Capítulo 13 – Vingança

Harry ficou olhando estático para a cena.

Os estranhos homens de uniforme negro e prata apontavam a varinha para Guilherme, que se encontrava a frente do grupo de garotos.

No instante seguinte, todos os garotos estavam entre Guilherme e os representantes do Ministério, com as varinhas em punho.

-Ninguém vai levá-lo a lugar nenhum. – disse o garoto com cara de galã.

-Isso aí. Ele é inocente. – disse a garota com cara de CDF – Guilherme nunca mataria ninguém.

-Saiam da frente vocês todos. – disse o homem do Ministério. – Ou seremos obrigados a enfeitiçá-los.

-Tentem. – disse a garota cheia de piercings levantando a varinha. Todos os outros garotos levantaram as varinhas também, em posição de ataque.

-"Um por todos e todos por um". – disse Brenda, com a voz esganiçada e repentinamente cheia de coragem.

-Parem. – disse Guilherme atrás do grupo de garotos. Todos se viraram para ele.

-Mas Guilherme... – começou o japonês de cabelo espetado.

-Não. – disse ele com a voz firme. – Já chega. Afastem-se. Está tudo bem.

Os garotos se entreolharam e depois abriram caminho para Guilherme, que puxou a varinha e caminhou até os representantes do Ministério.

Os representantes pareceram surpresos com a atitude dele, e o líder do cortejo estendeu a mão, esperando que Guilherme entregasse a varinha a ele.

Guilherme estendeu a varinha para o homem, mas quando ele foi pegá-la Guilherme a tirou de seu alcance.

-O que você... – começou o homem.

-Você não vai tocar na minha varinha. – disse ele sem demonstrar medo algum.

O homem aparentemente contra vontade, meteu a mão no bolso da capa, retirou uma caixinha e lhe estendeu para que guardasse a varinha.

Guilherme fez isso rapidamente e depois lhe devolveu a caixa.

-Podemos ir agora. – disse ele começando a andar.

Um dos Aurores segurou seu braço, mas com um brusco puxão ele resmungou um "Sei andar sozinho. Obrigado".

No segundo seguinte Harry sentiu uma mão segurar com força seu braço e antes que ele pudesse olhar quem o segurava, eles foram puxados para fora da lembrança, pousando levemente no quarto de Guilherme na Sede da Ordem.

Harry olhou em volta para ver quem o trouxera, e se deparou com Guilherme que o olhava firmemente.

-Mexer nas coisas dos outros é falta de educação Harry. – disse ele caminhando para a escrivaninha e pegando alguns documentos em uma gaveta.

-Me...me desculpe... eu não... - gaguejou Harry. A expressão de Guilherme era difícil de decifrar.

Guilherme olhou para Harry, e depois caminhou até onde a Penseira estava pousada. Retirou todo o seu conteúdo e o guardou de volta na cabeça.

-Certas coisas não devem ser lembradas Harry. E nem vistas.

-Eu só a achei por acaso e fiquei curioso para... - tentou explicar Harry, se sentindo mal por ter feito aquilo.

-"A curiosidade não é um pecado, embora devamos tomar cuidado com ela".

Harry não soube o que dizer por isso desviou o olhar para a janela.

-Me desculpe. Eu realmente não deveria ter mexido nas suas coisas. – desculpou-se Harry, sem saber o que pensar.

-Tudo bem. Não há problema. - disse ele pegando vários papéis que deixara sob a escrivaninha e arrumando-os nos braços. – Mas eu quero que você me espere aqui. A reunião da Ordem terminará logo e eu quero falar com você.

-É claro. Esperarei aqui mesmo. – disse Harry achando que era o mínimo que poderia fazer.

-Excelente. Volto logo. – disse saindo do quarto.

Assim que a porta se fechou, Harry soltou um suspiro de alívio. Sabia que o que fizera não era certo, mas não conseguira resistir. Se dirigiu a uma poltrona para esperar o retorno de Guilherme.

-Ei Harry. Acorde! – disse Guilherme estalando os dedos na frente de seu rosto. Harry estivera num estado de transe até aquele momento apenas pensando em tudo o que estava acontecendo.

Pensando se Guilherme realmente poderia ter matado alguém, nas aulas que ele teria, em Voldemort, Hermione, Rony, todos os outros.

-Ah... Desculpe. - disse piscando algumas vezes e acordando.

-Você está bem Harry? – perguntou Guilherme o olhando fixamente.

-Aham... Estou sim. O que você queria falar comigo mesmo? – perguntou Harry, de repente se lembrando o porquê de ele estar ali.

-Ah bem. Quero falar com você sobre o que você viu na Penseira. Na verdade quero lhe mostrar uma coisa. – disse ele, e depois se levantou e caminhou até um grande armário.

Ao destrancá-lo com um feitiço, pegou uma caixa de madeira polida e a levou até onde Harry e a Penseira estavam. Abriu a caixa lentamente, mostrando três pequenos frascos, dois com um líquido prateado dentro e um deles vazio.

-Essas são as lembranças mais importantes da minha vida, Harry. Duas delas são minhas e uma é de um elfo-doméstico, e foi conseguida por Dumbledore que a presenteou a mim. – dizendo isso, ele pegou o frasco vazio e o encheu com uma memória da própria cabeça. – Essa lembrança é a que você viu a pouco. – disse guardando o frasco de volta na caixa.

Ele pegou outro frasco e o esvaziou na Penseira.

-Essa memória se seguiu à que você viu. – e fazendo um gesto elegante, indicou a Harry que entrasse. – Primeiro você.

Harry se sentiu mergulhando na escuridão como em todas as vezes que entrava na Penseira.

Quando pousou, só teve alguns segundos para olhar o lugar em que estava antes de Guilherme aparecer ao seu lado. Era o mesmíssimo tribunal a qual ele esteve certa vez, sendo julgado por fazer magias fora de Hogwarts, a diferença é que Guilherme estava sentado à cadeira, com os braços acorrentados e o tribunal estava vazio, exceto pelos homens que o prenderam. Esses estavam parados, encostados à parede como se esperassem alguém.

-E então... – começou Guilherme – quando eles vão chegar?

Os homens de uniforme o olharam surpresos, mas não responderam.

-Ora vamos... – continuou ele – Não estaríamos aqui, se não estivéssemos à espera de alguém. Quem está a caminho? O ministro? Algum auror? – disse ele com tom de riso na voz.

-Fique quieto garoto. – disse o chefe do grupo, mas Guilherme apenas riu.

Antes que qualquer um dos dois pudesse dizer mais alguma coisa, a porta atrás de Guilherme se abriu e os homens de uniforme se retiraram. Pela porta aberta entraram Alvo Dumbledore, Alastor Moody, Remo Lupin, Ninfadora Tonks e Severo Snape.

-Finalmente vocês chegaram. Estão atrasados. Estava preocupado. Cheguei a achar que tivessem sido atacados. – e depois começou a rir loucamente.

-Quieto. – rosnou Moody para ele e depois sussurrou a Dumbledore – Tem certeza que ele é a pessoa que estamos procurando Dumbledore?

-Absoluta Alastor. – e depois se virando para Guilherme – Olá Guilherme. Meu nome é...

-Alvo Dumbledore, cacique supremo da Suprema Corte dos Bruxos, chefe da Confederação Internacional dos Bruxos e diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. - recitou Guilherme em tom monótono.

-Exatamente. – disse Dumbledore sorrindo.

-Gosto de estar bem informado sobre os maiores bruxos da atualidade, notícias em relação à Guerra e etc. – disse ele com um estranho sorriso nos lábios – E esse deve ser: Alastor Olho-Tonto Moody - disse olhando para Moody – Ex-chefe da Seção dos Aurores do Ministério da Magia Britânico, e ex-professor de Defesa contra as Artes das Trevas em Hogwarts. – depois olhou para Lupin – Remo Jonh Lupin, lobisomem assumido e ex-professor de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts. E parabéns, tem que ter muita coragem para publicar a sua condição de lobisomem hoje em dia, considerando o preconceito e tudo isso. – e depois notando o olhar surpreso de todos para ele, ele sacudiu os ombros e disse – Tenho um correspondente em Hogwarts. Mas esses são os únicos que eu conheço Alvo. – disse se dirigindo a Dumbledore como se fossem velhos amigos.

-Chame-o de Professor Dumbledore moleque. – disse Moody se exaltando.

-Acalme-se Alastor. – disse Dumbledore. – Fico contente por você já conhecê-los Guilherme. Estes outros são Ninfadora Tonks, uma excelente auror que está nos acompanhando hoje; e Severo Snape, professor de Poções de Hogwarts.

-Ah sim... – ele olhou para Tonks especificamente e sorriu como se estivesse animado – É um prazer conhecê-la. – e depois olhou para Snape com desdém.

-Gostaria de conversar com você Guilherme, mas não gostaria que estivesse preso durante essa conversa. – e estalou os dedos, para que as algemas que o prendiam o soltassem.

Guilherme se levantou lentamente se espreguiçando e esfregando a marca vermelha em seu pulso esquerdo, logo abaixo de um bonito bracelete dourado cravejado de pedras coloridas, onde as algemas o prenderam.

-Conversar comigo? E sobre o que seria essa conversa? – perguntou ele encarando Dumbledore sem demonstrar nada, nem mesmo admiração ou respeito.

-Eu gostaria de saber se você está interessado em entrar para a Ordem da Fênix. – disse Dumbledore calmamente.

-Ordem da Fênix? – perguntou ele olhando para os outros que estavam presentes.

-Você com certeza sabe o que é a Ordem da Fênix, não? – perguntou Snape demonstrando repugnância e desdém.

-Obviamente que sei Severo. É um conjunto de pessoas reunidas sob a liderança de Alvo Dumbledore, para tentar derrotar Voldemort.

-Basicamente, é isso mesmo. – disse Lupin.

-E por que eu iria querer participar da famosa Ordem da Fênix? – perguntou a Dumbledore. – Por que eu estou sendo convidado a participar?

-Porque você é um garoto talentoso Guilherme. Um garoto inteligente, forte, esperto, excelente aluno, e tem uma motivação especial para lutar contra Voldemort. – disse Dumbledore ficando sério.

Guilherme de repente perdeu o sorriso que mantinha no rosto e seus olhos se estreitaram.

-Isso não é da conta de vocês! – disse rispidamente.

-É claro que é. Eles foram mortos por Voldemort à Serviço da Ordem. Você sabe disso.

-Ah... Entendi. Será que vocês querem que eu morra à Serviço da Ordem para continuar a tradição?

-Você não pareceu se importar quando matou aquele homem. – disse Moody friamente.

Guilherme se virou para ele com o sorriso mais sincero que já dera até o momento naquela sala.

-Ele mereceu morrer. Era um monstro. Um assassino. Matou mulheres e crianças tanto trouxas quanto bruxos. Não merecia habitar esse mundo, destruindo-o mais. Fiz o que fiz e não me arrependo. - disse sorrindo cordialmente quando parou de falar.

-Por que você o matou Guilherme? – perguntou Tonks assustada com o comportamento dele.

-Já disse que ele já havia matado gente demais. Achei que alguém devia pará-lo.

-Está mentindo. Você não o matou pelas pessoas inocentes, o matou porque ele matou sua mãe. Você queria vingança. – disse Snape com ar de deboche. Foi um erro.

Guilherme que estivera andando pela sala de costas para todos parou, e virou a cabeça na direção de Snape. Avançou para cima dele numa velocidade incrível, tirando de algum lugar uma brilhante e dourada Espada, e colocou a lâmina no pescoço de Snape.

-Nunca mais se atreva a falar da minha mãe seu Comensal imundo. – disse ele se segurando para não atacar. – Ou eu juro por tudo que é mais sagrado: Eu mato você.