Amaldiçoando a eternidade por ter dormido no sofá, Linus acordou com os primeiros raios de sol, que invadiam a janela aberta.
Embora dolorido pela cama improvisada e pelo curto sono, ele ainda estava sorridente, realizado.
Querendo dormir mais um pouco, fez com que sua sombra fechasse a janela, mesmo que parcialmente. Mas não conseguiu pegar no sono, só estava descansando de olhos fechados.
No entanto, tempos depois, ouviu passos, a janela fora reaberta.
"Ei, mas o quê--!" Ele parou assim que viu que, esta pessoa, era Vampira.
"Hora de acordar, belo adormecido" Disse ela, rindo, enquanto chegava bem perto dele. Só não o beijou porque não sabia se isso poderia o machucá-lo, naquele momento.
Percebendo o recuo dela, ele a beijou, provando que estava tudo bem. "Bom dia"
"Bom dia, dormiu bem?"
"Na verdade, alguém não me deixou terminar de sonhar." Disse, em tom amigável.
"É, e com quem estava sonhando?"
"Com quem mais poderia ser?"
Eles riram juntos, e Linus voltou a falar. "Isso nos torna, oficialmente... namorados?"
Vampira o encarou de soslaio. "Sabe, Fletcher, oficialmente você nem poderia me tocar... e ainda quero saber como pode."
"E isso importa?"
"Não, imagina... eu só fico uns dois anos assim, de repente, perco uma noite de sono inteira para tentar adivinhar." Ironizou ela, fingindo não se importar.
"Ok então, mas ainda quero minha resposta."
"Eu não me lembro de você ter me pedido em namoro."
Linus fez careta. "Eu não me lembro de você ser tão insensível, não percebendo uma coisa que está em meus olhos."
"O insensível aqui é você, Linus, porque a resposta também está estampada nos meus olhos."
Ele sorriu, ela devolveu na mesma moeda.
"Você é tão bobo, sabia?"
Dessa vez, foi ela que o beijou, prolongando tanto a ato como da primeira vez...
Ainda não estava claro para ela como isso acontecera, mas insistir era inútil, já que ele dizia para ela esquecer tudo.
"Meu Deus!" Uma voz gritara em plena manhã.
Os dois se separaram, olhando para a pessoa. Era Kitty Pryde. Ela estava com as mãos na boca, e não decidia se dava pulos de alegria ou berros de surpresa e confusão.
Não é preciso dizer que, rapidamente, todos se juntaram no cômodo, passando o olhar de Linus e Vampira para Kitty.
Noturno aparecera ao lado da namorada, fazendo cara de espanto. "Uau, Kitty, não me diga que..."
"Eu nunca digo."
O queixo do garoto caíra, como tantas outras vezes... mas, desta vez, ele estava mais surpreso do que nunca.
"Quem morreu?" Perguntou Jamie, logo tomando um cascudo de Amara.
"Que foi?" Perguntou Linus, olhando para Kitty e segurando os risos, ao ver sua cara de espanto.
"V-vo-vo-cê e-es-tav-va --"
Enquanto os mais novos não estavam entendendo absolutamente nada, os quatro trocavam olhares de expectativa, prestando atenção em cada reação.
"Como?" Perguntou Kurt. Desta vez, Vampira também passara a encarar Linus, em busca de uma resposta.
Com seu jeito natural, Linus apenas sorriu. "Chega de enrolação, hora do café da manhã."
Ele saiu em direção à cozinha, deixando o tumulto para trás. Vampira logo tratou de sumir dali, antes que tivesse que responder a inúmeras perguntas.
Aos poucos, entendendo parcialmente o ocorrido, os mutantes foram se dispersando, e, instantaneamente, diversos boatos foram soltos...
Enquanto tomava o desjejum, Linus não deixou de rir da cara dos amigos. Como ele se recusava a dizer como a encostara, eles partiram para outras perguntas.
"E aí, Linus, como foi?" Kitty perguntava.
"Você viu."
"Não, não. Tipo, como foi o primeiro beijo com ela? Como, quando e onde?"
"E pra que vocês querem saber?"
"Ah, cara, você nos deixou curiosos." Kurt ajudava Kitty.
"Foi ontem à noite."
Os outros dois se entreolharam, triunfantes.
"E, tipo, se num fosse o Kurt, seria à tarde, não?"
Linus passou a encarar Kitty, quase engasgando com a comida. "Ei, parem de nos espionar, seus intrometidos!"
Eles riram. "Ah, qual é, todo mundo sabe, Linus!" Kurt se teletransportara para seu lado.
"É... mas, tipo, você não respondeu as outras perguntas!"
"Errr... interesseiros..."
"Não vamos desistir, amigo." Kurt piscava para Kitty.
"Não mesmo." Ela devolvera a piscada.
E assim foi que Linus passou um bom tempo tendo que contar tudo a eles...
Mais tarde, Xavier chamou Vampira a sua sala, precisava por as coisas em dia. Sabia que a garota estava em um estado frágil, encantada com as novas descobertas... isso poderia ser positivo... ou não.
Assim que ela chegou, eles se cumprimentaram e ele começou.
"Pelo que sei, você e Linus se entenderam." Ela corou, mas ele prosseguiu. "Fico feliz por isso."
"Obrigada, professor."
"Mas, Vampira, quero que me escute. Pense bem em sua escolha. Veja se ele é o rapaz a quem você realmente ama... ou se está com ele apenas porque o tocou".
Ela pareceu surpresa pela insinuação de Xavier. De certa forma, ele estava certo, havia muito o que pensar... mas ela já o havia feito muito tempo atrás, mesmo antes do dia anterior...
"Lembre-se também que, mesmo que agora possa tocá-lo, parte dele ainda vive dentro de você, desde o dia que o absorveu. Eu não sei até que ponto tudo isso pode influenciar no que sente, só espero que seja sincera consigo mesma. Pense nisso"
"Eu o amo, professor, como nunca amei ninguém... e tenho certeza de que ele também me ama... eu sinto isso."
Xavier sorriu. "Se é assim que sente, faça como quiser, vocês têm todo o meu apoio."
"E, hmm, professor?" Já que ele puxara o assunto, ela queria terminá-lo.
"Sim?"
"Como ele... me tocou?"
"Sim, esperava que me perguntasse isso... é algo extraordinário, porém, fácil de se adivinhar." Xavier sorriu. "É incrível como algo tão simples pode ser tão magnífico".
"Ele sabia que podia me tocar?"
"Creio que não, Vampira... ele podia ter uma idéia, mas não a plena certeza. Desde que ele veio, junto com Mirela, tenho dado grandes atenções para ambos, tentando adaptá-los ao Instituto. Interessei-me pelas duas mutações, passando a estudá-las com mais cautela, ao lado de Hank. Com Mirela, como deve ter percebido, obtive ótimos resultados, mas ainda temos muito o que trabalhar."
Sua voz soava como a de um grande e sábio mestre falando... como ele realmente era. Se preocupava com seus estudantes, analisando cada situação ao máximo. Cada mutante era único, por isso, merecia uma atenção especial, treinamentos diferenciados, focos diferentes.
Com sua longa experiência, Xavier buscava um meio de adaptá-los ao mundo a fora e, como o grande médium que é, se interessava pelos mistérios de cada um, conhecendo um lado que ninguém mais conhece... e sabendo, mais do que ninguém, o quão humano um mutante pode ser, capaz de errar, aprender, crescer... mudar.
"Com Linus, preocupei-me em saber sobre sua situação, em relação à mutação. Neste ponto, ele demonstrou um grande controle. Creio que sempre se interessou pelo que podia fazer. Inclusive, Linus foi um dos poucos que aceitou sem hesitar o fato de ser mutante. Isso fez com que explorasse sua mutação, tentando ampliar seus limites..."
Vampira o conhecia, sabia o quão obcecado era em relação à vida mutante... ouviu várias vezes os mais velhos tentarem repreendê-lo, e isso incluía Xavier. Enquanto muitos ali desejavam ser apenas meros humanos, Linus se interessava pelas habilidades distintas, não se importando nenhum pouco com os humanos.
Mas, por um certo lado, ela concordava com ele. Passou um bom tempo amaldiçoando sua mutação, como Mirela fizera... e então encontra alguém que aceita tudo na boa, sem se importar com o que os outros pensam. Tanto, que já não se torturava mais pela história de seus pais...
No fundo, Vampira sabia que ele estava certo... era algo como: "se não pode vencê-los, junte-se a eles." Se era algo irreversível, pra que lutar contra? Ele simplesmente aceitava, sem mágoas, sem arrependimento... a mutação tornou-se mais um fascínio em sua vida, mesmo que muitos vissem isso como obsessão.
"Apesar de tudo, Linus podia aprender mais. Com o treinamento e dedicação na medida exata, conseguimos, em pouco tempo, grandes avanços. A pedidos dele, somados ao meu interesse, exploramos todas as antigas limitações... o que me fez concluir que seu dom era mais extenso do que eu pensava. Hoje, sua sombra, em estado normal, funciona como um poderoso escudo, contra outros mutantes, além de estar mais poderosa... Para deixar de fazer efeito, ela já não pode ser apenas escondida parcialmente, tem de ser por completo. Em outras palavras, ele tornou-se imune a outras mutações, tanto mentalmente, como já era, quanto fisicamente. No entanto, não tínhamos a certeza de que isso realmente funcionaria. Para a nossa felicidade, funcionou." Ele sorriu.
E fora uma grande felicidade... mas alcançada apenas por um risco. Ele realmente se arriscara, sem saber o que poderia acontecer, sem se importar com o que poderia acontecer... justamente como alertara. Ele poderia ter morrido... mas sabia com o que estava lidando.
Se Linus não fosse tão fascinado pelas coisas que o cercam, jamais alcançaria tal avanço. Se essa fascinação era um perigo, somada a sua figura misteriosa, poderia ser uma solução também.
Era por isso que Logan ficara tão desconfiado dele... ninguém conseguira entrar em sua mente, ninguém conseguira descobrir do que ele era capaz, ou mesmo do que gostaria de ser capaz. Porém, tudo isso fazia parte da pessoa que era... de seu jeito, mas chegando ao objetivo.
De qualquer modo, era preciso agir com cautela. Se ele por acaso movesse sua sombra, ou mesmo se esta "deixasse de existir", ele estaria vulnerável. Um descuido e tudo estaria perdido...
Assim que se despediu do professor, ela correu de encontro a ele, na biblioteca, mas este não estava lá...
Ela sentou-se em uma das cadeiras, olhando pela janela.
Quando menos esperava, sentiu mãos lhe cobrirem os olhos. "Adivinha" Perguntou a voz masculina.
Vampira riu, era óbvio demais.
"Hmm, deixe-me ver..." Ela fingiu pensar. "Será que... não... ok, ok, eu desisto."
"Não é justo, Vampira, você não sabe brincar." Linus sentava-se ao lado dela, igualmente rindo.
"Por que não me contou?"
Entendendo o que ela queria dizer, ele falou. "Um pouco de suspense é sempre bem vindo"
"Você é louco, Linus..."
"Louco por você"
Ela fez careta, dando risada. "Que clichê..."
"Ora, o que eu posso fazer, é verdade."
"Você é dez, Linus."
"Graças a você"
"Você mudou tudo... eu, você... nós."
"E você acha isso ruim?"
Vampira sorriu. "Claro que não." Ela o beijou.
Com um rápido olhar à janela, Linus falou. "Então, ta a fim de ver o pôr do sol de novo?"Como resposta, ela beijou-lhe novamente, puxando-o para fora.
Já era quase noite, a lua aparecera, mas o sol ainda não se fora... restava um pequeno fio de si.
Linus sentou-se debaixo de uma árvore, esperando que Vampira fizesse o mesmo. Quando ela finalmente começou a fazê-lo, ele a puxou, de forma que ela literalmente caísse em seu colo, rindo, mas sem protestar.
Juntos, assistiram em silêncio os últimos raios de sol se esvaírem... como no dia anterior. Era uma cena linda, que eles esperavam ver muitas e muitas vezes...
Incrível foi o quão rápido o céu escureceu, trazendo consigo, frio. Tudo saia como eles queriam, como planejavam... realmente eram felizes juntos.
Linus, de forma carinhosa, tentava beijar Vampira, mas esta escapava, rindo.
"Linus..."
"Que foi?" Sabia o que era... sua mutação. Mas, num momento de distração dela, ele a beijou no rosto, da maneira mais rápida que pôde.
Recuou, fechando os olhos com força, ainda sentindo as conseqüências de seu ato. Depois de segundos de pura dor, ele voltou a abrir os olhos.
"Quer morrer, é?" Perguntou Vampira, o encarando com uma expressão mista, com preocupação, mas divertida.
"Quem falou em morrer?"
"Você é estranho, sabia?"
"Por que?"
"Sei lá, quando encostei em você... é bem confuso."
"O que viu, Vampira?"
Ela riu. "Não foi o que eu vi, mas sim o que eu não vi. Sabe, quando absorvo as pessoas... eu me sinto como elas, eu viro elas... mas com você é diferente..."
"Pensei que já tivéssemos falado sobre isso."
"É, eu sei que é por causa de suas defesas mentais e etc... mas... mesmo assim, é estranho."
"Como é?"
"É como se eu visse um filme... captando todas as suas memórias, como sempre, mas... quase sem pensamentos... ah, você sabe, num é como se eu fosse você, mas como se eu assistisse à sua vida."
Linus passou a encará-la, sorrindo. "Isso deve ser legal."
"Sei." Ela revirou os olhos.
"Ei, relaxa, as coisas são como devem ser, não há erro nisso, perigo, muito menos. Além disso, você anda muito séria, até parece o professor falando..."
"Você corre mais perigo comigo do que pensa, Linus..."
"Há mais perigo em teu olhar do que em qualquer mutação." Ele a olhava nos olhos, com o clássico sorriso na face.
Vampira riu. "Talvez você seja o perigo."
"Eu?" Ele ficou olhando seu rosto por um instante, fingindo se desapontar. Um breve silêncio seguiu-se, mas logo foi quebrado. "Por que és tão bela?"
"A beleza está nos olhos de quem vê."
Foi a vez de Linus rir. "Onde você leu isso?"
"Eu não preciso ler pra saber o que todos sabem..."
"É?" Perguntou ele, desafiador.
"Ao contrário de você, que fica imitando Shakespeare."
Ele fez careta. "Ei, eu não leio Shakespeare! Ele é só mais um idiota que vive... errrr, que não vive mais por aí"
"Vou fingir que acredito..."
"Eu não preciso ler para saber o que todos sabem" Linus riu, Vampira fez o mesmo.
"Ok, Shakespeare..." Ela disse, enquanto se levantava. "... melhor irmos para dentro antes que--"
--Baque!—
"... o Kurt venha nos chamar." Ela completou, revirando os olhos e ajudando Linus a se levantar.
"Vocês são sem graça, assim num dá pra brincar." Kurt observava a cena. "Que tal deixarem o momento romântico para mais tarde e me ajudarem com a janta?"
"O quê?" Perguntaram os outros dois, ao mesmo tempo.
"Bom, a Kitty cozinhou e --"
"Sem essa!" Linus amarrou a cara.
"Calma aí, cara, era só pra ver se vocês estavam atentos..."
Eles reviraram os olhos.
"... mas, enfim, ajudem-nos a por a janta na mesa, depois vamos jogar alguma coisa em duplas... sei lá, precisamos comemorar, né?" Ele piscou, logo desaparecendo, para o bem de sua integridade física.
A janta foi bem mais movimentada do que de costume... Todos estavam alegres, sem exceção. Havia muita conversa jogada fora, mas, mesmo assim, Linus e Vampira evitavam dar respostas claras, se divertindo com a confusão dos demais. Era uma espécie de "troco", escapavam da curiosidade alheia com respostas inúteis, confusas, e, muitas vezes, óbvias, as quais, na realidade, não respondiam nada.
Após a janta, como Kurt avisara, ele e Linus foram para o quarto de Kitty e Vampira, se reunindo com as garotas.
Com o baralho, Kurt fez inúmeras mágicas, com direito a aplausos, mas não fez todas que conhecia, afinal, deveria guardar outras para dias diferentes.
Depois, com o mesmo baralho, começaram com alguns jogos... Logo, a cabeça de Kitty encheu-se de idéias, e ela, entediada, começou explorá-las.
"Vocês não querem, tipo, colocar algo mais?" Ela sorria, olhando para os demais.
"Ih, lá vem..." Vampira aguardou.
"E se... a cada partida... quem ganhasse, tipo, poderia fazer uma pergunta a quem perdesse?"
Kurt se divertiu com a idéia. "É, grande idéia! E é obrigado a responder... sem mentiras, viu?"
Linus e Vampira se entreolharam, como se, assim, entendessem o que eles pensavam. Por fim, acabaram aceitando, pensando em uma maneira de se aproveitar da brincadeira, mesmo sabendo que seriam os mais explorados.
Jogavam truco, e, a cada três pontos, como o combinado, haveria uma pergunta, estavam em duplas.
Kurt matou a primeira de cara. Sorrindo vitoriosamente, trocou um olhar com Kitty, depois olhou fixamente para Linus, desafiador.
"Errr, pergunte, alemão."
"Ora, e precisa? Sabe o que eu quero, Espectro... como você encosta na maninha ali?"
Linus sorriu, como se já esperasse pela pergunta. "Mágica."
"Sem essa, tipo, você tem que responder." Kitty deu-lhe uma almofadada, rindo.
"Não tem nada de muito surpreendente..."
Os outros arquearam uma sobrancelha, achando justamente o contrário.
"Ta bom, ta bom, vocês venceram, eu conto..." E ele explicou tudo o que Xavier falara para Vampira...
Ouvindo tudo o que queriam, Kurt e Kitty animaram-se, satisfeitos.
"Eu não disse, Kurt?" Ela sorriu.
"Não, não foi isso que você disse, Kitty, nem vem..."
"Vocês ficam se infiltrando em nossas vidas... ora, vê se pode." Vampira começava a redistribuir as cartas.
No final, depois de três vitórias simples, é a vez dela perguntar.
"Ok, minha vez então..." Enquanto ela sorria, vingativa, os outros dois aguardavam em silêncio. "Semana passada... retrasada, sei lá... O que os dois santinhos aprontaram pra ficar até mais tarde na sala de inglês?"
Kurt se jogou para trás, deitando no chão. "Vocês não vão querer saber..."
"Responde agora, elfo." Linus imitou Kitty, só então rindo e tacando o travesseiro nele.
"Depois não diga que eu não avisei..."
"Nós estávamos conversando..." Kitty o ajudou.
"...e o professor nos pegou."
"Verdades completas... Conversando sobre o que? E desde quando você conversa durante a aula, Kitty?" Vampira se divertia com a inversão de lugares... perguntar era mais interessante que responder...
Eles tornaram a explicar.
"Tipo, era algo importante, né?"
"É, eu tinha acabado de cair no sono, quando Kitty me cutucou, eu achei estranho..."
"...mas eu já tinha terminado os exercícios."
"Mas não prestou atenção na explicação."
"Porque você não deixou, seu elfo felpudo." Ela riu, e ele fez careta.
Linus revirou os olhos. "Parem de enrolar... começaram, agora terminem."
Kurt riu. "Foi o que eu disse a ela depois que me acordou..."
"...é, Kurt estava meio abobalhado com o sono..."
"Ei, eu não estava abobalhado!"
"Parecia um bêbado."
"Errr... num é sempre que alguém me acorda depois de meio minuto de sono... ainda mais você e no meio da aula."
Vampira riu da enrolação. "Falem logo."
"Ok, a gente conta... Kitty me perguntou o que eu tinha conversado com Linus antes da aula..."
"Kurt disse que talvez."
"E depois nada."
Pra variar, as respostas deixavam Vampira sem entender nada... esse era o objetivo, enrolá-la como ela os tinha enrolado na janta.
Vampira olhou para Linus, esperando que este esclarecesse as coisas, mas ele não conseguiu, afinal, os outros dois prosseguiram.
"Eu disse que a resposta era denunciadora, Kurt concordou..."
"...ficamos conversando um bom tempo, o professor nos parou três vezes..."
"...na terceira, tipo, por culpa dele, que improvisou errado, o professor nos puniu."
"Isso porque você berrou em plena aula de inglês."
"... é. Eu me empolguei, admito. E, tipo, antes que nos arranquem a cabeça..." Ela acrescentou, vendo que estavam entediados com a falta de resposta. "...falávamos de vocês."
Dois pares de olhares a cercaram, como se, sarcasticamente, a condenassem.
"Calma aí, estávamos tentando ajudar." Kurt sorriu, protegendo a cabeça de duas almofadas.
"É, queríamos comprovar as hipóteses..."
"... e achar uma solução..."
"... e eu achei."
"Não achou não."
"Achei, mas pena que não foi necessária..." Kitty fingia estar profundamente abalada, atravessando as almofadas arremessadas.
Em meio a risos e almofadadas, as perguntas foram respondidas com relutância, mas tudo foi revelado. Enquanto Kurt e Kitty tentavam desviar do assunto, enchendo as respostas com palavras e detalhes fúteis, Linus e Vampira apelavam para a omissão dos fatos, ou, como fizeram antes, com respostas confusas.
E assim, mais um dia se vai...
N/A: Adoro almofadadas xD
Espero que a explicação não tenha ficado um tanto quanto... patética demais. Não consegui pensar em nada mais "real", e não queria que fosse a Vampira aprendendo a controlar os poderes... tinha que ser alguma coisa a ver com o Linus mesmo... ah, está aí, digam o que acharam.
Até a próxima.
