Disclaimer: Nenhuma das personagens me pertence. Bem, para falar verdade, existe uma ou outra que é da minha autoria =) Este capítulo não foi betado, mas já está na caixa de correio da minha beta. É só esperar que ela me o reenvie e eu volto a postá-lo bonitinho. Espero que goste e, já agora, deixem a vossa opinião depois. Não magoa, é rápido e traz muita, muita alegria ao meu dia.
Capítulo XIV
Sombras na Lua Cheia – Parte III
O dia seguinte à primeira transformação de Remus durante aquele ciclo lunar passou muito lento para Sirius e James.
Depois de garantirem que Mme. Pomfrey já tinha feito todos os possíveis pelo amigo e que agora era só uma questão de tempo, os dois dirigiram-se para o dormitório, exaustos pela noite tão longa.
Quando lá chegaram notaram que todos ainda dormiam, com excepção de Harry. O moreno voltou-se na direcção da porta, quando ouviu um ruído, mas controlou toda a vontade que tinha de fazer perguntas ao notar o semblante carregado do pai e do padrinho.
James caminhou até à sua própria cama e atirou-se para cima dela, sem sequer se preocupar em se trocar, enquanto Sirius pegava numa muda de roupa e numa toalha e se dirigia para o banheiro.
Harry ergueu uma sobrancelha. Era verdade que fazia pouco tempo desde que estavam juntos, no entanto aquela não era uma reacção normal da parte daqueles dois homens!
Levantou-se da cama e caminhou lentamente até ao seu pai que olhava fixamente para algum ponto perdido no tecto.
-Passou-se alguma coisa? – Perguntou procurando saber o que havia acontecido para os deixar naquele estado.
James olhou para ele como se aquela fosse a primeira vez que o estivesse a ver bem.
O mais novo repetiu a questão:
-O que é que se passou?
-Remus…
-Passou-se alguma coisa com ele? – Harry considerou mentalmente algumas hipóteses de coisas que se podiam ter passado com o seu antigo professor. A grande maioria delas, não era nem um pouco agradável.
-Ele ficou inconsciente depois da transformação! Eu e o Sirius levámo-lo à enfermaria, mas ele ainda não despertou!
-Mas… isso não é normal? Lembro-me de que quando ele nos dava aulas, não vinha durante o período da Lua Cheia!
-Falamos com a Mdm. Pomfrey. Ela diz que estas perdas de consciência se tornaram frequentes para o Remus mas… - O mais velho ponderou durante uns instantes – mas não costumava ser assim! É verdade que quando ele voltava das transformações trazia alguns ferimentos, mas nunca ficava inconsciente, muito menos durante tanto tempo!
Sirius voltou naquele momento da casa-de-banho. Lançou um olhar em redor e, como viu que todos ainda continuavam a dormir, juntou-se a James e ao filho.
-Porque é que achas que ele fica inconsciente, Prongs? – Foram as primeiras palavras que saíram da boca de Sirius desde que haviam saído da Cabana dos Gritos. – Achas que é algo natural, ou tem outra coisa por detrás disso?
-Sinceramente… não sei! Ainda não tive muito tempo para pensar naquilo que a Mdm. Pomfrey disse, no entanto ela pode ter alguma razão. Pode ter sido uma reacção despertada por causa do choque, e das tensões a que ele esteve sujeito!
Harry olhava para o padrinho e para o pai sem perceber minimamente do que conversavam. Sabia apenas que se tratava de algo acerca de Remus, e que este não se encontrava bem.
-Mas nós regressámos! – Sirius mantinha um tom baixo e calmo, mas eram visíveis alguns sinais de tensão no seu rosto, e na forma como cerrava os punhos. – Eu sei que parece criancice, mas nós voltámos! Faz já quatro meses. Ele não deveria ter ficado melhor?
Aquela era uma questão para a qual James não tinha resposta, e Sirius sabia-o. Perguntara, não só para o amigo, mas especialmente para si próprio.
-Eu não sei, Padds! Não sei! Mas a Mdm. Pomfrey disse que isto já era frequente e que agora dependia do Remus para acordar. A nós só nos resta espera. Quando ele despertar, então falamos com ele para tentar compreender isto!
Sirius concordou com um aceno de cabeça. A sua expressão continuava insondável.
Por fim, James olhou para o filho e quando falou fê-lo no tom cansado de quem passou uma noite em claro e com grande agitação.
-Desculpa Harry! Eu sei que não percebeste nada mas, neste momento eu já não consigo raciocinar direito. Eu sei que tens todo o direito de saber o que se passa mas, neste momento nem eu mesmo sei! Preciso de parar para pensar. Para perceber!
O mais novo concordou e começou a levantar-se.
-Não te preocupes comigo. Quando quiseres falar eu estarei aqui!
James olhou para o filho com orgulho. O orgulho de um pai que vê que o seu filho se tornou alguém com o qual se pode contar.
Sem pensar muito, puxou-o para si, para um abraço como que em forma de agradecimento pela compreensão.
-Obrigado! – Murmurou ao ouvido do filho.
Separaram-se ambos com um sorriso nos lábios. Era sempre bom para Harry sentir o carinho dos pais, mesmo que estes estivessem com uma forma que não era a sua.
Voltou-se na direcção da sua cama, pronto para voltar para lá (afinal os fins-de-semana devem ser aproveitados) e viu o olhar de Dean Thomas preso em si.
O outro garoto tinha os olhos levemente arregalados e, por mais que tentasse disfarçar, parecia um pouco chocado.
Quando por fim Harry compreendeu o que poderia ter levado Dean a esboçar aquela reacção já era um pouco tarde: o rapaz saíra apressadamente do dormitório na direcção do banheiro.
-Hã….Jayden… - Harry voltou-se de novo para o pai que parecia também surpreendido com a reacção do outro garoto. – Acho que temos um problema!
Apesar de toda a situação Sirius não conseguiu resistir, e acabou por soltar uma sonora gargalhada.
Remus debatia-se como podia daquelas estranhas plantas que o tentavam agarrar e prender. Tentava a todo o custo manter-se livre mas, aquela era uma batalha perdida e ele sabia-o bem.
O mais calmo dos Marauders sabia que estava inconsciente. Tinha noção de que aquilo era apenas um delírio da sua mente cansada. Um delírio que tivera início com a Lua Cheia do mês de Novembro de 1981, e que se prolongava desde então.
O devaneio após cada transformação começava sempre da mesma maneira. Em algumas vezes, Remus tinha sorte e despertava antes de o pesadelo terminar, outras… era obrigado a reviver "aquilo" até ao mais ínfimo pormenor.
A misteriosa planta conseguiu por fim completar os seus intentos quando Remus ficou completamente imobilizado. Havia algo que rodeava a sua garganta e ele sabia que quanto mais se debatesse, mais aquilo apertaria até que estivesse prestes a sufocá-lo.
O ambiente ao seu redor começou a alterar-se e quando deu por si estava num local outrora conhecido.
Era uma casa pequena, mas à primeira vista muito acolhedora. Ficava bem na orla de um bosque, que se estendia até perder de vista. Existia um pequeno jardim, no qual Remus podia ver uma mulher a colher algumas flores, acompanhada de um rapazinho que não deveria ter mais de 10 anos.
O antigo professor de D.C.A.T. não teve outra alternativa senão ver o desenrolar dos acontecimentos daquele fatídico dia: o dia em que se tornara um lobisomem!
Viu a mulher voltar para casa, e sorrir na direcção do filho antes de passar pela porta! O rapazinho também sorriu o correu na mesma direcção da mãe.
-Então eu posso comer com gelado? – Foi a pergunta que o pequeno fez quando entrou na pequena cozinha.
-Se comeres o almoço todo, eu vou pensar nisso!
A mulher não pôde deixar de rir quando viu o filho sentar-se apressadamente à mesa e pegar nos talheres para comer a sopa.
Não demorou muito para que a tarefa estivesse concluída, e Remus pôde ver-se a si próprio levantar-se e dar um abraço à mãe, quando ela levou uma taça de gelado na direcção da mesa. Naquele momento, um homem alto entrou na casa. Trazia uma expressão preocupada no rosto, algo que não passou despercebido à sua mulher.
-Remus, querido, levas o teu gelado e vai lá para dentro?
O rapaz fez o que a mãe queria e foi para o seu quarto despreocupadamente.
Não pôde ouvir a conversa que se desenrolava na cozinha, a conversa que, de certa forma, selava o seu destino!
Para a maioria dos alunos de Hogwarts, aquele sábado começou de uma forma bastante agradável. Apesar de o tempo não estar muito bom, não existiam aulas e uma vez que ainda estavam longe da época de exames podiam dar-se ao luxo de relaxar um pouco.
Lily encontrou-se com James alguns momentos após o final do pequeno-almoço. Pela expressão no rosto dele, soube imediatamente que algo de errado se passava e bastou-lhe um aceno de cabeça para que ele a seguisse na direcção dos seus aposentos.
Ele não estava bem, e Lily sabia-o. Lançou alguns feitiços de protecção imediatamente depois do rapaz ter entrado, e quando se voltou na direcção dele era já o marido quem olhava para ela.
-James?! O que é que se passou?
Ele ficou em silêncio. Os olhares de ambos encontraram-se e mantiveram contacto por alguns instantes.
A mulher pegou na própria varinha e apontou para si. Murmurou algumas palavras e o seu próprio feitiço também se quebrou.
Caminhou até ao marido e abraçou-o.
-Porquê?! Porque é que todos temos de pagar pela loucura de um homem? Porque é que quando pensamos que as coisas podem estar a "correr bem" tem de existir algo que deita tudo por terra?!
-James… - Por mais que quisesse apoiar o marido, Lily não fazia ideia do porquê daquele desabafo.
O moreno riu suavemente e colocou as mãos em redor da face da mulher. Uniu os lábios e iniciou o beijo. As suas mãos deslizaram pela face dela. Foi apenas a falta de ar que os fez separarem-se.
-Aconteceu uma coisa com o Remus. E isso fez-me perceber algo. Todos nós pagámos um preço demasiado alto pela loucura de um monstro. Todos nós sofremos por causa dele!
-Porquê isso agora? James, o que é que se passou com o Remus para te deixar assim? – Lily estava realmente preocupada com o marido. Não era da personalidade de James deixar-se ir abaixo daquela maneira. O Gryffindor era uma das pessoas mais lutadoras e com mais fé no futuro que ela conhecia.
Durante o período em que Voldemort andava atrás deles, era James quem levantava o ânimo da sua "ruiva", era ele quem lhe garantia que existiria esperança para o futuro.
-Vamos James – Lily separou-se do marido e conduziu-o até perto da lareira. – Conta-me o que é que se passou.
Ele respirou fundo e iniciou o relato dos acontecimentos da noite anterior. Contou tudo desde aquilo que fizeram enquanto estavam transformados, até à conversa com madame Pomfrey, já na enfermaria.
Lily escutou em silêncio, com a preocupação a crescer no seu íntimo. Deixou terminar sem interromper e só então disse:
-Eu entendo porque é que estás assim. Eu compreendo que te custa ver o Remus a sofrer. Nós vamos ver o que podemos fazer para o ajudar. Mas, tal como a Mdm. Pomfrey disse, agora temos de esperar que ele desperte. Até lá é importante mantermos a calma para evitar problemas.
James sorriu para a mulher, um sorriso que, infelizmente, não lhe chegou aos olhos.
-Tens razão! É melhor manter a calma. – Levantou-se e caminhou até Lily. – Obrigado!
-Porquê? – Perguntou ela com um pequeno sorriso.
-Por me ajudares a sempre que eu preciso!
Voltaram a beijar-se.
Quando naquela manhã, Ginny voltou à Sala Comum com Hermione, reparou com alguma estranheza na forma como Dean, Parvati eLavender, interrompiam a conversa que estavam a ter e se voltavam na sua direcção.
-Tenho alguma coisa na cara? – Perguntou a ruiva à amiga.
Hermione encolheu os ombros e sentou-se numa das mesas a ler um livro que Ginny não fazia ideia de onde tinha saído.
-Hum… Hermione… Preciso da tua ajuda – Começou a ruiva.
A outra pousou o livro e olhou na direcção dela.
-Precisas? Passou-se alguma coisa?
-Não é nada de mais! É só que… bem, sabes que a noite de Halloween está aí a chegar. Já se ouvem uns zumzuns pelo castelo sobre o baile que este ano vai haver. Bem, eu vou com o Harry e preciso da tua ajuda para me preparar.
A morena sorriu para a amiga.
-Estás mesmo com vontade que chegue este baile!
-É claro que estou! Sonho com isto desde que entrei em Hogwarts e tu sabes bem disso. Estar com o Harry é… oh Hermione foi aquilo que eu sempre quis! E agora posso ir com ele. É a primeira vez desde que somos namorados.
-Calma, amiga! Eu entendo e não precisas de te preocupar! É claro que te vou ajudar naquilo que puder para que este seja… o baile de sonho para ti e para o Harry! – Hermione sorria largamente enquanto respondia a Ginny.
-Ah, Hermione! Obrigada, obrigada, obrigada! Eu adoro-te sabias? – Disse a ruiva enquanto se levantava e abraçava a morena.
Naquele momento na Sala Comum, Dean, Parvati e Lavender debatiam as últimas novidades.
-Tens a certeza disso Dean? – Perguntou Lavender enquanto se sentava num dos sofás. – O Harry não parece nada desse género!
-Eu apenas disse aquilo que vi! Quando acordei, ele estava abraçado àquele miúdo novo, o Jayden. Eu não tenho a certeza, mas pareceu-me que ele lhe deu um beijo. – Dean havia relatado às duas raparigas, a cena que presenciara nessa manhã.
-Acham que a Ginny sabe alguma coisa? – Perguntou Parvati.
-Hum, eu cá acho que não! Viram-na ainda à pouco? Ela estava muito calma! – Comentou Lavander.
-Eu acho que é melhor esclarecermos primeiro esta história com o Harry! – Disse Dean olhando para a saída dos dormitórios na expectativa que o moreno aparecesse.
-Honestamente, eu nunca pensei nisto! – Parvatti abanou a cabeça. – O Harry gay! Sem dúvida é algo totalmente inesperado!!
Por volta da hora de almoço daquele Sábado Remus despertou na enfermaria. Madame Pomfrey apercebeu-se da alteração do seu estado e caminhou até ele já com a varinha na mão.
Antes de qualquer coisa, auxiliou-o a sentar-se, dando-lhe o tempo que ele precisava para se conseguir sentar.
Remus encostou-se à cabeceira da cama e fechou os olhos para tentar recuperar as forças. A enfermeira conjurou um copo com água que aos poucos foi ajudando Remus a beber.
-Obri…gado! – Com um pouco de esforço agradeceu a mulher que muitas vezes o auxiliara em situações como aquela.
-Não te esforces! – Repreendeu-o como se ele não passa-se de uma criança. – Estás bastante fraco. Não é prudente que tentes fazer qualquer esforço. Bem basta aquilo que terás de passar de novo logo à noite!
-Não se… preocupe! Isto vai passar… você sabe que vai!
Ela abanou levemente a cabeça e depois disse:
-Os teus amigos estão bastante preocupados. Ao que parece não sabiam de nada destes períodos em que ficas inconsciente.
-Eu… não lhes contei nada. Não queria preocupá-los com isto. Eles estavam tão felizes.
A velha enfermeira não comentou nada. Levantou-se e antes de sair apenas lhe recomendou:
-É melhor que descanses! Logo à noite terás de te transformar de novo, é melhor que tentes recuperar as tuas forças. E… acho que os senhores Powell e Blackheart não devem tardar a aparecer por aí!
Harry e Ron encontraram-se com Ginny e Hermione depois do almoço. Elas conversavam animadamente, mas mudaram de assunto assim que os viram aproximar-se.
O moreno cumprimentou a namorada com um beijo nos lábios que vez Ron olhar para o lado oposto enquanto Hermione o cutucava.
-Ron, não faças essa cara! Não sejas criança!
-Eu não sou criança! Mas, Harry, eu ainda não me esqueci que temos de conversar! – Desta vez o ruivo olhava sério para o amigo.
-Ron! O que é que tu pensas que vais fazer?! – Ginny olhava para o irmão com um olhar quase assassino.
-Não te preocupes maninha! Vou apenas cumprir os meus "deveres de irmão"!
Apesar de Harry se poder preocupar, afinal Ginny tinha seis irmãos mais velhos, limitou-se a sorrir e a voltar a beijá-la.
-Não te preocupes! – Disse-lhe ao ouvido.
Nenhum deles reparou nos estranhos olhares que Parvatti e Lavander lançavam na direcção deles, então limitaram-se a deixar a Sala Comum sem nenhum destino determinado.
Jayden e Samuel tinham passado a hora de almoço na expectativa de saber se Remus já teria ou não despertado. Sabiam que precisavam de ter uma conversa com ele antes do fim do dia. Quando a refeição terminou, dispuseram-se a passar pela enfermaria para saber notícias do amigo, mas, a meio do caminho algo fez Sirius estacar.
David, o mesmo rapaz que seguira semanas antes caminhava lado a lado com um colega, mas ambos traziam no rosto uma expressão cansada. Até aí não havia nada de anormal, mas Sirius pôde notar uma mancha rocha perto da bochecha de um dos rapazes.
-Mas como é que eu não pensei nisto! Meu Merlin! É tão óbvio! – Disse para si próprio.
-O quê? O que é tão óbvio? – James encarava o amigo sem perceber nada do que ele estava para ali a dizer.
-Jay, vai até à enfermaria. Eu vou ter lá contigo daqui a pouco!
Não deu tempo para reclamações. Sirius apressou-se a seguir os dois rapazes do terceiro ano, deixando James espantado a olhar na direcção em que o amigo havia acabado de seguir.
David e Michael, os dois alunos do terceiro ano, caminharam por entre os corredores até chegarem ao terceiro andar. No local onde pararam, aparentemente existia apenas uma parede mas, tal como Sirius sabia, ali ficava a entrada para a Sala Precisa. Esperava que eles não entrassem, caso contrário seria muito difícil para ele, descobrir o que eles estariam a tramar.
Mas, Merlin devia estar do seu lado naquele dia. Os dois detiveram-se perto da entrada, mas ao invés de evocarem a sala ficaram a conversar perto da entrada.
O antigo auror procurou ser o mais discreto possível ao aproximar-se. Naquele momento o que mais desejava era poder ter ali o manto da invisibilidade de James: ser-lhe-ia muito útil. Mas, o manto não estava com ele! Por isso não valia a pena estar a perder tempo com lamentações.
Tentou lembrar-se de um ou dois feitiços que lhe pudessem dar alguma ajuda naquele momento, mas a única ideia que lhe surgiu na mente, foi a de tentar um feitiço de desilusão. Era algo arriscado, ele sabia que poderia ser facilmente descoberto se os dois rapazes prestassem um pouco mais de atenção àquilo que os rodeava, mas… resolveu optar por confiar um pouco na sorte que parecia estar do seu lado naquele dia.
Já com o feitiço sobre si, aproximou-se vagarosamente para não fazer qualquer som que desertasse a atenção dos outros para si.
Apanhou a conversa já pela metade, no entanto aquilo que ouviu bastou-lhe. Não pôde deixar de sorrir ao constatar que as suas suspeitas estavam certas!
James entrou na enfermaria e deparou-se com Remus desperto e a ler um livro.
-Não mudas, mesmo! – Comentou com um pequeno sorriso a aflorar-lhe no rosto enquanto se aproximava do loiro.
-Jay…
-Então… - À medida que se aproximava da cama, James procurava as palavras certas para abordar um dos motivos que o levara ali. Remus apercebeu-se do que se passava na mente do amigo e optou por ajudá-lo.
-A madame Pomfrey, contou-me que vocês ficaram preocupados por eu ter desmaiado.
James olhou para o amigo como se estivesse a ponderar na resposta que havia de dar.
-É normal. Quero dizer, nós nunca te tínhamos visto assim depois de uma transformação! Quando te trouxemos para aqui é que ela nos disse que… era frequente.
O antigo professor de D.C.A.T. concordou com um aceno de cabeça.
-É verdade.
James não acrescentou nada e começou a caminhar de um lado para o outro em frente da cama de Remus.
-James… James, importas-te de parar de andar de um lado para o outro? Torna-se um bocado complicado tentar dizer alguma coisa contigo dessa forma!
O outro imobilizou-se quase instantaneamente.
-Muito bem, já parei. Mas agora explica-me. Explica-me o que é que aconteceu porque nem eu, nem o Sirius percebemos o que se passou. Aconteceu-te alguma coisa, durante o tempo em que nós… É por isso que tu desmaiaste? Foi porque…
-James, eu… a verdade é que nem eu, nem ninguém, sabe o que se passa. – Pousando o livro sobre a mesa-de-cabeceira, Remus procurou ajeitar-se melhor sobre a cama enquanto falava. – Tudo isto começou depois do Sirius ter sido preso. No inicio ficava apenas inconsciente durante alguns minutos mas… depois de alguns meses começou a piorar.
-Procuraram uma solução? Tentaram encontrar uma forma de evitar que isto acontecesse?
-Sim! Tanto a madame Pomfrey, com o Snape se empenhar bastante em descobrir porque motivo isto acontecia e se existia uma forma de o parar, ou… pelo menos de controlar.
-E…
-E… não encontraram nada. Não conseguiram achar nenhuma explicação para aquilo que estava a acontecer comigo. Eles procuraram durante bastante tempo até que… bem, pura e simplesmente chegou uma altura em que não havia mais onde procurar.
No fim do discurso o tom de Remus era de resignação, nos seus olhos pairava uma sombra negra.
-Então e logo à noite? Como é que vai ser a transformação de logo à noite? – Perguntou James como se aquele pensamento lhe tivesse surgido do nada.
-Logo à noite a transformação será como todas as outras. Nada será diferente. E depois… quando o sol nascer… bem, é quase certo que vou ficar outra vez inconsciente.
Encaram-se ambos em silêncio. As luas cheias que se seguiriam seriam certamente difíceis, no entanto, James, Sirius e Lily estavam ali. E se Remus tinha uma certeza na vida, era a de que podia contar com eles!
Depois de ter deixado Remus a descansar naquela manhã, Poppy Pomfrey fora tratar de todos os seus outros afazeres. Tinha de certificar se tinha em stock todas as poções que, eventualmente, pudesse precisar, e tinha também de falar com Severus e Lily para que eles repusessem as que estavam em falta.
Estava ocupada entre uma tarefa e outra quando ouviu alguém bater à porta. Ao abri-la deparou-se com um dos alunos do terceiro ano.
O rapaz que entrou no gabinete da enfermeira de Hogwarts, tinha cabelos castanhos pelos ombros e uma aparência cansada.
-Alexander. Ainda bem que vieste. Como é que te estás a sentir?
-Eu… tenho algumas dores mas… eu já tomei as poções então acho que vou melhorar…
-Tens conseguido dormir? – Perguntou ao ver as profundas olheiras que circundavam os olhos do rapaz.
-Não muito bem. Principalmente nos últimos dias…
-Sabes que isso é normal. – A enfermeira caminhou até ao rapaz e colocou-lhe uma mão sobre o ombro. – Tens de tentar descansar o quanto puderes. Não é fácil, eu entendo isso, ainda para mais porque esta é uma situação tão nova para ti. Mas tens de tentar recuperar as forças entre as transformações. Caso contrário só piora as coisas.
-Eu sei… mas… Eu vou tentar.
Poppy foi até um dos armários e começou a procurar por algo.
-Tens todas as poções? – Perguntou parando por momentos para encarar o rapaz.
-Sim. Mas a maioria está quase a acabar.
-Muito bem. – Retirando uns quantos frasquinhos do armário, Pomfrey voltou para perto do aluno. – Tens aqui todas as poções. Acrescentei também uma poção que te vai ajudar a dormir.
O rapaz consentiu com um aceno de cabeça. Desde que entrara para o seu terceiro ano, com aquele "problema", madame Pomfrey tinha sido a pessoa que mais o ajudara.
Apesar de ainda estar um pouco cabisbaixo, o rapaz despediu-se dela e deixou o gabinete. A verdade é que, naquele momento, não havia mais o que ela pudesse fazer por ele. A não ser que…
Uma ideia cruzou-lhe a mente e apressou-se a pô-la em prática.
Em passos largos, foi até à enfermaria, cruzando-se com Jayden que saía naquele momento. Encontrou Remus sentado, de novo a ler um qualquer livro e sem mais delongas disse-lhe:
-Preciso que fales com um aluno!
Ele levantou o olhar, encarando espantado a enfermeira. Não era costume ela actuar daquela maneira, daí a estranheza de Remus.
-Falar com um aluno? Porquê?
-O nome dele é Alexander. Alex. Tem 13 anos e anda no terceiro ano. Durante as últimas férias de verão a família dele foi atacada por um grupo de Death Eathers.
-Muito bem. Mas, não vejo como é que eu falar com ele pode ajudar em alguma coisa!
-No ataque, estava presente um lobisomem. O Alex… bem, ele foi mordido.
Remus soergueu-se na cama.
-Remus, o Alex transformou-se num lobisomem!
N.A.: Capítulo XIV postado. Antes de mais quero agradecer a todos os que, mesmo com os meus atrasos nas postagens dos capítulos, continuam a acompanhar a história e a comentar. Isso é, sem sombra de dúvidas, muito importante para mim. A todos, muito obrigada.
Antes de terminar por aqui, existem duas coisinhas que tenho a dizer. No outro dia, enquanto relia os capítulos anteriores para poder escrever este, reparei em dois lapsos na história.
O primeiro, é no capítulo XI. Quando fala no poder paterno, Snape diz que só terá efeito se for executado antes de Draco completar 17 anos. Ora, Draco faz anos a 5 de Junho, portanto, no momento em que a acção se passa, ele já teria os 17 anos feitos. Isto significa que o poder paterno deve ser executado antes de Draco completar 18 anos.
O segundo lapso é no capítulo XIII. Logo na primeira linha, onde está Novembro, deveria estar Outubro.James e Lily "ressuscitaram" em meados de Junho e no decorrer da narrativa percebe-se que o capítulo XIII se passa 4 meses após esse acontecimento, daí que seja Outubro e não Novembro.
Peço desculpa por só dar pelos erros agora. Vou ficar mais atenta para evitar voltar a cometer erros desta natureza.
Bem, por agora é tudo. No próximo capítulo vão existir novidades acerca do espião por isso... se quiserem deixar a vossa opinião sobre quem deveria ser "o infiltrado", eu adorava =)
Beijos e já sabem... para saber o que vai acontecer... vão ter de continuar a ler! (E a comentar...)
Morgana Bauer
