Encostado à parede, com os braços cruzados e com um pé na parede, encontrava-se um rapaz alto, envolto num manto negro.

O rapaz retirou o manto e Hermione pôde ver Draco Malfoy.

Um Draco Malfoy renascido.

Um Draco Malfoy com o cabelo bem tratado e sobre as orelhas, como tinha no 3º ano em Hogwarts, com vestes dignas de Malfoy e um pequeno sorriso na cara.

Hermione sorriu, mas receosa que aquilo fosse um sonho.

Um sonho com Draco Malfoy.

Draco começou a avançar e só parou quando o seu rosto estava a pouca distância do rosto de Hermione. Lentamente, Draco ergueu a sua mão e tocou no rosto da amada. De seguida, percorreu os seus longos cabelos, sentindo o seu calor.

Hermione fez o mesmo e mesmo tremendo tocou no rosto pálido de Draco e nos seus cabelos loiros.

E ficaram ali, a sentirem-se um ao outro, como se não acreditassem na presença um do outro.

Por fim, o silêncio foi quebrado por uma Fénix em chamas. E como se aquele acontecimento o despertasse Draco beijou Hermione, apaixonadamente.

Três anos.

Durante três anos que Hermione não sentia o calor de Draco. O beijo. E tudo o que ele transmitia. E agora, Hermione sentia isso e muito mais.

Não queria acreditar no que via. No que sentia. No que acontecia. Era bom demais para ser verdade.

Por sua vez, Draco sentia-se completo. Sentia que agora tinha tudo para ser feliz. Tinha a memória de volta, a sua vida de volta e tinha Hermione ao seu lado.

Agora sim, nada nem ninguém os podia separar.

Ele estava novamente vivo.

O beijo terminou e ambos respiraram um pouco e restabeleceram as forças. Sorriram e voltaram-se a beijar. Abraçaram-se fortemente, como se tivessem medo de se separarem, mais uma vez.

Afastaram-se um pouco e olharam-se nos olhos um do outro.

- "Estes olhos castanhos que me fazem derreter" – pensou Draco.

- "Estes olhos cinzas que me fazem gelar e que transmitem ao mesmo tempo tanta paz." – pensou, por sua vez, Hermione.

Hermione começou a chorar. E algo que fez com que o seu choro fosse maior ocorreu.

Draco também começou a chorar.

Draco abraçou fortemente Hermione e elevou-a no ar, docemente.

- "Eu amo-te. Eu amo-te Granger."

- "Oh Draco. És mesmo tu! Eu nem acredito. Se isto é um sonho, eu não quero acordar. Por favor, Draco. Não me deixes."

Draco pousou-a no chão e colocou as suas mãos nos ombros de Hermione.

- "Granger… sou mesmo eu. Vês?" – e arregaçando a manga do braço esquerdo, Hermione visualizou a cicatriz de Draco.

- "És mesmo tu! Eu sei que és. Não era preciso ver essa maldita cicatriz. Eu vi logo que eras tu. Quando me beijaste. Mas é tão bom, para ser verdade."

- "Mas é verdade, Granger. Eu estou aqui. Tu consegues sentir-me, assim como, eu te sinto."

Ambos sorriram e abraçaram-se. De repente, Hermione afastou-se e olhou seriamente para Draco.

- "Mas tu tinhas perdido a memória? Como agora sabes quem eu sou?"

- "É uma longa história. Mas uma história, que sei, que consegues ouvir."

Pegou na mão de Hermione e puxou-a para o cadeirão à frente da secretária de Dumbledore. Depois de Hermione estar instalada, Draco encostou-se à secretária e narrou:

- "De certeza que te lembras do que aconteceu à três anos atrás? Perto daquele abismo? Certo?"

- "Claro que sim, Draco. Foi horrível. Eu senti-me tão perdida. Eu não acreditava que tinhas caído naquele maldito abismo."

- "Eu não me lembro muito bem. Só me lembro de sentir uma dor aguda em todo o meu corpo, principalmente no peito, como se alguém invisível estivesse a esfaquear-me. Uma dor que já conhecia, graças ao teu amiguinho Potter."

Hermione colocou as mãos no rosto e olhou horrorizada para Draco.

- "Draco? Tu foste vitima do feitiço Sectumsempra? Foi esse feitiço que o Lucius lançou? Oh Draco, tu podias ter mesmo morrido. Muito antes da queda. Agora entendo, porque ficaste tão fraco, a cambalear e todo aquele sangue. Eu pensava que o sangue fosse do Lucius ou da Narcisa."

- "O sangue era meu. Eu nem acreditava que estava a sentir aquela dor de novo. Quem me dera que o Snape nunca tivesse inventado aquele feitiço e partilhado com o meu pai."

Draco olhou para o chão. Tinha pronunciado a palavra pai. Mas que pai? Aquilo era pai? Um homem capaz de matar o filho e a mulher? Homer foi mais pai em três anos, do que Lucius em dezassete. De repente, Draco lembrou-se e olhou para Hermione:

- "Ele morreu? Não foi?"

- "Quem?"

- "O Lucius…"

- "Sim, Draco. O Lucius morreu. Foi morto, pela tua mãe."

Draco baixou o olhar e fechou fortemente as mãos, contendo uma raiva suprema.

- "Eu é que o deveria matar. Não a minha mãe. Ela sujou as mãos por minha causa. Não podia. Não podia."

- "Podia sim. Ela é tua mãe. Estava a proteger-te. E, também, estava a defender-se. Ela matou-o em legítima defesa. Foi por isso que ficou livre."

- "Dumbledore contou-me que agora ela anda sempre em viagens. Era isso que eu gostava que ela fizesse comigo. Fico feliz por ela."

- "Mas Draco. Explica-me o resto."

- "Pois… claro. Depois de cair naquele abismo… bem… digamos que não me lembro mesmo de nada. Acho que desmaiei. Quer dizer… lembro-me de cair no rio. De estar a afundar-me naquela escuridão total. De ver o meu sangue por todo o lado. Depois, não me lembro de nada. Mas ao que parece dei à costa e Homer ajudou-me. Dumbledore esclareceu-me as dúvidas. Tive uma sorte dos diabos. Aquele abismo é assombroso. Podia ter morrido, mas isso não aconteceu. Sou um Malfoy, apesar de tudo."

Hermione sorriu e Draco também.

- "E depois fiquei cinco meses inconsciente. Os muggles dizem, estar em cama …ou de cama. É ficar tipo adormecido."

- "Estar em coma, Draco. Estar em coma. Eu conheço isso. O estado de coma é quando alguém perde completa ou parcialmente a consciência, não tem reacções nervosas ou reage pouco ao estímulo externo. Os comas mais profundos podem durar anos. O que não foi o teu caso."

- "Como é que sabes isso tudo, Granger?"

- "Não sei se te lembras, mas os meus pais são muggles. E são dentistas. Conheço muito bem a medicina de muggles."

Draco olhou para Hermione. E esta reparou que se fosse em outros tempos Draco iria chamá-la de sangue de lama e cuspir-lhe na cara. Mas, naquele momento, o que recebeu foi um simples e puro sorriso.

- "Os teus pais devem ser boas pessoas." – Draco desviou o olhar e corou. O lado negro de Malfoy ainda não estava habituado a elogiar muggles. – "Bem… fiquei em coma. E durante esses meses só sonhava contigo e na falta que me fazias. Sentia um vazio. Sentia-me morto, apesar de sentir o meu coração a bater. Soube que uma força poderosa estava a tentar entrar na minha mente. Vasculhou todos os meus pensamentos e memórias. Apesar de estar fraco e inconsciente sentia e via isso por dentro. Também sentia o amor que um desconhecido me dava todos os dias. A preocupação que transmitia, mesmo desconhecendo a minha vida. Apesar de estar naquele sono ouvia as conversas dele. As conversas que ele tinha comigo, apesar de eu não responder. " – Draco sentia saudades daquela pessoa. Daquele velhote que durante três anos, foi amigo, ouvinte e sobretudo pai.

Vendo a fraqueza de Draco, Hermione pousou a sua mão na perna de Draco e docemente pediu:

- "Continua Draco. Eu estou aqui."

Assentindo com a cabeça, Draco prosseguiu:

- "Eu não sabia quem era ele. Mas estava agradecido. Eu lutava, também, para melhorar. Mas estando num sono profundo, não podia fazer muito. As minhas feridas exteriores estavam a ser tratadas, por Homer. Por isso concentrei-me na minha ferida interior. Na ferida que tinha, originada pela falta que me fazias. Eu pensava só em ti. No que passámos juntos. Mas, um dia, essas memórias foram apagadas."

- "Imagino que deves estar furioso, Draco. Eu ao princípio também fiquei. Mas, agora, entendo o que Homer fez. Ele gostava de ti como filho e sabia que ao recuperares irias partir. Tenta compreender. Não ofendes a alma dele."

Draco gargalhou, fazendo Hermione estremecer.

- "Mas Granger…eu compreendo. Aí está o pormenor. Eu entendo. E não o censuro. Nem estou zangado com tal acto. Só tenho é que agradecer. Conviver com Homer, fez-me bem. Senti o que era ter um pai. Um pai de verdade. Era isso que precisava. Estás surpreendida com o novo Draco?"

Hermione anuiu com a cabeça.

- "Depois acordei. Fraco, mas acordei. Não sabia onde estava. Quem era aquele homem e elfos. Não sabia quem eu era. Pronto... o resto da história, sabes. O Homer inventou aquela tagarelice que os meus pais tinham morrido e que eu me chamava Scorpius… bla bla bla. E assim vivi, durante três anos. Vivi acompanhado por um homem que me amava, que dava todo o conforto, que me ensinou montes de feitiços novos, que me protegia, que me dava alento. Mas também, durante três anos sonhava com uma rapariga de cabelos longos, com um lago e sentia saudade, sentia amor e não sabia explicar tal coisa. Só hoje é que percebi que até feitiços poderosos têm as suas falhas. O feitiço pode ser poderoso, mas os sentimentos permanecem nos portadores. Os sentimentos verdadeiros. Eu podia ter perdido a memória, mas o meu amor por ti, ainda continuava. Porque era verdadeiro e forte, Granger."

Hermione soluçou e limpou as teimosas lágrimas que tentavam percorrer o seu rosto.

- "Naquele dia em que te vi. Quando o Garrow apareceu. Eu fui ao teu quarto e vi desenhos. Desenhos de uma rapariga com cabelo longo sentada, perto num lago, ao luar."

- "Eras tu, Granger. Eu sonhava contigo. O que eu sentia era amor, saudade por ti. Agora, tudo faz sentido. Agora que tenho a minha memória de volta junto todo o puzzle. Apesar de ter perdido a memória continuava a ver-te nos meus sonhos. A amar-te, mesmo desconhecendo esse sentimento. Eu chorava, sem saber o porquê. Depois, decidi contar estes sonhos ao Homer, mas quando o encontrei já estava caído no meio do jardim, morto. Junto das flores que tanto gostava. Ele já era muito velho, e eu sabia, que dia menos dia ele iria falecer. Fiquei destroçado e deixei de lado, os sonhos com a misteriosa rapariga e deixei de andar com o colar."

Draco levantou-se e começou a andar de um lado para o outro.

- "Depois, apareceste. Ali estavas tu. Ao ouvir o teu nome, senti que o já conhecia. Que te já conhecia. Desejei abraçar-te, beijar-te, apesar de não te conhecer. Mas optei, por te mandar para a rua. E depois quando te vi, a partir, comecei a chorar, a sentir dor… uma dor de perda. E eu não compreendia nada."

- "Oh Dracooo"

Hermione cercou a cintura de Draco e beijou-lhe o ombro. Este aproveitando estar de costas para Hermione, começou a chorar silenciosamente.

- "Eu sabia que te conhecia. Tu eras a rapariga dos meus sonhos. E soube perfeitamente, que tinhas ido lá a casa mais uma vez. Eu vi-te a correr na floresta. Eu vi-te a correr ali ao luar. A fugir de mim. E foi aí, que me lembrei." – Draco encostou a sua mão nas mãos de Hermione e recordando a noite passada, narrou:

O candeeiro a óleo, não iluminava muito mas graças a ele, Scorpius ainda conseguiu visualizar uma silhueta esbelta de cabelos longos, a desaparecer.

A silhueta dos seus sonhos.

Subitamente, Scorpius teve um prol de acontecimentos, de memórias na sua mente.

- "Quem és tu?"

- "Sou aquele que te salvou, aquele que teve pena de te ver morrer. Salvei-te…nada mais."

- "Obrigado!"

- "De nada Granger"

(…)

- "Malfoy…PÁRA. Estás a destruir o corredor."

- "EU QUERO LÁ SABER DO CORREDOR…ESTOU A LIXAR-ME".

-"Draco, calma. Queres ajuda? Pára quieto. Vais arranjar sarilhos e além disso és chefe de turma…é este o exemplo que queres dar?"

- "Não sejas falsa. Tu não queres ajudar-me! Tu e os teus amigos querem a minha ruína e acredita que estão próximos de a ver. Pensei que fosses diferente, mas pelos vistos não és. Vocês não aceitam…snif…erros que as pessoas cometem no passado. Para vocês pessoas boas são aquelas que sempre foram assim." – Draco encostou-se á parede. Encontrava-se cansado de tanto gritar, mas com a varinha a apontar para Hermione.

- "Eu sei que fui parva, eu ter dito aquilo foi um erro. Desculpa. Mas só disse o que pensava. Deixa-me ajudar-te. Que se passa?" – Hermione falava, mas tentava ao mesmo tempo aproximar-se de Draco.

- "Agora estás com pena de mim? Vocês odeiam-me por aquilo que já fui e que quero esquecer. Eu mudei…mas não, vocês não acreditam. AFASTA-TE DE MIM."

(…)

- "O que tu fizeste hoje foi muito importante para mim."

(…)

- "Isto é estranho, sabes? Nunca pensei estar aqui abraçado a ti! A ver-te a chorar e tu já me viste a chorar. Se alguém dissesse que isto ia acontecer eu tinha morrido de tanto rir."

- "Pois…eu também acho isto estranho… - Hermione sentou-se e olhou para Draco – "Malfoy, porque estás a agir assim? Porque não gozas comigo e com os meus amigos como sempre fizeste? O que andas a tramar? Por que estás diferente?"

- "Granger aconteceu varias coisas que me mudaram…sei que fui muito sacaninha no passado e as vezes continuo a ser, mas em menor escala. Mas fica descansada que não estou a gozar contigo. Acho mesmo que podes ser amiga que eu nunca tive. Vi que o Potter e os outros gostavam muito de ti e por isso decidi ver pelos meus olhos. E fico feliz por saber que afinal és uma pessoa espectacular."

- "Queres a minha amizade? O que se passa contigo?"

- "Eu disse que queria desabafar, pois bem…aqui vai…desde que salvei Dumbledore o meu pai deserdou-me e pôs – me fora de casa. Depois de saber que fiz algo tenebroso, algo para ajudar alguém do lado bom, o meu pai decidiu esquecer que tinha filho e disse que se me via que me matava…"

- "O QUÊ? O teu próprio pai, quer matar-te? O que fizeste? Que tipo de pai tens?"

- "Um pai que afinal só se interessa pelos seus objectivos e que não ama ninguém. Pensei que o meu pai fosse alguém decente. Eu não me importava que ele gozasse com as outras pessoas e que as espezinhasse. Isso sempre me deu graça. Sabia que o meu pai era mau, mas que era sempre um bom pai para mim. Mas agora a minha opinião mudou. O meu pai não gostava de mim. Simplesmente estava a criar alguém para ser lhe útil quando crescesse…alguém que iria fazer o que ele mandasse. Mas isso não aconteceu Granger. Não quero ser como o meu pai…e por isso fiz o oposto que ele queria. O meu pai era um herói para mim e agora não é nada."

- "E a tua mãe? Ela pelo menos gosta de ti,né?"

- " A minha mãe sempre gostou de mim. Eu sou o menino dos seus olhos, como ela diz. Mas ela agora está com medo do meu pai e está a afastar-se de mim. Tornou-se uma fraca. Ela está a afastar-se de mim para não perder toda a riqueza do meu pai. Prefere o ouro do que o próprio filho. A única pessoa que agora me protege é o Dumbledore, pois o meu pai não descansa enquanto não por a varinha apontada para o meu coração. O meu pai anda ai ao monte a fugir dos dementors e a tentar recrutar pessoal para venerar o novo senhor das trevas…ELE. É mesmo triste, ninguém vai na cantiga dele. Acho que toda a gente quer paz."

- "Por isso ontem estavas a dizer que as únicas pessoas que adoras tão a afastar-se, mas quem é a segunda? De certeza que não é o teu pai,né?"

- "Não é o meu pai…é outra pessoa que estou a gostar…nunca pensei amar essa pessoa, como a amo…ironias do destino. Ela demonstrou ser tudo aquilo que queria na vida. E vou lutar por ela."

-"Ahhhhhhhhh…já percebi…estás apaixonado…nunca pensei que te apaixonasses por alguém."

- "Nem eu, Hermione" – Draco levantou-se e puxou Hermione.

- "Temos que ir…já é tarde. Já todos devem estar a dormir. É bom desabafar, obrigado Granger."

(…)

- "A melhor prenda que me podes dar é aceitar este colar e usa-lo sempre. Assim sei que nunca te vais esquecer de mim. E promete-me que quando eu não tiver contigo, vais sempre olhar para a foto e pensar em mim,ok? Promete."

- "Draco estás a assustar-me. Parece uma despedida. O que pensas fazer? O que vai acontecer?"

- "Eu não sei até quando eu vou continuar aqui. A ira do meu pai está a aumentar…e eu não sei o que vai acontecer no futuro. Promete."

- "Eu prometo Draco. Mas não te vai acontecer nada. O Dumbledore está a proteger-te. Ninguém vai ousar desafiar Dumbledore. Eu andarei sempre com este colar. Podes me coloca-lo no pescoço pf?"

- "Claro…com todo o prazer."

- "O que foi Draco?"- perguntou Hermione sentindo as mãos bem cuidadas de Draco pousarem na sua face. Mas não obteve resposta.

Em vez disso Draco beijou-a apaixonadamente. Ao princípio Hermione teve a ideia de recusar, mas ela sentia algo por Draco e não ia recusar o que tinha desejado.

Colocou as suas mãos nos ombros de Draco e este os seus braços envoltos na cintura de Hermione, apertando-a para si.

Aquele beijo nunca tinha fim. Era o beijo mais profundo que ambos tinham dado ao longo das suas vidas e o beijo com mais sentimento.

Quando deram por si, já estavam deitados no chão cobertos de neve.

Passados uns minutos Draco parou de beijar Hermione, continuando em cima dela, mas sempre a olhar para ela.

- "Esta foi sem duvida a melhor prenda de Natal que tive até hoje e por favor Granger…nunca te esqueças de mim e nunca te esqueças do que eu sinto por ti. Querias saber quem era a rapariga que eu gostava? Aqui está ela…és tu. É por ti, que estou mudado. É por ti que sofro todos os dias, vendo tu a sofreres pelo Ron. É por ti que sinto-me feliz, mesmo sabendo que estou na escuridão total. Foi por ti que me tornei no que sou hoje e foste tu que mataste o malvado Draco Malfoy e fizeste renascer das cinzas, este Draco que vês neste momento. É por ti que sei o verdadeiro significado da palavra: AMO-TE!"

Hermione empurrou devagar Draco para o lado e levantou-se. Olhou para o lago e disse:

- "Tu não sabes o que dizes… não sabes mesmo. Como me podes amar?"

Draco levantou-se e colocou-se em frente de Hermione.

- "Eu sei perfeitamente o que estou a dizer. Nunca falei tão a sério como agora. Não espero que sintas o mesmo por mim…seria bom demais, mas só quero que saibas o que eu sinto por ti, vai muito além da amizade. Só quero que saibas isso, antes que seja tarde demais."

- "Apanhaste-me desprevenida Draco. Não sei o que dizer. Só sei que também sinto algo por ti, mas não sei se estou a confundir as coisas, percebes? Agora vou indo…já é tarde. Até amanha Draco."

(…)

- "Por favor Granger, acorda. Por favor. Acorda e desculpa-me por te meter neste pesadelo. Queria ao máximo afastar-me de ti, para evitar algo assim…mas não consigo. Eu adoro-te"

(…)

- " Por favor Draco. Não te entregues. Não te entregues por mim. Eu não quero que morras. Eu… eu…"

- " Tu o quê Granger?" – perguntava Draco, colocando as suas mãos nos ombros de Hermione.

- "Eu amo-te Draco e não te quero perder. Por favor! Vamos lutar os dois contra eles todos. Vamos sair daqui. Eu quero ficar contigo, não te quero perder. Não quero que morras."

Draco abraçou fortemente Hermione. Sabia que iria ser o último abraço que lhe iria dar. E por ser a ultima vez que iria sentir aquele perfume e a ultima vez que iria falar com ela, disse-lhe ao ouvido:

- "Nem sabes a felicidade que estou a sentir, por saber que me amas. Nunca pensei que iria sentir algo tão profundo por alguém, como aquilo que sinto por ti. Desculpa de te ter metido nesta complicação. Desculpa de te fazer sofrer. Agora vai! Promete-me que vais de encontro ao botão de transporte e que não vais olhar para trás. Por favor! Promete-me isso. Só vou ficar bem se tu tiveres a salvo. E se eu morrer (Herrmione começou a chorar ao ouvir essa parte) não te culpes. E acredita que onde eu tiver, vou sempre..mas sempre cuidar de ti e amar-te. Porque foste tu que me mudaste. Amo-te. Nunca te esqueças disso. E agora vai!"

- "NÃOOOOOOOOO… eu não te vou deixar aqui sozinho e não vais morrer. "

- "Hermione Granger promete-me que vais fazer aquilo que te pedi? Promete!" – dizia Draco olhando fixamente para Hermione.

-"Nãoooooo…"

- "PROMETE GRANGER?"

Hermione começou a chorar compulsivamente e Draco teve que desviar o olhar de Hermione para não começar também a chorar. Por fim, vendo que não podia fazer nada e os devoradores da morte já estavam a tirar as varinhas dos seus mantos, Hermione abraçou-se mais uma vez a Draco e disse chorando:

- "Prometo..e também prometo que nunca te vou esquecer. Por favor sobrevive! Eu amo-te!"

Draco sorriu e beijou Hermione. Um beijo rápido, mas com sentimento.

- "Eu vou estar sempre aqui – dizia Draco apontado para o coração de Hermione e vislumbrando o colar que lhe ofereceu – o colar? Tu andas com ele?".

Hermione sorriu.

- "Queria que soubesses que és importante para mim. Queria demonstrar isso."

- "Estou a perder a paciência Draco. Já acabaram as lamechices? Vamos ao duelo ou nem por isso? Estou ansioso para lutar com o meu próprio filho antes de mata-lo."

- " Vai Granger. Vai-te embora. HEY…Lucius…a Granger vai embora, espero que a deixes ir em paz. E prepara-te para o duelo." – depois de dizer isto, Draco avançou deixando Hermione a chorar e de costas para ele.

(…)

- "É tão bom ser levado por ti. De estar aqui junto de ti. Sinto-me muito melhor e pelo menos esqueço estas dores horríveis."

- "A Madame Pomfrey vai tratar bem de ti, vais ver. E eu estou muito feliz por estares vivo. Por saíres daqui só com umas feridas e cicatrizes. Eu tive tanto medo de te perder para sempre. E quando te vi ali..sem te mexeres..sem dares sinal de vida..eu..eu" – Hermione começou a chorar e ambos pararam de caminhar. Draco colocou-se á sua frente e colocou-lhe o dedo nos lábios, em sinal, de que não queria ouvir mais nada.

- "Chiuuuu…não penses nisso. Eu estou aqui. Vou estar sempre contigo. Eu amo-te Granger. E tu sabes disso." – beijou-a na testa, delicadamente e prosseguiu – "E além disso, a única coisa que vai acontecer é ficar com mais algumas cicatrizes, para juntar a esta." – e Draco rasgou a manga do braço esquerdo, mostrando a Hermione, a tal cicatriz.

- "A cicatriz da maldição da Bellatrix. O preço que pagaste por me salvares."

- "Oh não foi nada! E faria tudo de novo, se fosse preciso. Esta cicatriz não me faz diferença nenhuma. Eu até queria fazer uma tatuagem de uma serpente aqui neste braço, mas prefiro a cicatriz." – Hermione riu-se – " O pior era se tivesse uma forma de relâmpago como a do Potter. Aí é que estragava tudo. Não suportaria tal coisa."

Ambos começaram a rir-se. Olharam um para o outro e Draco começou a acariciar os cabelos de Hermione. Juntaram-se levemente e minutos depois, estavam a dar um beijo longo e apaixonado.

(…)

O colar com o coração e a foto de Draco perdeu-se naquele abismo, assim como Draco.

- "NÃOOOOOOO… DRACOOOOO…NÃOOOOOOOOOOO"

- "Lembrei-me de tudo, Granger. Lembrei-me da minha vida passada. Lembrei-me que sou Draco Malfoy. Lembrei-me mesmo de tudo. Até do Potter e dos Weasley. Dumbledore explicou-me que por vezes, estes feitiços deixam de fazer efeito, quando a pessoa em questão, é forte de espírito. Tem sentimentos puros. E penso que o facto de te reencontrar fez com que a minha memória voltasse. Fez com que o feitiço desaparecesse."

- "Então se o destino não me levasse àquela casa…eu nunca te iria encontrar e tu nunca irias me ver e assim nunca irias ter a tua vida passada, de volta."

- "Oh Granger…não penses nisso agora. O que importa é que eu estou aqui. E para sempre. Quero aproveitar todo o tempo contigo. Tivemos demasiado tempo afastados. Quero aproveitar ao máximo a vida, ao teu lado. Depois de recuperar a minha memória nessa noite em que fugiste de mim eu peguei nas minhas cenas e parti. Vim ter com o Dumbledore, pois não sabia o teu paradeiro. Contei toda a minha história e ele o que sabia. E agora, que estou de volta, quero gozar a vida como um verdadeiro Malfoy."

Hermione sorriu e ambos ficaram a olhar um para o outro, minutos sem fim.

O amor entre eles ainda era forte e Draco percebeu que mesmo tendo estado afastado do seu amor, esta, ainda o amava por completo.

Acariciou levemente a face de Hermione e depois pegou-lhe na mão.

- "Anda…quero ir a um sítio contigo."

E puxando Hermione, ambos saíram do gabinete de Dumbledore, deixando Fawkes sozinha.

Desceram as escadas e a gárgula afastou-se dando-lhes passagem.

Ao desviarem para um corredor uma voz séria fez Draco parar e olhar para a retaguarda.

- "Então Malfoy? De volta?"

Harry sorria maliciosamente, juntamente com Ron e Ginny.

Draco não respondeu apenas caminhou para Harry, nunca desviando o olhar deste.

Hermione que tinha ficado para trás pensou que Draco iria ser rude, mas o que aconteceu a seguir foi uma surpresa para todos. Draco apenas estendeu a mão a Harry, e um pequeno sorriso irónico nasceu-lhe nos lábios.

Harry apertou a mão, daquele que em tempos odiou, e sorriu ainda mais.

- "Obrigado Potter. Durante três anos, apesar de ter perdido a memória, sentia um certo agradecimento por alguém. Agora sei a quem tinha que agradecer. Obrigado Potter, por teres feito aquele favor à Hermione e por teres posto de lado as nossas rivalidades e me teres ajudado."

- "De nada Malfoy. Pelos amigos faço tudo. Faço tudo pela Hermione. Até esquecer o passado. E tu? Estás disposto a passar uma borracha no passado?"

- "Há já muito tempo que fiz isso, Cicatriz…quer dizer Potter. Tréguas!"

- "Tréguas!" – concluiu Harry, fazendo Hermione rir e os restantes, excepto Ron.

- "O que foi Weasley? Nunca viste um aperto de mão, entre 'amigos?"

- "Como se tu conseguisses ser amigo de alguém."

- "Alguma vez deste-me oportunidade para demonstrar, oh doninha malcheirosa?"

- "Hey…por favor, não vão começar com os disparates. Vocês já não têm 17 anos. Têm 20 anos e tu, Ron, já és pai. Tem juízo." – avisou Ginny, colocando as mãos na anca e olhando indignada para Draco e Ron.

- "O quê? Pai? A doninha já tem um filho? Com quem?"

- "Com quem? Até parece que sou um rapaz que se apaixona por muita gente. O filho é meu e da Cho."- respondeu Ron, revoltado com tal questão.

- "A Chang? Sempre pensei que os de Ravenclaw fossem realmente inteligentes."

- "DRACO…pára com isso. E tu, Ron, acalma-te. Nada de feitiços" – informou Hermione verificando que Ron estava prestes a tirar a sua varinha do bolso. – "Draco, por favor. Controla os teus sarcasmos."

- "Não consigo é mais forte que eu." – sussurrou Draco ao ouvido de Hermione – "Bem pessoal, foi um prazer revê-los. Mas eu e a minha namorada temos que ir a um sítio. Depois combinamos um lanche, para vos contar a minha história e vocês as vossas. Para contar as novidades." – disse Draco, rindo-se da cara de incrédulos que todos estavam a fazer.

- "Nós já sabemos a tua história, Malfoy. Dumbledore pôs-nos a par de tudo. Encontramo-lo à pouco. " – revelou Harry.

- "Ainda bem. Então, depois combinamos um lanche para saber todas as novidades, dos meus novos amigos." – e rindo-se Draco desapareceu com Hermione.

- "Aaah pessoal? Temos que levar com as piadinhas do Malfoy?"

Harry e Ginny entreolharam-se e começaram a sorrir.

- "Sim, parece que sim. Ele vai ser sempre um Malfoy, não é?" – e depois de dizer isto, Harry e os restantes seguiram para Norte e desapareceram na escuridão do imenso corredor.


Nem acreditava no que tinha acabado de ouvir. Draco a chamara de: 'namorada'.

Hermione era puxada por um Draco sorridente.

Um Draco bem vestido e com os seus cabelos loiros a cintilar e cheios de pequenos flocos de neve.

Deixaram para trás o castelo de Hogwarts e entraram no imenso jardim. Ao longe um lago reluzia. Semi congelado, mas reluzia à mesma.

E Hermione percebeu, onde Draco a queria levar.

Ao chegarem perto do lago, Draco retirou a sua mão da mão de Hermione e seguiu para perto da árvore, que em tempos foi testemunha das tardes e noites que ambos passaram.

Tocou na casca da árvore e sorriu. De seguida, caminhou para junto do lago e sentou-se, olhando sempre para o horizonte.

Hermione juntou-se a Draco e sentou-se ao seu lado.

Por uns momentos ficaram, ambos, a olharem para o lago e para o seu horizonte como se nunca tinham visto algo tão belo.

De repente, Draco quebrou o silêncio:

- "Sonhava tantas vezes com este lago, contigo aqui sentada, com aquele luar. Não sabia ao certo o que significava, mas agora sei. E lembro-me de todos os momentos que passei aqui contigo. Lembro-me daquela noite de Natal. Do nosso beijo."

- "Eu também me lembro. Nunca esqueci. E nunca parei de pensar. Durante estes três anos que vinha aqui a Hogwarts, entregar elfos livres, mas dispostos a trabalharem e a ganhar salário, eu fazia sempre uns desvios para este sítio. Era a maneira de estar mais perto de ti. A maneira que eu descobri para sentir mais a tua presença."

- "Granger… eu amo-te tanto. Mas tanto. Sinto muito o facto de te ter feito sofrer. Não queria que nada disto acontecesse. Tu não merecias"

- "Draco… tu não tiveste culpa. E uma coisa que eu aprendi, é que por vezes o sofrimento nos faz descobrir cenas. Descobrir uma força interior que nós pensávamos que não possuíamos. Estes três anos foram muito duros, mas também cresci e aprendi a sobreviver aos poucos."

- "Tenho muito orgulho em ti." – e Draco beijou docemente Hermione – "Mas que história é essa de elfos? O Dumbledore não me contou muitos pormenores. Apenas que te tinhas dado bem na vida. O que fazes na realidade?"

Hermione corou um pouco e alegremente explicou a sua profissão a Draco.

Falou que trabalhava no Departamento para a Regulamentação de Criaturas Mágicas e que libertava elfos que desejavam tal coisa. Explicou que por vezes os elfos sonhavam com o dia em que Hermione Granger, iria aparecer e outros cuspiam quando ela passava. Era amada e odiada na comunidade dos elfos, mas tal facto dava-lhe mais vontade de fazer aquilo. Aquele gesto, que ela dizia ser, lindo e carinhoso.

Aproveitou o facto de Draco estar interessado na sua conversa e contou também que Harry era agora um excelente auror. Atrevia-se a dizer uns dos melhores que havia, actualmente. Relatou que Ginny era seeker numa equipa famosa de Quidditch e que não podia estar mais feliz. E que ambos iam casar.

Sobre Ron, disse apenas que este trabalhava numa das lojas dos irmãos gémeos e que ganhava muito dinheiro. Estava bem na vida, juntamente com Cho, que trabalhava em St. Mungus e com Hugh, que era um bebé lindo de morrer.

- "Parece que a doninha está mesmo bem na vida. Mas claro, teve que trabalhar numa loja sem classe. Com as péssimas notas dele."

- "Draco… por favor. Não comeces. Tomara tu, teres um emprego, como o dele. O negócio vai muito bem, mesmo."

Draco fez uma pequena cara de amuo, mas depressa começou a sorrir para a namorada.

Namorada. Como aquela palavra, fazia-o levitar até às nuvens.

- "Então e o Neville e a Lunática? Quer dizer…a Luna? Ainda namoram? E.. sabes alguma coisa sobre os Slytherin?"

- "Bem o Neville é professor de Herbologia, aqui em Hogwarts. Estou admirada de ainda não o ter visto, por aqui. Mas já não namora com a Luna. E eu acho que ela agora trabalha, no jornal, com o pai. Sobre os Slytherin… bem… só sei que o Zabini é colega do Harry. Também é auror."

- "Imbecil. E esse que dizia, que odiava todos os aurors e que nunca seria um deles. Mesmo otário, esse Blaise Zabini. E o Goyle? Crabble? Pansy?"

- "Não sei nada deles. Quer dizer, da última vez que vi o Goyle, ele estava acompanhado por uma criança de cinco anos, mais ou menos, e uma rapariga. Penso que não seja filho dele."

- "Aí é que te enganas. Esse puto é filho dele, sim. Ainda andávamos na escola e ele andava com a Avril. A Avril é essa rapariga que deves ter visto. Engravidou-a e largou-a. Eu era dos poucos, que sabia tal acontecimento. Pelos vistos, agora deu-lhe a mania de querer ter família. Ao menos pensou um pouco."

- "Aah… também sei que a Pansy partiu para França. Quem me contou foi a tua mãe. Encontrou-a numa das viagens que fez. Parece que agora… trabalha num pub asqueroso e cheio de pessoal mal-encarado. Não sei o que ela faz na França, sinceramente."

Draco sorriu maliciosamente.

-"Faz o que qualquer cabra faz. Ganha naquela vida. Ela devia era ter sofrido, o que eu e tu sofremos… isso sim."

- "Oh não penses nisso, Draco. O que importa é que agora estamos juntos e nada nem ninguém vai-nos separar de novo."

E acabando de dizer isto, Hermione pousou a sua cabeça no ombro de Draco.

E ali ficaram horas e horas, contemplando a paisagem.


- "Professor Dumbledore, posso entrar? Queria falar consigo, sobre um aluno do 2º ano… professor Dumbledore? Onde está?"

Neville afastou a porta do gabinete de Dumbledore.

Tudo se encontrava em pleno silêncio.

Fechou a porta e cuidadosamente dirigiu-se ao fundo do gabinete de Dumbledore.

Não havia sinais do director.

- "Bem se calhar foi tratar de alguns assuntos, volto mais tarde."

- "Professor Longbottom, o que dizia?"

Dumbledore aparecera graciosamente da escuridão da sala, com um sorriso característico.

- "Vinha falar sobre um assunto importante, director. Mas se estiver ocupado eu venho cá noutra altura."

Dumbledore caminhou até à janela do seu gabinete e sorriu ainda mais.

- "Não, meu caro Neville. Poderá falar. Tenho todo o gosto em ouvi-lo. Apenas estava a contemplar o primoroso acontecimento que é o amor."

- "Desculpe? Não entendi, director."

Dumbledore fez-lhe um ligeiro aceno com a mão, de modo a que Neville chegasse junto da janela. Neville assim o fez e olhou para o recinto de Hogwarts.

- "Não entendo, director. Ao que se está referir em concreto?"

Neville já estava a interrogar-se a si mesmo se na realidade o professor estaria a ficar tolo, mas depressa mudou de ideias. Junto do lago, vislumbrou duas silhuetas. Uma pertencia, definitivamente, à amiga Hermione Granger e a outra abraçada a ela pertencia a um rapaz, sem dúvida. A … não podia ser… não de todo.

- "Sim, Neville. É exactamente o que está a pensar. Aqueles ali são Hermione Granger e Draco Malfoy. Não é um primor ver um amor tão belo?"

- "Mas professor… segundo as minhas recordações Draco tinha morrido, não tinha?"

- "Não de todo. Se ele está ali, é porque não morreu e está muito "carnal" para ser fantasma, não concorda?"

A confusão espalhou-se no rosto de Neville e Dumbledore o pôs ao corrente de tudo.

Quando acabou de narrar a sua história, Dumbledore deixara um Neville embasbacado, mas ao mesmo tempo, feliz. Feliz pela amiga.

- "Oh isso é fantástico, director Dumbledore. Fantástico. Espantoso. Estupendo. Maravilhoso. Brutal. Super fixe."

Dumbledore riu-se com a reacção de Neville e mais uma vez olhou para a janela.

- "Só espero que eles não adormeçam ali. Senão creio, que ficarão doentes. Mas qual foi mesmo a causa da sua vinda aqui ao meu gabinete, professor Longbottom?"

- "Oh nada de especial. Um aluno com voz de menina e mamas grandes devido a mais um utensílio da loja dos Weasley é irrelevante comparado com o que acaba de me contar. A Luna vai adorar saber. Se me permite professor, vou já escrever para ela. Além disso, quem fez a partida ao aluno do 2ºano é capaz de desfaze-la. Senão vai ter mesmo que lhe oferecer um soutien. Se existir daquele tamanho."

E Neville partiu, deixando um Dumbledore rindo à gargalhada.


Draco acordara sobressaltado. Ao sentir Hermione deitada ao seu lado viu que não estava a sonhar. Tinha voltado para junto dela. Tinha voltado a ser quem era.

Olhou-a e docemente deslizou os seus dedos pelo rosto iluminado pela lua, de Hermione.

Como ela era linda. Inteligente. Simpática. Divertida. Que sorte que ele tinha por ter uma pessoa tão boa junto dele.

Como as coisas tinham seguido rumos diferentes. Como aquela mulher poderia ser a rapariga que anos antes chamara de sangue de lama?

Como podia ser a mulher que amava?

Hermione acordou e enroscou-se a Draco. Depois de bocejar, olhou para Draco e depois para a lua.

- "Oh já deve ser tão tarde. E estou cheia de frio. Vamos para casa, Draco. Por favor."

- "Meu amor, mas eu não tenho casa. Quer dizer, de certeza que a casa que eu ocupava já está preenchida por outras pessoas."

- "E eu? Achas que eu durmo debaixo da ponte? Eu tenho casa. E estava a falar de irmos para a minha casa."

Draco ficou surpreendido com tal frase, mas não deixou de sentir uma certa alegria.

Ambos se levantaram e caminharam para fora de Hogwarts. Draco colocou um braço em volta dos ombros de Hermione, sempre com um sorriso malicioso no rosto.

Quando chegaram a Little Road of Nowhere, Hermione puxou até ao pequeno prédio de dois andares, um Draco sorridente.

Subiram o lance de escadas e Hermione abriu a porta de casa. Colocou o seu casaco no bengaleiro e desapareceu pelo corredor.

Draco entrara um pouco receoso e fechara a porta atrás de si. Caminhou lentamente pelo corredor, até entrar numa sala de estar. A casa era pequena, mas acolhedora.

- "O que estás a fazer aí especado? Chega aqui ao meu quarto."

Hermione tinha surgido na sala, envergando uma doce camisa de dormir preta, com bordados azuis. Draco ficara boquiaberto.

- "De certeza que queres que te siga até ao quarto?" – perguntou Draco, deixando um sorriso malicioso surgir.

- "És o primeiro rapaz que me pergunta uma coisa dessas. Normalmente, eles seguem-me até ao quarto e não perguntam nada."

O sorriso malicioso que outrora surgira no rosto de Draco depressa se desvaneceu e deu lugar a um rosto perplexo e desapontado.

- "Pois… eu também não calculava que estivesses sempre à minha espera. Até porque eu supostamente tinha morrido. Seguiste com a tua vida, entendo."

Draco colocou as mãos nos bolsos e olhou infelicíssimo para o chão. Por sua vez, Hermione começou a rir desalmadamente. Adorou ver a cara de desilusão e de abandono de Draco. Chegou mais perto dele e colocou uma mão no seu ombro.

- "Estava a brincar contigo. Para tua informação, não tive ninguém… desde… desde que supostamente morreste. Ninguém aqui entrou. Excepto, os meus amigos e família."

- "Já estás a apanhar o jeito, né? Sabe bem estas piadas, características de Malfoy, não achas?"

Hermione começou a rir.

- "Um pouco. Admito… sabe mesmo muito bem." – e acabando de dizer isto, puxou Draco para o seu quarto.

Draco foi conduzido até um pequeno quarto, perfumado por jasmim e um trago de canela. Era um quarto muito amistoso. Era o quarto da namorada. Vislumbrou uma parede cheia de fotos dos Weasley, dos Granger, do Longbottom, da Lovegood e até do Potter. E um pouco à parte um bocado do profeta diário, onde era visível o rosto de Draco, nos tempos em que andava em Hogwarts. O título era: "Morte Tenebrosa no seio da família Malfoy".

Draco nem se apercebeu que Hermione o largara e abrira com um toque da sua varinha uma gaveta. Retirou de lá de dentro um lenço verde e entregou a Draco.

Draco retirou o lenço e vislumbrou, após três anos, aquela que era a sua verdadeira varinha.

Sentiu o famoso formigueiro nas mãos quando a varinha sentiu o seu toque.

- "Eu tenho esta varinha que o Homer me deu, mas não é a mesma coisa. Acho que esta varinha era para o verdadeiro Scorpius, não para mim. Que saudades da minha varinha. Da minha varinha negra e feita de substâncias de dragão, acho eu."

Sorriu. Parecia uma criança a quem lhe deram um chupa-chupa. Estava vislumbrado com a sua velha varinha e deslizava os seus dedos nela.

Mas depois teve pena da varinha que Homer lhe oferecera. Lembrou-se do dia em que a recebeu. Lembrou-se de Homer e do quanto ele gostava dele.

Pousou a sua varinha junto da varinha do verdadeiro Scorpius e sentou-se na cama de Hermione, cabisbaixo.

Hermione adivinhando os pensamentos de Draco colocou-se à frente dele, de joelhos.

- "Sei que tens muitas saudades do Homer. Afinal de contas ele foi um pai para ti. Cuidou de ti. Mas por favor, não fiques assim. Estou aqui. Vou estar sempre ao teu lado, Draco."

Beijou-lhe levemente a testa de Draco e sentou-se ao seu colo. Draco sabia que agora não estava sozinho.

Beijaram-se apaixonadamente e demoradamente. Como se o amanhã não existisse.

Draco acariciava o rosto de Hermione e afastava os seus longos cabelos. Por sua vez, Hermione tocava levemente no suave cabelo de Draco.

A paixão falava mais alto e aos poucos e poucos, os beijos eram mais atrevidos, mais apaixonantes, com mais desejo.

Pararam um pouco, para recuperar forças e respirarem lentamente. Olharam um para o outro, com se um espera-se a decisão do outro. Hermione sorriu timidamente e recomeçaram aos beijos.

Quando deu por si, Draco estava a descer as alças da camisa de dormir de Hermione. Parou o seu movimento, mas Hermione não objectou, por isso continuou. Hermione começou a tirar rapidamente o manto de Draco e a camisola.

Agora Draco encontrava-se em tronco nu e Hermione em soutien e cuecas.

Olharam-se mais uma vez e depois de sorrirem, entregaram-se definitivamente ao amor que os unia.

O desejo tinha falado mais alto. O amor que sentiam um pelo outro falou mais alto e nada podia dar mais alegria a Draco do que sentir a sua amada, ali perto de si. E Hermione sentia-se completamente feliz.

Era a primeira vez de ambos, apesar de Draco não querer demonstrar isso.

Estava uma bonita noite e passado algum tempo, ambos adormeceram nus, abraçados, apaixonados e banhados pelo brilho da lua que entrava pela janela.