Capítulo Quatorze
By Inches
Harry observou Ginny dormir. Virou o pulso e apertou os olhos para o relógio. Ela acordaria logo. Ele descobrira que ela tinha um bracelete bastante parecido com o do bebê. O bracelete vibrava algumas vezes durante a noite e Ginny saia da cama, cambaleava até o quarto do outro lado do corredor para tentar alimentar o bebê. Demorava por que ele ficava cansado e parava de comer depois de alguns minutos. Harry rapidamente aprendera que, se Ginny não acordasse logo que o bracelete começava a vibrar, ele ficava mais insistente. E, então, começava a apitar. Harry acordava sempre que Ginny acordava, e ignorava quando ela lhe falava para voltar a dormir. Ele não conseguia dormir sem ela, então se levantava com ela.
Dizer que era uma tortura era atestar o óbvio.
Essa vigília era a coisa mais difícil que Harry e Ginny já tinham feito.
Quando terça-feira virava quarta-feira, o bebê parara de respirar quatro vezes. Uma vez o estagiário precisou intervir. Tinha sido quase tão assustador quanto a primeira vez.
Nós realmente precisamos escolher um nome para Bunny. Não dá para ficar o chamando assim ou de bebê por muito mais tempo.
Dormir com Ginny na cama estreita o fazia se lembrar do mês antes de Ginny voltar para a escola, para seu sétimo ano. Tinham encontrado uma antiga rede na barraca de ferramenta e a penduraram entre duas árvores que separavam os estábulos do jardim. Tinham passado várias tardes, depois do almoço, cara a cara, às vezes conversando, às vezes dormindo, mas sempre separados do resto do mundo. Sem seus óculos, sob o leve brilho de uma luz distante, Ginny parecia ter menos do que seus quase vinte e cinco anos. Não que ela aparentasse sua idade. Muitas pessoas assumiam que os dois eram vários anos mais novos do que realmente eram. Ela certamente não parecia ser velha o bastante para ter dois filhos.
Harry sentiu seu peito apertar e fechou os olhos. Sabia que teria de ir embora logo, mas não tinha chegado nem perto de descobrir um jeito de contar a Ginny. Mas sabia que Arthur estava certo. Ginny merecia saber tanto quanto ele pudesse lhe contar, sem prejudicar o caso, e Harry também sabia que ela ficaria em silêncio, mesmo sob um imperdoável. Sem que ele precisasse pedir.
O pulso de Ginny começou a vibrar. Continuaria a vibrar até que ela saísse do quarto. Ela choramingou suavemente e tentou se esconder no peito de Harry, mas as vibrações ficaram mais fortes.
- Acordei, acordei. – murmurou, e se sentou lentamente, esfregando o rosto. Harry saiu da cama e ajudou Ginny a se levantar, guiando sua forma meio adormecida até a porta. Assim que ela cruzou a batente, a vibração parou e Harry a levou até o outro quarto. – Você que vai fazer isso da próxima vez. – ela murmurou por entre o cabelo que caia sobre seu rosto.
- Adoraria, mas não tenho o equipamento certo. – Harry respondeu suavemente.
- Vou dar um jeito. – Ginny retorquiu sonolentamente. Ela se sentou na cadeira de balanço, com a cabeça apoiada em uma mão. Harry pegou o bebê em seus braços e acariciou a leve camada de cabelo negro em sua cabeça. Harry pegou o cobertor do berço; estava com um feitiço de aquecimento e manter Bunny aquecido era uma prioridade. Abriu os primeiros botões da sua camisa e acomodou o bebê contra seu peito, pele a pele, enrolando o cobertor ao redor dele. Cuidado de canguru, Shanti tinha chamado na segunda-feira, quando ela sugerira que ele tentasse. Estranhamente, era calmante para Harry, também.
Os últimos dois dias tinham dado a Harry um curso relâmpago sobre bebês prematuros. Ele não chorava quando ficava com fome, como James costumava. Ele ficava inquieto e choramingava um pouco. Ele também colocava a língua para fora e começava a procurar. Harry tinha quase pulado no dia anterior, quando a pequena língua de Bunny correu por seu peito, enquanto o segurava dessa maneira. A apnéia era aterrorizante por si só, e a ideia de que Bunny poderia simplesmente parar de respirar o fazia contar cada respiração ainda mais obsessivamente do que já fazia.
- Ele está com fome? – Ginny perguntou, sua voz fraca de cansaço.
Harry ajeitou a cabeça para que pudesse ver o bebê. Ele estava piscando lentamente, mas não tinha dado nenhum sinal ainda.
- Provavelmente, mas não está dizendo ainda.
- Certo... – a voz de Ginny morreu e ela fechou os olhos lentamente. Ela continuou a balançar para frente e para trás lentamente na cadeira. Como Harry, ela achava que os últimos dias tinham sido muito educacionais. Não era uma experiência que ela queria repetir. Os olhos de Ginny se abriram um pouco e ela olhou para Harry, aninhando o bebê. Seu cabelo apontava para todos os lados. Lembrava-a de James quando ele acordava. Sentiu uma onda de culpa a atingir. Não tinha se dado ao trabalho de pensar em James desde domingo. Seu foco estava concentrado nesse quarto e no que estava do outro lado do corredor. – Droga.
- O quê? – Harry a olhou cuidadosamente, tentando não agitar o bebê.
- James. – Ginny se ajeitou na cadeira de balanço. – Suponho que não saiba como ele está, sabe? – perguntou com culpa.
- Sim, eu sei. – Harry mudou de posição na cadeira. – Noite passada, seu pai disse que ele está bem. – Harry tencionou quando a boca do bebê se abriu e fechou contra a pele nua sob seu ombro, procurando por algo que não estava lá. – Ei, agora. – disse suavemente para o bebê. – Não posso te ajudar com isso. – Harry se ergueu. – Acho que ele está com fome agora. – colocou o bebê nos braços de Ginny, prendendo o cobertor ao redor de seu corpo pequeno.
Nenhum dos dois falou, enquanto Ginny incentivava o bebê a comer. Ele adormeceu depois de trinta minutos, e Ginny o colocou de volta no berço. Ela olhou para Harry, embaraço colorindo seu rosto sardento.
- Você se importa...? – pigarreou algumas vezes. – Eu preciso tirar leite e não é algo que eu goste de fazer com um público. – suspirou, indicando seus seios ainda inchados.
- Certo. – Harry se levantou e foi até a porta. – Vou ficar no outro quarto, então. – parou na porta e se virou. – Gin? Na próxima vez, eu posso alimentá-lo? – perguntou desejosamente, indicando a bomba em sua mão. Era uma coisa que tinham compartilhado com James, e Harry tinha gostado do seu tempo com ele.
- Absolutamente. – Ginny declarou enfaticamente. – Você pode fazer isso essa noite, também, se quiser.
- Obrigado. – Harry saiu do quarto desajeitadamente. Inclinou-se até seus dedos encostarem em seus pés, esticando os músculos de suas costas, fazendo uma careta para os sons que saíram de sua coluna. Gradualmente, vértebra por vértebra, ele se ergueu, levemente tonto. Pelo menos estamos conversando, pensou. Nenhum dos dois tinha mencionado o caso durante a noite, e mantiveram as breves conversas focadas no bebê.
As portas duplas no final do corredor rangeram e Harry se virou para ver Molly carregando uma cesta grande. O estômago de Harry se revirou, lembrando-o que não comera de verdade desde a tarde de domingo. O cheiro de muffins de mirtilo recém assados encheu o ar.
- 'Dia, Harry. – Molly entrou no quarto de Ginny com a cesta e a colocou na mesa. – Está com fome? – abriu a cesta e pegou os muffins. O cheiro de baunilha e mirtilo ficaram mais fortes. O estômago de Harry roncou ruidosamente, e ele pegou um muffin. – Acho que isso é um sim.
Harry fuçou na cesta, pegando duas garrafas térmicas. Abriu uma e inalou o cheiro de chá, gemendo com felicidade enquanto se servia. Tomou o chá, deixando o líquido descer por sua garganta. Depois dos últimos dias, qualquer tipo de cafeína era um manjar dos deuses. Estava prestes a se servir de outra xícara quando parou.
- O que tem na outra?
- Suco de laranja.
Harry mordeu o muffin, estudando a garrafa. Com um suspiro arrependido, fechou a garrafa de chá e a colocou de volta na cesta. Ginny precisava mais do que ele. Abriu o suco e tomou alguns goles apressados, antes de atravessar o corredor. Ginny estava colocando um feitiço de refrigeração no leite, passando-o para o estagiário, que o guardaria para mais tarde.
- Sua mãe trouxe o café. – disse.
- Não estou com fome. – Ginny respondeu cansadamente.
- Você realmente deveria comer, Gin.
Ginny apenas deu de ombros. Ela sabia que deveria, mas estava tão cansada. Queria só se deitar e dormir.
- Talvez mais tarde. – Ginny voltou a se sentar na cadeira de balanço. – A mamãe ainda está aqui?
- Sim.
Ginny assentiu, sem dizer nada.
- Você quer que ela vá embora? – Harry perguntou.
Ginny balançou a cabeça.
- Ginny, você ouviu Shanti, você tem que comer. – Harry ficou parado, olhando para ela, as mãos na cintura. – Se não por você, então por ele. – disse, apontando para o berço. Levantou-a. – Vá comer alguma coisa, e eu fico aqui.
Ginny olhou para o berço duvidosamente.
- Tem certeza?
- Sim. Vá em frente. – Harry indicou a porta com a cabeça, empurrando Ginny levemente.
Ginny saiu do quarto, sentindo uma pontada de culpa quando entrou no outro quarto.
- Obrigada, mãe. – murmurou.
- Não é nada. – Molly dispensou a expressão grata de Ginny. – Não vou te deixar comer o que eles tentam fazer de conta que é comida aqui. Você precisa manter sua força.
Ginny cortou um muffin na metade e o engoliu. Piscou e pegou outro. Não tinha percebido o quão faminta estava até ter comido três muffins, quase sem uma pausa entre eles. Ginny ergueu a xícara de chá, que estava próxima ao cesto de muffins, segurando-a entre suas mãos, a mesma expressão feliz que Harry mostrara mais cedo. Notou a expressão surpresa de Molly.
- Acho que estava com fome, afinal.
- Você acha? – Molly zombou. – Aqui, eu trouxe algumas roupas limpas, também.
Ginny correu uma mão pelo cabelo.
- Obrigada. Não dá para usar camisolas por muito tempo.
- Por que não toma um banho? – Molly sugeriu. – Você vai se sentir melhor.
- Mas eu... – Ginny parou, pensando saudosamente em um banho quente. – Não quero deixar o bebê sozinho...
- Sozinho? Ginny, Harry está lá, um curandeiro está lá, eu posso ir para lá... O bebê não está sozinho.
- Mas... – o rosto de Ginny estava com uma expressão teimosa, não querendo abrir mão disso.
- Ginny, ouça. Se você não começar a se cuidar, você vai acabar ficando doente, incapaz de cuidar do bebê.
- Por que todo mundo fica me dizendo isso? – Ginny ergueu as mãos em exasperação.
- Por que você não está dormindo, para começo de conversa. – Molly ergueu um dedo acusatório. - Dois, você não está comendo o bastante para manter uma fada viva. – outro dedo se juntou ao primeiro. – Três, você passa praticamente todas as horas acordadas o observando no berço. – Molly ergueu outro dedo. – Quatro, você não pergunta por James desde domingo.
Lágrimas escaparam dos olhos de Ginny, e ela as secou de seu rosto. Outra onda de culpa a atingiu.
- Eu estou com tanto medo de que algo aconteça com ele e eu não esteja lá. Eu sou a mãe dele! Eu tenho que estar lá. – a voz de Ginny se ergueu histericamente.
Molly suspirou e puxou Ginny para a cama, passando os braços ao redor de Ginny. Esfregou as costas de Ginny por um momento.
- Gin, se você nunca seguiu um conselho meu, siga essa. – ergueu o queixo de Ginny. – Como mãe, não tem problema ser egoísta de vez em quando. Você vai enlouquecer se não for assim.
Ginny olhou para sua mãe com a boca aberta. "Egoísta" não era uma palavra que Ginny associaria com Molly. Se qualquer coisa, Ginny achava que sua mãe tinha sido muito altruísta durante os anos.
Molly tirou um lenço do bolso de suas vestes e o passou para Ginny.
- Está surpresa, é? Acredite, se algum dia você tiver sete filhos, você vai aprender que um pouco de egoísmo não é algo ruim. Não tem problema tomar um banho agora, ou tirar um cochilo, ou deixar Harry alimentar o bebê de vez em quando. Você pode se perder se não o fizer.
Ginny torceu o lenço entre suas mãos.
- Você nunca fez isso. – insistiu teimosamente.
Molly riu.
- Sim, fiz. Todas as tardes de sábado. Eu deixava seu pai cuidando de vocês e fazia o que bem quisesse. Mesmo que tudo o que eu fizesse era assar minha torta favorita, porque era o que eu queria e não o que um de vocês queria. – Molly deu um tapinha no joelho de Ginny. – Agora, vá tomar um bom banho. Lave o cabelo. E volte para a cama. Eu vou me sentar com o bebê por um tempo.
- Como você sempre saber o que dizer? Acho que nunca vou descobrir. – Ginny fungou e esfregou o lenço sob o nariz.
- Eu sou sua mãe, Gin. Eu não gosto de vê-la infeliz, e eu vou fazer o que for necessário para tentar te fazer feliz. – Molly pausou e continuou delicadamente. Esse era um território perigoso. – E você devia pegar leve com Harry, querida. Nem sempre ele pode te contar tudo o que você quer saber. Não com esse trabalho. – disse. – Você não devia usar isso contra ele. Tenho certeza de que ele te contará o que puder, quando puder, mas você não pode ficar brava com ele quando ele não puder contar. Ou não vai. – adicionou. – É difícil para ele, também, ficar longe de você, de James e do bebê.
Ginny suspirou.
- Eu sei.
- Seu pai e eu costumávamos fazer isso. O que você e Harry fazem. – Molly disse quietamente. – Ele se juntou a Ordem antes de Percy nascer. Ele saia para missões e eu vivia aterrorizada até ele voltar. E ele também não me contava as coisas. Até o dia que descobri que estava grávida de Ron. – refletiu. – Ele estava indo para outra missão, e eu joguei um prato na cabeça dele e gritei que se ele não me contasse o que estava acontecendo, ele não deveria se dar ao trabalho de voltar para casa.
- Ficou mais fácil? Saber?
- Não. Quase ficou pior. Se eu ouvisse as notícias no rádio e algo houvesse acontecido na região em que seu pai estava, meu coração parava. Eu me preocupava mais até que ele voltasse ou enviasse uma mensagem para me deixar saber que estava bem.
Ginny ficou sentada, considerando o que sua mãe tinha lhe dito. No passado, houvera vezes quando Ginny dispensaria qualquer coisa que Molly lhe dizia. Mas isso fora antes de a própria Ginny ter virado mãe. Podia não fazer o que Molly lhe dizia a maior parte das vezes, mas agora ela pelo menos ouvia.
- Vou pensar nisso, mãe. – disse, puxando um fio solto na ponta do lenço.
- É isso o que eu sempre quis. – Molly riu, beijando a testa de Ginny. – Mas você sempre esteve determinada em fazer do seu jeito. Vá em frente, vá se lavar.
Harry estava parado no corredor, congelado no lugar, ouvindo a voz de Molly. O que ela tinha dito a Ginny apenas o tinha confundido ainda mais. Ele devia fazer o que Arthur lhe disse para fazer ou deveria levar essa nova informação em consideração? Forçou seus pés a se moverem e tentou se comportar normalmente quando entrou no quarto de Ginny.
- Sarah me mandou dormir. – admitiu perante o olhar inquisitivo de Molly. – Eu dormi e escorreguei na cadeira de balanço. – Harry murmurou tristemente. – Me ordenaram a dormir.
Molly acenou a varinha para os restos do café da manhã, e o prato de muffin e as garrafas térmicas voltaram para a cesta.
- Vou me sentar com o bebê, enquanto vocês dois dormem. Venho acordar um de vocês quando ele ficar com fome.
- Eu. Me acorde. – Harry se acomodou nos travesseiros. – Vou passar n'A Toca na hora do almoço. Ver James. – murmurou. Respirou fundo, antes de soltar o ar lentamente. Harry tentou ficar acordado até Ginny terminar de tomar banho, mas a última noite se fez presente e ele adormeceu, esperando.
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Ginny ficou sob a água quente por um longo tempo. Tempo o bastante para ficar enrugada, refletiu, olhando para as próprias mãos. Nos últimos dois dias ela mal conseguira escovar os dentes, menos ainda tomar banho. Eu devia lavar o cabelo. Verdade fosse dita, os últimos dias antes de dar a luz, Ginny não podia se importar menos com sua aparência. Passava a maior parte dos dias perambulando de um lado para o outro. Ginny espalhou a espuma pelo cabelo. Molly tinha lhe dado bastante no que pensar. Talvez eu estivesse melhor sem saber...
Ginny enxaguou o cabelo e desligou a água. Pegou a toalha e começou a se secar, mas precisou se sentar na borda da banheira quando uma onda de tontura a acertou. O chuveiro devia estar quente demais. Vestiu a calça do pijama e passou uma camiseta pela cabeça. Ginny esfregou uma toalha seca no cabelo e pendurou as duas nos ganchos perto da banheira. Apoiando uma mão na parede, Ginny andou até a cama, seus joelhos tremendo.
Harry estava esparramado na cama, adormecido. Ginny se sentou na ponta da cama e tirou os óculos do rosto dele. Esticou-se sobre ele para colocar os óculos no criado mudo perto da cama. Ginny escorregou pelo colchão e apoiou a cabeça no ombro de Harry. Automaticamente, ele apertou os braços ao redor dela, afundando o rosto em seu cabelo.
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Harry aparatou no caminho atrás do jardim d'A Toca. James estava sentado em uma caixa de areia, cavando habilmente com um caminhãozinho de brinquedo. Harry sorriu perante a visão. Arthur deveria ter comprado para James. Parecia novo. Abriu o portão e caminhou quietamente até a lateral da caixa de areia. Abaixou-se ao lado de James, que ainda não tinha percebido.
- Hey, cara.
A cabeça de James se virou tão rápido que Harry ficou surpreso que ele não tivesse se machucado.
- PAPA! – James escalou a lateral da caixa de areia e se jogou nos braços de Harry. – Papapapapapa! – tagarelou.
Harry se ergueu, abraçando apertadamente o corpinho robusto, inalando o cheiro de menino suado, biscoitos e geleia de morango. Ficou maravilhado com o quanto James tinha crescido no último mês.
- Senti sua falta. – murmurou, sem ter certeza de que James entendia, mas precisando dizer. Harry depositou um beijo no alto da cabeça de James.
As mãos gordinhas de James estavam enroscadas nas dobras da camiseta de Harry. Cuidadosamente, soltou as mãos gordinhas de sua camiseta e colocou o menininho no antigo berço. A boca de James se abriu com sono, e Harry se sentou na poltrona observando-o dormindo, jurando ver James todos os dias até ter que partir. Harry se inclinou para perto do berço.
- Hey, James. Você tem um novo irmãozinho. – Harry acariciou o cabelo fofo de James. – Ele é realmente pequeno agora, então sua mamãe e eu temos que passar muito tempo com ele. Mas isso não quer dizer que te amamos menos. – se inclinou e depositou um beijo na cabeça de James.
Harry desceu as escadas e foi para a cozinha.
- Ele está dormindo. – disse a Molly. – Eu volto amanhã na hora do almoço.
- Tudo bem. – Molly passou uma cesta para Harry. – Coloquei o jantar de vocês aí.
- Obrigado. – Harry deu um sorriso de gratidão para Molly. – Eu me lembro da meleca que serviram quando James nasceu.
Harry atravessou o jardim e foi para o caminho atrás da casa.
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Comeram o jantar em turnos; um ficava com o bebê, enquanto o outro comia tão rápido que Harry duvidava que eles, de fato, sentissem o gosto da comida. Antes de Shanti encerrar o dia, ela os reuniu no quarto de Ginny e fechou a porta.
- Essa noite, vocês dois vão se revezar para alimentar o bebê. Eu não quero ouvir Sarah, Ewan ou Maggie falando que vocês dois foram ao quarto juntos durante a noite. Se eu descobrir que vocês foram juntos àquele quarto entre as dez da noite e seis da manhã, prometo que vou fazer o cabelo de vocês ficar azul. - apontou a varinha para o pulso direito de Harry. Um bracelete igual ao que Ginny tinha, apareceu no pulso de Harry. Shanti acenou a varinha para o pulso de Ginny, e depois para o de Harry. – Pronto. O alarme está programado para alternar. Há leite o bastante armazenado para que Ginny não precise se levantar o tempo todo. – Shanti começou a sair do quarto. – Vocês dois são os piores pacientes que eu já tive. – olhou feio para cada um deles. – E isso inclui Hermione! – Shanti abriu a porta e a fechou firmemente, deixando Harry e Ginny sentados lado a lado, de boca aberta.
- Qual será que vai tocar primeiro? – Harry se perguntou, erguendo o pulso. O bracelete tinha seu nome, o de Ginny e a data de nascimento do bebê.
- Só teremos que descobrir. – Ginny bocejou, se deitando na cama.
Harry a observou piscar sonolentamente para ele. Olhou por cima do ombro. A porta estava fechada e Harry sabia que ninguém no corredor os ouviria.
- Então... – Harry se inclinou para tirar o tênis e tirar o jeans. Desabotoou sua camisa, se concentrando em cada botão, tentando conseguir tempo para pensar. Vá em frente. Apenas conte a ela onde esteve e por que. E quem. Mesmo que você não diga mais nada, ela merece saber com quem você está lidando. O último botão passou pelo buraco e Harry a pendurou na cadeira. Deitou-se de lado na cama, seus dedos afastando o cabelo do rosto de Ginny. Pigarreou. – Então... – começou de novo.
- Então...?
- Eu... Uh... Isso é.. – Harry gaguejou. As palavras que estava esperando há meses para contar a ela estavam presas em sua garganta. – Nós devíamos escolher um nome para o bebê. – disse apressadamente.
Ginny o olhou em descrença.
- Tudo bem. – disse. – O que tem em mente?
- Você tem que prometer que não vai rir. – Harry murmurou.
- Estou cansada demais para rir. – Ginny prometeu.
Harry girou o bracelete ao redor de seu pulso.
- Albus.
Os olhos de Ginny se abriram.
- O quê?
- Albus. – Harry repetiu.
- Você quer que ele apanhe durante o recreio na escola?
- Quem vai bater nele por ter o nome de um dos melhores diretos de Hogwarts em Hogwarts? – Harry quis saber
- Eu quis dizer quando ele for para o primário. – Ginny explicou.
- Não temos que chamá-lo de Albus o tempo todo. – Harry arguiu. – Podemos chamar de "Al".
- E o segundo nome? – Ginny perguntou cautelosamente, como se não quisesse realmente saber.
- Severus. – Harry disse quietamente.
Ginny se sentou.
- Severus? Você perdeu sua maldita cabeça?
- Não que eu saiba. – Harry suspirou. Sabia que seria difícil sugerir esse nome.
- Por quê? – Ginny perguntou enfaticamente. – Por que você quer dar o nome de um assassino ao nosso filho?
- Ele não era um assassino. – Harry respondeu. – Você sabe disso. Todo mundo sabe disso.
- Ele tentou trocar a sua vida pela da sua mãe. – Ginny o lembrou. Ele tinha passado uma tarde toda, antes de ela voltar para a escola, lhe contando sobre as memórias de Snape.
- Ele me manteve vivo. – Harry retorquiu. – Quando ele fugiu de Hogwarts depois da morte de Dumbledore, ele ainda estava me ensinado, mas eu estava muito bravo e magoado para ver isso. – traçou as linhas da palma da mão de Ginny. – Mesmo quando eu estava procurando pelas Horcruxes, ele ajudou. Um grande risco pessoal, tenho que dizer.
- Ainda assim. – as esquinas dos lábios de Ginny se viraram para baixo.
- Eu quero fazer isso pela minha mãe. – Harry admitiu.
Ginny ficou surpresa.
- Se quer dar um nome para homenagear sua mãe, podemos usar o nome de solteira dela... Não era Evans?
Harry balançou a cabeça teimosamente.
- Não. Tem que ser Severus. Minha mãe era a única pessoa que ele amou incondicionalmente. E ela o amava, também. Até que ele se perdeu demais... – Harry engasgou. Engoliu o nó em sua garganta.
Ginny se sentou com pernas de índio no meio da cama, olhando para Harry.
- Esses dois quase te mataram. – finalmente disse. – Mais de uma vez.
- Eu não estaria aqui se não fosse por eles.
- Por que isso é tão importante para você?
- Eu te disse. Dar o nome de Snape para ele, é por minha mãe. Eu não acho que ele deva ser esquecido. – Harry esfregou os olhos cansados. Nunca tinha contado a Ginny sobre o funeral de Snape. De todas as coisas naqueles dias terríveis das quais Harry não se lembrava, ele conseguia se lembrar claramente do funeral de Snape. Não havia mais ninguém lá. Harry tinha mandado enterrar Snape no mesmo cemitério em que seus pais estavam enterrados. Todo ano ele ia prestar seu respeito à Snape, sentando-se em frente ao túmulo, olhando para a lápide simples até seus olhos doerem. – Eu preciso fazer isso, Gin.
Ginny puxou os joelhos contra o peito. O bracelete de Harry começou a vibrar, e ele suspirou, se levantando. Ele saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Ela olhou para a porta. Honestamente, tinha esperado que ele fosse querer usar Remus. Harry era do tipo de usar nomes como uma maneira de se lembrar das pessoas. O nome de James era uma prova disso, carregando os nomes do pai e do padrinho de Harry. Ginny tinha pensado que Harry ia querer usar Remus pelo simples motivo de que Remus tinha preenchido aquela lacuna paternal depois da morte de Sirius.
Quase uma hora mais tarde, Harry voltou para o quarto, carregando um forte cheiro de talco. Ginny o observou tirar o jeans e se deitar na cama. Mamãe sempre me disse que casamento é sobre aceitação, pensou.
Ginny pigarreou.
- Tudo bem. – disse. – Se significa tanto para você.
Os olhos de Harry procuraram os dela.
- Você está bem com isso?
Ginny soltou o ar com força pelo nariz.
- Não realmente. – emoldurou o rosto de Harry. – Mas é isso o que você quer.
Os olhos de Harry se fecharam brevemente, e pegou a mão de Ginny, beijando a palma.
- Obrigado.
Continua...
N/T: Obrigada pelos comentários.
A tradução do título do capítulo é algo como "por centímetros". Acho que uma adaptação disso seria um "por pouco".
Enfim. Até semana que vem.
