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Não traia um coração
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Avisos: Isso é uma adaptação de livro, sem créditos ou fins lucrativos.
O nome do livro e de quem o escreveu será revelado ao final da postagem do livro.
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Capítulo Quatorze
Inuyasha estava perfeitamente ciente de que fora espicaçado a se casar com a dama, e o faria com o único propósito de fazer com que ela se arrependesse de tê-lo manipulado daquele jeito. Mas agora não era hora de deixar a raiva atrapalhar o seu raciocínio. Ela estava disposta a fazer um contrato com ele, e quer gostasse ou não, sabia que isso era necessário, sendo na realidade considerado o aspecto mais impor tante de qualquer casamento. Ela também era astuta demais para que ele não ficasse bem atento ao ouví-la ditar os termos para o jovem monge que lhes fora emprestado como escriba.
Tinha-lhes sido concedida uma pequena sala para a discussão, com Miroku e Kouga presentes como testemunhas de Inuyasha, o monge testemunhando em favor de Kagome. Inuyasha teria preferido conversar sobre os termos primeiro, em particular, mas ela insistira que não ia demorar muito, e que ele ficaria satisfeito com o acordo, já que lhe estava oferecendo o mesmo que ia oferecer a lorde Jinenji de Lascelles — finalmente sabia o nome! Se era ou não verdade, é o que se ia ver, mas se não fosse, era menos provável que ele discutisse com ela na frente do monge, com o que ela seguramente estava contando.
Até terem falado com o padre Geoffrey e ele ter concordado em casá-los, Inuyasha não se dera conta de que aquele plano de meia-tigela de Miroku podia ter sido um tiro pela culatra. A dama poderia ter buscado abrigo com o bispo, que era exatamente o motivo pelo qual Inuyasha não desejara trazê-la para passar a noite na abadia. Teve que se perguntar por que ela não o fazia, pois a ideia devia ter-lhe passado pela cabeça. Não podia realmente querer desposá-lo, não com o mau conceito que fazia dele, e que deixara sobejamente claro. No entanto, não parecera absolutamente relutante diante do padre Geoffrey. E estivera calmamente controlada o tempo todo, desde que tinham chegado à abadia.
— Antes de acertarmos os termos, é seu direito saber o que vai obter, Sir Inuyasha.
Ele bufou vendo que Kagome voltara a se dirigir a ele com cortesia, e ela escutou, lançando-lhe um sorriso destinado a aborrecê-lo, antes de continuar:
— Como meu pai morreu e sou única herdeira, não lhe trago um simples dote, mas a minha herança integral. Além do castelo de Clydon com sua grande lavoura e moinho, tenho dois outros castelos, Brent Tower e Roth Hill, não tão grandes, mas não exatamente pequenos. Há também duas outras fazendas perto de Roth Hill e três herdades fortificadas com aldeolas perto de Shefford.
Inuyasha ficou impressionado, mas foi Miroku quem pensou em perguntar:
— Qual vai escolher como a propriedade de dote?
— Acho que deixei bem claro que não trago dote, mas sim tudo que pertencia a meu pai. Sendo assim, quero continuar com metade da minha herança caso algo aconteça a Sir Inuyasha antes que haja filhos da união. Se houver um filho para herdar, a ele caberá Clydon por ocasião da minha morte; até lá, ficarei com essa propriedade. Se eu morrer antes de Sir Inuyasha, então é claro que tudo continuará sendo dele, pois não tenho mais família para brigar pela herança.
— Isso lhe parece razoável, Inuyasha? — perguntou Miroku ao amigo.
Era mais do que razoável, já que, efetivamente, ela lhe estava dando tudo enquanto ele vivesse. Mas, sem confiar nela, sabia que tinha que haver algum ardil. Só que não conseguia ver qual era.
Em vez de responder a Miroku, Inuyasha disse para ela:
— A senhora diz que só quer metade da sua herança de volta se eu morrer. Quem fica com a outra metade, então"?
Ela olhou para ele como se ele fosse maluco.
— É comum a família do marido brigar pela propriedade, caso ele venha a morrer. Muitas vezes tentam ficar com tudo, embora, neste caso, lorde Naoki o impedisse. Mas a família de lorde Jinenji esperaria a metade, do mesmo modo que a família de lorde Houjo, caso ele tivesse atendido primeiro ao meu chamado. Portanto, estava disposta a abrir mão da metade para formar uma das duas alianças. Como disse antes, ofereço-lhe os mesmos termos. Basta igualá-los, prometendo-me metade do que possui, o montante sendo dado somente se o senhor morrer. Mas pensei que tínhamos concordado em esperar para discutir os termos.
— Ainda não tinha acabado? — indagou Inuyasha, de cenho fran zido.
Ela sacudiu a cabeça.
— O que mencionei são as terras de meus domínios, que me pertencem exclusivamente. Embora deva mencionar agora que dois feudos me foram devolvidos por morte dos vassalos, um sem herdei ros, outro com uma filhinha que está agora sob minha tutela. Na verdade, morreram três vassalos com meu pai na cruzada, o terceiro deixando três filhos, o mais velho dos quais já me jurou fidelidade pela herdade que agora é da sua responsabilidade.
Inuyasha ignorou os gemidos de Miroku. Nenhum dos dois tinha ideia do montante de seus bens.
— Quantos vassalos seu pai levou com ele?
— Quatro — replicou ela. — William de Bruce continua com lorde Naoki, assim como os cavaleiros da nossa casa, embora já tenha mos perdido dois deles, como já lhes disse quando lhes apresentei as suas viúvas. O filho de Sir William já me jurou fidelidade em nome do pai, que tem uma herdade e uma ponte com pedágio sob sua responsabilidade.
Inuyasha quase teve medo de perguntar:
— É só?
Ela voltou a sacudir a cabeça.
— Tenho três outros vassalos que não foram com meu pai. Sir Jinenji é o responsável por uma fazenda e quatrocentos acres perto de Bedford; Sir Guiot, por uma fazenda e um moinho que valem o serviço de três cavaleiros. E lorde Simon, cuja filha Naomi conheceram, responde pela fortaleza de Forthwick, um moinho e duas ricas herda des.
Miroku estava gemendo mais alto. Inuyasha agora não sabia bem o que pensar. Clydon não apenas igualava os bens de seu pai, superava-os.
Por falta de coisa melhor para dizer, pois estava verdadeiramente embasbacado, perguntou:
— E quantos serviços de cavaleiros lorde Simon lhe deve?
— Doze cavaleiros por quarenta dias, se eu precisar deles; mas se é a renda que lhe interessa, isso eqüivale a duzentos e quarenta marcos por ano.
— E os outros?
— Quinze e meio serviços de cavaleiro.
Inuyasha fez as contas rapidamente, depois disse, desconfiado:
— Mas isso eqüivale a uma renda de apenas cinquentos e cinquenta, minha senhora. De onde vem todo o resto que alegou? Certamente não das terras dos seus domínios.
Ela replicou, pacientemente:
— Não, os domínios rendem oitocentos marcos por ano. A tutelagem de duas fazendas feudais com aldeias rende cento e cinquenta. A fortaleza e a cidade de Birkenham é que...
— Birkenham!—exclamaram os três homens em uníssono, mas foi Inuyasha quem indagou: — A cidade de Birkenham é sua?
— E a fortaleza que a protege — respondeu ela. — Quer dizer que conhecem Birkenham?
— Senhora, quem não conhece Birkenham? É quase tão grande quanto Lincoln!
— É verdade—replicou ela, sem o menor vestígio de presunção. — Mas como eu estava dizendo, Birkenham é a mais rica das proprie dades, com taxas e tributos que chegam a quinhentos marcos por ano. É também o feudo que me foi devolvido, embora ainda desconheça a renda adicional que representa, e que só ficarei conhecendo no Dia de São Miguel.
— Mas por que o seu pai deixaria como subfeudo uma proprie dade que deve valer mais do que Clydon, se somente as taxas chegam a quinhentos marcos por ano?
Ela finalmente sorriu.
— Nunca lidou com mercadores, Sir Inuyasha, ou suas guildas? Birkenham pode ser o mais rico dos feudos, mas é também o mais espinhoso e desgastante, a não ser que se more ali. Meu pai ficou feliz em passar adiante a responsabilidade.
— E agora ele passará a ser problema meu?— quase rosnou.
— Não precisa absolutamente ser um problema — Ela franziu a testa. — Basta apenas decidir se quer ficar com ele ou dá-lo a um de seus homens, ou dos meus. Dê para Sir Miroku — ironizou ela. — Ele tem lábia bastante para levar a melhor sobre os mercadores exigentes.
— Pelas chagas divinas, Inuyasha! — gemeu Miroku, horrorizado. — Nem pense numa...
— É bem o que você merece, por ter me metido nisto — resmun gou Inuyasha ferozmente, e depois, voltando-se para Kagome: — Bem, se isso é tudo, vamos voltar aos termos, que até agora têm sido unilaterais. O que deseja de mim, senhorita?
— Sou rica em terras e troféus valiosíssimos da Terra Santa, mas não tenho dinheiro no momento, como deve ter adivinhado, e só o terei quando receber os aluguéis e o dinheiro das colheitas, no Dia de São Miguel.
— Como é possível? Foi roubada? Aqueles bandidos nos seus bosques...
— Não, nada disso — assegurou-lhe ela. — As Cruzadas não custam pouco, Sir Inuyasha. Meu pai levou mais de metade da nossa fortuna, ouro e jóias para sustentar o grande exército que foi com ele. Também levou a maioria de nossos cavalos, além de cinqüenta solda dos de Clydon.
— Era por isso que estava tão mal protegida?
O comentário provocou um olhar do monge e um rubor da jovem.
— Em parte. Eu deveria substituir tanto a guarnição quanto os cavalos, mas fiz o serviço pela metade e acabei perdendo trinta homens na guerra. Imediatamente após a partida de meu pai, tanto Forthwick quanto Brent Tower foram atacadas. As colheitas e a aldeia foram incendiadas em Brent Tower antes que meus homens chegassem; assim, perdi a renda do ano anterior, o que resultou num enorme custo para reconstruir a aldeia e providenciar alimentos para que o povo não morresse de fome. Contudo, lorde Simon foi capturado e exigiram resgate por ele, o que consumiu praticamente todo o dinheiro que me sobrara. E perder aqueles homens a quem eu havia pago um ano de salário não facilitou propriamente a sua substituição, sobretudo acon tecendo uma coisa atrás da outra para adiá-la. Assim, durante o resto do ano usei o que restava do serviço de cavaleiros como guarda de castelo, embora não fosse política de meu pai agir assim. Consegui contratar novos homens para uma guarnição de cinqüenta e cinco soldados quando venceram os aluguéis do ano passado.
— Pouco numerosos para um castelo tão grande. E nem todos eles estavam presentes — lembrou-lhe Inuyasha.
Ela lhe lançou um olhar rancoroso antes de replicar.
— Fiquei desguarnecida somente nesta última quinzena. A filha casada de lady Ayume veio de visita no mês anterior, e precisava de uma escolta de dez para levá-la de volta a Londres. Sir Arnulph, outro cavaleiro da casa, precisou de mais dez para acompanhá-lo até Birkenham, onde me representaria. E um de meus intendentes precisou de ajuda num caso de assassinato numa de minhas herdades, então lhe enviei, há quatro dias, um cavaleiro e cinco homens. — Foi então que Sir William tivera aquela ideia maluca de que ela poderia aprender a defender o seu próprio castelo, e mandara o armeiro lhe confeccionar uma armadura. — Sei que a quantidade é insuficiente. Como eu disse, há muito tempo que não sobra dinheiro.
— Mas havia a renda do ano passado.
— E houve mais catástrofes este ano do que me agrada mencio nar. Um incêndio em Roth Hill devorou todos os prédios do pátio, inclusive os celeiros que haviam acabado de ser abastecidos. Os muros ali também precisavam de conserto, que fora iniciado mas não termi nado. Mais de cem ovelhas foram roubadas, o que me impediu de vender algumas delas, além do rebanho de gado inteiro. Desconfio que aí houve o dedo de Renkotsu de Los Siete. O gado teve que ser reposto, assim como os cavalos para a guarnição, embora ainda não tenha o suficiente para todos os homens. E...
— Quer dizer que precisa de dinheiro da minha parte?
— Sim, mas não demais, apenas o bastante para terminar os consertos em Roth Hill e atender qualquer outra emergência que ocorra antes do Dia de São Miguel. Você já tem homens para aumentar a guarnição, embora Roth Hill e Brent Tower também estejam preci sando de mais. E seria ótimo se tivéssemos mais cavalos. É demais para você atender?
A resposta de Inuyasha foi acompanhada de um olhar mal-humora do.
— Já sabe o quanto eu valho, e que isso não me sobrecarregará. Mas, e quanto ao pagamento obrigatório devido por seus vassalos por ocasião do seu casamento?
— Ele é devido por ocasião do casamento da filha mais velha do senhor feudal, o que, tecnicamente, não sou mais. Agora sou sua suserana, e eles não devem ajudar na boda de seu senhor ou senhora. Mas esse pagamento seria apenas para cobrir os custos da boda, o que não me sobrecarregará. Clydon tem abundância de víveres e provi sões. Jamais corremos o risco de passar fome.
Inuyasha ainda estava tão insatisfeito que mal se agüentava. Como ela podia lhe dar tudo isso, com quase nada em troca? Está certo que algum homem o teria, mas sem dúvida aqueles lordes Jinenji ou Houjo que ela queria teriam trazido com eles imensas fortunas e o poder de suas famílias. Era aí que ela estava sendo lesada. Ele não tinha ligações, nenhuma família para prestar ajuda, ninguém poderoso a quem recorrer caso fosse preciso. Contudo, ela certamente ignorava isso ou não teria proposto destinar metade de seus bens para a família dele quando ele morresse.
Ao lembrar-se disso, e do que realmente significava, Inuyasha enrijeceu-se. Teria que falar com ela a respeito, mas não na frente do monge.
Olhando para o monge, indagou:
— Não está anotando tudo isso, está?
— Não, meu senhor, apenas a relação dos bens da senhora que passarão a lhe pertencer pelo casamento, as cláusulas referentes à morte de cada um e o que o senhor concordou em pagar. Agora só preciso enumerar os seus bens antes de poderem voltar ao padre Geoffrey e fazer os seus votos. Os aspectos legais dos termos serão acrescentados depois, e as cópias do contrato completo estarão prontas pela manhã.
Inuyasha ficou calado, sem vontade de mencionar o pouco com que se propunha a entrar neste casamento. Mas o monge estava esperan do...
— A sua porção do casamento é sete mil marcos, para arredondar — disse lady Kagome sem a mínima inflexão na voz. — Metade da sua fortuna.
O monge ficou estupefato com a pequena quantia.
— Mas...
— Não há "mas" — interrompeu ela enfaticamente, mas logo acrescentou, com mais moderação: — Sir Inuyasha também concorda em me dar filhos, proteger meu povo e propriedade da melhor maneira que puder e... não me bater, pois como é um homem de tamanho tão invulgar, um golpe seu provavelmente me mataria.
Todos os olhos se voltaram para Inuyasha, deparando-se com o vermelho vivo que lhe inundou o rosto. A última cláusula era inaudita, pois um homem tinha o direito de bater na esposa se ela merecesse e até mesmo se não merecesse. O monge seria o primeiro a afirmá-lo. E no entanto ela chamara a atenção para algo que Inuyasha não levara em consideração. Não se atreveria a surrá-la, pois, pequenina como era, provavelmente a mataria mesmo.
Mas filhos! Colocar no contrato que não podia negligenciá-la! Será que ela achava que era esta a sua intenção, ficar com tudo que ela possuía e trancafiá-la nalgum canto? Era uma ideia tentadora, só que ele não o faria. Pelos dedos de Cristo! Estava ganhando tanto que seria uma questão de honra tratá-la com o máximo cuidado!
— Concorda... com isso, Sir Inuyasha? — indagou o monge, hesi tante.
— Sim — assentiu ele a contragosto. — Mas preciso dar uma palavrinha à senhora antes de acertarmos definitivamente os termos.
Assim dizendo, pegou Kagome pela mão para tirá-la da sala antes que ela pudesse contradizê-lo. Ela pensou que ele queria lhe bater agora, antes do contrato ser acertado, para não perder a oportunidade. Ousara muito, considerando-se que não estava em posição de fazer exigência alguma. Mas fora feliz. Ele tinha concordado antes de retirá-la da sala.
Prendeu a respiração quando ele parou do outro lado da porta. Teve vontade de fechar os olhos também, mas não queria que ele soubesse que estava com medo dele. Se lhe batesse, seria mais do que merecido, por ter decidido aceitá-lo. Era loucura ficar à mercê de tal homem, um completo desconhecido. Não poder contradizê-lo mesmo que quisesse vender as suas terras. Não ter direito algum, nem o de apelar à corte sem ele. Permitir-lhe um tal controle sobre ela, um homem que dava todas as indicações de antipatizar solenemente com ela. Mas qual era a alternativa? Um homem velho e ganancioso que pouco se importaria com Clydon, que queria apenas sugar-lhe as riquezas?
Estremecia cada vez que pensava em Totosai, depois do que soubera a seu respeito — e interrogara alguns de seus homens, desde que não tinha a mínima confiança em Sir Miroku. Pelo menos esse Inuyasha se importaria com as terras. O fato de ter economizado tanto para comprar terras era garantia disso. E ele era mais do que capaz de ser o senhor de Clydon. Fora este o fator decisivo e a razão por que não tentara pedir a ajuda do monge, que também não era garantia alguma. Nem Jinenji nem Houjo seriam capazes de se sair tão bem quanto este gigante quando chegasse a hora de brigar de verdade. A julgar pelo seu tamanho, era improvável que alguém pudesse vencê-lo.
— Qual foi o motivo, senhora, para aquelas exigências ridículas? — indagou Inuyasha, num murmúrio. — Acha que não sou capaz de cuidar da senhora e dos seus?
Kagome soltou a respiração. Nunca o ouvira falar com tanta suavi dade, e era um bom presságio: pelo menos não iria agredi-la.
— De forma alguma. Acho que será bastante capaz de proteger Clydon.
Ele não estava certo de ter ouvido direito. Um elogio? Da parte dela! Inacreditável!
— Não era o que estava achando, lá no acampamento — lem brou-lhe ele.
— Não seja bur... — Mordeu o lábio. Jesus, tinha que aprender a controlar a língua com este homem. — Oh, peço o seu perdão pelo que foi dito antes. Eu estava nervosa e não falava realmente a sério.
— Então, se acha que sou capaz, por que insistiu em colocar tudo por escrito?
— Essa cláusula, assim como a outra, era apenas um amortece dor, digamos assim, para diminuir o impacto da última.
Ele agora estava de cenho franzido.
— Acho que está abusando da sorte ao exigir isso.
— É verdade — admitiu ela, baixando o olhar para o peito largo do homem. — Mas você concordou. E quanto à cláusula sobre filhos, sei que foi desnecessária. Engravidar-me é de seu interesse, para fortalecer sua posição caso Totosai ou qualquer outro ainda pense em ficar comigo, eliminando-o.
— Fala livremente da consumação do casamento, senhora. Está preparada para ela?
Sabia que ele falara apenas para deixá-la sem jeito, e funcio nou.
— Sim.
— Esta noite?
Ela o encarou rapidamente.
— Mas não é esta a cerimônia que conta! Temos que nos casar de novo em Clydon, na presença de meus vassalos e de Sir Henry. Pensei que íamos esperar...
— E permitir que retorne a Clydon sem estar casada de fato, dando tempo para que seus vassalos cheguem e eu seja posto para fora? Não, senhora, não terá motivos para a anulação. Estipulou filhos, portanto vamos começar a fazê-los o mais breve possível.
Pôde sentir as faces ficando vermelhas rapidamente e a irritação brotando. Ele faria isso só para se desforrar dela. Sabia que não o atraía, que ele não queria ir para a cama com ela. Provavelmente nem consumaria o casamento se ela não o tivesse envergonhado ao exigir filhos na frente dos outros.
Perguntou, secamente:
— É só?
Surpreendentemente, foi ele quem ficou sem jeito.
— Acontece que não foi por isso que a chamei aqui fora.
Podia ter dito que ele não a chamara, que a arrastara, mas ficou quieta. Fosse o que fosse que queria dizer, era evidente que lhe estava sendo difícil falar.
— Você me chamou de cavaleiro mal nascido.
— E você admitiu que era — concordou ela, espantada que ele se sentisse encabulado por causa disso.
— Então por que mencionou a minha família quando sabe que sou bastardo?
— Presumo que um de seus pais deva ser da nobreza, caso contrário não teria sido treinado para ser cavaleiro. Como é geralmente o homem que procria por aí sem o menor constrangimento, também presumo que o seu pai seja da nobreza, não a sua mãe. Estou errada?
Ele tinha os lábios comprimidos e a testa franzida.
— Não, está certa quanto a isso também.
— Ele está morto, então?
— Para mim, é como se estivesse. Falei com ele duas vezes em toda a minha vida, senhora. Já estava com nove anos quando ele se dignou a reparar em mim, embora soubesse muito bem da minha existência, já que nasci na aldeia da propriedade.
— Mas ele deve tê-lo reconhecido, já que mandou educá-lo.
— Isso não importa. Ele tem o seu herdeiro e não precisa de mim, nem eu dele. Mesmo que meu meio-irmão morra, nada aceitaria dele agora. É tarde demais.
— Que vergonha, Sir, toda essa amargura — atreveu-se ela a censurá-lo. — Seu pai não poderia ignorar um herdeiro legítimo para elevá-lo, e não deveria ser tão...
— Eu falei em herdeiro legítimo, senhora? Meu meio-irmão também é bastardo e mais moço do que eu vários anos. A sua boa sorte deriva de ter uma mãe que era uma dama. Uma prostituta, mas ainda assim uma dama.
Kagome não sabia ao certo o que dizer depois disto. Devia ficar calada, mas não podia, não depois de ele ter-lhe feito tal confissão. Fazia com que não parecesse mais um estranho, e, Jesus, sentiu-se lisonjeada por ele.
— Eu diria que isso está longe de ser justo, e parece que devo voltar a lhe pedir perdão. Tem toda a razão de ser amargo. Se um homem tem que escolher um filho natural para sucedê-lo, deve agir como se estivesse escolhendo entre filhos legítimos. O mais velho herda, por lei. Quem é esse homem?
Inuyasha ficou desconcertado com a veemência da resposta. Sabia que era injusto, mas que ela pensasse da mesma forma era uma coisa inesperada. Uma dama nunca tomara as dores de um membro da sua classe.
Mas ignorou a pergunta.
— Não importa quem ele seja, só que não quero que fique com nada que lhe pertence. Se eu morrer, quero que toda a sua herança volte às suas mãos, e não apenas metade do que é meu, mas tudo que possuir na época. E quero que isso conste do seu contrato.
Ela o fitou, com os olhos arregalados de incredulidade
— Se... se é o que quer.
— E entende que uma aliança comigo não lhe assegura ajuda de outra pessoa além de mim mesmo?
— Sim. — Ela retomou o controle da voz. — Mas a sua ajuda é suficiente. Shefford nos dará toda a ajuda adicional de que precisar mos.
Inuyasha sentiu-se esquisito, ouvindo-a dizer "nós" desse jeito. Jamais fora um "nós" antes, em toda a sua vida. E ela estava provando que podia ser razoável — pelo menos durante esta discussão. Claro que estava esquecendo as cláusulas que ela ainda queria incluir no contrato. Lembrando-se disso, pegou-a por baixo dos braços para trazer o seu rosto ao nível do dele.
— Estamos de acordo agora e podemos encerrar este assunto, mas entenda uma coisa, generalzinho. Você pode ter se protegido de sentir a força de meus punhos, mas se algum dia merecer, o seu traseiro travará conhecimento com a palma da minha mão. Não se sinta livre para me provocar ao seu bel-prazer.
Com tais palavras, pousou-a no chão e arrastou-a de volta à sala para a troca de juras e o beijo da paz. Paz? Kagome perguntou-se se voltaria a conhecer esse estado algum dia.
Olá, meninas!
Muito obrigada pelos comentários, malu, vivi, guest, nane-chan, anjinha tsuki, karoro-chan!
Desculpe pela demora, desanimei bastante com o mundo das fics...
Bem, esse foi um pouco mais longo né...espero que tenham gostado! A história é realmente muito boa, nos envolve nela, a Kagome é realmente uma personagem formidável, miúda, mas que não se deixa intimidar pelo grande Inuyasha hahaha, espero que continuem aparecendo, vou ver se consigo voltar a postar com menos intervalo de tempo.
Bjus
