Título: Segredo em dose dupla

Autor: Fernanda


Capítulo 14

Horas mais tarde, escritório do FBI...

Booth leu a carta pela terceira vez, a raiva crescendo dentro de si. Fora feito de bobo, de fantoche por um homem vingativo de quem ele sequer se lembrava. A culpa martelava em sua cabeça. Bones era refém por sua culpa, por causa de um bandido que ele colocou na cadeia, e a Instituição Penitenciária do Estado de Washington não foi capaz de mantê-lo onde devia, pelo tempo determinado pelo júri.

Já não bastava a culpa corroê-lo por dentro por causa dela, ainda tinham as outras mulheres, vítimas inocentes de um louco tentando distraí-lo. Booth suspirou cansado. O dia estava acabando e ele não tinha nenhuma pista boa o bastante. A busca pelas floriculturas continuava, mas ele nem sabia ao certo se aquilo também não seriam provas plantadas apenas para distraí-lo.

O celular tocou e ele atendeu rapidamente. Era Hodgins.

_ Quisqualis ! – ele disse.

_ O que ? Hodgins, eu não estou com humor para seus enigmas !

_ Também conhecido como Jasmim da Índia. Trepadeira lenhosa de crescimento vigoroso, nativa da Índia. Sua floração é bastante decorativa, pois as flores mudam de cor passando de branco a vermelho escuro com suave perfume. É utilizada para plantio em cercas, alambrados e maciços. Pode ser mantida como arbusto através de podas.

_ Eu não acredito que você descobriu ! Te devo uma cerveja !

_ Não fique tão animado. A má notícia é que floriculturas não vendem esse tipo de planta.

_ Então voltamos à estaca zero ? – Booth perguntou desanimado.

_ Nem tanto... A Ângela disse que foi ao casamento de uma colega indiana e tinha essas flores espalhadas por todo o local. Parece que simboliza sorte.

_ Então o cara tem um buffet de casamento indiano ?

_ Não sei. É aí que você entra. Não somos bons em traçar perfis.

_ Valeu, Hodgins. Eu vou pensar por onde começar a usar essa informação. Obrigado.

Booth desligou o telefone e voltou-se para o computador. Precisava continuar pesquisando a lista de fugitivos das Penitenciárias nos arredores de Washington D.C..


No cativeiro...

Temperance permanecia deitada, numa espera angustiante. Pelas frestas da janela ela notou que já escurecia, e ela estava faminta. Não tinha comido nada o dia todo. Será que ele pretendia matá-la de fome, ela pensava.

Pelo silêncio na casa, ela sabia que estava sozinha. Só gostaria de ter conseguido descobrir uma maneira de sair dali. Mas ela tinha esgotado todas as suas forças tentando despregar as janelas, sem nenhum sucesso.

Depois do que pareciam ser horas ela ouviu um barulho vindo de dentro da casa. Ela sabia que o homem tinha voltado e talvez para cumprir a ameaça. Temperance sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto. Ela a enxugou rapidamente, não podia demonstrar fraqueza. Tinha que ganhar tempo até Booth encontrá-la.

Ela se sentou na cama assim que ouviu um barulho na maçaneta. O homem entrou trazendo uma bandeja com frutas, leite e um sanduíche. Temperance suspirou de alívio, mas se conteve. Não sabia qual o próximo passo dele.

_ Não se preocupe. – ele disse parecendo ler os pensamentos dela. – Não vou cumprir minha ameaça agora. Você precisa estar forte e alerta, senão não teria a menor graça.

_ Por que está fazendo isso ? Você apenas irá acrescentar muitos anos em sua pena a ser cumprida. Não vejo vantagem nenhuma.

_ Não vou ser pego. Não conte com seu amante para encontrá-la. Eu me preparei e não deixei pistas. É o crime perfeito. – ele disse com arrogância.

_ Isso não existe. Meus amigos vão descobrir onde estou. Eles são muito bons !

Ele riu com sarcasmo.

_ Sério ? Nossa ! Não ouço barulho de carros de polícia !

Temperance não retrucou. Não estava mais com vontade de conversar. Estava cansada e com fome. O homem percebeu a derrota dela e sorriu.

_ Coma. Tome um banho, há toalhas no banheiro. E durma. Amanhã é um outro dia... – ele foi saindo mas se voltou para ela. – Esqueci de avisar...eu gosto de sexo pela manhã.

Temperance estremeceu ao ouvir aquilo. Seu único consolo era ter feito sexo com Booth antes de ser seqüestrada, pelo menos sua primeira vez após um longo jejum não seria sendo estuprada. Ela ouviu a porta sendo trancada e olhou para a bandeja. De repente sua fome havia desaparecido.


Escritório do Booth, FBI...

Já era madrugada quando um nome chamou a atenção de Booth. Ele imprimiu a ficha do fugitivo e leu o relatório de sua condenação. Só podia ser ele. O crime havia sido cometido muitos anos antes e ele só havia sido condenado porque Booth teve a ajuda da Bones e dos squints. Ele pegou a pasta e foi direto para o Jeffersonian.

Hodgins aparentava estar exausto, mas ainda continuava debruçado sobre o microscópio. Ângela pesquisava tudo sobre flores indianas na Internet e Wendell e Cam examinavam as vítimas novamente.

Ao verem Booth todos pararam o que estavam fazendo. Cam praticamente correu até ele.

_ Alguma pista ? – ela perguntou ansiosa.

Booth estendeu a pasta a ela.

_ Só pode ser esse cara: Travis Rupali. O primeiro condenado através do trabalho em equipe entre o FBI e o Jeffersonian.

_ Quando ele escapou da prisão ? – Cam perguntou lendo a ficha dele.

_ Cerca de três meses antes da primeira vítima ser morta. Houve uma briga e na confusão ele saiu da prisão pelo túnel da lavanderia.

_ Tem que ser ele. – ela concluiu. – O que conseguiu sobre amigos, comparsas ?

_ Martin está pesquisando isso nesse momento.

Booth passou as mãos pelo rosto num gesto cansado. Cam colocou a mão em seu braço.

_ Descanse um pouco no meu escritório. Eu te chamo quando Martin, Hodgins ou Ângela descobrirem mais alguma coisa.

_ Não ! – ele negou com veemência. – Eu não vou dormir enquanto não encontrar a Bones !

Ele foi até o Hodgins.

_ Encontrou mais algum fato relevante ?

_ Só particulados muito comuns, toxinas de cigarro, terra. A única coisa estranha foi que eu encontrei o fungo Histoplasma capsulatum. Este fungo pode ser encontrado no ar atmosférico de cavernas, solo de galinheiro e solo enriquecido com guano ou fezes dessecadas de outros animais.

Booth pensou um pouco.

_ Eu já sei ! Pode ser o chão de um sítio, não é ?

_ Muito provavelmente. Não encontramos esse tipo de fungo aqui na cidade. – Hodgins concordou.

Ele correu até a sala da Ângela.

_ Procure por sítios, galinheiros ou matadouros abandonados nos arredores de Washington.

_ Que susto, Booth ! – ela se voltou. – Por que ?

_ Hodgins descobriu um fungo na varanda da Bones que só existe no chão desses lugares.

_ Ok ! Não precisa dizer mais nada !


Cativeiro, 7:15 h....

Temperance andava de um lado a outro no pequeno quarto. Ela sabia que o homem voltaria a qualquer momento para cumprir a promessa e ela só conseguia pensar em seus bebês. Não podia correr o risco de machucá-los. Precisava sair dali. O desespero ameaçava dominá-la.

Ela enxugou uma lágrima furtiva. O rosto de Booth lhe veio à mente e ela começou a chorar de verdade, soluçando. O pânico a dominou quando ouviu barulho vindo do corredor e logo a porta foi aberta. O homem sorriu abertamente por tê-la pego chorando.

_ Pelo que vejo não vou ter que me contentar uma princesa de gelo, afinal ! Ontem eu pensei que você não tivesse sentimentos, Doutora ! Vejo que me enganei ! Que bom...

Temperance não respondeu. Ela notou que ele trazia nas mãos um longo lenço azul, parecido com um sari indiano. Ele se aproximou mais e a puxou pelos cabelos. Temperance estremeceu mas não reagiu.

_ Eu quero que vista isto pra mim. – ele jogou a roupa para ela. – Combina com seus olhos...

_ Não. – ela se recusava a satisfazer as fantasias sexuais dele.

_ Vamos ver por quanto tempo consegue manter essa pose de durona...

Ele disse isso e a puxou para si, beijando-a na boca. Temperance cerrou os lábios com força. Isso pareceu irritá-lo e ele a empurrou em direção a cama com violência, fazendo com que a cabeça dela batesse contra a cabeceira. Temperance ficou um pouco tonta com a pancada e ele se aproveitou disso, sentando-se sobre o corpo dela.

Temperance tentou empurrá-lo mas ele prendeu suas mãos acima da cabeça. O homem aproveitou a posição em que ela se encontrava e abriu o zíper do short que ela vestia e rasgou a camiseta. Ele sorriu diante da visão dos seios dela. Temperance torceu o corpo e depois de muito esforço conseguiu livrar uma das pernas, que usou para acertá-lo em cheio entre as pernas com o pé. O homem gritou de dor e saiu rapidamente de perto dela.

Ela se sentou na cama ofegante, se preparando para o próximo ataque dele. Mas ao invés disso ele se afastou em direção à porta, assim que se recuperou um pouco.

_ Você só conseguiu adiar sua sentença, vadia !

Ele saiu e trancou a porta atrás de si e ela respirou aliviada, ainda com lágrimas escorrendo pelo rosto. Temperance fechou os olhos, abraçando a si mesma e sussurrou.

_ Booth, me ajuda...

Continua...