Capitulo 14

Edward POV

Ela deve ter visto a fúria em meus olhos pois permaneceu em silêncio por um longo tempo, quando ela voltou a falar suas palavras saiam lentamente e comedidas.

- Pense bem, não seria necessariamente um abandono. O filho dela teria um pai, uma mãe, tios e tias e ainda avós. Você só não se ligaria á eles. É simples! E ela é rica, não precisa de dinheiro. É perfeito!

- Você sabe que isso está fora de cogitação, não é?

- Mais Edward, seria o certo! Eu sou sua namorada, eu não posso aceitar algo como isso. Um filho! Um filho é muita coisa e ocupa muito tempo e espaço... Muda tudo!

Ela realmente tinha um ponto. Um filho muda tudo e eu não havia parado para pensar nessas mudanças até agora, mais de uma coisa eu estava certo: Eu não abriria mão do meu filho!

Essa não era uma opção. E só de imagina que o namorado da Bella o assumiria sem ter nenhuma responsabilidade me corroeu por dentro. Ele não era a pessoa certa para estar ao lado dela e criar meu filho, isso era uma responsabilidade minha! Eu teria que arrumar uma forma de conciliar meu namoro, meu filho e tentar tirar esse cara do meu caminho. Simples.

Bella POV

Quando acordei novamente me senti um pouco grogue. Minha visão estava um pouco turva e eu não conseguia enxergar pouco mais do que borrões a minha volta. Tentei me esforçar um pouco, mas acabei voltando para meu estado inconsciente. Não sei quanto tempo se passou até que eu realmente estivesse acordada por completo, eu podia ver que era noite, mas não sabia informar quantas horas eram.

Ao lado da minha cama estirada em uma poltrona estava Esme. Ela estava acordada e pela forma que me olhava parecia que não dormia há séculos. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, provavelmente de tanto chorar, e havia enormes círculos escuros embaixo de seus olhos. Eu não gostava de vê-la daquela forma.

- Oi, apaguei por muito tempo? – Perguntei para ela, que se deu conta que eu havia acordado. Logo ela estava ao meu lado segurando a minha mão.

- Querida, que bom que você acordou. Você dormiu por algumas horas. O Sam achou melhor te deixar sedada enquanto sua pressão era controlada.

- E agora, como estou?

- Estável, mais ainda sim não podemos correr riscos. Não queremos que você entre em um estado de pré-eclâmpsia. Agora o mais importante é manter sua pressão normal e evitar qualquer tipo de alteração. – Eu pensei por um segundo no que ela havia me dito. Não existiria forma de manter minha calma se eu tivesse que conversar com Edward, e nesse momento meu filho era o mais importante para mim.

- Esme, porque vocês contaram ao Edward sobre a gravidez? – Perguntei querendo saber como estava à situação.

- Bella, não foi um ato premeditado. Ele ficou no hospital a todo o momento e lógico acabou descobrindo. Não havia como esconder dele diante dessa situação.

- Eu sei.

- Querida, quando você vai conversar com ele? – Ela me perguntou esperançosa.

- Eu não pretendo conversar com ele Esme. Pelo menos por enquanto. Como você mesmo me disse tenho que manter a calma e meu filho é minha prioridade.

- Você não pode adiar essa conversa para sempre.

- Não para sempre, mais enquanto for possível ela vai ser adiada. Esme, eu nunca imaginei o quanto o Edward poderia me machucar e sinceramente eu nunca esperei isso dele, mas mesmo assim ele o fez. Eu não sei se posso perdoar isso... Se fosse uma pessoa qualquer seria mais fácil, mas não ele. Não a pessoa que me conhece de toda uma vida.

- Eu imagino meu anjo, e não se preocupe, nós vamos respeitar o seu tempo. Agora você deveria receber algumas de suas visitas.

- Não está muito tarde?

- Ainda não.

(...)

Logo meu quarto começou a ficar movimentado com as visitas. Primeiro foi Alice e Rose, nós não conversamos muito já havia mais pessoas esperando para me ver, e em seguida Emmett, Jasper, Carlisle e Jacob. Todos ficaram pouco e encheram meu quarto com flores. Ninguém comentava nada sobre Edward, o que eu ficava mais do que agradecida. Eu já estava cansada com a rotatividade em meu quarto e já estava quase adormecendo novamente quando a porta se abriu lentamente. Deu para perceber que a pessoa que estava entrando estava tomando o máximo de cuidado possível para não me acordar.

- Hey, porque está entrando tão sorrateiramente em meu quarto? Posso saber? – Ele me olhou um pouco assustado, como uma criança que é pega fazendo algo errado. Não pude evitar e comecei a rir.

- Posso saber o que é tão engraçado? – Ele me pergunta se juntando a mim e rindo também.

- Você Sam, você é engraçado! O jeito como você entrou, parecendo estar fazendo algo muito errado, isso foi engraçado. – Ele veio para o meu lado e me deu um pequeno beijo nos lábios.

- Oi linda, desculpe eu não queria te acordar. Pensei que você estaria dormindo depois de tantas visitas e queria apenas te dar um beijo, mesmo com você dormindo.

- Mas eu não estava dormindo, e convenhamos me beijar quando estou acordada é muito melhor não?

- Muito, muito melhor. E como está nosso garotão? – Ele perguntou passando a mão pela minha barriga.

- Você não sabe se vai ser menino! Pode ser uma linda garotinha. – Disse fazendo bico.

- É claro que pode ser uma linda garotinha, tão linda como a mãe. Cristo, eu iria ter muita dor de cabeça com os garotos... Mais ainda sim, eu sinto que vai ser um menino. Logo nos vamos saber. – Eu adorava quando ele se colocava no futuro do meu filho. Eu adorava como ele nos aceitou tão facilmente.

- Eu não quero saber o sexo do bebê. E você não ouse a me dizer Sam, eu quero esperar para saber no nascimento.

- Bells, eu gostaria de falar com você sobre isso... Eu acharia melhor se você trocasse de médico.

- Mas por quê? Você é o melhor!

- Baby existe milhares de médicos excelentes em NY. Mas como seu namorado, eu não posso continuar sendo seu médico. Mas eu vou continuar acompanhando a gravidez de perto, eu nunca vou sair do seu lado. Eu estarei em todas as consultas e exames, não se preocupe.

- Eu sei. – E eu realmente sabia. Em tão pouco tempo que eu o conhecia, essa era uma das certezas incontestáveis sobre ele.

- Agora tente dormir, você precisa descansar. – Ele me beijou e se sentou na poltrona ao meu lado. Rapidamente minhas pálpebras começaram a pesar. Eu estava à beira da inconsciência quando pensei ter visto um par de olhos verdes na porta me olhando.

Edward POV

Agora eu estava voltando para o hospital. Na noite passada acabei dispensando Tânia para poder pensar em tudo o que estava acontecendo, mas sinceramente, não adiantou muita coisa.

Quando cheguei à sala de espera não havia mudado muita coisa, a não ser pelo acréscimo de Jacob que conversava com meu irmão no momento em que eu entrava.

Fui me sentar perto do meu pai querendo saber sobre tudo o que aconteceu.

- Pai, como a Bella está? – Ele me olhou por um momento e ele parecia muito mais velho. Cansado.

- Não muito bem. O Sam e sua equipe fizeram de tudo para baixar sua pressão, mas agora os resultados vão depender de como ela irá reagir. A única coisa que podemos fazer agora é esperar.

E foi isso que fizemos durante todo o dia. Esperamos. Ocasionalmente o Sam vinha até a sala e dava uma e outra informação. Conversava com meus irmãos e pais, e por incrível que pareça se dava super bem com Jacob.

Já estava á noite quando minha mãe, que havia ficado no quarto com Bella, veio nos avisar que ela estava acordada. Alice e Rosalie se ofereceram para ir vê-la primeiro e minha mãe veio se sentar ao meu lado.

- Mãe, eu quero conversar com ela. – Disse antes dela falar algo.

- Eu sei meu filho, mais você vai ter que esperar.

- Esperar todos vê-la primeiro? – Isso era absurdo, eu deveria estar lá agora.

- Não, Edward. Você vai ter que esperar a Bella decidir quando essa conversa vai acontecer. Ela está muito magoada com você e agora com a pressão instável ela não pode se alterar. Essa situação foi causada por você. Agora só lhe resta ter paciência.

Eu não queria ter paciência, mais sabia que era obrigado a ter. Eu vi todos irem para o quarto dela e voltarem, mais aliviados para ir para casa. E ali estava eu. Parado e impotente. Quando praticamente todos já haviam ido embora o Sam apareceu e conversou um pouco com meu pai. Ao que parecia ele estava indo para sua casa, mas antes passaria no quarto da Bella. E foi quando tive uma idéia.

Assim que ele saiu da sala de espera disse aos meus pais, os únicos que restavam comigo no hospital, que iria dar uma volta. Não foi difícil ver para onde o Sam estava indo. O plano era simples: Eu veria em qual quarto a Bella estava, esperaria ele sair e entraria para conversar com ela.

Após andar alguns minutos ele parou na porta de um quarto e a abriu lentamente. Eu estava de longe, pois não queria que ele me notasse, mais ele estava muito cansado para me notar por ali. Ele entrou no quarto e eu me aproximei rapidamente. A porta estava entreaberta, encostei-me à parede ao seu lado como que não quer nada e comecei a ouvir o que eles estavam dizendo. Apesar de não ser minha intenção inicial eu não perderia essa oportunidade.

- Oi linda, desculpe eu não queria te acordar. Pensei que você estaria dormindo depois de tantas visitas e queria apenas te dar um beijo, mesmo com você dormindo. – Ele disse de forma calma, quase acariciando cada palavra para ela. Não pude evitar revirar meus olhos.

- Mas eu não estava dormindo, e convenhamos me beijar quando estou acordada é muito melhor não?

- Muito, muito melhor. E como está nosso garotão? – Nosso garotão? Nosso?!? O Filho era meu e ele já estava se achando no direito de chamá-lo de "nosso garotão".

- Você não sabe se vai ser menino! Pode ser uma linda garotinha.

- É claro que pode ser uma linda garotinha, tão linda como a mãe. Cristo, eu iria ter muita dor de cabeça com os garotos... Mais ainda sim, eu sinto que vai ser um menino. Logo nós vamos saber. – Eu já estava imaginando uma linda menina com os olhos da Bella quando o restante da frase fez sentido. "Eu iria ter muita dor de cabeça com os garotos". Ele realmente queria fazer parte do futuro dela, e já estava contando em criar meu filho. Como eu poderia ter um lugar na vida do meu filho se ele estaria com o Sam à maior parte do tempo? Ele o chamaria de pai?

- Eu não quero saber o sexo do bebê. E você não ouse a me dizer Sam, eu quero esperar para saber no nascimento.

- Bells, eu gostaria de falar com você sobre isso... Eu acharia melhor se você trocasse de médico.

- Mas por quê? Você é o melhor! – Isso me soava bem. Ele era o melhor, mais não estaria com ela a todo tempo...

- Baby existe milhares de médicos excelentes em NY. Mas como seu namorado, eu não posso continuar sendo seu médico. Mas eu vou continuar acompanhando a gravidez de perto, eu nunca vou sair do seu lado. Eu estarei em todas as consultas e exames, não se preocupe.

- Eu sei. – Ela sabia... Ele já a chamava de Bells, Baby e ainda por cima estaria fazendo parte de toda rotina dela e do nosso filho. Era para eu estar do lado da cama dela nesse momento, era para eu ir a todas as consultas e exames com ela. Mais o máximo que consigo é vê-la escondido.

- Agora tente dormir, você precisa descansar.

Esperei alguns minutos para saber o que mais eles iriam falar, mais ouve apenas o silêncio. Cheguei mais perto da porta que estava um pouco aberta para vê-la... Ela estava com muitos machucados, mais ainda sim me parecia linda! Sua expressão estava serena, e quando ela virou o rosto em direção a porta eu tive a nítida sensação de que ela olhou diretamente para mim. Eu fiquei paralisado. Mas logo ela fechou os olhos e dormiu, e eu? Sai de lá o mais rápido possível.

Voltei para a sala de espera transtornado e triste. Minha mãe estava no mesmo lugar que eu havia a deixado, mais sozinha. Ela me olhou e eu pude ver todo amor que ela sentia por mim refletido em seus olhos... Ela me entendia, ela via que eu estava sofrendo. Sem dizer uma palavra me sentei ao lado dela, encostei minha cabeça em seus ombros e chorei. Chorei como há muito tempo não fazia. Chorei por causa do meu filho. Chorei por ter perdido minha melhor amiga. Chorei por ter perdido a Bella, por ter perdido meu amor.

E me dar conta disso não me fez sentir melhor. Ao contrário, só fez a dor que já estava sentindo aumentar ainda mais. Como eu não pude ver isso antes? Sempre foi ela. Ela que sempre esteve ao meu lado. Ela que sempre me entendeu e apoiou, mesmo quando não estava de acordo. Ela que sempre fez tudo por mim. Ela que agora iria ter o meu filho.

Eu sempre pensei amar Tânia porque era muito fácil. No fim, a Bella sempre preenchia as lacunas do nosso relacionamento, sempre preenchia os espaços vazios da minha vida. Esse tempo sem ela foi tão longo, tão ruim e eu só estraguei as coisas.

Como eu iria consertar as coisas agora? Ela parecia estar tão bem...

- Mãe, o que eu vou fazer?

- Não sei meu filho, mais você tem que fazê-lo rápido. Você sabe o que está em jogo. – Ela me respondeu acariciando minha cabeça.

Eu sabia o que estava em jogo. E minha mãe também. Na verdade ela sempre soube, ela me conhece melhor do que eu mesmo. E agora ela sabia que eu descobri o que ela sempre soube: Eu amava a Bella. Na verdade era mais do que isso. Ela era minha vida.