Capítulo XII
Névoa e Escuridão
Londres, agosto de 1995
Fazia uma noite amena para um dia de verão. Em meio a escuridão, uma figura de vestes negras caminhava quase imperceptível por uma rua deserta, iluminada suavemente pela luz do luar, como um fantasma em meio a escuridão. A longa capa negra balançava a altura das canelas, encobrindo seu corpo por completo, e seu rosto estava oculto sob um capuz. Trazia na mão direita um objeto afilado e alongado, que para as pessoas comuns, também conhecidas como trouxas, passaria indiscutivelmente despercebido. Ela andava rápido, como se estivesse preocupada com alguma coisa. Parecia estar atenta a qualquer ruído que pudesse romper o silêncio da madrugada.
Repentinamente, uma densa neblina caiu sobre o local, trazendo consigo um frio arrepiante, que transformou a rua num lugar sombrio e assustador. Seria difícil enxergar qualquer coisa além de dois metros de distância. A figura de negro estacou instintivamente no meio da rua, a varinha em punho, e do nada surgiram mais cinco figuras encapuzadas trajando longas vestes negras e máscaras sobre o rosto.
Diversos feixes de luzes coloridas cortaram a escuridão por alguns minutos e quando cessaram, algumas gargalhadas ecoaram pela escuridão, quebrando o gélido silêncio. As cinco figuras negras entreolharam-se brevemente e desaparataram dali, deixando um corpo inerte no chão. O rosto já não estava mais coberto pelo capuz, revelando os traços belos e delicados de uma jovem mulher. Seus olhos estavam cerrados e um leve risco de sangue escorria pelo canto de sua boca pálida.
- SOFIAAAA! NÃO! – Peter acordou assustado com o som de seu próprio grito. Levantou rapidamente da poltrona onde havia cochilado, esfregando as mãos nervosamente no rosto e tatear a capa atrás de sua varinha, percebeu que Sirius e Lupin estavam intrigados a observá-lo.
- Sofia está em perigo... Preciso ajudá-la! – o auror comentou, aflito, endo o olhar inquisitivo dos aos dois, enquanto vestia sua capa e se preparava para ir atrás de sua noiva.
Lupin se aproximou do jovem pousando as mãos em seus ombros.
- Você tem certeza Edwards? O que você viu? – perguntou Lupin extremamente preocupado.
- É claro que tenho, Remus – disse Peter furioso dando as costas para o amigo e seguindo em direção a porta de saída da Mansão Black.
- Calma rapaz, eu acredito no que está dizendo, mas se você sair daqui descontrolado desse jeito, não poderá ajudá-la. Fique aqui até se acalmar que eu irei atrás dela. Você chegou a ver onde ela estava?
- Eu não vou ficar aqui parado enquanto Sofia está em perigo! Haviam cinco comensais e ela estava numa rua completamente deserta... Aqueles covardes! – o rapaz cerrou os punhos com raiva e apertou a varinha com força entre os dedos – Não sei nem se ela está... - um nó se formou na garganta ao cogitar a possibilidade de Sofia não estar mais viva e lágrimas brotaram em seus olhos.
Sirius se aproximou cautelosamente de Peter e o segurou pelo braço, impedindo que ele deixasse a sala.
- Edwards! Alastor está de guarda hoje. Avisarei ele agora mesmo sobre o acontecido. Não faz muito tempo que assumiu o posto de Sofia... – Sirius suspirou antes de continuar – provavelmente ela ainda estava próxima do Ministério quando tudo aconteceu, se é que realmente aconteceu alguma coisa... Vamos torcer para que isso tudo tenha sido apenas um pesadelo e que em alguns minutos ela entre por essa porta.
Sirius agitou a varinha no ar com o braço livre, mandando uma mensagem via patrono para Moody:
- Expecto Patronum!
"Acreditamos que Sofia tenha sido atacada nas proximidades do Ministério, logo após deixar seu turno de guarda. Precisamos de sua ajuda"
- Agora, acalme-se! Alastor irá encontrá-la... Tenho certeza! – disse Sirius ao soltar o braço de Peter. O auror, no entanto, não conseguia manter a calma e não ficaria ali esperando por notícias. Queria ir atrás de Sofia... E foi o que tentou fazer, antes que Lupin apontasse a varinha em sua direção, disparando um feitiço não-verbal atordoante, para impedir que tentasse deixar Grimmauld Place outra vez.
- Sinto muito por isso Edwards, mas pode ser uma armadilha... - disse Lupin chateado pelo que acabara de fazer – Você sabe que Vol... Bem, você sabe que ele faria de tudo para descobrir a localização da sede da Ordem e não podemos arriscar.
- Não me importa se é uma armadilha ou não! É a vida da Sofie que está em jogo! Não me peça para ter paciência... Vou atrás dela agora mesmo e vocês não vão me imp...
Nesse instante, um urso de fumaça prateada invadiu o aposento e a voz de Moody ecoou pelo ar:
"Sofia foi encontrada nas proximidades do Ministério e encaminhada ao St. Mungus. Ainda não sabemos a real gravidade de seus ferimentos"
Peter empalideceu ao escutar a mensagem, mas ainda estava atordoado pelo feitiço de Lupin e se deixou cair sobre a poltrona.
- Desgraçados, eles me pagam! – Peter exclamou furioso, escondendo o rosto com as mãos sem conseguir conter as lágrimas.
- Eu vou com você rapaz! E você Sirius vai ficar aqui e nem precisamos discutir novamente o porquê – Lupin disse rapidamente ao perceber que Sirius estava pronto para sair com eles.
- Não me venha com essa, Remus. Não vou abandonar Sofia agora... Eu arriscaria minha vida por ela se fosse preciso, você sabe... Não é todo dia que a gente encontra um Black por quem valha a pena morrer... – disse Sirius indignado com a atitude de Lupin.
- Ela saberá o quanto você se preocupa com ela, meu caro Sirius – alguém diz calmamente ao entrar na sala.
- Professor Dumbledore! – os três exclamaram juntos, ao ver o bruxo parado na porta.
- Vim para cá, assim que soube do ataque – disse Dumbledore para Peter, com seriedade na voz.
- Remus, vá com Edwards até o St. Mungus... Eu e Sirius ficaremos aqui aguardando notícias.
Uma expressão de descontentamento se formou no rosto de Sirius, mas ele acatou a ordem sem questionamentos. Peter e Lupin saíram imediatamente da mansão e desaparatam em seguida para o St. Mungus.
Felizmente, os ferimentos de Sofia não foram muito graves e após alguns dias de tratamento e repouso absoluto, contra a vontade dela é claro, já estava completamente recuperada e pronta para voltar as suas atividades. No entanto, como não conseguira recuperar-se a tempo para o início do ano letivo, o ministério interviu em Hogwarts, não permitindo que esta regressasse ao castelo e assumisse o cargo de professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, nem mesmo sua antiga disciplina de Duelos, agora extinta por ordem da Inquisitora Dolores Umbridge. Dumbledore estava de mãos atadas e não havia nada que pudesse ser feito, o Ministério da Magia era quem controlava a escola, agora.
