Oi gente!, sei que tinha prometido algo para o começo do mês, mas aconteceram tantas coisas... Enfim... Mas tá aqui um novo capítulo, prometo estar publicando o outro depois do feriado. A aqueles que dão força, obrigada e continuem lendo!!

bjos


"Crueldades e Certezas do Destino"

Por Crawlspace

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"Aviso: Sailor Moon pertence à Naoko Takeuchi, não a mim. Só estou pegando os personagens emprestados por um tempinho".

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14. Assumindo... – pt 2

Makoto segurava o ursinho de pelúcia em seu colo e ajeitava nervosamente seu laço uma vez. Sentada ao seu lado no ônibus, estava Ami. A garota dos cabelos azulados observava os atos da outra com certo divertimento.

"Hotaru vai gostar dele, Mako-chan. Assim como ela vai também do presente de aniversário. Você não precisa ficar tão preocupada com isso."

"Eu espero", Makoto respondeu. Ajeitou a orelha do ursinho. "Eu só espero que isso seja mais do que uma desculpa por estragar o jantar de aniversário dela".

Makoto voltou a pensar naquela noite de Quinta, quando percebeu o que fizera. Ela e Ami estavam sentadas juntas, tentando desvendar os aeroglifos que eram os apontamentos de Hideo-sensei. Numa ponta do sofá, Ami estava se transformando na heroína com o seu escudo. Da outra ponta, Makoto sentara, com seus pés confortavelmente entrelaçados com os de Ami e a ouvia. Seus olhos fecharam ao se concentrar na voz da outra, mas as palavras entravam de um lado do ouvido e saía pelo outro.

Sentindo que seria melhor brincar um pouco do que estudar, Makoto cutucou o umbigo da outra com um dedão do pé. Um tapinha e uma bronca para prestar atenção porque aquilo cairia na prova foram as suas respostas. Makoto assentiu e prometeu prestar atenção enquanto Ami voltava à sua análise. Mas fechou os olhos novamente e a sua mente começou a viajar.

Estava se sentindo muito bem nos últimos dias. Ela e Ami já tinham conversado sobre algumas coisas, mas passavam a maioria do tempo uma aproveitando a companhia da outra e sendo felizes, o que fazia com que a situação delas ainda não estivesse resolvida. Mas tudo aquilo era novo e elas não poderiam se culpar de querer aproveitar por mais um tempo antes de lidar com a realidade. Coisas como contar para a mãe de Ami, por exemplo. Mas aquilo era problema de Ami, assim como contar para Mamoru era o de Usagi, então seria Ami quem decidiria como lidar com isso.

E também tinha a gangue de Haruka para contar. Makoto queria fazer aquilo sozinha, sem outros motivos além de ver a cara da velocista quando souber que finalmente conquistou a garota. Makoto pensou que Sábado seria uma boa hora para fazê-lo, depois da festa de aniversário de Hotaru.

Relembrou-se que a festa foi o que começou tudo aquilo. Seus olhos abriram-se rapidamente e sentou-se tão rápido quanto suas pernas cruzadas e sua enorme barriga pudessem lhe permitir. "O aniversário de Hotaru", disse para uma Ami curiosa enquanto se sentava. "Foi na segunda-feira. Esqueci-me completamente".

"A festa é somente no sábado", Ami respondeu, ainda confusa sobre o que um aniversário tinha a ver com antiga literatura celta. "E já compramos os presentes dela".

"Não, não... não é sobre a festa. É sobre segunda. O aniversário dela, quando, sem dúvidas, as mães tinham planos para ela, e duas delas acabaram tendo que gastar todo o tempo livre comigo no hospital. Haruka nem mesmo foi até a escola para pega-la". Makoto balançou a cabeça irritada consigo mesma. "Tenho que me desculpar. Crianças não esquecem quando você acaba com o aniversário delas".

Já era tarde demais daquela noite para ligar para Hotaru, embora isso não impedisse que Makoto ligasse para os parentes da menina. Haruka lhe disse para não se preocupar, que todas entenderam. Mas Makoto ainda quis fazer algo para melhorar as coisas. Então ela e as outras passaram a tarde inteira da sexta, procurando por algo que lhe ajudasse a dizer desculpas. O ursinho de pelúcia que ela segurava agora era o resultado de tudo.

Makoto enfiou o ursinho de volta na sacola de presente e ajeitou o papel para esconder as orelhas logo antes do ônibus para no seu destino.

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Quando chegaram à casa, Hotaru as acolheu entusiasmada na porta da frente.

"Feliz Aniversário, Hotaru", Ami disse enquanto a garota as levava para dentro.

"Obrigada. E já que vocês foram as primeiras a chegarem, também tenho algo muito legal para mostrar".

Makoto sorriu para a menina. "Mal posso esperar para ver. Mas antes de você nos mostrar, trouxe algo para você. Sei que o seu aniversário verdadeiro foi na segunda e que suas parentes queriam ter ficado com você. Sinto muito por ter as tirado de você por muito tempo naquela noite". Estendeu o saco de presente colorido. "Espero que isso ajude a me desculpar um pouco".

Hotaru pegou o pacote que lhe oferecem. "Mako-chan, obrigada, mas não precisava". Deu uma sacudida de leve e apalpou o papel, então perguntou ansiosa: "Posso abrir?"

Makoto concordou e Hotaru ajoelhou-se e colocou o pacote no chão. Enfiou as mãos dentro do papel até sentir algo macio e peludo. Abriu o sorriso ao puxar o ursinho.

"Você é tão bonitinho", Hotaru falou para o pelúcia enquanto o segurava à sua frente. "Espero que você não tenha ficado aí por tanto tempo". Abraçou o ursinho e levantou-se, uma mão estendendo para Makoto.

A garota mais alta agachou-se para abraçar a menina. "Gostaste dele?"

"Muito", Hotaru disse concordando com a cabeça. Enquanto se separavam do abraço, continuou: "Você não precisa se preocupar com meu aniversário. Sei que foi um acidente. E a Michiru-mama ainda fez meu prato favorito. Apenas esperamos até todas chegarem. E depois também tivemos bolo e sorvete. E ganhei meu presente especial", disse excitada.

Hotaru correu até o cômodo seguinte procurando por uma das suas mães com Makoto e Ami ao seu encalço, porém mais calmas. "Setsuna-mama", disse quando a encontrou, "veja o que Mako-chan me deu. Ele é um presente especial", explicou enquanto entregava o ursinho para a mulher ver. "Gostaria de então mostrar meu outro presente especial. Posso, por favor?"

Setsuna sorriu e concordou para sua garotinha. "Você pode, se quiser. Peça para Haruka-papa pega-la para você, assim poderei terminar as coisas aqui".

"Ok", virou-se para Makoto e Ami. "Esperem aqui. Já volto", disse enquanto corria atrás de Haruka.

Setsuna virou-se e deu um sorriso educado para as duas. "Boa tarde, como vão vocês duas?"

A pequena conversa agradável entre elas foi interrompida alguns minutos depois por Hotaru voltando para a sala. "Sorriam", chamou contente para elas.

Makoto sorriu e quase gargalhou com o que viu. O ursinho fora enfiado em um bolso grande da frente do macacão de Hotaru. Pendurado por uma correia no seu ombro estava a câmera de 35 mm, do mesmo jeito que estava quando chegaram. E ao nível de seus olhos estava uma câmera de vídeo novinha.

Haruka apareceu a atrás de Hotaru. Encostou-se na moldura da porta, com um orgulhoso sorriso de 'fiz minha filha feliz' no rosto.

Makoto acenou para câmera mesmo sentindo que Ami estava ficando tímida ao seu lado. "Que presente incrível".

Hotaru baixou a câmera e apressou para mostrá-la para elas. Com uma pequena ajuda de Haruka, apontou todas as funções. "Veio também com umas pilhas muito boas", continuava. "Aquelas que duram pelo menos 7 horas, então posso gravar um bando de coisas. E também tira fotos, que podem ser salvas num cartão de memória especial, então posso passar para um computador para imprimir depois. Deixa-me mostrar para vocês duas".

A câmera foi erguida novamente e apontada para Ami. Hotaru apertou o botão algumas vezes, então entregou o objeto para que elas pudessem ver as fotos numa mini tela.

"Essa foto tá bem bonitinha", Makoto sorriu ao ver um leve rubor nas bochechas de Ami.

Hotaru deu uma risadinha. Então se lembrou de um segredo que Chibi-usa lhe falara, e que já passara tempo bastante para não ser mais segredo. "Quase esqueci", disse ainda sorrindo. Levantou a câmera e começou a gravar. Então perguntou: "Você e Ami tiveram um bom primeiro aniversário?"

Makoto a olhou boquiaberta. No canto do seu olho, notou semelhante expressão de surpresa no rosto de Ami. Olhando em volta, também notou o sorriso de 'já sabia' no rosto de Setsuna enquanto ela fingia não prestar atenção nelas, arrumando a mesa, além do, antes surpreso, depois divertido sorriso de Haruka.

Aceitando o que agora considerava ser inevitável, Makoto riu e colocou um braço ao redor dos ombros de Ami, puxando a garota surpresa para ela. "É, Hotaru. Tivemos um bom aniversário".

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Não demorou muito para as outras chegarem à festa. E uma vez que Chibi-usa estava lá, não demorou muito para Makoto perceber como Hotaru descobrira sobre Ami e ela. Ficou observando as duas meninas, pensando em quanta informação era confidenciada somente para Hotaru. Pareceu um pouco desconcertante para ela ter realizado naquele momento enquanto Chibi-usa sabia sobre suas vidas sem elas mesmas nem ainda terem vivenciado.

Colocou aqueles pensamentos de lado, enquanto a dinâmica da festa mudava. Ao passar das horas, a comida foi servida, bolo e sorvete foram distribuídos e presentes foram abertos exclamações foram feitas.

Em alguma hora antes disso, a nova câmera de Hotaru foi entregue para suas mães. A garota continuou com sua 35 mm, periodicamente parando para tirar fotos das pessoas à sua volta. Parecia que estava determinada a tirar fotos o bastante para preencher o álbum que fora presente de Minako. Os rolos de filme que vieram junto lhe providenciaram bastante munição para conseguir seu objetivo.

Makoto foi até a mesa e pegou um outro copo de refrigerante. Rei e Minako haviam tirado Ami dela e, com o hélio induzindo uma voz mais aguda e engraçada, tentavam convencer a garota de que sugar o ar dos balões era uma baita diversão. No chão, não muito longe delas, Hotaru, Chibi-usa, Haruka e Usagi estavam em volta de um jogo, presente de Usagi, enquanto Michiru e Setsuna estavam sentadas próximas e as observavam.

Chibi-usa acabou de tirar outra vareta do centro do jogo cai ou não cai. As bolas de gude continuaram em sues lugares e a menina suspirou de alívio.

Agora era a vez de Usagi. Lambeu os lábios ao se concentrar na vareta amarela que estava entre seus dedos. Cautelosamente, conseguiu tirá-la. As bolas de gude se mexeram um pouco, mas não caíram. Um sorriso triunfante surgiu em seu rosto por causa do sucesso e ela colocou a nova vareta junto das outras que já tirara.

Makoto sorriu por Usagi e riu baixinho do show que Haruka deu antes de ser a sua vez.

Estalando os dedos e esfregando rapidamente as mãos foi como Haruka começou. Depois de pensar por um momento, escolheu uma vareta verde e começou a retirá-la cuidadosamente do seu lugar. A vareta estava na metade do caminho quando uma das bolas saiu do lugar e caiu. Haruka parou com aquilo. Porém foi inútil. Outra bola caiu, rapidamente seguida por outra e mais outra, até que todas as bolinhas de gude desceram até o fundo do pote.

A loira baixou a cabeça em derrota e suspirou, tentando ignorar Usagi e sua comemoração.

"Aah, tudo bem, Haruka-papa", disse Hotaru. Levantou-se e abraçou a mãe por trás.

"Talvez eu devesse perder um pouco mais", Haruka disse baixinho. "Venha cá", disse enquanto puxava Hotaru até o seu colo e dava uma sova de cócegas na menina.

Além das risadas de Hotaru, Makoto ouviu outra voz, levemente alterada do que ela estava acostumada. Olhou ao redor e viu Ami, com um balão na mão e o rosto ficando vermelho depois de ter ouvido a própria voz desafinada. Minako bateu palmas e implorou para a amiga fazer aquilo de novo enquanto Rei gargalhava.

Makoto observou as doidices de suas amigas e pensou que as vezes era difícil dizer quem era criança e quem era adulto. Com aquele pensamento veio outro que estava lhe perturbando durante toda a tarde.

Não querendo perturbar a alegre atmosfera e sentindo que precisava de um momento para pensar, Makoto se permitiu a vagar um pouco. Sem querer, acabou numa sala com a luz apagada e ficou olhando pelo vidro da porta que dava para o quintal.

O céu daquele começo de noite estava claro e cheio de estrelas. Mesmo com o pouco que podia observar, lá estava a lua. Makoto procurou por vários minutos, antes de encontrar a estrela certa.

"Oi Mãe", disse docemente. "Sinto saudades. Gostaria que você estivesse aqui para ver tudo isso". Então deu um sorriso triste. "E eu adoraria que você estivesse aqui para me falar como devo me portar dessa vez".

"E que tal uma pequena ajuda de seus amigos?", Haruka perguntou ao acender as luzes. Quando Makoto virou para ela, continuou: "Perdão por estar interrompendo, mas por alguma razão as pessoas começam a ficar nervosas quando você some".

Makoto riu com aquilo e disse: "E acho que alguém não notaria tão rapidamente. Só queria ficar alguns minutos sozinha e acabei sentindo que deveria dar um oi para ela".

A loira foi até o lado da amiga e também olhou para o céu afora.

Makoto sorriu para si mesma depois de um momento de silêncio. Se sua mãe estivesse lá quando ela e Haruka se conheceram, Makoto tinha certeza de que teria feito o que estava prestes a fazer: "Mãe, essa é minha amiga Haruka. Haruka, minha mãe".

Arqueando polidamente, Haruka respondeu: "Encantado por conhecê-la, Kino-san. Makoto é uma pessoa muito boa e é uma honra tê-la como amiga".

Makoto sorriu ainda mais. "Acho que ela gostou de você, embora ela pense que você deveria deixa crescer um pouco mais o seu cabelo". Riu levemente da cara que Haruka fez e continuou: "Mamãe sempre gostava quando eu levava meus amigos para casa. Acho que ela ficava feliz, por saber que eu queria que os outros a conhecessem ao invés de escondê-la".

"Fico contente por você nos ter apresentado. E era verdade de eu ter falado sobre ser sua amiga. Se você achar que precisa conversar sobre algo..."

Makoto se mexeu desconfortável. Mesmo considerando Haruka muito sua amiga, sentia que aquilo era algo que a loira não poderia levar bem. "Obrigada", disse escolhendo cuidadosamente suas palavras, "mas isso é algo que preciso falar com outra pessoa".

"Outra pessoa, huh", Haruka disse com um sorriso divertido.

O rosto da outra garota ficou levemente corado. "É. Iria te contar hoje, mais tarde. Hotaru só apressou as coisas".

Haruka riu. "Sabia que estava acontecendo algo estranho com ela quando fui buscá-la na escola na terça. Antes, quando a deixei lá, estava preocupada com você e queria te ligar para confirmar que você estava realmente bem", explicou para o olhar curioso que Makoto lhe deu. "Então quando fui buscá-la, de repente tudo estava bem porque você 'tinha Ami para cuidar de você' e que nós não deveríamos perturbar porque vocês precisavam de um 'tempo sozinhas'. Michiru é a única que já usou essa frase para ela e referia-se a algo muito específico. A propósito, parabéns", Haruka sorriu. "Pelo seu 'aniversário'".

"Obrigada. Pelo menos agora eu tenho certeza de que deveria ter dado um presente para ela".

"Então", Haruka insistiu novamente, "é por isso que você está aqui se escondendo no escuro?"

Makoto sorriu para a mulher, vendo além da sua estratégia. "Não, não é isso. As coisas com Ami estão legais. Pela primeira vez sinto que é algo que me completa totalmente. Mais do que isso, é divertido. Nunca foi divertido antes", disse enquanto voltava a olhar para as estrelas

A diferença entre te usarem e te amarem, pensou Haruka. Colocou um braço casualmente sobre os ombros da amiga. Seu sorriso ficou malicioso quando disse: "Divertido, hmm. Sabe Mako-chan, se precisar de dicas sobre algumas outras maneiras de vocês se divertirem...". Ergueu uma sobrancelha para a outra garota e então riu ao ver Makoto ficar tão vermelha que nem Ami poderia vencer.

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Makoto tirou a estatueta de borboleta da estante de livros e sorriu brevemente, antes de embrulhá-la em várias camadas de jornal e a colocar numa caixa aos seus pés. Endireitou sua postura, colocou as mãos nas costas e tentou esticar os nós que sentiu se formarem. Tinha esquecido de como uma dor por se agachar poderia ser. Nesse caso, bem literalmente.

Um segundo par de mãos juntou-se com as de Makoto nas suas costas. As palmas das mães de Ami amassaram levemente os músculos doloridos da namorada: "Que tal descansar um pouco?"

"Gostaria de terminar essas prateleiras antes. Se eu parar agora, não vou voltar a fazer isso tão cedo". Suspirou, então reclamou: "Não sabia que seria tão difícil fazer uma mudança somente entre andares".

"É, mas por outro lado, isso tornará as coisas mais fáceis", Ami lhe assegurou. Olhou para os livros que estavam numa prateleira. "Acho que deveria levar esses para casa".

Makoto ficou séria. "Sabe, acho que deveríamos fazer um intervalo. Vem aqui e sente-se comigo por um minuto, por favor?". Então levou uma Ami bem curiosa até o sofá.

Quando as duas sentaram-se, Makoto começou sem rodeios: "Gostaria de contar para sua mãe". Ao ver o olhar de pânico em Ami, pegou as mãos da garota e as segurou bem forte. "Não quero te forçar a fazer algo que você acha que não está preparada e sei que te disse que lhe daria tempo. Só que não tinha percebido que seria tanto tempo assim. Já faz quase um mês, e... bem..."

"Me desculpe", Ami disse fracamente.

Makoto balançou a cabeça. "Não, Ami, você não tem motivos para isso". Levou uma mão para tocar suavemente o rosto da garota mais baixa. "Mas venho pensando em algumas coisas e tenho motivos para querer isso agora. Presta atenção, ok?"

Ami assentiu. "Ok".

Descendo a mão, Makoto entrelaçava nervosamente os dedos enquanto falava: "Primeiramente, sua mãe tem sido muito boa comigo. Ela foi uma das poucas que não me olharam com desprezo, ou que me não trataram como uma estúpida por ter engravidado. E, permitindo que você fique aqui esse tempo todo, ela também me deu certa parcela de confiança e responsabilidade. Parece que nós estamos fazendo algo errado para ela e não gosto de sentir como se eu estivesse traindo a confiança que ela me deu".

Ami a olhou surpresa. "Mako-chan…"

Um dedo em seus lábios impediu que Ami continuasse. "Ainda tem mais e gostaria que você ouvisse tudo antes de dizer alguma coisa".

Ami concordou e Makoto tirou o dedo de seus lábios.

"Comecei a pensar nisso quando estávamos no aniversário de Hotaru. Isso ficou rodando pela minha cabeça desde lá, mas queria mais tempo para pensar antes de dizer algo para você. É que, não percebi o pouco tempo que tenho para lidar com isso e, com a mudança daqui a duas semanas, vou ter que correr contra o tempo. Então, acho que agora seria uma boa hora para te falar. Veja, o que me estava perturbando tanto era que, além de Chibi-usa, não havia outras crianças naquela festa".

Ami ergueu as sobrancelhas em confusão. "Sinceramente, não tinha percebido isso", disse devagar, pensando naquela tarde. "Tudo parecia ser do jeito que sempre é quando estamos juntas, então não pensei nisso".

Makoto concordou. "Você não pensaria, porque para nós, aquilo era normal. Mas para qualquer pessoa de fora, não é. Aliás seria tudo, menos normal. E ela não tem um amigo, Ami", Makoto disse triste. "Por tudo que ela faz, escola, natação, aula de artes e ginástica, ela não tem um amigo normal para cantar parabéns, para brincar ou bagunçar, como fizeram no meu aniversario de nove anos. E não consigo para de imaginar o porquê".

"Mako-chan", Ami disse enquanto segurava os dedos de Makoto, "Tem vezes que Hotaru é muito tímida. Esse é um dos motivos delas a colocarem em tantas atividades. E tenha em mente", continuou com um sorriso pequeno, porém confiante, "que nenhuma de nós tem gente além das nossas famílias nos nossos aniversários".

"É verdade", Makoto respondeu, apertando suavemente as mãos da namorada. "Mas não consegui deixar de sentir que havia algo errado com isso, não importando o quão feliz ela parecia. Talvez Hotaru descobriu que seus parentes não se encaixam no conceito normal de 'pai e mãe' e ela ficaria envergonhada demais em trazer algum amigo. Mas, por mais que eu pense nisso", disse com um leve nó na garganta, "mais eu percebo que não é verdade. Nunca conheci uma menina que adora tanto os seus parentes. O que levou a pensar em outra coisa".

"E se o problema não fosse ela? E se as outras crianças soubessem que a família dela é diferente e a evitam por causa disso? Ou talvez os pais delas estejam falando coisas ou simplesmente não deixam seus filhos brincarem com ela ou de irem à casa dela. Hotaru não deveria ser tratada diferente dos outros só por causa das suas mães. Não é justo para ela. E não será justo para o Formiguinha", Makoto concluiu baixinho.

A cabeça de Ami estava girando. Aquilo devia estar estampado em seu rosto, ela pensou, porque Makoto começou a acariciar o seu cabelo. Alguma mechas foram colocadas cuidadosamente atrás da orelha de Ami, num gesto que supôs ser para tranqüilizá-la.

"Formiguinha nunca vai ser uma criança normal, Ami", Makoto disse docemente. "Como ele pode ser se a mãe dele, uma Sailor Senshi lésbica de 17 anos tem que deixa-lo com uma babá no meio da noite para lutar contra um youma junto à Princesa da Lua? Principalmente quando a outra mãe dele é exatamente a mesma coisa".

Ami se assustou com aquilo e Makoto riu.

"Ele já tem zilhões de tias. Ele não precisa de mais uma. Além disso, sei que é o que você quer, só pelo jeito que falas dele. Admita, Ami, você gosta da idéia de um pequenininho correndo ao seu redor e te chamando de 'Mama'".

Entre um sorriso tímido, Ami disse: "Ami-mama. Isso deixará as coisas menos confusas".

"Ami-mama", Makoto respondeu sorrindo. "Gostei. É fofinho".

Além do sorriso tímido, um rubor surgiu no rosto de Ami.

"Preciso fazer o que é certo para ele, Ami. Se não posso dar uma vida normal, então tenho que dar pelo menos uma vida estável". Makoto respirou fundo e soltou o ar devagar. Olhando Ami nos olhos, continuou: "Não quero que você leve seus livros para casa a não ser que a sua casa seja o novo apartamento. Quero que se mude comigo. Dessa vez de verdade. Sem ficar brincando de casinha e fingindo até que chegue a hora de você voltar para a casa de sua mãe. Eu te amo e acho que podemos fazer isso".

Por um momento, Ami ficou paralisada, sentindo emocionada com tudo aquilo. Então levantou-se para ficar de joelhos no sofá. Abraçou Makoto pelo pescoço, sua testa junto da outra, com os olhos fechados. Ficou daquele jeito por vários minutos, achando paz e conforto nos braços de Makoto, que fora ao seu quadril para abraçá-la.

"Tenho medo de contar para ela. Não sei por que. Só estou com medo", Ami admitiu.

Makoto apertou um pouco o abraço. "Estarei lá com você se quiseres", disse docemente. "Você não precisa encará-la sozinha".

"Nesse fim de semana. Ela terá folga e eu estava planejando passar algum tempo lá".

Makoto puxou a namorada até que esta deslizasse até seu colo. A cabeça de Ami descansou no peito da outra. Ouviu o coração de Makoto enquanto esta a abraçava e sussurrava palavras gentis em seu ouvido. Em algum lugar da sua mente, Ami começou a sentir a pressão do tempo do qual Makoto falara. Subitamente, os quatro dias que tinha antes do fim de semana pareciam incrivelmente pequenos e insignificantes.


NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

"Você a ama", Kaya repetiu, com um tom indagador. "Você a amou tanto e por tanto tempo que, logo na hora em que ela foi embora, você dorme com outra pessoa antes de pensar duas vezes?"

"Mãe!", Ami interrompeu horrorizada pelo fato de sua mãe ter dito tal coisa.