Extremos 1
Capítulo 13
Hyoga seguiu Ilana para o hospital onde Shun estava internado, mas não pode vê-lo, ele estava na UTI. Um médico explicou a ambos que o ferimento atingiu o fígado e causou uma séria hemorragia e que o adolescente precisaria de transfusão. Ilana se ofereceu para doar, dizendo que seu sangue era compatível com o de Shun. Hyoga também se ofereceu como doador, e o médico os encaminhou para o banco de sangue do hospital. Depois disso, o russo ligou para Camus, estava muito nervoso e explicou o que aconteceu.
Uma hora depois, o francês chegava ao hospital, encontrando um abatido Hyoga na recepção.
- Hyoga... – chamou pondo a mão no ombro do filho que se ergueu o abraçando com força. Camus o acolheu nos braços num forte abraço.
- Camus, ele está muito mal... – balbuciou – Ele... ele pode morrer, Camus!
- Isso não vai acontecer, tenha calma, vai ficar tudo bem. – consolou.
- Camus, o Shun salvou minha vida e me ensinou a gostar dela, não é justo que isso aconteça com ele, não é justo!
O loiro começou a chorar no ombro do pai. Camus afagou seus cabelos sem saber o que dizer. Depois de alguns minutos o afastou, segurando-lhe os braços.
- Conte-me tudo, Hyoga, quem sabe se eu entender essa história não possa ajudar o rapaz de alguma forma. – pediu.
- Acho que eu mais que o Hyoga posso contar o que aconteceu.
O ruivo se virou para mirar a loira que até então não havia visto ali.
- Meu nome é Ilana, eu sou amiga de Shun e... e a culpa de tudo isso é minha...
Ilana deixou Camus a par de todo o ocorrido. O jovem executivo estava impressionado com a triste história daquele rapaz, mal sabia ele que aquela não era nem a metade.
- Hyoga, eu posso tentar transferi-lo para um hospital melhor. – propôs o ruivo.
- Já pensei nisso, Camus, eles não podem deixá-lo sair enquanto o Shun não melhorar. – falou o loiro se levantando – Preciso fumar um cigarro...
- Vamos até o pátio. – sugeriu o francês, e os dois deixaram Ilana, dizendo que voltavam logo.
- Mesmo se pudéssemos apenas um parente poderia solicitar a transferência. – disse Hyoga acendendo um cigarro. Camus odiava aquele hábito do filho, mas não achou que devesse reclamar novamente daquilo naquele momento.
- E ele não tem ninguém? – indagou pensativo.
- Tem um irmão. Aliás, ele veio para Atenas atrás desse irmão que nem sabe onde está, mas nunca me falou por que.
- Poderíamos procurá-lo, colocar no jornal, contratar um detetive particular, o que acha? – o ruivo encarou o rosto desolado do filho. Resignou-se. Hyoga não merecia estar passando por tantas coisas ao mesmo tempo.
- Eu nem sei o que dizer, Camus... – o mais jovem soltou à fumaça do cigarro no ar e baixou um olhar desolado para o chão – Como poderei pagar tudo que está fazendo por mim?
- Você não precisa pagar nada, Hyoga, eu faço isso por que... por que... – interrompeu-se num suspiro pesado – Porque você é meu amigo, não é?
- Pra mim você é mais que um amigo, Camus, você é como um pai, cara... – disse o russo ruborizando sem jeito – Desculpe, eu sei que você não dá valor a essas bobagens sentimentais...
- Não são bobagens. – cortou Camus tentando esconder a emoção na constante máscara de frieza que usava – O que sente nunca seria bobagem pra mim, Hyoga.
- Precisamos encontrar o irmão dele, Camus. Por favor, faz isso pra mim, eu não sairei daqui.
- Tudo bem. Vou providenciar algo para você comer também, certo?
O russo balançou a cabeça positivamente, embora não sentisse fome, e o francês saiu do hospital.
- Uma chance para amar-
Shiryu conseguiu a tão desejada companhia para o cinema. Afrodite era um rapaz despojado e divertido e, embora eles não tivessem muita intimidade e nem mesmo afinidades, sua companhia foi agradável.
O jovem sueco lhe dissera que estava sem compromissos para aquela noite, e ele achou por bem convidá-lo. Assistiram ao filme que o moreno escolheu, embora não fosse o tipo de filme que Afrodite gostasse, e terminaram a noite num fast food. Comeram muito bem e seguiam despreocupado rindo e conversando pelo shopping quando algo fez o chinês parar.
Afrodite o encarou meio sem entender e percebeu que o rosto do rapaz ficou pálido e seus olhos se grudavam em dois jovens que estavam sentados abraçados e conversavam baixinho.
- Oi, Seiya! – o sueco, que não sabia de nada, foi logo se aproximando do seu estagiário – Como vai?
Seiya se surpreendeu com a voz de Afrodite, mas sorriria, contudo, seu sorriso morreu nos lábios quando viu logo atrás do loiro, Shiryu o olhando meio pasmado.
Seiya ficou branco como papel e entreabriu os lábios.
- Seiya, não vai me apresentar à moça? – continuou Afrodite, mas olhou na direção em que o rapaz mirava, percebendo, tarde demais, que alguma coisa não estava bem ali.
A menina sorriu e se aproximou do loiro, estendendo a mão.
- O Seiya não tem jeito, eu sou Saori, sou a namorada dele.
Aquela informação teve o efeito de uma bomba atômica para Shiryu. Sua vontade era virar nos calcanhares e sumir dali, mas não o fez. Ao contrário, se aproximou de Afrodite e mesmo não conseguindo sorrir, cumprimentou Saori também.
- Olá, somos colegas de trabalho do Seiya. – disse e lançou um olhar sério e indecifrável para o estagiário – É um prazer conhecê-la.
Seiya continuava parado com o coração descompassado e sem conseguir falar nada. Saori e Afrodite perceberam o clima estranho, mas logo Shiryu desconversou, dizendo que estava com pressa e se despedindo sem olhá-lo.
- Algum problema, Seiya? – perguntou a garota desconfortável – Você e aquele rapaz... Vocês dois têm algum problema um com o outro?
- Não, Saori, mas... Bem, não é um problema. – coçou a cabeça, confuso – Vamos embora, depois a gente conversa melhor sobre isso.
- Tudo bem. – sorriu doce a moça – Amanhã estarei o dia inteiro organizando uma festa, e como no momento não posso contar com meus melhores garçons terei que me virar para arranjar novos. Você e o Ikki me abandonaram.
- Não está dando pra conciliar com o estágio. Desculpa. – pediu o rapaz, mas sua mente nem prestava atenção ao que a namorada dizia – Vamos...
Eles seguiram para o estacionamento em direção a moto d e Seiya que a deixaria em casa e partiria para resolver aquele assunto, antes que fosse tarde demais.
- Uma chance para amar-
Camus fez tudo que pode para ajudar Hyoga. Entrou em contato com sua secretária e utilizando as parcas informações que o filho tinha, pediu para que ela colocasse uma nota no jornal a procura de um tal Ikki Amamiya, assim que o dia amanhecesse, mesmo achando que aquilo não daria muito certo.
Como o russo tinha previsto, o hospital não autorizou a remoção de Shun até que ele não corresse mais perigo de vida, e Hyoga se recusou a deixar o local, por mais exausto que estivesse. Camus compreendeu e não tentou dissuadi-lo. Mas como precisava passar no escritório de qualquer jeito e não queria deixar o filho sozinho com aquela estranha, sim, pois era isso que Ilana era, uma total estranha. Resolveu ligar para Shaka e pedi ajuda ao seu único amigo.
O telefone tocou algumas vezes. Shaka despertou e abriu os olhos, mas ainda só enxergava vultos. Não sabia se era noite ou se já era dia, mas percebia que a chamada era decorrente do seu celular que não fazia ideia de onde estava e não teria condições de encontrar sozinho. Teve vontade de gritar de frustração. Saiu da cama, tateando tudo e tentando achar o aparelho. Ele sempre o deixava numa banqueta onde ficava o abajur, só bastava chegar nela.
Tateou até achar o bendito objeto o atendendo, apertando, não sabe como, o botão correto.
- Shaka.
- Oi, Shaka, bom dia, é o Camus.
- Oi, Camus, que horas são?
- Desculpe-me, Shaka, ainda é muito cedo eu sei, mas é importante. – disse o francês visivelmente sem jeito.
- Não, Camus, não é isso. Eu realmente não sei que horas são, por isso a pergunta. – explicou.
- São 03h30min da manhã. – Camus estranhou aquela informação. Shaka era do tipo que tinha relógios espalhados por todos os cantos e sempre sabia as horas.
- Sim, diga do que precisa, meu amigo? – o indiano cortou seus pensamentos.
- O Hyoga está em um hospital com um amigo ferido, e eu preciso que alguém fique com ele, porque preciso ir à Cignus assim que amanhecer. Gostaria de saber se poderia me ajudar nisso.
Shaka mordeu o lábio inferior hesitante.
- Eh...Sim, Camus, tudo bem, eu vou, mas... poderia ser às oito? É que estou com um probleminha.
Camus pensou que o amigo deveria estar com alguém e se sentiu ainda pior por incomodá-lo. Shaka era do tipo de homem que preferia morrer a incomodar alguém, e o ruivo se sentia incrivelmente constrangido quando precisava do loiro, embora este sempre dissesse que estaria ao seu dispor quando precisasse.
- Shaka, eu sinto muito por incomodá-lo...
- Não precisa sentir. Estarei no hospital as oito, só precisa me dizer o nome. – Camus o fez resignado.
- Obrigado, amigo. – disse antes de desligar.
Shaka voltou a morder o lábio inferior. Só restava saber como faria para chegar ao hospital sem Ikki. Estava cansado daquela dependência toda. Bem, ainda eram 03h30min da manhã, teria tempo a pensar até as oito.
Deitou-se novamente na cama e resolveu dormir um pouco mais.
Ikki acordou cedo e depois de tomar um banho e se vestir, foi para a cozinha fazer o café do indiano. Naquele dia precisava ir à Cignus se ainda quisesse um estágio. Também andara faltando as aulas e aquilo não era bom no começo do semestre.
Estava caminhando para o quarto de Shaka quando um movimente de frente a porta de vidro chamou sua atenção. Um homem alto e forte de curtos e bem cuidados cabelos acastanhados recolhia tela por tela que ali estavam. Ele vestia um terno claro e fumava nervosamente um cigarro, praguejando algo consigo mesmo.
Ikki foi vencido pela curiosidade. Caminhou até a porta e a abriu, surpreendendo o homem que o encarou analiticamente.
- Bom dia. – disse Ikki e não soube por que sua voz foi hostil, não era essa a intenção.
O homem deixou escapar um sorriso sagaz pelo canto da mesma boca que amassava o cigarro enquanto ele segurava uma grande tela.
- Bom dia. Geralmente essa porta nunca se abre pra mim. – falou caminhando para a caminhonete parada de frente ao jardim e jogando a tela na carroceria – Diga-me, é o novo garoto do Shaka?
Ikki franziu as sobrancelhas com uma cara ainda mais enfezada.
- E se for? – indagou.
O homem de pele bronzeada e olhos verdes sorriu, exibindo seus dentes brancos e belos.
- Eu continuaria afirmando que o loiro tem muito bom gosto.
A resposta do agente desarmou o estudante por completo. O homem sorriu e estendeu a mão a ele.
- Aiolia Angheláki.
Ikki estendeu a mão aceitando o cumprimento.
- Ikki Amamiya.
Aiolia pegou uma nova tela e levou ao carro, o universitário se viu obrigado a ajudá-lo.
- Diga-me, Ikki. – começou o grego – Como conseguiu a proeza de entrar nessa casa?
- Não é o que pensa. – respondeu sério – Não somos amantes.
- Então o loiro perdeu o jeito. – provocou o mais velho – Eu fiquei louco por ele assim que o vi.
Apesar de não se sentir nada confortável com aquela conversa, o estudante era vencido pela curiosidade latente que sempre tivera sobre o relacionamento passional dos dois e seu fim.
- Como vocês se conheceram? – ouviu-se perguntar.
Aiolia que carregava um novo quadro parou, soltando a peça e a encostando numa pilastra, enquanto cruzava os braços e encarava o mais jovem. Ikki se sentiu desconfortável com o olhar zombeteiro que ele lhe lançava, mas não recuou, o encarando também.
- Apaixonado por ele? – indagou o agente.
- Isso não é da sua conta. – rebateu Ikki – Mas gostaria de fazer algumas perguntas a você.
- E se eu não estiver disposto a responder?
- É uma escolha sua, mas eu gostaria que respondesse. – informou o rapaz decidido.
- Ele tem um poder sobre a gente que é impossível explicar, não é? – argumentou o leonino mais velho.
Ikki não respondeu, pegou outra tela e a colocou na caminhonete do agente.
- Nos conhecemos numa exposição em Paris. – começou Aiolia – Ele estava com outro cara, mas eu o infernizei até que ele aceitou sair comigo. Depois ele se apaixonou, mas não foi amor a primeira vista.
Aiolia terminou o cigarro o jogando propositalmente dentro da fonte com a imagem de Buda, sabia que aquilo irritaria Shaka até a raiz loira dos cabelos.
- E por que a relação acabou?
Essa era a pergunta de um milhão de dólares, era o que Ikki queria saber de verdade.
- Porque eu o esfaqueei como já deve saber. – a resposta do leonino foi tão natural que o moreno pensou não ser verdadeira. Mas lembrou-se da cicatriz no abdômen de Shaka e no próprio indiano lhe dizendo aquilo da forma mais natural possível. Ou ambos eram loucos, ou ele, Ikki, estava louco.
- Por quê? – perguntou aflito – Por que você o machucou? Não bastou tudo que ele já sofre? Por que tinha que fazer isso com ele?
O rapaz estava visivelmente indignado, e Aiolia achava aquilo no mínimo engraçado. Ikki lhe lembrava exatamente o que era no inicio do relacionamento com o loiro; apaixonado e disposto a destruir o mundo por ele. Só que o preço pago por aquela paixão desenfreada foi alto demais.
- Sim, eu sabia o quanto ele sofria. – disse Aiolia pegando outro cigarro de um maço amassado em seu bolso e o acendendo – Por isso mesmo fiz o que fiz... O Shaka queria morrer...
- Uma chance para amar-
Hyoga estava sentado com a cabeça entre as mãos quando Ilana se aproximou com um copo de papel onde havia um café fumegante.
- Toma, vai te fazer bem.
- Obrigado. – disse o russo e mirou a expressão cansada da mulher – Ilana, eu sei que você tem dois filhos pequenos, não acha melhor ir pra casa?
- Obrigada, Hyoga, mas as crianças estão bem com uma amiga. Eu não saio daqui sem o Shun.
- Tem certeza?
- Sim, mas obrigada.
O russo respirou fundo e bebericou o café.
- Ilana, você não sabe de mais nada que possa dar uma pista sobre o irmão dele?
- Não. O Shun não tinha fotos dele, ele...bem, ele...
- Por favor, Ilana, não me esconda nada, eu preciso saber de tudo para ajudá-lo. – pediu Hyoga aflito.
A loirinha se mexeu no banco desconfortável.
- O Shun fugiu de casa. – disse resignada – Ele saiu fugido e chegou aqui de carona. Sem documentos e sem nada que o ajudasse a encontrar o irmão.
Hyoga sentiu um aperto no estomago. Lembrou-se da conversa que eles tiveram no apartamento de Camus e em como Shun ficara perturbado com as lembranças do passado.
- Por que ele fugiu? – teve forças para perguntar.
- O tio. Na verdade, o marido da tia dele... – murmurou Ilana – Ele... Bem, ele gostava de maltratar o Shun...
Hyoga solveu o café devagar, mirando o chão.
- Ele era um homem violento, batia na esposa e no garoto. A esposa não era uma boa pessoa pelo que ele me disse também. – continuou Ilana – Só que eram dissimulados, mentiam para o irmão do Shun e ficavam com todo o dinheiro que o pobre rapaz se matava para enviar todos os meses. Como o Shun não encontrou o irmão, devem estar fazendo isso até hoje e o Ikki nada sabe, porque eles não deixavam o Shun atender ao telefone.
- Será que o irmão não desconfiava disso? – indignou-se Hyoga.
- Eles mentiam, diziam que o Shun estava estudando, fazendo curso, na academia, e o irmão não tinha como ligar o tempo todo, ligações desse tipo são caras.
- Zeus... – murmurou Hyoga – Então é por isso...
- Sim. – suspirou Ilana – Eu imagino o horror pelo qual esse garoto passou. O Marcel o encontrou sozinho, sujo e faminto e o levou lá pra casa.
Hyoga encarou Ilana sem deixar de demonstrar a raiva que o nome do ex-marido lhe causava. A mulher sorriu com tristeza.
- Incrível como uma pessoa pode ir de um extremo a outro, não é?
- Uma chance para amar-
- Como assim? – indagou Ikki meio estarrecido – Por que disse que ele queria morrer?
- Porque é romântico e tolo! – resmungou Aiolia já não gostando de ter que dividir aquele passado sombrio com alguém – Mas agora, preciso ir. Acho que já falei demais e seu novo amigo não ficará nada feliz por isso.
- Espera! – Ikki o deteve – Eu preciso saber, por favor.
Aiolia olhou para ele e depois para a entrada da casa. Tirou um cartão do bolso e entregou ao rapaz.
- Me liga. – disse, entrou na caminhonete e partiu.
Ikki mirou o sofisticado cartão pensativo e voltou para dentro da habitação a tempo de ver Shaka descendo as escadas com cuidado, agarrado ao corrimão. Ele correu até ele o segurando pelo pulso.
- Ikki! – exclamou o loiro com o susto.
- Sou eu, loiro. – disse o ajudando a terminar de descer.
- Que horas são, Ikki? Eu preciso sair, você pede um táxi pra mim, por favor?
- Shaka, se acalme, são 07h00min horas e você mal acordou. Além do mais poderia ter se esborrachado dessa escada, por que não me esperou?
O indiano não respondeu. Não queria dizer que chamara por ele até seus pulmões cansarem e como ele não ouvira, achara que fora mais uma vez abandonado e resolveu que deveria aprender a se virar sozinho, mesmo cego.
- Pensei que tivesse saído... – desconversou.
- Eu não sairia e o deixaria sozinho assim e nem pense que o deixarei ir sozinho seja lá onde for.
Shaka mordeu o lábio inferior hesitante; para um orgulhoso nato, desfilar segurando o braço do moreno não era uma boa opção. Uma coisa era ter Ikki dentro da sua casa, outra era exibir a dependência que sentia por ele para os seus amigos.
- Eu posso ir sozinho... – murmurou sem convicção nenhuma. A verdade era que só se sentia seguro perto de Ikki por mais que isso o humilhasse.
- Nem reclama, loiro, eu vou com você.
A afirmação do moreno encheu o artista de alegria, mesmo se esforçando para negar aquilo, e não quisesse confessar a si mesmo que a cada dia o queria mais próximo a si.
- Já que você insiste e como não quero começar meu dia irritado, eu aceito. – disse arrogante.
Ikki sorriu de canto de boca e tomou o braço dele. Não iria discutir naquele momento. A noite foi especial demais para permitir uma briga com aquele loiro rabugento.
- Antes disso, vamos tomar café. – disse e o levou tranquilamente para a cozinha.
- Uma chance para amar-
Camus passou no escritório apenas para assinar alguns papéis, trocar algumas poucas palavras com Shura e preparar uma análise sintática do último inventário da empresa. Não demoraria e avisara a Srta. Nicklos que estaria fora o dia inteiro. Também pediu desculpa à pobre mulher por acordá-la três da manhã só para lhe dar ordens, e ela pareceu compreender.
Estava de saída quando Dimitri chegou à sua sala. Não entrou, contudo, parou à porta impedindo sua passagem.
Camus o encarou friamente, mas sentiu uma repulsa tão forte que não conseguiu esconder. O rosto do mais velho levava um curativo e um hematoma do lado esquerdo e ele o encarava sério.
- Camus, precisamos conversar.
- Não temos nada a conversar. – sua voz foi fria, embora ele sentisse muita vontade de socá-lo novamente.
- Temos e sabe que temos. Somos sócios, nossa convivência é necessária, e somos parentes também.
- Não somos mais. Agora me deixe passar, Dimitri. – insistiu.
- Camus, eu estava bêbado...
- Não tente colocar a culpa na bebida, você sabia muito bem o que fazia. – revidou com repulsa – Eu só gostaria de avisá-lo que não admitirei que se aproxime de mim ou do Hyoga, para o seu próprio bem.
O loiro riu com ironia olhando no fundo dos olhos do sobrinho.
- É uma ameaça, Camus Verseau?
- Uma advertência, agora me deixe passar.
- Incrível como você perde as estribeiras quando o assunto é o Hyoga. – ironizou o tio – Eu vou deixá-lo ir, Camus, mas essa história ainda não acabou...
- Ah, claro que não, ela irá acabar quando eu o tirar definitivamente da minha vida e contar toda a verdade ao Hyoga. – declarou Camus se adiantando para sair, mas o tio lhe barrou a passagem.
- Temos um pacto de honra, caro sobrinho, e você não irá quebrá-lo! – irritou-se Dimitri.
- Há pactos de honra entre dois homens honrados, Dimitri, e não entre uma criança e um porco como você...
Os dois homens ficaram se encarando com hostilidade até que barulhos de passos se aproximando fizeram com que se virassem. Dimitri examinou o rapaz que chegava. Era belo, forte e exibia um sorriso direcionado a Camus de entontecer. Não teve dúvidas, aquele era o amante do seu sobrinho.
- Oi... – disse Milo sem jeito, olhando de um para o outro – Eu não sabia...
- Tudo bem, Milo, vamos. – cortou o ruivo passando pelo tio.
- Espere! – Dimitri não perderia a chance de provocar o francês – Não vai me apresentar seu amiguinho?
- Não.
- Prazer, Milo Seferis. – estendeu a mão antes das palavras de Camus e depois olhou o amante sem entender sua hostilidade. Milo não conhecia Dimitri, não fazia ideia de quem ele fosse.
- Milo Seferis... – o mais velho sibilou as palavras de forma maliciosa, ainda com a mão do jovem entre as suas – É um prazer conhecer um amigo do meu sobrinho...
O loiro grego empalideceu, só então ligando todos os fatos que sabia da vida de Camus. Ficou sem reação e boquiaberto, arregalando os olhos esverdeados. Dimitri então teve a certeza de que Milo sabia tudo que acontecera entre eles, o que o tirava da posição de mero caso e o transformava em alguém importante para o ruivo.
- Vamos, Milo! – insistiu Camus sem paciência, puxando o grego pelo braço e o forçando a soltar a mão do tio que ainda acenou cinicamente enquanto eles entravam no elevador.
- Camus, me desculpe, eu não sabia...
- Tudo bem, Milo. – cortou de mau humor – Como os seguranças deixaram você entrar?
Milo sorriu se recostando de forma charmosa na parede do elevador. Ele estava lindo, numa calça jeans e uma camisa social com as mangas enroladas acima dos cotovelos, azul claro.
- E quem resiste a mim, Camus Verseau? – indagou charmoso, fazendo o corpo de o francês vibrar ao se recordar de cenas pouco castas dentro de outro elevador. Todavia, não tinha tempo para pensar naquilo, precisava voltar ao hospital e ficar ao lado de Hyoga.
- Ninguém seria capaz, Milo. – suspirou Camus – Mas aconteceu algo muito sério. Um amigo do meu filho está hospitalizado e estou indo agora para o hospital, ele precisa muito de mim.
Milo o encarou sério, Camus viu um quê de frustração passar rapidamente por seu semblante, mas foi tão rápido que ele nem soube dizer se realmente aquilo existia ou se foi coisa da sua cabeça.
- Ah, desculpe, eu deveria ter avisado que viria. – disse – Mas o garoto, como está?
- Muito mal, o Hyoga é apaixonado por ele e está desolado. – falou o ruivo.
A porta do elevador se abriu, e eles saíram a passos apressados para o estacionamento.
- Tudo bem, Camus, qualquer coisa você me liga. Melhoras para o garoto. – disse muito sério.
O francês o beijou de leve. Agradeceu e entrou no carro. Suspirou segurando o volante.
"Gostaria tanto que você tivesse se oferecido pra vir comigo..."
Milo caminhou para sua moto, tirando a algema que prendia o capacete e colocando-o sobre os cachos loiros.
"Gostaria tanto que você me pedisse para ficar ao seu lado nesse momento..."
Ambos deram partida em seus veículos e deixaram o estacionamento.
- Uma chance para amar-
Ilana e Hyoga se ergueram quando o médico se aproximou dos dois. Sentiram-se mais aliviado quando ele sorriu de forma cordial.
- Vocês são os acompanhantes de Shun Amamiya? – indagou.
- Sim.
- Ele já está fora de perigo. Deve está deixando a UTI ainda hoje.
Hyoga sorriu feliz, e Ilana chorou se abraçando ao russo.
- Ele é um garoto muito valente. A quantidade de sangue que perdeu não foi pouca.
- Obrigado, doutor. – disse Hyoga.
O médico franziu o cenho.
- Olha, ele estava muito mal e não deixaríamos que morresse, mas advirto que ele deve procurar seus documentos, é arriscado viver dessa forma, poderia ter sido enterrado como indigente se algo ruim acontecesse.
Hyoga e Ilana engoliram aquela informação de forma amarga. Pensar em enterrar Shun era o pesadelo dos dois durante todas aquelas horas.
- Hyoga...
A voz de Shaka o surpreendeu, e ele se virou em direção ao amigo.
- Shaka, o que...?
- O Camus pediu para que viesse. – disse o loiro o interrompendo – Você está bem?
- Sim, estou. – Hyoga mirou o amigo confuso. O indiano segurava forte o braço de um rapaz moreno e mantinha os olhos fechados – O... o que aconteceu a você? – indagou indeciso. Conhecia o gênio do artista e o quanto ele era arisco e reservado.
- Ah, estou cego.
O russo abriu os olhos atônitos. Shaka pronunciou as palavras de uma forma tão indiferente que ele não acreditou que ele falasse sério.
- Como isso aconteceu? – indagou estarrecido e comovido. Sabia que apesar do gênio difícil, Shaka era uma boa pessoa que sempre se preocupava com os amigos, e estava realmente triste por sua situação.
- Problemas de saúde, Hyoga. Mas não vim aqui pra falar deles. – continuou sem paciência – E o garoto como está?
Hyoga bufou um tanto irritado e mirou o rapaz que estava ao lado do amigo, mas que continuava calado com uma expressão taciturna por ser tão terrivelmente ignorado pelos dois.
- Olá, eu sou Hyoga Cignus.
Estendeu a mão, e Shaka resignou-se. Por um momento havia se esquecido que Ikki estava ali, o ignorara totalmente, e o moreno deveria estar uma fera.
Ikki apertou a mão do jovem loiro, mas apenas assentiu com a cabeça. Estava irritado com o comportamento de Shaka e por que não dizer? Com sua familiaridade com aquele rapaz.
- Shaka, eu vou até minha casa e volto para buscá-lo, certo? – declarou se voltando para o indiano.
Shaka cerrou mais forte os olhos, lutando contra o medo que sentia de ficar sozinho no escuro como estava, mas o controlou.
- Tudo bem. – assentiu – Ligo quando estiver saindo.
- Ok. – Ikki disse e acenou com a cabeça novamente para Hyoga num cumprimento básico e se afastou pelo corredor.
O russo pensou em perguntar quem era aquele belo e enfezado rapaz, mas achou que Shaka não lhe responderia, então se calou.
- Você não me respondeu como está o rapaz. – insistiu o artista.
- Melhor. O médico acabou de me informar que ele deixou a UTI.
- Então, eu trouxe sorte. – sorriu o jovem indiano.
Hyoga sorriu também o ajudando a se sentar ao seu lado.
- Você sempre traz sorte, Shaka. – disse.
Apresentou o indiano a Ilana e os três ficaram esperando a liberação das visitas ao paciente. Hyoga sem saber que o irmão do seu amado estivera ali bem perto, ao alcance de suas mãos.
- Uma chance para amar-
Já passava das 10h00min da manhã e Shiryu estava sentado no sofá ainda com a calça do pijama. Não conseguira dormir, sua aparência deveria estar péssima.
Não queria nem ver e nem falar com ninguém. Desligara o celular. Precisava desesperadamente daquele momento de solidão para acalmar seus sentimentos ou explodiria.
Perdera a noção do tempo em que estava ali sentado, com os olhos vidrados para uma TV onde nada via e completamente fora de qualquer tipo de pensamento. Só se libertou do vazio quando ouviu a incessante campainha tocando.
Ao erguer-se do sofá sentiu uma forte pontada entre as sobrancelhas. Deveria estar há muito tempo sem ao menos piscar. Caminhou insatisfeito para a porta e a abriu.
Seiya entrou como um furacão em seu apartamento o deixando atônito.
- Shi, eu sei que você não quer me ver, você desligou o celular e tudo, mas tenho o direito de me explicar! – falava o mais jovem desesperado.
Shiryu cruzou os braços sobre o peito, franzindo as sobrancelhas e deixando escapar um sorriso triste, mas conformado.
- Não há o que ser explicado, Seiya. – disse com calma – Você tem uma namorada e a ama, isso é ótimo! Só que não quero ser o outro nessa história.
- Shi... eu juro...
- Não jura nada, Seiya. Não vai adiantar.
Shiryu continuava parado ao lado da porta aberta, como se esperasse que o outro rapaz saísse.
- Não faz isso comigo, Shi, eu preciso muito me explicar. – pediu o mais jovem desesperado.
- Por que não antes? – a voz do libriano não se alterava. – Por que deixou que eu me sentisse como me sentir ontem? Um idiota?
Seiya passou as mãos nos cabelos castanhos, angustiado.
- Porque estava tentando resolver as coisas com a Saori. Eu juro! Eu... eu iria terminar com ela. Eu... eu estou gostando mesmo de você e não queria te perder... – disse o mais novo desesperado com os olhos marejados – Me perdoa, Shi, me perdoa por favor.
Shiryu suspirou e fechou a porta finalmente. Aproximou-se de Seiya.
- O que quer de mim, Seiya? – indagou – Já não basta o que me fez passar? Imagina o que senti ao vê-lo com aquela garota? Poupe-me de suas desculpas, por favor. Eu não preciso ouvi-las e eu sei muito bem o que tudo isso significa!
- Shi...
- Não me chame assim. – pediu Shiryu suspirando longamente com amargura – Nunca foi real. Nunca foi especial como achei que era...
Os grandes olhos castanhos de Seiya se fixaram em Shiryu.
- Eu amo você, Shi. É mais real do que eu gostaria que fosse. Eu não me sinto a vontade ainda com esse sentimento, pois nunca o havia sentido antes, mas sei que é real e especial. Por favor, acredite em mim.
Shiryu nada disse, deslizou a mão por trás do pescoço de Seiya e o puxou pra si. Seiya sentiu a respiração do mais velho se aproximar devagar do seu rosto, fechou os olhos e se esticou na ponta dos pés, abraçando-o pelo pescoço com força, deixando que o outro sentisse o quanto seu coração estava descompassado e angustiado.
A boca do mais novo foi invadida bem devagar, cada canto sentindo o gosto da língua de Shiryu. Seiya mexia a cabeça de um lado pra o outro para poder sentir melhor, aprofundar mais aquela sensação deliciosa. Seu corpo estava largado sobre os braços do executivo que acariciava lentamente suas costas.
- Acredita em mim, Shi... – gemeu a baixinho apertando mais forte o abraço – Eu não quis te ferir...
- Eu sei, vem cá... – Shiryu o afastou e tomou-lhe a mão entre as suas, o puxando para o quarto.
O mais novo sabia o que ele queria e não protestou, condescendentemente o acompanhou para o quarto.
Seiya nem teve tempo de admirar o luxuoso local, pois foi empurrado na cama e logo sentia o peso do amado sobre si. Shiryu deslizou a mão por todo seu corpo, ainda por cima da roupa. Mirou Seiya nos olhos para ter certeza se deveria continuar e o que viu foi desejo, muito desejo.
Voltou a beijá-lo e agarrando o mais jovem, puxou-o para que ficassem ainda mais juntos de si, mais próximo. Seiya deitou a cabeça para trás, sentindo os longos cabelos de Shiryu acariciarem seu rosto e seu peito à medida que ele descia os beijos por seus corpo, começando a erguer a camiseta que o menor vestia, procurando sua pele bronzeada para fazer trilhas de beijos e saliva.
Em instante sua camisa estava no chão impecável do quarto do executivo, e ele tateava com mãos nervosas o dorso nu de Shiryu.
O mais velho voltou a beijar seu amante com mais fome e luxúria, e Seiya podia sentir sua própria excitação roçar contra a ereção do amado, fazendo-o querer mais. Suas mãos tateavam os músculos das costas, seus dedos enrolavam-se às negras madeixas. O mesmo acontecia ao belo homem de longos cabelos, suas mãos percorriam a pele de Seiya numa fome selvagem, como se quisesse marcá-lo como seu, como se fosse seu único dono.
Uma das mãos de Shiryu desceu pelas costas do rapaz mais jovem entrando por sua calça. Seiya gemeu, entre a excitação e o susto, mas não se afastou um centímetro, por causa da força com que Shiryu apertava sua nádega. O executivo voltou a atacá-lo com seus beijos, ainda mais famintos. Começou a beijar o pescoço de Seiya, fazendo-o gemer de prazer, enquanto seus compridos dedos escorregavam mais para dentro da calça jeans, tocando sensualmente a pele, excitando-o cada vez mais, até chegar à divisão das suas nádegas. Seiya gemeu e tentou se livrar dos braços de Shiryu.
Shiryu se interrompeu e voltou a encará-lo. Seiya estava adorável, o rosto corado, os lábios semi-abertos arfantes e as pupilas dilatadas de desejo.
- Você não quer? – perguntou a voz enrouquecida do mais velho.
- Q-quero... – murmurou o mais jovem envergonhado, mas não foi capaz de dizer que nunca tinha feito aquilo antes. Shiryu não era idiota, ele deveria saber, já que confessara que nunca tinha saído com homens.
Em poucos minutos ambos estavam completamente nus. Seiya já não pensava em nada que não fosse os toques quentes e gentis de Shiryu em sua pele, e o jovem executivo também não se recordava de mais nada que não fosse o desejo que pulsava em seu corpo.
Tomado pela volúpia, Shiryu voltou a beijar o moreno mais jovem, tomando os lábios de Seiya com enorme fome. Puxou o corpo do outro contra o seu, fazendo as peles roçarem-se, aumentando o calor e a excitação. Seiya ofegava e gemia baixinho, de luxuria e prazer. Entre beijos e toques ardentes, ele deixava que Shiryu tocasse-o onde quisesse. Não temia nada, seu corpo, sua pele... tudo só pedia por mais e mais; mais toques, mais carícias ousadas... beijos quentes e molhados... Ele simplesmente deleitava-se com a maneira que Shiryu manipulava o seu corpo e o fazia vibrar como cordas em suas mãos.
Enquanto o beijava e acariciava, deixando próximo do auge de excitação, Shiryu preparava-o para a penetração. Entrava no jovem corpo com seus dedos longos, e Seiya já rebolava sob eles, receptivo, alucinado de desejo, sua ereção roçando na de Shiryu, fazendo-o gemer alto também. O jovem executivo já não estava suportando aquilo, precisava de alívio e não tinha mais como esperar. Sentou-se na cama e puxou o rapaz menor para o seu colo, beijando-o ainda com mais loucura e deixando que a ponta de seu pênis roçasse lentamente na pequena e virgem entrada do seu amante. Ambos gemeram juntos ao sentirem o ousado toque. Shiryu repetiu o gesto, roçando mais uma vez sua ereção contra o corpo do amado, dando a entender o que realmente pretendia. Seiya retribuiu, rebolando lentamente, arfando e gemendo de tesão. O mais velho começou a penetrá-lo...
Ao sentir a dor da penetração, Seiya deixou que um pequeno grito de dor escapasse de seus lábios e afundou o rosto na curva do ombro do rapaz de cabelos negros, tentando sufocar os gemidos teimosos que escapavam dos seus lábios. Shiryu parou paciente, enquanto acariciava as costas do amante e beijava-lhe os cabelos com carinho, dando um tempo para que ele se acostumasse com a invasão, retornando a penetração apenas quando o sentiu mais relaxado. Entrou um pouco mais, ouvindo Seiya voltar a gemer abafado, mas já rebolar um pouco numa tentativa de facilitar as coisas. Estavam muito excitados e ansiosos por aquilo.
Envoltos em beijos, deixaram que a penetração recomeçasse. Seiya largou os lábios de seu amante e gemeu alto, mas não impediu o outro de entrar em seu corpo. Queria aquilo, agora mais do que nunca, apesar de dolorido...
Os dois jovens amantes gemeram juntos quando Shiryu entrou inteiro em Seiya. Ofegavam ao mesmo tempo, extasiados pelo prazer e a excitação. Entreolharam-se; o moreno de cabelos curtos tinha as faces rubras, mas estava belíssimo. Shiryu o admirou um pouco, antes de começar as estocadas. Movimentou-se lentamente dentro do outro, para cima e para baixo. Seiya gemia, entre a dor e o prazer, já totalmente entregue aos braços do amante. O mais velho intensificou as estocadas, tornando-as mais rápidas, mais febris. Suas mãos seguravam firmemente a cintura de Seiya, controlando as subidas e descidas, que já eram bem recebidas pelo corpo menor. O jovem de cabelos castanhos deixou aos poucos de sentir dor, e o prazer tornou-se intenso. Jogou os braços pra trás se apoiando nas pernas do amante e rebolando mais forte, gemendo sem parar, enlouquecido de prazer como nunca experimentara antes. Gritou como um louco quando Shiryu segurou sua rija ereção e começou a massageá-la com a mesma intensidade das estocadas. Gemiam alto de forma totalmente insana e descontrolada.
Depois de muitas estocadas e manipulações, os dois amantes gozaram juntos, gritando e contorcendo-se de prazer. Seiya despejando seu sêmen na mão do mais velho, escorrendo pela palma, caindo entre as coxas de um e o abdômen do outro, enquanto Shiryu preenchia seu interior o aquecendo por dentro.
- Eu te amo, Shi, te amo, te amo... – murmurava Seiya beijando rosto, lábio e os cabelos desgrenhados do amado – Acredita em mim...
- Eu acredito, Seiya, eu acredito... – murmurou o outro o abraçando forte e querendo esquecer tudo que não fosse o que sentiam naquele momento.
Continua...
Notas finais: Minha vontade não era terminar aqui, mas o capítulo já estava insano de gigantesco.
Espero que tenham gostado. E quem diria que o primeiro verdadeiro lemon da história seria desses dois hein?
Hum... Novos personagens, novas tramas, no que isso vai dar, hein? Veremos.
Ace, Danieru, yuy, saorikido, Pandora Hiei, anapanter, Maya Amamiya, Maah_Rossi, Arcueid, Meyzinha, Marry-chan, Keronekoi, Hannah Elric, milaangelica, Virgo Nyah, Graziele Kiyamada, Draquete Ackles Felton,
Obrigada pelos reviews deixados de coração.
Abraços afetuosos!
Sion Neblina
