Oláaaa minha galera liindaaa?~Como estão? Felizes de me ver esta segunda-feira também? =3

Conforme escrito no aviso que deixei de madrugada...Aqui está o capítulo XIV! Espero que gostem!

MAS ANTES! UMA NOVIDADE PARA VOCÊS! POR FAVOR LEIAM

Está aberta a segunda temporada do desafio dos mistérios!

Os leitores mais antigos talvez se lembrem... Era um jogo começado em CdE onde eu desafiei aqueles que acompanhavam a história a encontrar alguns mistérios dela, e tentar teorizá-los se possível.

Resolvi então trazer novamente essa brincadeira para cá, com algumas pequenas mudanças. O objetivo é simples, encontrar e listar até quatro mistérios - Pontos em aberto e não resolvidos da história - e teorizar sobre eles.

Para participar

a pessoa tem que fazer um comentário de pelo menos 5 linhas sobre a história =X Além de apontar quais são os mistérios que ela conseguiu achar (com limite de 4 por enquanto).

Os critérios de avaliação são os seguintes...

- Tamanho do review ( hehe)

- Mistério encontrado - Se é válido ou não -

- Teoria - Argumentação

- Pesquisa - Avaliação extra se usar referências históricas ( Todos os capítulos tem alguma, se além de encontrar o mistério você achar a que parte da história do Brasil ele está relacionado, valerá pontos extras.)

E claro... A parte mais importante! Os prêmios! São um total de quatro lugares.

1. Poder escolher um Estado para ter flashback sobre seu passado.
2. Escolher um par para protagonizar o tema do capítulo. Sejam um casal ou não.
3. Uma música para ser usada em um capítulo.
4. Decidir qual Estado começará um capítulo.

Sendo que, aquele que ficar em primeiro lugar no desafio dos mistérios terá o direito de escolher qual dos quatro prêmios desejar! E os outros 3 vencedores receberam de acordo com a ordem numérica.

Essa brincadeira serve para vocês participarem mais da história, e claro, dinamizar os reviews também rsrs

Possuem mais alguma dúvida? Querem logo começar? O desafio já é iniciado a partir dos comentários desse capítulo! Boa sorte a todos e...

...Vamos jogar um jogo D~

Boa leitura para vocês!


Crônicas de Estados

Capítulo XIV - Um conto sobre virtude

Sabe aquela noite em que tudo o que você não gostaria era ter que deitar e perder todo o resto da madrugada?

Os olhos fecharam-se apaixonadamente desfocado tudo que estava ao seu redor. Um quarto negro de motel com várias atrações, mas nenhum melhor do que o comediante que possuía em seus braços.

Sedento, deixou sua mão esquerda tocar aqueles cabelos lisos, enquanto a outra tateava a roupa áspera, sem conseguir roçar com algo de pele, resmungou no beijo pela falta.

Suas pernas curtas...Fortes e...

-...Espera... - Pernambuco afastou-se, deixando finalmente o cearense ter algo de ar, caindo cansado no leito.

-O-o quê? - Questionou estranhando o afastamento das mãos pernambucanas de seu corpo.

-...Tu...Também quer isso...?

-...Du qui'cê tá falando...? -Tentava raciocinar. Perna nunca interrompia um momento assim quando ele estava na vontade, não entendia a quê vinha essa pausa.

-...Eu não cheguei a te perguntar... O que você queria fazer...

Esse sim foi um choque tremendo, e se alguém mais visse a expressão cearense nesse instante com certeza riria mais do que com qualquer gracinha que ele já tenha feito.

-...Cê tá...Me dando...Opção do...Que fazer ...?

Pernambuco sentiu-se meio idiota com tudo aquilo...Estavam num h-motel, quase deitados um sobre o outro na cama – Com ele por cima, claro –e ele não conseguiu evitar de lembrar-se do que Santo havia disso sobre...Deixar seu parceiro opinar durante o ato.

Mas ver o mais novo com os olhos abertos como pratos e a boca formando um perfeito "O" maiúsculo davam-lhe a certeza de que tinha falado a pior besteira do mundo.

-E-eu..Eu...- Ceará sentou-se afastando-se um pouco mais - ...Por que isso agora...?

- ...Bem..Hãa...É dia dos namorados e...Hmm...- A cada instante se sentia mais estúpido -... Achei que talvez tu...Cê gostaria...Hã... Fazer algo diferente... Visse! É tão difícil assim entender Cabra?! Me diz o que qué e pronto!

O cearense estava realmente impressionado, mas abaixou a cabeça pensativa deixando sua expressão de espanto.

-...Cê está fazendu alguma coisa errada i ta tentando acobertar sendu gentil com eu? - Colocou desconfiado.

- O quê?! - Quem estava surpreso agora - Não! Claro que não!

-...Perna...Se cê tivé me traindo... - Respirou fundo tentando parecer indiferente -... Se cê for sincero comigo eu...Posso...Apenas me fale a verdadi...Imaginei mesmu qui...Ocê teria dificuldade de lidar cum isso de exclusividade por muito tempo...

- EU NÃO TE TRAIU! - Levantou-se realmente irritado com essas palavras, e mesmo que não admitisse, ferido também - É issu que tu pensa di mim?!

- ...Cê anda agindo muito estranho ultimamente! ATÉ ME DEU UMA ROSA! CÊ, cabra do sertão, sempre orgulhoooso da sua masculinidade, me dar uma flô?! ...O que cê quer que eu pense?!

- QUE TAL PENSAR QUE EU TE AMO AO PONTO DE FAZER ALGO ACIMA DO QUE EU GOSTO POR VOCÊ?! E PARE DE FICAR ME ENCARANDO COMO SE EU TIVESSE DUAS CABEÇAS- Em chamas e completamente cego de raiva Pernambuco pegou seu casaco esquecido no chão e abandonou o quarto fechando a porta com um grande baque.

O cearense ficou me choque com o que ouviu, e por alguma razão também um pouco assustado.

Perna só gritava com ele quando se dava mal em algum de seus "planos suicidas" como os chamava, mas nunca a esse nível...Provavelmente não se exaltava com ele assim desde o fim do cangaço.

E o que se supõe que deveria fazer agora? ! Perna sendo...Sendo...Como chamavam isso?

...Romântico...? Um arrepio lhe percorria a espinha só de pensar...

Alguma coisa estava muito...Muita errada...Levantou-se e foi atrás dele, disposto a descobrir o quê.

-.-.-.-.-.-.-.-.-

Um beijo lento e envolvente para trocado, como se nenhum dos responsáveis estivesse minimamente preocupado em acelerar o ritmo.

Um corpo sobre o outro, ambos nus com os contornos expostos frente à luz da lua que brilhava pela janela, mas pouco era visto pela Deusa da noite, pois a delgada figura deitada em cima escondia o corpo de seu amante com o seu próprio, da mesma forma que um fino lençol de cetim tampava delicadamente a partir de seu quadril, como uma toga de marfim a cobrir uma estátua grega.

-...Te amo... - Sussurrou a voz masculina num tom distante, olhos fechados, lábios inchados.

-...- Mas a jovem de cabelos esvoaçantes nada respondia em concreto, incapaz o era de admitir até mesma a si sobre esses sentimentos que desdobravam seu peito -...Pa-Pará...

E o beijo se tornava mais demandante, desejoso, mas para completa perplexidade e derretimento da jovem, o comando dessa troca de palavras mudas de amor era concedido a ela.

O corpo da amazonense tremia com cada roce que o mais velho dava ao seu rosto, suas costas, seu quadril, como se fossem feitos da matéria mais frágil do mundo...

Mas não avançava, não tocava mais além...E isso só fazia a forte mulher desvanecer-se por dentro...Aos poucos sentido como...Uma vontade instintivamente acumulativa de ser...Preenchida, uma peça oca que necessita ser encaixada para sentir-se completa...Sentir-se única.

Não podia admitir esse seu desejo arfante, sua necessidade latente...Mas seu corpo era seu pior inimigo...Gotejando a vontade reprimida por seu orgulho, num sinal claro de cobiça carnal...

-...I-iara...- Suspirava entre o beijo, sentido a umidade convidando-o a dar luz a seus instintos, mas continha-se com tudo que possuía - ...T-tu podes fazê-lo... Eres a c-clara ganhadora d-da vez... - Intensificou o beijo fundindo a razão de ambos -... Q-quero s-sentir... Co-como seu...V-vamos...

Morria por dentro, desejando tomá-la e dar um fim a tudo, mas não, dessa vez não...Mordia-se a si mesmo, mas não seguia...Cederia esta vez, cederia...

E ela não coube em si de assombro, seu corpo implorando que aceitasse e tomasse a vitória.

E o fez...Ergueu o peso de seu corpo com os braços, fazendo o lençol escorregar e revelar mais de sua sublime silhueta, tomou com anseio a anatomia palpitante do homem que retorcia-se abaixo de si.

Sentia-se poderosa, no controle absoluto, e a longa resposta mono silábica de Pará era a confirmação que tinha razão.

Tomou aquele município e uniu ao seu num longo gemido e espasmos de ambos, e foi ela que ditou o ritmo como líder absoluta, sendo brindada com todas as caricias ansiosas de seu devoto servo.

Enchendo o quarto de sons...Que dificultaram o sono do vizinho de quarto...

Mas nenhum deles se importava com isso agora, ou nos próximos quatro atos dessa peça carnal.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Os Estados pareciam estar competindo sobre quem fazia a melhor expressão de choque. Piauí estava parado a pelo menos quinze minutos com a porta do quarto que lhe cabia aberta, vendo que ali só possuía uma cama...E Tocantins tinha garantido que seu quarto também era aquele.

-...Só podi sé piada...- Olhava para sua chave de número vinte quatro.

Olhando discretamente, Tocantins mais afastado e mais envergonhado que surpreso também possuía em mãos uma chave com o mesmo número.

-...Tem qui ser um engano!

-...Talvez...Mas já durmimu antes na mesma cama...Intão qual o proble-

- Mas isso foi antes! - Exclamou sem encará-lo

-...Antes de descobrir que eu era homi?

-Claro! - E então sentiu como se uma balde de água fria caísse em sua cabeça depois dessas palavras.

-...Então tu realmente tens nojo de mim...

-...TO... – Respirou fundo ainda sem olhar para o outro -...Entenda...N-não é...Algo natural...É errado... Nós dois somos homens... Não faz sentido!...É...É...Biologicamente errado!... Temos que ser...Inteligentes e...Encarar a realidade.

-...É...Tens razão...

Isso chocou o mais velho, cujos ombros caíram e o olhar estreitou-se... Essas palavras...Eram justamente o que Rio Grande do Norte dizia...O que a moral dizia. Ele concordava... Mas...Mas...

Mas...Uma parte dele não...Uma pequena parte...E queria que o nortista o apoiasse.

-...Eu não devo ser mesmo inteligente...Ou melhô, devu di ser muitu burro para me apaixonar por alguém...Cum uma mentalidade comu a tua.

-...Cê está sendo teimoso

-Tu estás sendo intolerante!

-...Eu estou sendo realista To! Não é algo normal!

- Por todos os Santos Pi! Somos Estados personalizados em pessoas! O que tens isso de normal?!

-...Mas...!

-Tu só estás sendo covarde!

-NUNCA! – Seu orgulho de cabra nordestino falou mais alto.

-Então olha nus meus olhos i diz...Diz qui temus qui esquecer tudo qui passamos. Diz olhandu para meus olhos que tuas palavras têm razão.

E o fez, voltou-se ao menor...Arrependendo-se imediatamente de sua ação.

Ali estavam...Aqueles olhos negros profundos como uma noite sem luar, e mesmo assim infinitamente expressivos...Neste momento exibiam raiva, dor e descrença.

As duas mãos segurando seu quadril, batendo a ponta do pé direito no chão, típica postura irritada que herdara de Amazonas, mas o mais mortal depois de seu olhar penetrante era...O biquinho simplesmente lindo que fazia estando contrariado.

O nordestino ficou bobo alguns instantes enquanto observava a cena... Aqueles lábios para frente, seus lindos cabelos ondulados até o ombro... Esse rosto delicado e perfeito! Esses cílios que dispensavam qualquer uso de maquiagem...!

COMO DIACHO ERA UM HOMEM ?!

...Mas sem dúvidas era mais bonito que muitos dos dois gêneros...

- E então? Estou a esperar – Colocou irritado batendo o pé.

- Aah..ba..Bar..ba...- Nem mesmo ele sabe o que quis dizer com isso...

- Não zombe de mim! Estou a falar sério! – E afiou o olhar... Como fazia Goiás quando estava nervosa.

-...N-não...Eu...Só...- Respirou fundo, muuuuito fundo - ...Veja bem To...Não é...Natural...Me entende? É como...Como uma doença! Eu estou fazendo o que é melhor para nós!

-Tu crês que estamos doentes então..? – Cruzou os braços mostrando sua contrariedade, igualzinho Bahia costuma fazer.

-...Sim...

- ... Pois eu sou gay sim!

-...To! – Sentiu um arrepio, como se o outro tivesse falado algo terrível.

- É verdade! Gosto de homens! Gosto de tu! E só de cê! Se tu crês que sou doente pro isso, ÓTIMO! Não dou a mínima... - E inflou as bochechas como seu irmãozão Mato Grosso, desviando o olhar realmente contrariado.

-...Não é possível discutir com você – Confessou o nordestino simplesmente frustrado com o quão encantador seu amigo podia ser... Melhor até do que os Estados originais que ele tinha pegado essas manias de expressão.

-...Ótimo! Continue não me levandu a sério intão – Passou do lado do piauiense, tomou a maçaneta da porta – Se acha que estou doente, ou se tem nojo de mim...Não me importa – Mas seus olhos desmentiam suas palavras – Mas que fique claro que eu vou dormir nesse quarto, e tu que se vire!

-Como é?! E onde espera que eu durma!

-...Eu não sei! Foste tu que se recusou em primeiro lugar...! Mas...Mas... Se pedir desculpas eu... –Escondeu o rosto atrás da porta, envergonhado - ...Se mudar de ideia...E pedir desculpas eu...Posso...Mudar de ideia também e...Podíamos dormir juntinhos de...Conchinha.

- N-nunca! –Exclamou ruborizando-se como um paranaense.

PUM

...E como resposta teve a porta fechada com tudo em sua cara...

-...Ótimo... – Respirou fundo mais uma vez, cansado... Pensando na sequência de poses simplesmente... Gays de seu...Amigo - ...Merda... –Bateu a cabeça levemente contra a madeira da porta - ...Estamos os dois doentes...Completamente doentes...

E saiu pelo corredor perguntando-se onde iria dormir essa noite...

-.-.-.-.-.-.-.-

Longe de toda essa situação, a madrugada caía nas terras de Minas Gerais.

Depois da refeição falida, uma vez que São Paulo jantou com seu cavalo, Minas em algum lugar desconhecido, apenas Paraná, Mato Grosso e Rio sentaram-se juntos para comer.

Por incrível que possa parecer, Paraná era o mais otimista sobre a situação, enquanto os outros dois pareciam desiludidos com o fim da noite.

"-Só esperem ele se acalmar que ele volta" – O sulista disse.

E com essa ideia e esperança em mente, Rio de Janeiro tinha caído no sono, sentado esperando numa das cadeiras da cozinha.

E por andar realmente muito exausto, não demorou em cair nos braços de Morfeu e por consequência no mundo da inconsciência.

"...Era uma tarde fria e tempestuosa, uma figura maltrapilha encontrava-se no centro de um luxuoso casarão de ares de palácio. Mexia-se incomoda, inquieta...Envolta num sono perturbado e desolador.

Mas uma mão quente a tocar sua face pálida a fez voltar ao mundo material, lento, mas definitivo.

-...O quê...?

-...Veja quem nós dá o ar de sua graça...

-...Rio..? – Sua voz era fraca e a visão turva, mas conhecia aquela figura a tempos demais para não reconhecê-la.

-...Pensei que não acordarias...

A voz soava estranha...Parecia bem mais séria e preocupada do que o geralmente jovial tom que a capitania possuía...Então, ao finalmente abrir os olhos e tornar-se completamente consciente os anos pareceram cair subitamente sobre seus ombros, como se ele tivesse caído no sono há séculos, e acordado repentinamente numa época estranha a sua.

O aprendiz de Capital tinha crescido muito rápido... Agora era mais robusto, alto...Já não possuía os ares de inocência de outrora...Não, ao invés dela existia um manto de severidade que o cobria, era inevitável, sabia, mas nem por isso deixava de ser triste.

Ele era uma criança que nunca desejou ver crescer.

-...Onde estou...?

-Sempre fazes as mesmas perguntas... –Suspirou cansado, sentando-se á beirada dessa grande cadeira estofada em que estava. – Estás em minhas terras. Na minha casa. Estás aqui há um ano, e pareces incapaz de lembrar-se toda a vez...

-N-não seja ridículo! –Tentou levantar-se, mas seu corpo parecia ser feito de uma matéria pesada demais para aguentar.

-...Te recordas de que ano estás..?

-...Eres um abissal da ignorância – Ofendia ainda tentando se movimentar -... Estamos... Hã...17...48,isso...- massageou sua cabeça sentindo uma dor latente dentro dela - ...Não faças perguntas tão levianas...

-Claro.. – Respondeu somente, escondendo um documento em mãos que lia anteriormente e datava de 1761. – Me perdoe por isso.

-..Onde estão...?

- Paraná estás a visitar Santa Catarina e o pequeno Rio sul, Mato Grosso esteve a visitar-te há acerca de um mês. Minas Gerais estás em algum lado da propriedade. – Respondeu prontamente sabendo a que se referia.

-...Entendo...-Tornou a fechar os olhos, sentindo-se absolutamente fraco - ...Rio...Me sinto...Estranho...Pesado...Com sono...Me drogaste por acaso...? Desde quando estou aqui...? ...Por que aqui...?

-...Voltaste demasiado ferido pós uma bandeira...Paraná tentou cuidar-te mas estavas demasiado fraco...Então te deslocamos para cá...

E isso se repetiu inúmeras vezes nos últimos anos...Pensou com amargura o carioca vendo a face pálida de seu amigo, o primeiro verdadeiro amigo que já teve...O mais importante.

-...As explorações não andam fáceis...Não desde que Minas...Que Minas...- Pareceu que ia perdendo a consciência aos poucos.-...Emanci...Pou

-...Tu...Só necessitas descansar...- Tomou as mãos gélidas como de um defunto para envolver com as suas.

-...Se eu ficar aqui parado...Não vou...- E sua voz se perdia.

O familiar cheiro a sangue se alastrava... As antigas feridas voltavam a abrir-se...Outra vez. Torceu o nariz tentando ignorar aquele cheiro insuportável.

-...Capitania de São Paulo...Precisamos conversar seriamente...- Não notou quando outra capitania aproximava-se e parava trás uma porta ao ouvir essas palavras em tom sério.- ...Se continuar assim...

-...Paraná...Não gosto que visite o sul assim...Não...Perto de mim...- Resmungava sem qualquer nexo.

- ISSO TE ESTÁ MATANDO! – Berrava repentinamente em resposta as últimas palavras proferidas, assuntando o ouvinte escondido – QUERES QUE TE PERFURE O PEITO?! SE TANTO DESEJÁS A MORTE! ...É melhor e menos doloroso do que cortejá-la a cada passo que dás...

Ao segurar as mãos com mais força,a terceira pessoa resolveu afastar-se a passo rápido da cena.

...Perdendo o instante que uma das mãos sustentadas caiu, sem fazer força, sem desejo de seu dono...Passando pela carne que a segurava como se não existisse, como se repentinamente tivesse transformado-se em água.

...Como se a mão paulista tivesse perdido sua forma material por alguns instantes...

-...Te está matando...- proferiu em tom quebrado tomando a mão novamente para si, ajoelhando-se frente ao corpo maior, tentando inutilmente aquecê-las junto a suas próximo a sua testa numa posse de oração -... Por causa desses que criaste... Vás a acabar como Pedro...

Lágrimas tomaram sua face, junto ao desespero que se mesclavam com os raios que cortavam aquela tarde esquecida e eternamente lembrada... "

Um trovão cortando os céus o acordou abruptamente, levantando de um salto levando a cadeira e as cobertas postas por Paraná ao chão. Seu coração estava desbocado, doía em seu peito.

Não se deu o trabalho de recolher nenhum dos objetos, instintivamente correndo para o terreno da propriedade e encontrando ali o mesmo São Paulo de suas lembranças, porém de levianas roupas negras e jeans, cabelo curto e bagunçado, uma cor pálida de pele, porém viva, cujos traços joviais já haviam sido levados pelo tempo.

No entanto, não se atentou a isso ao estar de frente ao homem também coberto com uma manta, sentado do lado de fora da guarida de seu cavalo que dormia pacificamente de pé com a cabeça inclinada na direção de seu dono.

Deu luz a sua completa impulsividade e simplesmente lançou-se ao chão do seu lado, apertando-o num forte e sufocante abraço.

-...Hmmm~... Cometa de...Pégaso...-resmungava entre sonhos o paulistano , porque nem ser esmagado parecia ser suficiente para acordá-lo - ...Num perderei...Hmmm~

Até uma língua invadir a sua boca, quase o afogando em sua inconsciência.

-...MAS O- Cof, cof quê?! – Tossia tentando entender o que estava acontecendo – Rio!O que tu...Que houve!?

Passou de surpreso a irritado, e logo assustado ao ver que o corpo contra o seu tremia e havia agarrado suas mãos junto às dele com uma força monstruosa.

-...Rio...Está...Está me machucando..! – Tentou soltar-se sem sucesso -...Rio...! - Desistiu, acabando por nem mais sentir suas mãos tamanho o aperto, apenas esperou que o menor se acalmasse e levantasse o rosto de seu ombro para dar-lhe alguma resposta- ...Teve um daqueles seus pesadelos de novo...?

-...Um pesadelo...Sobre quantas vezes eu estive a ponto de te perder... Depois do desaparecimento de Pedro...

Essa informação o pegou realmente de surpresa, era a primeira vez que ele falava a respeito de algum de seus pesadelos e...Justamente tinha que ser dessa época? Tinha memórias confusas desse tempo... Depois da emancipação de Minas e Matt... E realmente lembrava muito pouco depois do desaparecimento de seu amigo.

-...Rio...

-...Vamos esquecer o que aconteceu hoje...Ok? Se a culpa é minha, se é sua, nossa, não importa...Vamos entrar...Vamos dormir juntos...V-vamos...Esquecer...

O carioca começou a soltá-lo... Realmente impressionou-se ao ver que ele não estava chorando, mas ainda assim estava mais pálido do que nunca...

Tendo as mãos dormentes tomou o rosto do fluminense para si e deu-lhe seu beijo mais lento, mais envolvente e acolhedor...Conseguindo assim embotar o cérebro carioca completamente.

Usando-se de toda a sua força sobre humana São Paulo sussurrou para seu amante para envolvê-lo com as pernas, o qual o fez obediente, assim lhe envolveu num abraço e sem deixar de beijá-lo, mas abrindo os olhos de tempos em tempos para ver por onde andava, conduzi-o como a árvore sendo agarrada por um preguiça, até o quarto que dividiam.

Ali o deitou na cama e despiu suas roupas, fazendo-lhe o amor da forma mais lenta e intensa que conhecia, pedindo licença ao seu orgulho para verbalizar seus sentimentos em palavras de carinho.

Certificando-se que ao menos por essa madrugada fria, seu amante esqueceria todas as dores que o carcomiam.

Piauí andava sem rumo pelos corredores sem saber onde iria dormir até que chegando a recepção do hotel meio motel ouviu duas vozes familiares conversando seriamente.

- Todos sempre mi criticaram pur que sempre fui muito severo pu dimais e sempre me criticou disso também...Daí quando eu encasqueto de tentá dá uma melhôrada, tenhu qui ouvir qui estou traído! VISSE! O qui querem qui eu faça então!?

Ao seu lado Maranhão ouviu tudo atentamente.

- És só o susto inicial Perna...Dá-lhe tempo para pensar,...

O mais novo estranhou a conversa, questionando-se sobre quem falavam...

-...Eu nunca amei antes Mah...Não assim...E eu vejo os casais sempre trocando palavras de afeto, carinho...E nós parecemos mais numa briga qui num xamego...Eu pensei que estivesse fazendo tudo errado...Só por isso...

-...Não há jeito "errado" numa relação Perna, não em uma que as duas partes estejam de acordo e não cause danos a terceiros...

"Não há nada errado..." - Pensou o piauiense.

-...Queria qui fosse fácil assim Mah...

"-Eu também..."

-...Mas tu ainda não me dissestes quem é a sortuda que roubaste teu coração Perna...- O pernambucano apertou as mãos contra o joelho da calça- ...Talvez...Íba? Afinal vocês sempre estão juntos...Alagoas? Sempre dissestes que ela é a mais linda das meninas...

- ...Isso...B-bem...Quanto a isso...E NUNCA! Elas são minhas irmãs! E Alagoas é muito pura para esse tipo de coisa!

-...Claro...

Piauí aproximou-se mais, interessado no tom hesitante de seu irmão mais velho, Maranhão e ele estavam sentados num sofá de frente a bancada da recepção, porém afastado o suficiente para que os funcionários não escutassem a conversa.

- Num es necessário ter vergonha de contar-me - Colocou num tom maternal e compreensivo que sempre desarmava qualquer um.

-...Veja bem...- Estava a cada segundo mais ruborizado, algo muito estranho nele.-... É complicadu e...Bem...

-...Vai me dizer que é Bahia...?! ...Ou é de outra região...?

-...Não! ...Eu não sei cumu te contar isso...É

E então uma terceira voz surgiu às costas do Estado mais novo.

-...É de péssima educação espiar a conversa das pessoas, vou pensar que cê não teve educação. ...

Sentiu seu sangue gelar, ainda mais quando virou para trás e viu a expressão séria e completamente incomum do cearense, engoliu seco, lembrando-se que desde o cangaço Rio Grande do Norte sempre dizia para evitar ficar sozinho com o outro nordestino...Dizia que ele era incapaz do imaginável sem qualquer remorso do caminho tomado.

Mas não ia mostrar-se acuado, era um homem e um nordestino, tinha seu orgulho.

-...Me desculpe, estava passando por aqui e...

- Vá embora.

...Mas ainda assim era um homem inteligente, balançou a cabeça afirmativamente e dando um simples "Boa noite" e saiu rápido da cena, mas não o suficiente para que parecesse que estava correndo.

Ceará interrompeu o gaguejar do pernambucano sem quaisquer cerimônias ou anúncios.

-...Ah! Oi Ce...A...Rá...- Chamou pausadamente Maranhão ao ir notando a postura do menor, seu senso de perigo apitando tanto ou mais do que quando foi ameaçada por São Paulo na casa da baiana.

Por que ao contrário do que com o paulista, todo o nordeste sabia do que Ceará era capaz.

-...Mah, querida, será que cê podia di deixar esse arretado e eu - Apontou com a cabeça para o pernambucano que engoliu em seco...- A sós...?

- C-claro... - Respondeu em tom cortes, e antes do término da frase já estava de pé -...Boa noite pra vocês. ..

-...Noite...

- Boa noite Mah.

E antes de sair ela desejou um silencioso "boa sorte" ao pernambucano...Iria precisar...

Mas claro que o pernambucano não demonstraria qualquer receio da situação.

-...O que tu quer? - Questionou com ignorância, afinal o cearense não foi o único a viver o cangaço.

-...Sua garganta cortada numa bandeja - Colocou num tom gélido - Talvez assim cê ouviria mais.

- Gostaria de ver tu tentar - Levantou-se mostrando sua altura superior - Cê nunca foi mais forti qui eu.

Ceará sacou a peixeira de um bolso interno de seu casado e agilmente apontou para o pescoço de seu amante.

-...Qué apostá...?

Pernambuco segurou o cabo do facão com a mão sem grandes dificuldades.

-...Pur que cê está fazendu isso...? Eu qui divia de tá puto cum qué cê disse homi...

-...Cê sempre me apontou uma peixeira no pescoço sempri qui eu te desacatava...Sempre qui te irritava...Sempre quando ti tirava du sério...Agora quê mi convencê qui... Repentinamenti ocê decidiu ser bom moço, e nada aconteceu pra issu...!?

-...Tu tem tua razão, algo aconteceu sim...- Colocou em tom neutro -...Eu mi apaixonei pur um homem qui nunca soube bem u qui era realmente recebê carinho e amor, e eu, principal culpadu dessa falta, quis reavê meu erro.

Ceará ficou sem reação no primeiro momento, não esperou esse tipo de resposta, não mesmo...Observou o mais velho com a boca novamente ligeiramente aberta.

De fato... Poderia contar nos dedos quantas vezes Perna tinha sido realmente carinhoso com ele...E eram sempre em momentos em que o menor estava muito ferido, nunca em momentos...Espontâneos...

Sempre agiu como uma espécie de coronel do nordeste, onde sua palavra era lei e deveria ser cumprida custe o que custar.

Sempre foi intolerante, cabeça fechada e de personalidade irritadiça... Quando tiveram relações pela primeira vez depois de muitas bebidas para homenagear a morte do rei do cangaço, realmente pensou que só seria um objeto de prazer nas mãos daquele homem...Mas por sentir-se atraído por sua força, por dever-lhe a vida...Nunca foi de reclamar, afinal também gostava.

Sua vida foi dura, e não poderia haver nenhum professor melhor no mundo que Perna para ensinar a lidar com ela, mesmo que tivesse fracassado no quesito "carinho", tanto ele como Paraíba sabiam que ele os tinha em grande estima.

E assim, de alguma forma, de algum modo...A relação cuja base era simplesmente a consumação dos desejos carnais...Foi se desenvolvendo.

Até o cearense notar que seu sentir já havia chegado à outra categoria, e o mesmo para seu parceiro, mesmo que não quisesse admitir. Mas foi somente há pouco mais de dois anos que o mais velho havia aceitado isso e ambos começaram a namorar.

...Mas sua relação não havia mudado muito desde então, com exceção da exclusividade que um possuía sobre o outro agora. ...

- ...E se existe um culpado sobre isso, este é tu Estado do Ceará – Com a mão direita puxou a cintura do mais novo chocando-o contra seu corpo, com a esquerda que segurava a peixeira desviou a arma, porém, deixando que seu pescoço fosse cortado num raspão. Jogou a lamina sobre o sofá - ...Assuma as conseqüências de seus atos...

O corpo inteiro do menor tremeu com essa mudança repentina de cenário, olhando com morbidade da ferida e do sangue que dela escorria, até o rosto penetrante de seu amante.

-...Soa...Interessante...- E teve a boca simplesmente devorada por seu amante, onde o violento e o passional se misturavam numa dança difusa e sensual.

Por trás do menor, Perna abriu ligeiramente os olhos e notou um certo alvoroço na recepção...Deduzindo que era melhor voltarem para o quarto logo antes que alguém chamasse a polícia, mas a mesma seria chamada de qualquer jeito pela manhã...Devido a peixeira ensanguentada no sofá...

-...Vamos...Subir?

-...Prefiro continuar descendo – Pós com malícia.

Porém os dois voltaram para seu quarto ainda assim...Terminar aquilo que haviam começado...Ou quase...

Batendo na parede e em várias portas pelo caminho chegaram em seu respectivo quarto, desajeitado Perna tentava abrir a maçaneta ao tempo que CE lambia muito satisfeito a ferida recém feita...E essa distração do pernambucano lhe seria fatal...

Finalmente conseguindo livrar o caminho, fechando a passagem com um estralo, Perna estava direcionando CE até a cama quando...Ao tentar atrair o maior para um beijo tomou-lhe pelos dois lados da cabeça, sobre as orelhas, tocando uma ilha afastada e excessivamente protegida...E as consequências de roçar esse território único foram imediatas.

-...Aaah~~ - Soltou Pernambuco forte, sentindo as pernas balançarem como gelatina - ...A-ahi n-não!

Ceará afastou-se alguns centímetros observando confuso o excesso de reação... Nem sequer estava tocando nada importante...Ou isso imaginava.

Ignorando a expressão de perplexidade do maior, tentou repetir seu último movimento e o resultado foi o mesmo...Ou melhor. O corpo frente ao seu tremeu da cabeça aos pés, seus olhos reviraram-se nublados de sensações e certa anatomia...Certa anatomia se mostrava muito ansiosa em participar.

-N-não t-oque aí...! – Tentou exclamar já arfante cambaleando para a cama, tentando afastar-se. -... É...Eu não te autorizo a isso...!

-Hooo~ - Soltou Ceará sedutor caminhando a distancia até a cama e sentando-se no colo de um pernambucano sem fôlego - ...Autorização...?...Interessante... Posso deduzi qui sua ilhinha exclusiva é uma...Área sensível, então...?

- Não! – tentou se desvencilhar, mas seu corpo o traiu e CE massageou com maior intensidade atrás da orelha do nordestino, achando a situação ao mesmo tempo hilária...

E verdadeiramente excitante.

Pois sem dificuldades conseguiu deitar o completamente embargado homem, sem dificuldades o virou de costas... Sorrindo perversamente triunfante.

-...Cê perguntou se eu queria fazê algo... Eu achu qui acabei di tê uma ideia...

E lambeu seu dedo com esse satisfatório plano na 'cabeça'.

-.-.-.-.-.-.-.-.-

O dia amanheceu tranquilo, embora ainda frio , onde o orvalho cobria todo o campo umedecendo o belo cenário da fazenda.

Em um dos quartos, um típico madrugador acordava devagar, despertando sem a necessidade de estímulos externos. Ainda assim demorou alguns instantes para entender onde estava, sabendo de ante mão apenas que era quente, absolutamente confortável...E se movia.

Rio pestanejou algumas vezes até perceber que dormia sobre o tórax de seu amante, abraçando-o quase esmagadoramente, e um cobertor ainda lhe cobria a cabeça. Dormiram de conchinha. Sorriu completamente abobalhado com a descoberta, respirando fundo o cheiro frutífero do homem que chamava de namorado.

Não havia sensação mais reconfortante do que ouvir o suave bater daquele coração, o lento sobe e desce de seu respirar, provas irrefutáveis de que estava vivo, e ele ali...Deitado sobre seu tronco consciente de que estava apenas de cueca, era uma prova irrefutável da relação que tinha com ele. Desejou do fundo do coração que o tempo pudesse parar agora...Que pudesse aproveitar a presença ao lado daquele homem que fazia seu peito descompassar-se, fingir que nada nunca os separariam novamente.

Ao menos, poderia sonhar com isso...

Até o toque de seu telefone trazê-lo de volta a realidade...

"Cidadee maravilhooosaa~~ Cheia de encantos miiil~
Cidade maravilhoosa, coração do meu Brasiiiil~~"

Agradeceu que seu celular não estava muito longe da cama, conseguindo alcançá-lo apenas esticando a mão. Viu o apelido "Brother" na tela e atendeu.

-...Alô~ Booom diiiia Brô~!

-...Alô? Fratello?...Hã...Bom dia...Hmm...Eu te acordei?

-Aaah não, eu já tinha acordadooo~!

-...Hã...Certo, imaginei que cê iria madrugar...Apesar de ontem ser seu aniversário de namoro...E pelo seu tonzinho de voz...Eu posso dizer que a noite foi boa – Pós com malicia, sentado numa pequena área de espera da administração do aeroporto esperando um funcionários devolver a bagagem que fora misteriosamente encontrada.

- Aaaah~~ Hahaha~ Foi...Uma parada de outro mundo, tá ligado?...Sinistro!

-...Isso quer dizer 'bom' na sua língua?

- Na moral, totaaal brô – Cantarolava desenhando corações com o dedo sobre o peito do paulista – Moh vacilo tu não ligar coé a parada mermão~

-...Tá, ok...Seja lá o que isso for, eu to ligando para avisar que vamos nos atrasar um pouquinho...

-...Xeeem probleeemaaaax~

- Assim... Parece que TODOS tiveram uma noite e tanto! Estão parecendo zumbis! Pará e Amazonas estão praticamente dormindo em pé esperando do lado de fora, eu nunca tinha visto Tocantins TÃO irritado! Piauí está deprimido como sempre, Maranhão parece normal...Ceará está realmente muito feliz...Não tenho certeza se isso é bom ou ruim..Por que sério...Sério! Roubaram a alma de Pernambuco! Ele ta parecendo um boneco de Olinda sendo conduzido pelo Cearense...Bahia e o gaúcho também estão sonolentos...Mas vindo da minha mama isso é normal...Cê não tem IDEIA da dificuldade de tirar essa galera toda do hotel!Sem falar que tinha algumas viaturas da polícia lá que atrapalharam ainda mais nossa saída! Fala sério!

- hahaha! Espiii~ Tu é tãaao engraçado fratenito~

-...Enfim...Vamos nos atrasar... -O capixaba respirou fundo, além de cego o amor tinha que ser idiota? -...Cê vai me deixar diabético assim Fratello...

- Mudando de assunto! – Disse levemente mais sério – Vêm na minha casa semana que vem?

-...Pra quê...?

-Apenas veenhaa!~ A gente não ta passando muito tempo junto mesmo~

-Hmm...Ok...Eu vou ver, não é como se você morasse na esquina e-

- Eu vou fazer o meu suuuper capuccino especial se tu vier!

-Certo, eu vou.

-Que bom! Haha~ - Riu satisfeito, era realmente muito fácil convencer seu ítalo irmão.

- Bem, levando-se em conta seu tom cantante imagino que cê deve estar dormindo agarradinho de seu amore então não preciso me preocupar com ele vindo atrás de nós para decepar nossas cabeças,mas me diz, passivo ou ativo dessa vez?

- Quem se importaa! O importaante é o amoor~~

-...Rio, maconha ainda é proibido cara...Manera aí parça ...

E depois de uma gargalhada besta, os dois começaram a conversar sobre todo o tipo de trivialidade, gayzisse e boticário, até Santo conseguir sua bagagem de volta e avisar que pegariam o próximo vôo.

E realmente...São Paulo precisava de um prêmio por não acordar com toda essa cantante fofocada.

Depois de desligar, já passado quase uma hora de ligação para a alegria das companhias telefônicas, Rio voltou a apreciar a imagem de seu querido amante e amigo, como dormia placidamente, como tinhaa a boca completamente aberta da qual escorria baba, como mexia o nariz de vez em quando ou mesmo como inconscientemente esfregava seus pés contra os do carioca.

Suspirou enamorado aproveitando a presença do celular para tirar uma foto.

-...E ainda tem a capacidade de não se achar simplesmente lindo - E cansado de ficar sozinho só admirando, o mais novo levantou seu próprio tronco para alcançar os lábios contrários e acordá-lo com um beijo.

Coisa de meia hora depois de acordados, por alguma razão, um berro chamou a atenção de todos na casa.

- S-SEU IDIOOOOOOOOTAAAAA! – E o berro envergonhado recorreu simplesmente todo o casarão.

Da cozinha, depois de uma escandalosa risada e de um grito, as três crias de São Paulo olharam em direção ao corredor que levava ao quarto deles e ao banheiro.

-...Isso quer dizer que eles se entenderam...? –Perguntou Matt confuso pegando o último pão de queijo.

-...Bem, Rio estava esmagando Sampa como sempre quando passei frente a porta deles... –Completou Minas roubando o pão de queijo.

- EI!

- Vale tudo pur um pão de queijo de Sampa.

- Eu disse que era só esperar que eles se iriam se ajeitar – Comentava Paraná tomando café tranquilamente – E Minas tem razão Matt, cê embaçou com o pão de queijo, agora me passem o açúcar por favor.

- Aqui está.

- Não é juustooo!Eraaa meeeu!

E assim começa outra...Tranquila...Manhã..

-.-.-.-.-.-.-.-

As horas se passaram, e enfim os Estados convocados para esta estranha junta se reuniram na fazenda do mineiro...Que desapareceu de vista assim que descobriu que Espírito Santo estaria lá também... Todos se reuniram na grande mesa da cozinha mesmo, pois era o maior cômodo da casa.

- Obrigado por terem vindo... - São Paulo anunciava sério com as duas mãos sobre a mesa para alguns quantos Estados presentes naquela sala. -... O que vamos discutir é de vital importância a todos vocês... Mas antes disso... – respirou fundo - Não pode haver mais segredos entre nós, para que melhor podamos nos proteger, então... Basicamente, é a hora da verdade...

Levantou-se da cabeceira da mesa e começou a andar olhando para cada um dos presentes.

- A virtude, numa república, é uma coisa muito simples: é o amor pela república; é um sentimento e não uma série de conhecimentos; tanto o último dos homens de um Estado quanto o primeiro deles pode ter esse sentimento, até mesmo o Estado em si...Virtude é amar, mas acima disso, colocar o bem dos outros, o amor dos outros acima dos seus...

Observou Bahia que sorria para ele, Matt que o incentivava, Paraná que parecia tão ou mais aflito do que ele...

-...O amor à pátria leva à bondade dos costumes, e a bondade dos costumes leva ao amor à pátria. Quanto menos conseguirmos satisfazer nossas paixões particulares, mais nos entregamos às gerais...Quanto mais austeros formos, isto é, mais reprimirmos nossas tendências, mais forças elas nos darão... – Fez uma pausa - ...Isso pode soar cruel para nós, e por muito tempo...Muitos de nós provavelmente seguiram essas palavras ao pé da letra...Mas não é exatamente assim. Sermos Estados de Virtude...Não quer dizer que tenhamos que esquecer de nós mesmos e apenar sermos devotos dos nossos...A virtude, um principio da República, é olharmos para o outro...Mas este outro também olhará por nos, não é um amor unilateral e devoto...

Viu Minas escondido no corredor ouvindo tudo atentamente, Ceará engolia cada palavra com um radiante sorriso no rosto, mesmo Pernambuco que chegara desanimado levantou o rosto seguindo o paulista com o olhar sério.

- Pois o amor à republica, numa democracia, é o amor à democracia; o amor à democracia é o amor à igualdade. O amor à democracia é também o amor à prudência. Cada um DEVE possuir a mesma felicidade e as mesmas vantagens, deve experimentar os mesmos prazeres e ter as mesmas esperanças, coisa que só se pode esperar da prudência geral.

Maranhão o observava realmente impressionada, Pará o ouvia de olhos fechados numa expressão de agrado, Amazonas ouvia tudo com ares quase sonhadores, vez ou outra lançando olhares para seu vizinho.

- ...Não somos mais uma monarquia movida pela honra, onde cada um busca apenas honrar-se a si mesmo e mais que os outros, limitando-os de avançar e obter mesmas honrarias que as nossas...É verdade que não possuímos muita experiência nisso de sermos republicanos...Passamos, admitam ou não, por praticamente três ditaduras até conseguirmos alcançar os verdadeiros pareceres republicanos...Mas sermos inexperientes nisso não nós impede de nos apoiarmos em seus princípios. Como Estados, mesmo como cidadãos não podemos ser egoístas...Devemos desejar o bem e a felicidade a todos...É por isso que...

Viu a complacência de Espírito Santo, voltou à ponta da mesa tornando a sentar-se e olhando nos olhos do carioca, sentado no outro extremo, aquele profundo mar que desejava lhe engolir toda a vez que era enfrentado.

-...Eu sou a favor da abolição completa da lei que proíbe os Estados de relacionarem-se entre si! – Aumentava o tom de voz a cada palavra – POR QUE ELA É CONTRA A VERDADEIRA VIRTUDE, ELA É CONTRA O VERDADEIRO ESPÍRITO DAS LEIS DE UM PAÍS!

E esta tarde, os amores 'secretos' de cada um...Deixariam de ser um segredo?


Crônicas de Reviews Cap IX parte 2

Carol - Obrigada por se fazer presente mesmo assim! Daqui para frente as histórias de Paraná e Tocantins vão estar mais em foco, para a dor de cabeça de Brasília rsrs. Agora sobre São Pedro...

Splendescat Clara - A desenhista do meu coração fala comigo todo o dia no face XDDD Então, eu respondo lá mesmo rsrs

Abyssus Zero - Aiiiiii S2 Desculpa a demora em responder esse cometários . É sempre muito bom te ver por aqui cariño ^^
Então, tirou as palavras da minha boca XDD A maioria dos capítulos (senão todos) tem tretas XDD Como deu para ver nos capítulos seguintes, ele não sabe, mas suspeita...Sim, a história se chama "Um conto de natal", este capítulo foi inspirado nele. CAAARAAA A CENA DO "Me processe" TAMBÉM FOI MINHA FAVORITA! HAHAHAHA XDDD Obrigada por comentaaar! ~~

- Crônicas dos Reviews Cap XIII - Respondendo 22:01 dia 22-06

Caqui de brigadeiro da Sabrina

Oiii! E eu postei semanal de novo! =D Espero que tenhas gostado! ^^
Rsrs e não liga de te acharem louca não XDD Falam o mesmo de mim por ficar escrevendo em absolutamente todos os lugares em que estou XDDDD
Só me desculpe por demorar para responder cariño =/
É, sôo um pouco estranho isso de 'adorador' XD
Acrediite, vc não foi a única que me disse que as músicas do Pablo são perfeitas para esse momento de Minas, pobrezinho...
Rio e Minas finalmente estão dando um passo adiante, isso realmente é um avanço.
Sampa as vezes pode ser BEM individualista, Rio com esse jeito grudento dele meio que o obriga a deixar essa tendência de ladoRsrsrs
"Outra coisa que é bom saber, é que a Sofia e aquela moça que ajudou o Brah cap passado vão ser importantes"
Grave bem essa sua frase, grave a bem...
Ah , eu também passei de sozinha a pesar de ter com quem passar, também não vejo problemas nisso não XD
De acordo com a escala de Paraná, Amazonas tem peitos tamanho "R" É uma escala bem detalhada e complexa, elaborada com muita experiência e análise. u.u
Rsrrs Muito obrigada pelo review cariiiñaaa S2 Nos lemos!

Ju do Vale

Olá! Espero que goste desse outro capítulo semanal então ^^
" por mais que ele tenha prometido protegê-lo"
Lembre-se dessa sua frase.
Hmmm...Esse Rio em momentos paternos...Hmmmm
Sim, esperamos que Minas aprenda algo com esta explosão
A culpa das malas sumirem é do CE...? hmmm..Quem sabe...
Sim, os dois são culpados pela briga.
Oooh, você acha que eles devem contar tudo para Brasília? Interessante...Muito interessante...Viva a revolução /o/
E eu não sou maligna u.u Não me ofenda.
Eu sou perversa u.ú apenas fazendo meu papel de paulistana na
Origem nos Estados Europeus...? Hmmmm...~ Quem sabe
Considerando um moro? Hmm...O coco atola na terra =/
Serio, chega mesmo! Eu juro que eu não sou demente assim(a maior parte do dia),

Eu ouvi Móveis Coloniais de Acaju, e realmente gostei do estilo deles ^^ Obrigada pela sugestão
A música que vc indicou para MihSanto lembra realmente eles, é bonita, só que como é meio 'recortada' fica difícil colocá-la num capítulo...
Maaaas, a música deles "Indirefença" eu acredito que ainda irei usar...Mais...Para...Frente...Num...Certo...Momento...Crucial D~

Obrigaaada pelo coment~