– Tem certeza que você não quer ir comigo? – perguntei com os olhos cheios de lagrimas.

– Você tem certeza que não quer ficar aqui? – retrucou Harry. Dei um meio sorriso.

– Sabe que ainda da tempo.

– Se da tempo, porque você não fica? – ele perguntou. – Você não precisa se entender com o papai, mamãe. Apenas fique aqui comigo.

– Não posso Harry. Já disse que vou, e já disse que pode ficar com seu pai. Lembra que meu sonho era ir trabalhar em Nova York? Só vai faltar você lá.

Dei meu ultimo abraço nele quando o alto-falante anunciou meu vôo. Olhei para Tiago que estava sentado em um banco a alguns metros esperando Harry se despedir de mim. Ele tinha uma expressão vazia e parecia indiferente ao que acontecia.

Depois da nossa briga no Rio de Janeiro nós praticamente não nos falávamos. No dia seguinte voltamos para Inglaterra e no outro dia o vi com uma mulher em um bar do centro de Londres enquanto voltava da casa de Sirius e Lene com Harry, sorte que meu filho estava dormindo e não viu. Então decidi aceitar o emprego em Nova York, mas Harry se recusava a deixar Londres, então deixei que ele morasse aqui por algum tempo, até eu instalar em Nova York (não sei como permiti isso). E hoje era o dia de ir embora. Eu não imaginei que iria ser tão difícil.

– Tchau mamãe – disse Harry. Seus olhos verdes brilhavam com as lagrimas.

– Tchau Harry – passei as costas das mãos nos olhos e me levantei de onde estava ajoelhada perto de Harry. – Vou te ligar todo dia. Promete-me que vai fazer tudo diretinho?

– Prometo – ele respondeu.

– Cuide-se bem, se seu pai fizer qualquer coisa errada me ligue que eu volto correndo, sim? Quando eu chegar lá vou te ligar. Daqui algumas semanas voltarei pra te buscar.

Anunciaram mais uma vez meu vôo. Pequei minha bolsa e sai andando. Vi de relance Harry correr pra onde Tiago estava. Senti mais lagrimas caindo no meu rosto.

Estava na fila para o embarque quando meu celular começou a tocar. Uma moça com cara de irritada que estava vendo os passaportes me lançou um olhar irritado. Sai da fila e atendi o celular.

Lílian Evans, como você pode? Desistir de tudo? Não estou te reconhecendo! Onde esta minha amiga? Você está agindo como adolescente Lílian! Tenho uma novidade pra você, você não é mais uma adolescente! Isso é apenas um capricho seu. Vai desistir do seu filho por causa do Tiago?

– Marlene! Se acalme. Não estou agindo feito adolescente, isso não é um capricho e eu não vou desistir do meu filho. Vou voltar para buscar Harry quando eu estiver instalada – respondi.

Sei o que está tentando fazer. Pensa que se deixar Harry ficar aqui por algumas semanas ele vai querer morar em Nova York com você e você não vai mais deixá-lo ver o pai – Marlene disse num tom lógico. – Mas você acha que vai conseguir não é? Que Tiago vai desistir de Harry e vise-versa? Cai na real Lílian! Você não vai conseguir ficar sem ver o Tiago, vocês tem um filho! E você não vai conseguir fugir para um lugar diferente sempre que tiver uma briga com Tiago.

– Lene, eu...

Quando a verdadeira Lílian Evans voltar me avise, sebe aquela Lílian Evans forte que não se intimida por qualquer coisa? A mesma Lílian Evans que teve que amadurecer em nove meses pra cuidar sozinha de um filho em outra cidade longe de todo mundo. Até aquela Lílian aparecer vê se você deixa seu filho e o amor da sua vida serem felizes com ou sem você!

Ela desligou o telefone.

Uma hora depois eu já tinha entrado no avião e decolado. O pessoal da Law Offices of New York tinha mandado as passagens pra mim de classe executiva. Um lugar onde todos vestiam ternos pretos e tinha notebook nas mãos. Apenas eu vestia jeans e camisa social e tinha nas mãos um livro grosso e antigo de Romeu e Julieta meu clássico favorito.

Duas horas depois eu já estava entediada, meu livro não parecia mais tão lindo e romântico como das primeiras vezes que eu li e o barulho do tec-tec dos computadores tinha cessado, pois a maioria estavam dormindo. Virei para o lado e fechei os olhos na intenção de tentar dormir, mas lembranças boas vinham em minha cabeça e não pude deixar de sorrir ao lembrá-las.

Lily! Lily volte aqui! Tiago corria pelo parque no centro de Londres (N/A: quem se lembra do parque que a Lily e o Harry apareceram pela primeira vez?).

Tente me pegar Potter – eu disse correndo. Quando ele finalmente me alcançou me girou no alto e me derrubou no chão.

Agora você vai sofrer as consequências Srta Evans – ele ficou com o rosto a centímetros do meu.

MAMÃE! – Gritou uma criança do outro lado do parque. Ele parou o caminha que sua boca fazia pelo meu pescoço e nós dois olhamos na hora para a criança. Era uma pequena menina que andava chorando com os joelhos aranhados. A mãe da criança logo chegou e começou a conversar com a criança.

Você vai ser assim, aposto – disse Tiago saindo de cima de mim. Eu o olhei questionadora. – Assim, como aquela moça. Super protetora. Nosso filho não vai poder fazer nada...

E você já pensa em ter filhos? – perguntei.

Sim. Nós vamos ter muitos filhos... Talvez três ou quatro...

Três ou quatro? E quem vai ser a mãe?

Você, é claro.

Há há – ri sarcástica. – Pra mim são dois no Maximo. Não sou uma coelha.

Vamos ter pelo menos um menino... – ele disse me ignorando.

Vamos ter duas meninas – disse.

... e de nome eu quero Harry... – ele continuou.

Harry? Cachorros se chamam Harry. Não vou ter filhos, Sr Potter, apenas duas meninas, e os nomes não vão chegar nem perto de Harry.

Harry vai bonitão assim como eu e eu vou ensiná-lo a jogar bola desde criança e ele vai jogar tão bem quanto eu.

Você só quer uma miniatura sua! Por que não o chama de Tiago Jr.?

E, é claro, ele vai estudar em Hogwarts quando tiver nossa idade...

Quer parar de me ignorar Tiago Potter!

Estou brincando meu amor – ele sorriu e me deu um beijo demorado. – Acha que algum dia eu te ignoraria? – Eu fiz bico e ele riu. – Mas é serio que eu quero muitos filhos e um deles vai se chamar Harry.

Que tal um menino e duas meninas? Mas eu escolho o nome das meninas – eu disse.

Claro meu amor, tudo por você.

A ultima coisa que me lembrava era um casal jovem namorando em baixo de uma arvora em um parque.

Mamãe! Mamãe! – Harry vinha descendo os degraus da escada de dois em dois.

Estou na cozinha! – gritei de onde eu estava.

Mamãe – disse Harry aparecendo na porta. – Sei que ainda não terminei minha lição de casa, mas eu quero muito assistir o jogo que vai passar na TV, deixa por favooooor.

Harry...

Por favor! Prometo que depois eu faço, é que hoje é a volta de um dos melhores jogadores do Reino Unido! Tiago Potter! Vai se a primeira vez que eu vou assistir a um jogo dele.

Paralisei quando ouvi o nome dele sendo pronunciado por Harry. Fiz que sim e me lembro de ouvir Harry gritar que queria ser como esse Tiago Potter quando crescesse.

Harry assistiu ao jogo comemorando cada lance de Tiago Potter naquele dia, e não pude deixar se sorrir ao lembrar que era isso que Tiago queria.

Lá estava eu de novo em baixo da arvore do parque no centro de Londres com Harry e Tiago na minha frente jogando bola. Eles estavam jogando apenas os dois, mas aquele parecia ser o jogo de futebol mais emocionante do mundo. Meu filho parecia que ia explodir de tanta felicidade. E era por isso que eu não reclamava de ter que ficar olhando-os jogar enquanto podia estar em casa descansando. Quando eles finalmente cansaram vieram e se sentaram do meu lado.

Nunca pensei que iria ser tão bom ter um pai! – disse Harry contente. – Iria ser melhor se eu tivesse um irmão, sebe. Você nunca quis se casar de novo pai? A mamãe nunca conseguiu ficar muito tempo com aqueles babacas que ela arrumava.

Ia ralhar com Harry, mas estava ocupada de mais ficando envergonhada.

Não Harry, nunca pensei em me casar, e eu nunca me casei com sua mãe, tínhamos planos para isso depois da faculdade – Tiago me olhou nos olhos. – E babaca é uma palavra feia – ele voltou a olhar para Harry.

Me esqueci que vocês nunca se casaram. Bem que vocês podiam esquecer as magoas e se casarem. Ia ser tão legal e vocês poderiam me dar um irmão!

Harry! – falei brava.

Por mim não seria má idéia – comentou Tiago.

Tiago! – falei mais brava ainda.

Só falei que era uma boa idéia ruiva – ele falou. Bufei.

Da um bom motivo mamãe. Vocês já até tem eu.

É diferente Harry – eu disse.

Vai dizer que você não gosta mais do papai.

Fiquei sem reação. Tiago deu uma risadinha.

Vamos Harry, você já falou besteiras de mais hoje e amanhã você tem aula.

Levantei do chão e puxei Harry pela mão.

Vocês não querem uma carona? – perguntou Tiago do meu lado.

Não, nossa casa é perto – respondi rápido.

Eu insisto, Lil, além do mais, está de noite. Não vou deixar vocês irem nessa escuridão – ele disse.

Você pode jantar lá em casa papai, não é mamãe?

Claro – falei meio contrariada.

Lembro-me de como foi bom aquele dia. Parecíamos uma família feliz jantando em casa. Quando Harry pegou no sono Tiago o levou para cama e na saída me deu um beijo na testa como fazia quando namorávamos na frente dos meus pais.

Fui me lembrando de cada momento bom. Com Harry e Tiago... Jogando bola, brincando, conversando, indo para parques, estadios, clubes e tudo quanto é tipo de coisa.

– Deseja algo Srta Evans? – perguntou a aeromoça me tirando dos pensamentos.

– Hum... Não obrigado, só me diz, quantas horas de vôo ainda?

– Duas horas – ela respondeu com aquele sorriso falso.

– Duas horas? Já foram cinco horas de vôo? – Ela fez que sim. – Eu estou meio desligada. Obrigado.

Ela saiu de perto e foi para a próxima fileira de acentos.

Ok, eu viajem legal literal emente. Pra mim só tinha passado no maximo meia hora de vôo, não duas! Peguei meu livro e tentei me concentrar lendo, mas estava tão difícil.

De repente o avião parou. As aeromoças vinham ajudando os passageiros com as bolsas e coisas do gênero. Peguei meu livro e coloquei na bolsa e fui saindo com as outras pessoas. Parei um pouco para tomar um ar. O fuso-horario de Londres a Nova York são cinco horas de diferencia. Quando eu sai de Londres eram oito horas da noite, então quando cheguei aqui eram três da tarde, o que era muito estranho.

Continuei caminhando pelo aeroporto até o lugar onde pegávamos as malas. Já estava no portão quando avistei-os. Estavam os dois lá, parados, com os mesmos cabelos bagunçados apontados para as diferentes direções, os mesmo óculos de aro redondo. Harry e Tiago. Harry veio correndo primeiro. Abaixei-me para abraçá-lo.

Mamãe!

Harry...

Quando eu me levantei de novo ele estava lá. Sorrindo meio bobo. Antes que eu pudesse falar alguma coisa ele me abraçou. E não pude deixar de sentir seu cheio inebriante dele.

Eu amo você, Lil.

Antes que eu pudesse fazer mais alguma coisa ele sumiu e minha visão fui substituída por varias pessoas levantando de seus acentos e pegando seus pertences. Só então percebi que que durmi e isso foi apenas um sonho. Um bom sonho.

Já tinha saído do avião e pego minhas bagagens. Passei pelo lugar de onde eu sonhei e olhei esperançosa para os lados. Foi só um sonho, disse a mim mesma. Continuei caminhando até achar o carro que a Law Offices of New York havia me mandado para me levar até o meu mais novo apartamento. Nova York estava completamente chuvosa. Fiquei mais de uma hora no meio do transito até chegar a um majestoso prédio branco com um imponente portão preto. O motorista me ajudou a colocar as malas no elevador e me passou a chave e o numero do apartamento.

Quando eu abri a porta entrei em uma ampla sala branca, de moveis brancos, cheio de objetos brancos com uma escada de mármore preta no fundo. Sem graça de mais. Joguei minhas malas no chão da sala em cima do tapete branco então resolvi fuçar a casa. Entrei em um pequeno corredor que tinha duas portas. A primeira era um lavado de mármore preto. A outra porta, uma um pouco maior era uma grande cozinha branca com um balcão no meio. Voltei pra sala e resolvi subir as escadas preta de mármore. Sai em um grande corredor que continha três grandes portas. Entrei na primeira e encontrei uma cama grande de casal, uma poltrona branca do lado, um enorme guarda roupa, uma estante vazia e uma escrivaninha. Do lado tinha uma porta grande de vidro que dava vista para Nova York inteira e mais outra porta que dava em um banheiro grande. O outro quarto era do mesmo jeito, mas a cama era de solteiro. A terceira porta era um pequeno escritório com uma escrivaninha, várias estantes com livros.

Voltei no primeiro quarto e me joguei na cama. Lagrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, mas agora era tarde demais.

xxxXxxx

RETA FINAL DA FIC!

N/A: Demorei? Acho que nem tanto né? Minha idéia era já colocar o ultimo cap da fic e dps o prolongo, mas decidi qee assim iria ficar mais emocionante.

Próximo cap sai no dia de natal.

Muito obrigado pra quem mandou reviwes e colocou nos favoritos. Obrigadão mesmo.

Beeijos pra vocês

D. Hally Black e Kcooka Potter