SO1E14 Hell-O
Ryan estava no banheiro feminino do William McKinley High School. Sua prima acabara de receber uma raspadinha na cara. De novo. E é claro que o arrastou para o banheiro a fim de ajudá-la a limpar o rosto todo sujo.
- Não acredito que fizeram isso. Ganhamos as seletivas, o que mais eles querem que a gente faça? - perguntava ela com a cabeça inclinada sobre a pia.
- Que nasçamos de novo e sejamos igual a eles. Não tente entender os jogadores idiotas...
- Nem todos os jogadores são idiotas! - ela disse.
- Claro, porque Finn é o exemplo de poço de inteligência - respondeu.
- Ele não é tão ruim assim.
- Ele achou que o espermatozóide dele viajou em uma banheira de hidromassagem!
- Ok, isso foi bem idiota - disse Kurt da pia ao lado. Ele limpava Mercedes enquanto esperava sua vez.
- Até o Kurt concorda com isso - respondeu.
- O que você quer dizer com isso? - perguntou o outro ofendido.
- Nada - Ryan disse rindo. - Você está limpa, posso ir agora?
- Ainda não - ela secou o rosto com uma toalha que sempre trazia para situações como essa. - Seu pai não comentou nada sobre a escola de música?
- Nada... - ele deu de ombros. - Achei até estranho, nenhum comentário, nenhuma ameaça. Ele nem briga mais quando chego atrasado em casa para praticar, o que tem acontecido todos os dias.
- Será que ele descobriu? - perguntou Mercedes.
- Se ele tivesse descoberto, estaria morto agora. Não, ele provavelmente está assimilando a ideia de que não entrarei para aquela escola. Daqui a pouco ele aparece com outra e tenho que fingir que estou tão animado quanto ele.
- Só para você saber, não o conheço, mas já odeio seu pai - disse Kurt.
Mercedes o encarou. - Você não é o único.
x.x.x
- Alô - dizia William no primeiro dia de ensaio do glee desde o spring break. Ele havia desenhado um boneco com um balãozinho escrito olá no quadro branco. - Olá?
- Alô - responderam os alunos.
- O que dizem quando atendem o telefone? - perguntou.
- E aí! - disse Mercedes.
- Quem fala? - disse Artie.
- Não, ela morreu. Quem fala é o filho dela - disse Kurt.
- Fala rápido antes que meu pai pegue a extensão - disse Ryan e todos encararam ele. - Na maioria das vezes é a Sophia ou a Rachel. E ele não quer ouvir o que nenhuma delas tem a dizer.
- Certo. Alexander Graham Bell, inventor do telefone dizia "ahoy, ahoy" ao atender um telefonema - disse o professor.
- Isso sim é uma informação inútil - comentou Sophia fazendo Ryan e Puck rirem.
- Foi Thomas Edison - continuou ele - que decidiu que "alô" era uma saudação mais apropriada. Estou muito orgulhoso do que fizeram nas seletivas, mas como já devem ter percebido, pouca coisa mudou na vida escolar.
- Nada é mais apropriado - disse Ryan.
- Tenho um sutiã manchado de raspadinha para provar - disse Rachel.
- Lembra do que disse sobre informações desnecessárias - disse Sophia. - Era disso que eu estava falando.
- A questão é que teremos que ser melhores, ainda mais espetaculares nas regionais. É hora de reinventar, de um novo "Novas Direções". Precisamos de um novo "alô". Aqui vai a tarefa da semana. Tragam um número novo, mas que tenha "alô" no título da música. Certo?
x.x.x
Ryan chegou na escola furioso no outro dia. Nem com Sophia ele falou quando ela passou por ele. A garota achou tão estranho que teve que segui-lo, mas quando ele entrou no vestiário masculino, ela parou.
Lá dentro, o local estava vazio. Só Finn estava lá.
- O que diabos - gritou ele, quando foi empurrado por Ryan.
- O que você acha que está fazendo? - Ryan gritou.
- Eu ia tomar banho e você chegou igual um louco.
- Eu tive que ouvir Rachel chorar a noite toda porque você não é homem o suficiente para assumir seus sentimentos por ela ou mesmo lidar com eles. Agora você rompeu o coração dela por quê? Por nada! Porque você é um idiota.
- Você não pode falar assim comigo - disse Finn.
- Não, eu queria falar pior, mas ainda tem um vestígio de amizade que me impede de quebrar sua cara. Agora me escuta, fique longe da Rachel. Ela é frágil e gosta mais de você do que imagina. Mas se você não é homem suficiente...
- Para de falar isso!
- É a verdade! Fique longe dela - ele saiu tão furioso quanto entrou no banheiro e encontrou Sophia lá fora. Ela tinha os braços cruzados, o encarando.
- Desculpe, mas não agora - ele tentou sair.
- Não sou eu que quero falar contigo. Sra. Silvester quer você na sala dela agora. E depois, querido, vamos ter uma conversinha...
x.x.x
Ryan sentou na sala de Sue olhando em volta. Aquela sala sempre lhe dera medo, desde de seu primeiro dia na escola. Não entendia como Sophia tinha coragem de lidar com a mulher há tanto tempo. Ela era completamente psicótica e todo mundo sabia disso.
- Olá, garoto dos dedos - disse ela.
- Garoto dos dedos? - ele a olhou sem entender.
- Quando eu pensar em um apelido melhor, te aviso. Por enquanto é garoto dos dedos. Como você está?
- Bem - respondeu desconfiado. - Mas tenho certeza que não estou aqui por isso. Afinal nunca falou comigo em 1 ano e meio que estudo aqui.
- Você é perpicaz - disse ela.
- Só não gosto de enrolação. O que você quer?
- Bem, então vamos direto ao assunto. Eu sei que você deixou a apresentação que seu pai tanto queria por causa do glee. Sei também que ele não tem ideia da idiotice que você está fazendo.
- E daí? - ele tentou fingir que não se importava, mas estava na cara que era o contrário. Ele estava morrendo de medo. E ela sabia disso.
- E daí que você está na minha mão agora e vai fazer o que eu quizer. E eu quero o término do seu namoro com a Puckerman.
- O quê? Por quê?
- Porque eu quero - ela disse dando de ombros. - Você simplesmente não tem nada a ver com isso.
- Não é justo. Você não pode fazer isso! - ele estava indignado. Como uma professora poderia fazer algo assim?
- Já estou fazendo, não percebeu? Você tem um dia e se não terminar com ela, seu pai receberá uma ligação não muito agradável - ela pensou um pouco. - Bem, pelo menos não para você.
x.x.x
No ensaio, Ryan se sentou ao lado de Sophia e encarava a garota, sem saber como dizer o que tinha que dizer. Ele não queria terminar, mas não tinha outra opção. Ele tinha que fazer aquilo ou seu pai o mataria. Pelo menos por enquanto, até que ele descobrisse algo sobre Sue e tirasse o poder que ainda tinha sobre ele.
Pensava tanto naquilo que nem ouviu sua prima falando ao lado dele, só a percebeu o puxando.
- O que você quer? - ele perguntou confuso.
- Que você cante.
I wake up every evening When you see my face,
With a big smile on my face
And it never feels out of place
And you're still probably working
At a nine to five pace
I wonder how bad that tastes.
Hope it gives you hell, hope it gives you hell.
When you walk my way,
Hope it gives you hell, hope it gives you hell.
Ele realmente não sabia porque estava cantando aquilo, mas confessava que tinha adorado. Só não gostou do esporro que o professor deu depois do acontecido.
x.x.x
Rachel estava deitada em seu quarto com o pensamento longe. Bem, não tão longe. Ela pensava em uma certa música que tinha cantado naquele dia. Mesmo sabendo que não deveria estar pensando nisso.
Ouviu batidas na porta e logo viu seu primo entrar no quarto.
- Você não está chorando - ele disse estranhando.
- Não, não estou - ela concordou.
- O que houve?
- Nada - ela mentiu.
- Você ficou chorando 24h por dia desde que Finn terminou com você e agora parou do nada. Alguma coisa aconteceu...
- Eu... Conheci alguém... - ela corou.
- Quem? - ele estava surpreso. Ela tinha superado Finn bem mais rápido do que ele esperava, considerando o quanto ela tinha enchido o saco dele desde que o conhecera.
- Seu nome é Jesse e...
- E ele é o líder do Vocal Adrenaline. Sério? Quantos caras você vai deixar entrarem na sua vida e partirem seu coração? - ele perguntou nervoso.
- Para! - começou chorosa.
- O que você esperava que eu fizesse? Te desse os parabéns? Você sabe que é estupidez ou já teria desenhado corações com o nome de vocês em todos os lugares daqui. Você precisa acabar com isso.
- Você não diz o que eu faço ou deixo de fazer! - ela gritou.
- Eu sei, mas devia! Porque vejo você fazer burrada atrás de burrada e você nunca me escuta - ele tentou se acalmar, respirar fundo, mas não conseguia. Estava cansado de sempre ver a prima sofrer e saber que, na maioria das vezes, era culpa dela. - Pra mim, chega! Você quer ser idiota e ficar com esse cara, não posso fazer mais nada. Mas quando ele acabar com você, não venha chorando para o meu lado, porque vou ter um "te avisei" guardado pra você - ele começou a sair do quarto dela.
- Não me importo! - gritou ela, antes de bater a porta. Estava com tanta raiva que parecia que ia explodir.
x.x.x
Ryan chegou na escola no dia seguinte sem falar com Rachel. Eles dividiram o carro com sempre faziam, mas ambos estavam emburrados e mal se olhavam.
Ele caminhou para sua sala de aula, mas foi puxado por alguém para o auditório e, pelo beijo que recebeu em seguida, só podia ser uma pessoa.
- Sophia - ele disse. - O que você está fazendo?
- Preciso falar com você. Está estranho desde ontem e vi a cara da Rachel quando saiu do seu carro. Aconteceu alguma coisa?
- Não - ele mentiu.
- Você sabe que eu te conheço melhor do que isso, não é? - ela sorriu. - Mas não vou te pressionar. Pelo menos por enquanto. Quero te mostrar o dueto que encontrei para a gente mostrar no glee.
- Dueto?
- Sim, olha.
Ela pegou o radinho que estava ao seu lado e ligou. Entregou a partitura para o namorado e, quando a música começou, juntou-se a ela cantando.
Música: Say Hello - Rosie Thomas If I find him If I see her standing there alone There's an airplane in the sky
If I just follow
Would he hold me and never let me go
Would he let me borrow his wool winter coat
I don't know, I don't Know
At the train station, three stops from her home
I have half a mind to say what I'm thinking anyway
But I don't know, I don't know
With a banner right behind
"Loneliness is just a crime
look each other in the eye
And say hello-o-o-o-o
and say hello-o-o-o-o"
- Eu tenho que terminar com você! - ele disse meio assustado quando a música acabou.
- O quê?
- Me desculpe, mas...
- Você não pode terminar comigo. Você não vai terminar comigo! - ela disse meio perturbada.
- Sophia, me desculpe, mas...
- O que houve? - ela começara a chorar, o que o desestabilizou ainda mais. - Por que você está fazendo isso comigo?
- Por que não está dando mais certo e...
- Mentira! Alguma coisa aconteceu e você não quer me contar. O que aconteceu? Me diz...
- Sue descobriu sobre as seletivas! - ele gritou. - E ela disse que se eu não terminasse com você, ela iria contar para o meu pai.
- E você vai terminar comigo por causa disso?
- Não tenho outra opção. Meu pai me mata se descobrir. E seria apenas temporário, até que eu conseguisse reverter essa situação.
- E o quê? Eu ficaria à sua espera, à sua disposição enquanto você resolvia isso? Você é um idiota! - ela já parara de chorar. O que ela sentia agora era raiva.
- Por favor, entende que não quero terminar você. Eu...
- Fingimos. Nós fingimos que terminamos e continuamos juntos até resolvermos isso. Por favor, você não pode me deixar.
- Você acha que isso pode dar certo?
- Não sei. Mas temos que tentar - ela disse, pegando as mãos dele. - Nós temos que tentar.
x.x.x
Ryan estava se arrumando para o ensaio do Glee. Eles sempre tinham essas apresentações com o figurino quando não tinha ninguém para assistir. Ele passou por Rachel. Sabia que ela ainda estava com Jesse, ela não poderia esconder isso dele. E também sabia sobre a conversa dela com Finn. Mas ele apenas passou direto, sem falar nada.
You say Yes, I say No Oh No
You say Stop but I Say Go, Go, Go
You Say Goodbye and I Say Hello
Hello, Hello
I Don't Know Why you Say Goodbye
I Say Hello, hello hello
I don't know why you say goodbye
I say hello
