Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ariel, Carite e Aaliah, que são criações únicas e exclusivas para essa saga.


Boa Leitura!


Capitulo 14: Vidas Encaminhadas.

I – Um Dia Ensolarado.

-Não se importa mesmo de esperar? –Ariel perguntou hesitante.

Não muito longe da praia, Ariel e Carite haviam alugado um apartamento onde viviam juntas. Como Ariel e Sorento haviam decidido que passariam o dia juntos, Ariel fora para casa se trocar e Sorento lhe acompanhara.

-Não, fique tranqüila; ele respondeu com um doce sorriso, sentando-se no sofá que ela lhe indicara.

-Está certo, prometo não demorar; ela falou, afastando-se em direção a seu quarto.

Não era um apartamento muito grande, possuía três quartos de tamanho médio, dois deles eram ocupados por Carite e Ariel, o ultimo era uma espécie de sala de musicas, aonde ambas ensaiavam quando não estavam no conservatório.

Sorento recostou-se no sofá, deixando os olhos correrem pelo ambiente. As paredes da sala foram pintadas de um azul bem suave, como o mar em um dia de verão; ele pensou, com um meio sorriso notando que a jovem não exagerara quando dissera que realmente amava o mar, a sua frente havia uma estante com livros e um aparador com porta-retratos.

Franziu o cenho, levantando-se e caminhando até lá. Observou atentamente os três porta-retratos que estavam em cima do aparador. Mas o que mais lhe chamou a atenção foi um que Ariel estava sentada na beira da praia.

Deveria ser uma tarde de primavera, o sol já dava sinais de se retirar, os longos cabelos esvoaçavam com o vento. Os orbes violeta estavam vagos, como se procurassem na imensidão do mar aquilo que tanto esperava encontrar. As mãos delicadamente pousadas sobre o colo segurando algo que lhe chamou a atenção, abaixo de suas mãos estava uma flauta de siringe, porém não conseguia enxergar direito, mas havia algo escrito.

-Sirene; uma voz pareceu lhe sussurrar ao pé do ouvido.

-Sirene; Sorento murmurou, olhando com mais atenção a foto.

Fechou os olhos, era como se sentisse novamente aquele cheiro de mar, ouvindo as ondas calmas baterem de encontro a alguns corais.

-Lembrança do Sorento -

A lua cheia brilhava imponente no céu, mas suas atenções foram direcionadas para algo que nem a natureza se comparava, com os orbes serrados não mais ouvia a musica que extraia do delicado instrumento de siringe, todos os seus pensamentos foram obliterados ao vê-la se aproximar. Os longos cabelos negros estavam molhados, porém não menos encantadores quanto o brilho intenso dos orbes violeta, mas havia algo diferente, não sabia se era o ar noturno que a deixava mais perfeita, ou a delicada coroa de margaridas que jazia sobre a cabeça, entrelaçadas em alguns fios.

Ela falou algo que de imediato não conseguia entender, apenas retornou a tocar, sentindo o coração bater cada vez mais rápido.

Viu-a mover-se com calma e leveza, sentando-se numa pedra próxima a si, num rápido movimento deixou que a cauda ficasse estendida sobre a pedra, refletindo a luz da lua na água com um brilho prateado.

-"Mais linda do que Afrodite"; ele pensou, enquanto levava novamente aos lábios a flauta, deixando que seus pensamentos voassem, levando até os ouvidos da jovem aquela melodia que transmitia todos os seus sentimentos.

-Fim da Lembrança do Sorento-

-Sorento; Ariel chamou, colocando a mão sobre o ombro do jovem, vendo que ele parecia estar longe.

-Uh! –ele murmurou, voltando-se para ela, piscou duas vezes, fazendo seus olhos voltarem ao faço.

-Parecia longe, aconteceu alguma coisa? –ela perguntou com ar sereno, notando que ele ainda tinha em mãos o porta-retrato.

-Ahn! Desculpe, estava vendo; Sorento respondeu com um sorriso sem graça, apontando o porta-retratos.

-Tudo bem; Ariel respondeu. –Tirei essa foto há alguns anos atrás; ela comentou.

-O que procurava? –Sorento perguntou intrigado, voltando-se com um olhar enigmático para a jovem.

Ariel pareceu surpresa, ninguém nunca lhe perguntara sobre aquela foto, mas sempre fora assim. Desde pequena, sentava-se na frente do mar apenas o observando, esperando. O que? –nunca descobrira, mas toda vez que olhava o mar, sentia que algo vindo dele lhe completaria, mas não sabia mais pelo que esperar. Tornando aquela busca intima, quase sem fim.

-Lembrança da Ariel-

-Queria que soubesse que não importa onde eu esteja, eu sempre vou te amar; ela falou sorrindo.

-O que está acontecendo? Porque disse isso? – ele perguntou sentindo uma onda de aflição lhe tomar.

-Quero que você lute para ser feliz e viva por nós dois a partir de agora; ela disse tocando carinhosamente a face do jovem.

-Não me deixe; Sorento pediu suplicante, enquanto mais e mais lagrimas caiam de seus olhos.

-Fim da Lembrança da Ariel -

-Você; ela respondeu, fechou os olhos, levando a mão à testa sentindo uma breve tontura.

Sorento aproximou-se prontamente, impedindo que ela caísse.

-Ariel; ele falou preocupado, suspendendo-a do chão e colocando-a suavemente sobre o sofá. –O que foi? –Sorento perguntou, tocando-lhe a testa, comprovando que ela não estava com febre, nada que pudesse dizer qual a fonte do mal estar.

-Foi só uma tontura; Ariel respondeu abrindo os olhos. Sorento lhe fitou com preocupação.

Um flash estalou na mente da jovem fazendo com que ela fechasse os orbes novamente. Aquele olhar, o conhecia a muito.

-Lembrança da Ariel-

-Entenda, há coisas que não podemos mudar; ela disse sorrindo conformada.

Antes que qualquer coisa pudesse ser dita, os lábios de Sorento foram tomados pelos de Ariel, num toque inocente e puro. Repleto de saudades que eles ainda estavam por sentir. Aquela era uma despedida e ambos sabiam disso.

Sentir o calor dos lábios do jovem contra os seus era a única coisa que acalentaria seu coração, já estava preparada para abdicar da própria vida se fosse pra trazê-lo de volta e agora chegara a hora de efetuar a troca. Sentiu-o começar a retribuir, fechando os orbes confusos e estreitando-a em um abraço carinhoso.

-Fim da Lembrança de Ariel-

-Seus olhos; ela falou, tocando-lhe a face carinhosamente.

-Uh? –ele murmurou confuso, sentando-se ao lado da jovem.

-Senti falta deles; ela continuou, deixando a ponta dos dedos correrem com suavidade pela face do jovem, vendo-o fechar os olhos. –Desse brilho... Senti saudades; Ariel falou.

Sorento abriu os olhos, tentando entender a que ela se referia, mas ao fitar-lhe atentamente, conseguia ver que não era para si que ela olhava, mas sim, algo em si.

-O que quer dizer? –ele não se conteve em perguntar.

-Uh! –ela murmurou confusa, piscando algumas vezes, notando que tinha sua mão sobre a face do jovem e ele lhe olhava com curiosidade. –Desculpe, mas o que disse? –Ariel perguntou, puxando a mão, com a face corada, sem entender o que estava fazendo com ela ali.

-"Ela não lembra?"; Sorento pensou, intrigado. -Você passou mal, esta se sentindo bem? –ele perguntou preocupado.

-Estou, acho que podemos ir; ela falou sorrindo.

-...; Sorento assentiu, levantando-se e estendendo a mão para a jovem.

Em seguida os dois já se punham a caminho do conservatório. Sem notar que eram seguidos pelo olhar atento de alguém que não parecia nada contente.

-"Aproveite enquanto pode sereia, pois de você eu ainda não me esqueci"; a mulher de longos cabelos dourados e orbes azuis pensou, deixando que em seus olhos um brilho avermelhado passasse, antes de desaparecer dali.

II – Pelo Que Falar.

Já fazia alguns minutos que estavam andando pela vila próximo ao santuário. Desde que ela chegara era assim, vez ou outra iam até lá apenas para ver o tempo passar.

Ir, não seria bem o termo certo a ser usado; Shaka pensou, enquanto era arrastado por uma Aaliah nem um pouco paciente por algumas lojas do vilarejo.

-Vamos Shaka, não seja mau; Aaliah falou com olhar pidão.

-Mas...; ele tentou contestar, com um olhar desesperado.

-Por favor; ela pediu, fazendo beicinho.

-Está certo, vamos logo então; ele falou, dando-se por vencido.

Já era a quita vez só essa semana que era arrastado para a floricultura pela jovem, era sempre a mesma coisa, Aaliah lhe prometia que só entraria para olhar, mas no final era ele a sair carregando dali uma porção de vasos e mudas de flores que ela pretendia plantar no jardim.

–"Espero não me arrepender... De novo"; Shaka pensou, passando a mão nervosamente pelos cabelos, para acertar a franja que caia na testa.

-Obrigada; ela falou sorrindo, lançando-se nos braços do cavaleiro e pendurando-se sobre seu pescoço.

Shaka prendeu a respiração pela surpresa. Apesar de estar começando... Apenas começando a se acostumar com o gênio impulsivo da jovem, essas demonstrações de afeto declarado ainda o deixavam confuso e atordoado.

-Ahn! Aaliah; ele falou, colocando a jovem novamente no chão. –As pessoas estão olhando; Shaka comentou sem graça, ao notar que algumas pessoas nada discretas estavam lançando alguns olhares nada decentes aos dois.

-E? –ela perguntou arqueando a sobrancelha e cruzando os braços na frente de corpo, os orbes amendoados cintilaram.

-Bem...; ela o cortou.

-Você se importa?

-Não, mas...;

-Então; Aaliah deu de ombros, mas ao ver um grupo de rapazes passarem por eles cochichando algo que ela não pode ouvir, voltou-se para Shaka que tinha uma veinha saltando na testa e que possivelmente tinha o desejo assassino de usar o Tesou dos Céus neles, pois ouvira o que eles falaram. –As pessoas gostam muito de falar; Aaliah comentou casualmente.

-Como? –Shaka perguntou confuso, voltando-se para ela, que brincava distraidamente com uma mecha azulada que caia-lhe no ombro.

-Se elas gostam tanto de falar dê um motivo a elas; ela completou como se fosse a coisa mais normal do mundo.

-Não entendo...; Ele falou, parando o pensamento ao meio, ao notar a jovem aproximar-se de si, parando a sua frente.

-Algumas pessoas têm o péssimo habito de falar da vida dos outros e não olharem as próprias, se isso lhe incomoda, de realmente um motivo valido para elas comentarem; Aaliah falou.

-Aonde quer chegar com isso Aaliah? –Shaka perguntou, suando frio.

-Nisso; ela respondeu com um sorriso maroto, puxando-o para perto de si pela gola da camisa.

Na surpresa o cavaleiro não ofereceu resistência, enlaçando-o pelo pescoço, Aaliah selou seus lábios num beijo intenso e nada casto, dominando completamente a situação.

Atônito o cavaleiro aos poucos cedeu, enlaçando-a pela cintura e puxando-a para mais perto de si, colando seus corpos um de encontro ao outro. Agora sim as pessoas que os viam teriam um bom motivo para comentar.

Os dedos da jovem delicadamente entrelaçaram-se entre as madeixas douradas. Sentiu uma leve pressão na cintura, quando o cavaleiro estreitou mais o abraço. Nenhum dos dois parecia mais se importar com o que estava a sua volta, deixando-se levar por aquele momento.

Deixou uma das mãos correrem pelas costas esguias, sentindo-a estremecer. Nunca se sentira tão vivo como agora e isso devia a ela, nada mais a sua volta importava. Separaram-se momentaneamente, mas antes que a jovem pudesse afastar-se, ele puxou-a para mais um beijo, deixando os dedos prenderem-se de forma possessiva entre as madeixas azuladas, tirando-lhe um tímido gemido dos lábios.

Separaram-se ofegantes. Shaka voltou-se para a jovem que tinha a face afogueada e respirava com certa dificuldade. Aquilo fora loucura... Uma deliciosa loucura; o homem mais próximo de Deus não pode deixar de pensar.

-Aaliah...; Ele falou com a voz enrouquecida.

-Xiii; Aaliah falou tocando-lhe os lábios com a ponta dos dedos, aproximou-se do cavaleiro, podendo falar-lhe ao pé do ouvido. –Se ficar se importando com tudo o que as pessoas falam, nunca vai viver; ela completou.

-Mas...; Ele foi contestar, porém a jovem afastou-se puxando-o pela mão.

-Agora vamos logo, se não Isadora não vai guardar por muito tempo as flores que me prometeu; ela falou impaciente, indo em direção a floricultura da amiga.

Shaka balançou a cabeça, ainda não entenderia essas mudanças de humor da jovem, muito menos o que a levava a ser tão impulsiva, não que isso fosse ruim é claro; ele pensou com um meio sorriso enigmático, ainda sentindo entre os lábios o gosto de cereja. Apenas pedia aos deuses que isso não chegasse aos ouvidos de Afrodite, se não, teria sérios problemas, ainda mais agora que Afrodite e Shion andavam competindo pra saber quem era o pai mais 'super protetor' do santuário.

III – Lembranças.

-Ariel, que bom que chegou; uma das jovens que cuidava da manutenção do conservatório falou.

-Bom dia Elen; ela falou sorrindo.

-Bom dia; Elen respondeu. –Mas vejo que esta acompanhada; ela comentou.

-Este é Sorento; Ariel falou visivelmente animada. –Sorento, essa é Elen, uma grande amiga que faz com que todos os espetáculos dêem certo; ela apresentou.

-Imagina, que exagerada; ela falou rindo, embora a face estivesse levemente corada. –Mas é um prazer conhecê-lo;

-Igualmente; Sorento falou numa respeitosa reverência.

-Vai ensaiar hoje Ariel? –Elen perguntou curiosa.

-Vou, e Sorento vai me acompanhar, não é? –ela perguntou voltando-se para o jovem com um doce sorriso.

-Certamente; ele respondeu com um olhar cúmplice a jovem.

-Uhnnnnnn; a jovem murmurou, vendo Ariel corar. –Bom, não vou detê-los mais, tenham um bom dia; ela falou se afastando.

-Igualmente; eles responderam.

-Então, aonde você ensaia? –Sorento perguntou, mantendo a jovem num meio abraço junto de si e andando.

-Lá no jardim; Ariel respondeu.

-No jardim? –ele perguntou arqueando a sobrancelha. Lembrava-se de que quando chegaram, notou que atrás do prédio do conservatório havia um jardim.

-Essas salas são muito apertadas, me sinto presa dentro delas; ela falou, torcendo o nariz.

-Imagino; ele comentou, enquanto rumavam para fora. –A musica em si tem de transmitir liberdade, mas quando você toca um instrumento ou até mesmo canta e não se sente assim, não é capaz de conseguir um resultado muito bom, perdendo a principal essência da melodia; Sorento completou.

-Você é estudante de musica, não é? –Ariel perguntou, lembrando-se da conversa que tiveram durante o jantar, onde o jovem lhe contara que vivera boa parte da vida na Áustria e Grécia, junto com suas viagens pelo mundo.

-Já fui, hoje já não faço mais aulas com freqüência; ele respondeu.

Haviam chegado ao jardim, na verdade parecia mais com um campo verde, com arvores e flores. Um lugar incrivelmente agradável. Caminharam lentamente pelo chão gramado, indo até uma arvore com uma frondosa copa.

Delicadamente a jovem sentou-se ali, tomando o devido cuidado para que a barra do vestido que vestia não levantasse. Sorento a acompanhou, sentando-se ao lado dela.

-Por isso que eu gosto daqui, é um lugar que me da paz; ela comentou, retirando do estojo que tinha em mãos a flauta.

-Realmente; ele comentou, deixando os olhos vagarem por todo o local. Recostou-se sobre o tronco da arvore, junto com a jovem. Mas lançou um olhar curioso ao ver agora de perto a flauta que ela tinha em mãos. –Posso?

-O que? –Ariel perguntou, vendo que ele estendia a mão.

-A flauta. Posso ver? –Sorento perguntou.

-...; A jovem assentiu, entregando-lhe o instrumento.

Um arrepio cruzou as costas do marina, ouviu o próprio coração bater disparado. Observou atentamente a flauta, todos os detalhes, os entalhes, rebaixos e ressaltos. Tocou levemente com a ponta dos dedos a palavra que fora entalhada.

-Acredita que eu ainda não consigo ler isso; Ariel comentou, chamando-lhe a atenção.

-Como? –ele perguntou confuso.

-Disse que ainda não sei o que isso significa; ela falou apontando a palavra. –Ganhei essa flauta de Carite quando era pequena, mas a palavra já estava entalhada, quando perguntei o que era ela não quis me responder, mas sabe que até hoje eu não sei o que está escrito; Ariel falou sorrindo.

-Sirene; Sorento falou com o olhar perdido.

-O que? –ela perguntou confusa, vendo-o acariciar a flauta como se lhe fosse algo muito precioso.

-Está escrito sirene, sirene em grego arcaico significa sereia; ele respondeu.

-Mais bela do que Afrodite; alguém pareceu lhe sussurrar no ouvido. -Ariel;

-Ahn! E seus pais Ariel? –Sorento perguntou de repente, chamando a atenção de Ariel.

-Uh! –ela murmurou surpresa.

-Me desculpe, não precisa responder; Sorento falou sem graça, por tê-la assustado.

-Não. Tudo bem; ela falou, pegando a flauta que ele lhe estendia. –Meus pais morreram muito cedo. Vivíamos em Lavríon (1), tínhamos uma vida modesta, eles sempre gostaram de viver perto do mar, por isso morávamos numa vila que as pessoas basicamente viviam de pesca e do mar, embora tivéssemos parentes em Atenas.

-Porque veio para Atenas, então? –ele perguntou curioso.

-Numa certa noite, começou uma tempestade. Naquela época do ano era normal, mas não foi só isso que aconteceu; ela falou abaixando a cabeça.

-Se não quiser, não precisa continuar; ele falou, tocando-lhe a face delicadamente, notando que aquele assunto a incomodava.

-Esta tudo bem, não tem problema; Ariel respondeu. –Não sei como começou ou o porque, mas a encosta onde vivíamos foi atingida por um maremoto, nunca havia visto ondas tão grandes naquela praia como aquele dia. Meus pais acabaram morrendo me meio a destruição e inundação, e eu, bem... Não faço idéia de como sobrevivi, era pra mim ter morrido aquele dia; ela falou lembrando-se que após o maremoto, fora encontrada completamente ilesa deitada na beira da praia dormindo tranqüilamente como um anjo, embora a sua volta estivesse um completo inferno.

-Deve ter sido difícil pra você, perder os pais, sendo tão nova; ele falou, delicadamente puxando-a para sentar-se em seu colo, acolhendo-a em um abraço carinhoso.

-Foi, mas Carite sempre me apoiou e meus tios também, não me deixando ficar pensando muito nisso; ela falou sorrindo. –Quando crescemos e começamos a trabalhar, alugamos um apartamento próximo a praia e começamos o conservatório, apesar de adorar tocar flauta, minha paixão é cantar; ela confessou.

-Entendo; ele falou num murmúrio, afagando-lhe as melenas. -Então, Carite é sua prima? –Sorento perguntou.

-...; Ariel assentiu. –Bem diferentes não? –ela perguntou divertida, referindo-se a ela e a prima;

-Sem comparação; ele respondeu sorrindo.

-Enfim, minha vida se resume a isso, pelo menos enquanto vivo em Atenas;

-Que bom; ele falou de forma enigmática.

-Porque? –Ariel perguntou confusa.

-Porque você não estivesse aqui, nunca teria te encontrado; ele respondeu, tocando-lhe a face carinhosamente e erguendo-a com a ponta dos dedos.

Roçou-lhe os lábios com suavidade, serrando os orbes, sentindo ambas as respirações se chocarem. Os olhos fecharam-se completamente, sentindo os lábios se tocarem de forma delicada.

Enlaçando-a pela cintura, Sorento, puxou-a para mais perto de si, não encontrando resistência ao fazê-lo. Os braços da jovem enlaçaram-no pelo pescoço, acomodando-se melhor entre os braços do cavaleiro.

Não muito longe dali, duas garotas os observavam, sem serem notadas.

-Pelo visto eles estão se dando bem; Elen comentou, voltando-se para Carite, que assentiu.

-Espero que continuem assim; Carite respondeu com ar sério.

-Acha que Afrodite ainda esta os perseguindo? –Elen perguntou. Embora aparentasse ser uma jovem comum, era completamente o contrario.

-Euterpe (2), sabe muito bem que Afrodite não vai deixá-los em paz; Carite respondeu, referindo-se a musa diretamente. –Depois de tantos séculos Afrodite não desistiu, não vai ser agora;

-Sinto que dessa vez vai ser diferente; a musa flautista comentou. –Não sei o que é, mas vai ser diferente;

-...; Carite assentiu, embora ainda temesse pela vida do casal, conseguia sentir isso também, muitas foram às vezes que vira Ariel com os olhos brilhando de felicidade ao reencontrá-lo e como tornaram-se vagos e sofridos quando o perdia. Mas agora era diferente, ao longo da eternidade nunca tivera tanto essa certeza pulsando em seu coração como agora.

Sem chamar a atenção as duas jovens saíram dali, cada uma com suas próprias duvidas que logo seriam esclarecidas.

Continua...

Domo pessoal

Sinceramente espero que tenham gostado desse capitulo, o fiz com muito carinho. Agora Ariel entra em sua segunda fase, totalmente voltada ao santuário e lógico, a Sorento e Ariel.

Agora personalidades bem interessantes vão dar as caras por aqui, sem contar alguns mistérios ainda não solucionados. Ligações do passado finalmente se revelam.

Enfim, é melhor parar por aqui se não vou estragar a surpresa. Muito obrigada a todos que acompanham essa fic, e um obrigada especial a todos que comentaram no capitulo passado.

Kisus

Já ne...


Nota:

(1) Cidade grega próximo a Atenas.

(2)Euterpe, musa flautista.


Momento Propaganda 1: Aquela com quem eu sonhava. Domo pessoal, sei que já deixei minha predileção por dourados bem declarada, mas não posso deixar de comentar sobre essa fic da Nick, com aspectos mitologicos, uma história rica e muito criativa, sem falar que o protagonista é nada mais anda menos do que o dragão. Sim, Shyriu finalmente vira protagonista e sem Shunrei (nada contra ela, mas tipo, ele precisa de alguém que taque fogo nessa relação). Essa fic eu leio e recomendo.

Momento Propaganda 2: Entrando numa fria. Depois de 'Desejos' a Saory-san se superou, o Oros é muito fofo nessa fic, a história é incrivel e principalmente, mostra um outro lado desse sagitariano que infelizmente não foi possível ver na tv tudo porque o malvado do tio Kuramada matou ele nos primeiros capitulos. Enfim, adoro essa fic, se puderem não deixem de conferir.