Capitulo XIII
Sesshoumaru
Seis semanas mais tarde
Éramos como duas ervilhas em uma vagem. Inseparáveis. Quando não estávamos rolando nos lençóis, ou em qualquer cômodo da casa, estávamos lá fora fazendo atividades. Caminhadas, ciclismo, pesca, natação. Estávamos até planejando umas férias. Seria agradável visitar alguns países por diversão, e não apenas para realizar uma operação. Eu estava mais do que ansioso por isso.
Mas essa seria a nossa primeira viagem. Um fim de semana no lago. Eu tinha escolhido, desde que viemos aqui, quando éramos crianças. Iríamos acampar e dormir sob as estrelas. Pensei que seria uma ótima maneira de trazer de volta velhas memórias e até mesmo fazer novas.
Mas decidimos que desta vez, nós alugaríamos uma cabana. Não queremos assustar os outros campistas, com nosso apetite insaciável um pelo outro. Além disso, só o pensamento de ficar tão envolvido no ato, que a tenda cairia sobre nós às três da manhã, não parecia tão atraente. Não, obrigado.
—Terminou aí? —Perguntei.
—Nós vamos perder o pôr do sol.
—Quase terminando. Só mais um minuto ou dois.
Eu tinha embalado a mochila, com tudo o que precisávamos, para terminar o dia perfeitamente. Umas cervejas para mim, e uma garrafa de vinho para ela. Yin e yang. Isso é como fazemos. Nós nos equilibramos mutuamente.
Eu ficava todo possessivo e perdia a cabeça sempre que pegava outro homem olhando para a minha menina, e em seguida, ela sussurrava calmamente no meu ouvido, que tudo estava bem. A atenção deles, era apenas um elogio a mim, que tinha escolhido uma ótima garota.
Ela estava certa. Eu estava muito possessivo. Eu sei que ela gostava, mas também sabia que ela não aprovava atos desnecessários de violência. Eu praticava a contenção.
Mas não estava fazendo um bom trabalho agora.
Eu tinha uma boa ideia do que ela estava fazendo. Vi-a esgueirar-se para dentro do banheiro com o tubo. Eu não sabia muito sobre coisas de menina ou farmácias, mas sabia para o que era aquele tubo, eu já tinha visto em comerciais para testes de gravidez.
Eu tentei ficar calmo, fingindo que não sabia, mas estava me corroendo. Não só isso, nós realmente precisávamos começar a nos mexer, se íamos pegar o pôr do sol sobre o lago. Nenhum de nós queria perdê-lo.
A porta abriu, e ela só ficou lá sorrindo para mim. Levantou o tubo e sem dizer uma palavra estendeu os braços para um abraço.
—Confirmado?
Uma lágrima escorria pelo seu rosto. —Confirmado. Decolamos.
Agarrei-a com força e apertei-a.
—Desculpe. —Eu disse. E aliviei meu aperto. —Acho que tenho que ter mais cuidado agora. Há alguém aí dentro. Cada abraço é um abraço para dois.
—Com certeza é. —Ela disse.
—Com certeza é.
Eu a peguei gentilmente e levei-a das escadas para o sofá. Desci rapidamente e peguei minha mochila. Corri de volta para cima e coloquei o conteúdo da mochila sobre a mesa perto da janela, e em seguida, peguei-a mais uma vez e a sentei no meu colo.
—Pôr do sol da janela esta noite?
—Soa perfeito.
Cheguei no interior do compartimento secreto na minha mochila e tirei duas garrafas pequenas de champanhe para viagem, que eu tinha trazido apenas no caso. Removi as tampas e entreguei-lhe uma.
—A nós, e a nossa nova família, brotando.
Nós brindamos e tomamos um gole. Abaixamos as garrafas e ela colocou os braços em volta do meu pescoço.
Eu podia sentir meu pescoço ficando molhado de lágrimas. Eu não era de chorar, mas admirei sua paixão por aquilo que criamos. Exibi meu prazer de outra maneira. Deslizei minha mão direita por trás dela um pouquinho e bombeei meu punho. Meus nadadores tinham feito o seu trabalho. Meu desejo se tornou realidade.
Eu realizaria o meu desejo. Eu teria o meu bebê com a minha mulher.
Kagome
Eu não conseguia parar de chorar. Não era muito, mas era constante. Minha vida tinha mudado tanto nas últimas seis semanas. Eu saí do meu trabalho e ajudei a transição de Sesshoumaru para a vida civil. Ele tinha razão. As ofertas para trabalho de segurança jorravam. Sozinho, ele ganharia o triplo. E não só isso, ele precisava de alguém para lidar com a contabilidade e tarefas administrativas. Com minha experiência, era perfeito. Éramos oficialmente parceiros de negócio. Uma pequena empresa. Um negócio familiar.
Ele me segurou em seu colo, enquanto levantava. Sentou-me no sofá tão suavemente quanto pôde e se ajoelhou ao meu lado.
Oh. Meu. Deus.
—Você sabe o quanto eu te amo, Kagome. —Ele segurou minhas mãos nas suas, olhando nos meus olhos.
—Quase tanto quanto eu te amo, Sesshoumaru.
Ele sorriu. —Por mais que eu seja um cara ultracompetitivo, não vou lutar com você, para vencer esta batalha, porque não é uma batalha. Quanto mais nós nos amamos, mais nós ganharemos. Ou devo dizer, mais nós três ganharemos.
Ele levantou minha camisa e inclinou para beijar o meu estômago.
—E parte de conseguir que o nosso pequeno siga com o pé direito, é ter certeza que seus pais estejam tão comprometidos um com o outro, como estão com ele. Eu já sei o que você significa para mim, e você sabe o que significo para você, mas vamos fazer cem por cento oficial. Mostrar ao mundo tudo o que já temos.
As lágrimas aumentaram em volume e velocidade.
—Case comigo.
Eu não queria arruinar o momento, mas tinha que saber. Precisava. —É só porque estou grávida?
Ele estendeu a mão, e colocou um dedo indicador contra os meus lábios.
—Como líder da equipe, sempre foi minha responsabilidade, me certificar que toda a minha equipe estivesse preparada. Todos nós. E boa parte da preparação, é ter certeza que eu tenho tudo o que posso precisar. Muitas vezes, nós voltamos e usamos menos de dez por cento do que levamos, mas é sempre melhor chegar preparado, do que ser pego de surpresa.
Eu estava confusa com essa conversa.
—Não era segredo que eu queria que você tivesse o meu bebê. E não era segredo que eu queria que você fosse minha mulher para sempre. Mas eu mantive um segredo. Um segredo que tinha guardado para este momento. Levando-o comigo. Eu não queria ser pego de surpresa por este momento. Este belo momento que você acabou de nos dar.
Ele alcançou debaixo do sofá e tirou uma caixinha preta.
—Oh, Sesshoumaru!
—Logo você será a mãe do meu filho, mas primeiro, eu quero que você seja minha esposa.
Ele tirou o anel da caixa e o deslizou no meu dedo. O tamanho perfeito.
—Case-se comigo, Kagome. Você já me deu o maior presente que eu poderia desejar. E não quero ser ganancioso neste dia incrível, mas só quero mais um presente. Um presente que é a única coisa que poderia ser igual a esse que você me deu. Você como minha esposa.
—O verdadeiro presente, é você, Sesshoumaru. Sim. Eu não posso esperar para ser sua esposa e para você ser meu marido.
Nós nos abraçamos e beijamos, enquanto o sol descia lentamente no horizonte.
Nenhuma palavra foi falada, durante os próximos vinte minutos. Então um pensamento incomum me surpreendeu.
—Como você sabia o meu tamanho?
—Eu tenho minhas maneiras.
—Mas eu não tenho nenhum anel em minha casa. Será que você adivinhou?
—O que vocês chamam de espionagem, chamamos de reconhecimento. E se há uma coisa que eu sou bom...
—É estar preparado para cumprir a missão. —Eu disse, terminando a frase.
—Você me conhece como a palma da sua mão.
—E a minha mão está parecendo mais bonita hoje à noite, como nunca antes. Graças a você.
Nós nos beijamos, enquanto o pôr do sol finalizava, significando a transição do dia para a noite. A noite que nunca esqueceríamos.
