NOTAS INICIAIS: Olá, pessoas! Dedico este capítulo às minhas duas leitoras (ao menos as conhecidas): IssaSama e unchienandalou. Muito obrigada por acompanharem até aqui e por comentarem também! Demorei um bocado ajeitando este capítulo - reescrevi três vezes até julgar bom o suficiente. Ainda nem sei se consegui =P Bem, aqui está; o derradeira décimo capítulo. Boa leitura!
GAROTAS TAMBÉM SÃO PERVERTIDAS
Capítulo X - Ciclo
Sua mente estava em branco.
Mais uma vez o êxtase dilatou-se em seu interior, conduzindo a já familiar sensação como uma corrente elétrica por todos os seus nervos. Por alguns poucos segundos, os seus cinco sentidos foram anestesiados ― e agora, gradativamente, retornavam. Sentiu o assoalho sob suas costas e pernas nuas; avistou, de ponta-cabeça, roupas femininas e masculinas emaranhadas sobre o piso de madeira; ouviu, enfim, um respirar pesado muito próximo de seu rosto. Em antecipação, preparou-se para receber a língua voraz que invadiu-lhe a boca, fechando os olhos para melhor aproveitar a exploração sensorial mútua. Respondeu com sofreguidão aos lábios que moldavam-se aos seus, enquanto comprimia seu corpo, antes rigidamente arqueado devido aos efeitos do clímax, contra as mãos que a acariciavam tão avidamente.
― Foi o terceiro, Misaki ― sussurrou o loiro em seu ouvido, antes de chupar a base de sua garganta. Sua voz era arrastada; seus olhos, famintos. As esmeraldas, paradoxalmente, queimavam com o desejo, apesar de escurecidas com a excitação.
Ele estava contando? Bem, ela não poderia negar que hoje ele estava inspirado: proporcionara a ela três orgasmos. Inicialmente, estava escorada contra a parede, enlaçando o quadril do namorado como suporte. O bastardo fez com que alcançasse duas vezes com os dedos habilidosos. Ela revidou, contudo, quando o conduziu ao sofá e lambeu e sugou de seu peito descoberto, sentada sobre seu colo, para em seguida despir-lhe do restante das roupas e fazer o mesmo ao seu membro, agora exposto, até que o rapaz alcançasse sua própria liberação.
E foi sobre o chão (aproveitando-se do fato de que ela já estava ajoelhada sobre ele) que Takumi fez com que ela atingisse o nível máximo de prazer pela terceira vez. Seus lábios e língua eram exigentes sobre a intimidade da morena, que retorceu-se, arquejou e gemeu enquanto era intensamente explorada pelo loiro tão sedento. Arrebatava-se como este lado selvagem, no entanto. No momento, fincou suas unhas sobre o dorso nu de Usui, ao senti-lo pressionar suas coxas com tamanha força que provavelmente lhe renderiam marcas. O toque rude era mais que bem vindo.
Não havia uma única superfície incólume naquele apartamento. Paredes, chão, sofá, banheiro cozinha ― até mesmo a fachada envidraçada não escapara da ânsia dos dois, em certa ocasião; o teto seria um alvo válido, se a gravidade não lhes impedisse. Agarravam-se agora sobre o assoalho ― ele deslizava a boca entre os seios de Misaki e as mãos por entre suas suaves curvas, enquanto os dedos dela remexiam-se num ritmo indefinido sobre os ombros e a nuca do rapaz. Gemidos entrecortados por suspiros se ouviam no ambiente austero.
Quando Takumi interrompeu-se brevemente para buscar o preservativo, tateando o piso com certa urgência, a morena aproveitou-se para deitá-lo e sentar sobre seu quadril, novamente. Suas pupilas dilataram enquanto encobria o órgão com o látex, devido aos arranhões provocados sobre as costas femininas. Com lentidão, permitiu que ele lhe invadisse ― a sensação, o atrito, a profundidade deixaram-na extasiada.
O loiro tomou-lhe os lábios, num beijo lascivo, enquanto ela movimentava-se para cima e para baixo numa velocidade que o desconcertava ― erguia os quadris o mais alto possível, num friccionar torturante, para baixá-los, com força, contra a virilha do rapaz. Excitada, Misaki gemeu contra a língua inquieta sob a sua ao sentir as mãos impacientes de Usui a lhe apertar as coxas para intensificar seus movimentos. Seus gemidos converteram-se em gritos ao aproximar-se de um novo ápice, e as pernas perdiam as forças devido ao intenso efeito. Rapidamente, então, o namorado inverteu as posições, situando-se sobre ela mais uma vez.
Mal teve como protestar ao perceber que seu ventre estava novamente vazio, pois a coerência lhe fugiu ao senti-lo lamber seu pescoço e colo desnudos, enquanto pressionava-lhe a carne macia das nádegas. A ereção a roçá-la só multiplicava inomináveis vezes a consciência da necessidade em suas entranhas. Quando gemeu seu nome, enterrando os dedos finos entre os fios claros, pôde senti-lo sorrir contra sua pele. Foi a vez da impaciência dela: empurrou seu quadril contra o dele, que rosnou em reação, e foi finalmente preenchida internamente.
Sua respiração descompassou-se ao senti-lo investir com violência; arfou e gemeu, lançando para trás a cabeça e cerrou as pálpebras, embora soubesse que os olhos de Takumi estavam sobre seu corpo, devorando-a também desta maneira. Ansiava por mais, porém, e gradativamente mexeu os quadris, acompanhando o ritmo desvairado com que ele lhe penetrava – em resposta, ouviu um ofegar e um ruído carnal proferido pelo loiro. Queria ouvir mais, e esmagou mais uma vez sua pélvis contra a dele.
Por essa ela não esperava ― e muito menos ele. Devido ao movimento, somado ao calor e à suavidade das paredes que contraíam-se ao envolvê-lo e aos sons emitidos pela namorada excitada, Usui veio antes dela. Pela primeira vez. Contudo, ao senti-lo latejar e despejar-se em seu interior, enquanto ouvia os graves e roucos gemidos masculinos, Misaki embriagou-se em seu quarto orgasmo.
Ambos, exaustos, impeliam e expeliam o ar de maneira frenética; procuravam aplacar o cansaço num silêncio brando ― que foi interrompido quando a morena afagou carinhosamente o basto cabelo de Takumi. Sorriu triunfante quando ele a fitou.
― Foi a décima, Takumi ― contou ela, divertida, a própria vitória.
― Essa sua cara me irrita ― cuspiu ela ao voltar do banheiro, quando vislumbrou seu estúpido sorriso. Já estava vestida, assim como ele.
― Nah, Misa-chan, para a sua felicidade "essa minha cara" é insubstituível. ― Sua voz era personificada ao puxá-la para o aconchego de seus braços. Envolveu-a gentilmente, sentado sobre o sofá, e murmurou num tom mais baixo: ― Estou orgulhoso de você.
Ela permaneceu quieta, a digerir suas palavras. Enfim, comprimiu-se mais contra Usui, e perguntou-lhe de maneira branda, como se já soubesse a resposta: ― Você já esperava por isso, não é? ― Ah, ela era esperta.
― Na verdade, sim ― admitiu ele contra seu ombro. Este esforço que ela dedicava à todas as suas causas era encantador. E desde o início sabia que, de alguma forma, ela conseguiria realizá-lo. Desconhecia apenas seus métodos. ― Mas sempre consegue me surpreender, Misaki.
E a memória de situações estrategicamente convenientes veio de súbito ― como se um certo alguém as engendrasse de maneira propícia. Afinal, o maior beneficiado com suas vitórias era aquele estúpido que agora a abraçava. Suas ações haviam-no surpreendido, ao menos. Contentou-se com isto, embora ainda permanecessem alguns questionamentos.
― Então fez tudo isso porque seria "divertido"? ― indagou ela para si mesma, pois estava ciente do significado do termo para ele. Apertou as mãos uma à outra e fitou o chão, em irritação.
― Sei que não fui o único que gostou,Misaki. ― Seria fácil rebatê-lo se o dissesse com o costumeiro modo zombeteiro, mas ao tocar no ponto crucial, ele foi sério. Não queria admiti-lo; porém, não desviou o rosto, embaraçada.
― Já sei o que vou pedir primeiro: calado!
Takumi obedeceu, embora tenha cingido-a de modo mais estreito. Estava de costas para ele; no entanto, a morena podia imaginar com clareza o sorriso complacente com que ele reagira à sua última sentença. Ah, ele conseguia ser inconveniente mesmo quando este não era seu intento, e isto a desconcertava. Por que não conseguia dizê-lo, mesmo após tudo que já fizera? Para distrair-se do atual rumo de seus pensamentos, inventou um desejo qualquer.
― Quero um cafuné ― balbuciou, quase inaudivelmente, a primeira vontade que lhe veio à mente.
E agora relaxava ― ou ao menos tentava ― deitada sobre o sofá enquanto apropriava as pernas do namorado como travesseiro. A sensação provocada pelo carinho em seus cabelos era agradável; os dedos a passar entre os fios e emaranhá-los, confortante. Para sua surpresa, a carícia transmitia-lhe a segurança necessária para realizar o que pretendia. Apesar de estranhar seu pedido um tanto... manhoso, Usui prosseguiu no afago ao couro cabeludo dela, até senti-la acalentada, e não mais tensa, sobre seu colo. Abaixou-se, então, até manter o rosto ao nível dela, e sussurrou, bem-humorado:
― Não era isso que você queria pedir, não é?
― Falei para ficar quieto, droga! ― reclamou ela, levantando-se para encará-lo, zangada. Suspirou pesadamente, e mascarou o próprio nervosismo com uma raiva branda: ― Você falou que seria o que eu quisesse. ― Cerrou os punhos ao reunir o fôlego para prosseguir: ― Se voltar atrás, vou te bater até te transformar num masoquista!
― Ainda não sei o que você quer, presidente ― apontou ele, entre risadas involuntá , não havia nada melhor do que estar com ela.
Misaki relutou no momento ― não seria indiscreto pedir por aquilo? Um pensamento, no entanto, a impeliu a continuar. Sempre fora uma intrometida mesmo, principalmente quando se tratava de pessoas com as quais se importava. E vencer aquele jogo exigiu de sua coragem: para ela, serviu como prova de merecimento. Não iria mais reprimir seu verdadeiro desejo.
― Quero que me leve da próxima vez ― confessou, enfim. Ao vê-lo confuso, teve de esclarecer: ― Quando visitar sua família de novo, quero ir com você. ― Já estava a par da situação mais cômoda dele em relação aos laços com os parentes, assim como também sabia que ele ainda tinha alguns passos a percorrer. Iria andar ao seu lado, contudo. ― Não precisa lutar sozinho. ― Logo reformulou sua sentença: ― Não vou deixar você lutar sozinho.
Apesar do rubor, o semblante dela transparecia uma determinação ímpar. Assim como em relação à sua vitória, ele previu que a morena lhe pediria algo completamente distinto ao âmbito da competição; porém, como de costume, ela foi imprevisível. Como não render-se? Aturdido, Takumi levou uma das mãos ao rosto para abafar um riso curto. Com aquelas palavras, inacreditavelmente apaixonou-se mais pela mulher que tanto o confundia e o encantava.
― É impossível resistir a você, Misaki. ― Ao dizê-lo, Usui estava corado como ela.
Foi espontâneo retribuir o sorriso contido com que ele a fitava, assim como corresponder ao beijo cálido que o rapaz lhe deu. Ao selarem os lábios, selavam também uma promessa. Permaneceram assim, corpos e línguas entrelaçados, por tanto tempo quanto foi possível. Em algum momento, desvencilharam-se, ainda que se mantivessem próximos. Ao recordar-se que a próxima reunião da família seria dali a dois meses, ele riu – mentalizá-la em meio à pessoas que, devido à seu comportamento frívolo e hipócrita, provavelmente conquistariam sua repulsa imediata, era tão inusitado que possuía algum estranho humor. E saber que a morena fazia isso por ele o enlevava. Quando ela o indagou sobre o que achava tão hilário, lembrou-se de um fato a mais:
― Vai ser interessante explicar como você conseguiu "me convencer" ― apontou ele, e havia divertimento em sua voz.
― Diga a verdade ― sibilou ela, firme, apesar de enrubescida. Ele mal pôde arregalar os olhos em surpresa, pois ela prosseguiu rapidamente: ― Que eu ganhei uma aposta. ― Os detalhes desta permaneceriam entre eles, no entanto.
― Ah, falando nisso, presidente... ― Seu tom era perigoso; implicava em malícia, apesar da calma expressa. Os orbes verdes centelhavam de vontade, muito distintas da habitual compleição indiferente do loiro. ― Quero uma revanche.
De um ímpeto, ela compreendeu. Então o imbecil pervertido estava incomodado por ter gozado primeiro? Misaki não conseguiu reprimir uma risada. ― Não pode aceitar que perdeu,Takumi?
― Tenho que manter minha reputação como alien ― rebateu ele, e em suas palavras ela descobriu uma determinação inédita. Era a primeira vez, mas ela já podia afirmar que adorara vê-lo desta forma. Sorriu em escárnio para o único habitante do Planeta Feromônios que conhecia.
― Como se eu fosse perder pra você ― desafiou ela. Não se deixaria vencer, pois o bastardo não era o único motivado. Afinal, garotas também são pervertidas.
NOTAS FINAIS: E aí, ficou bom este também? À altura dos restantes? Novamente agradeço a todos que acompanharam. Foi muito divertido para mim escrever esta fanfic, e espero que tenha sido uma experiência boa para vocês também.
For unchienandalou: My English does not exceed what is reasonable. So do not risk a translation by myself. But if you want to pursue the idea, my email is in my profile. Thank you for reading!
