sua, seu filho da puta - Jensen xingou ao se lembrar do que Jared dissera no dia anterior.

Vestiu um terno caro, tentando parecer decente, mas a sua vontade era de voltar para a cama e dormir o restante do dia. Seu estômago estava embrulhado e os analgésicos que tomara para a dor de cabeça não haviam surtido nenhum efeito.

Entrou no escritório e ficou feliz ao saber que Samantha não estava. Sabia que a mulher já vinha tolerando as suas mancadas por algum tempo.

Para completar, Jared estava trabalhando em sua sala. Jensen se sentou atrás de sua mesa e esperou pacientemente por um novo sermão, que não veio.

- Você parece uma merda - Jared de repente riu, olhando para o rosto do loiro.

- Eu me sinto uma - Jensen concordou.

- Espere um pouco.

Jared saiu por alguns minutos, e quando voltou, tinha uma embalagem de algo que parecia maquiagem em suas mãos.

O moreno tirou a tampa do frasco, colocou um pouquinho em seus dedos e esfregou debaixo dos olhos de Jensen.

- O que diabos você está fazendo? Eu não vou pro tribunal feito uma vadia maquiada - Jensen reclamou, mas não saberia dizer o que incomodava mais, a maquiagem ou a proximidade de Jared.

- É corretivo. Vai esconder essas olheiras horríveis - Jared continuou, ignorando as reclamações do outro. - Use os seus óculos de leitura, vai ajudar a disfarçar - Falou ao terminar.

- Onde você conseguiu isso? Não vai me dizer que tem na sua bolsa? - Jensen debochou.

- Tem um salão de beleza aqui do lado do escritório, caso você não tenha notado. Engraçadinho - Jared fez uma careta.

- É ali que você escova seus cabelos, antes de vir pro trabalho? - Jensen zoou.

- Não é má ideia. O Aldis cortou o meu cabelo na semana passada e ele tem mãos incríveis - Jared sorriu e Jensen não gostou nada daquilo. Quem era Aldis, afinal?

- Espera… O que é isso? - Jensen segurou a mão de Jared, percebendo as cicatrizes em dois dos seus dedos.

- Ah… - O sorriso de Jared morreu. - Nada. Foi só… um acidente doméstico - Puxou sua mão e saiu da sala, indo devolver o corretivo para Lauren, a moça simpática que o havia atendido no salão.

Perto do intervalo do almoço, quando Jensen e Cindy voltaram do tribunal, seus ânimos estavam exaltados.

- Eu nunca pedi que você me acompanhasse. E por falar nisso, não vejo a hora do Osric voltar - Jensen reclamou.

- Só porque ele fecha os olhos pras merdas que você faz? Você deu sorte porque tinha um discurso pronto, e era uma causa ganha, porque sequer sabia do que estava falando - Cindy respondeu e foi para a sua mesa, aborrecida.

Jensen não disse mais nada, apenas entrou em sua sala, fechando a porta atrás de si.

Tahmoh esperou algum tempo, para que o loiro esfriasse a cabeça, e então foi até lá falar com ele.

Se sentou na poltrona em frente à mesa de Jensen, que estava com os cotovelos apoiados sobre ela, e o rosto escondido entre as mãos.

- O que houve? - Tahmoh arriscou perguntar.

- Eu pisei na bola. A Cindy tem razão, eu… Eu li todo o discurso, que a propósito foi Jared quem escreveu, e não… Não consegui me concentrar, foi um fiasco - Suspirou.

- Você estava bem quando eu saí do bar ontem, o que aconteceu pra te deixar assim?

- Colin Donnell aconteceu - Jensen riu, sem humor. - Nós fomos pra minha casa, tomamos mais uma dúzia de cervejas, e… Foi irresponsável, eu sei. A Samantha vai querer o meu couro. Às vezes nem eu mesmo sei por que faço essas coisas.

- Ela não está no escritório hoje. E a Cindy pode ser um porre, mas ela não faz o tipo dedo-duro.

- Não? Ela entrou aqui gritando que eu sou um incompetente - Jensen bufou.

- Estávamos só eu e o Jared aqui, o resto do pessoal já saiu pra almoçar.

- Certo - Jared era justamente quem menos Jensen queria que presenciasse aquilo. Não que se importasse com o que o seu ex pensasse à seu respeito, mas não queria que ele o visse como um fracassado.

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Uma imagem muito ruim de uma câmera na rodoviária de Modesto era tudo o que Jeffrey conseguira até o momento. E também a certeza de que Jared obtivera ajuda e provavelmente estava utilizando um nome falso, pois seu nome não constava em nenhuma lista de passageiros. Mas ajuda de quem? Todos os seus amigos estavam sendo monitorados, não tinha como ser algum deles.

Chad Murray e Stephen Amell, que eram os amigos mais próximos, já haviam ligado para Jeffrey, querendo notícias de Jared, já que não conseguiram contatá-lo pelo celular.

Morgan usou a mesma desculpa que dera para Matt e seus amigos, de que o casamento estava em crise e Jared tinha ido passar algum tempo com o pai.

Ambos estranharam o fato de Jared nunca ter mencionado o pai antes, mas Jeffrey garantiu que o moreno estava bem e que pediria para ele entrar em contato com os amigos, assim que possível.

O que Morgan não contava, era que fosse demorar tanto para encontrá-lo. Já faziam mais de três meses e cada dia longe do moreno era uma tortura. Jeffrey já não dormia sem remédios, e não conseguia se concentrar no trabalho.

Sentia a sua falta... Falta de tê-lo em sua cama, de tocá-lo, dos seus beijos e até mesmo das pequenas coisas, como ouvir a sua voz, o cheiro do seu xampu, ou o fato de vê-lo secando seus cabelos, depois do banho.

Sentia falta de voltar para casa na hora do almoço, ou depois do trabalho, e saber que ele estava lá, lhe esperando. Agora seus dias e noites eram vazios. Tudo o que queria era encontrá-lo e trazê-lo de volta ao lugar onde ele pertencia.

Jeffrey pensou que poderia enlouquecer, só de imaginar o que Jared estaria fazendo longe dali. Não queria sequer pensar na possibilidade de ter algum outro homem junto dele. Seria capaz de matar qualquer um que ousasse tocá-lo.

Sim, porque Jared era seu, e precisava entender, a qualquer custo, que o seu lugar era naquela casa, junto de Jeffrey.

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Por mais que as coisas tivessem dado errado entre eles, e que ainda sentisse raiva, Jensen não podia deixar de admirar algumas coisas sobre Jared.

Ele estava ali há apenas algumas semanas e já havia conquistado todos os colegas de trabalho. David Ramsey, que dificilmente se entrosava com o pessoal, passava muito tempo conversando com ele. Talvez porque ele também tinha um filho pequeno e tivessem assuntos em comum, mas até mesmo a rabugenta da Cindy, que costumava ser esnobe com todo mundo, tinha uma ligação diferente com Jared.

Mas no fundo, não era nenhuma surpresa, Jensen podia entender. O mesmo tinha acontecido com ele, quando o conhecera na faculdade e se apaixonara quase que imediatamente. Embora Jared já não fosse mais o mesmo que conhecera, sua essência continuava a mesma.

Às vezes Jensen o observava, de longe. Muita coisa havia mudado. Seu sorriso já não era mais o mesmo, já não via nele aquele entusiasmo pela vida, que tinha enquanto namoravam. Era estranho observar que em um momento ele estava conversando e sorrindo animadamente, e no momento seguinte parecia estar com a mente distante dali, com os olhos tão tristes que chegava a doer.

Mas aí Jensen se dava conta que já tinham se passado dois anos, que Jared havia amadurecido, e que já não o conhecia mais. Eram como dois estranhos agora e isso era algo difícil para Jensen aceitar.

Algum tempo depois do final do expediente, ao voltar de carro para o seu apartamento, Jensen fez o caminho de sempre, mas provavelmente nunca tinha parado para observar o parque que havia há algumas quadras dali.

Era um bonito lugar, com árvores, bancos de madeira onde algumas pessoas se sentavam para ler ou observar seus filhos brincarem, escorregadores e balanços… Mas o que tinha lhe chamado a atenção era o homem com um bebê de quase um ano no colo.

Jensen estacionou o carro no acostamento e ficou os observando, de longe. Ele estava de costas, mas Jared se destacava pela altura, e a bebê de cabelos loirinhos em seu colo dava risadas cada vez que ele a jogava para o alto e a agarrava de volta. Ela não tinha medo, dava para perceber que se sentia completamente segura em seus braços. Jensen sempre gostara de crianças e o som daquelas risadas o fez sorrir.

Jared se virou de frente para onde Jensen estava quando colocou a menina em um dos balanços para bebês. O moreno a balançava e ela dava mais e mais risadas. Neste momento Jensen reconheceu o sorriso que Jared costumava ter, aquele sorriso puro, que lhe alcançava os olhos, e que Jensen não tinha visto desde que se reencontraram.

Algumas vezes, como agora, Jensen sentia vontade de se aproximar, de conhecer a pequena Angel. Não saberia dizer por que, mas tinha gostado do nome. Às vezes podia ouvir Jared e Samantha conversando, no escritório, e por mais que quisesse ficar alheio àquilo, gostava de ver o jeito que Jared falava dela, com tanto amor e tanto orgulho.

Mas ao mesmo tempo, aquilo feria bem lá no fundo da sua alma. Cada vez que se lembrava que Angie não era apenas filha de Jared, mas também de Jeffrey… Provavelmente nunca conseguiria superar.

Jensen olhou mais uma vez para ambos, com um sorriso triste no rosto, ligou o carro e foi embora. Não. Não estava pronto para lidar com aquilo no momento.

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Enquanto Osric não voltava, Jared continuava trabalhando com Jensen, e o loiro tinha a sensação de que Samantha estava fazendo aquilo de propósito, pelo fato de Jensen ter implicado com ele.

Não era de todo ruim, Jared era um assistente muito melhor do que Osric, o único problema é que ele era Jared. E conviver com ele dentro de um escritório o dia inteiro, não fazia bem para a sanidade de Jensen.

Às vezes o olhava, e sentia curiosidade de saber se os seus cabelos, agora um tanto mais longos, ainda eram tão sedosos - embora aquele pensamento fosse gay demais até para si mesmo -, e se os seus lábios ainda eram tão macios e gostosos de beijar.

- A sua mãe também tem sardas? - A voz de Jared tirou-o de seus devaneios.

- O quê? - Jensen girou a cadeira para olhá-lo de frente.

- Eu… é… - Jared corou de repente. Estava pensando sobre aquilo e acabou falando em voz alta, sem querer. - Eu só estava pensando se você herdou as sardas da sua mãe, ou…?

- Sim, Jared. A minha mãe é loira, e embora use quilos de maquiagem pra esconder, ela tem sardas. Porque se o meu pai as tivesse, você saberia melhor do que eu, não? - Jensen ironizou e Jared se calou, voltando a se concentrar no trabalho.

Não devia ter tocado no assunto, mas ao mesmo tempo, se sentia aliviado. Claro que poderia acabar com sua agonia, não seria difícil conseguir um fio de cabelo de Jensen, ou algo com o seu DNA. Mas no fundo, não queria que fosse daquela maneira. Agora que estavam tão próximos, pelo menos fisicamente, talvez algum dia aquela raiva toda passasse e pudesse conversar abertamente com Jensen sobre o assunto. Jared ainda tinha esperanças.

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Depois de muita insistência de Tahmoh e Emily, Jared aceitou ir com eles a um happy hour, na quinta-feira, depois do trabalho. Não queria criar vínculos, porque não pretendia ficar muito tempo em Austin, e também tinha medo de se expor, para não facilitar o trabalho de Jeffrey em localizá-lo. Mas ao mesmo tempo, precisava se distrair um pouco, senão acabaria enlouquecendo.

Carol, a senhora que cuidava de Angie, já havia se oferecido para ficar com ela à noite, ou nos finais de semana, caso Jared quisesse sair, então isso também não foi um problema.

À noite, Jared até conseguiu se divertir por algum tempo. A música era boa, e o pessoal estava bastante animado. As conversas giravam em torno dos acontecimentos cotidianos, nada muito pessoal - o que Jared temia -, basicamente, todos riam de si mesmos.

Então um cara moreno e muito bonito, chamado Colin apareceu e Jensen deixou a mesa. De onde estava, Jared podia vê-los aos beijos, e de repente, tudo o que queria era sumir dali.

Uma coisa, era saber que Jensen estava saindo com alguém, outra bem diferente era presenciar aquilo. Jared não pensou que, depois de tanto tempo, ainda fosse machucar tanto.

Já tinha sido doloroso vê-lo meses atrás com Chris - que felizmente, Jensen parecia tê-lo deixado -, e embora uma parte de Jared quisesse ver Jensen feliz, ainda que fosse com outro, tinha um lado egoísta que estava morrendo de ciúmes. E lidar com ele, nunca era fácil.

- O que é isso que você está bebendo? - Por sorte, Tahmoh tirou Jared dos seus devaneios. Ficar observando Jensen com Colin já estava ficando patético. - Coca?

- Sim - Jared riu da cara de surpresa do outro.

- Bom, eu não estou bebendo porque tenho uma audiência amanhã. Mas sério que você não vai tomar nem uma cerveja?

- Não. Não é que eu não goste, mas… - Jared mordeu o lábio inferior. - Eu tomo antidepressivos, então… Melhor não misturar.

- Oh. Eu não fazia ideia, me desculpe - Tahmoh falou com sinceridade.

- Tudo bem.

- Bom, pelo menos eu sei que você não vai sair daqui carregado, como o Jensen e a Emily costumam fazer - Tahmoh brincou.

- Ei! - Emily se fez de ofendida. - Eu só tomei três cervejas. Ou seriam quatro? - Brincou, fazendo os outros rirem.

- Se perdeu a contagem, é hora de parar - Tahmoh zoou e Emily jogou um guardanapo amassado em sua direção.

- Eu preciso ir - Jared falou, depois de alguns minutos.

- Eu estava pensando se você… Quer companhia? - Tahmoh falou perto do ouvido do moreno, sugestivamente.

Jared sorriu. - Não, eu… acabei de passar por um divórcio e acho que ainda não estou no clima pra isso.

- Nem mesmo por diversão? - O outro insistiu, colocando uma mão sobre a coxa do moreno.

Jared o olhou por um instante. Tahmoh era lindo e fisicamente o seu tipo, mas trabalhavam juntos, e misturar sexo e trabalho não era boa ideia. Além do que, Jared não sabia se estava pronto para isso.

- Não, nem por diversão.

- Okay. Não me leve a mal, eu só... Tinha que tentar - Tahmoh tirou a mão da sua coxa e sorriu, não queria que ficasse um clima estranho entre eles.

- Está tudo bem - Jared olhou em seus olhos e sorriu, levando numa boa.

- Bom, eu também já estou indo, será que eu posso te oferecer uma carona até a sua casa, então? Fica no meu caminho.

- Sim, a carona é bem vinda - Jared pagou a sua parte da conta, se despediu de Emily e dos outros e seguiu com Tahmoh até o estacionamento.

Colin tinha ido comprar cervejas e Jensen ficou ali, observando quando Tahmoh se aproximou, falando algo no ouvido de Jared. Não gostou nada de ver a interação de ambos, íntima demais, e menos ainda quando os dois foram embora juntos.

Embora não tivesse mais nada a ver com a vida de Jared, era difícil imaginá-lo nos braços de outro. Ainda mais se tratando do seu amigo. Jensen sentia-se patético, mas não conseguia deixar de sentiu ciúmes.

Continua...


N/A: Só deixando claro… Não esperem nada muito realista nesta fanfic. Eu escolhi a advocacia, porque achei que combinava com meus personagens, mas não entendo bulufas do assunto (a não ser uma coisa e outra que tenha visto em filmes ou séries) e não tenho tempo para pesquisar. Na verdade, tenho pouquíssimo tempo para me dedicar a isso e escrevo apenas por diversão (ou pra fazer vocês sofrerem, que também é divertido... rs). Se acharem que é viagem demais, tem autores que posso indicar, que escrevem com base na realidade e fazem pesquisas. Embora falar em realidade numa fanfic Mpreg é quase uma piada, né? rs

**Quero aproveitar para recomendar o novo livro de uma das antigas autoras Padackles deste fandom, a EmptySpaces11. O título do livro é "Promessa de Liberdade", uma realidade altenativa onde existe a escravidão nos dias de hoje, e há um relacionamento entre um músico e um escravo fugitivo. Uma história emocionante e triste, pra quem gosta de sofrer… (sei que vocês gostam, já que leem minhas fics… kkk). Quem tiver interesse pode procurar o ebook na loja da Amazon, ou a versão física no Clube dos Autores, ok? Não vou colocar o link porque o site bloqueia. Bjos!


Resposta às reviews sem login:

Val: Benditas sardas, não? rs. Reconciliação? Onde? Quando? Kkk. Não foi desta vez, acho que eles tem muita estrada pra caminhar ainda. E sim, nas minhas fics Jared sempre será "o moreno" e Jensen sempre será "o loiro". Não importa o que digam… hehe. Obrigada por comentar. Bjos!

Sol Padackles: Sim, eu acho que o amor ainda está lá, guardado num cantinho do coração, embora seja difícil eles encontrarem um caminho e se entenderem. O reencontro foi frio, mas eu não consegui ver de outro jeito. Eles são humanos, estão magoados, e o perdão não vem assim de uma hora pra outra, né? E sim, eles precisam conversar. Desde o início este foi o maior problema, a falta de comunicação. Obrigada pelo review, xuxu! Que bom que gostou, apesar de tudo… rs. Bjos!

Nicole: Eu sempre sou boazinha, não entendo do que vocês reclamam… rs. A convivência entre eles não vai ser fácil. Mas quem sabe eles não encontrem um caminho? Acho que neste momento, eles precisam conhecer um ao outro novamente. A mágoa ainda está lá, mas o amor também, ainda que seja lá num cantinho do coração… rs. Obrigada por comentar. Bjos!

Maria Aparecida: Pois é, já tive até a vida ameaçada se a menina não tivesse sardas… kkk. Eu disse que achava que você não ia gostar do rumo da fic, justamente por não torcer pelo casal principal. Jensen feliz sem Jared, ou Jared feliz sem Jensen, é algo que você não vai ver por aqui… rs. Sobre Tahmoh, ele até pode estar de olho comprido pra cima do Jay, mas acho que o que menos Jared precisa agora é de um relacionamento, né? A não ser que um certo loiro estivesse a fim, o que está difícil… kkk. Obrigada por comentar. Bjos!