David estava em pé, enxugando a louça. Regina se encontrava sentada, contra o balcão. Os cabelos dela estavam presos em um rabo de cavalo, e ela usava uma regata justa e um shorts jeans. Linda, como sempre. Ela estava concentrada em seu discurso e nas questões que poderiam ser abordadas no debate.
Ele estava colocando a xícara em seu devido lugar quando a ouviu.
"Dave."
Ele se virou para ela, e notou que ela estava olhando para ele. Pela primeira vez nas últimas semanas, sem nenhuma raiva, ressentimento, mágoa ou qualquer outro sentimento negativo estampado em suas íris.
"Sim?"
"David, eu..." Ela estava escolhendo que palavras usar, e David podia ver o quão cansada ela estava. "Olha, eu sei que pedir 'desculpas' só vai fazer com que você tenha mais raiva de mim. Sei que estamos com problemas. Mas se é que você ainda pode atender algum pedido meu, pelo menos um, não me deixe agora. Se você me deixar, eu também vou perder essa campanha. Vou perder tudo o que eu tenho."
David assistiu enquanto ela baixou o olhar, e voltou a olhar para a tela do notebook. Ele a conhecia há tempo demais para saber quando Regina estava em modo muralha, fechando as vias de comunicação e paralisando todo e qualquer sentimento e expressão, num medo absurdo de começar a chorar. Ela queria chorar. Também pudera. Politicamente falando, ela estava despencando abismo abaixo. E ele estava dormindo no sofá há pelo menos uma semana.
Mas ela continuava ali, na sua frente, como uma rocha. Era impossível ter raiva dela naquele momento.
"Regina."
Ela levantou o olhar, em silêncio. David continuava ali na frente dela, com a palma da mão estendida. Como um convite. O rosto dele continuava sério, o que fez com que ela ficasse confusa.
"Vem aqui."
Ela se levantou e caminhou até ele. David segurou sua mão com carinho e a guiou pela casa, caminho que ela acompanhou silenciosamente. Ao chegarem no quarto, David entrou na frente, e antes que Regina fechasse a porta, sentiu as mãos dele em sua cintura, puxando-a para ele, colando seus corpos. Por alguns instantes, eles permaneceram abraçados, os lábios dele descansando contra a testa dela, as mãos dele acariciando a costa dela com carinho. Ele podia sentir a pulsação acelerada dela, mas não disse nada.
"Dav."
O tom de voz com que ela suspirou denunciou o quanto ela estava frágil. David passou a mão em seus cabelos, alisando-os, fincando os dedos entre as madeixas. Ele a segurou pela lateral do rosto, e roçou seus lábios nos dela, sentindo-a relaxar aos poucos. Regina colocou a mão delicadamente sobre o pulso dele. Sem conseguir resistir, ele a beijou, sua língua invadindo o calor daquela boca, sua língua fazendo círculos lentos e sensuais, acariciando a língua dela. Regina o acompanhou, suas mãos segurando os pulsos dele, que se encontravam segurando seu rosto delicadamente. Regina inclinou o rosto e o recebeu com mais intensidade, seu corpo ondulando contra o dele. Quando seus rostos se separaram, eles estavam ofegantes.
Regina tentou dizer alguma coisa, mas David passou o polegar pelos seus lábios. Ele puxou-a pela nuca, e sussurrou em seu ouvido.
"Me deixe amar você."
Aquilo parecia ter desmontado as muralhas dela. Regina assentiu enquanto ele puxava delicadamente sua regata. David continuou beijando o pescoço dela enquanto desabotoava o shorts e lhe abria o zíper, descendo-o pelas suas pernas. David estava de joelhos, aos pés dela. Ele se levantou fazendo uma trilha pelo corpo dela, beijando suas coxas, sua barriga, seus peitos e então a tomando nos lábios novamente. Ela era obcecada pela sensação das mãos dele em seu corpo, e quando David a deitou na cama, Regina sentiu-se genuinamente feliz.
David arrancou a camiseta e deitou-se sobre ela, vestido apenas de uma calça de moletom. Ele a segurou pelo quadril, posicionando-se entre as pernas dela. Regina chupou um ponto sensível do pescoço dele, e David fechou os olhos em puro prazer. David a segurou pelo maxilar e a beijou novamente, as línguas chupando e sendo chupadas com mais intensidade, mais fome.
Regina gemeu dentro da boca dele e sentiu a resposta latejando através do moletom. Ela fincou as unhas no elástico da calça e deslizou para baixo, enquanto David beijava sua clavícula com devoção e desejo. Com um leve movimento, Regina levantou sua costa do colchão - apenas o tempo suficiente para que ela desvencilhasse o fecho do sutiã. David sorriu contra a pele dela.
"Gina, eu não vou te deixar."
O sussurro entrou nos ouvidos dela como uma droga entorpecente. Regina gemeu novamente, e David acariciou os seios delas, roçando os polegares em seus mamilos lentamente, a textura de seus dedos em contraste com a delicadeza da pele dela. Quando sua boca envolveu uma das auréolas e a língua dele circulou-lhe o bico, Regina fechou as pernas ao redor dele, mordendo o lábio inferior. Puta merda! Como ela precisava daquilo!
Percebendo que tinha acertado o ponto certo, David continuou sua deliciosa tortura. Sem pressa alguma. Vez por outra, ele alternava as sequências, mordiscando seus bicos e depois acariciando com a língua. Regina gemia manhosa, quase que choramingando. Quando sentiu que os gemidos dela ficavam cada vez mais roucos, ele descruzou as pernas dela do seu quadril e abriu suas pernas delicadamente. Com as pernas abertas de maneira generosa, David acariciou-a por cima da calcinha, pressionando um pouco contra a entrada da calcinha dela.
Pelos céus, como ela estava molhada! Ele sentiu que ela implorava pelo contato. Não havia muito o que ser dito. Regina Nolan precisava ser amada naquele momento. Precisava de algo, de alguma fonte para arrumar forças. E ele não poderia negar isso à ela. Afastando-lhe a calcinha para o lado, ele a penetrou com um dedo, saindo logo depois. Ele continuou o movimento, entrando e saindo, entrando, saindo, como se somente isso já fosse suficiente para que ele perdesse os sentidos. Aos poucos, ele foi aumentando a velocidade, observando deliciado o corpo dela arqueando-se de prazer, a respiração em taquicardia, os punhos cerrados segurando o lençol.
"David..."
Ele a ignorou, escancarando as pernas dela ainda mais. Em um segundo, David retirou seus dedos de dentro dela, mas a penetrou logo em seguida, com toda a sua plenitude. Regina gemeu, exasperada, e suas mãos foram parar nos cabelos dele, puxando-o para si enquanto ela sugava seus lábios. Ele passou a penetrá-la imperativamente, saindo quase que completamente até voltar com tudo para dentro dela, uma, duas, três, incontáveis vezes. A força com que ele a possuía poderia assustar outra pessoa, mas não ela, Regina gemia alto, mas o apertava mais e mais contra ela mesma, porque ela admitia que era daquilo que ela precisava. Precisava dele. Precisava que David ainda a amasse.
"Ah, Gina!"
As estocadas dele continuaram mais e mais fortes e rápidas, construindo uma onda dentro dela, prestes à explodir.
"David, eu não vou aguentar mais" - Sibilou ela, entre os dentes, e ele não parou, beijando-a.
"Então grite, meu amor." - Ele rebolou e ela praticamente estremeceu com esse movimento. "Grite meu nome".
David continuou inabalável contra ela, e dois minutos depois, sentiu o corpo dela chacoalhado pela onda de espasmos, o corpo todo estendido, e ela gritando o nome dele, o que fez com que ele gozasse algumas estocadas depois, beijando-a com força, abafando os gemidos animais que estavam presos em sua garganta.
Ruby estava sentada no sofá de sua casa com Elizabeth Taylor.
Seria uma situação relativamente comum, se Elizabeth Taylor não fosse uma cachorra. Mas não era uma cachorra qualquer, era uma cachorra dada à ela pelo futuro prefeito de Storybrooke. Por ele. Seu Robin. Apesar de ter se policiado, Ruby não conseguira evitar - estava apaixonada por ele. Também, como poderia não ter acontecido isso? Passava mais tempo na companhia do homem do que na companhia dela mesma. Ouvia até os pensamentos dele. Vigiava suas palavras, suas ações, sua agenda. Alinhava qualquer linha que saísse da costura de seus ternos bem comprados.
Seu papel era analisar a imagem dele, e ela fazia isso mais do que qualquer uma. Precisara criar o homem perfeito, e ela o fez. Fez tão bem que caíra de quatro por ele, orando silenciosamente que ele percebesse e usasse a oportunidade sem moderação nenhuma.
Infelizmente, ela tinha irritado Graham. Ele, que no primeiro minuto, percebera que ela traíra a missão e que se apaixonara pelo alvo. Burra, burra, burra! Repetiu ele, com os olhos matadores sobre ela. Tudo que você tinha que fazer era transar com o cara! Em outro momento, ela acharia aquilo fácil e prazeroso, mas agora, era uma coisa absurdamente horrível. Se tivesse que ir para a cama com ele, queria que fosse porque ele queria ficar com ela. Não por conta de uma trama. De uma armadilha. Ela não queria ser a isca.
Mas que opções ela tinha? Ela estava mexendo com pessoas poderosas demais. Ela pegou o frasco do sonífero acima da mesa, e um breve vislumbre de Gold passou pela sua mente. Ela sentiu seu corpo arrepiar-se de medo. Guardando o frasco em sua bolsa, ela mandou uma mensagem para Robin
Encontre-me na Granny's.
Bj, Ruby.
Infelizmente, ela preferia perder a pessoa pela qual estava apaixonada do que lidar com Gold novamente.
David estava deitado na cama, com Regina deitada sobre seu peito, ambos cobertos apenas pelos fios de linho do lençol. David acariciava o cabelo dela, sorridente. Regina, entretanto, continuava calada - os dedos acariciando a lateral do tórax dele, distraidamente. Regina podia ser muitas coisas para muitas pessoas, mas ele, sim, sabia quem ela era. No íntimo, no seu quase inacessível e praticamente intocável íntimo: Regina também era uma mulher sensível, com um passado cheio de traumas e dores. Alguém com um emocional severamente surrado, e aquela campanha estava destruindo o equilíbrio que a mantinha sã. David debruçou-se e beijou-lhe o topo da cabeça.
"Eu te amo, querida."
E então, ele sentiu um arrepio. De frio.
As lágrimas de Regina escorriam pelo seu rosto e caiam gélidas sobre o abdômen dele.
"Oh não, Gina."
Ele a abraçou, com os dois braços, segurando-a com força contra seu peito. E deixou que ela desabasse.
Robin estava na rua quando sentiu o celular vibrando.
Encontre-me na Granny's.
Bj, Ruby.
Robin não fazia ideia do que poderia ser tão urgente. Talvez fosse pessoal. Ruby era uma menina adorável e Robin gostava muito dela. Era claro que ele se mantinha o máximo profissional possível; mas ele era grato à ela por lhe conceder oportunidades de ser ele mesmo. Ultimamente, Robin havia transferido o máximo de sua atenção a Ruby. Ele não conseguia mais ficar tanto tempo ao lado de Marian, aos poucos, eles se distanciavam. Talvez porque a própria Marian o ignorasse desde que a gravidez viera à tona, talvez porque ele passasse tempo demais pensando em Regina.
Independente da razão, ele decidiu que deveria ir até lá.
