14º Capítulo: A Bofetada
Para entendermos melhor isso, voltemos um pouco atrás, quando Grissom tirou Sara dos braços de Nick.
- Que foi, meu amor?
- Você ia revelar a todos, sobre o meu coração, não ia Sara?
- Sim, você falou a eles, que seria uma surpresa para mim; quando na verdade você achava que seria sua última oportunidade de vê-los todos juntos... - e Sara recomeçou a chorar. – Mas não se preocupe. Na segunda, William saberá de pormenores partiremos em busca de uma segunda, terceira, quarta opiniões, tantas quantas forem preciso. Iremos consultar os maiores especialistas do país!
Grissom confuso e assustado com a proporção que sua mentira alcançara, abraçou-a com ternura.
- Não vou precisar de nada disso, querida, estou bem!
Ela se afastou um pouco dele, aproveitando para enxugar o rosto com o lenço de Nick. Olhou amorosamente, para aqueles olhos azuis.
- Claro que está, amor! Nem parece alguém que... – e começou a chorar de novo.
- Sério! Estou muito bem! NÃO TENHO NADA NO CORAÇÃO!
Sara desvencilhou-se dos braços dele e encarou-o, falando muito séria:..
- Por um acaso, você mentiu pra mim, Gilbert?
- Eu nunca menti pra você Sara; sabe disso. Mas eu precisava descobrir um meio de desviar sua atenção...
- E para isso inventou que estava morrendo?
- Reconheço que foi um pouco drástico, mas foi o modo que eu encontrei, aliás, sugerido por você mesma.
Aquela ruga, vinco ou o quer que fosse na testa de Sara, estava pulsando. Ela toda tremia de raiva, pelos últimos dias.
Foram horríveis e tristes dias. Ela deu um tapa no rosto de Grissom com vontade. Foi como se naquela bofetada, ela pusesse toda a revolta, a impotência e a frustração desses últimos dias.
Grissom levou a mão ao rosto. O que lhe doía mais, não fora a dor física do tapa: isso ele podia facilmente, suportar. O pior foi suportar aquele olhar frio, acusatório, como se ele tivesse cometido um crime hediondo. Onde foram parar aqueles doces e compreensivos olhos castanhos. Olhos de amor! Olhos de perdão!
- Sara!... – Foi só o que conseguiu dizer, ao ser esbofeteado.
- Temos um almoço, Gil! Não deixemos os convidados a nossa espera!
E dando um sorriso falso, se aproximou da mesa, como se nada tivesse acontecido, sob o olhar atônito e apatetado de Grissom. Ele foi sentar-se à cabeceira da mesa ainda sem entender, o que tinha lhe atingido.
À mesa, mesmo sem combinação prévia, quase todos, priorizaram Sara nas conversas. Depois de explicar brevemente o significado da data, fazer a "oração de graças" e trinchar o peru, primazias do dono da casa, ele ficou à margem das conversas. Ele contava só com Catherine, Brass e a filha.
-Estou com um novo livro na praça. O que significa que devo viajar bastante. No ano que vem, devo estar por aqui, novamente! - Explicava Greg a Sara.
- Me casei com um caixeiro viajante! – Disse Elizabeth, provocando risos. - O importante é que você faz o que gosta, né amor? – dirigindo-se a Greg.
Greg aproveitou para beijar a esposa. Mastigando seu peru Grissom suspirou, já sentindo saudades de Sara. Passado o interregno romântico, Elizabeth chamou a atenção do segundo filho por comer de boca aberta, e ralhou com o caçula por não comer seus legumes.
- Por que Cinthia, não veio, Nick? – Perguntou Sara, que sentia falta da texana de quem gostara muito.
- Bem, ela está muito cansada!As crianças e o bebê dão muito trabalho! Ela achou melhor ficar em casa. Vai passar o dia de hoje com os pais.
- E, afinal, o que vocês tiveram: menino ou menina? – Inquiriu Elizabeth.
- Uma linda menininha, Ayleen! Fará um ano em fevereiro! – Respondeu Nick, todo orgulhoso.
- É a idade mais engraçadinha... – comentou Catherine,
- Vão parar, agora que conseguiram uma menina? – Perguntou Sara.
- Acho que sim! Por mim, teria uma dúzia... Mas Cinthia...
