N/A: Para todo mundo que duvidou do buquê! ; )


Capítulo 14 – Here comes the sun

Little darling

It's been a long cold lonely winter

Little darling

It feels like years since it's been here

Ron não se importava.

Ela não havia entendido nada, e Ron com certeza não se importaria se ela tivesse entendido outra coisa, que não era para ser entendida. Certo?

"Da próxima vez que houver um baile, me convide antes que outro garoto faça isso, e não como último recurso!"

A voz alta e nervosa de Hermione explodiu novamente em sua cabeça, ao mesmo tempo que ele percebia que seus pensamentos não faziam sentido algum.

Porque havia algo a ser entendido, e Hermione havia conseguido fazê-lo maravilhosamente bem.

Ela provavelmente já tinha entendido tudo, antes mesmo que Ron chegasse às suas próprias conclusões, há alguns minutos, enquanto deitava em sua cama, com as cortinas fechadas em volta dela.

Ele gostava dela. Ele, Ronald Weasley, gostava de Hermione Granger, sua melhor amiga, de uma maneira bem diferente de como melhores amigos costumam gostar um do outro.

Ron virou-se na cama, pelo que deveria ser a centésima vez, suspirando com força. Sua mão apertou algo que ele havia pegado há algum tempo, na volta de uma ida ao banheiro.

Ele abriu sua mão, e um pequeno jogador de quadribol pulou animadamente em sua palma, olhando carrancudo para os lados e segurando um minúsculo pomo de ouro.

- "Elas só gostam dele porque ele é famoso!" – ele falou, imitando a voz dela, num tom alto que fez Neville se mexer em sua cama e parar de roncar por alguns breves segundos – E você também, né?

Ron apertou o boneco em sua mão e fechou os olhos com força, sacudindo a cabeça de leve. É claro que ela não havia ido ao Baile de Inverno com ele apenas porque ele era famoso. Ele conhecia Hermione o suficiente para saber que seus pensamentos acusadores eram meros frutos de sua raiva.

Ela havia aceitado o convite de Viktor Krum porque ele havia dado atenção a ela.

Afinal, pelo menos de acordo com o que Hermione sabia, a atenção que Ron dava a ela se resumia a perceber se ela já havia acabado o dever de casa para poder copiá-lo.

Mas é claro que isso acontecia porque ela estava sempre ocupada demais prestando atenção na aula para notar o olhar de Ron a observando.

Era quase que inconscientemente que os olhos de Ron se voltavam para a garota sentada perto dele, e quando ele se dava conta, estava observando como ela tirava o cabelo do rosto com impaciência, ficava concentrada após o professor começar um novo assunto, ou como seus olhos brilhavam quando ela acertava uma pergunta.

E era consciente o bastante que ele balançava o rosto e dizia a si mesmo que deveria parar com isso, e que o máximo que poderia ter com Hermione era uma relação de amizade.

Colorida.

"Não, só amizade." Ele pensou abrindo os olhos, deitado em sua cama. "Há muito em jogo."

Como a possibilidade de perder uma das pessoas mais importantes para ele.

Quantos relacionamentos de pessoas de quatorze anos haviam dado certo, que ele soubesse? E quantas dessas pessoas continuavam amigas após o término do namoro?

A resposta às duas perguntas era provavelmente zero.

O melhor era esquecer e ignorar o sentimento, e continuar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido.

Não que Ron tivesse a coragem de fazer algo, mesmo que quisesse.

E não que ele não quisesse.

Ron virou-se na cama e olhou o relógio na mesa ao lado. Já passava das 3 e meia da manhã, e seus pensamentos estavam começando a embaralhar formando frases confusas e desconexas.

Ele colocou o boneco em cima do criado-mudo, e se virou para o outro lado para tentar finalmente dormir. Estava tudo bem, afinal. Hermione era sua amiga, e assim continuaria sendo. E não era da sua conta se ela escolhia sair com um jogador de quadribol mundialmente famoso.

Ron não precisaria olhar-se no espelho para perceber que suas orelhas haviam corado violentamente. Com um grunhido de irritação, ele esticou o braço e alcançou o pequeno boneco.

E ignorou seus protestos em búlgaro, enquanto torcia a miniatura em sua mãos, jogando seus mínimos pedaços com força no chão do dormitório.

Here comes the sun, do do do do

Here comes the sun, and I say

It's all right

- Nervoso, garoto?

Os pensamentos de Ron foram interrompidos pelo forte sotaque escocês do juiz de paz, recém chegado na sala. O ruivo se virou para encarar o juiz, baixo e gordo, que o olhava com o rosto cansado e a expressão tediosa.

- Não. – Ron tentou sorrir do jeito mais convincente que conseguiu, mas só o que percebeu foi que sua voz havia ficado extremamente aguda.

- Está sim. – falou o homem de meia idade, mexendo em papéis no púpito onde subira à frente do noivo.

- Talvez um pouco.

- Bem, ninguém mandou resolver se casar às 4 da madrugada. – disse o juiz, sem mais rodeios, com os olhos fixos nas folhas de papel.

- Ah... – Ron franziu as sobrancelhas. Ele considerou contar a história do buquê, mas algo lhe disse que ela não soaria trouxa o suficiente. – Não é bem o horário que causa o nervosismo.

- Não, ele causa o sono. – o juiz bocejou demoradamente, e então se apoiou no pequeno altar a sua frente, mirando a porta.

- Ah, me desculpe por entender o aviso de 24 horas. – Ron retrucou mal-humorado, tentando segurar a vontade de bocejar que o invadira ao ver o juiz o fazendo.

Ele o olhou e sorriu desdenhosamente.

- É mesmo, diferenças de tratamento quando os noivos não estão bêbados...– ele falou sarcasticamente, como que para si mesmo.

- Seria bom, já que estamos pagando. – Ron continuou, sentindo duas orelhas arderem levemente. Ou não, ele pensou, ao lembrar do feitiço Confundus aplicado na secretária.

- Sim, senhor. – falou o juiz, com exasperação, voltando a encarar a porta.

Ron o olhou incrédulo. Uma vontade imensa de azará-lo o invadiu, e ele imaginou quais feitiços poderia utilizar. Levicorpus parecia uma escolha convidativa no momento.

- Não está mais nervoso, está? – falou o juiz de paz, virando-se para encará-lo, com um sorriso maroto.

Ron sentiu sua boca abrindo levemente, ao ver que ele estava certo. O juiz o encarou com uma expressão de triunfo, e Ron hesitou em responder. Negando ou não, ele se sentiria idiota.

- Você já pensou que para casar duas pessoas, deveria ser ao menos simpático? - ele disse por fim, com sarcasmo, a melhor arma a usar já que feitiços trariam muitos problemas.

- Eu lido com loucos, porque deveria ser simpático?

- Loucos?

- Quando não for sinônimo de loucura resolver, por livre e espontânea vontade, passar o resto da sua vida com uma pessoa , me avise...

Ron o encarou boquiaberto. Trouxas eram pessoas estranhas.

- Você pelo menos sabe qual é o seu trabalho?

- Unir os cansados aos curiosos, garoto...

- O quê?

- Os homens casam porquê estão cansados, e as mulheres porque estão curiosas. Os dois acabam desapontados.

- Já passou pela sua cabeça que as pessoas podem ter simplesmente se apaixonado?

- Ah, eu acho que as pessoas deviam estar sempre apaixonadas! – ele respondeu com naturalidade – Por essa razão nunca deveriam se casar.

Ron o olhou com as sobrancelhas franzidas, sem saber o que responder. Entre a curiosidade de saber como alguém como ele havia conseguido um emprego de juiz de paz, as inúmeras azarações que se passavam pela sua cabeça, e o nervosismo que voltava a fazer sua barriga doer, ele ouviu uma música começar a tocar.

A porta de madeira, do outro lado da sala se abriu no mesmo instante que a melodia invadiu seus ouvidos. Ron virou-se rapidamente, e se ajeitou em pé, ao lado do pequeno altar onde o juiz também já havia se posicionado. Ele sentiu um frio invadindo sua barriga, e seus pensamentos se misturaram num confuso e ensurdecedor turbilhão.

Então, Hermione atravessou devagar a soleira da porta, e entrou na sala, andando timidamente na direção do altar. No primeiro momento, ela olhou à sua volta, examinando rapidamente a sala - as poucas fileiras de bancos que demarcavam o caminho, todos decorados com flores falsas e panos que já haviam deixado de ser branco há anos e o pequeno púpito, onde o juiz de paz a esperava, com um grande laço bege pendurado - até que seu olhar encontrou o de Ron.

Sua boca formou um sorriso e ela mordeu levemente o lábio inferior, passando a andar com mais determinação até o final do corredor. E Ron sentiu o frio na sua barriga se dissipar, e o turbilhão em sua mente ser substituído por apenas um pensamento.

Hermione Granger vai casar comigo.

E ele sentiu sua boca também se modelar em um enorme sorriso.

Little darling

The smiles returning to the faces

Little darling

I seems like years since it's been here

Ao atravessar a porta e ver Ron em pé a esperando, formando junto com o resto da sala a imagem que ela sonhara tanto em ver – tirando o encardido da decoração dos bancos, isso é -, seu nervosismo desaparecera totalmente, e só o que ela pôde pensar foi que aparatar não seria rápido o suficiente para levá-la até o lado de Ron na velocidade que ela realmente desejava.

Era como se todos os anos em que ela havia sonhado com esse momento tivessem resolvido se unir para juntos se estenderem à frente dela, fazendo seu pequeno caminho parecer longo e angustiante. O pequeno corredor formado pelos bancos de madeira não devia medir mais do que alguns metros, mas Hermione sentiu que andara por horas até chegar à frente do pequeno altar onde Ron e o juiz de paz, baixinho, moreno e com uma cara de tédio, aguardavam por ela.

- Boa noite – falou o juiz, em um carregado sotaque escocês, quando ela se aproximou dos dois. Ela sorria, e sentiu o início de lágrimas se formando no canto de seus olhos. Ron pegou sua mão, por baixo do altar, e a apertou levemente.

- Boa noite – ela respondeu notando que sua voz transparecia a emoção. Ela finalmente tirou os olhos dos de Ron, e os dois encararam o juiz a sua frente.

- Estamos aqui reunidos, nessa madrugada de 14 de Abril, para unir... – o juiz desviou o olhar para o papel a sua frente e continuou com a voz tediosa – Hermione Skeeter Granger e Ronald Billius Weasley. – ele ergueu a sobrancelha e adicionou num tom baixo – na esperança que seus segundos nomes não sejam passados para seus filhos.

Ron soltou uma exclamação de indignação e Hermione tentou esconder o riso com uma tosse. O rosto rechonchudo do juiz esboçou um pequeno sorriso por alguns momentos.

- É em momentos como este, - continuou o juiz, com a voz séria - onde somos acordados no meio da madrugada para realizar a tarefa de unir um casal tão jovem, mas aparentemente sem bom senso algum, já que estão dispostos a desperdiçar seu futuro em uma vida a dois e...

Ron tossiu forte ao seu lado, e o juiz parou, rolando os olhos.

- Eu ainda não acabei. – ele falou mirando o ruivo, com um toque de irritação. Hermione se perguntou sobre o que eles haviam conversado durante o tempo em que a secretária oferecia bebidas a ela. – Como dizia, é em momentos como este que percebemos como o amor, apesar de ser um sentimento tão antigo e conhecido da humanidade, pode ser imensamente surpreendente.

Ron relaxou o aperto em sua mão e com uma espiada Hermione viu que seu rosto mirava o juiz parte admirado, parte desconfiado.

- Pois imagino que esse jovem casal não tenha acordado ontem de manhã e imaginado "Que tal pegarmos o último metrô e nos casarmos em numa capela 24 horas?" – ele continuou, com o início de um sorriso no rosto. Hermione não conseguiu conter uma pequena risada. – Só posso imaginar os motivos que possuíram vocês dois a decidirem tornar-se um casal aqui, mas creio que não está em minhas mãos descobri-los. Pode ser que nem mesmo vocês os saibam, ou precisem saber. O Coração tem suas razões, das quais a Razão nada sabe.

Hermione arregalou os olhos por alguns momentos, surpresa pelo homem gorducho a sua frente, que há pouco tempo a olhava com tédio no rosto, falar algo tão bonito e apropriado.

Afinal, obedecer buquês mágicos não deveria ser racional para a maioria das pessoas. Mas como ela percebia agora, em pé ao lado de Ron, mais do que nunca, não fora um arranjo de flores que os instigara a entrar nessa capela. Fora uma dessas razões do coração que a Razão prefere ignorar, e que por isso talvez não fizesse sentido para os outros.

- Até porque ninguém pensando com a cabeça faria o que vocês estão fazendo agora. – o juiz adicionou, com um sorriso sarcástico. Ele puxou um pequeno saquinho do bolso, e de dentro dele caíram dois anéis de ouro, em suas mãos. Hermione sentiu seu coração se acelerar. – É hora de trocar os votos. – ele se virou para ela, estendendo a mão com as alianças. Ela mordeu os lábios e pegou uma em seus dedos, virando-se para Ron.

Este a observava com uma expressão um pouco confusa. Realmente essa era uma tradição um pouco trouxa. Ela mesma não havia se preparado propriamente dito para esse momento.

Mesmo assim, havia anos que ela sabia que um dia teria que falar essa palavras. E por mais que ela não tivesse ensaiado nada, ela sabia que no momento que abrisse sua boca, as palavras certas sairiam.

Little darling

I feel that ice is slowly melting

Little darling

It seems like years since it's been clear

Ron era péssimo em assuntos trouxas, logo tradições matrimoniais não-mágicas não eram exatamente seu ponto forte. Era justamente Hermione que costumava salvá-lo em situações corriqueiras, como na hora de comprar usando libras, ou prestar contas ao senhorio de seu prédio.

Ela, no entanto, havia esquecido de mencionar que ele teria que fazer um discurso em seu casamento.

Ou talvez ela achasse que não havia necessidade de avisá-lo. Ele não imaginava o que mais poderia ser dito entre os dois, após todos esse anos, todos esses meses, e toda essa noite.

No entanto deveria sim haver muito o que dizer, já que Hermione o mirava com olhos cujo brilho estava repleto de significado, prestes a falar os seus votos.

- Ron, – ela começou com a voz um pouco tímida, enquanto pegava as mãos do namorado nas suas, e as segurava na altura do peito – você sabe que para mim, é como se a vida tivesse começado aos 11 anos. Antes daquele dia, em que eu embarquei naquele trem em direção a Hogwarts, eu era só uma menina sem a mínima idéia do que era o mundo. E tudo isso, não só porque foi lá que eu descobri a ma... educação, mas também porque foi lá que eu achei as coisas mais importantes da minha vida. Meus amigos.

O juiz a olhava interessado, aparentemente sem perceber o quase uso da palavra "magia". Ron agradeceu Hermione mentalmente por tê-lo lembrado de que usar palavras como "bruxa" no meio de um casamento trouxa não seria uma idéia das mais sensatas.

- Foi depois que eu cheguei a Hogwarts que eu percebi que minha vida até então tinha tido um vazio imenso – ela continuou, agora com mais confiança na voz – um vazio que eu pensei por muito tempo ter sido ocupado pela, bem, educação, dada a nós. Lá eu tinha um dom, tinha amigos, tinha você. Mesmo quando nós brigávamos, eu te via na hora do almoço, e no jantar, e mesmo sem falar contigo, me sentia melhor. – ela apertou as mãos de Ron novamente, e sua voz voltou um pouco mais carregada – Foi só há três meses, quando nós decidimos passar um tempo longe um do outro que eu percebi que o vazio que eu sentia não tinha nada a ver com Hogwarts. Ou com o que eu aprendi lá. Tinha a ver com você. Passar tanto tempo sem te ver me fez viver novamente pela metade, como se não tivesse nada por dentro. Isso porque só com você que eu posso viver por inteiro, Ron. E só demorou tanto tempo para entender isso porque nós sempre estivemos juntos, durante a maior parte das nossas vidas. Você nunca foi apenas um amigo para mim, você foi um companheiro. Você nunca foi somente um namorado para mim, você sempre foi minha metade. E você não vai ser apenas um marido para mim, você vai ser minha vida.

Ela falou as últimas palavras sem respirar, e agora parava, soluçando um pouco, mas ainda assim sorrindo. Ron sentia sua boca entreaberta, mas não poderia mandá-la fechar mesmo se quisesse. Ele percebeu lágrimas escorrendo pelos cantos de seus olhos, e deixou Hermione segurar sua mão esquerda e, com sua própria mão tremida, colocar o anel dourado no dedo dele.

- Belas palavras, as da senhorita. – disse o juiz de paz virando-se desta vez para Ron – Sua vez, garoto.

Ron alcançou a aliança, e pegou as mãos de Hermione, apertando-as contra as dele. Passou pela sua cabeça, enquanto ele via o sorriso feliz e emocionado da noiva, que ele jamais conseguiria falar coisa tão bonitas para ela. Palavras nunca foram seu forte, ele geralmente acabava querendo se bater por não falar o suficiente, corretamente, ou na hora certa.

Mas não era à toa que eles estavam se casando, e Ron sabia que Hermione entenderia o que quer que ele quisesse dizer. Ao mesmo tempo que ele se sentia nervoso, ele se achou na posição mais confortável que poderia estar. Ao lado de Hermione tudo ficaria bem, ele só precisava dar o seu máximo.

- Hermione... – ele começou, baixando os olhos para suas mãos e observando o anel que segurava – você sabe que eu nunca fui muito bom em falar essas coisas. Na verdade, acho que eu sou conhecido por não falar a coisa certa, na hora certa, o que costuma resultar em coisas nada boas, como meses separados ou passarinhos assassinos voando em direção ao meu rosto.

Ela soltou um pequeno riso, e ao encará-la, Ron sentiu-se mais confiante.

- Por exemplo, eu acho que nunca te falei sobre a primeira vez que te disse que te amava. – ela franziu as sobrancelhas levemente – Não estou falando do dia do casamento do Bill, aquele dia foi quando eu finalmente fiz algo direito, e lhe disse de verdade o que sentia. Foi no sexto ano. Eu acabei falando que te amava, sem nem mesmo perceber isso. Você provavelmente nem percebeu. Eu nem entendi, na hora. Eu quis dizer que te adorava como amiga por me ajudar tanto com os estudos, o que não seria nenhuma novidade. Mas depois que aquelas palavras "Eu te amo, Hermione." saíram da minha boca, eu fiquei inquieto por horas. Elas continuaram martelando na minha cabeça, até eu perceber o porquê disso. Foi porque eu realmente te amava. Naquele dia eu percebi isso. E percebi também que momentos como aqueles não foram feitos para que eu dissesse aquelas coisas. Não era justo para você. Você merecia tão mais do que ouvir de um garoto que nem tinha coragem de terminar com a namorada que ele te amava. Você merecia ouvir do seu namorado que ele te amava, o que foi o que eu finalmente consegui fazer naquele verão.

Se Ron não a conhecesse tão bem, não acreditaria na expressão que seu rosto formou, de profundo reconhecimento e surpresa. Ela lembrava-se afinal.

- E agora, de novo, eu quero dizer que te amo. Agora, como o seu futuro marido, do jeito que você merece. Quero dizer que te amo como amiga, como namorada, como a pessoa mais importante para mim. Como colega, como quem me corrige, me ajuda e me ama quando eu preciso. Como quem passou boa parte da minha vida comigo, independente de todas as idéias e decisões idiotas que eu possa ter tomado, independente do que o mundo possa falar ou fazer para ficar no nosso caminho. Independente do mundo, dos outros, da minha Razão, da sua Razão, eu sei que eu te amo mais do que tudo, e que isso nunca vai mudar.

Era a vez de ela de mirá-lo boquiaberta, com lágrimas escorrendo nos olhos. Ron sentiu que seus próprios olhos estavam molhados, e segurou a mão fina de Hermione entre as suas, colocando a aliança no dedo de sua mão esquerda.

Eles ainda não haviam soltado ou do outro, quando o juiz, com a voz um pouco gaguejante e – podia ser a impressão de Ron – emocionada, pigarreou e falou:

- Continuando... – ele deu uma olhadela na folha em cima do altar – Não que depois disso haja alguma dúvida, mas, Hermione Granger, você aceita Ronald Weasley como seu marido?

- Sim. – o som saiu em meio a uma risada e um soluço, ao mesmo tempo, e Hermione apertou as mãos de Ron ainda mais forte.

- Ronald Weasley, você aceita Hermione Granger como sua esposa?

- Sim. – só agora ele percebeu que suas lágrimas haviam se transformado em soluços.

- Então, pelo poder investido em mim pelo Estado da Inglaterra, eu vos declaro marido e mulher. – o pequeno juiz se abaixou em uma pequena reverência, e falou algo mais, que Ron não ouviu ou tentou ouvir.

Pois Hermione já havia jogado os braços em volta de seu pescoço, enquanto Ron a levantava pela cintura, e eles se beijavam entre soluços e risos.

Soluços que cessaram alguns minutos depois, ao saírem da capela, ambos passando a mão na aliança em seu dedo a todo momento, como se para certificar de que nada havia sido um sonho. E risos que continuaram até que o sol finalmente os alcançasse, e nascesse por trás dos prédios de Chelsea, como uma pintura emoldurada pela janela do quarto de Hermione.

Here comes the sun, do do do do

Here comes the sun, and I say

It's all right


N/A: "I love you, Hermione." é "Eu te amo" e PRONTO. -.- Lia Wyler can kiss my ass.

Eu usei alguns quotes alheios nesse capítulo...

"Os homens casam porquê estão cansados, e as mulheres porque estão curiosas. Os dois acabam desapontados." e "Eu acho que as pessoas deviam estar sempre apaixonadas. Por essa razão nunca deveriam se casar." são do Oscar Wilde.

E "O Coração tem suas razões, das quais a Razão nada sabe." do Blaise Pascal.

Hope-W (e aqui está ele. Tomara que tenha valido a pena esperar.), kyra (obrigada! Espero que este esteja também.), Val Weasley (valeu mesmo! Espero que o casamento tenha sido tão fofo quanto o pedido. XD), alineoellers (tava com saudade das suas reviews! hehe que bom que você gostou dos caps, e obrigada por tudo! Pena que já está acabando mesmo, eu adorei escrever essa fic, e mais ainda ler os comentários. xD mas ainda tem dois caps que estão saindo maiores que a encomenda.), iraa (hehe meio anti-Hermione casar assim, né? Mas o amor faz coisas estranhas com as pessoas! E ainda bem porque escrever rolos assim é bem mais divertido ;), Mema (obrigada mesmo! Eu tenho msn sim, dá para pegar no perfil do site, porque quando eu digito aqui ele nunca aparece.), Lili (haha valeu! Espero que o casamento em si tenha agradado.), Lais (a sua outra review acabou saindo, mas em outro cap. XD e a segunda ficou sim maior que a primeira, mas nem se preocupe com isso! Hehe quanto maior melhor. Obrigada pelos comentários, se eu melhorei seu dia depois de provas, eu sinto que meu trabalho está feito! Hehe Ah, e eu moro em Floripa.), Evelis (não se preocupe mais com o casamento da ginny porque esse 'obstáculo' já está resolvido! Hehe valeu pela review.), Kagome-Lily (valeu! E esse filme é fofo, e Here comes the sun uma das melhores músicas que eu conheço. xD espero que tenha combinado.), Amanda (obrigada! espero que o casamento tenha ficado bem louco! Hhehe e concordo, tudo fica lindo com um casal lindo desses!), mila.mayara (obrigada pelo email! Se tem uma coisa que eu entendo é das frescuras desse site. Valeu pelos comentários, eu realmente amo ler reviews. xD e eu adoro fics – com exceções, é claro – e fico honrada que a minha te agradou, mesmo você não gostando. Hehe), Roberta Nunes (O ff . net deve detestar minha fic, porque ele sempre cisma em empacar quando eu resolvo postar. -.- Obrigada mesmo pela sua review, e espero que você tenha gostado do casamento!).