(continuação)
O seu hálito chegava até aos meus lábios. Era tão doce eu mal podia esperar por os seus lábios tocarem nos meus. Ah não! Espera ai! Não te vou facilitar a vida querido!
- Que é que estas a fazer? – perguntei com os seus lábios a milímetros dos meus. Deveras tentador.
Ele fez uma cara de surpresa e afastou-se um pouco.
- Hum nada. Vamos fazer o jantar? – perguntou passando a mão pelo cabelo. Eu percebi a frustração na sua cara mas fingi não perceber.
- Claro. – respondi com um grande sorriso e passando por ele em direcção à bancada.
Fizemos o jantar rapidamente. Bacalhau à Brás. Acho que era o nome daquela coisa amarela com ovo, bacalhau e batata palha que ele comia à minha frente. Era sempre cómico vê-lo a comer algo que para mim tinha uma repugnância incrível. Eu até que sentia pena dele, todas as suas tentativas de me beijar tinham dado para o torto. E não foram poucas. Mas a parte de mim que sentia pena era tão pequena que quase não incomodava. Aliás eu estava a achar até divertido que ele tivesse que trabalhar para obter o meu perdão.
Senti o seu olhar em cima de mim. Já devia ter acabado de comer. Eu precisava de alguma coisa para fazer. Se ele me encarasse assim por muito tempo eu iria cair em tentação. Vi que como eu não lhe correspondia se levantou e caminhou lentamente até ao lava-loiça. Corri até ele. Ele com o susto deixou cair o prato e o copo que segurava. Apanhei-os sem dificuldade.
- Ops! Culpa minha! – exclamei sorrindo enquanto colocava a loiça dentro da pia – Eu lavo. – disse empurrando-o com a anca. Pude sentir o choque dos nossos corpos quando se encontraram. Muito tentador.
- Não deixa estar. Tu nem comeste. – disse empurrando-me como eu lhe havia feito.
- Mas eu não preciso de descansar ao contrário de certas pessoas. – disse empurrando-o. Isto estava a tornar-se cansativo. – Além disso, não vais querer discutir com uma vampira pois não? – perguntei mostrando todos os meus dentes num sorriso.
Ele olhou para mim incrédulo.
- Não, claro que não. – disse dando uns passos para trás. Dei uma gargalhada e baixei-me para procurar o detergente nos armários. Podia sentir os seus olhos nas minhas costas. Isto estava a tornar-se muito irritante. Levantei-me já com o detergente na mão. E olhei para ele.
- Importaste de ir fazer outra coisa? – perguntei séria. Eu não ia aguentar com ele olhando-me assim.
- Porque? A minha presença incomoda-te? – perguntou com uma voz sedutora aproximando-se subitamente de mim.
- Vai ver se eu estou lá fora, Edward! – disse virando a cara envergonhada e abrindo a torneira. Estávamos muito próximos. Demasiado. E eu não tinha uma boa resposta para ele. Eu já disse que o odeio por isso?
- Okay. – disse gargalhando. Ele percebera o estado em que me deixara. Assim saiu da cozinha deixando-me sozinha. Quando ele saiu apoiei as mãos na bancada de madeira e respirei fundo. Demorei o dobro do tempo a lavar a pouca loiça que era. Precisava de me acalmar antes de o ver novamente.
Arrumei tudo e fui para a sala. Ele estava ali, apesar de o escuro eu sabia, porque mesmo assim eu via bem e porque sentia o seu cheiro perto de mim. De repente uma música começou a tocar. Reconheci-a imediatamente. Anoitecer…a musica que ele havia composto para nós, aquela que falava da nossa história. Como é que ele tinha aquela musica aqui? Eu vou matar aquela pirralha quando a vir novamente. E não vai ser uma morte bonita!
- Lembras-te? – perguntou ele sedutoramente.
- Do quê? – perguntei inocentemente fingindo que não o vi. Isto estava a ficar um bocado ridículo.
- Eu sei que sabes. – respondeu ele seguro – Li que os vampiros têm boa memória. – concluiu como se soubesse tudo e tivesse acabado de me encurralar. Convencido!
- É…mas eu nunca fui muito normal, por isso. – disse com uma voz inocente mas provocante.
- Da nossa música, Bella. – suspirou pesadamente.
- Ah tá. – disse desinteressadamente. Mas eu tinha ficado extasiada com aquilo que ele tinha dito. "Nossa música", aquilo trazia-me recordações tão boas. Estava tão perdida nos meus pensamentos que não me apercebi da sua aproximação.
- Eu sei que te lembras. – disse muito seguro de si mesmo. Mas será que o ego dele nunca diminui? – Danças comigo? – perguntou abraçando-me por trás.
A sua pele novamente em contacto com a minha fazia-me arrepios.
- Edward… - comecei. Aquilo não ia dar bom resultado.
- Por favor, só uma dança. – pediu junto ao meu ouvido. Um arrepio percorreu toda a minha espinha. Era impossível negar-lhe algo.
- Está bem. – assenti virando-me de frente para ele.
Ele sorria abertamente para mim. Colocou uma das duas mãos na minha cintura e com a outra pegou na minha. Coloquei a minha outra mão no seu ombro e ele apertou-me contra o seu peito. Começamos a dançar muito lentamente, muito suavemente ao ritmo da nossa música, da música que ele tinha composto para mim e simbolizava todos os nossos momentos felizes.
De repente percebi que a música já não tocava mas nós continuávamos a movimentar-nos ao mesmo ritmo. Nenhum de nós queria deixar aquele momento. Ele parou de se movimentar e eu também. Ficamos a encarar-nos nos olhos. Os seus olhos verdes que para mim escondiam mil mistérios, estavam ainda mais lindos no escuro. Ele baixou levemente a cabeça e os seus lábios roçaram ao de leve nos meus. Terrível tentação. Não, Isabella! Foco!
- É melhor ires descansar. Foi um dia muito longo. – disse afastando-me de repente.
- Mas… - começou ele. Coloquei uma mão na parte de trás do meu pescoço e outra na cintura. Pude ver a desilusão passar pelos seus olhos que ate à segundos atrás irradiavam felicidade.
- Por favor, Edward. – implorei enquanto massajava o local onde tinha a mão.
Ele suspirou.
- Okay. Então…boa noite. – disse começando a andar em direcção às escadas. Acompanhei-o com o olhar mas no mesmo instante em que me virei…
- Bella – chamou, olhei novamente na sua direcção – eu não vou desistir facilmente. – disse com um sorriso malicioso.
- Nem eu esperava outra coisa. – respondi com um grande sorriso. E sem lhe dar tempo para responder fui lá para fora na minha velocidade vampírica.
Fui até junto ao mar, agora ao observar o mar tudo parecia bem. Sentia uma calma incrível invadir-me, como se todos os problemas resolvessem. Como se não existe nada para alem de mim, o mar e …Edward. Estava cada vez mais difícil resistir-lhe. Mas de todas as vezes que ele se aproximava mais eu lembrava-me do quanto ele me tinha magoado, e quem me ia garantir que ele não me iria abandonar mais uma vez? É melhor não pensar demasiado nisto se não vou acabar deixando-o aqui sozinho. Não, eu não posso. James. Ele iria acabar por descobri-lo e nem sei o que lhe poderia fazer. Eu tinha de proteger Edward porque, apesar de tudo, ele estava nesta situação por minha causa. Ele estava em perigo de morte iminente por minha causa. Porque eu lhe tinha mentido. Mas eu tinha-lhe mentido para o proteger…e por medo. Medo que acabasse por acontecer aquilo que aconteceu. Ah Bella! Pára de te massacrar! Que é que eu vou fazer durante o resto da noite? Será que ainda estão aqui alguns dos meus livros? Com este pensamento fui na minha velocidade até ao meu quarto. Ao olhar para as estantes sorri. Tinha deixado ali os meus livros de quando era humana. Tentei afastar-me o máximo dessa minha vida. Mas depois da fotografia o que eu mais gostava de fazer era ler e ali estavam os livros que me tinham acompanhado durante os meus primeiros anos de vida. Eu não podia desfazer-me deles mas também não os queria perto de mim logo após a minha transformação, então Esme perguntou porque não os deixava aqui e foi o que acabei por fazer.
Passei os meus dedos pelas capas e parei numa: Twilight, Chocolate, O diario da nossa paixão... todos livros simples e de amor. Peguei no primeiro. Ele não mostrava mais ou menos a mesma historia que eu passava neste momento?
Peguei nele e caminhei até à cama, deitando-me nela, abri o livro.
Este falava de uma rapariga humana que se mudava para uma aldeia onde iria viver com o seu pai, para que a mãe – com quem vivia até ali – vivesse intensamente o seu novo romance.
Então na escola um rapaz chama-a a atenção quando esta quase é atropelada e ele salva-a, passado uns tempos descobre que ele era um vampiro, algo que ela nunca tinha acreditado que existia, mas já era tarde, ela já se encontrava bastante apaixonada por ele e ele por ele. Vampiro e humana lutam contra todos e contra tudo para conseguirem ficar juntos. E não conseguem? Porquê é que a vida real tinha de ser tão diferente?
Fiquei metade do resto da noite lendo o meu livro e outra metade ouvindo música no meu Ipod, finalmente eu agradecia por Alice ter tido uma boa ideia. Já eram nove da manhã e ele não acordava. Os humanos dormiam demais na minha opinião. Levantei-me e fui até ao meu armário. Tirei um biquini preto liso que era bastante cavado assim como todos os que a minha irmã havia mandado comprar. Ela era completamente louca. Coloquei um páreo branco atado à cintura e deixei-me estar descalça. Comecei a pentear o meu cabelo que estava ainda mais ondulado pela trança da noite passada. Desci até à cozinha. O que é que será que ele gostaria como pequeno-almoço? Humm. Eu lembrava-me que nos meus tempos de humana adorava panquecas, será que ele gostava? Decidi arriscar. Curiosamente ainda me lembrava de todos os ingredientes e de como se faziam. Fiz-lhe cinco, ele não parecia comer pouco. Coloquei-as em cima da mesa e comecei a procurar por papel e caneta. Comecei a escrever-lhe um bilhete.
Edward, como nunca mais acordavas preparei-te o pequeno-almoço. Espero que gostes de panquecas! Serve-te à vontade com o que quiseres. Se precisares de mim estarei lá fora na praia.
Com carinho,
Bella
Dobrei-o e escrevi o seu nome em cima, de seguida coloquei-o junto ao prato das panquecas, tinha certeza de que ali ele o veria. Dirigi-me até à porta de entrada calmamente e fui, andando até à praia. Senti a areia quente e macia nos meus pés, comecei a tirar o páreo deixando-o cair. E então dirigi-me para o mar que estava bastante calmo.
Primeiro a areia molhada por debaixo dos meus pés, entre os meus dedos. Eram das poucas recordações da minha vida humana que eu tinha.
Depois o bater das ondas nas minhas pernas. Simplesmente maravilhoso. Hum e que tal se eu fizesse algo que já não faço à algum tempo? Afastei-me do mar indo até perto de casa. Retirei o páreo que estava à minha cintura. E corri na minha velocidade em direcção ao mar que antes calmo começava agora a formar algumas ondas suaves. Dei um salto e mergulhei.
A água estava maravilhosa, como sempre quente para mim. Continuei debaixo de água, visto que não precisava de respirar.
Nadei até ao fundo do oceano, aquilo era sempre mágico. Era como se fosse sempre a primeira vez, apesar de eu já ter admirado aquela paisagem um milhão de vezes.
Todas aquelas espécies, a viver em harmonia. Ali não estava a uma grande profundidade e por isso alguns raios de sol, que se começava a levantar, iluminavam as águas pouco profundas. Continuei a nadar pelo que me pareceu uma meia hora. Até que…
- BELLA! – Edward gritou na praia – ONDE ESTÁS?! – continuou a gritar. Ninguém lhe disse que os vampiros têm super audição? Ele era tão escandaloso. Meu Deus.
Resolvi nadar até à superfície, se não ele ainda viria até aqui à minha procura ou pior, iria envergar pela densa floresta na esperança de me encontrar. Nadei na minha velocidade até a uma zona onde já tinha pé e aí comecei a andar lentamente para que ele não se, assusta-se. À medida que caminhava ia torcendo o meu cabelo para retirar a água salgada em excesso. Quando cheguei à areia seca reparei que Edward olhava para mim de olhos esbugalhados e boca aberta. Parecia surpreendido ou admirado. Mas com o quê?
- Edward? – chamei, mas ele continuava na mesma como a lesma – Importas-te de reagir? Estavas a berrar porquê? – perguntei alto para que ele me ouvisse – EDWARD! – gritei irritada. Odeio ser ignorada.
Mas o que é que ele tanto olhava?!
Rapidamente confirmei que tinha o biquini no lugar. Será que ele nunca tinha visto uma mulher na praia?! Espera até ele ver a Rose de biquini. Desmaia de certeza.
Reparei que o sol já estava mais alto, era tão bom sentir o seu calor na minha pele, a aquecer-me, a iluminar-me…
AI MEU DEUS! O SOL!
Tentei tapar-me com os braços. Idiota Bella! Os teus braços também fazem parte do teu corpo logo, também brilham! Era por isso que ele olhava assim para mim. Aposto que nunca tinha visto uma pessoa a brilhar…lógico, eu não sou uma pessoa!
Avistei a sombra de uma palmeira e corri o mais depressa que pude até lá. Sentei-me na areia, que ali estava fria, e abracei os meus joelhos, apoiando a cabeça neles.
Edward foi-se aproximando aos poucos e poucos. Parecia que estava com medo que eu fugisse. Quem devia fugir era ele!
- Bella… - começou ele agachando-se à minha frente – Tu brilhas! – exclamou extasiado.
- Esquece isso! Sou apenas uma aberração de circo! – exclamei furiosa.
- Isabella – chamou ele, pegando no meu queixo com dois dos seus dedos e fazendo-me olhar para ele – tu és a pessoa mais bonita do mundo, nunca deixes que te digam o contrário. – disse enquanto sorria ternamente, frisando a palavra "pessoa".
Eu estaria chorando se pudesse. Sem pensar duas vezes joguei-me no seu pescoço com demasiada força e ele caiu para trás e eu em cima dele. Reparei que ele só usava uns calções de praia, azul-marinho.
- Obrigada. Amo-te. – disse sem pensar.
Ele deu um grande sorriso.
- Também te amo. – disse ainda a sorrir. Levantado a cabeça e aproximando os seus lábios dos meus. Estávamos cada vez mais próximos. Mas a minha mente ainda guardava rancor: "…enganaste-me. És um monstro! Sai daqui!". Tudo o que ele me tinha feito sofrer e que eu ainda não me tinha esquecido.
- Não! – sussurrei e levantei-me o mais rápido que consegui começando a caminhar em direcção à casa.
Ele levantou-se muito rápido e correu na minha direcção, agarrando o meu braço, com o que para ele era até força demais.
- Porquê?! – perguntou indignado e confuso.
Virei-me para encará-lo. A minha face estava dura e séria.
- Porque eu ainda não esqueci o quanto tu me fizeste sofrer! – exclamei com uma voz de dor.
- Esquece Bella! – pediu ele – Tu também me fizeste sofrer! No entanto o meu amor por ti é mais forte e muito maior do que a minha dor, mágoa ou até mesmo raiva. – explicou exasperado.
- Eu não consigo, Edward. Desculpa. – sussurrei sinceramente e desprendi-me facilmente da sua mão entrando em casa.
Fui até ao meu quarto e joguei-me na cama, mesmo molhada. Enterrei a cabeça na almofada. Eu queria poder chorar, dormir ou até mesmo morrer!
Levantei-me e fui até à casa de banho, precisava tirar a água salgada da minha pele. Tirei o biquini e fui para dentro da banheira. Enchi-a de água bem quente e mergulhei. Fiquei ali um bom tempo. Aliás, fiquei ali pelo menos umas duas horas. Lavei o meu cabelo com um champô de morango e passei gel de banho de uva pelo corpo. Como se eu precisasse disso. Hábitos de humana, eu acho.
Passado esse tempo sai da banheira com uma toalha enrolada no corpo e outra no cabelo.
Sentei-me na cama com a cabeça apoiada nas mãos. Será que Edward estava muito desiludido comigo? Sabia que o tinha magoado muito, mas era o que eu sentia. Senti a minha garganta a queimar. Tinha de caçar e precisava de apanhar ar, de ficar longe de Edward por algum tempo. Retirei as toalhas que cobriam o meu corpo e vesti uma roupa interior branca. Escolhi uns calções de ganga meio rasgados e um top de alças rosa claro. Calcei uns All-stars rosa também. Penteei o meu cabelo e prendi-o num rabo-de-cavalo alto. Olhei-me ao espelho. Estava apresentável e confortável para ir caçar. Abri a minha janela e saltei. Não me queria cruzar com ele. Mas senti o seu cheiro junto à entrada principal da casa. E ouvi soluços. A tentação foi mais forte e fui até lá.
Ele estava sentado numa das cadeiras que estavam junto à porta de entrada, tinha a cabeça enterrada nas mãos e chorava, sabia isso porque os seus soluços ouviam-se ao longe e também porque eu vi-a as lágrimas que caiam no chão. O meu coração partiu-se ao meio. O meu impulso foi ir até lá consolá-lo, mas eu não podia…era por minha causa que ele estava assim…a culpa era minha. Mais uma vez eu estava a fazê-lo sofrer. Mais uma vez.
- Desculpa. – sussurrei audivelmente. Mas quando ele virou a cara na minha direcção eu já não estava mais lá. Corri o mais depressa que pude até à outra ponta da ilha.
Arranquei uma árvore pela raiz e joguei-a no chão. O que fez o solo tremer levemente. Eu estava com raiva de mim própria. Raiva por o amar tanto, raiva por não o conseguir perdoar como ele já tinha feito comigo, raiva por magoar todos à minha volta. Deixei-me cair no chão. Soluçava sem derramar lágrimas.
Eu tinha que parar com isto. Tinha que perdoá-lo e perdoar-me a mim própria. Estava a passar por isto há demasiado tempo.
Levantei-me e procurei pelo cheiro de algum animal. Há alguns metros encontrava-se uma manada de veados. Perfeito.
Não era o meu animal preferido mas serviria para eu me alimentar. Corri até eles o mais silenciosa possível, deixando os meus instintos apoderarem-se de mim. Deixando o monstro vir à superfície. O monstro que eu era. Alimentei-me de dois veados médios. O suficiente para estar junto a Edward nos próximos dias.
Fui até a um pequeno lago e lavei a boca, com os anos de experiência já não ficava com as roupas cobertas de sangue. Mas lembro-me que nos primeiros meses era um desastre autêntico. Cada caçada uma roupa que ia para o lixo.
Sentei-me junto à água do lago e fechei os olhos. A floresta estava em silêncio. Os animais não se aproximavam de mim, o seu instinto de preservação falava maia alto. Era somente eu e a Natureza. Uma coisa que eu amava desde pequena…tal e qual como a fotografia. E então lembrei-me de Edward.
Lembrei-me do dia em que o conheci de como ele estava feliz a fazer uma coisa que eu tinha amado fazer. Uma coisa que me fez ser transformada num…monstro. Numa criatura saída de filmes de terror.
De repente flashes de toda a minha vida humana passaram por mim como se fosse um filme. Cenas dos meus pais juntos, carinhos que eles trocavam(ver isso) Os contrastes entre esta vida e a outra. Eu tinha sido feliz e amada nas duas. Mas nesta eu tinha encontrado o amor da minha vida. E eu não o podia deixar fugir, pois ele não teria outra vida.
Abri os olhos e vi que já estava a anoitecer.
Deixei-me ficar mais um pouco. Aquele lugar transmitia-me uma calma incrível…uma tranquilidade. Semelhante aquela que eu sentia quando estava com Edward. Era como se nada me pudesse atingir. Como se eu fosse mais forte que tudo e que todos.
Mas mesmo depois de tudo isto. Eu não conseguia perdoá-lo, nem a ele nem a mim. Não conseguia agir como se nada tivesse acontecido. Colocar para trás das costas o que tinha acontecido.
E isso fazia-me odiar a mim própria.
Já era noite cerrada. Resolvi ir embora. Impulsivo como o humano que eu amo é, ainda viria pela floresta dentro à minha procura.
Comecei a correr na minha velocidade em direcção à casa da praia. Precisava sentir os ventos no meu cabelo. Todas as partículas do ar à minha volta.
Quando lá cheguei a porta da entrada estava aberta e a casa estava muito silenciosa. Será que…? Ah não! Não podia! Eu tinha saído por pouquíssimo tempo!
Concentrei-me no seu cheiro antes de tomar alguma atitude precipitada. Ah podia senti-lo na sala.
Fui até lá na velocidade humana para não o assustar e ele estava sentando num cadeirão de pele branca, a olhar muito concentrado para um copo com vodka na sua mão.
Eu olhei para ele surpresa. Nunca o tinha visto a beber e nem sabia que tínhamos bebidas alcoólicas em casa.
Quando me viu ele lançou-me um sorriso cínico que eu nunca tinha visto. Levantou-se meio cambaleando. Veio até mim, sempre com o copo na mão.
Eu cruzei os braços à frente do peito e arqueei a sobrancelha esquerda.
O que é que ele pensava que estava a fazer?
- Ora ora se não é a inabalável Isabella Cullen! – exclamou com sarcasmo como se tivesse ali um público – Aquela que nunca perdoa! – exclamou mais uma vez e eu podia ver a amargura na sua voz.
Eu não ia ter aquela conversa agora. Não mesmo. Olhei de relance para garrafa da bebida, estava vazia. E como ninguém nunca bebia, ele só podia tê-la bebido toda.
- Edward, tu estás demasiado bêbado para termos esta conversa. Deixa-me ajudar-te a ires para o teu quarto. – disse agarrando o seu braço que tinha o copo.
Ele desenvencilhou-se com brusquidão da minha mão, deixando cair o copo no chão. Logo despedaçou-se em mil bocadinhos.
- Larga-me, vampira! – ordenou com ódio.
Larguei-o imediatamente e abracei o meu tronco. Mesmo estando bêbado ele tinha-me magoado. Ele olhou para mim e apercebeu-se do que tinha dito. Logo vi o arrependimento passar pela sua cara.
Ele ajoelhou-se antes que eu pudesse perceber o que ele ia fazer e agarrou-se às minhas pernas fortemente.
- Desculpa Bella, por favor! Eu não queria dizer aquilo! Foi sem querer! Por favor, perdoa-me! – dizia ele e comecei a sentir as pernas levemente molhadas. Estava a chorar. E mais uma vez por minha causa.
Baixei-me lentamente e agarrei nos seus braços. Depois de alguns segundos estávamos os dois de pé a olhar um para o outro.
- Estás perdoado. Agora deixa-me levar-te para o teu quarto. – disse-lhe com uma voz calma e com um sorriso no rosto. Ele apenas assentiu com um meio sorriso.
Coloquei-lhe o braço esquerdo por cima dos meus ombros e rodeei-lhe a cintura com o meu braço direito, dizendo-lhe para se apoiar em mim. Praticamente levei-o ao colo. Para mim ele não pesava quase nada. Quando chegamos ao seu quarto deitei-o suavemente na sua cama. Ele parecia ter adormecido instantaneamente. Mas quando me preparava para ir embora senti uma mão quente a agarrar-me o braço. Como que a impedir-me, claro que não tinha força suficiente. Olhei para Edward, ele estava com os olhos abertos e marejados. Parei instantaneamente e fiquei de frente a olhar para ele.
Ele levantou-se e surpreendentemente ficou de pé à minha frente sem cambalear. Olhávamo-nos nos olhos um do outro. Como se nos compreendêssemos sem palavras ele abraçou-me. Eu fiquei sem reacção mas logo retribui o abraço. Apoiei a cabeça no seu peito, junto ao seu coração e ele colocou a cabeça na curva do meu pescoço.
- Ficas comigo? Só esta noite por favor. Não quero ficar sozinho. – perguntou sussurrando junto ao meu ouvido.
Se eu pudesse estaria a chorar, estava tão emocionada que me limitei a concordar com a cabeça. Ele afastou-se de mim, beijou-me a testa e pegou-me na mão. Deixei-o guiar-me até à sua cama. Deitou-se e eu deitei-me a seu lado com o seu braço direito em redor de mim e a cabeça apoiada no meu peito quente.
As batidas do seu coração estavam demasiado rápidas mas logo foram acalmando e finalmente percebi que tinha adormecido e que dormia profundamente.
Acariciei o seu peito. Como eu queria poder chorar ou pelo menos dormir a seu lado.
Levantei-me sem o acordar. Não queria ficar ali demasiado tempo ou ele ficaria gelado.
Havia uns desenhos em cima da secretaria que me chamaram a atenção. Eram basicamente todos meus, havia também alguns que mostravam as paisagens maravilhosas da ilha. Mas houve um que me chamou a atenção…era lindo! Éramos nós os dois abraçados como se estivéssemos a dançar. Ele tinha uma camisa meio desabotoada, o cabelo desalinhado e um sorriso lindo nos lábios. Eu tinha um vestido cai-cai com alguns detalhes. O meu cabelo estava todo apanhado, excepto alguns caracóis que caiam salteados. Mas vi algo nas nossas mãos invulgar. Eram anéis e estavam nas nossas mãos esquerdas. Diziam I love you forever and ever. E de repente percebi que era alianças de casamento! E percebi também que estava algo escrito no verso do desenho.
Amo como o amor ama.
Não sei razão para amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?
Quando te falo, dói-me que respondas
Ao que te digo e não ao meu amor
Amo-te para sempre Isabella Cullen e só quero que me perdoes.
Sempre teu,
Edward Masen
E assim eu soube. Bolas, eu amo-o! Quem ama perdoa! Estava na hora de acabar com aquela tortura. Olhei para ele adormecido na cama. Eu queria ficar com ele pelo resto da sua vida e quando a sua hora chegasse eu faria tudo para ir ter com ele.
Peguei numa folha e escrevi.
Quando te vi amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci para ti antes de haver o mundo.
Não há coisa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro
Preciso de falar contigo. Vem ter comigo à sala.
Bella
Mas eu teria que lhe dizer aquilo na cara. Eu precisava de pela primeira vez naqueles dias ser completamente sincera com ele. Voltei a deitar-me a seu lado, aconchegando-me no seu peito quente. Ele parecia um anjo de tão sereno que estava. Assim que me coloquei junto a si sorriu e inspirou fundo. Depois sorriu e começou a sussurrar.
- Bella… - sussurrou e eu sabia que ele estava a dormir. Tinha tantas saudades de quando ele falava para mim durante o sono – amo-te. – terminou num sussurro apaixonado.
Aproximei-me do seu ouvido e sussurrei.
- Também te amo e perdoou-te. – amanhã iria dizer-lhe isto mas com ele acordado.
Depois fechei os olhos e foi como se dormisse.
Levantei-me quando senti os primeiros raios de sol no meu rosto. Olhei para cima, ele ainda dormia serenamente. Levantei-me sem nenhum ruído e coloquei o papel que tinha escrito à algumas horas e coloquei-o na almofada que estava ao seu lado.
- Até já, meu amor. – sussurrei sabendo que ele não me ouvia e acariciei-lhe o rosto. Ele remexeu-se e murmurou algumas coisas que mesmo com a minha audição não consegui perceber. Sai do seu quarto silenciosamente e entrei no meu. O telemóvel estava em cima da mesinha de cabeceira. Fui até ele e digitei o número.
- Olá Bella. – atendeu Jasper após o segundo toque.
- Olá maninho. Como está tudo por aí? – perguntei sentando-me de pernas cruzadas em cima da cama.
- Como podes imaginar não está nada bem. James nunca mais apareceu aqui, o que nos faz pensar que pode estar a cogitar já um plano para vos encontrar.
- Oh meu deus. É a mim que ele quer. Lamento estar a fazer-vos passar por tudo isto. Eu sou tão egoísta! – exclamei apoiando a cabeça na mão que não tinha o aparelho.
- Bella! Nós somos a tua família, temos o dever de te proteger. Para além disso tu mereces ser feliz. Não és propriamente a Madre Teresa de Calcutá!
Eu ri sem vontade.
- Ele também faz parte da vossa família e há muito mais tempo do que eu.
- Eu já não conheço o meu irmão, Bella. Se tu o visses na última vez que esteve connosco também não o reconhecerias. Está tão diferente. O olhar dele está sombrio. Cheio de desejo de vingança.
- E a culpa é toda minha!
- Já não te posso aturar, Isabella. – disse ele e eu abri os olhos – Alice!! – ouvi-o a chamar.
- Eu falo com ela. – ouvi a voz da minha irmã.
- Isabella Marie Swan Cullen para te de lamuriar. A felicidade não se tem de mão beijada, tem de se lutar por ela. Todos o tivemos de fazer e sempre tivemos o apoio da nossa família, portanto tu também terás. O James deixou de fazer parte da família no momento em que disse que te queria morta. Já decidimos e eu, o Jazz e o Em iremos até aí à ilha buscar-vos, assim que tivermos a certeza que ele não nos está a vigiar. Vamos ter uma batalha, Bella. Apesar de ainda não conseguir ver nada, pressinto-o.
- Eu vou estar preparada. Estaremos à vossa espera. Adeus, Alice.
- Adeus, Bella.
Respirei fundo. Ela tinha toda a razão. Eu iria lutar pela minha felicidade junto de Edward. E mesmo que eu morresse nunca iria deixar que nada de mal acontecesse ao meu humano. Despi-me e tomei um banho rápido, apenas por hábito. Limpei-me e vesti um biquíni azul marinho com detalhes em preto e coloquei uma mini-saia preta. Calcei as havaianas azuis claras e pretas. Por fim penteei-me e deixei o meu cabelo no seu estado natural, caído até à minha cintura. Desci até ao andar de baixo, não sabia quanto tempo levaria ate ele acordar, mas sabia uma coisa…ele acordaria com uma valente dor de cabeça…pelo menos era o que eu me recordava das manhas de ressaca de quando era humana. E não foram propriamente poucas. Sorri com essa lembrança. A minha melhor amiga humana, Maggie Stone (ela era filha de ingleses), era das pessoas que mais me lembrava nitidamente. Era uma doida varrida, tinha um namorado (descobri à pouco tempo que se tornara no seu marido e que estavam à espera de uma bébé) que embora adorasse e ele tambem a amasse muito estavam sempre a discutir. E sempre que discutiam ela arrastava-me para um bar qualquer para nos embebedarmos, reclamarmos de tudo e principalmente falarmos mal de todos os homens à face da terra.
Lembro-me de uma noite em especial que saímos.
"- Porque foi desta vez? – perguntei assim que cheguei ao bar. Ela tinha-me chamado e parecia estar muito em baixo. Mas parecia que a bebida já tinha resolvido parte do problema.
- Ele pediu-me em casamento. – disse emborcando a cerveja que estava a beber.
- Isso é óptimo! Parabéns, Mags! – exclamei abraçando-a.
- E eu disse que não.
- Ahm? Mas tu estás louca?! Porque fizeste isso?
- Oh Bellaaa – choramingou ela – Ele não se ajoelhou nem me deu um anel bonito! Ele simplesmente convidou-me para jantar e levou-me até a um restaurante, durante a sobremesa pegou-me na mão e disse: Maggie Stone, amo-te mais que a minha própria vida, quero passar a vida toda ao teu lado. Casas comigo? – disse imitando a voz do Jonh na última parte e falhando redondamente – Eu simplesmente disse tudo o que ele devia ter feito e não fez. Oh Bella, eu fiz um escândalo! Gritei com ele e tudo!
- Maggie! Tu amas esse homem! Ele ama-te! É tudo o que importa! Vais imediatamente ter com ele e dizer-lhe que o amas e que aceitas passar o resto da vida ao lado dele! – ordenei.
- Ele nunca mais me quer ver…
- Claro que quer! Ele ama-te!
- Não. Não depois do que eu lhe fiz…
Bufei e pedi uma cerveja. Ficamos algum tempo em silêncio.
- Sabes Isabellinhaaa? – perguntou ela com uma voz muito arrastada.
- Não me chames isso! – ordenei fingindo estar irritada. Eu ainda estava bastante sóbria.
- Pronto, pronto! Bellinhaa…
Rolei os olhos.
- Eu acho que as frases não se deviam dizer como se dizem.
- Ahm?
- Sim deviam dizer-se assim: És a do mundo amiga melhor, Bella! Amar-te sempre vou!
Eu desatei a rir à gargalhada.
- Tu estás tão bêbada! Mas eu também te amo muito, Mags.
Ela simplesmente sorriu e encolheu os ombros voltando a beber. Ela podia estar muito bêbada mas eu ainda conseguia ver o sofrimento no seu olhar. Peguei no meu telemóvel.
- Eu já venho! – exclamei mostrando o telemovel.
Ela apenas assentiu.
Fui até à zona das casas de banho onde estava um pouco menos de barulho e confusão.
Marquei o número. Ele atendeu ao fim de alguns toques.
- Bella?
- Olá Jonh. Olha eu estou com a Maggie…
- Eu acho que ela já me disse tudo o que tinha a dizer. – interrompeu-me. Ui ele estava zangado.
- Oh já sabes como ela é! Completamente idiota! Ela está mesmo muito mal! A chorar como uma louca, eu já a tentei acalmar…mas ela diz que só te quer a ti. E diz que tu nunca a vais perdoar e que assim já não vale a pena viver! – exagerar um pouco não faz mal não é?
- Oh meu deus! Onde é que vocês estão? – perguntou muito preocupado. Sorri com a minha vitória.
- No bar ao fundo da minha rua.
- Okay. Vou já para aí! Não a deixes fazer nenhuma loucura, Bella!
- Fica descansado Jonh, eu aguento-a durante mais um bocado.
E assim desliguei já ouvindo o motor de um carro do outro lado. Voltei para ao pé dela. A única loucura que ela podia fazer era ficar em coma alcoólico. Passados alguns minutos chegou ao pé de nós um John muito preocupado.
- Oh Maggie! Meu amor! Está tudo bem! Eu perdoou-te! – exclamou ele enquanto a abraçava. Pude ver a confusao no seu olhar mas logo vi que ela estava feliz.
- John? Jonh! Eu amo-te! Eu quero casar contigo! Desculpa! – exclamou extremamente feliz.
Logo eles beijaram-se apaixonadamente.
- Bem… - comecei para atrair a atenção deles – agora que já fiz a minha boa acção do dia vou para casa. Toma conta dela Jonh, ela está mesmo bêbada.
- Podes deixar, Bella. Tenho um remédio óptimo para isso. – respondeu John e trocou um olhar cúmplice com a noiva.
Blhac! Porque é que eu tinha de assistir a isto?
- Obrigada, amiga. – disse Maggie e eu abracei-a.
- De nada. Falamos amanha.
E assim saí do bar e dirigi-me para o meu apartamento que ficava ao cimo da rua."
Foi das minhas últimas noites como humana...
Acorda, Bella! Agora tens de te concentrar no Edward! Fui até à cozinha e preparei um pequeno-almoço que eu esperava que estivesse apetitoso! Fiz panquecas e torradas. Coloquei morangos, manga e pêssegos na mesa. Fiz sumo de laranja e café. Quando acabei tudo percebi que vinha alguém a descer as escadas. Respirei fundo. Ia ser agora.
- Bom dia! – cumprimentei assim que ele entrou na cozinha.
- Só se for para ti…estou com uma dor de cabeça! – queixou-se enquanto massajava as têmporas.
Tinha o cabelo ainda um pouco molhado e vestia somente uns calçoes verde esmeralda que condiziam com os seus olhos. Calçava umas havaianas verdes escuras.
- É trabalho de quem bebe mais que a conta.
Ele sorriu para mim como quem pedia desculpa e finalmente olhou para a mesa que eu tinha preparado.
- Wow! Quem é que vai comer isto tudo? – perguntou com os olhos esbugalhados e a boca muito aberta.
Comecei a rir.
- Tu, logicamente. Vá senta-te. – disse enquanto afastava uma cadeira.
Ele abriu um grande sorriso, mostrando todos os seus dentes brancos e logo sentou-se começando a comer. Eu olhei para ele divertida e sentei-me à sua frente.
Não podia deixar de sorrir ao vê-lo tão alegre e descontraído. Tão natural. Ele reparou que eu olhava para ele.
- Passa-se alguma coisa? – perguntou sorrindo. Se eu pudesse estaria muito corada.
- Eu preciso de falar contigo…
- Sim…? – incentivou-me a continuar.
- Eu ontem levei-te até ao teu quarto quando estavas bêbado e vi os teus desenhos.
Ele olhou para mim de olhos esbugalhados pela segunda vez e começou a corar.
Eu ri levemente.
- Não precisas ficar envergonhado. Estão maravilhosos como sempre. – ele sorriu abertamente quando eu disse isto.
- Mas eu percebi uma coisa. Eu tomei uma decisão, Edward. – disse séria e ele ficou sério também – Percebi que estou a ser uma verdadeira idiota, eu amo-te e nada vai mudar isso. Não quero ficar zangada para sempre. Perdoou-te e quero ficar contigo durante toda a tua vida e quando chegar a tua hora arranjarei uma maneira de ir ter contigo.
Percebi que ele tinha os olhos marejados. Levantou-se e veio até junto a mim ajoelhando-se ao meu lado. Virei-me para ele.
- Eu amo-te tanto, Isabella Cullen. – disse acariciando a minha bochecha. Coloquei a minha mão sobre a sua.
- Eu amo mais.
- O que é um gota comparada com o oceano?
Aquela era uma discussão que nunca nenhum de nós ia ganhar.
Acabando com a distancia entre nós juntei os nossos lábios. Ambos ansiávamos por aquilo há muito. Tinha sido demasiado o tempo que tinhamos passado separados. Naquele beijo havia saudade, compreensão, arrependimento e muito amor.
Quando nos separamos estávamos os dois sem fôlego.
- Vai acabar de comer! – ordenei sorrindo abertamente.
Ele riu e voltou ao seu lugar recomeçando a comer. Eu não conseguia deixar de sorrir. Quando ele acabou, levantamo-nos a mesa e lavamos a loiça. Quando acabámos ele pegou-me nas mãos e olhou-me com uma felicidade genuína.
Parecia uma criança numa manhã de Natal!
- Bella eu prometi-te uma coisa e quero cumpri-la hoje!
Ahm? Eu não me lembrava de nada que ele me tivesse prometido…
- Vai andando lá para fora que eu vou só buscar uma coisa. – disse dando-me um beijo rápido e seguindo para o andar de cima.
Resolvi fazer o que ele me dizia e fui até à praia. Senti a brisa da manhã na minha cara, estava agradável e fez os meus cabelos revoltarem-se todos, mas eu não em importei. Sentei-me na areia de olhos fechados e pude sentir Edward a aproximar-se.
- Olá. – disse sorrindo mas ainda de olhos fechados.
- Amo-te. – disse simplesmente e senti os seus lábios sobre os meus. Deitei-me na areia e ele colocou-se sobre mim. – És linda. – disse por meio de beijos apaixonados.
Apesar de aquilo ser viciante e mesmo muito bom eu ainda estava curiosa.
- O que foste buscar? – perguntei afastando-o um bocado.
Ele soltou um suspiro de frustração e eu ri divertida. Saiu de cima de mim e sentou-se ao meu lado, eu também me voltei a sentar.
- Isso ri-te da desgraça alheia.
- Meu resmungão lindo. – ronronei roçando levemente os meus dentes pela sua bochecha quente. Senti-o estremecer com o meu toque. Sorri.
- É melhor não me provocares se não, não me responsabilizo pelos meus actos.
Eu ri-me mas tentei controlar-me.
- Prometo que paro quieta. – prometi levantando as mãos no ar - Mas vá! Afinal, o que estamos aqui a fazer? – perguntei entusiasmada.
Ele pegou em algo que estava no seu outro lado e que por isso eu não conseguia ver.
- Bella, quando estávamos separados…houve uma noite em que a Alice me contou a tua história. – disse ele com hesitação. Eu abri os olhos com a surpresa – Ela queria apenas que eu deixasse de te ver como uma vampira sem sentimentos e passa-se a ver que apesar de já não o seres completamente continuavas a ter uma parte humana. – continuou sempre a olhar-me nos olhos mas sem me deixar ver o que segurava nas mãos no outro lado do seu corpo.
Eu fiquei emocionada e então apenas assenti com a cabeça.
- Só houve uma coisa que eu não percebi…a razão pela qual abandonas-te a fotografia visto que era e continua a tua paixão.
Foi nesse momento que ele me mostrou o objecto. Era uma maquina fotográfica. Eu comecei a abanar a cabeça.
- Edward…não. – solucei – Eu a..abandonei isso há muito tempo. Se não fosse isso eu nunca me teria transformado neste monstro que sou hoje e ainda seria como tu, uma humana completamente normal. – disse olhando para a minha mão que estava na areia.
Ele pegou-me no queixo e obrigou-me a encarar os seus olhos esmeraldas.
- Bella, isso aconteceu porque tinha de acontecer e não porque tu aceitas-te aquela oferta de trabalho. Vê só, se não fosse a fotografia tu nunca terias encontrado os Cullen, nunca te terias tornado vampira e assim ficado na sua família, eu também nunca te teria chamado a atenção e provavelmente não estaríamos aqui assim agora.
Dei-lhe um sorriso fraco e ele beijou-me carinhosamente. Percebi que ele tinha razão. Eu nunca tinha visto a situação por aquele lado.
Mas será que eu ainda conseguia? Digo, fotografar…
Já se tinham passado tantos anos desde a última vez que havia tirado uma fotografia. Será que o talento que todos afirmavam que eu tinha não se teria desvanecido? E se eu desiludisse todos e principalmente Edward? Um tremor passou por todo o meu corpo de pedra.
Edward olhou preocupado para mim formando uma pequena ruga na sua testa perfeita.
- Que se passa, querida? – perguntou fazendo uma pequena festa na minha bochecha.
- Eu estou disposta a tentar novamente. – afirmei pausadamente com um pouco de medo.
Ele sorriu levemente mas franziu o cenho novamente.
- Mas….? – inentivou-me.
Eu respirei fundo para ganhar coragem.
- Achas…possivel…que o meu talento para fotografar tenha desaparecido e que eu já não valha nada?
Ele riu levemente.
- Bells um dom como o que tu tens não desaparece assim do nada. Está simplesmente adormecido. As tuas fotos eram magnificas, nunca tinha visto nada assim tão cheio de sentimento e vida. Eu quase conseguia perceber o que tu estavas a pensar e a sentir só de olhar para as fotografias. – disse e eu senti a admiração na sua voz. Só consegui sorrir abertamente.E abracei-o tão forte quanto ele podia aguentar. Ele retribuiu e depositou um beijo suave na curva do meu pescoço.
Mas de repente outra pergunta passou pela minha mente. Separei-me dele e arqueei umas das sobrancelhas.
- Como é que tu sabes que as minhas fotografias são magnificas?
Ele olhou para mim surpreso - pelos vistos ainda não se tinha apercebido do que tinha dito – e começou a corar muito rapidamente.
- Eu…a…eu…fiquei digamos intrigado quando a Alice me contou a tua historia e resolvi pesquisar por ti na Internet. Comecei por Isabella Cullen mas não apareceu nada, entao resolvi procurar como Isabella Swan e apareceu um artigo que te retratava como "uma das mais jovens e talentosas promessas da fotografia", lá também dizia que tinhas desaparecido num acidente que avião. Mas o que me fascinou mesmo foi a galeria que eles tinham com fotos tuas, eram simplesmente lindissimas. – confessou e os seus olhos brilhavam enquanto avançava na historia, como os de uma criança pequena quando conta a sua primeira grande aventura.
Eu apenas sorria enquanto ele falava. Como é que uma criatura tão linda e inocente podia existir?
- Já te disse que te amo? – perguntei apenas quando ele acabou.
- Não vezes suficientes.
Eu apenas gargalhei e beijei-o.
- Vamos dar um mergulho? – perguntei interrompendo o beijo – Aposto que te ganho numa corrida! – exclamei já me livrando da minha saia.
- Isso é que vamos ver. Mas sem truques okay?
- Sem truques! – exclamei levantando as mãos à altura dos ombros com as palmas viradas para ele.
- 1..2..Já!
- Seu batoteiro! – gritei correndo atrás dele em velocidade humana.
Claro que o deixei ganhar.
- Ganhei, ganhei!
- Sabes lá se te deixei ganhar.
- Deixas-te?
- Nunca saberás!
E dito isto mergulhei naquela água quente e calma, sentindo-o logo a mergulhar atrás de mim. Nadei até junto a umas rochas e sentei-me numa delas com as pernas mergulhadas. Ele chegou pouco tempo depois e sentou-se ao meu lado.
- Pareces conhecer bem isto aqui…aliás onde é que nós estamos?
- Na Ilha Esme. Foi presente do Carlisle para ela. Eles costumam vir para aqui às vezes.
Ele arregalou muito os olhos surpreendido.
- Eles parecem gostar muito um do outro.
- E gostam. São completamente apaixonados um pelo outro. Assim como nós. – disse dando-lhe um beijo na bochecha.
- Como é que a tua família se tornou toda vampira?
- Carlisle liderava um grupo que perseguia "criaturas da noite" até que descobriu umas que o eram verdadeiramente e acabou transformado por um deles, resistiu à ânsia de sangue humano e transformou-se num vegetariano, Rosalie foi violada e agredida pelo seu noivo, Carlisle encontrou-a e transformou-a. Depois veio Emmet que se envolveu numa luta com um urso, a Rose encontrou-o entre a vida e a morte e levou-o até Carlisle resistindo ao impulso de o matar. Alice e Jasper apareceram juntos e do nada, Ali não se lembra de nada da sua vida como humana e o Jazz foi um soldado do exercito.
Ele olhou para mim surpreendido. Mas sabia que ele tinha mais perguntas e eu tinha que lhe responder a todas.
- E James?
- Ninguém sabe de onde ele veio. Um dia ele chegou junto dos Cullen a dizer que estava farto de ser um assassino e que queria pertencer a uma familia de verdade. O Carlisle e a Esme aceitaram-no logo e passado pouco tempo já fazia parte dos Cullen. Tens mais perguntas ? – perguntei divertida.
- Por agora não. – respondeu meloso e inclinou-se na minha direcção.
Beijei-o mais uma vez. Como eu adorova aquilo. Era a melhor sensação do mundo. Ele começou a inclinar-se mais sobre mim e eu deitei-me devagar na rocha plana onde estavamos sentados. A sua mão que antes estava na minha nuca começou a descer cada mais e lentamente indo até ao meu joelho e fazendo o mesmo caminho na direcção contrária. Eu somente agarrava o seu cabelo puxando-o mais para mim. Senti a sua mão na direcção do laço do sutian do meu biquini.
E foi aí que acordei. Eu podia magoa-lo seriamente se deixasse aquilo avançar. Separei-me levemente dele e escorreguei para dentro de água.
Ainda pude vê-lo a inclinar-se para me beijar. Bom, espero que a pedra saiba bem.
- Hum Edward? – chamei divertida.
Ele virou-se para mim confuso.
- Como é que tu foste parar aí? – perguntou virando-se na minha direcção.
Eu fiquei a pensar um pouco como se estivesse a considerar se lha contava ou não.
- Sabes é que eu para alem de ser vampira também sou uma feiticeira. – sussurrei como se fosse um grande segredo.
Ele olhou para mim de olhos esbugalhados e boca aberta. Eu não aguentei e desatei a rir à gargalhada. Ele olhou pra mim confuso.
- Estou a brincar como é lógico!
- Não é tão lógico assim! Até há bem pouco tempo eu não sabia sequer que vampiros existiam!
- Bem, isso é realmente verdade…enfim! Vais ficar aí muito tempo ou vais vir para aqui para ao pé de mim? – perguntei com um sorriso sedutor.
Para minha surpresa, ele somente puxou as pernas para cima sentando-se com elas cruzadas. Cruzou os braços e virou a cara para o outro lado, desviando o olhar da minha cara. Eu olhei para ele confusa.
- Edward...? – chamei tentando que ele olha-se para mim.
- De repente apetece-me ficar aqui em cima. Foste tu que quiseste ir para aí! – acusou sem olhar para mim.
- Edward, eu… - comecei acarinhando-lhe a face.
- Deixa-me! – ordenou tirando a minha mão e olhando para mim, os seus olhos expressavam uma tristeza imensa – Já sei que não sou suficientemente bom para ti! Uma mulher perfeita! Sei que não me desejas. Agora, por favor deixa-me. – disse duro e distante virando a cara para o lado.
Como é que uma simples brincadeira tinha-o magoado tanto? Como é que ele podia pensar que eu não o desejava com todas as celulas do meu corpo?
- Edward, olha para mim! – ordenei pegando na sua cara e virando-a com um pouco de fora, afinal não lhe queria partir o pescoço – Desejo-te tanto que tu nem imaginas! Eu só tenho…medo. Medo de te magoar! Tu não tens noção da minha força! Eu posso matar-te só com este movimento que acabei de fazer! Eu tenho que estar sempre super controlada!
Ele olhou para mim espantado mas eu podia ver que a tristeza no seu olhar começava a dissipar-se. Sorri-lhe.
- Tu não eras capaz de me magoar. – afirmou vindo para ao pé de mim dentro de água.
- Deixa-me primeiro ter a certeza disso. – pedi aproximando-me dele.
- Tudo o que quiseres. – disse acabando com a distancia que nos separava e beijando-me apaixonadamente.
Ficamos ali durante horas a brincar e a namorar. Há imenso tempo que eu não me sentia tão livre e tão bem. Com ele junto a mim sentia-me finalmente completa. Aquilo que me faltava quando estava com James.
Eu e Edward parecia-mos dois adolescentes apaixonados que estavam a viver o seu primeiro amor. E era assim que eu me sentia. Finalmente esta sensação de entrega e devoção absoluta que eu tanto tempo esperara. Podia ver que ele se sentia da mesma forma que eu. A sua felicidade era genuína. Era como se os problemas não nos afectassem, pois o mais importante era que finalmente estávamos juntos e felizes.
A barriga dele fez um leve barulho, o que me lembrou que ele era humano e que tinha de comer. Ele fez uma careta de desagrado como se o seu estômago se estivesse a intrometer onde não era chamado. Eu ri-me levemente e encostei os meus lábios aos seus antes de o começar a puxar em direcção à praia.
- Já? Podemos ficar ali mais um bocadinho… - disse meloso e tentando fazer-me voltar para trás. Claro que eu quase nem sentia a força que ele fazia. Ele era tão frágil comparado comigo.
- Parece-me que o teu estômago não concorda contigo. – afirmei enquanto me ria.
- Fome idiota! – resmungou para si mesmo enquanto andávamos até à praia.
O sol espreitou por entre as nuvens no momento em que deixámos a água e vi o meu corpo brilhar. Olhei para Edward e ele estava fascinado, ouvi um barulho e vi que estava um barco um pouco próximo, devia ser provavelmente alguém que estava apenas a passear. Voltei a olhar para ele, estava tão próximo que eu podia sentir o seu maravilhoso hálito.
- Vou amar-te sempre e para sempre. – sussurrou junto ao meu ouvido. Arrepiei-me toda.
Não resisti e acabei com a distância que nos separava puxando-o um beijo demorado. Ele sorriu e caímos os dois sobre a areia molhada. Comigo por debaixo dele. As suas mãos começaram a caminhar pela lateral direita do meu corpo, deixando um rastro de fogo no meu corpo de gelo. Eu puxava cada vez mais os seus cabelos fazendo-o gemer. Sorri. Estava tão concentrada em nós que não me apercebia de nenhum cheiro nem nenhum som à minha volta.
- Isso que ele nem é seu namorado, hein? – perguntou um voz divertida que reconheci imediatamente. Tirei Edward de cima de mim e sentei-me na areia.
- Ei! – reclamou ele quando se viu deitado na areia – Odeio a tua super força! – exclamou tirando a areia do cabelo. E finalmente olhou na direcção da pessoa que nos tinha interrompido corando violentamente.
Ela somente riu. Eu olhava para ela com raiva. E ela devolveu-me o olhar como se estivesse a espera de ser apresentada. Eu apenas virei a cabeça para o lado, mas ainda pude vê-la a revirar os olhos.
- Noelle, prazer. – apresentou-se ela mesmo estendendo uma mão para Edward.
- Edward Masen. – respondeu ele aceitando a mão dela e sorrindo. Levantando-se de seguida. Eu era a única que continuava sentada.
- É… eu sei! – exclamou soltando risinhos como se fosse uma criancinha pequena. Ele apenas olhou confuso e um pouco assustado para ela.
Foi a minha vez de rir.
- Importas-te de não o assustar, Noe? – perguntei com uma voz autoritária, levantando-me e colocando as mãos na cintura.
- Ooops! – exclamou com uma expressao arrependida. Edward estava cada vez mais confuso.
Eu sorri e fui até ela abraçando-a.
- Ele é muito lindo! – exclamou ao meu ouvido para que apenas eu ouvisse.
- Eu sei. – disse soltando uns risinhos estranhos.
Separámo-nos e Edward aclareou a garganta.
- Eu vou lá para dentro para vos dar privacidade. – disse vindo até mim. Beijou-me apaixonadamente e foi para dentro de casa.
Eu estava com um sorriso idiotamente apaixonado no rosto e sabia disso. Mas não me importava minimamente! Era a melhor sensação do mundo!
- Razões do coração que a propria razão desconhece. Lalala – Disse cantarolando.
- Oh cala-te! – ordenei sem tirar o sorriso da cara – Anda vamos sentar-nos. – disse pegando-lhe na mão e sentando-no as duas na areia.
- Alice me ligou. Mandou eu te avisar que ela, Jazz e Emmet vao chegar a qualquer momento! Para você ter cuidado com o que está fazendo. – disse ela olhando para o mar. Pude notar que estava com um ar divertido.
Eu olhei para ela confusa.
- Só isso?
- Só.
- Porque é que ela não me ligou a mim?
- Pergunta pra ela!
- Porque é que eu tenho a sensação de que me estás a esconder alguma coisa?
- Não estou, Bella. – disse olhando-me nos olhos.
Ela não me ia dizer mesmo nada.
- Okay, obrigada. – disse suspirando. Eles vinham-nos buscar. Eu sabia que ia ter que sair do meu paraiso privado algum dia, não sabia era que seria tao cedo.
Parece que tudo o que é bom acaba depressa.
- Que está acontecendo, Bella?
Eu olhei para ela séria. Ela mercecia saber, eu sabia que podia confiar nela.
- Eu deixei o James pendurado no altar e fugi com o Edward. – disse de um só folego.
Ela olhou para mim com os olhos esbugalhos.
- Oh-Meu-Deus! Amiga, você é louca! Ele é um vampiro e Edward é um humano indefeso! Ele pode matá-lo! Ele é louco por você! Como isso aconteceu? – começou a disparar a uma velocidade impressionante. E eu senti uma furia a crescer dentro de mim.
Levantei-me de um salto e ela olhou para mim confusa.
- Eu não preciso que me digas tudo o que eu fiz de mal, Noelle! Eu amo o Edward! E finalmente percebi que também tenho direito à minha felicidade! E vou lutar por ela! – exclamei enraivecida com os braços esticados junto ao tronco e as mãos fechadas em dois punhos.
Ela contrariamente ao que eu esperava levantou-se calmamente e sorriu-me.
- Desculpe, Bells. Eu só fiquei surpreendida. Pode contar comigo para tudo, amiga. – disse abraçando-me. Eu descontraí e retribui o gesto, mais calma.
- Eu tenho medo, Noe. – confessei ainda abraçada a ela.
- Você é forte, vai tudo correr bem.
Ficamos mais um pouco abraçadas. Eu precisava do apoio de uma amiga. E ela não se importava que eu não fosse humana.
Por fim, largamo-nos.
- Bom, eu tenho de ir. Meu pai quer que eu vá fazer umas compras pra ele. Boa sorte, amiga. – disse sorrindo e dando-me um beijo na bochecha.
- Obrigada, Noe. Adeus.
- Adeus, Ed! – gritou ela na direcção da casa. Ele veio até a nós.
- Gostei de te conhecer, Noelle. – disse abraçando-a. Não pude evitar sentir uma pontada de ciúme. Por amor de deus Isabella!
Ela abraçou-o e riu um pouco.
- Me chame de Noe!
- Okay, mas não me chames de Ed!
Eu tive de rir. Ele agora já estava com o braço em volta da minha cintura.
Ela fez uma cara muito desiludida e suspirou resignada.
- Ah, okay….Ed! – exclamou correndo na direcção da sua lancha. Ele abanou a cabeça como se estivesse cansado. Ele nunca iria ganhar uma discussao com ela.
- Até, meus amores! – exclamou enquanto se afastava. Nós apenas rimos e acenamos.
- Enfim sós. – disse Edward virando para mim.
Eu apenas sorri abertamente e beijei-o. Desde que nos tínhamos reconciliado que não fazíamos. Mas era tão bom!
- Quero tirar-te uma fotografia! – exclamei quando os seus lábios se separaram dos meus.
Ele olhou para mim surpreendido mas depois sorriu ternamente.
- Já disse que te amo? – perguntou enquanto me dava pequenos beijinhos em toda a minha face.
- Já. Mas eu não me canso de ouvir. – disse soltando uns risinhos que para mim eram muito estranhos.
- Vamos lá. – disse pegando na minha mão. Deixei-me ser levada por ele.
Chegámos à varanda da casa e a maquina estava pousada numa das cadeiras de balanço que lá se encontravam.
Olhei para ela reticente, fazia tanto tempo… Mas eu fotografava desde sempre. Esse pensamento trouxe-me uma recordação.
"- Bella? Bella? Isabella Swan! – chamava a minha mãe pela casa inteira.
- Estou aqui, mamã! – informei desviando a minha atenção daquilo que fazia apenas por minutos.
- Ah, aqui estás tu! Não me ouvias a chamar-te?- perguntou irritada com as mãos na cintura.
- Pxiiiu, mamã! – ordenei sem olhar para ela. Eu só esperava o momento certo.
- Isabella… - disse em tom de aviso.
- Se não ela foge! – expliquei olhando para ela por momentos e apontando de seguida para a linda borboleta rosa com algumas pintas lilás que eu tentava desesperadamente fotografar.
- Oh! – disse em tom de compreensão – Ela é tão linda! – exclamou colocando-se ao meu lado. Ficou comigo durante uns minutos mas vendo que eu não fotografava levantou-se. – Eu tenho de ir fazer o almoço, assim que tirares essa fotografia, vem ter comigo para me ajudares na cozinha. Ouvis-te?
- Sim, mãe. – sussurrei. Estava quase.
Ouvi a minha mãe a afastar-se tentando não fazer barulho. E finalmente chegou o momento. A borboleta levantou voo e eu carreguei no botão que me permitiria gravar aquele momento.
Tinha ficado maravilhosa. Visualizei a fotografia por instantes e senti um pequeno movimento atrás de mim.
Era a linda borboleta que eu tinha fotografado.
- Gostas? – perguntei mostrando-lhe a fotografia na maquina – Eu gosto! És uma óptima modelo! Mas eu agora tenho de ir ajudar a mamã. Ate logo, borboleta! – disse levantando-me e indo para dentro de casa. O pequeno animal bateu as asas para longe.
Coloquei a máquina ao pescoço e fui até à cozinha.
- Que queres que faça, mamã? – perguntei colocando-me ao seu lado.
- Podes começar por pôr a mesa… - disse sem desviar a sua atenção das batatas que descascava e por fim olhou para mim – Bella! Já te disse para guardares essa maquina quando não estiveres a fotografar! – exclamou chatiada.
- Oh mãe! Mas eu gosto de usá-la ao pescoço! – exclamei cruzando os braços no peito e fazendo beicinho.
- Isabella… - avisou a minha mãe.
- Pronto, pronto! Vou guardá-la no quarto! – exclamei com as mãos no ar e começando a caminhar ruidosamente.
- Tudo isto é culpa da Claire! Eu bem disse que ela era nova demais para ter uma maquina daquelas! – ouvi a minha mãe a reclamar enquanto eu subias as escadas em direcção ao meu quarto.
Chegando lá, fechei a porta e sentei-me na minha cama a ver as fotografias todas que já tinha tirado. Eu não tirava fotos a todo o momento, eu só tirava quando achava que o momento assim o merecia. Quando tinham um significado especial para mim.
Claire era a minha tia materna, eu adorava-a! Ela era fotografa profissional e muito conhecida internacionalmente. Eu adorava quando ela me levava para sua casa e me mostrava os seus últimos trabalhos.
Quando eu tinha feito 12 anos ela tinha-me oferecido uma maquina semi profissional, nem é preciso dizer que eu amei, foi o meu presente preferido de todos. Mas a minha mãe não gostava que eu passasse os dias inteiros a fotografar e nem que eu dissesse que queria fazer aquilo pelo resto da minha vida como a tia Claire. Ela queria que eu fosse professora.
Eu teria lá paciencia para aturar montes de miudos aos berros!"
Sorri com aquela memória da minha mãe. Ela só queria que eu lhe prestasse mais atenção e a ajudasse mais. Mas eu só queria fotografar. E apesar de tudo ela sempre me apoiou até ao dia da sua morte inesperada. Ela era professora primária e o meu pai chefe da policia, eu sempre tinha tido uma boa vida sem necessidades. Eles tinham-me amado e dado tudo o que podiam. E eu nunca tinha agradecido deviadamente.
Só gostava de uma última oportunidade de lhes dizer quanto os amava e as saudades que tinha deles.
- Bella? Bella? – ouvi a voz de Edward a chamar-me.
- Sim? Desculpa estava longe daqui. – respondi olhando para ele a sorrir.
Ele sorriu torto para mim e eu derreti-me, encostando os meus lábios aos seus mas ele não aprofundou o beijo.
- Vá pega nela. – disse apontando para a máquina.
Eu olhei para ele reticente mas ele apenas continuava com aquele sorriso no rosto. Completamente irresistível.
Foquei o meu olhar naquele objecto que tinha sido o meu companheiro por tantos anos.
Respirei fundo e peguei nela. Uma corrente de sensações passou pelo meu corpo. Senti uma vontade enorme de começar a fotografar. Sorri a Edward abertamente e ele devolveu-me um grande sorriso.
Abracei-o com toda a força que podia sem o sufocar.
- Obrigada! Amo-te! – exclamei fungando sem lágrimas.
- Também eu, meu amor. – respondeu contra o meu cabelo.
- Vá, vem comigo. – disse e comecei a puxá-lo em direcção ao mar.
Coloquei-o à beira-mar virado para a casa. Depois afastei-me um pouco dele e admirei-o. Estava óptimo. Já era de tarde e o sol ia alto. Posicionei a máquina e olhei-o pela lente, estava maravilhoso, mas faltava qualquer coisa…aquele olhar apaixonado que me derretia sempre.
- Edward? – chamei.
Ele acenou com a cabeça como a dizer que ouviria.
- Pensa em mim. – ordenei sorrindo.
Olhou para mim confuso mas depois fez o que eu tinha mandado. E um sorriso torto começou a desenhar-se no seu rosto perfeito. E as duas esmeraldas brilharam.
Perfeito, pensei.
Carreguei no botão e tirei a minha primeira fotografia desde há três anos.
Sorri e corri até Edward abraçando-o. Eu queria agradecer-lhe mostrando-lhe o meu mundo. Aquele que desde de sempre eu tinha querido mantê-lo afastado.
- Quero mostrar-te uma coisa! – exclamei entusiasmada.
Ele olhou para mim desconfiado.
- Está bem… - disse reticente. Eu apenas ri e fui na minha velocidade pousar a máquina dentro de casa, na mesa da cozinha.
Voltei em menos de um segundo para junto dele à beira-mar, que continuava na mesma posição.
- Confias em mim? – perguntei com o rosto muito perto do dele.
- Sempre. – respondeu com uma voz rouca.
Coloquei-o nas minhas costas tão rápido que ele quase nem se apercebeu.
- Bella? Isabella coloca-me imediatamente no chão! – ordenou irritado. Pronto, já cá faltava o machismo ao poder.
- Edward, por favor…
- Bella isto não tem sentido nenhum! Um homem às cavalitas de uma mulher com metade do seu tamanho! – resmungou e eu senti-me muito ofendida.
Larguei-o de repente e ele caiu com o rabo no chão.
- Ai! – disse massajando o local com que tinha batido no chão.
- É bem feita! Como podes ser tao machista?! – perguntei indignada com as mãos na cintura.
- Bella tenta… - tentava ele explicar.
- Bella nada! Eu sou uma vampira, Edward! Entende isso! Eu sou mais forte e mais rápida que tu! Pára de ser machista! – exclamei enraivecida com os braços esticados ao lado do meu tronco.
- Wow, calma, Bella, calma! – pediu ligeiramente assustado.
Fechei os olhos e respirei fundo.
Eu odiava o machismo, porque sempre tinha sofrido com ele. Quando eu era mais pequena não gostava muito do que as raparigas com a minha idade normalmente gostavam. Eu andava de skate, fotografava, não gostava de brincar com bonecas mas sim com armas de plástico e principalmente odiava ir às compras com a minha mãe. Mas os rapazes não me achavam suficientemente boa para brincar com eles e eu ficava muito magoada com isso.
Mas à medida que fui crescendo fui sendo influenciada e fui ficando cada vez mais feminina para grande felicidade da minha mãe que passou a ter companhia no shopping.
No entanto a primeira agência onde eu trabalhei era basicamente só homens e todos achavam que eu não era suficiente boa para trabalhar com eles. Nem que nunca o seria. No entanto fui ficando cada vez mais conhecida e consegui começar a trabalhar por conta própria, o que os surpreendeu e calou a todos.
- Desculpa, meu amor. – ouvi a voz de Edward pedir e percebi que ele estava a abraçar-me, devolvi o gesto – Juro que não volto a fazê-lo. Isto para mim ainda é tudo muito novo. Agora podes mostrar-me aquilo que me querias mostrar? – pediu segurando o meu rosto entre as suas mãos. Eu finalmente abri os olhos e vi que estava a olhar directamente para os seus olhos verde esmeralda, percebi que ele estava a ser sincero.
- Posso. – respondi assentindo com a cabeça. Ele juntou os nossos lábios mas não aprofundou o beijo.
Coloquei-o em um segundo nas minhas costas novamente. Mas desta vez ele não disse nada.
- Segura-te bem. – disse e ele apertou ligeiramente os braços em volta meu pescoço e as perna da minha cintura.
E então comecei a correr. Eu queria mostrar-lhe como eu me sentia livre e viva quando corria pelas florestas e bosques. Corri durante um minuto aproximadamente e atingi a maior velocidade que poderia. Mas segurei-o bem. Não queria que ele caisse aquela velocidade. Parei junto à árvore mais alta da ilha e deixei-o descer lentamente.
Ele não se aguentou nas pernas e eu graça aos meus rápidos reflexos segurei-o.
- Edward? Estás bem? – perguntei assustada, o seu coração batia freneticamente, a sua respiração estava acelarada também e ele tremia um pouco.
- Nem por isso. – respondeu enquanto respirava fundo.
- Senta-te e coloca a cabeça entre os joelhos. Costuma ajudar. – aconselhei tentando lembrar-me de como era estar enjoada.
Ajudei-o a sentar-se no chão e ele fez o que eu disse. Eu ajoelhei-me ao seu lado passando a mão pelo seu cabelo e com outra mão no seu esquerdo. Aos poucos ele foi ficando melhor, o seu coração não voltou bem ao normal, como acontecia sempre que estavamos mais próximos.
- Melhor?
- Muito. Obrigado. – respondeu olhando para mim e sorrindo levemente.
- Ainda bem. Já vi que não posso voltar a fazer isto contigo. – disse suspirando triste. Eu só queria mostrar-lhe um pouco do meu mundo.
- Não, não! Eu quero voltar a fazer! Adorei! Só que não estou habituado, ainda. – explicou e percebi que ele tinha gostado mesmo pelo grande sorriso que abrira apenas para mim.
Sorri-lhe também e ficamos assim um pouco. A admirar-nos mutuamente. Com ele até o silencio era confortável.
- Já te consegues levantar? Ainda te quero mostrar outra coisa! – perguntei levantado-me.
Ele como que para me responder levantou-se com um salto.
Peguei nele de novo às cavalitas, depois de alguns protestos ele finalmente calou-se, e eu subi para uma arvore enorme, saltitei de ramo em ramo, subindo para o topo, sentia a tensão que saia do corpo de Edward e revirei os olhos, ele pensava mesmo que eu o podia deixar cair? Mesmo que isso acontecesse, eu chegava muito antes dele cair no chão. Quando chegámos ao ultimo ramo. Eu deixei com que ele saisse das minhas costas o mais calmamente possivel, deixando-o ganhar o equilibrio e a coragem sozinho. Depois com um braço, abraçou a minha cintura e com o outro o grosso tronco da arvore.
Olhei à minha volta com um sorriso. Já tinha saudades de ver aquela belissima paisagem. O mar azul calmo. Os golfinhos saltando, brincando um com os outros. Lá mesmo ao fundo a costa de um pais qualquer. As gaivotas a voarem no céu azul, descendo e mergulando as suas patas e voando de volta ao ninho com a sua pescada.
Olhei de seguida para Edward, este encarava aquilo tudo com a boca aberta e os olhos bastante abertos também.
- Então? – Perguntei
- Isto é maravilhoso. Isto nunca devia ser escondido a um olhar de um fotografo. Bella, isto é maravilhoso, nunca tinha visto algo assim.
- No meu mundo vemos muito disto. – Sussurrei e senti ele a olhar para mim, devolvi-lhe o olhar.
- Bella, tens de pegar na maquina, tens de mostrar ao mundo o teu mundo!
- Se mostrasse ao mundo o meu mundo, as pessoas iriam ter medo.
- Não é o mundo do terror, das caçadas, mas sim do que vocês podem ver! Sabes que o mais importante num fotografo é o olhar, é um novo mundo que sai do que eles vêm!
- Tenho de pensar nisso. É uma boa ideia, o mundo não devia estar ignorante destas paisagens tão maravilhosas. – Disse observando a paisagem de novo.
Senti a mão quente de Edward pegar na minha.
- Vou fazer os possiveis para te convencer a isso. – Sorriu e beijou, fazendo-me desiquilibrar do ramo durante uns segundos. – Ops – Disse um pouco envergonhado. Ri-me.
- Anda, já está a escurecer e tu tens de comer.
- Maldito factor de me ter de alimentar muitas vezes. – Disse dando de novo uma vista de olhos ao que nos rodeava, captando cada imagem. Depois saltou para as minhas costas e eu saltei, imediatamente, para o chão. Os meus pés tocaram suavemente no chão, mas Edward estava em choque com o facto da altura a que saltamos, então achei melhor carregá-lo até à casa.
- Vai tomar banho, eu vou só ali a cima mudar de roupa e vou-te preparar o jantar. – Disse dando-lhe um beijo e sem dar-lhe oportunidade para falar, subi as escadas na minha velocidade vampirica até ao quarto. Fui até à mala e tirei umas calças de fato de treino e uma tshirt branca, retirei a roupa que tinha vestida e vesti aquela, com que eu iria ficar mais confortavel.
Passei pelo quarto dele, ouvindo o chuveiro ligado. Optimo. Desci as escadas e caminhei até à cozinha, ligando a televisão que estava na bancada, passei os canais até encontrar o que eu queria. O canal de culinária. Sorri. A ementa naquele dia seria lasanha de carne, esperava que ele gostasse. Peguei em todos os ingredientes à medida que o cozinheiro dizia no programa. Adorava a faceta da velocidade e da compreensão dos vampiros, conseguia fazer a comida à medida que era feita na televisão.
Liguei o televisor no canal de culinaria que Esme passava os dias a ver, razão? Não sei bem.
Então peguei em todos os alimentos e objectos que o cozinheiro dizia, começou então a cortar os tomates e os pepinos para uma salada e a picar a cebola, começei a fazer o mesmo ao mesmo tempo que o cozinheiro fazia-o. Senti o cheiro de Edward a invadir a cozinha, mas não liguei, só quando já estava a aborrecer o facto dele estar estancado à entrada da cozinha a olhar para mim.
- O que se passa? – Perguntei-lhe enquanto metia tudo dentro da frigideira e levava ao fogão como era feito na televisão.
- Estás a seguir ao mesmo tempo que o homem, a tua velocidade é incrivel.
Sorri envergonhada.
- É uma boa faceta não é? Para seguir conselhos culinarios. – Gargalhei e deitei-lhe a lingua de fora.
- Sim, sim.. – Disse gargalhando – Lembra-me nunca fazer um concurso contigo para ver quem cozinha mais rapido.
Ri-me. Edward às vezes conseguia ser mesmo tótó. Como se fosse so na culinaria que eu lhe iria ganhar.
Depois de Edward comer a sua refeição e repetir milhões de vezes, em cada garfada, que o comer estava optimo, ajudei-o a lavar a loiça. Depois encurralou-me entre a bancada e o seu corpo.
- Dorme comigo hoje, tenho saudades de me sentir seguro ao teu lado.
Sorri-lhe.
- Está bem. – Beijei-o. Com o seu sorriso torto saiu da cozinha e subiu para tratar da sua higiene. Eu acabei de arrumar umas coisas na cozinha e subi para o meu quarto, despindo-me e vestindo umas calças de fato de treino pretas justas e um top tigreza. E fui ter ao quarto de Edward.
Quando entrei este já estava deitado na sua cama, virou a cabeça para mim e sorriu. Sentei-me ao seu lado.
- Deita-te por baixo dos cobertores.
- Assim vais ficar gelado. – Disse mordendo o lábio.
- É impossivel ficar gelado ao teu lado Bella, por mais que me toques com a tua mão gelada eu fico ainda mais quente.
Se fosse humana corava, sabia perfeitamente onde ele queria chegar. Então fiz-lhe a vontade, deitando-me junto ao seu corpo. Pousei a cabeça no seu ombro e a mão no seu peito. Ele começou a mexer no meu cabelo.
- Isto é perfeito. É perfeito estar ao teu lado.
- Amo-te Edward.
- E eu a ti. – Disse acabando por adormecer.
Sorri. Sim, tudo ali era perfeito, só nós os dois. Mas por quanto tempo? Por quanto tempo James iria ficar sem nos atacar, sem nos estragar o nosso amor? Tinha pena que isto tivesse de ser assim, James era um homem espectacular e eu tinha despertado o seu lado mais negro, depois de tudo, depois de me ter salvado daquele desastre. Mas por mais que eu tentasse estar longe de Edward isso era impossivel. Era como se uma parte de mim tivesse sido arrancada, como se não podesse sobreviver sem ele. Como se ele fosse o sangue que um vampiro precisa para continuar a sua jornada. Eu amava Edward e era por ele que iria lutar o resto da minha eternidade.
Fechei os olhos e pareceu que tinha adormecido.
Na manhã seguinte, levantei-me com cuidado para não acordar Edward, começava só agora a ficar gelado e não queria que ficasse doente. Fui até ao meu quarto, tirei um vestido justo azul da mala e dirigi-me para a casa de banho, para o banho habitual.
Era optimo sentir aquela agua quente na minha pele, era espectacular a maneira como o meu corpo ficava quente por uns minutos. Adorava aquela sensação, talvez fosse outra das razões que me levou ser viciada em banhos quando me tornei um vampira.
Quando voltei ao quarto de Edward este já estava acordado e já tinha tomado um banho. Estava só de calções deixando os musculos do seu peito nus. Calma Bella. Sorriu e veio ao meu encontro, abraçando-me e dando-me um beijo apaixonado.
-Bom dia meu amor. – Disse sorrindo e pegando na minha mão descemos até à cozinha onde ele fez um prato de cereais e começou a comer. – O que vamos fazer hoje?
- Que tal irmos ver agora um filme?
- Qual?
- Hummm... pensei no Moulin Rouge – Disse
- Ora ai está um bom filme, vamos lá. – Disse pondo a taça vazia dentro do lavaloiças e pegando-me ao colo levando-me para a sala. Tentei refilar – Não queiras fazer tudo. – Disse torcista e pousando-me no sofá. Depois dirigiu-se ate ao armario da televisao e tirou de lá o filme que eu tinha dito, pondo-o no dvd e carregando no play. Vindo depois sentar-se ao meu lado, envolvendo-me com os seus braços protectores.
Mas quem conseguia estar atenta ao filme com Edward mesmo ao seu lado? Mesmo que o filme fosse o seu favorito? Eu não!
Olhei para ele e ele devolveu-me o olhar com um sorriso.
- O que foi? – Perguntou aproximando a sua cara da minha.
- Nada, nada. – Disse
- Nada, nada? – Disse aproximando-se ainda mais, sentia o seu halito fresco batendo na minha cara.
- Nadinha. – Disse, então ele beijou-me, um beijo terno que rapidamente passou para mais urgente. A sua mão passou na minha perna, subindo para a minha coxa e depois para as minhas costas. A minha foi parar ao seu pescoço, agarrando-lhe o cabelo e puxando-o para mim, enquanto o beijo aumentava a um ritmo louco.
Edward começou a ficar com a respiração acelarada e o seu coração a bater mais rapidamente mas mesmo assim não me largou, deitando-me no sofá e pondo o seu corpo em cima do meu, a sua mão "queimou" a minha pele quando ele a passava no meu corpo por baixo do meu vestido. Ele arrepiou-se enquanto a minha mão gelada percorria as suas costas, ele gemia enquanto o arranhava devagar, eu gemia enquanto ele me mordia o pescoço de uma forma louca mas terna.
Começou então a desabotoar o meu vestido de uma forma do tipo "quero-me ver livre disto já", se fosse um vampiro já lhe tinha passado rasgar todo aquele vestido. A sua boca encontrou a minha novamente, beijando-me com uma urgencia enorme, o seu corpo movia-se em cima do meu, chamando pelo meu toque, pelo meu corpo. Edward conseguiu-se desfazer dos botões e preparou-se para "arrancar" o vestido do meu corpo...
- Acho que viemos interromper algo. – Ouvi a voz de Emmett do lado de fora da cabana e depois o seu riso estridente. Abri os olhos imediatamente, e arranquei Edward de cima de mim, empurrando-o para o chão e sentando-me direita no sofá enquanto arranjava rapidamente o vestido. Edward olhava para mim ainda caido sem perceber nada.
Passado milesimos de segundos os meus três irmãos entraram na sala.
Emmett com um riso de gozo, Jasper pensativo e Alice preocupada.
Edward levantou-se rapidamente e deu três passos atrás.
- Podes ter calma, Edward, ninguem te vai fazer mal. – Disse Jasper, sentindo a tensão do corpo do meu namorado, até eu propria sentia e não tinha poder nenhum. Vi pelo canto do olho Edward a relaxar um pouco. Levantei-me e fui até ele, dando a minha mão.
- O que se passa? – Perguntei
Vi o rosto de Emmett a mudar para um bastante serio, nunca tinha visto aquele ar na cara do meu irmão mais velho.
- Bella, vai haver uma guerra. – Disse Alice.
Olá a todas, pedimos muitas desculpas a todas as nossas leitoras mas isto anda mesmo dificil e mal nos apanhams uma a outra aqui na net. Espero que gostem deste capitulo =) beijo
Cat e Dan
