Capitulo XIII
Pela primeira vez em muito tempo, sentia-me em paz e completa.
Depois de toda a dor de ter perdido Renée e Charlie, depois de tudo. Ainda me custava pensar nesse assunto, mas sentia-me como tivesse finalmente aceitado. Permitia-me acreditar e imaginar que eles estavam num sítio melhor. Um sitio bom, iluminado, calmo e mergulhado numa paz eterna.
Longe de todo o desespero, sofrimento e tristeza que este mundo oferecia.
Eles agora não sofriam, agora estavam bem.
E isso permitia-me sorrir com mais tranquilidade.
Acordei dos meus pensamentos, quando senti uns braços quentes e fortes apertarem-me envolta neles. Senti o seu corpo nu colado ao meu, adormecido.
Virei o rosto para observar o seu. E sorri de felicidade por saber que ele me pertencia. Para todo o sempre.
Com muita relutância da minha parte, levantei-me da cama fazendo o mínimo barulho ou movimento que o pudessem acordar.
Caminhei em redor do meu quarto e parei á frente de um espelho. Observava o meu corpo exactamente como ele era e sem qualquer roupa a escondê-lo.
Surpresa, reparei que da minha pele surgia um pequeno brilho.
A minha pele foi sempre coberta por uma cor pálida. Nos últimos tempos, sempre que me via, parecia doente com várias manchas no rosto.
Mas agora, parecia que estava coberta por um véu que escondia todas as minhas imperfeições. Suspirei e dirigi-me ao pequeno armário de madeira e procurei algum vestido.
Encontrei um castanho claro enfeitado com alguma renda branca e cobri-me com ele. Penteei o meu cabelo e prendi-o com cuidado para não deixar nenhum cabelo fora.
Coloquei um chapéu da mesma cor que o vestido e finalmente estava pronta.
Olhei Edward pela última vez antes de sair do quarto, que tinha um fino tecido a cobri-lo até a sua cintura, permitindo-me mirar o seu peito. O que me fez arfar com a beleza deste. Aliás, ele era belo por todo.
Abandonei a casa e caminhei tranquilamente pelas ruas. Todos os conhecidos davam os seus pêsames mas apenas os cumprimentava sem qualquer agradecimento. Não queria que a sua pena ou seus pêsames. Não agora que queria tinha aceitado a perda dos meus pais.
Dirigi-me ao destino que com que tinha decidido seguir antes de sair de casa.
Avistei de longe a livraria humilde e sorri com nostalgia.
O familiar som de sino avisou da minha entrada e logo a seguir avistei Jacob.
- Bella. – murmurou. – Eu já soube. Os meus…
- Não. – interrompi-o. – Não quero os teus pêsames, Jacob. – este encarou-me confuso.
- Está tudo bem? – perguntou-me preocupado.
- Melhorou. Tem estado melhorar.
- Melhorou? – questionou ainda mais confuso.
- Jake, eu já me conformei. Os meus pais estão em paz. Eu estou em paz. – Jacob sorriu aliviado com a minha frase.
- Fico feliz que tenhas aceitado. A menina forte de sempre. – disse divertido.
- Podes parar por aí. – afirmei enquanto me sentava num familiar sofá. Jake sentou-se ao meu lado.
- A sério. Fico muito feliz em ver-te.
- Eu também, Jake. – declarei pegando-lhe das suas quentes mãos.
- Mas, vejamos… Como está o Edward? – perguntou com um sorriso provocativo.
- Ora, lembrou-se! – exclamei surpresa.
- Quem é que não se iria lembrar do homem que deixou a menina Bella com um brilho nos olhos e um sorriso tolo nos lábios? – ri-me e ele riu-se comigo.
- Ele está bem. Muito bem. – corei ao lembrar-me das nossas ultimas actividades físicas.
Jacob percebeu e franziu a testa.
- O que se passa? – perguntei fingindo-me de despercebida.
- Não será que a senhorita tenha algo mais para me contar? – questionou-me.
- Não. – respondi prontamente.
- Eu… vou deixar passar esta. – afirmou e eu suspirei aliviada.
- Óptimo. Já que estou aqui, poderias me emprestar o livro Romeu e Julieta?
- Já não o tinhas?
- Tinha, disseste bem. Devo o ter perdido no hospital daqui, pois se bem me lembro ainda o tinha comigo na viagem de regresso.
Jake apenas assentiu e levantou-se, encaminhando-se para uma das prateleiras carregadas de livros. Observou concentrado os títulos destes enquanto tinha uma mão no queixo e a outra na cintura. Sorri novamente com nostalgia. Lembrava-me sempre das suas expressões, gestos e manias.
Era algo que nunca queria esquecer. Ele era a pessoa mais próxima e única que me conhece desde pequena, actualmente.
Aproximou-se de mim com o livro na mão e estendeu-me.
- Nunca vou entender a tua paixão por este livro. – apenas sorri-lhe em resposta enquanto pegava o livro.
- Sempre gostei da história. Desde pequena que o leio e nunca me cansei. Já o devo ter lido…
- 10 Mil milhões de vezes. – completou Jake com um sorriso divertido. – É teu.
- Não, Jake, não posso aceitar.
- Sem conversas. É teu. E ponto final.
- Mas Jake…
- Parágrafo! – exclamou e eu sorri-lhe.
- Tudo bem. Obrigada. Não sei o que era sem ti. – disse-lhe sinceramente.
- Eu também, menina. Mas vai para casa, tenho a certeza que alguém te espera. – disse-me.
Despedi-me dele, prometendo uma visita bastante próxima.
Caminhei de volta para casa, encarando o livro na minha mão. Entrei em casa que estava bastante silenciosa.
Subi para o meu quarto com o livro ainda na minha mão. Entrei nele e reparei na cama vazia. Olhei em volta e não o encontrei, nem barulho conseguia escutar.
- A morte que sugou o mel do teu sopro, nenhum poder teve ainda sobre a tua beleza. – uma voz doce e aveludada soou atrás de mim. Senti a respiração enquanto falava no meu pescoço.
Reconheci a frase como a voz e um sorriso cresceu no meu rosto. Hoje, eu dava muitos sorrisos.
Virei-me para ele e olhei-o nos olhos.
- Que surpresa. Também leste Romeu e Julieta? – perguntei-lhe curiosa.
Ofereceu-me um belo e grande sorriso.
- Quem é que não leu? – respondeu-me com outra pergunta.
- Sim, talvez tenhas razão. – disse-lhe.
Atirei o livro para cima da cama e aproximei-me dele. Mas ele afastou-se.
Já não havia nenhum vestígio do seu belo sorriso. E do meu também.
Levantei a mão para tocar-lhe e ele desviou-se.
- Edward, o que se passa? – perguntei-lhe magoada.
- Perdoa-me Bella. – disse-me o que me deixou numa enorme confusão. Os seus olhos estavam pintados nitidamente por dor.
Mas porquê? Será que ele não me queria mais? Depois de tudo o que aconteceu?
Senti os meus olhos arderem e a minha garganta criar um nó. Toda a felicidade tinha-se dissipado, levando com ela o sentimento de paz que me habitava.
Ele olhou-me profundamente e de alguma forma percebeu todas as perguntas feitas mentalmente.
Abanou por a cabeça lentamente.
- Não por isso. – afirmou-me – Continuo a amar-te. Cada vez mais. – declarou.
Todo o ar que eu tinha impedido a entrada, voltou bruscamente com isso.
- Então… - ia lhe perguntar, mas fui interrompida com Edward que começou a tossir fortemente.
Cobriu a boca com um lenço branco que mantinha na mão e eu arregalei os meus olhos.
Tirou o pano da frente da sua boca, e pude reparar – com grande horror – que tinha sangue.
- Por isto. – respondeu-me Edward.
E o inferno tinha voltado.
Pois é. Não vou comentar nada sobre o capitulo, mas pergunto-me se repararam na fala do Edward em italico.
Ele disse á Bella, no livro Lua Nova. E achei muito lindo. E claro teria que ter aqui também.
Enfim, espero que gostem e que tenham tido um carnaval divertido, já que o meu foi um tédio.
Obrigada:
Camilinha EGO ; Marydf Evans Cullen - obrigada :) ; Aninha - obrigada xD novo capitulo, já deu para reparar ? :3 ; Karen Carlie Cullen - Quem é que não se iria superar dessa forma ? T-T Mas ela sofrer muito mais. :x Ahaha, isso não posso dizer :T ; Tatai Cullen - bem-vinda :) e obrigada.
Beijos,
MC.
