6 de Maio de 1997.
Astoria estava andando pelo corredor do quarto andar indo para a Torre do Relógio, onde costumava ir para ficar um pouco sozinha, quando viu o professor Snape levando a quem parecia ser Malfoy para a Ala Hospitalar.
Ela parou o caminho e observou como Madame Pomfrey se apressava para colocar Malfoy em uma cama, então ela viu a sua camisa branca empapada de sangue, seu rosto pálido... Ele percebeu que estava sendo observado e olhou para ela, fazendo Snape perceber e virar-se.
Astoria apressou-se pelo corredor antes que Snape saísse da Ala Hospitalar e Madame Pomfrey trancasse a porta. Mesmo sendo de sua própria casa, era capaz de ele tirar pontos dela por estar tão nervoso pelo que tinha acontecido a Malfoy.
A cada corredor que virava, ela olhava para trás para assegurar-se de que o professor não estava seguindo-a, mas não viu um sinal dele, chegando rapidamente até uma parede de pedras que deixava o corredor sem saída, sendo guardado por uma armadura prateada.
— Chama-furdeiro — murmurou Astoria, fazendo uma careta, odiava as senhas do Salão Comunal da Slytherin.
As pedras, que na verdade era uma porta disfarçada de pedras, abriram passagem para ela que entrou rapidamente.
Antes que pudesse chegar à porta dos dormitórios femininos, sentiu-se ser puxada pelo braço e empurrada para a parede.
— O que deu em você? — murmurou ao perceber que era sua irmã mais velha, Daphne, que olhou em volta para garantir que estavam sozinhas.
— Não se mete no que Malfoy está fazendo — disse Daphne no mesmo tom.
— Ele está mexendo com os Death Eaters — tentou argumentar Astoria, mas Daphne apertou mais a mão em volta de seu pulso.
— Nós não temos nada a ver com isso — retrucou Daphne, antes de perceber que parecia estar soando preocupada pelo que poderia acontecer com Astoria — Não o atrapalhe. Você quer que ele falhe e morra?
Astoria arregalou os olhos e Daphne soltou-a, percebendo que havia falado demais, mas esperava que isso a fizesse desistir.
— Ele está na Ala Hospitalar — sussurrou Astoria, no momento em que Daphne estava abrindo a porta dos dormitórios femininos, mas isso a fez congelar no lugar — Se ele não morrer morto por You-Know-Who, ele vai morrer pelo que seja lá o que esteja fazendo.
— E eu com isso? — disse Daphne, friamente, conseguindo recuperar a compostura.
Isso deixou Astoria perplexa, tempo suficiente para Daphne descer as escadas do dormitório feminino e fechar a porta.

7 de Maio de 1997 – Salão Comunal.
— Vai ter que contar a Amber — murmurou Rony, quando ela passou por trás do sofá onde eles estavam sentados.
Harry suspirou derrotado. Ele havia acabado de sair de uma reunião com o time de quidditch onde lhes contou o que tinha acontecido. Levantou-se do sofá, evitando olhar para Hermione que conservava o seu olhar vitorioso.
— Oi, Harry — cumprimentou Amber — Você parece abatido, acontece alguma coisa?
— Você vai jogar no lugar de Ginny no jogo de sábado — avisou Harry.
— O que? — perguntou Amber, derrubando o livro — Por quê? O que aconteceu com Ginny? Ela parecia bem quando eu a vi agora há...
— Ela vai me substituir — interrompeu Harry.
Amber olhou fixamente para Harry sem entender.
— Não vai mais jogar? É a final, Harry! — ela disse.
— Eu estou de detenção aos sábados até o final do ano — explicou Harry.
— O que você fez dessa vez, Harry? — perguntou Amber, mudando o olhar para um repreensor.
Harry suspirou e começou a contar o que tinha acontecido no banheiro com Malfoy.
— Eu disse para você ter cuidado com esse feitiço, Harry — gemeu Amber.
— Disse? — perguntou Harry, confuso.
— Disse! Assim quando peguei o livro e dei uma folheada, não se lembra? — retrucou — Disse que não tinha problema com as poções, mas era melhor você ter cuidado com os feitiços.
— Desculpe, eu acho que não prestei atenção — desculpou-se Harry, culpado.
— Isso é evidente — cuspiu Amber — Snape pegou o livro? Você precisa se livrar desse livro, Harry!
— Não, ele não pegou — respondeu Harry — Eu peguei o livro de Rony e escondi esse na Room of Requirement.
— Não procura mais esse livro, Harry — aconselhou Amber — Snape vai ficar de olho em você agora.
— Mas e Slughorn? Nunca me dei bem com as instruções do livro normal — disse Harry, desesperado.
— Você vai ter que estudar mil vezes mais — disse Amber, dando de ombros — E aguentar as ladainhas da Hermione.
Os outros dois olharam por cima do ombro para Hermione que fazia o seu monólogo enquanto Rony olhava para a lareira, entediado. Amber deu uma batidinha no ombro de Harry.
— Boa sorte — disse, antes de sair andando.

10 de Maio de 1997.
Como Harry não estava na partida, quem deu a mão com o capitão da Ravenclaw foi Ginny. Madame Hooch apitou e a partida começou. Quem estava narrando dessa vez não era Luna e sim Angus Matlock.
— Que carma — resmungou Sarah para Amber, referindo-se a Angus, antes de rebater uma bludger e Katie jogar a quaffle para Amber, que se afastou de Sarah em direção ao gol da Ravenclaw.
— 10 pontos para a Gryffindor! — irradiou Angus.
A partida estava acirrada, apesar de não ser o clássico Slytherin e Gryffindor. Parecia que ia durar horas, mas durou apenas 2 horas.
Cho seguia Ginny por todos os lados, mas a ruiva estava apenas prestando atenção no golden snitch, tinha que esperar que eles marcassem bastantes pontos para poder começar a procurar a bolinha voadora.
Quando a Gryffindor alcançou 200 pontos, Ginny começou a provocar Cho voando para todos os lados, sendo seguida por ela. 210, 220, 230, 240... Ravenclaw marcou 110. Gryffindor marcou 250, 260... Demelza quase caiu da vassoura ao receber uma bludger e Sarah revidou a bludger em um jogador da Ravenclaw, mas já haviam perdido a quaffle.
— Defesa espetacular de Weasley! — gritou Angus, quando Rony lançou a quaffle para longe, indo diretamente na mão de Katie.
A Ravenclaw tinha acabado de marcar 140 pontos, quando Ginny subiu a vassoura, levantando o braço com a golden snitch capturada em sua mão.
— Fim da partida! Quatrocentos e cinqüenta a cento e quarenta. Vitória da Gryffindor! A Gryffindor ganha a taça das casas! — Angus já estava rouco de tanto gritar e a professora McGonagall não estava muito melhor ao seu lado.
Quando Sarah olhou para o lado da Floresta Proibida, jurou ter visto Sir Cloggs acenando com a cabeça, orgulhoso.
***
— Deveria ser um Hufflepuff ou Slytherin a narrar o jogo. Não era para ser imparcial? — reclamava Sarah, mesmo que sua expressão estragasse esse estilo mal humorado dela, enquanto tomava mais um gole de butterbeer.
— Pare de reclamar! Nós vencemos! — gritou Amber, recebendo os aplausos aprovadores dos outros (eles aplaudiam toda vez que alguém repetia isso) — E ele foi bem profissional.
— Desistiu do Clube de Duelos, Matlock? — perguntou Sarah quando o garoto passou.
— Eu continuo sendo líder, mas acho que vou continuar sendo comentarista — respondeu o garoto.
— Você narrou muito bem — elogiou Amber, antes de ele desaparecer no amontoado de pessoas.
— Pelo menos ele parou de me encher o saco para que eu entre no Clube — disse Sarah, dando de ombros e tomando mais um gole de butterbeer.
— Vocês viram a cara da Changa quando eu peguei o golden snitch? — perguntou Ginny, empolgada.
— Ela parecia querer te matar! — gritou Sarah, em resposta.
Nesse momento, o retrato da Fat Lady se abriu dando passagem a Harry.
— Nós vencemos! — gritou Rony para Harry, fazendo os outros aplaudirem novamente — Quatrocentos e cinqüenta a cento e quarenta!
Ginny se afastou de Amber e Sarah, e correu na direção dele sorrindo abertamente. Aconteceu algo que ninguém jamais pensou que aconteceria, Harry aproximou-se e a beijou.
Amber abriu a boca sorrindo surpresa, enquanto Sarah engasgava com a butterbeer. Rony parecia tão chocado quanto Sarah, Hermione sorria tanto quanto Amber. Dean olhava furioso para os dois, apertando a mão com tanta força que quebrou o copo de vidro que segurava em mãos, e Romilda parecia não saber se começava a chorar ou gritar.
— Harry só atrai choronas — murmurou Amber para Sarah quando esta se recuperou do engasgo, indicando Romilda.
— Acho que ela não levou a sério o seu aviso do começo do ano — disse Sarah, sorrindo.
Quando Ginny e Harry se separaram, todos começaram a assobiar e aplaudir, mas eles não se importaram.
— É isso aí! — disse Sarah, por cima do barulho.
Harry olhou com um pouco de medo para Rony que só pôde assentir com a cabeça, conformado, fazendo-o ficar aliviado e sair pelo retrato da Fat Lady com Ginny.
— Finalmente, meu Deus! — gritou Sarah, antes do retrato fechar.
A comemoração continuou enquanto todos falavam do beijo que acabaram de presenciar.
— Esse daí é corajoso! — elas ouviram Parvati brincar.
Hermione e Rony estavam completamente corados, olhando para direções diferentes porque assim que Harry e Ginny saíram, Hermione ficou tão feliz por eles e pela atitude de Rony que lhe deu um beijo na bochecha.
— Agora só faltam esses dois — murmurou Amber para Sarah.
— Pode esperar sentada, minha amiga — disse Sarah, com um bigode em baixo do nariz, fazendo Amber gargalhar.

25 de Maio de 1997 – Salão Comunal da Gryffindor.
— Ah, meu Deus! Meus OWL's estão chegando! — disse Sarah, correndo desesperada de um lado para o outro, fazendo Amber arregalar os olhos.
— Espera aí! Você está preocupada com os seus OWL's? Você? — disse Amber, incrédula.
— Amber, eu estou falando sério! Me ajuda!
Ela não precisou pedir duas vezes. A partir desse dia em diante, Amber fez resumos e ajudou a Sarah nas tardes livres dela para estudar a matéria que cairia.

29 de Maio de 1997 – Biblioteca.
— Sem chance.
— Por favor!
— Não, Sarah, você não vai dormir no meu quarto! Nem tem cama!
— Posso dormir no chão.
— Por que esse desespero todo?
— Ginny não para de falar do namoro dela. É Harry para cá, Harry para lá...
Amber começou a rir depois disso.
— É óbvio! Eles estão namorando, Sarah!
— Mas... — tentou argumentar Sarah.
— Use os seus abafadores de ouvido, enfeitice a cama, sei lá! Se vire! — disse Amber — Agora se concentra, que seus OWL's começam daqui a duas semanas.
— Tá bem — aceitou Sarah, a contragosto.
— Pare de reclamar, você não parava de dizer sobre o Fred quando vocês começaram a namorar — disse Ginny, que tinha ouvido toda a discussão delas, enquanto pegava alguns livros das estantes.
— Ela sempre faz drama por qualquer coisa — concordou Amber, revirando os olhos.
— De que lado você está? — perguntou Sarah, ofendida, entrecerrando os olhos.
— Qual a matéria você tem mais dificuldade? — perguntou Amber, ignorando-a — Transfiguration, Spells, Potions...?
— Defense Against the Dark Arts — respondeu Sarah, mal humorada — Snape é um péssimo professor.
— Pelo menos ele ensina a matéria. Umbridge nem isso — retrucou Amber, abrindo o livro de Sarah.
— Eles nem entregam os OWL's depois dos resultados? — perguntou Ginny, espalhando os livros pela mesa.
— Não, só os resultados. Provavelmente porque são as mesmas provas, para que não haja cola — respondeu Amber — Vamos fazer um simulado. Eu anotei algumas perguntas e você tenta responder sem consultar, tá?
— Eu vou começar a me reunir com vocês — disse Ginny, olhando para elas.
— Quando não estiver com o Harry, não é? — implicou Sarah.
— Cala a boca — disse Ginny, não conseguindo evitar um sorriso.

1 de Junho de 1997.
Amber entrou no Salão Comunal vendo o Golden Trio, agora Golden Quartet (por causa de Ginny), sem Ginny reunidos conversando. Hermione mostrava um jornal para Harry, enquanto discutiam sobre o conteúdo. Logo, ela levantou frustrada e só então percebeu a presença de Amber, apressando-se em direção a ela.
— Olhe só isso aqui — disse Hermione, mostrando o jornal para ela — Eileen Prince. Pode muito bem ser o Half-Blood Prince.
Mas Amber não escutava mais o que ela dizia. Eileen Prince, Prince...
— Eu tenho que ir, Hermione — disse Amber, repentinamente dando o jornal para ela e correndo de volta para o quadro.
— Mas você acabou de chegar! — disse Hermione, confusa por sua atitude.
— É exatamente assim que você age quando tem uma ideia e corre para a biblioteca — disse Rony.
Amber apressou-se para Sarah, encontrando-a no meio do corredor conversando com Kevin e Liam.
— É Snape! — ela disse.
— O que? — perguntou Sarah, alarmada, olhando em volta.
— É Snape o Half-Blood Prince. Por isso que ele sabia de onde Harry tinha conseguido o feitiço — explicou Amber.
Sarah arregalou os olhos, compreendendo o que ela tinha dito.
— Só tem um jeito de confirmarmos isso — disse Sarah, virando-se para Kevin e Liam — Eu preciso da ajuda de vocês.
— Eu tenho algo que pode ajudar — lembrou-se Amber, tirando um frasco de poção que ela tinha colocado no bolso do casaco antes de sair correndo do Salão Comunal.
— Poção HipsBlas — disse Liam, reconhecendo o líquido.
— Vai deixar a pessoa praticamente drogada, sem ter noção de tempo, espaço, nomes, cores... — continuou Amber, balançando o frasco com cuidado para não derrubar.
— Uma dose disso para Filch deve bastar — murmurou Kevin, pensativo.
— E é mais discreto do que bombas de bosta — disse Sarah, concordando com a cabeça.
Adorava uma bagunça, mas sabia que não era hora para isso.
— Ele não vai desconfiar do Liam e o Liam pode entrar e sair logo depois, encontrar o professor Flitwick e ficar conversando com ele para provar que não tem nada a ver com isso — disse Amber.
Os quatro se dirigiram para a sala do Filch, Liam entrou e enrolou-o, então Kevin entrou discretamente e colocou a poção na xícara dele, escondendo-se entre os arquivos. Liam saiu após Filch o expulsar e foi conversar com Flitwick, minutos depois Filch estava delirando, Amber e Sarah olharam em volta e entraram, encontrando-se com Kevin.
— O efeito não vai durar muito tempo — avisou Kevin, trancando a porta e colocando um feitiço para que todos que se aproximassem, esquecem-se do que planejavam fazer e irem para o lado contrário.
— Mas vai ser o bastante — disse Sarah, puxando uma gaveta dos arquivos — Me ajude, Kevin.
Os três apressaram-se para procurar pelos arquivos.
— Letra S, letra S, letra S... — murmurou Amber, até encontrar a pasta "Severus Snape" e puxá-la — Encontrei-o!
Os outros dois guardaram as gavetas que pegaram rapidamente e Kevin segurou o espaço entre duas pastas para que pudessem colocar a pasta de novo depois.
— Pais: Eileen Prince e Tobias Snape. Mestiço — leu Amber, confirmando suas suspeitas.
— Rápido! — disse Kevin, colocando a pasta de volta na gaveta e colocando-a no arquivo — Vamos logo!
Ele levantou a varinha desfazendo os feitiços da porta e pegando a xícara e colocando uma outra no lugar. Eles abriram a porta e correram para fora da sala do Filch, olhando em volta para garantir que não haviam testemunhas.
Sarah abriu a porta do banheiro e andou por ele, abrindo as portas dos boxes, antes de deixá-los entrar.
— Myrtle não está aqui — avisou, fechando a porta.
Kevin pegou o frasco de poções e xícara, e limpou o conteúdo com a varinha. Amber pegou o frasco para re-aproveitar e Sarah segurou a xícara sem saber o que fazer.
— E agora? — perguntou, levando a xícara para cima — O que eu faço com isso?
— Joga no Lago Negro, na Floresta Proibida, se vira! — disse Amber, nervosa com a possibilidade de serem descobertos.
Afinal, Slughorn sabia que ela tinha feito essa poção durante as aulas. Não a tinha visto guardando-a, mas...
— Calma! — disse Kevin — Podemos colocar a xícara entre as xícaras da cozinha. Foi de lá que eu peguei aquela xícara.
— Mas e se ainda tiver resíduos da poção? — perguntou Amber.
— Não tem, olha — disse Kevin e logo depois abriu a torneira da pia e encheu a xícara, fechou a torneira e tomou a água normal — É um feitiço bem útil.
— Tudo bem, então... — disse Amber, aliviada.
Kevin despediu-se delas e levou a xícara para as cozinhas.
— Hermione estava no caminho certo, mas errou a conclusão final — disse Amber para Sarah — Eileen Prince não é o Half-Blood Prince, mas a mãe dele.
— Todo esse tempo nós concentradas no livro e ela procurou algo tão óbvio quanto o sobrenome em si — disse Sarah, negando com a cabeça.
— Na verdade, ela simplesmente procurou na hemeroteca — disse Amber.
— E tem isso em Hogwarts? — perguntou Sarah, franzindo o cenho.
— Tem, na biblioteca — respondeu Amber, como se fosse óbvio.
— E nós pensando em invadir o arquivo do Filch.
— Bem, no final nós fizemos isso...
— Você teria que ter colhido vários frascos dessa poção e ainda não daria tempo o suficiente para que revistássemos todo o arquivo dos alunos.
— Eles devem queimar os arquivos de tempos em tempos. Não caberia tudo! São mais de 1.000 anos de escola e nem sabemos a partir de quanto tempo eles começaram a anotar os estudantes.
— A questão é que conseguimos. E agora? O que a gente faz?
— A gente não faz nada.
— Não é melhor contar para o Harry? Ele pode querer pegar o livro de novo.
— Ele diz que vai, mas ele não quer que Snape confisque. Ele não pegou até agora!
Sarah deu uma última checada no banheiro e olhou do lado de fora, antes de ela e Amber saírem.

24 de Junho de 1997.
Remus fechou a porta da casa, exausto, e jogou as chaves em cima da mesa de centro. Assim que localizou o interruptor o empurrou para cima, sua mão voando rapidamente para seu bolso ao perceber que tinha alguém sentado no sofá de sua sala.
— Se eu fosse uma Death Eater, você já estaria morto — disse Marlene, levantando-se e virando-se para ele com os braços cruzados.
— Marlene, o que faz aqui? — perguntou Remus, tirando a mão do bolso.
— Você tem me evitado — afirmou Marlene — E nós vamos conversar.
— Eu não quero conversar sobre isso de novo — disse Remus de mau humor, se dirigindo para a cozinha — Eu acabei de chegar de uma missão.
— Eu também vim de várias — disse Marlene, sem se abalar — E você não pode fugir de mim para sempre. Sabe o que Sarah me contou? Que Tonks foi a Hogwarts, procurar Dumbledore assim que ouvi os rumores de que um lobisomem tinha sido atacado.
Remus tentou ignorar o que ela dizia, mas era impossível.
— Eu sou perigoso... — começou, mas Marlene pegou um vaso e jogou na parede, quebrando-o e fazendo Remus se girar assustado.
— Não começa com essas desculpas idiotas — disse Marlene, a ponto de gritar — Nós dois sabemos que isso não é verdade e que isso não importa para ela!
— Ela não sabe o que é melhor para ela — disse Remus, irritado.
— E você sabe? Eu a visitei quando pude. Sempre decaída, perdeu a capacidade de se metamorfosear... Desde o colégio você agindo feito esse troglodita que afasta a todos que o amam, mas naquela época tinham James e Sirius para te ajudar. Só que agora nem eles nem Lily estão aqui, mas eu estou e não vou deixar que você jogue a sua vida fora, que você deixe o amor da sua vida escapar.
— Eu posso machucá-la quando estiver transformado. Ela vai ser considerada marginada e caso ela engravidar, ele vai ser igual a mim.
— Não, não vai ser porque os genes de lobisomem só são adquiridos pela mordida, não são hereditários.
— Como podemos comprovar? Nenhum filho de lobisomem jamais disse sobre isso. E mesmo se não for lobisomem, deve ter vergonha de ser filho de um. Por isso jamais apareceu um filho de lobisomem por aí.
O tapa que Marlene lhe deu estalou e ele lhe olhou chocado. Jamais pensou que a doce Marlene pudesse agir do jeito que ela estava agindo.
— Eu fugi porque eu tive medo. E foi o maior erro da minha vida — disse Marlene com os olhos aguados — Eu poderia ter morrido? Poderia ter perdido a Sarah? Poderia, mas se eu tivesse ficado talvez eu não tivesse morrido talvez a Sarah tivesse nascido e eu teria passado mais tempo do que passei com Sirius antes dele ser preso. Perdemos muito tempo com medo do que poderia acontecer. Uma guerra se aproxima, Remus. E Tonks pode morrer nela, então você ficará como eu: pensando como poderia ter sido.
— Lene... — Remus tentou dizer, mas Marlene levantou um dedo.
— Pensa nisso, Remus. Sempre existe a possibilidade de ela encontrar outra pessoa também. Você realmente quer isso como tanto diz? — disse Marlene.
Ela puxou a varinha do bolso da calça e apontou para o vaso espatifado no chão.
— Reparo — ela disse e o vaso voltou ao normal.
Ela olhou para Remus, antes de caminhar em direção a sala para sair da casa. Antes que pudesse alcançar a maçaneta da porta, com Remus atrás dela, um patrono invadiu a casa pela janela.
— Dumbledore vai sair, pediu para aumentar a segurança do castelo — disse a voz de Kingsley.
Marlene e Remus esperaram o patrono se desvanecer e se entreolharam, antes de saírem da casa para aparatarem.