N/A: Ai gente, será que vocês são capazes de me perdoar pela demora? Eu tenho ÓTIMAS desculpas, que soam muito bem pra mim, não sei se pra vocês. Vou dá-las ao final do capítulo. Só precisava dizer uma coisa antes: detalhe do chá de alho passou totalmente despercebido por mim. Primeiro por que antes eu ia fazer a Lily tomar um chá de hortelã e mudei pra um chá de alho, limão e mel que é a receita da minha mãe pra resfriados. E eu nunca beijei ninguém depois de tê-lo tomado, logo, ninguém nunca reclamou de bafo de alho pra mim. Mas bem, eu nunca fiquei com um bafo horrível depois de tomar. Anyway, desculpem o erro. Espero que gostem do capítulo.


Doce Lar

Nos capítulos anteriores:

-Sirius. - falei, cuidadosamente. - Você é Sirius Black. Você não presta.

Sirius acompanhou o meu raciocínio com uma expressão atenta, como um bom aluno que estava realmente interessado em uma certa matéria.

-Prossiga. - pediu ele, ainda incerto se o que eu iria dizer seria positivo ou negativo para ele.

-Namorar com você deve ser uma coisa bem complicada. - eu continuei. - Muito incerta. Por você ser quem você é. Entende?

-

-Você não vai sair. - falou Edward. - Você está de castigo, lembra?

James riu, ainda sem entender.

-Eu, de castigo? - perguntou ele, ainda rindo, como se Edward houvesse dito algo realmente hilário. - Você nunca me deixou de castigo.

-Bem, talvez eu devesse ter deixado mais. Talvez eu tenha errado. - justificou-se Edward, dando de ombros, e por alguns segundos, parecendo se sentir culpado.

-

-E você, obviamente, também não vai a casa do David. - eu comentei, curiosa para saber por que ele estava vestido naqueles trajes.

Sirius fez uma careta.

-Jantar de família.

-Mas você não vai nessas coisas. - James comentou, surpreso.

-

-Se você realmente acha isso... Eu acho que tem algo que eu devo fazer. Antes que você morra. - falou ele, misterioso, levando a mão que não estava em minhas costas ao meu rosto. E eu senti-me ruborizar. Mas não desviei o olhar nem nada, continuei fitando-o, tentando transmitir toda a permissão que ele quisesse, pra fazer o que quer que ele quisesse, pelo olhar.

Ele pareceu captar a mensagem. E eu nem sabia ao certo se a estava mandando. Não estava agindo racionalmente. Apenas guiada pelo instinto, e pelo o que eu desejara há tanto tempo. E dessa vez ninguém estava em casa, ninguém iria me ligar, ninguém iria interromper. E talvez por isso que o meu estômago chacoalhasse em tamanho frenesi, por que não haveria nada capaz de me parar, se ele não parasse.


Capítulo treze: Interlúdio


Eu havia acordado. Na verdade, havia apenas decidido levantar da cama e desistir de tentar pegar em um sono tranqüilo e pesado, o que parecia algo inconcebível desde que eu e James, bem, no sofá. Acontece que quando eu me levantei no dia seguinte, James já tinha saído de casa, com Sirius, para a maldita partida de pólo que eles tinham todos os domingos. Meninos e seus esportes estúpidos.

Eu fiquei vagueando pela casa, angustiada, tentando decidir o que fazer, se arrumava meu quarto, se estudava, ou se ligava para alguma das meninas e contava o ocorrido. Mas eu não me encontrava em estado de fazer nada (aliás, tampouco em estado de ficar sem fazer nada), então fiquei apenas indo e voltando em corredores e salas indefinidamente, o pensamento distante e a angústia crescente em meu peito.

Mamãe e o Sr. P decidiram ir a algum almoço na casa de algum amigo importante, como quase sempre faziam, e eu me vi sozinha e abandonada naquela casa imensa. Quando já havia enjoado de todos os cômodos da casa, resolvi voltar para meu quarto e atirar-me em minha cama. No entanto, na metade do caminho, hesitei um pouco ao ver a porta do quarto de James entreaberta e convidativa. Não pude resistir. Entrei, com um leve sentimento de culpa assolando a minha consciência, mas com a curiosidade sendo maior do que este.

Não estava muito diferente do que sempre. A cama estava arrumada de qualquer jeito, já que era domingo e domingo era dia de folga das arrumadeiras. O violão e as duas guitarras estavam penduradas em uma das paredes azul-escuras, e abaixo destes, sobre um suporte, estava o teclado, com várias partituras sobre este, desorganizadas. Examinei-as brevemente e percebi que a maioria se tratavam de composições já conhecidas, de outras bandas. Mas havia uma ou duas que aparentavam ser de James. Eu dei um sorrisinho. Tentei largar as folhas organizadas do mesmo jeito desorganizado que estavam antes.

Sobre a escrivaninha de James estavam apenas o computador e alguns livros espalhados. E um caderno que tendia mais para um bloco de notas. Meu primeiro impulso seria abrí-lo e ler o seu conteúdo, ou pelo menos uma parte dele. Mas eu hesitei. E ao hesitar, escutei algum barulho no jardim. Fui até a sacada do quarto e vi o carro de James sendo estacionado pelo mesmo. Senti manobras aeróbicas já muito bem conhecidas sendo realizadas pelo meu estômago, e tratei de deixar o quarto no mesmo instante.

Fui ao meu quarto e deitei em minha cama, com o coração martelando em meu peito. A qualquer momento seguinte, James apareceria em minha porta e falaria comigo. Como ele agiria? Como eu agiria? Aquelas dúvidas eram insuportáveis, além de serem inquietantes.

A maçaneta girou e a porta abriu. Eu me sentei, e meu coração quase saltou pela garganta. Mas não era James que estava à porta. Era Sirius. Ao perceber minha surpresa, ele riu.

-Nós trouxemos comida. - avisou ele. - Na cozinha, eu, você e James, agora. Vamos?

Eu engoli em seco.

-Não sei se estou com fome. - disse, soando pouco convincente, já que eu estava morta de fome - seria capaz de devorar um elefante.

Sirius riu.

-Não precisa ter medo, Lily.

Era óbvio que Sirius sabia. Mas de certa forma aquilo me incomodava. Eu queria perguntar tudo para ele. Contudo, talvez o que ele soubesse não fosse muito agradável para mim. Então eu apenas fiquei em silêncio.

-Eu só estou um pouco sem-graça. Sei que você e James não sabem muito bem como é ficar assim, mas... Bem. Seres humanos comuns tendem a ficar um pouco sem jeito nessas situações. Elas não são normais, sabe.

Sirius apenas riu, novamente.

-Depois de um tempo fica normal. - ele disse, em um tom tranquilizador. - Eu sei do que eu estou falando. Eu e Bellatrix, lembra?

Eu suspirei.

-Sirius, a relação de vocês dois não me parece nem um pouco normal.

Ele ficou pensativo por um tempo e depois assentiu, concordando.

-Sim, o que você disse faz sentido. Mas tem fatores externos envolvidos. Vai dar tudo certo, eu estou falando. E vou estar lá. A não ser que você não queira que eu esteja. - ele acrescentou a última frase em um tom malicioso.

Eu atirei um travesseiro na cara dele que, incrivelmente, considerando-se minha mira péssima, acertou-o em cheio.

-Você me paga. - falei, ao sair do quarto.


Adentrei a cozinha mal conseguindo respirar, pois a visão de James sentado à mesa fazia o ar ali parecer rarefeito. Ele estava todo feliz, como uma criança pequena cujos pais haviam preparado uma refeição que ele desejava há muito tempo, segurando em uma das mãos dois hashis e na outra uma daquelas caixinhas de comida chinesa, colocando yakissoba para dentro de sua boca.

Desviou o olhar de sua comida para olhar para mim e para Sirius, enquanto nós caminhávamos em direção à mesa, e sorriu. Sirius sentou-se, e eu logo em seguida. Sirius puxou três das inúmeras caixinhas que estavam em cima da mesa para si, e soltou o comentário inteligente:

-Cara, estou faminto. - mas acho que ele apenas o disse para quebrar o silêncio. - Tem biscoito da sorte?

James assentiu e passou um saquinho para ele. Sirius abriu e tirou três pacotinhos de dentro, distribuindo-os entre nós.

-"Ninguém bebe veneno para saciar a sede" - falou Sirius, lendo a mensagem de seu biscoito da sorte com uma expressão intrigada em seu rosto. - Nossa. Era pra isso ter um significado que tenha a ver com a minha vida?

-"Os ladrilhos estão quebrados e o gelo derreteu" - James leu, com uma expressão ainda mais intrigada que a de Sirius. - Pelo menos a sua é interpretável. O que isso deveria significar?

Eu ri e resolvi abrir o meu também. Em seguida decidi ler para mim mesma e para todos ao mesmo tempo, com um tom de riso:

-"Não espere chegar ao seu destino sem sair da praia". Dá pra acreditar? Isso tem algum sentido? Ha! - e esperei que todos acompanhassem a minha risada, mas eles apenas me fitaram com as sobrancelhas levemente erguidas.

-Faz todo o sentido, Lily. - falou Sirius, em um tom que sugeria que eu tinha alguns problemas mentais.

-É, tem lógica. - James disse, olhando-me significativamente.

Surpresa com a reação deles, eu reli o fino papelzinho. Não espere chegar ao seu destino sem sair da praia. Meu Deus. Eu deveria ter mantido aquilo apenas para mim mesma. Corei e puxei uma caixinha de frango xadrez para perto, recolhendo-me a um silêncio constrangedor. James também não falou mais nada. Parecia ansioso para falar algo com Sirius, mas aparentemente não podia dizê-lo na minha frente. Sirius estava claramente se esforçando para arranjar um assunto, mas não conseguiu pensar em nada suficientemente bom. Ao terminarem todos os quilos e quilos (praticamente toneladas!) de comida chinesa, eles se levantaram.

-Temos que ir ensaiar. – explicou Sirius.

Eu assenti em compreensão.

-Vocês têm algum show dentro dos próximos dias? – perguntei, com polida curiosidade.

James balançou a cabeça negativamente.

-Tem o festival de talentos da escola.

Eu ri.

-Que vocês sempre ganham. – lembrei-me de todos os anos que passei na Hogwarts High e todos os anos desde que eu sabia da existência de James. Todos os anos, sem exceção, ele e a sua turminha ganhavam o festival de talentos. Sem contar que não era apenas o festival de talentos, qualquer que fosse o concurso, competição ou gincana da escola, era raro que eles não ficassem em primeiro.

Eles riram.

-Não tem como você saber, Lily. – falou James, em um tom misterioso.

Eu olhei-o com descrença, franzindo a testa, como quem diz 'até parece'. Sirius parecia concordar com James.

-Vou lhe contar apenas uma coisinha, Lils. – começou Sirius, em um tom divertido e confidente. – Já que este é o nosso último ano em Hogwarts...

-Nós decidimos inovar. – completou James, dando uma piscadela. Eu me arrepiei. E talvez ele tenha percebido.

-Nós resolvemos que não vamos fazer uma apresentação em conjunto dessa vez. – informou Sirius.

Eu fiquei um pouco surpresa, e eles sorriram ao percebê-lo.

-Vencerá o melhor. – disse James. – Entre eu, Sirius e Remus, é claro. Os demais não serão páreo.

Eu ri.

-Como vocês podem garantir isso?

Sirius sorriu, convencido.

-Como você diz. A gente sempre ganha. Ou seja, é óbvio que um de nós vai ganhar.

James assentiu, com a expressão igualmente confiante. Ficamos alguns instantes em silêncio, até que Sirius disse:

-Bem, nós realmente temos de ir.

James concordou e se adiantou para se despedir. Eu olhei-o, surpresa, sem entender o que ele faria. Antigamente ele apenas acenaria para mim da porta da cozinha. Será que ele estava pretendendo me beijar ali?

Ele sorriu e encurvou-se, depositando um beijo entre uma das minhas maçãs do rosto e meus lábios. Eu apenas fitei-o, estática. James sorriu e deixou o aposento. Fui tirada de meu estado de choque ao ouvir a risada rouca de Sirius.

-Vai querer um beijinho também? – perguntou ele, irônico, aproximando-se e fazendo um biquinho.

Eu fiz cara de nojo.

-Não, obrigada. – respondi, com repulsa.

Sirius apenas riu.

-A gente se vê, Lily.

-Sabe, Sirius... – eu comecei, antes que ele fosse embora. – Você não acha que não seria de bom tom se você ganhasse de Mary no festival?

Sirius fitou-me, sem entender sobre o que eu estava falando.

-Por que Mary participaria?

Eu ri.

-Sirius, Mary sempre participou do festival.

Sirius franziu a testa, em estranhamento.

-Eu nunca reparei.


Na segunda-feira eu cheguei na escola parecendo um verdadeiro zumbi. Além de ter passado metade da noite sem conseguir dormir, acordara mais cedo do que vinha acordando ultimamente, para poder pegar um ônibus. Por que ir com James seria simplesmente... esquisito de mais. Senti meu rosto em chamas simplesmente ao lembrar do fim de semana que havia passado. E que fim de semana!

Por sorte não me encontrei com James no portão da escola ou em qualquer outro lugar desta. Aparentemente ele não havia chegado ainda. E nem ninguém com quem eu estivesse com vontade de conversar. Ou seja, ninguém. Pois eu realmente não estava a fim de falar com alguém. Apenas queria sentar-me em um banco em algum lugar escondido e excluir-me do resto do mundo. Nem adianta dizer que não fui bem-sucedida. Marlene e Mary me encontraram e logo perceberam que havia algo de diferente em mim. Sentaram-se uma ao meu lado direito e a outra ao esquerdo, e ficaram me interrogando incansavelmente até que eu me rendi e falei:

-Está bem. Eu vou contar a vocês. – dei um longo e teatral suspiro e disse: - Vocês acreditariam se eu dissesse que eu e James... bem... meio que demos uns amassos no sofá da sala?

Ambas riram. E não foi pouco. Seria mais cabível dizer que elas gargalharam. Durante quase um minuto inteiro. Eu apenas suspirei novamente e continuei com uma expressão aflita. Mary parou de rir subitamente.

-Espera aí. Sirius me pediu em namoro, então tudo é possível. – comentou ela, em choque. – Lily, você está dizendo a verdade! – exclamou.

Marlene olhou para Mary de esguelha, ao saber daquela nova informação, mas vi que ela conteve sua surpresa (sem falar na decepção, tristeza, etc) e direcionou-a para mim.

-Você e James deram uns amassos no sofá?! – perguntou Marlene, sem conseguir acreditar. – Isso é maravilhoso, Lily! Por que essa cara de quem comeu e não gostou? Você comeu e não gostou?

Eu dei um tapa de leve em sua têmpora e revirei os olhos. Logo em seguida enterrei a cabeça nas mãos, e disse, com uma voz abafada:

-Foi a melhor coisa da minha vida! – exclamei, frustrada. – Mas eu não sei! Está tudo tão estranho, não sei o que vai acontecer agora. Odeio essa incerteza.

Levantei o olhar para ambas, e via que Mary compartilhava minha aflição, enquanto Marlene estava um pouco indignada.

-Você conseguiu o que você queria, Lily. Não devia estar reclamando. – falou ela, séria. – Vocês duas. – falou, um pouco mais baixo, e eu acho que apenas eu fui capaz de escutá-la.

-Marlene tem razão. – Mary falou. – Se aconteceu alguma coisa, deve ter significado alguma coisa.

-Não necessariamente. – eu disse, descrente. – James transou com Judith inúmeras vezes e não significou absolutamente nada.

Marlene bufou.

-Existe uma clara diferença, Lily. Talvez eu deva mencionar o fato de James ter ficado mordido de ciúmes de você e de Oliver, quando nunca teve uma fagulha sequer de ciúmes mesmo Judith tendo se oferecido para seus dois melhores amigos. Tente se oferecer pra Sirius e Remus e veja a reação dele.

Eu olhei-a, espantada.

-Ok, é melhor não tentar mesmo. Mas foi uma forma de fazer um quadro comparativo e lhe mostrar que a situação dessa vez é completamente diferente. – falou ela, mudando de idéia, e finalizando com um sorrisinho.

Mary assentiu.

-Sem contar que vocês vivem na mesma casa. – Mary disse. – James não arriscaria a boa convivência de vocês e não, sei lá, arriscaria irritar ao pai dele e à sua mãe se não significasse alguma coisa.

-Só um nome para você, Mary. Lorraine. – eu disse, amargurada.

-É! – exclamou ela, como se eu tivesse provado seu ponto, e eu fitei-a sem entender. – E ela sem dúvida significou muita coisa, não é mesmo?

Marlene assentiu.

-Mesmo que seja chato admitir, ela significou, Lils. Ela foi o primeiro amor dele.

Eu assenti, resignada.

-Vocês têm razão. Ok, existe a possibilidade de ser algo além de carência. Vou tentar me animar um pouco. – forcei um sorriso. – Vamos indo para a sala, tenho impressão que o sinal já bateu.

-É mesmo? – perguntou Marlene, intrigada. – Eu não ouvi.

Mary riu.

-Faz quase uns dez minutos que bateu.


À altura do almoço Mary, Marlene e eu adentrávamos o refeitório rindo a plenos pulmões. Eu não sabia o porquê, mas elas simplesmente possuíam esse efeito sobre mim. Mesmo quando eu não estava satisfeita com algo, ou contente, elas sempre conseguiam me fazer rir. E muito.

Mas a risada não durou muito tempo. Nossos rostos se fecharam quando Sirius veio andando em nossa direção. Mary e Marlene estavam com expressões similares em seus rostos, exceto pelo fato de que Mary corava, mesmo que se esforçasse ao máximo para não fazê-lo. Sua pele era muito branca e ela era muito tímida, uma combinação muito perigosa. Já Marlene era mais morena, e mesmo apaixonada por Sirius, não perdia seu ar confiante e sua auto-afirmação, mesmo quek não consegui evitar de tremer um pouco. Enquanto ele estivesse por perto ela sabia disfarçar.

-Nós precisamos conversar. – falou Sirius para Mary, tocando em seu braço.

Ela recuou um pouco assustada. Tentou um sorriso.

-Ah, Sirius. Precisa ser agora?... Eu e as meninas estávamos indo almoçar. Estou com muita, muita fome mesmo. – respondeu ela, sem-graça.

Ele suspirou.

-Não acho que elas vão se importar. Vai ser rápido, é importante.

Mary assentiu.

-Ok.

Eu já ia me virando para deixá-los a sós quando Sirius me segurou.

-Esperem. É algo que todos deveriam saber.

Eu olhei-o com uma expressão intrigada, tentando adivinhar o que diabos ele ia fazer, enquanto ele apenas me dava um sorrisinho sugestivo. Ele olhou ao redor e pareceu satisfeito.

-Bem, parece estar cheio o suficiente.

-Sirius, o que você pensa que está fazendo? – eu perguntei, brusca.

Sirius sorriu. No instante seguinte ele estava puxando uma cadeira de uma mesa qualquer, onde algumas meninas deram sorrisinhos para ele e acenaram. Ele apenas ignorou e subiu em cima da cadeira. Mary pareceu tão confusa quanto eu, ou até mais. Todo mundo apenas ria ou revirava os olhos. Era apenas Sirius Black tentando chamar atenção, como sempre. Mal imaginavam o que estava por vir.

-Então. – ele começou. – Eu sei que eu não sou a pessoa mais confiável do mundo. Sei que eu não sou visto com bons olhos quando se trata da minha vida amorosa. – as meninas que estavam na mesa próxima deram risinhos novamente. – Imagino como deve ser difícil para você acreditar em mim quando eu digo. Nem meus amigos acreditam. – Sirius lançou um sorrisinho irônico para o canto onde estavam James e Remus. – Mas você tem que acreditar quando eu digo: eu gosto de você, Mary. – e olhando ao redor naquele momento rostos chocados espalhavam-se por todo o refeitório, assim como rostos indignados e descrentes. – E eu quero que você seja minha namorada. E eu quero que todo mundo aqui nessa escola saiba disso. Seja minha namorada, Mary McDonald. - disse, em um tom imperativo, como se não perguntasse.

O rosto de Mary não estava mais ligeiramente avermelhado. Ele estava com um tom vermelho-berrante, e suas pernas estavam claramente cambaleando. Ela estava com uma mão sobre o peito, suponho que provavelmente sentido as batidas aceleradas de seu coração. Sirius estendeu a mão para ela, e ela pegou em sua mão, ainda que hesitante. Ele a puxou para cima da cadeira e para perto dele. Sirius sorriu.

-Sim. Sim! – exclamou Mary, feliz. – Mil vezes sim.

E sorriu. Então os dois se beijaram. Ouvi algumas palmas vindas do canto onde James, Remus, Frank e cia se encontravam. Sorri e também sustentei a ovação. Olhei para o lado e pude ver que Marlene também batia palmas, e dava um meio sorriso.

Ouvi uma menina que estava próxima bufar, indignada, e olhei-a. Pude escutá-la enquanto comentava com uma amiga:

-Sirius Black e Mary McDonald? Alguém deve estar de brincadeira! – exclamou, em um tom de escárnio. – Tomara que não passe de um mês.

-Entendo que nenhum dos seus namoros tenha passado disso, Laura. – começou Marlene, com desprezo. – Mas ao contrário de você, Mary tem conteúdo, e Sirius não vai cansar dela logo na primeira semana, como a maioria de seus namorados costumam fazer com você.

Laura fez uma careta para Marlene, enquanto esta sorria triunfante. A primeira jogou a bolsa sobre os ombros, fez um 'hm!' afetado e deu-nos as costas. Eu sorri para Marlene. Não importava a gravidade da situação, parecia que ela sempre defenderia a mim e a Mary.

Mary e Sirius desceram da cadeira, sorriram para nós e deixaram-nos para trás, de mãos dadas. Provavelmente iriam aproveitar os primeiros minutos do namoro a sós.

Eu suspirei.

-As pessoas ficam tão chatas quando começam a namorar.

Marlene riu.

-Como se você não desejasse loucamente entrar para o grupo dos chatos!

-E você não? – eu perguntei, também rindo.

Marlene suspirou.

-Não até encontrar alguém que realmente valha a pena. Alguém que faça coisas estúpidas como essa por mim. – respondeu ela, pensativa.

-Marlene McKinnon! – eu exclamei, chocada. – Isso significa que você vai parar com os garotos em festas e esperar pelo cara certo?

Ela riu.

-Talvez. Acho que sim.

-Duvido que você consiga. – eu disse, em um tom desafiador.

-Está apostado então.


À tarde eu estava em meu quarto estudando. Ou pelo menos tentando. James não havia aparecido em casa ainda. E aquilo atormentava meus pensamentos. Onde estaria ele? Com quem estaria ele?

Provavelmente está ensaiando pro festival, sua bobinha, meu eu interior otimista tentava me consolar. Enquanto o eu pessimista dizia: Ele deve estar com Lorraine, com Judith, ou com alguma dessa espécie.

Desisti dos estudos e peguei um livro que estava sobre a mesa, sentando-me em minha cama e tentando concentrar minha atenção nele. Até que estava indo bem, mas o telefone tocou. Eu deixei o livro de lado e atendi.

-Alô?

-Até quando vai me deixar esperando? – a voz de Oliver ecoou pelo telefone, meio risonha, meio incerta.

Eu tentei soltar uma risadinha.

-Ah, certo. Acho que deveríamos nos ver esse fim de semana. – não quis criar expectativas para ele, mas também não quis deixar transparecer logo de cara que iria terminar com ele.

-Uhum. – ele concordou. – Sexta à noite então?

Eu fingi desapontamento:

-Sexta à noite não dá. Vai ter um festival de talentos na escola e bem... Mary vai participar.

-Ah. – ele pareceu realmente desapontado. – Então nos vemos sábado.

-Sábado. – eu repeti. – Parece bom. Você vem me buscar? – eu apenas maquinava em minha mente se faria com que ele viesse até aqui e terminaria com ele já no portão de entrada ou se me encontraria com ele em outro lugar. – Não, espere. Acho melhor nos encontrarmos no pub Cloverdilly. Vai ter um show lá, não vai?

-Vai sim. E parece que vai ser muito bom. – disse ele, em um tom que mais tarde eu concluí ser sugestivo.

Eu ri um pouco nervosa.

-Certo.

-Certo. – ele repetiu. – Até sábado, Lily.


James e eu continuamos apenas nas conversas casuais até quarta-feira. Ele estava ocupado ensaiando para o festival de talentos e eu estava ocupada meio que o evitando quando ele estava disponível. Aliás, talvez ele mesmo estivesse me evitando, já que eu não conseguia entender pra que ensaiar tanto para um festival de talentos estúpido da escola. Talvez tivesse a ver com orgulho, não é? Ganhar de Sirius e Remus e tudo o mais. É, talvez fosse isso.

De qualquer jeito, eu estava decidida a ter uma conversação decente com ele, estivesse ele ocupado ou não. Bati à porta de seu quarto e ele falou que eu entrasse. Ele não estava sentado sobre a cama dedilhando as cordas de seu violão como eu esperava que ele estivesse. Ele estava em sua escrivaninha, com um livro muito grosso aberto, que parecia ser de Trigonometria e uma expressão pensativa no rosto. Eu fiquei ligeiramente sem graça, mas me aproximei mesmo assim. James sorriu.

-Hey. – ele disse.

Eu também sorri e fiquei um tempo parada ali, juntando as palavras certas em minha mente.

-Bem. – eu comecei. – Não tem que ser estranho assim, sabe.

James mudou sua expressão pensativa para uma intrigada. Franziu o cenho e continuou esperando que eu falasse algo.

-Então a gente se beijou algumas vezes no sofá da sala. – eu disse, em um tom casual. – E daí? Não significa que tem que acontecer de novo. Nós podemos voltar ao normal, sabe. Podemos voltar a ser como éramos antes...

James riu. E continuou em silêncio.

-Você não acha?

E ele riu novamente. Eu suspirei, cansada, e sentei-me na ponta da cama dele. Ok, se ele quisesse me ignorar, bom pra ele. Ele se levantou da cadeira e se aproximou, sorrindo.

-Não, eu não acho.

E então James simplesmente colocou as mãos quentes em meu rosto e me beijou. Hm, que bom que ele não achava. Obviamente, eu o correspondi. Ele foi aproximando cada vez mais seu rosto, de modo que eu recuei, e quando eu vi já não estava mais na ponta da cama, e sim no meio desta. Deitada. Com James em cima de mim. De novo. Exatamente como no sofá.

E no instante seguinte ele rolou para o meu lado e apenas ficamos em silêncio, a mão dele acariciando a minha, nossas respirações nos rostos um do outro.

-Desculpe não ter te dado atenção durante essa semana. – falou ele finalmente. – Eu realmente estou ocupado, não foi uma desculpa minha ou qualquer coisa assim.

Eu sorri. Uma desculpa dele era muito mais do que eu teria esperado. Uma reconfortante sensação de alívio tomou conta de mim, e garanto que não era apenas alívio que eu estava sentindo naquele momento.

-Muitas coisas na cabeça? – eu perguntei.

James assentiu, com o olhar distante.

-Uns problemas pra resolver, estou boiando completamente em matemática (isso nunca aconteceu antes), e ainda tirando um tempo pra ensaiar pra esse festival. Não que eu precise ensaiar muito. – respondeu ele.

Eu ri.

-Nem um pouco convencido.

Ele também riu.

-Não é isso. É só que eu já sei o que vou fazer, e já sei tocar a música e tudo o mais. Com os tais problemas que eu falei não tenho tempo pra nada melhor. Se Sirius e Remus estiverem levando isso a sério eu com certeza não terei chance.

-Entendo.

Fiquei com vontade de lhe perguntar quais problemas seriam esses. Pensando melhor, talvez ele quisesse que eu lhe perguntasse. Mas eu simplesmente não achei que ele quisesse, sei lá. Apenas fiquei me segurando.

-Também estou tendo que lidar com algumas... coisas. – acrescentou ele, olhando para mim com um olhar significativo.

-Que coisas?

-Gostar de alguém. É inesperado. Até tinha esquecido como era.

Eu fui pega de surpresa com aquela declaração e apenas corei. James sorriu e levou a mão ao meu rosto.

-Pode ter certeza que é recíproco. – eu disse, enfim.

Ele sorriu.

-Foi o que eu ouvi dizer.

Eu ergui as sobrancelhas.

-Foi o que ouviu dizer?

James assentiu. Mas não se deu ao trabalho de explicar. Apenas esticou o pescoço, aproximando-se o meio metro que antes nos separava e nós nos beijamos novamente. Eu interrompi o beijo por um tempo, pois algo atormentava a minha cabeça.

-Não seria interessante se a minha mãe ou se o seu pai entrassem por aquela porta agora? – eu perguntei, com leve ironia na voz.

Ele riu.

-De fato, muito interessante. Mas não mais interessante do que agora, quando estamos só nós dois. – e ele me puxou para si novamente.


N/A: Então, eu tenho várias explicações para dar a vocês. Dia 2 de agosto meio que mudou a minha vida completamente. Por que foi o show do Muse. E o dia em que eu tirei foto com o Matt Bellamy. Então eu fiquei meio que fixada naquilo (bem, ainda estou, mas acho que esteja voltando pra vida real aos poucos, haha). Muse passou de banda super foda à vício. E então eu não consegui inspiração pra mexer na fic, com a minha mente totalmente em Muse. Dai no dia 14 começaram as provas e eu não tive tempo pra nada além de estudar loucamente. E agora to com uma tendinite insuportável e não sei quando começarei a escrever o próximo capítulo. Mas vou tentar responder as reviews. Espero que gostem. Até breve. Ou não. (?)