Oi minhas florzinhas!
Eu sei, quase um mês sem atualizações aqui. Mil desculpas, mas realmente eu estive super hiper mega enrolada com algumas coisas e a tradução acabou se estendendo por demais.
Mas, agradeçam a Carol Venâncio, porque eu acelerei muito isso aqui para poder postar um capítulo antes da viagem dela. Não queria que ela viajasse sem uma atualização por aqui!
Então, vou deixar vocês com o capítulo e lá embaixo a gente volta a se falar.
Boa leitura!
Eu pisquei, sem expressão enquanto Alice parava em frente a mim, com uma xícara fumegante nas mãos. "Beba!" ela encorajou, batendo levemente em meus ombros, me dando um sorriso animado. Eu rosnei, apanhando a xícara quente e soprando o líquido.
"Por que estou aqui." murmurei, soando mais como uma afirmativa do que uma pergunta. Ela riu de modo trêmulo, parecendo pensar se sentava ao meu lado ou se voltava para perto de Jasper, que se encontrava sozinho no balcão, sorrindo para ela.
"Você me ama?" Alice perguntou com um tom de esperança. Eu balancei minha cabeça, não querendo concordar com o que quer que fosse assim, tão facilmente.
"Tente novamente." Eu disse, devolvendo a xícara e cruzando meus braços sobre o peito, enfiando as mãos pelas mangas do moletom de Edward, que eu ainda não devolvera.
"Porque... se eu vier sozinha e o café estiver cheio, eu ficarei aqui, sozinha, enquanto Jasper atende os pedidos. Mas se você estiver aqui, eu posso conversar com você enquanto ele faz isso."
"Fique com ele mais tarde." Eu disse sarcástica e seriamente.
"Eu não posso! Eu tenho aula de fotografia e queria vê-lo antes de ir."
Eu suspirei. Podia ter insistido, mas estava realmente exausta depois de uma noite rolando de um lado para o outro, desejando estar nos braços de Edward; e não queria arruinar o humor dela. Eu sabia bem como era querer passar o máximo de tempo possível com quem se ama e não era justo privá-la daquilo.
Neste exato momento meu celular começou a tocar ruidosamente o toque que eu escolhera para o número da casa de Edward. Eu gemi, por ter que sair da posição confortável em que me encontrava, enquanto pegava o telefone no bolso, o atendendo.
"Alô?" respondi entre um bocejo, sentindo meus olhos lacrimejarem.
"Olá, Bella." Elizabeth disse, em um tom deveras alegre para a hora. "Eu espero não ter acordado você."
"Oh, não!" Eu disse, tentando soar, instantaneamente, mais desperta do que antes, tomando um grande gole do meu café. Minha língua queimou e eu estremeci quando o líquido quente passou pela minha garganta. "Minha companheira de quarto, Alice, decidiu me acordar bem cedo hoje, para tomar café da manhã com ela."
Ela riu, um riso alto e delicado que soava claramente como uma versão feminina de Edward. "Fico feliz, então."
Depois de um breve silêncio, Elizabeth voltou a falar. "Edward me disse para ligar. Eu espero que não se importe, mas eu amaria passar algum tempo com você hoje."
Eu sorri involuntariamente. "Claro!"
"Você está ocupada?"
"Não." Eu disse, pensando, rapidamente nos meus compromissos, para ver se não tinha nada importante e que não pudesse ser cancelado. "Eu não tenho aula hoje, logo, estarei em casa a maior parte do tempo."
"Então... que tal se eu te pegar por volta do meio-dia? Nós podemos almoçar e depois decidir o que fazer. Edward estará de plantão o dia inteiro, então seria bom ter alguma companhia."
Eu sorri, sentindo que meu humor estava melhor do que há alguns minutos. Obrigada por me ligar!" Eu estremeci ao perceber o quão extasiada eu soei, quase embaraçada.
"O prazer foi meu, querida. Eu te vejo ao meio-dia. Edward me explicará como chegar até a sua casa."
Eu sorri. "Ok."
"Tchau, Bella."
Eu desliguei, colocando o telefone de volta no bolso traseiro de minha calça e sorrindo enquanto levava a xícara de volta aos meus lábios.
"O que ele queria?" Alice perguntou, voltando para o meu lado.
"Era Elizabeth. Ela quer que eu passe o dia com ela."
Alice sorriu astutamente. "Indo descobrir alguns segredos sobre o namorado, hã?"
Eu carranqueei. "Não." Embora eu soubesse que não era verdade... Eu tentaria, tão diplomaticamente quanto possível, adquirir algumas respostas sobre o passado um pouco nebuloso e misterioso de Edward. Havia algumas coisas que eu não podia perguntar a ele, não importando a quanto tempo estivéssemos juntos. "Quem sabe uma coisa ou outra..." "
Eu espero que você goste dela. Afinal, ela é a sua futura sogra." Alice disse enfaticamente, me fazendo rolar os olhos.
"Por favor, nós podemos deixar isso para outra hora?" Eu pedi. Ela tinha estado repetindo pelas últimas semanas, empolgadíssima, sobre como Edward e eu iríamos nos casar, esquecendo totalmente minhas opiniões sobre o assunto e, o mais importante, as opiniões de minha mãe.
"Por que não? Você não quer se casar com ele?"
Eu a parei. "Alice este não é o caso. Claro que eu quero. Mas você conhece Renée. E nós mal... acabamos de confessar o nosso amor um pelo outro. Você não acha que está se precipitando?"
"Não." ela disse abruptamente. "Jazz e eu falamos sobre isto."
Eu suspirei. Claro que falavam... "De qualquer maneira", eu disse, tentando mudar de assunto. "Que horas é a sua aula?"
"As dez." ela reclamou, enquanto contemplava Jasper, com adoração.
Eu acenei com a cabeça, optando por ficar calada enquanto cortava o muffin que ela havia posto diante de mim enquanto eu estava no telefone.
"Eu deveria ir me arrumar, provavelmente."
Eu ri diante da relutância dela. "Eu irei com você. Talvez eu aproveite para dormir um pouco mais." murmurei sarcasticamente, enquanto esperava, um pouco impacientemente, na porta, eles se despedirem. Como um simples beijo virou uma sessão completa de beijos e carícias, eu não estava bem certa, mas eles conseguiram se controlar antes que as coisas ficassem "quentes" demais.
"Tchau, Bella." Jasper disse, esfregando a boca para tirar as manchas do batom usado por Alice. Eu ri, acenando com dois dedos e me dirigindo para perto do carro.
"O que vocês vão fazer?" ela perguntou.
Eu encolhi os ombros, colocando o último pedaço de muffin em minha boca. "Ela não disse."
"Você está nervosa em relação a passar algum tempo sozinha com ela? Sem Edward?"
"Você está fazendo isto soar pior do que é." Eu disse, carranqueando diante do jeito como ela fazia aquilo parecer. "Eu não estou nervosa. Elizabeth é igualzinha a Edward."
"Mas mulher..." Alice pontuou, estacionando em frente ao prédio. Eu rolei meus olhos, caminhando lentamente até nosso apartamento.
"Eu não te manterei acordada", ela bufou, enquanto se dirigia ao banheiro.
Eu acenei com a cabeça, morrendo de sono, bocejando e pegando uma calça de moletom. O inverno estava se aproximando rapidamente. Passamos de um verão ardentemente quente para um outono frio e um inverno ainda mais gelado. Eu rastejei pela cama antes que Alice ligasse o chuveiro e deixei meus olhos irem se fechando, embora não tivesse certeza de que conseguiria dormir. Desde que eu começara a reescrever meu romance, diversos pensamentos para diferentes enredos não deixavam a minha cabeça. Eu sorri, fitando o teto, ao ver que minha inspiração havia voltado. Eu tinha esquecido do quanto eu sentia falta de escrever.
Em algum momento o sono me consumiu e eu acordei com o barulho da porta se fechando, indicando que Alice havia ido para a aula. Eu rolei para o outro lado, checando as horas. Os números vermelhos do relógio indicavam 9h32. Decidi me levantar para tomar um banho e ter tempo o suficiente para me arrumar.
Depois de esperar impacientemente pela hora combinada, revisando os diferentes desenhos feitos para a minha história e arrumando minha cama, puxando os lençóis até deixá-los completamente esticados, eu enviei uma mensagem rápida para Edward, lhe desejando um bom dia e que tivesse cuidado. Ao meio dia em ponto a campainha soou, me indicando que Elizabeth havia chegado.
Eu respirei fundo, conferindo meu look, para ver se tudo estava no lugar antes de abrir a porta. Eu não estava bem certa do por que estava tão nervosa, mas havia algo sobre impressionar a mãe de Edward que fazia borboletas se reunirem em meu estômago. Eu queria mostrar para ela que eu era a pessoa certa para Edward, mas não tinha idéia de como faria isso.
"Bella", Elizabeth me cumprimentou sorrindo. "Boa tarde."
Eu ri de modo trêmulo. "Olá." Disse, soando fraca e nervosa.
"Vamos indo" , ela sugeriu, me esperando fechar a porta. "O tráfego sábado pela manhã é horrível. Eu não entendo como você agüenta morar em uma cidade grande."
"E isto está vindo de uma mulher que mora em Chicago..." Eu disse, completamente agradecida por ela estar tornando aquilo fácil para mim.
Elizabeth sorriu maliciosamente, piscando e me conduzindo ao Volvo de Edward. "Ele está te deixando dirigir isto durante o fim de semana?" Eu perguntei, tentando mascarar minha surpresa. Edward era inacreditavelmente protetor com seu carro e raramente deixava que outra pessoa o dirigisse.
"Eu precisei usar um pouco do meu poder de persuasão." ela suspirou alegremente, enquanto ligava o carro e afivelava o cinto. "Mas depois que eu dramaticamente o mostrei que ficaria presa o final de semana todo, dentro do apartamento, enquanto ele não estivesse lá, ele se rendeu e cedeu. Afinal, ele não estaria usando mesmo, ele tem aquele caminhão de bombeiros grande para dirigir."
Eu ri, desejando saber apenas para onde nós íamos. "Quais são os planos?" perguntei.
"Bem, eu nunca passei muito tempo em Portland. Edward normalmente vai até Chicago para me visitar", ela disse, enquanto ligava a seta para a direita. "Assim, eu pensei que nós poderíamos ir a um pequeno mercado que eu vi em um folder qualquer, depois de comermos."
Eu sorri, acenando com a cabeça com entusiasmo.
"Agora Bella, de onde você é?" ela perguntou. "Edward me falou um pouco sobre você, mas eu quero saber mais detalhes."
Eu senti minhas bochechas esquentando antes de começar a falar. "Eu nasci em Forks, Washington mas morei em Phoenix a maior parte da minha vida." resmunguei. "Meus pais se divorciaram quando eu era pequena. Minha mãe Renée se mudou para o Arizona e eu fui com ela."
"Que terrível." Elizabeth disse, soando genuinamente sentida por minha história. Como se ela não tivesse uma que colocava a minha no chinelo.
"Não foi tão ruim." Eu disse depressa. "Eu voltei a morar com Charlie aos dezessete anos, e foi então que conheci Alice e Emmett Cullen. Eu quis dar um pouco mais de privacidade para minha mãe e seu novo marido." O rosto de Phil rapidamente veio a minha mente e eu abri um sorriso. Eu não sabia como ele conseguia aguentar minha mãe, mas ficava feliz por ele o fazer.
"E o que ele faz?"
Eu inalei, me preparando para as perguntas que viriam a seguir. "Phil joga beisebol."
"Oh!" Elizabeth disse, soando surpresa. "Eu já ouvi falar nele?"
"Provavelmente não." Eu ri, balançando a cabeça. "Ele joga na segunda divisão. Neste momento eles estão em Jacksonville, Flórida."
"Bem", Elizabeth disse, entrando em uma das ruas mais movimentadas, diminuindo a velocidade devido ao tráfego. "Parece que você tem uma família muito amorosa."
Eu acenei com a cabeça em real acordo. "Sim, eu tenho."
"Alice e Emmett..." ela disse, franzindo a sobrancelha. "Eu acredito que Edward já os tenha mencionado antes."
"Emmett trabalha com Edward." Eu expliquei.
Ela acenou com a cabeça. "É isto. Um ótimo menino pelo que eu ouvi."
Eu ri alto. "Ele pode parecer intimidante, mas vem sendo como um irmão para mim, há anos. Ele e a namorada, Rosalie Hale, acabaram de ficar noivos." Eu contei.
"Eu ouvi sobre isso. Agora, que Edward te conheceu, eu recebo telefonemas mais frequentes e fico sabendo mais das novidades da vida dele."
Eu me ruborizei, brincando com as mangas de minha camisa. "Você tem um filho surpreendente, Elizabeth." Eu disse, resolvendo expor meus sentimentos.
"Ele tem uma namorada maravilhosa", ela replicou, apertando minha mão. "Eu estou tão contente por ele ter decidido se abrir mais, se jogar pra vida. Eu estava perdendo as esperanças de que isso viesse a acontecer. Mas eu sabia que um dia ele encontraria uma linda garota. Ele sempre foi doce e encantador, mas depois do acidente..."
Elizabeth ficou momentaneamente distante, e eu desejei saber mais sobre o passado. Sobre o porque do Edward ficar tão abatido com as recordações. Entretanto, eu não queria perguntar. Não era da minha conta e eu não queria arruinar o dia agradável que teríamos pela frente.
Nós resolvemos ter um almoço rápido, na varanda de uma delicatessen local, onde pedimos sanduíches. Durante o almoço, brincamos e rimos como velhas amigas e eu não pude evitar os pensamentos de Elizabeth como avó de nossas crianças, do tipo que faria tudo por eles e que os alimentaria com biscoitos de chocolate tarde da noite. Eu sabia que estava indo bem além daquilo que eu planejava, mas fui tomada pelo momento. Nós partimos depois de meia hora, ansiosas por continuar com a programação.
"Aqui estamos." ela anunciou, enquanto estacionava em uma vaga há alguns quarteirões do mercado. "Que lindo dia."
Eu tive que sorrir diante do seu otimismo contagiante. Enquanto caminhávamos ao ar livre, algumas lembranças me assolaram. "Quase me faz lembrar do Pike Place Market." Eu disse, sorrindo. "Um mercado enorme em Seattle." Eu disse a Elizabeth que acenou com a cabeça imediatamente.
"Edward me levou lá uma vez, quando eu vim até aqui para vê-lo. Eu adorei."
Seu amor e adoração pelo filho era límpido e eu podia sentir meu sorriso aumentando a medida que ela seguia falando dele. "Quando ele começou a tocar piano?" Eu perguntei curiosa enquanto passávamos pela entrada principal do mercado.
Elizabeth seguiu caminhando pelo espaço entre frutas e verduras, pegando três ou quatro maçãs e as examinando. "Ele era bem jovem." ela disse, pensativa. "Eu gostaria de dizer que ele tinha seis ou sete anos quando começou, mas como todas as crianças pequenas, ele odiava."
"E as composições dele?" Eu perguntei.
"Na verdade, ele não me contou nada sobre isso" , ela começou a explicar, pegando uma laranja. "Eu estava limpando seu quarto, um dia, e me deparei com uma pasta cheia de papéis. Quando eu lhe perguntei sobre aquilo ele encolheu os ombros, com indiferença."
Era difícil para mim imaginar o quarto de Edward sujo, mas achei melhor ignorar meus pensamentos. "Elas estão perfeitas."
"Realmente." ela concordou, comprando as laranjas e me conduzindo a outra barraca, de amendoins torrados. "Edward comia isto o tempo todo", ela disse, sorrindo às nozes fumegantes. "Nós éramos uma família ultra tradicional na época do natal. Gemada, castanhas assadas, cânticos alegres... Meu marido costumava brincar que éramos extremamente consumistas nessa época do ano."
Eu ri, sentindo minha boca enchendo d'agua diante daquele cheiro. "Nós nunca fomos muito... organizados." Eu admiti, pegando algumas notas em minha bolsa e dando ao moço, em troca de alguns pacotinhos daquele. "Eu sempre fui o adulto da casa e com Renée você nunca sabe o que vai acontecer. Um ano ela decidiu simplesmente pular o Natal e me levou para a Disney."
Elizabeth riu ligeiramente. "Bem, eu estou certa de que existem muitos anos para serem lembrados."
Eu acenei com a cabeça, mastigando algumas nozes.
Nós seguimos em silêncio por algumas outras barracas. "E meu filho te ama."
Eu quase engasguei com o amendoim e precisei de um tempo para me recompor. "Huh?" Eu disse, gaguejando. A idéia ainda era tão surreal e nova para mim, mas ainda era estranho ouvir isto em voz alta.
"Sim." ela insistiu, passando seu braço pelo meu enquanto abríamos caminho pela multidão.
"Eu sei." Eu disse convencida, mas ainda desnorteada. "Eu estou... tão aturdida."
"Não fique." ela disse, sorrindo e brincando com a bonita aliança em sua mão esquerda. "Ele te olha da mesma forma que o pai dele me olhava."
Eu mordi meu lábio, nervosa com a facilidade com que ela dizia aquilo. "Eu também o amo." Eu disse suavemente, sentindo como se eu pudesse confiar nela para tudo. Ela era o exato oposto de Renée, mas de certo modo me confortava. Como se a vida de Edward quase completasse a minha, de alguma forma.
"Você se preocupa com o trabalho dele?" Eu a ouvi perguntar, me tirando dos meus pensamentos.
Eu gelei, sentindo toda a cor fugindo do meu rosto enquanto processava a questão. "Sim." resmunguei, distraída com uma série de quadros sobre o outono expostas ali por um artista. "O tempo todo." Eu pensei em Edward e Emmett presos em um edifício em chamas, sem chances de escapar, e sem que eu pudesse fazer qualquer coisa para ajudar. Eu não tinha percebido que uma lágrima havia descido por minha bochecha até que Elizabeth a limpou, me abrindo um sorriso confortador.
"Oh querida", ela disse, acariciando meu braço. "Eu também me preocupo... todos os dias."
Eu esfreguei meu nariz com a parte de trás de minha mão. "Eu tenho tanto medo que um dia ele não volte para casa." Eu não sei o que eu faria, eu quis dizer. Eu não posso viver sem ele. Aquilo era dolorosamente óbvio.
"Eu posso lhe contar um segredo?" Elizabeth perguntou baixinho. Eu acenei com a cabeça e sem dizer qualquer coisa ela pegou minha mão e me conduziu até um banco mais afastado. Eu me sentei, sorrindo tristemente enquanto ouvia o barulho das folhas secas sob os meus pés. O barulho me lembrava meu primeiro dia de aula, quando Renée me levara, pelas folhas secas, até a sala de aula.
Elizabeth colocou sua mão sobre a minha, olhando para o sol, antes de voltar a me encarar. "Bella, eu confio em você com meu filho. Eu sei que você nunca o machucaria, e eu quero lhe agradecer com antecedência por isso. Ele tem sentido falta de segurança e de calor humano e eu penso que ele havia esquecido disso. Há algumas coisas que uma mãe não pode dar ao filho." ela brincou, de bom humor. Eu sorri debilmente, grata pelo seu gesto. "Mas quando ele decidiu se tornar bombeiro, parecia como se..."
Eu não disse nada. Eu sabia que não havia nada que eu pudesse fazer, mas de alguma forma, eu sentia necessidade de ajudá-la. Felizmente, eu não precisei fazer.
"Parecia como uma tentativa de acabar com a sua própria vida. Alguma coisa acidental."
Eu respirei fundo, tentando ignorar a dor e a palpitação em meu peito. "Acabar com a própria vida?" gaguejei.
"Por favor, não comente nada disso com Edward." ela pediu, com um olhar desesperado, que não abandonou seu rosto até que eu concordei com aquilo. "Ele sempre quis estudar direito, trabalhar em uma empresa e, até mesmo, abrir a sua própria mais tarde... e, de repente, resolveu arriscar sua vida em algo que eu sei que poderia matá-lo desde o momento em que o vi saindo daquela casa em chamas, há oito anos... e isso me assusta como o diabo."
Eu ofeguei suavemente, mas levei algum tempo para processar todas aquelas informações. "Como em uma tentativa de suicídio?" Eu me encolhi diante da minha própria pergunta, mas eu precisava colocar aquilo para fora. Elizabeth acenou com a cabeça, com os olhos cheios d'água. " Você acha que..." Eu parei. Algumas palavras eu nunca poderia dizer, e qualquer coisa relativa a Edward morto, estava no topo da lista.
"Eu não sei."
Eu acenei com a cabeça, passando a mão pelo cabelo e apertando a ponta do meu nariz – uma característica que havia pego de Edward. "Por que você está me contando isto?" perguntei, esperando não soar muito rude.
"Porque você tirou este pensamento totalmente da minha mente", ela respondeu facilmente. "O vendo abraçado a você, no aeroporto, parecendo tão feliz e despreocupado... parecia um sonho se tornando realidade."
"E resolvendo ser bombeiro, você acha que Edward estava tentando..." Eu me repreendi por não conseguir completar a frase, mas ela parecia saber o que eu estava tentando dizer.
"Eu achei que seria um modo fácil para ele acabar com a própria vida sem que parecesse algo intencional. Quase algo como 'olho por olho' – seu pai morreu no incêndio que destruiu nossa casa e ele queria deixar o mundo da mesma forma."
Eu podia notar a tensão e a preocupação em sua voz, mas os sons começaram a ficar distantes a medida que meus soluços se tornavam ainda mais altos. Logo, os braços de Elizabeth estavam ao redor de mim. Seu cheiro, assim como o de Edward, me acalmava.
"Mas não mais." ela disse vigorosamente, olhando diretamente nos meus olhos. "Não desde que você surgiu. Você, Bella, o mudou significativamente. Eu não sei quantas vezes eu posso repetir isto em minha mente sem que um aspecto novo surja me mostrando o quão diferente ele está. É uma quantia infinita. Ele teria que ser pego por um grupo de leões da montanha para se afastar de você."
Eu suspirei. "Eu sei." Mas na verdade, não estava bem certa de que realmente sabia, mas, se sua mãe insistia nisso, para mim já era o suficiente. "Obrigada por falar comigo." Aquele não devia ser um assunto fácil para ela.
Ela sorriu, um sorriso muito parecido com o do filho, me puxando para um abraço. "Agora que nós já nos entendemos sobre isso, que tal irmos e aproveitarmos este maravilhoso dia de outubro?" Eu me levantei, ajeitando minha roupa e a segui de volta para o interior do mercado onde passamos as próximas horas caminhando e comprando muito mais comida do que era necessário para qualquer uma de nós.
Nós voltamos para o Volvo por volta das 15h30 e, ao invés de seguirmos rumo ao meu apartamento, Elizabeth pegou a direção oposta. "Uh", eu resmunguei, virando minha cabeça para olhar pelo vidro de trás. "Na verdade, meu prédio é..."
"Eu sei, querida." ela sorriu, seguindo pela rua e estacionando em frente a um arranha-céu. "Mas eu pensei que nós poderíamos fazer mais uma paradinha."
Eu abri um sorriso, enquanto a seguia um pouco desconfiada a vendo caminhar confiantemente até o elevador, apertando o botão indicativo do 11º andar. As portas de metal rangeram ao abrir, me indicando uma proeminente placa que dizia que eu estava em uma das mais prestigiosas editoras do Estado.
"O que no mundo..." Eu murmurei por entre minha respiração, erguendo minha sobrancelha e olhando curiosamente para Elizabeth. Ela riu baixinho, enquanto passava pelo recepcionista que lhe deu um pequeno sorriso e apontou para uma grande porta de escritório à esquerda. Eu a segui, completamente confusa sobre o que estávamos fazendo ali. Ela bateu duas vezes na porta, esperando até que uma voz macia e feminina respondeu. "Entre."
Elizabeth sorriu de orelha a orelha, enquanto me conduzia para dentro do espaçoso escritório do qual se avistava o rio. Sentada em uma grande cadeira de couro por trás de uma mesa, estava uma elegante mulher digitando freneticamente em um computador. "Por favor, sentem-se." ela disse, levantando um dedo.
Elizabeth me conduziu a uma cadeira de madeira em frente a mesa e sentou-se ao meu lado, esperando até que a mulher se levantou e caminhou até ela, lhe dando um caloroso abraço. "Elizabeth, há quanto tempo." ela disse, sorrindo.
Elizabeth acenou com a cabeça, gesticulando para que eu me levantasse. "Bella, eu gostaria que você conhecesse Victoria Platt, uma das editoras mais famosas do meio." Eu senti minha boca se abrindo ao ouvir o nome, enquanto um rubor podia ser sentido em minha face.
"É um prazer te conhecer. E só para registrar, eu não sou, definitivamente, a mais famosa." ela disse, estendendo sua mão para mim.
Eu a cumprimentei, sorrindo como um idiota. "Vicky, esta é Bella Swan. A namorada do Edward."
Ela tentou esconder o choque por meio segundo, mas acabou falhando e deixando seu assombro transparecer. "Seu Edward?" ela perguntou, como que pedindo uma explicação por parte de Elizabeth. Eu a observei acenar com a cabeça antes que Victória voltasse a me encarar. "Bem", ela disse, enquanto voltava para sua mesa e desligava o computador. "Eu nunca pensei que veria este dia."
"Vicky e eu somos amigas desde a faculdade." ela explicou. "O quão velhas isso nos faz soar?" ela zombou, piscando à amiga. Eu ri diante da interação entre elas, ainda pasma com o fato de que Victoria Platt estava sentada em frente a mim e, mais ainda, conversando conosco.
"Edward mencionou que você escreve Bella e eu pensei que você gostaria de conhecê-la." ela disse baixinho, de modo que Victória não pudesse ouvir. Eu acenei com a cabeça depressa, sorrindo diante da sua consideração para comigo.
"Isto é... muito mais do que alguma vez eu projetei para a minha carreira de escritora." Eu admiti, sabendo que devia estar tão vermelha quanto um tomate. "Eu nunca fui capaz de terminar algo que eu gostasse, dessa forma nunca estive no escritório de um editor antes."
Victoria riu, apoiando seus cotovelos na mesa. "Bem, é ótimo te ter aqui Bella. Mas me diga, o que você escreve?"
Eu clareei minha garganta, envergonhada. "Eu tentei inúmeros gêneros." disse sinceramente. "Mas, tudo acabou caminhando para o romance."
"O que gosta você de ler?" ela perguntou.
Eu pensei por um momento antes de sorrir timidamente diante do pensamento de todos os romances clássicos empilhados em minhas estantes no apartamento. "Eu amo Jane Austen e Emily Bronte." disse. "Entre outros. Eu amo ler, mas os clássicos são os meus favoritos."
"Você tem bom gosto." ela observou.
A conversa seguiu por esse tema por mais alguns minutos até que Elizabeth e Victoria começaram a relembrar algumas das histórias mais embaraçosas sobre a infância de Edward.
"Eu estava presente na maioria das vezes." Victoria disse, rindo. "Eu só me mudei de Chicago para Portland há aproximadamente seis anos atrás, quando surgiu uma vaga; assim pude observar Edward crescer e se tornar o jovem rapaz que ele é hoje."
Eu bufei à descrição, mas tive que concordar. "Ele era uma criança quieta?"
Victoria riu alto. "Não, quando criança, não. Ele era bastante encrenqueiro. Ele entrava por toda parte com lama nas roupas e o sorriso mais sapeca. Quase iluminando toda a sua face, eu diria."
Eu ri. "No que ele costumava se meter?" Eu tive que perguntar.
"Edward e seus amiguinhos de bairro passavam horas na casa de árvore que o pai havia construído para eles no quintal", ela disse. "Tramando diversas coisas. Uma vez, eles tentaram roubar todas as plantas de um vaso de Elizabeth e os replantar no quintal. Outra, roubaram o peru de Ação de Graças porque queriam dar uma nova chance de vida ao bicho."
Eu ri, me recostando na cadeira.
"Mas ele era uma criança adorável. Eu estou feliz que ele tenha alguém agora. Eu não estou bem certa de que ele já tivera antes. Exceto por aquela... qual era o nome dela?"
"Não vamos falar nisso." Elizabeth advertiu, se ajeitando na cadeira. Victoria rapidamente parou de falar, concordando com a cabeça. Elas tiveram uma intensa troca de olhares e eu tossi desajeitadamente.
"O que aconteceu?" perguntei suavemente. "Eu ouvi algumas coisas, mas... o que ela fez?"
"Isso é algo você terá que perguntar ao Edward." Elizabeth suspirou. "Eu não sei. Ele nunca me contaria. Tudo o que eu sei é que ele começou a confiar nela e ela arruinou a relação deles por algumas razões insignificantes."
Eu encolhi os ombros. "Eu não estou bem certa de que posso fazer isso."
"Eu garanto..." Victoria disse , "Se o Edward mudou tanto quanto Lizzie diz, ele confia em você com a vida dele."
Eu soltei minha respiração, me levantando junto com Elizabeth. "Obrigada pela visita maravilhosa, Vicky." ela disse, abraçando a amiga.
"A qualquer hora, Liz. Você sabe que é bem-vinda a qualquer hora. Eu gostaria que você me visitasse mais!"
"Eu acho que talvez eu possa." ela disse, piscando um olho para mim.
Eu ruborizei, enquanto Victoria apertava minha mão calorosamente. "Quando você terminar seu livro, por favor, me envie uma cópia. Eu adoraria dar uma olhada nele e ver se podemos fazer algo." Eu sorri diante da perspectiva.
"Eu mandarei. Obrigada novamente."
Elizabeth e eu deixamos o escritório logo após Victoria me entregar um cartão de visita seu, que eu tratei de colocar em minha carteira com grande cuidado. Eu não perderia aquele cartão de jeito nenhum.
"Eu tive um dia fantástico, Bella." Elizabeth disse enquanto me levava até a porta e me dava um papel com seu endereço e telefone. "Por favor não hesite em ir me visitar. Eu adoraria que você e Edward passassem algum tempo comigo em Chicago."
Eu acenei com a cabeça, guardando o papel e a abraçando. "Eu irei."
"Nós nos vemos amanhã." ela disse firmemente.
Eu ri, mordendo meu lábio. "Eu acho que sim." Embora a escolha não fosse minha, eu gostaria de vê-la novamente.
"Tchau." ela piscou, acariciando meu braço antes de voltar ao Volvo.
Eu subi correndo até o apartamento, conferindo o telefone pela primeira vez no dia, e notando duas mensagens de voz e uma de texto, todas de Edward. Sem nem escutar as mensagens, eu disquei seu número esperando enquanto chamava, até que no terceiro toque ele atendeu.
"Bella." ele ofegou.
Eu sorri ao perceber o quão genuinamente excitado ele soou ao falar comigo, e desejei saber, pelo menos por um momento, como no mundo eu podia pertencer a alguém como ele. "Oi." Eu disse timidamente. "Estou de volta." Eu disse, um pouco confusa por não ter ouvido suas mensagens.
"Eu pude notar." Eu pude perceber o sorriso escancarado pela sua voz. "Como foi sua tarde, amor?"
"Foi divertida." Eu disse, lhe contando os acontecimentos do dia.
Edward riu das histórias que Victoria e Elizabeth me contaram, soando um tanto quanto envergonhado. "Eu não vejo Vicky há anos." ele disse como se estivesse longe. "Eu quase me esqueci que ela estava em Portland."
"Ela me disse para lhe enviar uma cópia do meu livro quando eu tiver terminado." E, só ao dizer aquilo em voz alta eu me dei conta do quão surreal soava.
"Bella que ótimo!" ele exultou. "Agora tudo o que você tem que fazer é escrever e você tira isso de letra."
Eu rodei meus olhos diante do quão fácil ele fazia aquilo soar. "Tem que ser algo bom." Eu retruquei.
"Será", ele garantiu. "Tudo o que você escreve é fantástico."
"Você nunca leu nada." Eu apontei, carranqueando.
Ele riu, aquele som que soava como música para os meus ouvidos. "Realmente não." ele disse calmamente. "Mas lerei. Eu serei a primeira pessoa a ter uma estante inteira dedicada a seus livros, todos autografados."
"Você vai comprar uma quantidade capaz de preencher toda uma estante?" Eu zombei.
"Sim." ele disse confiantemente. "De fato, eu irei."
Eu abri um sorriso diante da sua determinação e decidi deixar aquilo de lado, por hora. "Quando você vai para casa?" perguntei, mudando de assunto.
"Eu ainda tenho mais uma hora e então estarei liberado."
"Você e Elizabeth irão ficar em casa, a noite?" Eu perguntei.
Ele fez um barulho de concordância. "Nós provavelmente pediremos algo para comer e revisaremos alguns aspectos que Elizabeth considera importantes de minha vida, como ela gosta de fazer todas as vezes que nos encontramos."
Eu ri. "Divirta-se."
"Eu irei, amor. Estou com saudades de você."
Meu coração acelerou e, naquele momento, eu me senti mais sozinha do que quando entrei no apartamento escuro e vazio. Eu desejava que ele pudesse estar ali, mais do que qualquer outra coisa. "Eu também."
"Eu garanto... Uma vez que minha mãe tenha partido amanhã, eu a manterei presa até a hora das suas aulas na segunda de manhã. Que horas elas começam?"
"Às onze."
"Perfeito." ele disse, soando como se estivesse planejando algo. "Você irá até o aeroporto comigo para de lá irmos até o meu apartamento?"
"Claro." Eu disse, entusiasmada por ele estar me convidando. "Eu te vejo amanhã, então?"
"Claro. Nós passaremos aí para te pegar."
Eu me sentia desanimada pela iminência de ter de desligar o telefone, mas Edward me interrompeu. "Bella?"
Eu repus o telefone na orelha. "Sim?"
"Eu te amo. Muito."
Eu sorri brilhantemente, sentindo como se meu espírito estivesse fora do meu corpo. "Eu também te amo."
"A segunda inteira." ele prometeu, me dizendo uma vez mais o quanto me amava antes de desligar o telefone.
O domingo passou dolorosamente lento. Eu estava a beira da loucura quando o familiar Volvo prata parou diante do prédio e eu entrei pelo banco traseiro, beijando Edward rapidamente. "Como foi sua estada, mãe?" Edward perguntou, enquanto dirigia rumo ao aeroporto. Elizabeth olhou para o filho, com os olhos cheios d'agua que ela tentou limpar o mais depressa possível. "Foi incrível, querido. Obrigada por ser um anfitrião tão bom."
Edward apertou os lábios. "Bem, eu não tive nem como ficar o dia inteiro com você."
"Isto é verdade." Elizabeth disse, levantando um dedo. "Mas eu pude aproveitar o tempo com a sua adorável namorada."
Eu ruborizei, abafando minha risada trêmula enquanto Edward sorria brilhantemente para mim, via espelho retrovisor.
"Quando vocês virão me visitar?" ela perguntou, batendo no braço dele. "Venha para casa!"
"Eu tentarei." Edward prometeu, soando completamente sincero. A essa altura já estávamos parados na frente do aeroporto e saímos do carro, pegando a bolsa de Elizabeth e a ajudando a fazer o check in. Nós paramos perto da área de embarque, no aeroporto vazio, aumentando ainda mais a tristeza da despedida.
"Quero que vocês dois me visitem, estão me ouvindo?" Elizabeth ordenou. "Eu quero poder retribuir a hospitalidade. Tire uma folga daquele seu trabalho Edward. Você merece."
Eu me surpreendi ao ver os olhos de Edward repletos de emoção. "Nós prometemos." ele disse, apertando seu braço ao redor da minha cintura, enquanto falava. Ela abraçou nós dois juntos, antes de abraçar cada um separadamente, beijando nossas bochechas. "Obrigada", ela disse pela milionésima vez. "Cuide dele por mim."
Eu mordi meu lábio, me comprimindo ao lado de Edward enquanto ele se despedia da mãe mais uma vez antes de me conduzir até o carro. Eu suspirei, afivelando o cinto e encostando a cabeça no encosto do banco. "Ela é uma mulher surpreendente." Eu disse baixinho, recordando os momentos passados com ela.
Edward acenou com a cabeça, enquanto conferia os outros carros antes de arrancar. "Ela é. E ela te ama como a uma filha."
Nós conversamos um pouquinho, mas a maior parte do trajeto foi feito em um silêncio confortador. Ele parou em frente a casa, abrindo a minha porta para mim e pegando minha bolsa para me ajudar a sair. Eu observei a carta que Elizabeth havia me entregue, bem em cima. Eu peguei a bolsa, sentindo como se aquele pedaço de papel pesasse uns 30Kg.
"Você quer alguma coisa?" ele perguntou, notando minha mudez.
Eu neguei com a cabeça, sentando no sofá de couro e esperando até que ele pegou uma garrafa de água e veio se sentar ao meu lado. Eu fechei meus olhos, me aconchegando ainda mais nele. Eu não tinha aberto a carta. Verdade seja dita, eu não tinha certeza de que seria capaz de fazê-lo. Me sentia como se estivesse de volta à 7ª série, espiando o diário de meu melhor amigo; aquilo não era da minha conta e eu me sentia como se estivesse me intrometendo em algo tão especial para Edward que eu não seria capaz de entender.
"No que você está pensando?" ele sussurrou na minha orelha, sua respiração morna batendo em minha pele.
Eu tremi, puxando o lençol que estava sobre o braço do sofá para cima de nós. "Nada." Eu disse, assustada. Eu não sabia como expor aquilo para ele.
" Por favor amor", ele disse, apoiando seu queixo em meu ombro, me olhando profundamente nos olhos. "O que está te aborrecendo?"
Eu gelei, estava no meio do caminho entre lhe contar tudo ou esconder a carta no fundo da bolsa e lê-la quando chegasse em casa, mandando minha moral às favas. "Edward, sua mãe..." Eu parei, tentando colocar minha mente em ordem. "Ela me deu uma carta quando eu vim jantar na sexta a noite." Ele começou a fazer alguns círculos relaxantes em meu quadril, no pedaço onde minha blusa subira ligeiramente.
"E o que dizia?"
Eu decidi deixar o jogo rolar. "Não sei. Eu não li."
Edward parou os movimentos, me olhando com os olhos repletos de incompreensão e questionamentos. "Por que não?"
"Eu não acho que eu possa."
"Bella, eu tenho certeza de estará repleta de elogios para você." ele disse, confuso.
Eu entendi sua linha de pensamento e regressei rapidamente. "Não! Eu não acho que seja algo ruim." Eu disse. "Não foi Elizabeth quem escreveu."
Os olhos dele, se possível, pareceram ainda mais escuros. "E quem o fez?"
Eu tinha a sensação de que ele já sabia a resposta, mas não tive coragem o suficiente de o questionar sobre isso. "Seu pai."
Eu fechei meus olhos enquanto suas narinas tremulavam e ele apertava o lençol com muita força. "Meu pai." ele repetiu de modo apático.
Eu acenei com a cabeça, me afastando um pouco mais dele. "Eu não li, entretanto." Eu reiterei. "Eu não queria fazê-lo sem você saber."
"E ela achou que simplesmente podia distribuir cópias da minha carta, daquela que o meu pai me escreveu sem o meu consentimento?" seu olhar era raivoso e sua voz estava bem mais alta do que o normal.
Eu me encolhi, envergonhada. "Seu pai deu uma cópia da carta a sua mãe." Eu expliquei tão rápido quanto pude. "Ela achou que eu gostaria de ler isto, mas eu... eu não sei. Eu não acho que tenho o direito de fazê-lo."
"Eu sinto muito." ele disse, com a expressão mais aliviada, me puxando novamente para os seus braços, onde eu me aconcheguei alegremente. "Eu rapidamente tiro conclusões precipitadas."
"Talvez." Eu zombei, beijando sua mandíbula. "Mas eu teria feito a mesma coisa."
"Por que você simplesmente não leu?" ele perguntou. "Eu não entendo... A maioria das pessoas teria lido sem nem mesmo contar ao outro que o fizeram."
"Eu não sou a maioria das pessoas." repliquei. "Além do mais, a carta não é minha."
"Eu quero que você leia." ele disse tão baixo que eu não conseguia saber se ele havia falado para mim ou para si mesmo. "Sim, eu quero."
"Você tem certeza disso?" Meus olhos se arregalaram de surpresa. Eu tinha certeza de que ele ia querer a carta de volta. "Eu não preciso fazer isso."
"Eu quero", ele repetiu, mais enfático dessa vez. "Eu quero que você conheça a relação que eu tinha com o meu pai e que tipo de homem ele era."
Eu acenei com a cabeça, olhando para a bolsa apoiada perto da porta do apartamento. "Você a lerá comigo?" Eu perguntei. Ele estava me dando um dedo e eu estava pedindo o braço inteiro, mas eu não sabia se conseguiria ler aquilo sozinha. Eu não sabia se daríamos conta de ler aquilo juntos também, mas eu tinha uma chance e queria aproveitá-la.
"Sim." ele murmurou, acariciando meu pescoço e dando um beijo no lóbulo da minha orelha. "Eu irei."
Eu mordi meu lábio, fechando os olhos enquanto ele passava o nariz, suavemente ao longo da minha clavícula. Nós permanecemos naquela posição, ultra confortável, por uma eternidade. Lá fora, começara a chover e as gordas gotas espirravam pela grande janela atrás de nós. O sol finalmente tinha se posto e as pesadas nuvens impediam a visão da lua ou de qualquer estrela. Permanecemos ali, confortáveis até que o telefone tocou, fazendo-nos gemer ruidosamente."Deixe tocar." ele disse preguiçosamente, virando meu rosto e passando seus lábios pelos meus, suavemente. Minhas mãos entraram por entre os fios bronze do seu cabelo, o puxando para mais perto de mim, enquanto sua mão descia para o vão das minhas costas, me apertando, arrancando um pequeno gemido de mim. O som incessante parou, mas logo em seguida começou a tocar, mais uma vez. Edward rosnou, me dando mais um beijo antes de se levantar, indo em direção ao telefone, preso na parede perto da cozinha. Eu esfreguei meus braços, me apertando ainda mais sob o lençol, sentindo falta do calor perdido.
"Alô?" ele disse seco, apoiando contra o alizar da porta.
Eu brinquei com a franja na ponta da manta, tentando ao máximo não prestar atenção na conversa. Passei então a ajeitar as revistas e jornais empilhados na mesa de centro...
"O que?" Eu o ouvi dizer nitidamente. Eu me virei na sua direção e não pude deixar de perceber a sua postura. Ele estava apertando a ponta do nariz, enquanto sua mandíbula estava apertada. Eu respirei fundo, sem saber o que estaria acontecendo.
"Quando?"
Eu fechei meus olhos, tentando me convencer de que estava tudo bem. Que o vôo de Elizabeth tinha chegado em Chicago sem problemas, que todos estavam bem no batalhão e que ninguém havia descoberto uma doença terminal. Meu humor ia piorando a cada pensamento e eu seguia balançando a cabeça, tentando fazer com que aqueles pensamentos me deixassem. Eu ouvi Edward resmungar mais algumas palavras antes de desligar vigorosamente. Ele se sentou bruscamente ao meu lado, respirando pesadamente. Eu coloquei minha mão ternamente em seu braço, fazendo pequenos círculos por cima da manga da camisa. Eu ofeguei ao notar o quão escuro seus olhos estavam, preenchidos com alguma emoção que eu não conseguia descrever. "Eles precisam de mim", ele sussurrou, soando tão aflito quanto eu estava me sentindo. A única diferença era que ele sabia o que estava acontecendo, enquanto eu me encontrava na mais completa escuridão.
"Quem?" Eu tentei forçar.
"O batalhão." ele disse abruptamente, se levantando e andando pelo cômodo. "Há um incêndio em uma floresta no Colorado e eles precisam de auxílio."
"De Portland?" Eu perguntei, assustada. "Por que não de algum lugar mais próximo?"
"Eles estão fazendo o melhor que eles podem, mas não é bastante. Nós somos os seguintes na listagem." ele riu amargamente.
"Quanto tempo você ficará longe?" Eu perguntei, nervosa diante da possível resposta.
Ele passou as mãos pelo cabelo, sentando-se novamente no sofá e balançando a cabeça. "Eu não sei. Pelo tempo que eles precisem de nós. Emmett e eu partiremos amanhã de manhã."
Eu levantei minha cabeça, tentando esconder qualquer emoção, mas falhando miseravelmente. "Por que?" Eu murmurei debilmente. "Por que seu batalhão?" Eu perguntei retoricamente, agarrando-o pelo pescoço.
"Vai ficar tudo bem", ele disse baixinho, tentando acalmar a nós dois. Eu acenei com a cabeça relutantemente, o permitindo me levar até o quarto e me colocar na cama. "Eu vou te deixar trocar de roupa." Ele disse, num convite silencioso para eu passar a noite ali.
Eu vesti meu pijama e me enfiei debaixo dos lençóis, oferecendo meus braços para Edward se aninhar. Não importa o quanto eu não quisesse dormir, eu sabia que o sono era inevitável. Eu me remexi a noite inteira nos braços de Edward; num sono agitado, repleto de pesadelos onde ele não voltava para mim depois dessa viagem.
Eu acordei me sentindo física e mentalmente exausta e bastou apenas um olhar no espelho para confirmar minhas suspeitas. Círculos escuros estavam debaixo de meus olhos e meu cabelo parecia um monte de feno. Eu estava dolorida e podia sentir a tensão em meus músculos, algo que nem mesmo uma ducha seria capaz de resolver. Edward parecia estar do mesmo jeito, mas nenhum de nós tinha humor suficiente para rir do outro.
Ele dirigiu até o batalhão onde Rosalie e Emmett também estavam. Edward tinha se oferecido para levá-los até o aeroporto onde encontrariam o restante da corporação, enquanto Rosalie me levaria para casa. Eu observei com intensa tristeza enquanto Rosalie chorava nos braços de Emmett, ordenando-o que tivesse cuidado. Eu nunca o tinha visto tão acabado antes e aquilo quase me matou. Eu olhei para Edward, me esmagando em seus braços, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
"Ei", ele disse, beijando minhas lágrimas. "Não se preocupe comigo. Eu sou um sujeito duro na queda. Nós ficaremos bem."
Eu acenei com a cabeça, não confiando em minha voz para falar. "Eu te amo." Eu consegui murmurar antes que as lágrimas começassem a fluir constantemente. Eu nunca tinha estado sem Edward por mais que um dia ou dois e pensar em passar mais tempo longe dele parecia insuportável.
"Eu também te amo, meu amor. Cuide-se." ele murmurou, me beijando uma vez mais antes de me soltar e olhar para Emmett que tinha se afastado de Rosalie.
"Pronto?" Edward perguntou enquanto Emmett pegava sua bolsa e a colocava no ombro. Ele acenou com a cabeça, beijando Rose uma vez mais e me puxando para um abraço de urso.
"Tenha cuidado, Em." Eu disse, por entre as lágrimas. "Você é minha única fonte de entretenimento aqui."
Ele riu sombriamente. "Eu te amo, Bells. Não se meta em confusões."
Edward me pegou mais uma vez em seus braços, seus lábios roçando sobre a minha testa antes que Emmett colocasse sua bolsa na parte de trás do carro e nos empurrasse, o fazendo cair sobre o banco de motorista. Com um último sorriso torto, pela janela , Edward esperou até que Emmett tivesse entrado no Volvo e arrancou, mais lento que o habitual.
Eu observei até o carro sumir de vista antes de olhar para Rose, que parecia completamente derrotada. Nós não dissemos nenhuma palavra enquanto entrávamos na BMW dela, rumando diretamente para a sua casa. Rose e eu entramos, mecanicamente em casa, não nos preocupando em fazer o que quer que fosse antes de nos encararmos, caindo ajoelhadas no chão, chorando. Eu tentei passar os braços pelo meu tronco, mas falhei horrivelmente e me contentei apenas em abraçar meus joelhos, os trazendo de encontro ao meu peito. Rose seguiu meu exemplo, sentando-se ao meu lado e chorando suavemente enquanto olhava a sala de estar vazia.
"É muito patético eu estar nessa situação?" perguntei baixinho enquanto me apoiava contra a parede.
Rose secou suas lágrimas, balançando a cabeça enquanto a apoiava em meu ombro. "Não. Isso apenas mostra o quão loucamente apaixonada você está."
Eu pensei nas suas palavras, me sentindo ainda mais deprimida ao pensar em como seriam os próximos dias sem ver a face angelical dele ou ouvir sua voz aveludada. 'Edward', eu sussurrei para mim mesma. 'Por favor volte pra mim.'
Ai, que final mais tenso esse não? Coitados, eles não conseguem curtir nem um momento a sós sem que alguma coisa ou alguém os atrapalhe. E aí, o que será que vai acontecer agora? Como a Bella vai ficar enquanto o Ed estiver fora?
Nossa, acho que essa é uma das primeiras fics em que a Victória não aparece como uma megera também. Achei muito fofo a Elizabeth levando a Bella até a editora. Isso é que é sogra DIVA!
Flores, alguma de vocês é boa em arte? Essa fic está sem capa e eu estou em busca de uma capa para ela, afinal, tenho um carinho muito grande por esse casal super enroladinho. Mas nessa enrolação que eu estou, estou super sem tempo para sentar e tentar fazer algo. Até porque, eu não sou muito boa em photoshop. Será que alguém se aventura? Eu prometo colocá-la com os devidos créditos lá no Orkut e no blog.
Ah, falando nisso, não deixem de dar uma passadinha no www(ponto)pensamentossemnexo(ponto)blogspot(ponto)com Durante o processo de tradução, eu vou deixando alguns spoillers por lá...
Resposta das reviews:
MrSouza Cullen: oi flor... pois é... a Bella é muito pastelzinha tem horas mesmo. Na verdade, eita casal mais devagar não é não? Eu também adoro a Elizabeth, isso é que é sogra!!! Viu só, nesse capítulo ela ainda apresenta a Bella pra editora fodona... ai ai... quem dera minha sogra conhecesse alguém pra me arrumar um emprego rsrsrs... bjus flor!
Leehzinha: ushuahsuahsuahushau eu ri muito da tartaruga. Se bobear, ela vai ser mais rápida que os dois juntos rsrsrs... Pois é menina, muito misteriosa essa carta mesmo. Mas logo logo saberemos o que o pai do Ed escreveu para ele. ;) bjussss
Gibeluh: bem vinda flor! Que bom que está gostando. Espero te ver mais por aqui a partir de agora. Bjusss
Carol Venancio: oi amora... hum, quanto a sua pergunta sobre a ruína do castelo de cartas eu respondo... será porque você já percebeu que com a Bronze nada nunca é simples?! Viu só, capítulo dedicado a você, rapidinho só porque você está indo embora. ;) Xi, tanta coisa já mudou desde que eu postei o capítulo passado que vou te responder suas outras perguntas por PM okay? Bjusssssssss
Alline Viana: oi florzinha! Pois é... isso é que é família perfeita, o resto é bobagem! rsrsrs Hum, essa carta está gerando muitas curiosidades... mas logo logo vocês saberão o que tem nela, eu prometo. Bjusss flor!
Bem minhas flores... É isso! Até o próximo capítulo e, não esqueçam das minhas reviews. E se quiserem deixar algum recadinho pra Bronze também, todas as reviews são traduzidas e enviadas para ela tbm. Por isso, vamos fazer a Bronze e a tradutora aqui felizes, apertando esse botãozinho verde logo aí embaixo? Beijooooooooosssssss
