Edward POV.
Meus dias seguiam da mesma forma de sempre. As coisas ainda pareciam monótonas demais, mas eu realmente não estava ligando para isso.
Só estava vivendo um dia de cada vez.
Os dias foram se passando e eu não tinha tido nenhuma notícia a mais de Bella. Isso estava me deixando nervoso, ansioso e eu realmente estava quase passando por cima do meu próprio orgulho, somente para ir até a casa onde ela estava morando.
Precisava saber se ela estava bem.
Mais um final de semana chegou. Preferiria que ele não existisse, porque eu não trabalhava aos sábados e domingos. Ficar com as crianças sempre me fazia bem.
Fui para a casa, pensando somente em tomar um banho, beber um pouco e depois dormir até tarde no dia seguinte. Cumprimentei o porteiro com um rápido aceno de cabeça, peguei minhas correspondências e fui para o meu apartamento.
Deixei que a água quente batesse em minhas costas, sentindo falta da época que as coisas eram mais simples. Barbeei-me, penteei meus cabelos e me vesti, sem pressa alguma.
Os fins de semana eram sempre longos, então para que me apressar?
Caminhei até a cozinha, já procurando algo para comer. Estava montando um sanduíche e tentando me lembrar da programação da televisão naquela noite, quando o telefone tocou, interrompendo meus planos.
- Alô? – disse, jogando um pouco de mostarda no pão.
- E aí, Edward. – A voz de Emmett soou um pouco séria demais para o meu gosto. – Está ocupado?
Suspirei pesadamente.
Os planos de comer um sanduíche, pegar uma cerveja e me jogar no sofá foram por água abaixo.
- Não – disse. – Aconteceu alguma coisa?
Foi a vez dele suspirar.
- Preciso conversar com você, a mamãe e o papai – murmurou. – Pode ir para a casa deles hoje ainda? É meio que um assunto sério...
Mil coisas se passaram por minha mente, tentando entender o que Emmett poderia querer falar e por que isso o estava deixando tão sério.
Sabendo que só descobriria se fosse até lá, larguei o sanduíche.
- Tudo bem – assenti, mesmo que ele não pudesse ver. – Vou trocar de roupa e vou para lá.
- Certo. A gente se vê então.
Desliguei o celular e arrumei a pequena bagunça que eu havia feito. Fui até meu quarto e peguei jeans e uma camisa branca, junto com tênis. Depois de pronto, tornei a sair do apartamento.
Quinze minutos depois eu me encontrava na casa dos meus pais. Cumprimentei-os com um abraço e um beijo e me sentei no sofá.
Emmett já estava lá – sem Rosalie – e ainda sério demais.
- Está tudo bem, Emm? – Franzi a testa. – Você está sério demais.
Minha mãe e meu pai já haviam tomado seus lugares também e ambos encaravam meu irmão, sem dizer nada.
Eles também estavam preocupados.
- Só precisamos esperar que Alice e Jasper estejam aqui – disse. – E aí eu falo com vocês.
Parecia estranho estar na casa de meus pais e enfrentar todo aquele silêncio. Pareceu ainda mais estranho quando Alice e Jasper enfim chegaram, cumprimentando-nos rapidamente e se sentando também.
Emmett nos olhos profundamente e respirou fundo.
Só então ele começou a falar.
- Rosalie precisou fazer uma viagem – disse. – Ela está cuidando de um caso bem sério e vai sumir por alguns dias.
Caso bem sério.
Bella.
Prendi a respiração e engoli em seco. Emmett me olhou e eu soube naquele momento.
Era mais do que óbvio que ela estava cuidando do caso de Bella.
Desejei que Emmett terminasse de falar com nossa família logo para que eu pudesse encurralá-lo em um canto e tirar todas as dúvidas que tomavam conta de mim agora.
Queria saber das novidades, o que eles tinham descoberto. Queria saber se ela estava bem, como as coisas estavam indo.
- E você chamou a gente aqui para isso? – Alice indagou, franzindo o cenho. – Bem, ela vive viajando a trabalho, não?
Emmett suspirou.
- É diferente – encolheu os ombros. – É um caso bem complicado e por isso ela pediu que eu falasse algo para vocês.
Todos nós esperamos, ansiosos.
Bem, pelo menos eu estava ansioso.
- É algo que envolve coisas que Rosalie não pode controlar – disse. – Ela pediu que eu dissesse para vocês fingirem que nunca a conheceram, que ela não existiu.
Engoli em seco.
- Não sei exatamente o que está acontecendo – continuou, antes que alguém fizesse alguma pergunta. – Parece um caso perigoso e para nos proteger, ela pediu que fizéssemos isso.
Ele suspirou.
- Então, caso alguém pergunte, ela e eu tivemos um rolo, mas não deu em nada, ok? – instruiu. – Era tudo o que eu tinha a dizer.
Não sabia dizer se minha família disse algo a Emmett ou se fizeram alguma coisa diante da tristeza que tomava conta da voz do meu irmão.
Porque eu tentava a todo o custo imaginar uma situação que levaria Rosalie a se separar de Emmett e viajar.
Viajar para onde, com quem? Será que Bella tinha ido com ela?
Em algum momento da noite, minha mãe nos obrigou a jantar. Comi e tentei fazer parte da conversa, mas confesso que não obtive muito sucesso.
Despedi-me logo depois que terminei de comer, alegando cansaço. Segui para o meu carro e dei partida.
Quando chegasse em casa, eu ligaria para Emmett e pediria que ele fosse me ver o mais rápido possível.
Não precisei fazer isso, porém. Assim que cheguei ao apartamento, recebi uma mensagem dele.
Ele estaria aqui dentro de alguns minutos.
Fiquei esperando, enquanto andava de um lado para o outro na sala.
As perguntas vinham com força em minha mente, mas eu não conseguia responder nenhuma delas. Será que Rosalie tinha deixado alguma maior explicação para Emmett, que ele ainda não podia partilhar com nossa família?
Eu realmente esperava que sim.
Foi com grande ansiedade que corri para a porta assim que a campainha tocou. Emmett sorriu um pouco para mim e até revirou os olhos, já entrando.
- Relaxe, Edward – disse, caminhando para a cozinha sem nenhuma cerimônia. – Sei tanto quanto você.
Eu o segui, vendo-o pegar duas garrafas de cerveja e jogando uma para mim.
- Fale logo – implorei. – Fiquei tentando responder as perguntas que me rondavam, mas não consegui...
Emmett suspirou.
- Sim, a Rose viajou para resolver o caso de Isabella, Edward – disse. – Não me explicou muito, antes que você fique animadinho ou algo assim, mas disse que estavam na reta final.
Reta final.
- Só isso? – sussurrei.
- Sim – deu de ombros, dando um gole na cerveja. – Eu fico preocupado, sabe? Porque para ela ter até tirado suas coisas e fotografias do apartamento...
Assenti.
- Entendo você – respirei fundo. – Eu queria tanto saber o que está acontecendo agora.
- Eu também – encolheu os ombros. – Só me resta esperar, no entanto.
Nós continuamos a tomar nossa cerveja, mergulhando em um silêncio agradável. Ambos pensando no que tinha acontecido agora.
Ambos pensando no que estava acontecendo com as mulheres que amávamos.
A mulher que eu amava...
Por mais que eu tentasse negar tal fato.
Bella POV.
Acordar no dia seguinte foi uma coisa bem... diferente.
O sol adentrou pela janela que eu havia esquecido aberta, pousando diretamente em meu rosto, mas eu não liguei.
Estava me sentindo bem, verdadeiramente feliz em tempos.
Queria muito que tudo aquilo acabasse logo.
Me vi cantando enquanto tomava banho, rindo das coisas mais idiotas e lágrimas vindo aos meus olhos pelos motivos mais toscos.
Eu estava feliz.
Vesti-me e saí cantarolando pela casa, parando somente quando percebi que a casa estava silenciosa demais, o que indicava que talvez Rosalie ainda estivesse dormindo.
Preparei o café da manhã para nós duas, pensando que nada poderia tirar minha felicidade naquele dia.
Porém, havia alguma coisa sim.
E ao pensar nela, imediatamente congelei. Eu teria que enfrentar o medo e o terror que eu sentia. Teria de ver algo que provavelmente me chocaria para sempre, algo necessário.
Algo extremamente necessário.
- E o último DVD que olhamos ontem... – Lembrei-me das palavras de Rosalie, estremecendo um pouco. – Bem, tem a noite que seus pais foram assassinados.
Engoli em seco, pousando o pote de geléia que eu segurava na bancada, minhas mãos de repente se apoiando enquanto eu me inclinava no banco e me sentava.
Não sabia quanto tempo conseguiria ficar em pé.
Eu não queria ver, me recusava a ver. Ver meus pais serem assassinados...
Seria demais para mim.
- Talvez, Bella... – E novamente as palavras de Rose tomaram conta de mim. – Talvez você devesse se preparar e ver, porque... bem, você vai enfrentar outro julgamento e provavelmente vamos ter que passar esse vídeo para todos verem.
Procurei retomar o controle de mim mesma, ciente de que teria alguns dias para isso ainda. Voltei-me a me concentrar no café, já agradecendo por tudo o que tinha conseguido.
Eu seria uma pessoa livre em breve.
Pensar nisso já trazia um sorriso imenso ao meu rosto.
- Bom dia, Bella. – Rosalie escolheu aquele momento para adentrar a cozinha, um sorriso gigante no rosto. – Como dormiu?
- Bom dia – sorri, estendendo uma caneca com café para ela. – Dormi muito bem e você?
Ela ainda sorriu enquanto se sentava e tomava um gole da bebida.
- Dormi bem também – riu suavemente. – Alguém caprichou no café da manhã, hein?
Eu ri alto.
- Só acordei animada – encolhi os ombros. – Acho que você já imagina o por quê.
Ela assentiu.
- Mas é claro que sim – revirou os olhos.
Ela estendeu a mão e pegou uma torrada, de repente séria.
- Você meio que já tinha perdido as esperanças, não tinha? – indagou.
Suspirei pesadamente, contornando a borda da caneca com o dedo indicador, evitando olhá-la nos olhos.
- Sim – tornei a suspirar. – Eu sinto muito por admitir isso, Rose, já que você e Jake fizeram e fazem tanto por mim, mas...
Dei de ombros, sem saber exatamente o que dizer.
- Está tudo bem, Bella. – Eu virei minha cabeça para olhá-la e ela sorria. – A gente entende.
- Obrigada – ri suavemente. – É só que meu mundo pareceu virar de cabeça para baixo de um dia para o outro e eu me vi presa, sendo acusada à morte por ter matado os meus pais e apaixonada pela meu psicólogo. Ter pessoas que acreditavam em mim é muito mais do que palavras podem dizer.
Ela assentiu.
- E tudo parecia estar dando errado – confessei. – Pessoas morrendo, perda de provas... É meio que inacreditável termos provas concretas agora, um futuro... Eu realmente não esperava por isso.
- Sei como se sente – sorriu. – E você vai ver que daqui para frente a tendência das coisas é só melhorarem. Pode apostar.
Nós duas rimos e continuamos a conversar, mudando um pouco de assunto. Arrumamos a cozinha ainda conversando sobre as mais diversas coisas.
O clima estava leve, gostoso.
E isso conseguia ainda me fazer muito feliz.
- Agora eu tenho que ir – disse Rose, puxando sua bolsa. – Vou dar uma conversada com Jacob, começar a preparar as coisas, ok? Trate de trancar a porta e não se aproxime dela. Ligue o alarme também.
Assenti, dando um abraço e um beijo no rosto nela.
- Obrigada por tudo – disse, escondendo meu rosto em seu ombro. – Eu nunca terei palavras para lhe agradecer por tudo o que vem fazendo por mim, Rose.
Ela sorriu, plantando um beijo na minha cabeça.
- Não precisa se preocupar com isso, Bella. Só se prepare, ok? E arrume suas coisas, também. Acho que na próxima vez que voltarmos aqui, você estará a caminho de mostrar ao mundo que está viva.
Tornei a assentir.
Eu a vi se afastar e caminhar até a porta dos fundos, sem segui-la. O sorriso em meu rosto permaneceu o tempo todo aberto e eu quase me esqueci de ativar o alarme da casa.
Depois de fazer tal coisa, rumei para o quarto que eu ocupara nos últimos meses e comecei a juntar todas as minhas roupas, deixando só as essenciais no guarda-roupa. Joguei-me na cama logo em seguida, me pegando rindo.
E me pegando pensando nele.
Como será que Edward estava?
Eu mal podia esperar para que tudo aquilo acabasse e eu pudesse explicar para Edward tudo, nos mínimos detalhes. Mal podia para lhe dizer que eu mentira, que eu nunca tinha superado.
- Eu sinto sua falta. – Peguei-me dizendo, rindo disso.
Eu não me sentia assim, tão feliz há muito, muito tempo.
Rosalie e Jacob entraram em contato comigo bem pouco nos dias que se seguiram. Disseram que em breve me buscariam, que em breve tudo terminaria.
Minhas coisas já estavam prontas, eu me encontrava pronta.
Eu só precisava esperar.
Permaneci ansiosa nos dias que se seguiram, até que, finalmente, o dia chegou.
Recebi uma mensagem de Rosalie, pedindo para que eu me vestisse e ficasse pronta. Puxei minhas malas para o primeiro andar e fiquei ali, de frente para o corredor.
Rosalie surgiu pouco depois com um sorriso no rosto, Jacob bem atrás dela. Nós nos cumprimentamos, trocamos algumas palavras e eu fui informada de que seria levada para outro lugar.
Eles pediram que eu usasse um casaco preto e colocasse o capuz. O carro de Jacob estava logo em frente a porta dos fundos, mas eles não queriam que ninguém me visse por agora.
Eu peguei minha mochila e joguei nas costas, seguindo Jacob e Rosalie para a porta dos fundos. Dei uma última olhada para a casa que tinha sido minha durante tanto tempo e sorri.
- E mais uma coisa – murmurou Jake, quando já estávamos no carro –, hoje a noite, no jornal, todos saberão que você estava viva.
Prendi o fôlego.
- O-o que? – gaguejei. – Mas, Jake, eu...
Ele riu.
- Fique tranqüila, Bella – revirou os olhos. – Amanhã as coisas já começam a serem resolvidas, então confie na gente, ok?
Eu assenti rapidamente, me encolhendo contra o banco do carro.
Hoje... hoje a noite, todos saberiam que eu estava viva.
E amanhã, amanhã eu começaria a luta para provar a todos que eu era inocente.
Edward POV.
Os dias se passaram, sem notícias nenhuma de Rosalie e Bella. Constantemente eu perguntava a Emmett se ele sabia de alguma coisa, só para logo em seguida me frustrar.
Peguei-me várias vezes querendo ir até a casa onde ela estava vivendo, mas com medo de acabar estragando algum plano e de ter que passar por cima do orgulho que eu tinha.
Para me distrair, em uma noite de quinta-feira, me vi indo até a casa dos meus pais depois do trabalho, apenas para passar algum tempo com eles.
Cumprimentei minha mãe com um beijo e ela me avisou que meu pai estava na cozinha, pegando um copo d'água.
- Vou lá cumprimentá-lo – disse-lhe, levantando-me do sofá.
Ela assentiu, sem desviar os olhos da televisão.
Estava para entrar na cozinha, já vendo meu pai de costas para a porta, quando minha mãe soltou um grito. Voltei-me, correndo até a ela.
- O que foi? – indaguei, procurando por um possível ferimento.
Minha mãe não me respondeu, somente levantou a mão, apontando para a televisão. Meu pai chegou naquele momento também e pegou aquele movimento.
Nós dois olhamos para a televisão ao mesmo tempo.
E eu simplesmente congelei.
