Capitulo XIV -
Foi tudo um sonho?!
Ginny olhou para o relógio pendurando na grande parede branca. Estava sentada numa pequena sala, à espera de Cândida há mais de meia hora. A sua perna não parava de tremer. Sentia-se ansiosa, não só para saber como é que as coisas tinham corrido com Cândida, mas sobretudo porque precisava de lhe contar o que se passara na noite anterior e o que sentira ao sair do quarto onde se encontrava Narcisa.
Olhou novamente para o relógio e em seguida para a porta da sala onde estava. Levantou-se e foi até a uma pequena mesa onde estavam algumas revistas. Pegou na primeira, que tinha na capa uma feiticeira sorridente que lhe acenava e piscava um olho. Levou a revista e sentou-se novamente, começando a folheá-la. Parava ocasionalmente para ler alguma intriga do mundo dos feiticeiros, ou numa reportagem sobre uma feiticeira que descobrira uma nova fórmula de tirar verrugas de um modo indolor, mas rapidamente passava para a página seguinte, até que uma noticia lhe chamou verdadeiramente à atenção.
Era mais uma coscuvilhice do mundo dos feiticeiros, mas a razão que fez Ginny parar para a ler foi o facto de Harry aparecer na notícia. Ginny começou a ler a notícia atentamente.
"Foi-nos informado há uns meses que o rapaz que sobreviveu e que agora se tornara no rapaz que derrotou Aquele-Cujo-O-Nome-Não-Devia-Ser-Pronunciado, se encontrava noivo de uma linda feiticeira. Contudo, recentemente a vossa repórter, Anna Carey, descobriu que este feliz e perfeito casal não é de todo, nem feliz nem perfeito.
De facto, esta vossa repórter, descobriu que este jovem casal, que segundo fontes seguras já tinha casamento marcado, está a passar uma grave crise. Segundo se consta, a relação destes jovens poderá não ter mesmo futuro, sendo já certa, uma dolorosa separação, para Harry Potter.
Será que o rapaz que sobreviveu duas vezes ao Quem-Nós-Sabemos irá sobreviver a mais uma separação? Quanto mais tempo durará o pobre coração do nosso herói?
Será que a causa deste possível afastamento do casal se deverá a uma antiga paixão?
Não sabemos, mas esta vossa repórter estará atenta e promete trazer novidade muito em breve.
Anna Carey"
Ginny olhou durante alguns momentos para a foto de Harry, que sorria debilmente, e releu artigo.
Lembrou-se da conversa que tinha tido com Hermione há algum tempo, sobre o facto de Harry estar a passar um mau momento com Cármen, mas desde então não tinha sabido de mais nada.
"Quando chegar a casa tenho de escrever uma carta à Hermione. Meu Deus, que mais é que eu tenho andado a perder?", pensou Ginny, fechando a revista e colocando-a no seu colo. Olhou mais atentamente para a capa e viu que esta revista era da semana anterior. Nesse momento levantou-se e dirigiu-se, novamente à mesa, em busca da revista dessa semana, contudo essa não trazia nenhuma notícia relacionada com Harry. Ginny torceu o nariz, pois estava muito curiosa. Olhou novamente para o grande relógio da parede e dirigiu-se novamente para o seu lugar, mas nesse momento viu Cândida aparecer à entrada do corredor, seguida pela Sra. Violet.
Ginny olhou para a cara da amiga, mas não conseguiu retirar nada da sua expressão.
- Boa tarde, Sra. Violet – cumprimentou Ginny aproximando-se delas.
- Boa tarde Ginny. Há muito tempo que não a via. Então como é que estão a correr as coisas?
- Muito bem, obrigada. Realmente fui para o sítio certo e ao que parece a tempo. Temos estado a receber cada vez mais pessoas, já tivemos de acrescentar mais alguns quartos ao lado dos que já tínhamos e muitas vezes temos de ajudar um bocadinho nos outros departamentos do serviço.
- Pois, é normal, houve muitos medibruxos que tiveram de sair, enfim a idade não perdoa. Mas penso que com esta magnifica vaga de novos medibruxos que me tem sido apresentada, todas essas falhas serão resolvidas – disse a Sra. Violet apontando para Ginny e para Cândida. – Bem, não vos vou ocupar mais tempo, pois sei que aqui a nossa cara Cândida está em pulgas para lhe contar tudo. Só lhe vou pedir um pequeno favor, Ginny.
- Sim – disse Ginny dando um grande sorriso e olhando para Cândida, que mordia o lábio inferior depois para a Sra. Violet.
- Gostaria que mostrasse, à senhorita Cândida, onde é que esta poderá obter algumas fardas, tal como lhe mostrasse o nosso terraço e todos os meios que ela poderá utilizar para entrar aqui no hospital. Hoje estou com um pouco de pressa, por isso espero por si amanhã, para lhe apresentar o seu serviço.
- Muito obrigado, Sra. Violet – agradeceu Cândida olhando para ela, enquanto se afastava.
- Parabéns, Dida – quase gritou Ginny, saltando para o pescoço da amiga.
- Oh, Ginny, nem sabes como eu estou feliz – confessou Cândida abraçando Ginny e começando a chorar. – Consegui ir para o que mais gostava.
- Eu sabia que eras capaz, tu tens o perfil perfeito. Mas conta-me, o que ela te perguntou?
- Bem, quando tu te foste embora, por momentos, senti que não ia conseguir bater à porta, mas depois lá o fiz. Ela respondeu quase automaticamente. Eu entrei, ela disse para eu me sentar. E depois perguntou-me o que é que eu tinha vindo ali fazer, porque é que queria ir trabalhar para ali e para onde é que eu queria ir. Eu lá expliquei e divaguei, até que ela me disse que eu tinha exactamente o que era necessário para lidar com crianças.
- E o que era?
- Uma capacidade incrível para divagar e grande facilidade em falar. Disse que isso era muito importante para cuidar delas. Depois foi preencher toda a papelada necessária e devo começar a trabalhar na quarta. Amanhã só venho cá para conhecer o local onde vou trabalhar e os colegas do serviço. Acho que estou nervosa.
- Não estejas, não vale a pena. Já lá tive de ir algumas vezes, buscar algumas poções e o serviço é muito giro, as pessoas são muito simpáticas. Se calhar ainda deves apanhar algumas vezes lá o Tom.
- Tom? Quem é esse?
- Foi com quem estiveste a falar hoje quando chegaste e perguntaste por mim. Ele faz lá alguns turnos, porque o serviço por vezes não tem mãos a medir para os pequenotes.
- Ah, então, ele chamasse Tom. Muito giro, era parecido com o teu irmão.
- Sim, mas está noivo da Wendy, que é uma pessoa impecável. Aposto que vais gostar muito dela. Ela trabalha no mesmo departamento que eu.
- Sim, mas acho que me ia dar muito melhor com o Tom – sorriu maliciosamente Cândida.
- Não sejas parva – disse Ginny dando um leve beliscão no braço de Cândida. – Vamos só lá a baixo buscar a tua farda, para depois eu te mostrar o terraço e a sala para onde podes aparatar.
Desceram até as lavandarias e em seguida subiram até ao terraço. Ginny mostrou a vista incrível, que se podia ter dali, deixando Cândida de boca aberta, com tudo o que contemplava à sua frente.
- Isto aqui é lindo!
- Sim, muito mesmo. Desde a primeira vez que aqui vim que me apaixonei por este lugar – confessou Ginny apoiando-se no muro, que rodeava todo o terraço. – Venho aqui sempre que me é possível.
- Percebo porquê, isto é mesmo muito bonito. Tivemos sorte por o dia hoje estar assim, tão bonito.
Ginny sorriu e olhou para Cândida, mas não a viu. No seu lugar estava Draco. Piscou os olhos várias vezes e ao focar o local onde vira Draco, voltou a ver Cândida, com os cotovelos apoiados no muro e apoiar a cabeça com as mãos, enquanto olhava deliciada para tudo o que estava à sua volta.
"Devo estar a ficar doida! Agora está a dar-me para me lembrar do Malfoy. Sem dúvida que estou a precisar de ajuda", pensou Ginny, esfregando os olhos.
- Estás a sentir-te bem, Ginny? – Perguntou Cândida, olhando preocupada para Ginny.
- Sim, está tudo bem. Apenas entrou-me uma coisa para o olho – mentiu Ginny. – É verdade Dida, preciso de falar contigo! Tens tempo, hoje?
- Para ti, mesmo que não tivesse, tinha sempre – disse Cândida afastando-se do muro e andando na direcção de Ginny. – Para onde é que queres ir?
- Podemos ir para minha casa, lá sempre temos mais privacidade do que num café.
- Está bem, encontramo-nos lá. Eu só vou passar por minha casa, para lá ir buscar um chá óptimo que os meus pais me trouxeram da china. Encontramo-nos dentro de 10 minutos.
- Ok, até já – disse Ginny, olhando para Cândida, que aparatou de seguida.
Ginny pegou nas suas coisas e aparatou para o lado de fora da porta da sua casa. Tirou a varinha da sua mala e começou a desfazer os inúmeros feitiços de protecção que lançara nessa manhã. Sentiu-se grata por Cândida ter passado primeiro por sua casa, pois iria sentir alguma vergonha diante dela pelo facto de ter lançado tantos feitiços. Sabia como Cândida gozava com os feiticeiros exageradamente protectores do seu lar e se Cândida a visse naquele momento, iria classificá-la assim também.
Demorou alguns minutos até que todos os feitiços fossem removidos e nessa altura entrou dentro do seu apartamento, novamente carregada com as suas coisas. Lançou-lhes alguns feitiços, que fizeram o seu casaco e mala ficarem pendurados atrás da porta de seu quarto e que os ingredientes para poções, que trouxera do hospital, voassem para cima da bancada da cozinha.
Sentia-se extremamente cansada. Sentou-se no sofá e tirou os sapatos, em seguida esticou os pés sobre este e permaneceu assim, alguns minutos, até que ouviu a campainha da sua porta tocar.
- Entra Dida, a porta ficou aberta – disse Ginny, sem se levantar do sofá.
- O que é que tens? – Perguntou Cândida, entrando no apartamento de Ginny e dirigindo-se para a cozinha, onde pousou os sacos que trazia na mão. – Estás ai esparramada nesse sofá, completamente pálida.
- Estou cansada, só isso.
- Pois, a mim não me parece que seja só cansaço, mas este chá vai pôr teu ânimo logo para cima – assegurou Cândida, começando a abrir e a fechar armários, à procura de uma chaleira.
Enquanto Cândida andava de um lado para o outro à procura das chávenas, do açúcar e de um prato para colocar os bolos que também trouxera, Ginny recostou-se um pouco mais no sofá e fechou os olhos. Queria dormir, nem que fosse apenas alguns minutos.
Foi abraçada pela cintura e puxada na direcção dele, colando os corpos. Tinha vontade enorme de o beijar.
- Adoro, os teus cabelos, a tua pele, o teu perfume. Adoro-te.
- Eu também – respondeu Ginny, esticando-se para o beijar e ele baixou-se ligeiramente.
Os seus lábios tocaram-se e deram um longo beijo, à medida que o sol ia desaparecendo no horizonte. Ginny sentia-se mais feliz do que alguma vez pudera imaginar.
Começou a sentir algo a vibrar debaixo dos seus pés, mas não ligou. Tudo aquilo estava a ser muito bom, ela só queria ficar ali com ele para sempre.
Os seus lábios separaram-se e Ginny sentiu-se tentada a atirar-se novamente para cima dele.
Tudo nele era maravilhoso. O modo como a luz do pôr-do-sol, tornava os seus cabelos loiros quase brancos, o modo como os seus olhos azuis se tornavam mais vivos, tudo.
- Não sei o que é que se passa comigo – confessou – só sei que quero ficar contigo para sempre.
- Eu também – disse o rapaz, começando a aproximar-se novamente dela.
Ginny não aguentou a distância que ainda os separava e lançou-se novamente para o seu pescoço, recomeçando a beijá-lo. Sentiu a intensidade do beijo aumentar, à medida que também sentia o seu corpo cada vez mais próximo do dele.
De repente estava no chão, sobre o corpo dele. Tentou virar-se para o lado, mas ao fazê-lo sentiu o chão sair de trás de si e caiu num enorme buraco negro.
- Ginny!!!! – Gritou o rapaz, esticando o braço, para a alcançar, mas em vão.
- Ginny! Ginny, acorda.
- Hum, o quê? O que é que foi? – Perguntou Ginny completamente grogue, olhando em volta, tentando reconhecer o local onde estava.
- Adormeceste e num sono bem pesado. Não estava a ser fácil acordar-te.
- Voltei a ter o sonho e cada vez é mais intenso. Acho que estou a enlouquecer!
- Mais intenso como?
- Não sei, parece que a situação está mesmo a acontecer, parece que estou noutro mundo e quando acordo fico triste por pensar que acabou, por esta realidade não ser igual à do meu sonho.
- Sim, percebo. Mas com o que sonhas, exactamente? Continua a ser com o rapaz?
- Sim, mas agora nós beijámo-nos e abraçámo-nos e, depois, mais uma vez, eu caí. Ele grita por mim, tenta alcançar-me, mas não consegue e eu caio e caio até que acordo.
- Isso significa que o que quer que o teu sonho te esteja a mostrar, já começou – Cândida bateu levemente com o indicador na ponta do seu nariz, como fazia sempre que pensava seriamente em algo. - Tens estado com alguém ultimamente?
Ginny sentiu a sua face ruborizar ao ouvir a questão de Cândida. De tudo o que esta poderia perguntar, Ginny não contava com esta pergunta.
- Porque é que perguntas? Aliás com quem é que poderia ter estado?
- Não sei, conta-me tu.
- Não, não tenho estado com ninguém – disse Ginny, sentindo-se cada vez mais quente.
- Hum, a sério? – Perguntou Cândida com um ar muito desconfiado. – Tens a certeza que alguém que conhecias, não se tem estado a aproximar de ti, como por exemplo, sei lá, o Malfoy?
Ginny olhou chocada para cândida. "Como é que ela sabe?", pensou Ginny.
- Só podia ter acontecido alguma coisa entre vocês – disse Cândida como se tivesse lido os pensamentos de Ginny. – O teu sonho está cada vez mais evidente. E por tudo aquilo que já te tinha dito, o Malfoy, encaixa-se na perfeição.
- Não, não encaixa. Tu disseste que o rapaz que estava sempre presente nos meus sonhos tinha feito algo muito importante por mim, ou então por alguém de quem eu gostava muito e que eu saiba o Malfoy nunca me ajudou, ou ajudou outra pessoa que eu conheça, muito menos que eu goste.
- Tens a certeza?
- Claro que tenho. Eu conheço suficientemente bem o Malfoy para saber que ele nunca faria nada para me ajudar, mesmo que a vida dele dependesse disso.
Cândida encolheu os ombros derrotada com este último argumento de Ginny. – Então, sinceramente, não sei quem poderá ser a pessoa com que tu sonhas, mas uma coisa te garanto, tu já conheces essa pessoa, ela vai ter um papel muito importante no teu futuro e tu vais estar completamente rendida a ele.
- Não pode ser o Malfoy. Eu não quero que seja o Malfoy – choramingou Ginny.
- Isto não é uma questão de quereres. O que tiver de acontecer, acontecerá, por muito que queiras, ou não.
- Eu sei e isso não me anima. É como se não tivesse poder de decisão.
- Ginny, tudo o que irá acontecer, deve-se a uma decisão que já tiveste, por mais insignificante que possa ter sido.
- Eu sei, mas…
- Mas já aconteceu alguma coisa entre vocês?
- Sim, não, quer dizer. Não sei.
- Não sabes? Isso a mim pareceu-me um sim.
- Ele ontem veio cá a casa. Discutimos, agredimo-nos e …beijámo-nos.
- Hum, que romântico - brincou Cândida, dando um grande sorriso trocista.
- Não sejas parva – resmungou Ginny, corando levemente e dando um tímido sorriso. – Sinceramente nem sei o que é que se passou.
- Mas pela tua cara acho que foi horrível – ironizou Cândida. – Sinceramente, não te percebo. O Malfoy pode ter-te feito sofrer muito nos tempos de escola, mas nem tu nem ele são propriamente duas crianças. Já cresceram e já têm idade para separar as coisas. Tentem ser felizes os dois, juntos.
Ginny olhou chocada para Cândida. Como é que ela podia estar a dizer uma coisa daquelas. – Tu não tens mesmo noção do ódio que a minha família sente pela dele e vice-versa. Juntar um Malfoy e um Weasley, é a mesmo coisa que juntar um troll e um unicórnio e esperar que eles sejam muito amigos.
- Não estava a dizer para juntar as duas famílias, apenas tu e o Malfoy. Penso que a tua família é demasiado grande para também entrar na relação. Mas fica descansada, não insisto mais – disse levantando as mãos em sinal de rendição. - De qualquer maneira o destino irá responsabilizar-se pelo que virá a seguir. Tu já escolheste um dos muitos caminhos que te foram colocados à frente e agora não há volta a dar.
- Sim, mas o caminho que eu escolhi não foi o do Malfoy e disso podes ter tu a certeza.
- Muito bem, como quiseres – disse Cândida apertando os lábios, para esconder o sorriso que estava prestes a aparecer-lhe nos lábios.
- Podemos parar de falar no Malfoy? – Disse Ginny olhando para Cândida que não conseguia esconder o sorriso, que aumentava ao mesmo tempo que a irritação de Ginny, quando o nome de Draco era pronunciado. – Quero saber a tua opinião sobre uma coisa.
- O quê? – Perguntou Cândida mostrando-se o mais sério que lhe foi possível.
- Ontem, depois de eu te escrever a carta a combinar as coisas para hoje, fui-me deitar e tive um sonho, pelo menos eu espero que tenha sido um sonho. Mas foi tão estranho, tão real.
Ginny contou o que se passara na noite anterior e em seguida calou-se esperando por uma resposta de Cândida, que a olhava muito admirada.
Cândida olhou para o chão atentamente e algumas rugas apareceram-lhe na testa. – Isso só pode ter sido um sonho – acabou por dizer. – A tua casa está bastante protegida. Muito dificilmente alguém conseguiria entrar cá, muito menos sair tão rapidamente que conseguisse passar despercebido ao teu feitiço.
- Eu sei, mas tudo pareceu tão real. Eu senti mesmo a presença de alguém.
- Sinceramente não consigo ler nada nesse sonho. Penso que não tenha sido uma premonição, mas também não acho que tenha sido real.
- Então foi só um sonho?
- Eu penso que sim, mas… não te posso garantir nada.
Ginny olhou para Cândida durante alguns segundos, esperando que esta disse-se mais alguma coisa, mas a amiga continuou a olhar fixamente para o chão e as rugas que se tinham formado na sua testa ainda não tinham desaparecido.
- Bem, já que não chegamos a conclusão nenhuma, queres sair um pouco, comer um gelado ou assim?
- Sim pode ser – disse Cândida levantando-se rapidamente do sofá. – Além disso temos de combinar os preparativos para a grande festa que vamos fazer aqui em tua casa.
- Ah, a festa - disse Ginny, levando uma mão à testa. – Nunca mais me tinha lembrado disso.
- Pois, eu já calculava, por isso é que já fui tratando de tudo. Bem, vamos lá comer o tal gelado para eu te contar a quantas andamos.
Andaram até uma gelataria que se situava ao fundo da rua de Ginny, onde pediram os seus gelados e em seguida sentaram-se numa das mesas.
Cândida contou a Ginny que já conseguira falar com grande parte dos amigos da faculdade e que todos se mostraram bastante interessados.
- Agora só preciso que me dês uma lista com o nome das pessoas que queres convidar e que não pertenciam à nossa turma.
- Pois, eu estava mesmo a pensar só convidar o pessoal da turma. Quer dizer, não sei, achas que devo convidar mais alguém?
- Porque é que não convidas o teu irmão?
- Espero que não estejas a falar do Charlie!
- Não – respondeu Cândida olhando para o tecto. – Claro que não. Estava a falar do Ron.
- Do Ron?! Pois sim, bem sei – disse Ginny, com ar acusador. – Ele e a Hermione não são dados muito a festas, mas podemos convida-los. Vários dos nossos colegas da faculdade, também andaram em Hogwarts e conhecem o meu irmão e a Hermione.
- E fora eles os dois, queres convidar mais alguém?
Ginny sabia que Cândida estava a fazer aquela pergunta com segundas intenções. Quereria saber se ela também iria convidar Harry, mas Ginny não queria. Sabia que o que sentira por Harry, já se modificara, mas queria evita-lo, por enquanto. Tudo tinha sido bastante recente, contudo não podia convidar o irmão e não convidar Harry.
- Se calhar é melhor deixarmos a festa, só mesmo para o pessoal da nossa turma.
- Tens a certeza? Era giro estar lá mais alguém.
- Pronto, está bem, eu vou também convidar o meu irmão, a Hermione e o Harry. Se quiseres podes também trazer alguém contigo.
Cândida sorriu abertamente ao ouvir a resposta de Ginny. – Muito bem, então. Eu depois tento combinar um dia que te dê jeito, para depois fazermos os preparativos. Quando é que tens folga?
- Tenho folga amanhã, mas tenho de ir trabalhar para compensar a Wendy, e depois penso que tenho para a semana na sexta e no sábado.
- Muito bem, então. Vou tentar combinar as coisas para sexta-feira. Pode ser?
- Por mim pode – concordou Ginny, acabando o seu gelado, que estava quase derretido.
Despediu-se de Cândida e dirigiu-se para casa. Estava muito cansada e tinha uma grande vontade de dormir.
Ao chegar a casa, retirou os sapatos, dando dois pontapés no ar e em seguida atirou-se para cima do sofá. Mal teve tempo de fechar os olhos, pois minutos a seguir alguém lhe batia à porta.
Ginny levantou-se pesarosamente, pensando que seria Cândida que tinha voltado para trás, para combinar mais alguns pormenores sobre a festa.
Abriu a porta e olhou para a pessoa que estava à sua frente. Sentiu que o seu chão ia cair.
- Tu?!
Olá.
E finalmente mais um capítulo postado. Espero que tenham gostado. O próximo capitulo é POV do Draco, e pode ajudar a esclarecer algumas coisinhas.
Beijinhos e até breve.
