Os Garotos / Ano 2
Capítulo 13 – Normalidade
Revisado por Akito-sou-sama
Yumihito caminhava a passos firmes pelo corredor de frondosas árvores do imenso jardim da mansão imperial. Contudo, nem a beleza exuberante do ambiente não fora capaz de amenizar seu estado de ira, simplesmente, porque não conseguia engolir o fato de Shun e Hyoga estarem, realmente, namorando.
Como aconteceu? Aonde havia errado?
Avistou Ken adiante, sentado em um banco com o tripé em uma tela montados a sua frente, em uma das mãos a paleta de tinta, onde provavelmente, tentava captar a beleza da paisagem. Para o filho do imperador, aquilo ainda era estranho: Ken, um jovem totalmente avesso ao sistema, ser um artista. Não conseguia imaginá-lo delicado suficiente para tal dom. Todavia, não entraria na questão com o mesmo, seu foco era outro. O rebelde era apenas uma das peças que necessitava para chegar ao seu verdadeiro objetivo. Não iria mais deixar-se distrair e perder tempo enquanto Shun se tornava cada vez mais distante.
Chegou ao meio do jardim e paralisou-se do lado do rapaz sentado, que não se dera ao trabalho de lhe dirigir nem um mero olhar. Ele continuava com os orbes acinzentados fixos na tela, analisando as cores frias que utilizara para colorir a paisagem que na verdade, era repleta de tons quentes.
- O que achou? – perguntou, repentinamente, mais a esmero do que para pessoa próxima de si.
- Sem sentido. – o herdeiro real respondeu sincero. - Afinal, nunca vi árvores azuis...
- Você é mesmo um grosso, sabia? – Ken esbravejou ofendido. - Não consegue enxergar a essência da arte?
O príncipe firmou suas duas mãos nos ombros do jovem de cabelos negros e, curvando-se até alcançar os ouvidos dele, sussurrou:
- Dane-se a sua arte. Eu prefiro um milhão de vezes seus outros atributos.
Ken até sentiu um certo arrepio ouriçar sua nuca, mas não fora suficiente para despertar seu instintos sexuais, se era esse o desejo do cúmplice. Para ele, as palavras de Yumihito ainda eram grosseiras, afinal, ele não dera a mínima para sua pintura e ainda o criticara.
- O que você quer, Yumi-chan? – Ken puxou seus ombros de volta, empregando um tom mal-humorado na voz – Você não está com a cara boa.
- Não tenho por que estar. - o rapaz endireitou-se, ficando ereto novamente.
- Por quê?
- Yukihiro acabou de me trazer as novas do colégio e... Preparado para ouvir?
O jovem de tez parecida com a de Shun, virou-se no banco onde estava para ficar de frente ao herdeiro real; fixou seus olhos nos castanhos a sua frente. Havia muito sarcasmo na voz dele, queria saber o motivo de tal. Largou a paleta e o pincel na banqueta ao lado do tripé que sustentava sua tela e cruzou os braços no peito e em um erguer de queixo, pediu:
- Desembucha! O que aconteceu? Eu não tenho bola de cristal!
- Shun e Hyoga... - o príncipe fez uma pausa, para então, pronunciar de uma vez: - Estão namorando.
Ken entreabriu os lábios com a notícia e ficou assim por um momento, até que a informação processasse em seu cérebro, franziu as sobrancelhas e sorrindo meio de lado, meneou a cabeça em um não.
- Isso não pode ser possível.
- Mas é.
- Como? Quando aconteceu? – gritou para o outro, levantando-se exasperado. – Aquela coisa de porcelana... aque- aquele bonequinho perfeito de cera não era hetero? Ele não namorava uma garota?
Yumi torceu os lábios e balançou os ombros, para em seguida, responder:
- Não sei... parece que nossas fontes estão totalmente furadas.
Ken riu desajeitadamente, passou as mãos nos cabelos castanhos escuros e não suportando a raiva que o tomou, chutou o suporte de madeira fazendo seu trabalho tombar. Com os olhos vermelhos, observou Yumihito, apesar do semblante contraído, ele estava em silêncio, analisando-o.
- Quando aconteceu, Yumi? Há quanto tempo eles estão juntos?
- Já disse que não sei. – o príncipe revirou os olhos nas órbitas, demonstrando-se não paciente com as perguntas repetidas do outro. - O Yukihiro só me informou que ouviu a conversa de Shun, que estava dando um fora em alguma garotinha idiota qualquer da escola... – ele gesticulou um aceno com a mão, como se quisesse dizer que aquilo não importava mais e, assim, prosseguiu. – E também, não me interessa saber "quando", "como" e nem o "porquê"... Isso não vai nos ajudar em absolutamente nada. A única coisa que sei no momento, é que precisamos parar de brincadeira e agir. Estamos perdendo tempo, Ken! A partir de agora, a cada minuto perdido, o namoro deles irá se fortalecer!
- Você me prometeu, Yumi... – Ken crispou os punhos, encarando o príncipe.
- Eu prometi, mas desde que me ajudasse! Por um acaso, você fez o que eu pedi? Você tentou se aproximar do Shun?
- AH! Isso é muita idiotice! Primeiro: como vou me aproximar do boneco de porcelana do nada? E pior: eu e ele, amigos? Yumi, somos in-com-pa-tí-veis! – silabou Ken, batendo com o dedo indicador no peito do príncipe. – Será que você é tão retardado que não enxerga? Eu NUNCA vou conseguir ser amigo daquela coisa sem sal... sem cor, sem nada! – ele gritava, totalmente transtornado, batendo com as mãos espalmadas no tórax do parceiro.
O príncipe por sua vez, sentindo as pancadas doloridas no peito, apanhou os dois punhos dele e os virou com força, até ouvi-lo praguejar.
- Porra, Yumi! Solta meus punhos! – exigiu aos berros. - Tá tentando quebrar as minhas mãos! Me solte, merda!
- Cale a sua boca suja e me ouça, Ken! - o príncipe pediu em um tom firme, porém, bem mais silencioso do que do outro.
Ken balançou a cabeça, afirmando que iria, e foi solto.
- Eu tive uma ideia para que você comece a agir.
- Então, fale logo! Eu não vou suportar perder o Hyoga para... – Ken não suportou a raiva que incandescia seu âmago, mordeu o lábio inferior tentando segurar, mas não conseguiu, as lágrimas desceram seu rosto. Não costumar chorar, mas sempre vira em Hyoga a solução para sua vida. Ele era a pessoa correta que desejava tirá-lo daquela vida. Na realidade, foi esse objetivo que o motivara a se aproximar de si da primeira vez. Ele foi a primeira pessoa que se importou verdadeiramente consigo.
- Ken... - o filho do imperador se aproximou do outro, tocando-lhe a face e fazendo uma breve carícia. Amava quando Ken demonstrava fragilidade, eram momentos raros, mas que o fazia parecer ainda mais com o seu Shun. Sentiu a vibração do desejo consumi-lo. Moveu-se rápido, guiando Ken até encostá-lo em uma das árvores do local e encaixou seu ventre ao dele, fazendo um movimento circular, mostrando o quanto o volume em sua calça havia crescido. - Você acha que eu quero perder o Shun? – perguntou em um sussurro, enquanto depositava um beijo úmido no pescoço do seu cúmplice, e sorriu, ao percebê-lo estremecer. – Eu amo essa sua expressão de desespero, Ken... - continuou, erguendo a camisa dele e depositando beijos em seu tórax.
Ken mordeu os lábios, odiava aquilo. Odiava ser "o substituto". Odiava seu corpo por aceitar as carícias de alguém que só o consumia pensando no outro. Apesar de desejar o belo loiro de olhos cor céu, nunca conseguiria transar com o Yumihito imaginando-o em seu lugar. Os dois eram infinitamente diferentes para si. Soltou um gemido ao sentir a boca do príncipe que já abrira sua calça, engolfar seu membro. Levou as duas mãos nos cabelos dele e apertou os fios castanhos.
- Ahhh, Yumi... me conta logo qual é seu plano...
O príncipe de início não deu ouvidos ao pedido de Ken, manteve a sucção intensa no membro do outro e também, aproveitou para prepará-lo, introduzindo um dos seus dedos na cavidade anal do mesmo. Em questão de segundos o rebelde já estava entregue, os dois deitaram nus no chão coberto por folhagens, e, enquanto Ken cavalgava sobre o membro intumescido de Yumihito, - quase perdendo os sentidos ao sentir-se dominado pelos espasmos do orgasmo -, o herdeiro real começou a expor suas ideias, sem saber que ali perto, escondido atrás das árvores, alguém ouvia tudo o que se passava.
"Então, esses dois só uniram forças por um motivo em comum..." – Spike sorriu de lado, enquanto rodopiava o cigarro apagado entre os dedos. "Hm... Será que vou ter que fazer esse bendito Ken saber o que é um homem de verdade?"
...
No apartamento da Doutora Kanagawa, enquanto Ryu terminava de preparar o jantar, Erika colocava à mesa, ouvindo as reclamações do namorado sobre o "filho" rebelde.
- Mas, Ikki-san...
- Me chame só de "Ikki", Ryu, pelo amor dos deuses do Olimpo, eu não sou um velho! – reclamou.
- Ah, Certo, Ikki. Eu também fiquei com dúvidas quando chegou a hora de prestar o meu primeiro vestibular, esse tipo de confusão é normal.
- É verdade. – Erika reafirmou, depositando um dos três pratos que trazia junto ao peito, sobre a mesa, na frente do namorado. – O Ryu nem chegou a prestar o vestibular, o primeiro foi apenas como treineer.
- Achei melhor dar um tempo. – o caçula da doutora retomou a palavra. - Pensar melhor, sabe? E, enquanto me decidia, para não ficar parado, comecei um cursinho pré-vestibular.
- Aonde você fez o cursinho, Ken? – Ikki quis saber.
- Eu tenho um cartão na minha mochila, vou lá pegar pra você. – o jovem informou, retirando o avental e depositando-o sobre o balcão; saindo as pressas da cozinha. – Onee-san, coloca meu molho na mesa.
- Obrigado, Ryu. – Ikki agradeceu e levantou-se, antecipando-se ao pedido do rapaz, pegou o pano de prato que estava sobre a pia e apanhou a caçarola com o molho italiano que Ryu havia preparado para o fetuccine. Sabia o quanto Erika era desastrada nas coisas domésticas. - Deixa isso comigo.
- Obrigada. – ela sorriu desconcertada, com a presença do namorado tão próxima de si. Não cansava de repetir para si mesma que Ikki era um homem perfeito. Além de todos os dotes físicos, era prendado e dedicado a família. Sempre quando o tinha tão perto, sentia-se protegida, aquecida.
Ele depositou a panela ao centro da mesa, e após devolver o pano onde estava puxou a namorada pela cintura, fazendo seus rostos se aproximarem.
- Desculpe se só venho lhe trazer meus problemas... – ele pediu, já sentindo a palpitação acelerada do coração dela.
- N- não há problema algum. Seus problemas são meus também, Ikki.
Ikki sorriu. Amava o jeito singelo de Erika. Ela era uma mulher muito especial. E modesta, não se dava conta daquilo. Aproximou-se dos lábios dela e os tocou com os seus, tomando-os de vagar, deixando-se seus corpos se aquecerem ainda mais.
- Aqui es...! – Ryu se interrompeu ao adentrar a cozinha e ver que a irmã e o cunhado estavam embalados por um momento íntimo. Sorriu de lado e largou o cartão sobre a mesa; avisando-os: - Não se detenham por minha causa, ok? Podem continuar com esse... entrelaçar de línguas...- ele franziu as sobrancelhas, ao perceber que o homem mais velho, afundava-se na boca da mais velha. Balançou a cabeça negativamente, então, decidiu deixá-los a sós. - Eu vou tomar banho! Não tô com fome mesmo...
E ali, atiçados pelo aroma delicioso que exalava das panelas, aquecidos pelo calor do ambiente, Ikki e Kanagawa continuaram se alimentando dos lábios um do outro, matando a fome dos desejos que os consumiam, abusando do tempero essencial para o sucesso e a degustação prazerosa de qualquer prato principal: o amor.
...
No outro dia, pela manhã, na mansão CDZ...
- MAS O QUE DIABO É ISSO?
Todos os integrantes na mesa do café da manhã abafaram seus ouvidos com as mãos após o berro do mais velho.
- Era o que faltava! – Ikki continuou gritando, girando nos calcanhares e parando de frente a Hyoga, com as mãos na cintura. – Que bando de porcaria é essa no seu rosto, Hyoga? Além de não fazer a prova do vestibular, você me aparece aqui como se fosse uma réplica do Juashi?
O loiro abriu a boca para se defender, quando de repente, a atenção de todos recaiu para a pequena Anina que adentrara a casa de maneira repentina.
- Bom dia, família! Parece que acordamos agitados hoje, né não, grandão? – a jovem siberiana parou toda sorridente ao lado do Ikki bufante e o cutucou com o cotovelo, fazendo os demais da mesa se sobressaltarem. Anina não tinha noção no nível de periculosidade ao qual estava exposta.
- Como você entrou aqui dentro, pirralha? – Ikki voltou-se para ela, com a feição ainda mais contraída
- Eu... Arrombei a porta de certo? – ela sugeriu, levantando as palmas das mãos para cima e sorrindo, em um tom óbvio de brincadeira. Porém, ao perceber que Ikki mantinha-se sério e os outros integrantes com ares assustados, espalmou a mão nas costas de Ikki e pediu: – Calma, paizão! Relaxa. A porta estava aberta.
- Fui eu! – Seiya ergueu-se. – Eu fui colocar o lixo na rua, devo ter largado aberta.
- É isso... Viu? – a loira apontou para Seiya. - Qual é o motivo dessa carranca fechada logo de manhã?
- Não me venha...
- Hyoga! - Anina o interrompeu a fala do mais velho. - O que houve com a sua aparência?
- Eu...
- Não, não, não! Tá horrível! Tá muito carregado. Eu até gosto de pircings, mas não precisa exagerar... Vem, vamos até o seu quarto, vamos dar um jeito em metade deles. – ela pegou a mão do loiro, que ainda estava em pé no meio da cozinha e o puxou.
- Eu não quero os dois sozinhos no quarto, Anina! – Ikki a advertiu.
- Ah, minha nossa! É mais chato que o velho do meu avô que tem quase duzentos anos. Já que não podemos ficar sozinhos, o Seiya, o Shun e o Shiryu podem vir juntos! Você não. – ela apontou para o Ikki. - Termine de fazer o café e acrescente mais um prato na mesa. Daqui a pouco voltamos.
Seiya levantou-se abafando o riso com as mãos e seguiu o casal que já subia as escadas. Shun deu uma última bebericada no copo de iogurte natural, e, sem olhar o irmão, seguiu Seiya. Shiryu terminou suas torradas e tomou o restante do chá em um gole.
- Vou deixar essas coisas de "novo visual" pra quem entende de moda. Tenho que dar aula, até mais tarde! – o chinês seguiu para a porta de saída da casa.
Ikki pôs as mãos na cintura e esturrou sozinho.
- Eu ainda mato essa versão feminina do Seiya!
...
Após alguns minutos e de barriga cheia, os quatro deixaram a casa animadamente. Hyoga estava com o cartão que Ikki lhe dera, o mais velho ficou menos estressado após vê-lo sem os brincos, os anéis e o pircing na sobrancelha. Ikki indicara o mesmo curso pré-vestibular feito por Ryu, assim, havia incluído o local na lista de locais para visitar naquele dia.
Seiya, eufórico, dizia que havia se tornado mais fã da loira siberiana, devido a atitude corajosa dela em não ter medo de "peitar" o mais velho.
- Anina, sério, eu sou seu fã! Me dá um autógrafo.
- Larga de ser bobo, Seiya! Não fiz nada demais. – ela rebateu, com as bochecha rosadas.
Mas a atenção de Seiya se desviou para rua, ao ver o amigo do Hyoga, no veículo da mãe dele, estacionar na frente da casa deles.
- Fala aê, galerinha do bem! Tudo em 'riba? – Juashi cumprimentou-os após abaixar o vidro da sua janela. - Fala, mano Seiya!
- E aê, Jua! – Seiya o cumprimentou com um bater de punhos. – Tudo bem?
- Na santa!
O amigo de Hyoga observou Shun do lado do loiro, então decidiu cumprimentá-lo mais formalmente, afinal, ele era "o gato" do amigo, por mais estranho que ainda achasse aquilo. Puxou o freio de mão, deixou o carro funcionando e desceu, indo na direção do casal. Então, estendeu a mão para pegar na do Shun.
- E aí, Ouji-sama? – disse, depositando um beijo no dorso da mão dele, fazendo Shun enrubescer-se.
- Juashi-kun...
- Larga de graça, Jua! – Hyoga reclamou, desvencilhando-os.
- Qualé, Lorão! Só tô sendo educado com seu gato, meu!
Desta vez, foi Hyoga quem ficou com a face corada devido a indiscrição do amigo.
- Então, esse é o famoso Juashi que vocês mencionaram? O tal que ajudou Hyoga na nova aparência?
O amigo do loiro franziu as sobrancelhas. Olhou de um lado, depois o outro, não viu nada. Só os amigos. Então, ele colocou a mão no queixo e resmungou preocupado:
- Tô ouvindo vozes?
- Aqui, babaca! – Anina, enraivecida pisou no pé do rapaz, fazendo os outros caírem na gargalhada.
- Ai meu pé! Ué, e aê pingo de gente? Não tinha de visto, não! Mas puta merda, você até que é bem bonitinha, hein? Quantos anos têm, criança?
- Eu vou te mostrar quem é criança, seu débil!
- Ei, Jua! Melhor não provocá-la, você não a quer como sua inimiga. – Seiya comentou.
- Acredite, ela já tem quase a nossa idade. – Hyoga elucidou, fazendo o outro entreabrir os lábios.
Antes que a situação se tornasse mais densa, Shun se interpôs entre eles.
- Precisamos ir, vamos chegar atrasados.
- Eu deixo vocês na escola, príncipe. – Juashi se ofereceu.
- Não queremos incomodar, Juashi-kun.
- Nem! Larguem de formalidade. Pra dentro do Okaa-san-móvel, cambada. Mas... a gatinha vai na frente comigo.
- Agora eu sou gatinha, né? Achei que fosse uma anã, tampinha, ruela de poço, pintora de rodapé...
- Ô gatinha, eu não disse tudo isso não, aê! Tu é complexada, é? Mas se liga na parada! "É nos pequenos frascos..."
Anina ergueu-se nas pontas dos pés e conseguiu tampar a boca do amigo do loiro, antes que esse continuasse a proferir a bobeira que iria dizer.
- Continue com esse dito horroroso, magricelo-gigante-esquisito, e você vai ver como ser baixinha tem suas vantagens na hora de atingir os pontos fracos masculinos.
O outro esbugalhou os olhos, resmungou e fez sinais negativos, enquanto suava frio. Após os demais rirem do apuro do amigo de Hyoga, se acomodaram no veículo e partiram.
...
Ikki aproveitou que as aulas da faculdade ainda não tinham retornado e seguiu para o escritório de Advocacia onde iria estagiar. Estava ansioso com aquela nova etapa da sua vida e, como o lugar era de renome, tinha ótimas expectativas para o seu futuro no lugar. O ex-guerreiro ajeitou a gravata após descer do carro e rumou para o pequeno escritório.
Ao adentrar a recepção, sorriu gentilmente para senhora que deveria ser a secretária, entreabriu os lábios para cumprimentá-la, porém, o baque da porta atrás dela se abrindo e o garoto efusivo que a transpassou, o fizeram voltar a fechá-la sem se pronunciar. No encalço do rapaz, que Ikki se lembrara ter lhe sido apresentado como Keitaro Omeda, - irmão caçula de um dos donos do escritório e estagiário – veio o sócio mais velho.
- Eu quero redija está porcaria! – o homem jogou o maço de papéis que tinha em mãos na mesa onde o garoto se acomodara. – Refaça conforme os parâmetros que eu lhe passei! Você sabe muito bem que odeio trabalho desleixado, Omeda! Aproveite e arrume essa sua mesa, está uma zona.
Ikki franziu o cenho diante do tom ríspido que o homem usou com o outro estagiário, e mais ainda, após vê-lo encará-lo com a mesma feição contraída.
- Amamya? Eu não o esperava aqui agora cedo.
- Como as minhas aulas não retornaram, achei que poderia vir mais cedo para aprender melhor o trabalho que vou desenvolver.
- Gostei da sua atitude. Parece mais interessado que outros. – o homem ainda fez questão de alfinetar o rapaz que o olhava emburrado. – Venha até aqui, vamos conversar. – o advogado colocou a mão no ombro de Ikki e o direcionou para sua sala.
Ao entrarem, o senhor Kitame apontou a cadeira a sua frente. A sala dele era ampla e bem refrigerada. Havia uma estante que ocupava a parede lateral direita com inúmeros volumes, provavelmente, da área de Direito, na parede contrária, quadros emolduravam meia dúzia de diplomas e alguns recortes de jornais, certamente, provas do quanto aquela pessoa era competente na área de Direito. Mesmo assim, Ikki não gostou da forma como ele havia tratado o seu colega de estágio, não pelo fato dele ser exigente e pedir que o garoto refizesse o trabalho de acordo com suas normas, mas sim, destratar alguém por sua inexperiência diante de outros; sentou-se.
- Primeiro: não se sensibilize com o Keitaro. – o homem foi direto. - Você ainda não o conhece para fazer essa expressão de: 'coitado do pobre estagiário, sendo humilhado pelo chefe grosseiro'. Esse garoto é um folgado. Mas não o culpo, é a genética da família, o Yashiro nunca foi um bom exemplo. Mas existe algo que diferenciam os dois irmãos nesse momento: experiência. Mesmo sendo um desleixado e despreocupado, Yashiro tem lábia e talento para ganhar as causas. Só que esse brilhantismo se deve em partes ao fato de eu nunca ter deixado de pegar no pé dele. Então, não pense que estou desmerecendo o Keitaro. Acredito nos genes que ele carrega em seu sangue, mas ele precisa de alguém de pulso firme, assim com o irmão precisou, para direcioná-lo ao sucesso profissional.
Ikki engoliu qualquer réplica que havia se formado em sua mente. Também se lembrou do outro sócio ter comentado consigo que o mais velho era um homem do tipo durão, por isso, compreendeu o ponto dele.
- Entendo. – respondeu categoricamente.
- Ótimo. Segundo: eu quero que você ocupe aquela mesa.
Ikki espantou-se ao olhar o local que o homem apontava. Não pensou que iria dividir a sala com um dos chefes.
- Achei que o senhor Omeda ocupasse aquela mesa.
- O Yashiro tem uma sala para ele, bem menor que essa, mas tem. Afinal, ele quase não para aqui. Então, quem fica comigo aqui na sala é o meu estagiário direto.
- Eu serei esse funcionário? – Ikki se sobressaltou ainda mais ao imaginar a dimensão da sua incumbência. - Esse cargo não deveria ser do Keitaro? Afinal, ele está mais tempo aqui, além de ser o irmão do sócio do senhor.
- Escute, Amamya, eu já dei uma oportunidade ao Keitaro, ele reprovou no meu teste. Por isso que solicitei outro estagiário. Agora este lugar é seu, e caberá a você permanecer nele. Então, está pronto para ocupar seu lugar ou não?
Ikki engoliu em seco. Porém, não era de se intimidar tão facilmente, afinal, ninguém naquele mundo deveria ser mais severo e intransigente que seu ex-mestre na ilha da Rainha da Morte.
- Mais do que pronto. – confirmou.
- Perfeito. – o homem levantou-se, parecendo satisfeito com a resposta. – Agora, sente-se no seu lugar, que vou lhe passar o que precisa ser feito, além de lhe explicar como o nosso escritório funciona e como é a minha rotina diária.
- Certo.
...
Na Kanagoe Fuji, os líderes de sala após a reunião com a direção, transmitiram aos seus colegas que o tema do Festival Cultural de Primavera daquele ano seria "A Arte no mundo". As exposições deveriam ser trabalhadas em cima dos temas sorteados pelos professores. Os alunos da sala Um do segundo ano do ensino médio nomearam Yukihiro como professor representante e o tema sorteado por ele foi: "Arte moderna: a expressão do artista através das suas telas", a ideia do tema seria trabalhar os artistas deste período explicando sua vida, a forma de pensar e o que esses tentaram expressar em suas obras.
O professor sugeriu ao seu grupo que montassem uma exposição com réplicas fotografadas das obras de grandes artistas desse período e também, procurassem um pintor iniciante da atualidade que tivesse baseado seus traços dentro dessa época para montar uma exposição para a escola. Os alunos pareceram aprovar sua iniciativa e até se empolgaram com a ideia.
- Na realidade, eu conheço um jovem pintor que ficará feliz em ajudá-los. - o anúncio do professor Yukihiro fez a balburdia na sala de aula se tornar incontrolável.
No entanto, três dos alunos daquela sala pareciam fora de órbita naquele instante. Seiya, que não era surpresa, bocejava entediado. O moreno odiava qualquer matéria que não fosse Educação Física. No entanto, os outros dois era de se estranhar. Afinal, arte era uma das matérias favoritas de Aliah Konomotto, o deveria fazê-la ficar empolgada, e não entristecida. E o terceiro, Shun, era sempre atento e aplicado, mesmo assim, ele parecia bem preocupado e desligado do assunto.
Desta forma, assim que a campanhinha findando a aula daquele dia tocou, não foi surpresa ver Shun, que já estava com os materiais guardados, se levantar e seguir atrás de Aliah, que já havia sido a primeira a se retirar da sala.
- Ei, Shun! Aonde vai com tanta pressa?
Seiya, que tentou seguir o encalço do irmão, foi detido pelo tumulto de alunos que invadiam os corredores deixando suas salas às pressas. Pelo que percebera, Shun queria falar com Aliah, pois ela havia ficado deprimida durante toda a aula.
O moreno se sobressaltou ao sentir o choque da vibração do seu aparelho móvel no bolso da mochila. Retirou-o e o prendeu entre o ouvido e o ombro, enquanto tentava recolocar a mochila nas costas.
- Fala!
- Seiya, belê? É o Jua! O Hyoga tá com a minha caminhonete e disse que tá passando aí pra pegar você e o Shun.
- Por que ele tá com seu carro?
- Eu deixei com ele porque eu fiquei fazendo um teste no escritório do meu velho e ele tinha uma entrevista pra fazer e o negócio do curso pré-vestibular pra ver.
- E a Nina?
- A Loirinha-boneca tá com ele. Vou voltar pra trampar ou o meu velho vai me comer vivo! O Lorão tinha pedido pra eu ligar avisando vocês, falou? Tá avisado!
- Beleza, Jua. Obrigado.
- Vamos jogar bola hoje, Seiya? – Seiya sentiu a mão no seu ombro, seguida da pergunta de Kenji, o capitão do time de futebol da escola. O moreno sentiu-se tentado a aceitar a proposta, principalmente, após as aulas tão tediosas daquele dia. Porém, havia burlado o tempo de fazer as lições nas férias para jogar bola, assim, se Ikki o pegasse treinando no retorno as aulas, com certeza o mataria.
- Não posso, capitão. Acabamos de voltar das férias, o Ikki vai encrencar.
- Seu pai é muito chato pra alguém muito novo, sabia?
- Se eu sei disso? Como eu sei! Afinal, sou eu que convivo com ele.
- Cadê o Shun?
- Saiu disparado. Acho eu que ele foi atrás da Aliah...
O amigo não deixou de notar o tom de contrariedade de Seiya ao dar aquela informação, curioso, quis saber:
- O que tá rolando entre aqueles dois, Seiya? Durante a reunião dos líderes com a direção a Aliah estava totalmente apagada, muito diferente do normal dela. Será que foi porque ela levou outro fora do seu irmão?
- Você também ficou sabendo?
- Óbvio, Seiya. Eu sou namorado da melhor amiga dela, esqueceu? Além disso, a escola inteira já sabe. A pergunta que não quer calar é: "por que ele fez dispensou a Konomotto?". Afinal, os dois estão desimpedidos pelo que sabemos.
- Capitão, sério, esse papo de menina não me agrada em nada. Eu não tô a fim de ficar discutindo os motivos porque esses dois não estão juntos. Mas eu acho que o fato dele não gostar dela como namorada, já deveria ser o suficiente para a Aliah e toda a escola colocarem um ponto final nesse assunto, não acha?
- Calma, Seiya. Não tô te reconhecendo. Por que essa alteração toda?
- Por que eu não acho justo, Kenji! – Seiya replicou, irritado - A Aliah é uma garota linda, cheia de vida, determinada, inteligente, pra que diabos ela se humilha tanto atrás de uma obsessão? Ficar correndo atrás de alguém só porque ele é "gatinho" e "popular" a torna uma garota fútil e patética!
Não só o capitão da escola, mas o grupo de alunos em volta de Seiya, pararam boquiabertos perante aquele discurso que não parecia em nada ter vindo do moreno, que até o momento sempre aparentara ser um garoto esportista, brincalhão e que não levava os assuntos do coração a sério. Mas para o amigo de Seiya aquele "instinto de defesa" tinha um motivo óbvio, um motivo que nem mesmo Seiya havia se dado conta ainda. Sorriu de canto, e colocando as mãos na cintura respondeu:
- Você me surpreende às vezes, Seiya. Até que sabe falar bonito pra alguém que sempre pareceu tão cabeça-oca.
- Até você me acha um cabeça-oca, capitão?
Kenji riu alto, em seguida, aproximou-se de Seiya e jogou um braço sobre o ombro dele, guiando-o para saída.
- Vamos, o Shun deve estar te esperando na frente do colégio.
...
No grande portão de saída, ao alcançar Aliah, Shun entrou na frente dela, fazendo-a se deter.
- Eu quero falar com você.
A simples menção daquela fala dita por Shun, já fora suficiente para que alguns adolescentes se detivessem para presenciar o que estava acontecendo.
Aliah por sua vez, desviou os olhos de Shun virando o rosto de lado e cruzando os braços no peito. Não estava a fim de conversas.
- Liah, você saiu correndo e chorando ontem, eu fiquei preocupado.
- O que você queria, Shun? – ela decidiu fitá-lo. - Que eu desse gargalhada por receber o segundo fora do garoto que eu amo!
- Liah, não faça isso. Somos apenas amigos...
- Shun! – a menina abafou a continuação da fala sobrepondo a boca dele com a sua mão. – Prefiro morrer ao tê-lo somente como amigo.
Os alunos curiosos que pararam para acompanhar o que parecia o início de uma discussão ferrenha de casal se sobressaltaram com a atitude da jovem. Mas não só por isso, Shun sem dúvidas havia se tornado um dos garotos mais cobiçados da Kanagoe Fuji e o fato dele estar aparentemente solteiro e mesmo assim, ter rejeitado o pedido de namoro de Aliah, despertava a curiosidade geral.
Flér e Kalya que vinham conversando com Kary e Tomoe, também se detiveram ao perceberem tantos olhares curiosos em uma mesma direção.
- O que está acontecendo? – Kary foi a primeira a perguntar, abrindo espaço entre um grupo de meninas do ginásio.
- É o Amamya e a Konomotto. – uma das garotas respondeu, e a outro complementou com um suspiro:
- São tão lindos juntos.
As mãos de Shun tocaram a de Aliah, retirando-a da sua boca.
- Não fale em morrer, Aliah. Você não tem ideia do que está falando.
A adolescente sentiu o calor imenso invadi-la, principalmente por ter a mão de Shun na sua e toda aquela atenção dos olhares ansiosos ao redor. Achou que deveria aproveitar-se daquele momento e decidiu que era o que iria fazer. Assim, ali, na calçada que separava a rua e a Instituição de ensino, a jovem tomou o rosto de Shun entre suas mãos e sem dar tempo de reação ao colega, sobrepôs seus lábios ao dele, forçando um beijo.
O murmúrio de excitação foi geral, Seiya e Kenji que vinham logo atrás rindo, desfizeram seus semblantes alegres ao presenciarem a cena um tanto "anormal" no portão principal da escola.
- Não acredito... – Seiya murmurou.
Mas quem realmente não acreditou no que via, foi um determinado loiro que desceu da caminhonete que havia acabado de estacionar na frente da escola com o cenho franzido.
- Shun?
Continua...
Agradecimentos especiais: Ao Akito-sou-sama pela revisão e a Naluza por auxiliar no roteiro.
Yo, minna-san! o/
Sentiram falta dos nossos Garotos?
Bem, antes que eu comece a levar pedradas, vou sair de fininho. Sei que devo explicações por ficar tanto tempo sem postar atualização dos Garotos, mas a realidade é que eu não tenho muito o que explicar a não ser, dizer que estava sem inspiração.
Mas, pretendo retomar o trabalho com gás total a partir de agora. 8D
Gostaria também de convidá-los a acompanhar novamente a primeira temporada da série que está sendo postada no Nyah fanfiction. Os capítulos foram reformulados por mim e revisados pelo Akito-sou-sama, sem perder o conteúdo. Também tem uma novidade: no Nyah, as fanfictions podem ganhar uma capa, assim encomendei um trabalho de fanart exclusivamente para série, desenhada pelas mãos de fada da fanartista Raquel Sumeragui. Quem quiser rever os capítulos e ainda se deliciar com esse presente, convido-os a acessar meu perfil no Nyah, o link está no meu perfil aqui do ffnet.
Bem, é isso!
Mais uma vez, desculpem pela demora!
See you next! o/
